Categorias: Política

Cristiana Lôbo, uma referência do jornalismo com muita informação recheada de humor

E lá se vai uma amiga e uma referência. Cristiana Lôbo, nossa Cris Lôbo, ou “Lobinha”, como chamávamos muitas vezes de forma carinhosa, deixou sua marca de bom humor, generosidade e perspicácia por onde passou. Eu a conheci como comecei a trabalhar no Globo, em julho de 1989. Quando vim para o Correio, em 1997, ela estreou na Globonews, onde com seu jeito simples e elegante de transmitir as notícias, fez escola e ensinou a muitos de dentro e de fora da emissora. Quando fui para a Rede Vida de Televisão, onde faço comentários diários para o jornal da Vida e sou âncora do Programa Frente a Frente, ela me deu uma aula de televisão, que guardo até hoje. Na convivência diária da cobertura política, não foram poucas as vezes em que, quando a excelência começava a “enrolar” nas conversas no cafezinho da Câmara ou do Senado, ela logo soltava esta: “Vamos Deni, vamos procurar outra fonte, porque essa aqui não está disposta, E táxi parado não pega passageiro”.

No corre-corre do dia-a-dia, não era raro ficarmos horas à espera das fontes e Cristiana nos salvou muitas vezes com sua generosidade e perspicácia. Não foram raras as vezes em que, cheguei ao cafezinho do Senado, e ela já rodeada de fontes e colegas da Globonews, dizia, “Deni, vem para cá”. Certa vez, na Câmara, Aldo Rebelo, no papel de articulador politico do governo Lula, passou quase o dia todo evitando a imprensa. De repente, lá vem ele com o celular ao ouvido. Estávamos à espera e, de repente, Cristiana se levanta e para bem na frente dele. “Rebelança, se é para enrolar, enrola direito”. Aldo, sem entender, ainda manteve o celular colado ao ouvido. E ela emendou: “O celular tá virado!” Foi a única que notou e, graças a rapidez dela, a “Rebelança _ mistura de Aldo com liderança”, como dizia nossa Cris Lôbo __, na mesma hora, muito sem graça, largou o telefone e conversou longamente conosco.

De a generosidade e de uma leveza ímpar, Cristiana era ainda detentora de uma memória de causar inveja a muitos, inclusive eu. Numa das salas de embarque do aeroporto de Brasília, por exemplo, enquanto aguardávamos o vôo para ir ao velório de Jorge Bastos Moreno, no Rio, Cristiana sacou uma história do fundo do baú, que provocou muitas risadas em Murilo,  seu marido e companheiro de uma vida, Helena Chagas e Bernardo, marido de Helena. Cris contou que, um belo dia de 1990, Moreno chegou na redação O Globo com uma caixa de pinhas (ata, fruta de conde), sua fruta predileta. Ela, sentada numa mesa mais distante da porta da redação, abriu um sorriso. Moreno, porém, foi em minha direção e me entregou a caixa. “Só para me deixar com ciúmes!”, contou a nossa Cristiana naquela sala de embarque. Eu, sinceramente, não me lembrava. Mas Cristiana, sim. “Eu saí de lá triste e ele com aquela cara de ‘me vinguei da nega'”. Ali, Cris teve inclusive a ideia de colocar a historia no texto em que homenageou o “compadre”.

Na história de Cris, só um reparo: Pinha também é a minha fruta predileta, mas o relato fica muito mais saboroso do jeito que ela percebeu a atitude de Moreno. Moreno se foi em 2017. Querido amigo Jorge, receba a nossa Cristiana, sua comadre e nossa eterna referência. A esta altura, os dois devem estar discutindo no céu, dando risadas e degustando as melhores pinhas do universo.  A Murilo, seu marido, Bárbara, Gustavo, seus filhos, e aos netos e todos os familiares, ficam aqui os meus mais profundos sentimentos. Obrigada por tudo, Cris.

Viva Cristiana Lôbo.

Denise Rothenburg

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