Categoria: ÍNTEGRA
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Dados divulgados pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda apontam que o mercado regulado de apostas online movimentou aproximadamente R$ 17,4 bilhões apenas no primeiro semestre de 2025. Estimativas apresentadas pelo Banco Central (BC) durante debates no Senado Federal indicam que o fluxo mensal de recursos destinados às apostas pode variar entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões por mês.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou durante audiência pública, que “há preocupação institucional com os impactos das apostas sobre o endividamento das famílias brasileiras”. O tema passou a integrar discussões sobre estabilidade financeira, crédito ao consumidor e comportamento de consumo.
Levantamento realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo estimou que o avanço das apostas online pode provocar impacto superior a R$ 100 bilhões anuais sobre o varejo nacional, em razão da transferência de parte da renda das famílias para plataformas digitais de apostas. O estudo apontou redução do consumo em segmentos ligados à alimentação, vestuário, eletrodomésticos e serviços.
A relação entre apostas digitais e vulnerabilidade financeira também passou a mobilizar instituições bancárias e empresas do setor privado. Relatórios corporativos divulgados por Itaú Unibanco, XP Inc., Assaí Atacadista e Tok&Stok identificaram aumento da inadimplência familiar associado ao crescimento das apostas on-line. Parte das análises observou migração de recursos antes destinados à poupança, ao consumo doméstico e aos investimentos para plataformas digitais de jogos.
Segundo levantamento do SPC Brasil e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, aproximadamente 39 milhões de brasileiros realizaram apostas online nos últimos doze meses. A pesquisa mostrou ainda que 46% dos apostadores declararam já ter reduzido gastos cotidianos para manter atividades de apostas. Entre os entrevistados, parcela significativa relatou comprometimento de orçamento familiar, atraso de contas e aumento do uso de crédito pessoal.
O tema também alcançou a área da saúde pública. Estudos conduzidos pela Fundação Oswaldo Cruz e por universidades federais passaram a analisar crescimento de sintomas relacionados à ansiedade, compulsão, depressão e dependência comportamental associados ao uso intensivo de plataformas de apostas digitais. O psiquiatra Valentim Gentil afirmou, em seminário sobre saúde mental e jogos, que “o transtorno do jogo compulsivo apresenta dinâmica semelhante à dependência química em muitos pacientes”.
Além dos efeitos econômicos e psicológicos, autoridades passaram a discutir possíveis vulnerabilidades regulatórias do setor. O Ministério Público Federal analisa mecanismos jurídicos relacionados à atuação de empresas autorizadas a operar apostas online no Brasil. Paralelamente, o Ministério da Fazenda iniciou processos de revisão cadastral, fiscalização tributária e adequação das plataformas às novas regras de licenciamento.
O crescimento do setor coincidiu com a intensificação da publicidade de apostas esportivas em transmissões esportivas, redes sociais e plataformas digitais. Clubes de futebol, influenciadores e emissoras de televisão passaram a firmar contratos milionários com empresas de apostas. Em resposta ao avanço dessa publicidade, projetos legislativos apresentados no Congresso Nacional discutem restrições à propaganda direcionada a menores de idade e consumidores vulneráveis.
Outro ponto observado pelas autoridades financeiras envolve a utilização de recursos provenientes de programas sociais em apostas digitais. Estudos apresentados ao Senado indicaram movimentação relevante de valores oriundos de contas associadas ao programa Bolsa Família em plataformas de apostas. Técnicos do governo passaram a discutir mecanismos de bloqueio e controle para evitar utilização indevida desses benefícios.
Especialistas em segurança pública também passaram a analisar o setor sob a perspectiva da lavagem de dinheiro e da atuação de organizações criminosas. Relatórios internacionais produzidos pelo Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI) apontam que plataformas digitais de apostas podem ser utilizadas em operações de ocultação patrimonial, especialmente quando associadas a pagamentos instantâneos, criptomoedas e operações transnacionais.
O Brasil tornou-se um dos maiores mercados globais de apostas online em volume de usuários e movimentação financeira. O crescimento acelerado ocorreu em paralelo à consolidação de um ecossistema digital que reúne publicidade massiva, crédito facilitado, pagamentos instantâneos e acesso contínuo por dispositivos móveis. O debate atual envolve não apenas arrecadação tributária e regulação econômica, mas também impactos sociais, financeiros e institucionais associados à expansão desse novo mercado digital.
A frase que foi pronunciada:
“Há duas ocasiões na vida em que uma pessoa não deve jogar: quando não tiver posses para isso – e quando tiver.”
Mark Twain

História de Brasília
Quanto às quadras do Setor Comercial Residencial, é preciso que o povo veja a numeração, para saber que é correspondente à da superquadra que fica logo atrás. (Publicada em 18.05.1962)
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Não há mais tanta utilidade em tentar antecipar quem ocupará o Palácio do Planalto após 2026, quais partidos formarão maioria no Congresso Nacional ou que grupos tradicionais dominarão os governos estaduais. Parte dos estudos contemporâneos em ciência política, filosofia da tecnologia e sociologia digital passou a discutir a hipótese de que as estruturas clássicas de poder construídas entre os séculos XVIII e XX estejam atravessando um processo gradual de deslocamento histórico. Em lugar da centralidade do Estado nacional, surgem sistemas de influência organizados em torno da informação, dos fluxos digitais e das plataformas tecnológicas globais.
Luciano Floridi, filósofo italiano, professor da Universidade de Oxford e um dos principais teóricos da chamada “filosofia da informação”, utiliza o conceito de hiper-história para descrever sociedades cuja sobrevivência depende integralmente das Tecnologias da Informação e Comunicação. Segundo Floridi, “sociedades hiper-históricas prosperam apenas quando baseadas em TICs e são extremamente vulneráveis a ataques informacionais”. A afirmação aparece em estudos que analisam a transformação da informação em principal eixo de organização econômica, política e cultural do século XXI.
Com o avanço das chamadas TICs, Tecnologias da Informação e Comunicação, altera-se profundamente o funcionamento das relações sociais. Internet, redes sociais, computação em nuvem, inteligência artificial, algoritmos de recomendação e plataformas digitais passaram a mediar não apenas a circulação de dados, mas também relações econômicas, afetivas, profissionais e políticas. A informação tornou-se matéria-prima estratégica.
Empresas como Alphabet, Meta, Amazon, Microsoft e Tencent passaram a concentrar capacidade inédita de coleta, processamento e distribuição de informações em escala planetária. Em alguns casos, o faturamento anual dessas corporações supera o Produto Interno Bruto de diversos países médios. A Alphabet registrou receita superior a US$ 350 bilhões em 2025. A Meta ultrapassou 3 bilhões de usuários ativos mensais em suas plataformas digitais.
Byung-Chul Han, cientista político sul-coreano, passou a utilizar o conceito de “infocracia” para descrever sistemas em que o poder deixa de operar prioritariamente pela coerção física e passa a funcionar pela gestão algorítmica da informação, da atenção e do comportamento. Em uma de suas formulações mais conhecidas, Han afirma que “a informação produz uma nova forma de dominação”. Para o filósofo, o excesso de dados, estímulos e comunicação contínua altera os próprios mecanismos tradicionais da democracia representativa.
Ao mesmo tempo, governos nacionais enfrentam crescente dificuldade para controlar fluxos informacionais transnacionais. Plataformas digitais operam simultaneamente em centenas de países, armazenam dados em servidores distribuídos globalmente e utilizam estruturas jurídicas que frequentemente escapam aos modelos clássicos de regulação estatal. Questões envolvendo privacidade, soberania digital, inteligência artificial e manipulação algorítmica tornaram-se centrais na agenda geopolítica contemporânea.
Estados Unidos e China concentram atualmente os maiores investimentos globais em IA generativa, semicondutores e infraestrutura computacional. Relatório da Stanford University divulgado em 2025 mostrou que investimentos privados globais em inteligência artificial ultrapassaram US$ 180 bilhões em um único ano. A tecnologia tornou-se simultaneamente instrumento econômico, militar e político.
Yuval Noah Harari, historiador israelense, sustenta que “quem controlar os dados controlará o futuro”. A frase sintetiza uma percepção crescente entre pesquisadores de que o domínio informacional tende a se tornar elemento determinante das novas relações de poder global. Nesse cenário, a soberania deixa de depender exclusivamente de território, população e força militar, incorporando capacidade tecnológica e controle de infraestrutura digital.
Parte da literatura acadêmica contemporânea passou a utilizar metáforas biológicas para descrever a crise das estruturas políticas tradicionais. O conceito de “apoptose política”, mencionado em debates recentes sobre teoria do Estado, faz analogia ao processo celular programado de autodestruição. A hipótese sugere que determinadas instituições concebidas para sociedades industriais podem enfrentar esvaziamento gradual de funcionalidade diante da reorganização digital da economia e da vida social.
Esse processo não implica necessariamente desaparecimento imediato dos Estados nacionais, mas aponta para redistribuição de centralidade. Poderes tradicionais, Legislativo, Executivo e Judiciário, passam a compartilhar espaço com plataformas digitais, empresas de tecnologia, sistemas automatizados e redes globais de informação capazes de influenciar mercados, eleições, opinião pública e comportamento coletivo em escala transnacional.
A frase que foi pronunciada:
“Na midiocracia, também a política se submete à lógica das mídias de massa. O entretenimento determina a mediação de conteúdos políticos e deteriora a racionalidade.”
Byung-Chul Han

História de Brasília
Agora as notícias: o Ministério da Educação autorizou o Tesou a liberar 610 milhões para serem utilizados pela Fundação Educacional. (Publicado em 20.05.1962)
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Em 2024, o Brasil registrou o índice de Gini de 0,82, um número que não é apenas uma estatística fria, mas um veredito moral sobre as escolhas que fizemos como nação. Numa resposta rápida, esse índice mostra, em uma escala de 0 a 1, uma avaliação da desigualdade dentro de uma distribuição, quase sempre referente à renda ou riqueza de uma população. Gini é um conceito importante na Economia. O “zero” é a igualdade perfeita e o “um” é a desigualdade máxima.
Empatados com a Rússia em meio a uma guerra e situados entre as 56 nações mais desiguais do planeta, carregamos uma distinção que nenhum governo deveria aceitar com normalidade. O que torna esse dado ainda mais perturbador é o fato de que, nas últimas duas décadas, o país foi governado por forças que se autoproclamaram, incansavelmente, defensoras dos mais pobres. A pergunta que não se pode mais adiar é simples e devastadora: se o Estado governa para os desvalidos, por que a desigualdade não para de crescer?
Há um paradoxo que corrói a credibilidade do discurso público brasileiro há gerações: quanto mais o Estado se proclama redentor dos pobres, mais concentrada se torna a renda. Não é acidente. Não é azar histórico. É o resultado previsível de um modelo em que o aparato público cresceu não para redistribuir riqueza, mas para redistribuir poder e, com ele, privilégios. Marcadas, nas últimas décadas, por governos que ergueram sua identidade sobre o vocabulário da justiça social: transferência de renda, inclusão produtiva, combate à fome, ampliação de direitos.
Não se nega que programas como o Bolsa Família tenham impedido cenários ainda mais graves. O que se questiona, com dados e rigor, é a narrativa de que tais iniciativas, diante do custo do Estado brasileiro, representam uma política genuína de redução de desigualdade ou apenas um anestésico para uma ferida que o próprio governo faz sangrar.
O Gini de 0,82, vale lembrar, não mede apenas a diferença entre ricos e pobres em termos de renda anual. Ele captura a distância abissal entre aqueles que acessam o Estado como fonte de proteção e renda garantida e servidores estáveis, aposentados precoces, pensionistas privilegiados e aqueles que financiam esse sistema sem jamais dele se beneficiar proporcionalmente. O índice, nesse sentido, é um espelho do Estado, não apesar dele.
Segundo dados do Tesouro Nacional, o peso dos tributos sobre o PIB supera consistentemente os 33%, patamar comparável ao de nações escandinavas mas sem nenhuma das contrapartidas em qualidade de serviços públicos que justificariam tal extração. A pergunta que todo cidadão deveria fazer ao assinar a declaração de imposto de renda é: onde foi parar esse dinheiro?
Gasto público desordenado alimenta a inflação crônica que corrói o poder de compra das camadas mais vulneráveis. A inflação não é um imposto sobre os ricos, é um imposto regressivo que devora o salário do trabalhador informal, a aposentadoria mínima da dona de casa e a poupança inexistente do jovem da periferia. Quando o governo gasta além do que arrecada, a conta não vai para o Ministério da Fazenda. Vai para a feira do sábado de quem ganha um salário mínimo.
Há um mecanismo ainda mais perverso que o simples desperdício: a captura do Estado por grupos de interesse organizados em torno do poder político. Em economias onde as regras são feitas pelos mesmos que se beneficiam delas, a desigualdade não é uma falha do sistema, é o sistema funcionando exatamente como planejado.
Ao longo de décadas de alternância entre projetos que, no fundo, compartilhavam o mesmo amor pela expansão do Estado, um ecossistema brasileiro mantém a proximidade com o poder público e esse é o principal fator de sucesso econômico. Não o mérito, não a inovação, não o risco empreendedor, mas a capacidade de capturar contratos, subsídios, isenções e proteções tarifárias que o Estado distribui a seus favoritos.
O capitalismo de compadres, como o chamam os economistas, não é o capitalismo: é o seu oposto, travestido de mercado. Os grandes conglomerados que se beneficiaram de décadas de financiamentos subsidiados do BNDES, de desonerações setoriais e de proteções alfandegárias, não competiram no mercado, jogaram no campo inclinado montado pelo Estado. O resultado foi a criação de oligopólios disfarçados de campeões nacionais, acumulação de capital às custas do erário e concentração de renda que nenhum programa social conseguiria reverter.
Para cada real distribuído em transferências, outro e muitas vezes mais foi entregue disfarçado de política industrial. Quando o Estado escolhe vencedores, ele inevitavelmente cria perdedores. E os perdedores no Brasil não são as grandes empresas que sobreviveram sem subsídio: são o microempreendedor esmagado pela burocracia, o trabalhador informal que não tem acesso ao crédito, o jovem de escola pública que concorre em condições desiguais com o filho de quem soube negociar com o poder.
A desigualdade brasileira tem endereço. E muitas vezes esse endereço fica em Brasília. Nenhum investimento social reduz desigualdade de forma mais duradoura do que uma educação pública de qualidade universal. É o único mecanismo capaz de romper o ciclo intergeracional da pobreza, de garantir que o filho do agricultor do semiárido tenha as mesmas chances cognitivas e profissionais que o filho do advogado de Higienópolis.
A frase que foi pronunciada:
“A quem recorrer?”
Dona Dita pensando nas notícias desanimadoras
História de Brasília
Como sempre, o st. Afonso Almiro viajou para o Rio no mesmo dia, mas nessa oportunidade, prestou um relevante serviço ao Distrito Federal, e, particularmente, às Fundações da Prefeitura do Distrito Federal.
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Às vésperas das eleições, em ritmo de toque de caixa e com a cumplicidade de sempre, o Congresso Nacional aprovou mais um pacote de bondades para os partidos políticos. O custo estimado ao contribuinte brasileiro: mais de R$ 25 bilhões. A conta, como de costume, ficará para o pobre e endividado cidadão comum pagar.
Há uma cena que se repete com regularidade quase cronométrica na política brasileira: quando se trata de aprovar benefícios para si mesmos, os parlamentares deixam de lado as animosidades partidárias, as brigas ideológicas e os discursos inflamados que tanto encantam as plateias nas redes sociais. A polarização desaparece. O palanque emudece. E o plenário vota unido, veloz e, sobretudo, silencioso.
Foi exatamente o que aconteceu mais uma vez. Em sessão realizada às pressas, longe dos holofotes e da atenção da população, o Congresso aprovou um pacote que beneficia as mais de duas dezenas de partidos políticos registrados no país. Entre as medidas aprovadas, destacam-se: a permissão para que as legendas paguem suas multas e dívidas em até 15 anos prazo que nenhum banco concederia a uma família endividada ; a autorização para que telefones partidários realizem disparos em massa de mensagens por meio de robôs; e dispositivos que dificultam, de forma deliberada, que a Justiça Eleitoral cobre dívidas e multas dos diretórios políticos.
Chame-se pelo nome correto: trata-se de um auto-perdão institucionalizado. Os mesmos agentes que detêm o poder de legislar sobre a vida dos cidadãos suas dívidas, seus impostos, suas obrigações aproveitam esse mesmo poder para se livrar das próprias dívidas, enfraquecer os mecanismos de cobrança e garantir vantagens competitivas na disputa eleitoral, como o uso de disparos em massa por robôs, recurso que qualquer empresa privada utilizaria sob risco de sanção.
Mais escandaloso ainda, talvez seja o custo projetado: estimativas apontam para um impacto superior a R$ 25 bilhões aos cofres públicos e, portanto, ao bolso do contribuinte. Para se ter a dimensão do absurdo, esse valor supera o orçamento anual de diversos programas sociais fundamentais para milhões de brasileiros. É dinheiro que poderia financiar escolas, hospitais, saneamento básico e infraestrutura. Em vez disso, servirá para cobrir os rombos criados pelos próprios partidos ao longo de anos de gestão irresponsável de seus recursos.
E, enquanto isso acontece, as famílias brasileiras acumulam um endividamento histórico, avaliado em trilhões de reais. Nenhum projeto de lei aprovado com a mesma velocidade ou com a mesma unanimidade silenciosa foi dedicado a aliviar esse fardo. Nenhum prazo elástico de 15 anos foi concedido ao trabalhador que não consegue quitar seu financiamento. Nenhum dispositivo foi aprovado para dificultar que bancos cobrem dívidas de cidadãos comuns. A lei, como se vê, não é igual para todos.
Esse é o o retrato de uma cultura política que há décadas trata o Estado como patrimônio privado daqueles que têm acesso ao poder. A chanchada não é novidade; esse é o sistema funcionando exatamente como foi desenhado por quem ocupa o assento para projetar o futuro do país. Mais uma vez é apresentado ao brasileiro projeto da desfaçatez. O resultado mais deletério desse processo não é sequer financeiro. É político e democrático.
Cada vez que o Congresso aprova leis desse tipo, na calada do tempo, nos meandros de interesses escusos, na velocidade e com a coesão que nunca demonstra ao debater reformas estruturais para o país , aprofunda-se o abismo entre a classe política e a população. Mais uma vez a descrença nas instituições cresce. A apatia eleitoral é inevitável.
Os dados de confiança nas instituições políticas brasileiras consistentemente entre os mais baixos do mundo confirmam o diagnóstico. E iniciativas como a aprovada agora não fazem senão confirmar, para o cidadão comum, aquilo que já suspeitava: o Congresso legisla, prioritariamente, para si mesmo. É preciso vigilância ativa de todos para que as respostas a mais essa bofetada sejam devidamente cobradas nas urnas. Ou é isso ou prosseguiremos afundados pelo lamaçal de escândalos e oportunismos, pagando uma conta que não é nossa e que nós não autorizamos de forma alguma.
A frase que foi pronunciada:
“Todo corrupto quer combater a corrupção. Desde que não seja a dele.”
Leo Dias

Todos
Na Asa Norte a situação está incomodando o direito de ir e vir dos cidadãos. O número de pedintes e viciados aumenta, deixando tensos os moradores. É desumano deixar essas pessoas sem assistência.
Morosidade
Com um drone, pode-se observar que a obra no início do Eixão Norte não progride. Já são anos forçando os motoristas a perder tempo no trânsito sem o fim desse empreendimento.
História de Brasília
Mas esteve em Brasília o sr. Afonso Almiro. Diretor Gerai da Fazenda Nacional, que, façamos justiça, resolveu em pouco tempo a questão em tôrno de uma verba que poderia não ser recebida. (Publicado em 20.05.1962)
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É fácil saber como a expansão dos jogos de azar alterou hábitos econômicos, ampliou o endividamento familiar e passou a interferir na própria saúde da população, beneficiando ainda o crime organizado. Para tanto basta não seguir os milhares de alertas feitos antecipadamente e depois, apostas no ganho fácil de arrecadação, em cima de uma tragédia anunciada.
A rápida expansão das apostas eletrônicas no Brasil produziu, em poucos anos, um fenômeno econômico e social de grandes proporções. O crescimento das chamadas bets, associado à proliferação de plataformas digitais de apostas esportivas e jogos online, movimentou cifras bilionárias, alterou hábitos de consumo e levou autoridades financeiras, especialistas em saúde pública e órgãos de segurança a acompanharem com preocupação os impactos desse mercado sobre as famílias brasileiras.
Estimativas divulgadas por instituições financeiras e consultorias econômicas apontam que os brasileiros movimentaram mais de R$ 100 bilhões anuais em apostas digitais. Parte significativa desse volume saiu diretamente do orçamento doméstico, atingindo principalmente famílias de baixa e média renda. Em muitos casos, despesas antes destinadas ao consumo básico passaram a ser direcionadas para plataformas de jogos, impulsionadas pela facilidade de acesso por telefone celular e pela intensa publicidade do setor.
O crescimento das apostas coincidiu com um período de elevado endividamento das famílias. Dados do Banco Central e da Confederação Nacional do Comércio indicaram aumento da inadimplência e comprometimento crescente da renda mensal com dívidas. Economistas passaram a observar uma relação entre a popularização das apostas online e a redução da capacidade financeira de milhões de consumidores.
Além do impacto econômico, especialistas em saúde mental passaram a alertar para o aumento dos casos de ludopatia, transtorno caracterizado pela compulsão em jogos de azar. Clínicas e centros de atendimento psicológico registraram crescimento na procura por tratamento relacionado ao vício em apostas digitais. O problema passou a atingir diferentes faixas etárias, incluindo jovens adultos expostos diariamente à publicidade do setor em transmissões esportivas, redes sociais e campanhas com celebridades.
Sob o argumento de formalizar um mercado já existente, a regulamentação das apostas esportivas, aprovada e ampliar a arrecadação tributária, abriu espaço para uma rápida expansão empresarial. Grandes grupos internacionais passaram a operar no país, patrocinando clubes de futebol, eventos esportivos e influenciadores digitais. Em poucos meses, as marcas de apostas se tornaram presença constante no cotidiano da população. Paralelamente ao crescimento econômico do setor, órgãos de investigação passaram a monitorar possíveis conexões entre plataformas digitais de apostas e práticas de lavagem de dinheiro.
Relatórios internacionais sobre crimes financeiros já apontavam, há anos, que ambientes virtuais de jogos poderiam ser utilizados para ocultação de recursos ilícitos, movimentação internacional de valores e operações financeiras de difícil rastreamento. Autoridades de segurança pública brasileiras também passaram a acompanhar o avanço do crime organizado em atividades ligadas ao setor de apostas. Investigações conduzidas em diferentes estados identificaram esquemas envolvendo manipulação de resultados esportivos, uso de empresas de fachada e circulação irregular de recursos financeiros. Em alguns casos, operações policiais revelaram conexões entre grupos criminosos e plataformas clandestinas.
Países que legalizaram amplamente jogos de azar registraram crescimento econômico localizado em determinadas regiões, mas também aumento na demanda por serviços de saúde mental e fiscalização financeira. Em alguns casos, governos precisaram endurecer regras de publicidade, limitar acesso de menores e criar sistemas rigorosos de controle de movimentações financeiras. No Brasil, a velocidade da expansão das apostas digitais ocorreu antes da consolidação de mecanismos robustos de fiscalização e proteção ao consumidor. Especialistas em direito digital e regulação financeira apontam dificuldades do Estado em acompanhar a complexidade tecnológica dessas plataformas, muitas delas sediadas fora do país.
Outro ponto de preocupação envolve o impacto cultural da normalização das apostas como forma de renda ou entretenimento cotidiano. Pesquisadores em comportamento social observam que campanhas publicitárias passaram a associar jogos de azar à ideia de ascensão financeira rápida, sucesso pessoal e facilidade de ganho econômico. Essa comunicação atingiu principalmente públicos jovens e populações mais vulneráveis economicamente. Ao mesmo tempo, instituições financeiras começaram a registrar aumento de transações destinadas a plataformas de apostas, inclusive em segmentos de baixa renda.
Endividamento, compulsão, fraudes digitais e investigações sobre movimentações financeiras ilícitas passaram a integrar uma realidade que tende a exigir respostas cada vez mais complexas do Estado e da sociedade.
A frase que foi pronunciada:
“Há duas ocasiões na vida em que uma pessoa não deve jogar: quando não tiver posses para isso, e quando tiver.”
Mark Twain

História de Brasília
As notícias para Brasília são as melhores possíveis. O ministro da Fazenda não fez, no dia anunciado, o esquema de verbas para Brasília, porque não veio ao DF na quarta-feira, como estava anunciado. (Publicado em 20.05.1962)
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Transformações tecnológicas das últimas duas décadas vêm alterando, de forma significativa, a configuração da criminalidade econômica contemporânea, impondo novos desafios aos sistemas regulatórios e às estruturas tradicionais de persecução penal. A expansão das criptomoedas, o crescimento acelerado das plataformas digitais de apostas e a consolidação de redes financeiras descentralizadas vêm produzindo um cenário no qual a materialidade clássica das operações financeiras cede espaço a fluxos digitais instantâneos, descentralizados e frequentemente transnacionais.
Sistemas jurídicos e mecanismos de fiscalização financeira foram concebidos em contexto histórico no qual operações econômicas dependiam de instituições bancárias centralizadas, documentação física, intermediação identificável e delimitações territoriais relativamente definidas. A digitalização financeira alterou substancialmente esse paradigma.
Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central do Brasil, declarou em diferentes fóruns sobre inovação financeira que “a regulação deve permitir inovação sem abrir espaço para assimetrias de supervisão”. A observação tem sido frequentemente citada em discussões sobre o equilíbrio entre estímulo tecnológico e mitigação de riscos sistêmicos.
No Brasil, o crescimento das chamadas bets ocorreu de forma particularmente acelerada. A regulamentação específica do setor passou a ganhar contornos mais definidos após a sanção da legislação voltada à exploração comercial das apostas de quota fixa. A presença massiva dessas campanhas alterou a paisagem informacional cotidiana. O cidadão passou a ser exposto de forma recorrente a mensagens promocionais em transmissões esportivas, redes sociais, aplicativos móveis, vídeos on-line, podcasts, canais de entretenimento e publicidade segmentada por algoritmos.
Especialistas em comunicação digital observam que a frequência dessa exposição cria o que se convencionou chamar de normalização publicitária. O fenômeno mobilizou atenção de órgãos reguladores, autoridades tributárias e entidades ligadas à proteção financeira do consumidor. A expansão trouxe consigo desafios regulatórios relevantes.
Relatórios internacionais apontam preocupações relacionadas à lavagem de dinheiro, manipulação de resultados esportivos, evasão fiscal, publicidade dirigida e exposição de grupos vulneráveis. A organização internacional Financial Action Task Force, responsável pela formulação de diretrizes globais de prevenção à lavagem de dinheiro, passou a incluir ativos digitais e plataformas on-line entre áreas prioritárias de monitoramento. Em apresentação recente, o organismo observou que “ativos virtuais aparecem com frequência crescente em investigações relacionadas à circulação de recursos ilícitos”. As recomendações incluem ampliação da cooperação internacional, implementação de identificação obrigatória de usuários e integração tecnológica entre autoridades financeiras. A natureza transnacional dessas operações representa desafio adicional.
Enquanto investigações financeiras tradicionais dependem de registros bancários centralizados e ordens judiciais territorialmente delimitadas, fluxos digitais podem atravessar múltiplas jurisdições em questão de segundos. Recursos podem circular entre exchanges localizadas em diferentes países, migrar para protocolos descentralizados e retornar ao sistema financeiro formal com reduzida rastreabilidade.
O jurista Pierpaolo Cruz Bottini tem observado, em análises sobre criminalidade econômica digital, que o enfrentamento dessas novas dinâmicas exige instrumentos técnicos proporcionais à sofisticação dos ambientes virtuais. A questão também alcança o debate legislativo. Especialistas em regulação financeira têm apontado que respostas exclusivamente repressivas mostram alcance limitado quando desacompanhadas de supervisão tecnológica preventiva. O professor Luiz Flávio Gomes observava que transformações tecnológicas exigem atualização normativa articulada à inteligência regulatória, e não mera multiplicação de tipos penais. A experiência internacional oferece exemplos relevantes.
A União Europeia aprovou o regulamento MiCA, considerado um dos marcos regulatórios mais abrangentes para ativos digitais. O texto estabelece parâmetros para emissão, custódia e supervisão de criptoativos. Nos Estados Unidos, diferentes agências federais têm ampliado esforços coordenados de monitoramento. Na Ásia, jurisdições como Singapura e Japão desenvolveram modelos regulatórios voltados à supervisão tecnológica contínua. No caso das apostas digitais, experiências regulatórias mostram padrões semelhantes. Mercados como Reino Unido e Espanha adotaram estruturas específicas de licenciamento, auditoria algorítmica e rastreamento financeiro. Esses instrumentos buscam compatibilizar exploração econômica com fiscalização preventiva. O ambiente digital alterou bases tradicionais da investigação econômica.
A frase que foi pronunciada:
“Se considerarmos a idade média da maioria dos membros de conselhos de administração em todo o mundo e, francamente, também suas experiências profissionais, veremos que eles não estão preparados para o mundo digital.”
James Bilefield

História de Brasília
Mas esteve em Brasília o sr. Afonso Almiro, diretor geral da Fazenda Nacional, que, façamos justiça, resolveu em pouco tempo a questão em tôrno de uma verba que poderia não ser recebida. (Publicada em 20/5/1962)
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Parece que a relação entre o poder político, a fragilidade institucional e práticas de corrupção constitui objeto permanente de estudo da ciência política, da economia institucional e da sociologia contemporânea. O tema atravessa diferentes sistemas políticos, regimes econômicos e períodos históricos, figurando como uma das principais variáveis associadas à perda de eficiência estatal, à redução da credibilidade pública e ao comprometimento da capacidade administrativa dos Estados. O debate não se restringe à esfera moral ou jurídica. Organismos multilaterais, centros de pesquisa econômica e instituições acadêmicas tratam a corrupção como fator mensurável de impacto econômico e institucional.
John Emerich Edward Dalberg-Acton, historiador britânico formulou, em correspondência de 1887, uma das observações mais frequentemente mobilizadas em estudos sobre concentração de poder: “O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente”. A formulação tornou-se referência em análises sobre mecanismos de controle institucional.
Na tradição filosófica moderna, Thomas Hobbes descreveu a necessidade de estruturas reguladoras como forma de conter a tendência humana à disputa por recursos e poder. Em Leviatã, publicado em 1651, Hobbes apresentou a organização estatal como resposta àquilo que chamou de conflito permanente entre interesses concorrentes.
A literatura contemporânea da psicologia moral acrescenta novos elementos a esse debate. O psicólogo social Albert Bandura descreveu o fenômeno do “desengajamento moral”, mecanismo pelo qual indivíduos passam a justificar gradualmente condutas incompatíveis com normas éticas inicialmente aceitas. Estudos nessa linha indicam que desvios institucionais frequentemente resultam de processos graduais de racionalização, e não de rupturas abruptas.
Registros históricos mostram a recorrência desse fenômeno. Na Roma republicana, a concentração progressiva de poder e a fragilidade dos mecanismos de contenção institucional estiveram associadas ao enfraquecimento das estruturas republicanas. Historiadores como Mary Beard apontam que práticas como compra de apoio político, patronagem e alianças informais contribuíram para o rearranjo institucional que culminou na transição para o Império.
No século 20, o caso alemão tornou-se objeto central de análise sobre captura institucional. Hannah Arendt observou que processos de deterioração institucional frequentemente se desenvolvem dentro das próprias estruturas legais, mediante sucessiva neutralização de freios normativos. A análise permanece referência para estudos sobre erosão institucional.
Na América Latina, investigações recentes ampliaram o alcance empírico dessas observações. O caso da Odebrecht revelou operações financeiras ilícitas em ao menos 12 países, segundo dados apresentados por autoridades judiciais brasileiras, norte-americanas e suíças. O acordo firmado com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos apontou pagamentos superiores a US$ 788 milhões em propinas distribuídas internacionalmente.
No Brasil, a Operação Lava-Jato produziu uma das maiores investigações de corrupção da história recente do país. Dados oficiais indicam centenas de condenações, dezenas de acordos de colaboração premiada e recuperação bilionária de ativos. As decisões judiciais relacionadas ao caso produziram debates técnicos sobre garantias processuais, competência jurisdicional e alcance institucional das investigações.
Independentemente das interpretações jurídicas posteriores, os processos revelaram mecanismos complexos de intermediação financeira, contratos direcionados e estruturas organizadas de repasse ilícito. O impacto econômico da corrupção também tem sido objeto de mensuração.
O Banco Mundial estima que a corrupção consome globalmente cerca de US$ 2,6 trilhões por ano, o equivalente a aproximadamente 5% do Produto Interno Bruto mundial. No Brasil, estimativas produzidas por centros de pesquisa nacionais apontam perdas anuais situadas entre 1% e 4% do PIB. Considerando a dimensão atual da economia brasileira, esse intervalo corresponde a valores superiores a R$ 100 bilhões anuais. Esses números aparecem associados a impactos indiretos igualmente relevantes.
Já a organização Transparência Internacional tem destacado que ambientes institucionais com maior percepção de corrupção tendem a apresentar menor taxa de investimento, rebaixamento do crédito regulatório e maior custo de financiamento.
No Índice de Percepção da Corrupção, o Brasil tem oscilado em posições intermediárias e inferiores entre os países avaliados. O economista Daron Acemoglu, em estudos sobre desenvolvimento institucional, argumenta que “instituições inclusivas são fundamentais para prosperidade de longo prazo”. A formulação integra pesquisas que relacionam crescimento sustentável à qualidade institucional e à previsibilidade jurídica.
A frase que foi pronunciada:
“É impossível não sentir vergonha pelo que aconteceu no Brasil.”
Ministro Luís Roberto Barroso, sobre a corrupção

História de Brasília
As notícias para Brasília são as melhores possíveis. O ministro da Fazenda não fez, no dia anunciado, o esquema de verbas para Brasília porque não veio ao DF na quarta-feira, como estava anunciado. (Publicada em 20/5/1962)
Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade
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Redução da jornada reacende debate sobre impactos econômicos e produtividade. A proposta de redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, acompanhada da revisão gradual da escala 6×1, voltou ao centro das discussões econômicas e legislativas no Brasil. A matéria mobiliza análises de entidades empresariais, centros de pesquisa econômica e organismos técnicos, que têm concentrado suas avaliações em três eixos principais: impacto sobre custos trabalhistas, efeitos sobre produtividade e capacidade de absorção da medida pelo atual cenário macroeconômico.
Em um contexto de desaceleração econômica e de restrições fiscais, os dados do Banco Central indicam que a dívida bruta do governo geral encerrou 2025 próxima de 79% do Produto Interno Bruto, com projeções de elevação para patamares superiores a 83% em 2026. O déficit nominal ultrapassou R$ 1 trilhão no mesmo período, enquanto os gastos com juros se aproximaram desse mesmo montante. A taxa Selic foi mantida em 15% ao ano, o maior nível registrado em quase duas décadas.
Estudos de entidades representativas do setor produtivo apontam estimativas de aumento expressivo nos custos operacionais. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria projeta impacto adicional entre R$ 178 bilhões e R$ 267 bilhões anuais sobre a folha de pagamentos com a redução para 40 horas semanais. Segundo a entidade, o custo unitário do trabalho apresentaria elevação em diferentes segmentos produtivos. Na indústria de transformação, a estimativa de aumento chega a 11,6%. Na construção civil, o percentual projetado alcança 13,2%.
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo, com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais, estimou impacto adicional de R$ 158 bilhões ao ano. O levantamento indica que micro e pequenas empresas concentram parte significativa da exposição a esses custos. Segundo o Sebrae, esse segmento responde por mais de 50% dos empregos formais no país.
Análises produzidas pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas projetam efeitos macroeconômicos adicionais. De acordo com o FGV IBRE, a redução da jornada para 40 horas poderia representar retração equivalente a 2,6% da renda agregada da economia. Em cenário hipotético de redução para 36 horas, a estimativa alcança 7,4% do Produto Interno Bruto. A produtividade aparece como variável central nesse debate.Dados compilados pelo FGV IBRE indicam crescimento médio da produtividade do trabalho de aproximadamente 0,5% ao ano entre 1981 e 2024. Nos últimos cinco anos, a média desacelerou para cerca de 0,3%.
Comparações internacionais indicam que países com jornadas médias inferiores apresentam, em geral, níveis mais elevados de produtividade, maior intensidade tecnológica e maior investimento em inovação. Na Alemanha e na Dinamarca, por exemplo, jornadas médias menores coexistem com produtividade por hora significativamente superior à brasileira. No Brasil, a Organização Internacional do Trabalho aponta jornada média efetiva próxima de 39 horas semanais, índice ligeiramente inferior à média global de 39,9 horas. Esse dado tem levado parte dos estudos a concentrar atenção em fatores estruturais de eficiência econômica. Relatórios do Banco Mundial e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) destacam entre os principais entraves brasileiros a elevada complexidade tributária, o custo do crédito, limitações logísticas, baixa taxa de investimento e entraves regulatórios.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou ao Brasil o fortalecimento de marcos fiscais de médio prazo. O Tribunal de Contas da União também tem publicado alertas relacionados à trajetória da dívida pública e à necessidade de consistência fiscal. A proposta de redução da jornada segue em discussão legislativa.
As análises técnicas produzidas até o momento indicam que seus efeitos estão diretamente relacionados à interação entre custo do trabalho, produtividade e condições macroeconômicas vigentes. Por um lado lado, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que os impactos financeiros “já foram, de certa forma, absorvidos ao longo dos anos”, ao defender a transição para o modelo 5×2. Já o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Ricardo Alban, declarou que “Sem aumento significativo na produtividade não é possível pensar em redução da jornada.” Em meio a esse cenário, propor novos choques de custo ao setor produtivo é uma opção ao palanque em detrimento do pais.
A frase que foi pronunciada:
“Se o partido é do trabalhador, porque não trabalhar?”
Dona Dita

História de Brasília
O leite do FISI que foi para o Ceará continua no depósito da Alfândega. Quando passarem as eleições, e os políticos chegarem a uma “solução honrosa” muita criança já terá morrido, e o leite já estará perdido. (Publicada em 18.05.1962)
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Há datas que dividem a história. 14 de maio de 2026 pode ser uma delas. Nesta quinta-feira, enquanto a grande mídia europeia permaneceu em silêncio ensurdecedor, ocupada com escândalos de celebridades e boletins climáticos, o Banco Central Europeu (BCE) consolidou mais um passo decisivo rumo à implantação do euro digital: encerrou o prazo oficial para que prestadores de serviços de pagamento de todo o continente manifestem interesse em participar do projeto-piloto da nova moeda.
De Frankfurt, a máquina tecnocrática que governa o dinheiro de 350 milhões de europeus avança silenciosamente. E o silêncio, neste caso, não é inocente. O euro digital é apresentado ao público como uma inovação benigna: mais rapidez, mais segurança, mais inclusão financeira. O BCE repete como mantra que a nova moeda “preservará a liberdade de escolha e a privacidade dos europeus”. Mas há uma diferença fundamental entre o que os tecnocratas prometem e o que a arquitetura do sistema permite. E é exatamente nessa diferença que reside o perigo.
Diferente do dinheiro em papel ou mesmo dos saldos bancários digitais convencionais, que circulam entre bancos privados e possuem certa opacidade operacional, o euro digital será emitido diretamente pelo BCE e poderá, em tese, ser rastreado transação por transação, programado para expirar, bloqueado por decreto e condicionado ao cumprimento de critérios definidos por uma burocracia supranacional sem mandato eleitoral. Trata-se de uma capacidade técnica inerente à Moeda Digital de Banco Central (CBDC, na sigla em inglês), reconhecida pelos próprios documentos internos das instituições que a desenvolvem.
Mas o que significa, concretamente, “respeitar padrões de privacidade” quando a infraestrutura técnica permite monitoramento total? Significa, na prática, que o Estado só exercerá o controle quando quiser e quem decide quando quer é o próprio Estado. A promessa de privacidade de um sistema programável é, por natureza, revogável. Não é uma garantia: é uma concessão temporária.
Os grandes escritores do século XX foram profetas inadvertidos. George Orwell, em 1984 (1949), imaginou um regime no qual o controle não se exercia apenas pela força bruta, mas pela manipulação do que as pessoas podiam pensar, dizer e crucialmente possuir. O protagonista Winston Smith vive num mundo onde até a memória é confiscável. A novidade do nosso tempo é que o confisco pode ocorrer sem prisões, sem policiais na porta: basta um algoritmo que bloqueie sua carteira digital.
Aldous Huxley, em Admirável Mundo Novo (1932), foi ainda mais perturbador: seu pesadelo não era o terror explícito, mas a domesticação alegre. Os cidadãos do Estado Mundial não eram torturados, eram seduzidos. O controle funcionava porque as pessoas o queriam. Substitua o “soma” de Huxley pela conveniência do pagamento por aproximação e pelo cashback do aplicativo do banco central, e você terá uma atualização perfeita do romance para o século XXI.
Ayn Rand, em Atlas Shrugged (1957), obra que a Academia raramente perdoa por seu rigor intransigente, descreveu, com precisão cirúrgica, o mecanismo pelo qual Estados em colapso se apropriam da produção privada através de regulações progressivamente sufocantes. “Quando o dinheiro deixa de ser o veículo de trocas entre homens e se torna o instrumento para controlar os homens”, adverte um personagem, “prepare-se para uma sociedade de ladrões e escravos.” “Não são os tiranos que destroem os países livres. São os cidadãos que trocam liberdade por segurança ,e terminam sem nenhuma das duas.”
Philip K. Dick, em A Scanner Darkly (1977), e Margaret Atwood, em O Conto da Aia (1985), exploram variações do mesmo tema: sociedades onde o monitoramento total se disfarça de proteção.
O Estado que vê tudo justifica a vigilância pela ameaça de terrorismo, lavagem de dinheiro, evasão fiscal, pandemia, crise climática. Sempre haverá uma crise suficientemente grave para justificar mais um passo rumo ao controle absoluto. O euro digital nasce precisamente nesse caldo cultural: um continente assustado com desinformação, colapso bancário, criptomoedas “selvagens” e dependência do dólar americano. O medo é o melhor arquiteto da servidão voluntária.
Não por acaso, a China lidera o mundo na implementação de CBDCs com seu yuan digital (e-CNY), um sistema já integrado ao chamado “crédito social” em algumas regiões. A arquitetura do euro digital, claro, é apresentada como radicalmente diferente. Mas arquiteturas mudam quando os governos mudam. O código pode ser reescrito. As leis podem ser alteradas. O que não se reconstrói facilmente é a infraestrutura do controle, uma vez erguida.
Analistas independentes e economistas heterodoxos vêm apontando aquilo que os relatórios oficiais do BCE evitam nomear diretamente: a implantação massiva do euro digital representa, em essência, uma transferência histórica de poder dos cidadãos para a instituição emissora.
A frase que foi pronunciada:
“Você pode evitar a realidade, mas não pode evitar as consequências de evitá-la.”
Ayn Rand

História de Brasília
Um jornal que não me lembro qual foi, publicou uma nota da inspeção das autoridades aos blocos da Asa Norte, e uma foto que mostrava o sr. Pery, presidente do IAPC, dizia na legenda que era o representante da Capua & Capua… (Publicada em 18.05.1962)
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Dados disponíveis nas bases do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam, com precisão desconfortável, o diagnóstico de que o Brasil atravessa uma longa e silenciosa estagnação relativa a uma espécie de declínio de gerações que não aparece nos discursos de posse, mas assombra as projeções de cada fórum econômico global.
Em 2024, o PIB per capita brasileiro ficou em aproximadamente US$ 10.255 em valores correntes, o equivalente a 76% da média mundial, segundo o Trading Economics, e US$ 3.634 a menos do que a estimativa global do FMI para 2025, fixada em US$ 14.450. O Brasil ocupa hoje a 79ª posição no ranking global de renda per capita, atrás não apenas das economias desenvolvidas, mas de Chile, Argentina e México na América Latina. O retrato histórico é ainda mais severo. Em 1980, o PIB per capita brasileiro equivalia a cerca de 20% do norte-americano. Em 2024, havia recuado para 14,4%, segundo levantamento da Gazeta do Povo com base em dados históricos do FMI.
No mesmo período, a Coreia do Sul, que, em 1980, era mais pobre que o Brasil, com apenas 13,6% da renda americana, atingiu 55,8% da renda per capita dos EUA. Na escala do ranking global, os números são igualmente eloquentes: em 1980, o Brasil estava entre os 50 países com maior PIB per capita. Em 1990, havia caído para a 60ª posição; em 2000, para a 67ª; e em 2020, chegou à 85ª. As projeções do FMI apontavam para a 90ª posição em 2026. O Brasil não cai por acidente cai por estrutura. O quadro abaixo mostra com clareza o que está acontecendo com o país.
O fenômeno que o Brasil vivencia tem nome técnico: armadilha da renda média. Trata-se da dificuldade crônica que países de renda intermediária enfrentam para avançar ao estágio das economias desenvolvidas. O Relatório de Desenvolvimento Global 2024 do Banco Mundial é explícito ao alertar que, se as tendências atuais persistirem, Brasil e México poderão se distanciar ainda mais dos Estados Unidos até o final do século. Entre 2000 e 2010, enquanto o PIB mundial cresceu 46,7%, o Brasil avançou 43,5%: já ficávamos atrás. Nos anos seguintes, a recessão de 2014–2016, três anos de baixo crescimento e uma nova contração em 2020 aprofundaram o fosso. A China, nesse mesmo intervalo, multiplicou sua renda per capita em 500%. Segundo a coordenadora do boletim macroeconômico do FGV IBRE, Silvia Mattos, a “mediocridade brasileira” decorre do fracasso histórico em gerar ganhos de produtividade sustentados.
Nos estágios iniciais do desenvolvimento, economias crescem pela acumulação de capital infraestrutura, indústria, ativos físicos. Nos estágios mais avançados, o motor é a inovação. O Brasil jamais fez a transição completa. A isso se somam: baixa poupança doméstica, fragilidade institucional com o Estado capturado por grupos de interesse — e uma carga tributária que desencoraja investimento produtivo sem gerar serviços públicos de qualidade proporcional. O resultado é uma economia que cresce, mas não suficientemente; que distribui, mas insuficientemente; que reforma, mas lentamente.
“Se o crescimento da renda for de 2,3% ao ano, a média histórica brasileira entre 1956 e 2026, o Brasil levaria décadas para dobrar sua renda per capita e alcançar o patamar das economias avançadas. Com os ritmos atuais, ainda mais.” Isso de acordo com Análise do Projeto Colabora, com base em dados do FMI (WEO 2024). A distância em relação ao mundo rico seria, por si só, alarmante. Mas ela é agravada internamente por uma desigualdade que não cede de forma consistente.
Em 2025, o índice de Gini brasileiro subiu de 0,504 para 0,511, segundo dados da PNAD Contínua do IBGE divulgados nesta semana. Após o piso histórico atingido em 2024, resultado de mercado de trabalho aquecido e transferências de renda, a concentração voltou a crescer, puxada pelos rendimentos financeiros e imobiliários dos estratos mais ricos. Os números são brutais em sua concretude: em 2025, os 10% mais pobres do Brasil viveram com R$ 268 mensais em média, o equivalente a R$ 8,93 por dia. Os 10% mais ricos receberam R$ 9.117 mensais: 34 vezes mais. O 1% no topo da pirâmide alcançou renda média de R$ 24.973, com crescimento de 9,9% em relação a 2024, impulsionado pelos juros elevados que remuneram aplicações financeiras concentradas nas mãos da elite.
Isso significa que, mesmo quando o Brasil cresce, o crescimento não se distribui de forma a reduzir a distância em relação ao mundo. O brasileiro médio fica relativamente mais pobre no cenário global porque os ganhos se concentram no topo, e o topo, ainda que mais rico em termos absolutos, não é suficientemente produtivo para puxar o país na competição global por renda e inovação. Em 2025, os 10% mais ricos ganharam 13,8 vezes mais do que os 40% com menores rendimentos. Essa proporção não é um acidente distributivo: é um retrato do modelo de desenvolvimento que o Brasil escolheu ou, mais precisamente, que nunca teve coragem de reformar em profundidade.
A frase que foi pronunciada:
“Não defendemos, nem no Brasil nem na Argentina, que o FMI deva intervir para proteger os bancos.”
Charles Dallara

História de Brasília
Quanto às quadras do Setor Comercial Residencial, é preciso que o povo veja (VEJA) a numeração, para saber que é correspondente à da superquadra que fica logo atrás. (Publicada em 18.05.1962)

