Onde mora o desespero

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Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 10 de março de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

Com a intenção dos investigadores de fechar, ainda neste semestre, toda a investigação a respeito da parte do mercado financeiro relacionada ao escândalo do Banco Master-BRB, muita gente no mundo político começa a entrar em pânico. É que isso tende a deixar todas as apurações relacionadas a parlamentares e afins para o auge do período eleitoral. O receio é de que, com mais de 100 dispositivos — entre celulares, computadores e tablets a serem periciados —, vazamentos seletivos e/ou notícias falsas comecem a circular nas redes e tomem conta do pleito, de forma a nocautear candidatos e partidos, sem que a população possa saber ao certo como separar as notícias falsas do que for verdadeiro.

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Até aqui, o que se sabe a respeito das excelências é que há menções a vários políticos, mas não há informações oficiais dos investigadores sobre o grau de envolvimento de cada um. Com a eleição à porta, ninguém dormirá com um barulho desses.

A onda da vez

As defesas dos influenciadores digitais investigados por, supostamente, atacarem o Banco Central (BC) para defender o Master querem aproveitar o embalo dos vazamentos das conversas íntimas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para tirarem seus clientes desse processo. A estratégia é alegar quebra na cadeia de custódia das provas. Os advogados consideram que a Polícia Federal (PF) deveria ter guardado as informações, de forma a garantir o sigilo.

Segue o líder

Os responsáveis pelas defesas dos influenciadores lembram, ainda, da recente declaração do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre o risco dos vazamentos terem ferido a cadeia de custódia. Outro ponto a ser usado é o recente parecer do ministro-relator do processo na Corte, André Mendonça, sobre o direito constitucional de críticas e sigilo de fontes.

Futuro preocupante

Com a guerra Irã x Estados Unidos e Israel, a situação de combustíveis no Brasil se torna crítica e pode impactar o agronegócio em cheio. É que os agricultores brasileiros estão na época de colheita da soja — maior safra da história do grão no país. No Pará, por exemplo, há engarrafamento de quase 40 km de caminhões tentando chegar ao porto — e tudo se move com diesel, inclusive, tratores e maquinários. O risco de falta de combustível com a guerra é alto e os impactos nos preços podem ser enormes.

A salvação será o biodiesel

Os parlamentares ligados ao agronegócio pressionam o governo para saber se o país tem reserva suficiente de diesel para manter a colheita. Caso a resposta seja negativa, o setor vai defender a liberação emergencial do aumento da mistura de biodiesel no diesel. O deputado Alceu Moreira (MDB-RS) explica que, hoje, o limite é nacional, de 15%, e é preciso avaliar a porcentagem regionalmente.

CURTIDAS

Crédito: Ed Alves CB/DA Press

Querer não é poder/ O relator da CPMI do INSS, Alfredo Gaspar (União-AL, foto), quer transformar os convites de quem não comparece à comissão em condução coercitiva. Os três depoimentos da sessão de ontem foram cancelados de última hora porque os convidados faltaram.

Ilegalidade nas rodovias/ A Associação das Administradoras de Meios de Pagamento Eletrônico de Frete (Ampef) lançará, hoje, um estudo sobre o custo da sonegação fiscal nas estradas brasileiras por meio de fretes ilegais. O levantamento foi realizado pelo escritório GO Associados, do economista e professor da FGV Gesner Oliveira, e aponta que o lucro da ilegalidade pode aumentar para R$ 34 bilhões por ano. “A economia do país passa pelas estradas: o setor rodoviário movimenta cerca de R$ 800 bilhões, dos quais R$ 340 bilhões são movimentados no mercado informal” , alerta.

Anota aí/ Amanhã, a Frente Parlamentar Mista do Ambiente de Negócios (FPN) realiza uma reunião-almoço com os deputados Paulo Azi (União-BA), relator da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do fim da Jornada 6 x 1, e Kim Kataguiri (Missão-SP), relator da PEC do IPVA, que muda o cálculo do imposto. Será na sede da FPN, a partir das 12h. A ideia é discutir as duas propostas com outros parlamentares e entidades do setor produtivo.

“Temos um pequeno grupo que se julga intocável, capaz de tudo e ficar impune. Não é porque julga que não pode ser julgado” Governador Romeu Zema (Novo-MG), que pediu o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Redução de escala 6 x 1 puxa desoneração da folha

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Coluna Brasília-DF, publicada na sexta-feira 20 de fevereiro de 2026, por Denise Rothenburg 

Presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, o deputado Joaquim Passarinho (PL-PA) vai colocar a desoneração da folha de salários na roda da discussão em torno da redução da escala 6 x 1. A avaliação dele é de que o custo das empresas deve aumentar, uma vez que o comércio, por exemplo, terá que fazer novas contratações. “Vocês acham que shopping vai fechar por causa da redução da jornada? Não vai. E alguém vai ter que pagar essa conta”, afirmou, em entrevista ao programa Frente a Frente, da tevê Rede Vida.

Crédito: Maurenilson Freire

Enquanto Passarinho deseja discutir esse tema, o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) — que, inclusive ,é um dos autores da proposta de redução da jornada de trabalho —, avalia que é preciso dialogar com todos os partidos e esse tema da desoneração da folha sempre vem à baila. “Vamos debater tecnicamente. O importante é fecharmos um acordo”, afirmou à coluna ,referindo-se à redução da jornada.

Em vez de 4 x 3, 5 x 2

Do alto de quem discutiu a Reforma Tributária sobre o consumo e obteve todo sucesso, o deputado Reginaldo Lopes acredita que para aprovar a redução da escala 6X 1 será preciso abandonar o projeto mais radical, de 4X3, e focar na proposta de, a cada cinco dias trabalhados, dois folgados.

Devagar e sempre

Reginaldo Lopes quer puxar a redução da jornada de 44 horas para 40 horas, com quatro anos para implementação. Ou seja, reduzir uma hora por ano. É isso que deve entrar na discussão.

Olho neles

Os senadores de oposição vão voltar suas atenções para os movimentos dos senadores da Bahia na segunda-feira, quando o ex-banqueiro Daniel Vorcaro deve prestar depoimento na CPMI do INSS. Podem ser os primeiros acordes do ex-controlador do Banco Master no Congresso e todos os movimentos serão acompanhados muito de perto.

Chama o Augusto

A oposição calcula já ter maioria para emplacar os pedidos de depoimento e quebra de sigilo de Augusto Lima, dono do banco Pleno, tamborete liquidado na quarta-feira pelo Banco Central (BC). Entre os congressistas, Lima é chamado “o rei do consignado”, setor que ele cuidou quando era sócio do Master de Vorcaro.

CURTIDAS

Crédito: Instagram pessoal

Fala, Rebeca I/ Procuradora do estado de Roraima, Rebeca Ramagem (foto) trabalha de forma remota desde 2016. Agora, chamada a dar expediente presencial, inclusive com perícia médica, ela, dos Estados Unidos, onde acompanha o marido, alega perseguição política. “Uma injustiça”, diz. “Uma canalhice dessas pessoas”, completa o ex-deputado Alexandre Ramagem, numa transmissão pelo Instagram.

Fala, Rebeca II/ Revoltada com a convocação à perícia presencial, Rebeca conta que um terço dos procuradores do estado nem pisam na sede. Seu marido diz ainda que quer saber se o procurador-geral do Estado cumpre expediente na sede da PGE.

Haja reza/ O governo passa esses dias torcendo para que seja uma “flor do recesso” a polêmica em torno da homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no enredo da Acadêmicos de Niterói, a escola rebaixada no Carnaval carioca. Como o leitor da coluna sabe, “flor do recesso” é como os políticos chamam aquela notícia que, durante o recesso parlamentar, fica do tamanho de uma grande mangueira, mas, na volta aos trabalhos, vira uma plantinha quase inofensiva dentro do Parlamento.

Abre alas/ A polêmica carnavalesca ficará mais afeita à Justiça Eleitoral, enquanto o que vai pegar fogo no Congresso é o escândalo do Master. Com ou sem CPMI, esse tema estará presente no dia a dia do parlamento e deste período de pré-campanha.

Anabb 40 anos/ A Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (Anabb) faz, hoje, sua festa de aniversário, para marcar conquistas em defesa dos servidores do banco. Apesar de ser uma sexta-feira e Lula estar na Índia, a expectativa é presença de autoridades dos Três Poderes para homenagear a instituição.

A política em suspense por causa do Master

Publicado em 6x1, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 19 de fevereiro de 2025, por Denise Rothenburg

Crédito: Caio Gomez

Previstos para breve, um novo depoimento do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, no escândalo do Banco Master, e a fala de Daniel Vorcaro à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, do Senado, paralisaram grande parte das movimentações políticas por esses dias. Ninguém pretende fechar qualquer acordo no escuro — ou seja, sem saber o peso de cada personagem nesse processo. No Distrito Federal, por exemplo, o único que se adiantou em carreira solo foi o PL, que decidiu manter distância regulamentar do grupo do governador Ibaneis Rocha(MDB) e lançou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a deputada Bia Kicis ao Senado, com direito a foto das duas num outdoor e a mensagem “Fé para construir, amor para transformar”.

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Na política nacional, ninguém vai fechar com o PP de Ciro Nogueira ou o União Brasil de Antonio Rueda sem saber a verdade a respeito da amizade que os unia a Vorcaro. O que se espera é que o depoimento do ex-dono do Master à comissão do Senado esclareça alguns pontos, da mesma forma que os políticos do DF esperam que, num novo depoimento, o ex-presidente do BRB fale tudo o que sabe a respeito dos políticos da cidade e do banco que comandava.

Vai encarar?

Os parlamentares que aprovaram o reajuste dos servidores a toque de caixa, inclusive os tais penduricalhos extra-teto, não se veem tão fortes ao ponto de conseguir enfrentar a opinião pública e derrubar os vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Depois que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, mandou parar tudo, a justificativa é de que não há como mexer nisso.

Por falar em Flávio Dino…

As razões elencadas para o veto não citam, em nenhum momento, a decisão do ministro do STF. Lula observa os limites constitucionais e a Lei de Responsabilidade Fiscal(LRF), que andava para lá de esquecida.

E o 6 x 1, hein?

Os opositores ao projeto de redução da escala 6 x 1 no Congresso, que são poucos, devem recorrer aos cálculos de encolhimento do Produto Interno Bruto e da necessidade de o governo custear a mudança, a fim de atrasara votação. Os governistas, porém, virão com tudo a fim de transformar o tema em bandeira de campanha. Essa discussão promete tomar conta do pós-Carnaval, dividindo as atenções com o escândalo do Master-BRB.

Mais um foco

Com a liquidação do banco Pleno, de Augusto Lima, marido da ex-deputada e ex-ministra Flávia Arruda, tem muita gente interessada em apurar as portas que ela abriu para antigos sócios do Master nos tempo sem que estava no governo de Jair Bolsonaro.

CURTIDAS

Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

O périplo de Cappelli…/ O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial(ABDI), Ricardo Cappelli (foto),continua com a maratona de passar uma semana na casa de morador de uma região administrativa do DF. Pré-candidato ao GDF, ele fará a16ª cidade em breve…

…e sem ar condicionado/ Nesses dias, inclusive dispensa o motorista para sentir de perto a realidade daqueles que precisam de transporte público diariamente para chegar ao trabalho.

Pé frio e pé quente/ Com o rebaixamento da Acadêmicos de Niterói à Série Ouro do Carnaval carioca, a oposição deita e rola nas redes, dizendo que a culpa foi de Lula. Os petistas, no entanto, arrumaram um jeitinho de driblar a derrota, dizendo que a vitoriosa é adepta do vermelho, a cor predominante da campeã Viradouro.

A internet não perdoa/ O resultado oficial nem havia saído e já circulava nas redes a foto de uma lata com o rótulo “Família rebaixada”, com a foto de Lula e da primeira-dama Janja no Carnaval.