Categorias: Política

CPI do Master é o único caminho

Texto escrito por Denise Rothenburg e publicado neste sábado (28/2) — Com a decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, de suspender a quebra de sigilo da Maridt Participações, empresa dos irmãos Dias Toffoli, a alternativa dos senadores que desejam investigar o caso Master é ampliar a pressão pela CPI sobre o banco, nem que seja recorrendo ao STF para conseguir esse objetivo. É que tudo indica que será muito difícil uma das CPIs em curso, seja no Senado, seja na Câmara ou mista, ter acesso à integralidade do material a respeito do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e de outros investigados. Ainda que o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) tenha anunciado que irá recorrer da deliberação de Gilmar, a avaliação de muitos é de que só uma CPI específica terá sucesso.

Por falar em direito…/ Na visão de especialistas em direito constitucional, a decisão de Gilmar foi acertada. “Caso, no curso da apuração, surjam indícios de novos fatos ou condutas distintas, o caminho adequado é a abertura de procedimentos próprios e autônomos, e não a ampliação indefinida da investigação original. Esse cuidado preserva a legalidade dos atos investigativos e evita que o inquérito se transforme em instrumento genérico e sem limites”, defendeu o advogado constitucional Ilmar Muniz.

“Operação Amarra Tarcísio”

A colocação de Tarcísio de Freitas na coordenação da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto, fora do período eleitoral oficial, foi sob encomenda para evitar novas investidas em favor da troca do candidato conservador à Presidência da República. É que um grupo de potenciais aliados do filho 01 ainda tinha esperanças de ver o governador de São Paulo como o nome dos bolsonaristas. Agora, as esperanças estão enterradas.

Enquanto isso, na Faria Lima…

A turma do mercado financeiro que apoiou Jair Bolsonaro nas duas últimas eleições tem dito, em conversas reservadas, que está com Flávio e não abre. O que querem é derrotar o PT.

… há dúvidas e soluções

A indicação de muitos ali é de que dinheiro não faltará na campanha do filho 01 ao Planalto. O receio, porém, é a imagem de “filhinho de papai”. Por enquanto, esse ponto ajuda por causa do ex-presidente. Mas, para vencer, precisa ampliar e esse perfil pode atrapalhar.

Onde mora o perigo

Afinal, a candidatura pode terminar vista como um “capricho” da família, que não aceitou Tarcísio, que tem experiência de gestão. Algo que Flávio não tem.

Celina que se cuide/ As anotações de Flávio Bolsonaro na reunião do PL vazaram no mesmo dia em que Ibaneis Rocha (MDB) afirmou à coluna Eixo Capital, de Ana Maria Campos, que não se sente traído pelo PL ao lançar chapa pura ao Senado. O filho 01 escreveu que se o governador do Distrito Federal for candidato ao Senado, não dá para “oficializar” com Celina Leão (foto) ao GDF.

Pior momento/ O vazamento das anotações do pré-candidato ao Planalto veio no pior momento. Agora, tem muita gente desconfiada de que não terá apoio de Flávio e, se brincar, cruzará os braços na campanha presidencial.

Carreira solo/ Não é pequeno o número de deputados que pretende fazer sua própria campanha, deixando de lado os presidenciáveis. Por enquanto, a ordem é cada um por si, divulgando nas bases eleitorais as famosas emendas ao Orçamento.

Aproveita a onda/ O que anima os senadores para investir na CPI do Master é o fato de o ministro relator do caso no STF, André Mendonça, ter liberado o acesso à documentação relativa à CPMI do INSS. Se foi benevolente numa situação, tende a ser na outra.

Ronayre Nunes

Jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). No Correio Braziliense desde 2016. Entusiasta de entretenimento e ciências.

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