
Enquanto a maioria do Brasil assiste a uma campanha eleitoral sem debates e repleta de decisões judiciais, os partidos de centro fazem suas projeções e acreditam que continuarão mandando no Congresso Nacional, pelo menos até a temporada eleitoral de 2030. Nesse sentido, trabalham, via frentes parlamentares, vários projetos para tentar resgatar a própria imagem e não deixar tudo nas mãos do Poder Executivo.
Com ou sem segundo turno, está prevista para 21 de outubro a apresentação de megaprojetos, sob o guarda chuva “Empreende Brasil” e “Congresso pelo Brasil”. Em gestação na Frente Parlamentar do Empreendedorismo, a ideia dessas propostas é tratar de temas como taxa de juros, insegurança jurídica, ambiente de negócios no país e segurança pública — apontados pelo empresariado como os grandes responsáveis pela dificuldade de atração de investimentos no país. Assim, seja quem for o presidente da República, os congressistas terão seus próprios projetos, com prioridade sobre qualquer proposta a ser apresentada pelo Palácio do Planalto.
Judiciário que se prepare
As decisões judiciais monocráticas desta semana, que alteraram as regras do último debate presidencial dessas eleições, ampliaram as pressões para uma reforma do Judiciário. A ideia é começar logo a discussão com a retomada dos trabalhos, na semana que vem. Com ou sem segundo turno, os congressistas querem dar uma resposta à sociedade.
O desafio do fim da 6 x 1
Muita gente no Congresso calcula que vai ser difícil garantir o fim da escala 6 x 1 entre o primeiro e segundo turno das eleições. Isso porque, entre os estados em que as pesquisas apontam segundo turno para o governo, está justamente o Amazonas. Lá, o líder do PSD no Senado e relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6 x 1, Omar Aziz, lidera as pesquisas e pode ser um dos candidatos a passar para o segundo turno. Vai ser difícil largar a campanha para se dedicar totalmente à proposta.
Limão e limonada
Aliados de Aziz, porém, acreditam que o projeto pode dar ao relator a visibilidade eleitoral junto a uma parcela importante do eleitorado. E com a decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de marcar sessões para debater a proposta de fim da escala 6 x 1 na semana pós-eleição, o relator terá na tribuna da Casa um local perfeito para mandar seu recado de defesa da qualidade de vida dos trabalhadores.
Propostas nada constitucionais
O Grupo Livres, organização que promove soluções liberais para o Brasil, comparou todos os planos de governo dos candidatos à Presidência da República e um dado chamou a atenção. No quesito segurança pública, quatro presidenciáveis — Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) — propõem medidas consideradas incompatíveis com a Constituição Federal, segundo análise do grupo. Castração química, prisão preventiva automática e decretos sucessivos de Estado de Defesa são alguns desses projetos.
O tempo e a razão/ Logo que foi escolhido candidato ao Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ, foto) comentou com um amigo que estava indo para o “sacrifício”. Em seis meses, saiu do “sacrifício” ao tornar-se um candidato competitivo, graças aos votos que herdou do pai. Agora, o resultado, seja para o bem ou para o mal, estará na conta do próprio candidato, que não debateu seu programa de governo com os adversários. Desde a redemocratização, a única vez que um desafiante não participou de nenhum debate em primeiro turno foi Fernando Collor, em 1989.
Tensão no ar/ Embaixadas começaram a emitir alertas de precaução a viajantes e estrangeiros residentes no Brasil devido à proximidade do primeiro turno das eleições, amanhã. O movimento foi iniciado pela embaixada dos Estados Unidos, que fechou a sede e consulados e pediu reforço na segurança junto à polícia militar. Irlanda, Austrália e Reino Unido emitiram avisos também. Com a polarização acirrada, o temor é que possa haver uma tentativa de golpe ou atos violentos após os resultados.
Sátiras da política/ Durante as últimas semanas, diversos jogos on-line foram criados revivendo momentos recentes de políticos e de magistrados do Supremo Tribunal Federal, como um simulador de luta entre os ministros. O mais recente é sobre Flávio no mesmo estilo do jogo Super Mario World, com missões para o presidenciável. A primeira exige que o filho 01 bata ponto como assessor na Câmara dos Deputados enquanto estuda e faz estágio no Rio de Janeiro. A ideia de usar joguinhos on-line com figuras políticas não é nova. Em 2023, apareceu um jogo chamado Lula, escape da Prisão, em que o jogador era o Lula que precisava escapar da penitenciária.
24 horas/ Hoje é dia de refletir sobre as escolhas, tentar conquistar os últimos votos e, o mais importante, não brigar com seus parentes por causa de opções políticas. Seja quem for seu candidato, converse com respeito e educação.

