Caiado bate em Lula de olho em Flávio

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Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 31 de março de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Ronaldo Caiado lançou-se pré-candidato à Presidência da República com um discurso que em nada sugere uma terceira via no cenário polarizado das eleições. O governador manteve a postura de político de direita, com críticas contundentes ao lulopetismo. Essa linha de oposição ao Planalto vem sendo conduzida há meses, como se viu no debate sobre a PEC da Segurança Pública.

Mas, no dia em que se apresentou ao país como postulante ao Palácio do Planalto, Caiado sinalizou uma bandeira para atrair o eleitorado de Flávio Bolsonaro. Disse que, como primeiro ato na Presidência, assinaria a anistia ampla e irrestrita aos envolvidos na trama golpista. Foi a senha para esvaziar uma das principais promessas do filho 01 do ex-presidente Bolsonaro.

Ainda em relação a Flávio Bolsonaro, Caiado pode mostrar que tem muito mais experiência como gestor público doque o senador, que jamais exerceu um cargo no Executivo. Com seis mandatos parlamentares, o pré-candidato do PSD é, ainda, um articulador importante para o PSD cumprir o objetivo de formar uma bancada forte no Congresso em 2027. Caiado é adversário de Lula, sem dúvida. Mas é Flávio Bolsonaro quem está no caminho dele.

Sou agro

No lançamento da pré-candidatura, Caiado deixou clara a antiga aliança com o agro nacional, muito antes de o setor ganhar fama mundial e virar “pop” ou “tech”. Lembrou que foi fundador da União Democrática Ruralista (UDR), entidade contrária à atuação do MST entre 1985 e 1994. Caiado afirmou que a atuação política nesse período permitiu ao agro se tornar a estrela da economia brasileira.

Mordida

Assim como havia feito nas redes sociais nos últimos dias, Caiado resolveu espezinhar novamente Lula após o presidente sugerir que brasileiros estão endividados porque gastam muito no cuidado com cachorros. Disse ser “muito dedicado ao criatório de meus cachorros, que ultimamente o presidente tem tentado responsabilizar pela alta taxa de juros”.

Na ponta do lápis

Considerando apenas os números, o PSD encontrou motivos para preferir Caiado a Eduardo Leite. Pesquisa da BTG Nexus divulgada ontem mostra que o gaúcho tem uma rejeição ligeiramente (34%) maior do que o governador de Goiás (31%). No mesmo levantamento, Caiado também pontuou melhor em intenção de votos no primeiro turno e se saiu melhor contra o presidente Lula que seu colega de legenda.

Regional e nacional

Dentro do PSD, predominou a avaliação de que Leite estaria muito isolado no Rio Grande do Sul e de que a capilaridade de Caiado seria maior.

União é força

Durante o almoço empresarial do Lide em São Paulo, o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, afirmou que não tem dúvidas de que Caiado apoiará Flávio Bolsonaro no segundo turno, mas ressalta que o momento é de união. “Todos nós sabemos que pode ter quantos candidatos a presidente do Brasil, que no segundo turno vai estar o Flávio e o Lula”, comentou.

Vem logo

“Tenho certeza de que o Caiado, que é de direita, vai nos acompanhar. O ideal para nós era que todos eles nos acompanhasse no primeiro turno para dar chance para nós ganharmos a eleição no primeiro turno”, previu o presidente do PL.

Chamem

Após analisar os documentos elaborados pelo Tribunal de Contas da União, parlamentares aumentaram a pressão para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado chamar o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. A investigação do TCU indica que a gestão de Campos Neto apenas enviava ofícios, com advertências, ao banco de Daniel Vorcaro, e não tomou medidas mais drásticas.

Não é comigo

Na semana passada, em nota pública, Campos Neto afirmou que não era atribuição da presidência do BC analisar as atividades de bancos do porte do Master, com ativos inferiores a 1% do PIB. Essa seria uma atribuição de servidores do BC. “A presidência do BC não pode ser responsabilizada por terceiros”, alegou Campos Neto.

Sem cadeira cativa

Em entrevista a um programa de TV local, o deputado Arthur Lira (PP-AL) mandou recado ao eterno rival Renan Calheiros, ainda que sem citá-lo. “O Senado está devendo a Alagoas. Disse no lançamento (da pré-campanha) e reafirmo aqui: o Senado não é morada permanente de ninguém, não”, afirmou.

Na disputa

A primeira-dama de Rondônia e titular da Secretaria de Estado da Assistência e do Desenvolvimento Social (Seas), Luana Rocha, almeja uma cadeira na Câmara dos Deputados em 2026 pelo União Brasil. Ela quer concentrar os esforços em projetos que promovam a assistência à população mais vulnerável.

Política é poesia

Com um livro de poesias recém-lançado, o ex-governador e pré-candidato José Roberto Arruda (PSD) resume a própria trajetória em versos sucintos. “Experimentei o poder, os palácios e o gosto amargo da prisão (…) Fiz curva em alta velocidade e, agora, cheguei a uma idade em que tudo faz sentido. Era esse o meu destino”, escreve o poeta-político, em Destino.

Campos Neto comenta resultado do PIB com empresários

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Washington – Palestrante no Lide Brazil Forum Development em Washington, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou a empresários que o resultado do Produto Interno Bruto do segundo trimestre de 2023 “foi uma boa surpresa”. O PIB, de 0,9%, ficou acima das expectativas do mercado, que era de 0,3%.

A boa surpresa em relação às expectativas não deixa, porém, de gerar reocupações. É que o PIB do primeiro trimestre foi de 1,9%, graças ao setor agropecuário que teve um bom desempenho. Agora, avisam os empresários, é preciso prestar atenção no fiscal e ajudar as empresas, para que a desaceleração não persista.

Centrão trava Congresso para não dar protagonismo a Rodrigo Maia

Publicado em Política

A confusão está posta na relação do governo com o Congresso e entre os principais atores da politica dentro do Parlamento. E a pimenta que passa do ponto nessa mistura é a eleição para presidente da Câmara. O chamado Centrão, assim como Bolsonaro, cansaram de ver o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, dando as cartas. O Centrão não quer dar protagonismo a Rodrigo Maia nessa reta final de mandato, porque isso significaria mais poder para o comandante da Casa trabalhar a própria sucessão. Aliás, o grupo mais ligado ao líder do Centrão, Arthur Lira, está em contagem regressiva para fevereiro, certo de que, se jogar direito, terá a força para comandar a Câmara. Esse jogo, somado ao da oposição, que se retirou do plenário virtual e presencial até que Rodrigo Maia coloque em votação a medida provisória que baixou o valor do auxílio emergencial para R$ 300, travou tudo.

O presidente Jair Bolsonaro tem buscado no portfólio do primeiro escalão do governo alguém com expertise política suficiente para desfazer esse nó, mas, ao mesmo tempo, não quer brigar com o Centrão, de onde tirou o novo líder do governo na Câmara. Pende a balança para o Centrão, mas não entrega ao grupo o que essa turma mais deseja, um espaço dentro do Planalto, leia-se a vaga de Luiz Eduardo Ramos.

Com a disputa de poder na segunda metade do governo e desta Legislatura fervendo nos bastidores, onde ninguém acerta o passo e todo mundo age para sobreviver mais à frente, restou ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, entrar nessa seara para ver se ajudava a resolver o problema grave da crise econômica, que derrete o real e pressiona os juros. O problema, porém, é que, num cenário em que muitos batem cabeça, a entrada de Campos Neto tumultuou ainda mais. A turma do Centrão viu ali uma articulação do próprio Maia __ e não do presidente do BC __ para tentar recuperar protagonismo, como aliás, está posto na Coluna Brasília-DF no Correio Braziliense de hoje.

Da parte do governo, ficou exposta a ineficiência dos líderes para separar a disputa pela Presidência da Câmara do bom andamento das pautas __ algo que hoje não interessa ao Centrão, para não dar protagonismo a Maia. Esse imbróglio, porém, tem que ser resolvido até que 15 de novembro, porque, terminado o primeiro turno da eleição municipal, com a maioria dos deputados e senadores livres para voltar a atenção ao dia-a-dia do Parlamento, acabará a desculpa oficial das eleições para essa trava nas votações. É o prazo para que os atores tentem buscar uma solução para essa trama cada dia mais intrincada, a fim de ajustar o foco nos problemas do país, que vão muito além da disputa de poder das excelências. Se não o fizerem, 2020, um ano quase perdido, terminará sem qualquer votação que renove as esperanças de dias melhores para 2021, o que significa o pior dos mundos para Bolsonaro. Quando a economia balança muito, é hora da politica ter juízo.

Guedes deve ficar até janeiro; mercado e Centrão divergem entre Marinho e Campos Neto

Paulo Guedes
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Coluna Brasília-DF

O mundo da política crê na permanência do ministro da Economia, Paulo Guedes, no cargo pelo menos enquanto o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) for presidente da Câmara. Ou seja, até janeiro. Afinal, Maia está fechado com a agenda econômica do ministro. Depois, a depender de quem vencer no Parlamento, tudo pode mudar.

Conta política não fecha

O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, tem apoio no Centrão, e até dentro do governo, para assumir o Ministério da Economia. Porém, não é o nome do mercado. Já o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, é o nome do mercado, mas é visto como um técnico fiel demais a Guedes. Logo, causa desconfiança ao Centrão.

Mas o presidente disse!

Pois é, Bolsonaro declarou com todas as letras que Guedes não sai. Só tem um probleminha: no início de abril, o presidente afirmou que não tiraria Luiz Henrique Mandetta no meio da guerra da pandemia. No caso do então ministro da Saúde, a validade da declaração foi menor do que a de um iogurte –– ele saiu em 16 de abril.