Autor: Denise Rothenburg
Definido o apoio do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP_AL), ao líder do Republicanos, Hugo Motta (PB), o PT não vai deixar para janeiro a sua escolha para a Presidência da Câmara. O partido de Lula anuncia nas próximas horas o respaldo formal ao deputado paraibano. Os petistas ponderam que não dá para ficar contra uma construção que tem a chancela do atual comandante da Câmara, porque, se Motta vencer sem o apoio dos petistas, o governo é que pagará a conta. Foi assim, em 2015, quando Eduardo Cunha venceu sem que o PT apoiasse a candidatura do então líder do MDB. Agora, com o apoio formal do PT, restará ao candidato do PSD, Antonio Brito, e ao do União Brasil, Elmar Nascimento, apostarem nas traições. Se ocorrer, não será a primeira vez. Foi assim que Severino Cavalcanti chegou lá no passado. Porém, agora está mais difícil repetir essa dose.

Por Eduarda Esposito — Com a volta do Senado e da Câmara dos Deputados, após as eleições, finalmente os projetos que estavam parados poderão ser votados e discutidos, não todos, mas com certeza a Reforma Tributária. Um dos maiores interessados são os parlamentares da Frente Parlamentar pelo Livre Mercado (FPLM).
Em evento relizado hoje de manhã no Senado, os ssenadores e deputados expressaram extrema preocupação nas taxações da Reforma. Um dos setores que será extremamente prejudicado, se as emendas propostas não forem aceitas para reduzir os impactos, será o de motorista de aplicativo.
O Senador Izalci Lucas (PL-DF), criticou a forma como o projeto foi aprovado. “A reforma veio sem conhecer o mundo real, os burocratas precisam conhecer mais o que acontece na ponta. Espero que a gente não aceite mais qualquer tipo de carga tributária. Tem que cortar custo, não arrecadar mais”, ressaltou o senador.
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), já afirmou que prevê a leitura do parecer para 27 de novembro e a votação do texto para 4 de dezembro. Resta saber se em menos de um mês as demandas de todos setores reclamantes conseguirão ser contempladas no texto final da Reforma.
Lira dá a largada à candidatura de Hugo Motta com PL, PP, Republicanos e MDB
O esperado anúncio do presidente da Câmara, Arthur Lira, à candidatura do líder do Republicanos, Hugo Motta, à sua sucessão foi um anticlímax. Muito diferente daquele que havia imaginado lá atrás, quando anunciou que teria, sim, um nome à sua sucessão. Esperou um consenso que não veio. Por isso, começou nesta manhã com uma explicação de que “seria apenas um posicionamento do deputado Arthur”, mas “alguns deputados fizeram questão de estar aqui”. Logo no início, citou o “voto de confiança”de 464 parlamentares”, recebido na última eleição e as reformas que liderou, ressaltando as palavras “diálogo e convergência”.
Lira, porém, não avançou o sinal ao dizer que Hugo Motta era um candidato de consenso, como foi dito pelo presidente do Republicanos, Marcos Pereira, ao lançar a candidatura do deputado paraibano em agosto. Ao contrário. Lira se referiu à “plena legitimidade” dos que se colocam nessa disputa. “Jamais caberia a mim, presidente da Casa “entre iguais” cercear as “legítimas pretensões” de quem quer que seja, ou “obstar o projeto político de outro parlamentar”. E, de quebra, ressaltou os dois adversários, Antonio Brito, do PSD, e Elmar Nascimento, como “amigos da vida”. Foi tanta explicação que, para muitos, é sinal de que nem tudo está cem por cento para Hugo Motta, a preços de hoje.
Lira ressaltou Motta como alguém que tem capacidade de juntar polos aparentemente antagônicos, “com diálogo, leveza e altivez”. Ao lado de Lira, naquele momento, estavam, além de Motta, integrantes do PL, do PP, do Republicanos e do MDB. No caso do MDB e do PP de Lira estavam os líderes Isnaldo Bulhões (AL) e Doutor Luzinho (RJ). Ou seja, ainda não há o consenso que Arthur Lira prometeu em agosto. Porém, é muita coisa. O presidente da Câmara tem muito peso nesta disputa. Mas explicou tanto que deu a entender a muitos políticos que o caminho até fevereiro não está totalmente pavimentado.
Ao ressaltar como qualidade central de Hugo Motta como “maiores condições politicas de construir convergência”, Lira tenta jogar Elmar Nascimento e Antonio Brito para a esquerda, que não tem maioria na Casa. Arthur não menciona, no entanto, que tanto Elmar quanto Brito vêm dos partidos de centro, que seguem divididos nesta disputa. Se Elmar e Antonio Brito conseguirem a maioria do centro e a esquerda, Hugo Motta estará sob risco. Ciente deste fato, Lira citou que o seu candidato é o nome mais indicado para manter “a marcha da Câmara”. A preços de hoje, difícil é Hugo repetir a votação histórica de Lira em fevereiro de 2023, 464 votos, este sim, um placar de convergência e consenso, que Lira conseguiu com o apoio dos adversários de Motta., governo e oposição. Esse cenário ficou para trás.

Por Eduarda Esposito — Apesar de muitos dizerem que a direita não rachou, o vídeo divulgado ontem (27) pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (UB), mostra o contrário. No vídeo, ele fala especificamente sobre a investigação que o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) é alvo. A operação procura averiguar a formação de uma organização criminosa para desvio de verba parlamentar. Entretanto, este não é o primeiro embate entre Caiado e o PL no estado.
Durante as eleições, o ex-presidente Jair Bolsonaro apoiou Fred Rodrigues (PL) para a prefeitura de Goiânia, enquanto que Sandro Mabel (UB) foi o candidato do governador e da sua legenda. Durante um comício de Fred na capital, o ex-presidente criticou os governadores que aderiram à quarentena durante a pandemia. Mesmo sem citar nomes, os eleitores gritaram o nome de Caiado.
Ainda depois disso, ontem (27), Bolsonaro disse à imprensa que “Caiadismo eu não conheço. Bolsonarismo é nacional, caiadismo é local”. “Podemos conversar, depois das 17h”, ironizou, em referência ao horário do fim da votação. Entretanto, com a derrota de seu candidato, o ex-presidente deixou a cidade em silêncio.
E por fim, após o resultado que consagrou Mabel o novo prefeito de Goiânia, Ronaldo deu uma resposta ao PL falando sobre o deputado Gayer. Com a legenda: “a verdade sempre aparece. Sigo firme, do lado certo e defendendo os interesses do nosso estado”, o governador chega a falar “eu não convivo com bandido e não faço parte de quadrilha”. Confira o vídeo inteiro abaixo:
Crédito: Reprodução via Instagram

Terminado o segundo turno e passado o aniversário de 79 anos do presidente Lula, a esquerda terá que repensar seu jogo se quiser chegar ao Planalto em 2026. O bolsonarismo, porém, também terá que se refazer. Isso porque o centro já percebeu que, se jogar direitinho, pode dispensar os extremos. Neste segundo turno, Fortaleza salvou a imagem do PT, com a vitória de Evandro Leitão. Da mesma forma, Cuiabá (MT) e Aracaju (SE) limparam a barra do bolsonarismo. Porém, em vários locais onde Lula e Bolsonaro jogaram todas as suas fichas, eles perderam. Em São Paulo, por exemplo, Lula faz campanha para Guilherme Boulos (PSol) desde antes das eleições. Não deu. Em Fortaleza, Goiânia, Imperatriz (MA), os candidatos que receberam o apoio de Jair Bolsonaro terminaram derrotados.
Os partidos de centro que vão se enfrentar pela disputa da Presidência da Câmara saem desta eleição municipal fortalecidos e com a certeza de que, se jogarem juntos em 2026, com um candidato capaz de puxar votos, é possível ficar longe, seja de Jair Bolsonaro, seja de Lula. No fundo, esses partidos sempre foram aliados do PT e do bolsonarismo por uma questão de sobrevivência e não de afinidade ideológica. Agora, restará ao PT e ao PL bolsonarista encontrar meios de dizer ao centro que eles ainda têm força para liderar o processo. O centro, entretanto, quer provas desse favoritismo de ambos em seus respectivos campos., afinal, outros personagens estão entrando em campo. E muitos chegaram para ficar.
A sabatina que o ex-coach Pablo Marçal fez nesta sexta-feira com o candidato do PSol, Guilherme Boulos, foi sob encomenda para que o influencer, que está em Roma passeando com a família, instasse o seu público a votar nulo ou se abster. Quando a live se encaminhava para o final, Marçal disse que não votaria em Boulos de jeito nenhum e também não iria votar no “centro-esquerda” e anunciou que este pleito paulistano deverá ter a maior abstenção da história. No geral, Marçal aposta numa alta abstenção para poder criar no futuro o discurso de que, quem não votou neste segundo turno na capital paulista era seu eleitor.
O clima foi ameno, Boulos conseguiu apresentar suas propostas, se saiu bem no terreno adversário. Ambos foram bastante respeitosos, depois da agressividade do primeiro turno, onde Marçal terminou fora da rodada final. Melhor do que era esperado até pelos aliados de Boulos e seus adversários. O candidato do PSol conseguiu passar seu recado para um público mais avesso à ideologia de esquerda. Mencionou seu programa de governo, citou as escolas olímpicas, retiradas de uma proposta de Marçal. Das propostas que sua coligação elaborou para a cidade, Boulos citou a agência municipal de crédito, que pretende criar para atender micro empreendedores, e o Acredita Mulher, um projeto de financiamento de pequenos negócios voltado ao público feminino.
O difícil, porém, é traduzir isso em votos, depois do apito de Marçal pelo voto ideológico e pela abstenção. O ex-coach deixou claro que, em 2026 será candidato e que rivalizará com Boulos pelos próximos 30 anos. A live, aliás, serviu para que Pablo Marçal se apresentasse como alguém mais centrado, menos agressivo e “família”, capaz de levar o filho mais novo para realizar o sonho de tomar sorvete na Itália. À primeira vista, o encontro virtual entre Marçal e Boulos ajudou mais o ex-coach do que o candidato do PSol. Agora, a urna irá dizer se deu certo a estratégia de Boulos de tentar furar a bolha da direita por meio de um debate justamente com o ex-candidato que o acusou de viciado em cocaína e apresentou um laudo falso na véspera da eleição em segundo turno. Marçal, por sua vez, ganhou um vídeo com o adversário para , no futuro, mostrar que é bonzinho. Acredite se quiser.

Depois de conquistar o apoio do PSB e do PDT, o senador Davi Alcolumbre ganhou o apoio formal do Progressistas de Ciro Nogueira, que tem sete senadores. Esta reunião do PP foi acertada ainda na viagem a Roma, onde Alcolumbre acompanhou o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco e Ciro Nogueira, ambos palestrantes do II Forum Internacional Esfera na capital da Itália. O apoio em bloco do partido em meio às eleições municipais é para evitar que o PP fique “solto” e possa ser procurado por outros postulantes, por exemplo, Rogério Marinho, do PL, que planejou concorrer, ou Soraya Thronicke, do Podemos.
Agora, se outros candidatos entrarem em contato com Ciro Nogueira em busca de apoio para comandar o Senado, Ciro tem na ponta da língua o discurso de que a bancada já decidiu em bloco apoiar a candidatura do atual presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Davi Alcolumbre. Alcolumbre já tem encontros com os outros partidos agendados para fechar um leque de partidos até o final de novembro. No Senado, a corrida parece mais fácil do que na Câmara, mas não significa que Alcolumbre possa jogar parado. Até aqui, os partidos que o apoiam somam 22 senadores. Para vencer, ele precisa ter, pelo menos, 41, dos 81 senadores. Alcolumbre tem o apoio do presidente do Senado e há quem diga que, juntando seus apoios, já ultrapassou os 50 senadores. A eleição é em 1 de fevereiro de 2025.

Em encontro com o Ministro de Relações Institucionais do Presidente Lula, Alexandre Padilha, o líder do União Brasil, Elmar Nascimento, confirma sua candidatura à Presidência da Câmara dos Deputados. Com este aceno, Elmar trabalha para conseguir o apoio do PT e de Lula na empreitada. Elmar não é o candidato preferido do Planalto. Porém, a contar pelo que disse Lula hoje em Salvador, o governo não irá se meter na briga interna da Câmara. Assim, se Elmar chegar lá, a convivência promete ser pacífica. Até aqui, Elmar tem dito ter apenas uma certeza: a de que seu nome estará na urna da eleição em fevereiro de 2025.

Por Eduarda Esposito — Na tarde desta segunda-feira (15/10), o presidente Lula sancionou o projeto de lei (PL) 3148/2024, que inscreve o nome de Eduardo Campos no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. Campos se junta agora a personagens históricos como Tiradentes, Zumbi dos Palmares, Santos Dumont.
A família do político, que faleceu em um acidente aéreo em 2014, esteve presente na homenagem onde o presidente defende o legado que o ex-governador de Pernambuco deixou. “No momento em que eu sanciono uma lei, transformando o nosso querido companheiro, Eduardo Campos, como herói nacional, a gente está dando uma contribuição para que a gente tenha a responsabilidade de fazer com que aqueles que nasceram depois de nós, aqueles que ainda são crianças, possam conhecer outro tipo de político nesse país. A gente não pode deixar que a sociedade reconheça o político pela quantidade de agressividade e de mentira. Nós temos que mostrar que o político pode ser humano”, destacou Lula.
Eduardo Campos foi governador de Pernambuco duas vezes, ministro de Ciência e Tecnologia do governo de Lula, entre 2004 e 2005, e candidato à Presidência da República em 2014 antes da tragédia durante o voo para Santos (SP).
Autoridades brasileiras e italianas cobram cooperação no combate ao crime
ROMA — Reunidos no II Forum Internacional Esfera, autoridades que estão no topo do combate ao crime organizado no Brasil e na Itália alertaram para a necessidade de uma ação conjunta de combate ao crime organizado. O procurador nacional antimáfia e antiterrorismo da Itália, Giovanni Melillo, foi incisivo ao dizer que é preciso abandonar a “lógica individualista” do combate ao crime organizado e trabalhar numa “lógica conjunta”a fim de construir “uma casa comum do Direito”.
Ele abriu o primeiro painel do dia, sobre cooperação institucional, logo após a palestra inaugural do presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso. Na mesma toada, o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, reforçou: “Precisamos saltar do enfoque particularista, caso a caso, para o enfoque permanente. Isso pode ser feito por meio do aceitamento, por parte do Brasil, de um convite do Eurojust, órgão que congrega os ministérios públicos da União Europeia. Recebemos um convite para que possamos participar das atividades desse órgão, que vai permitir que essa colaboração permanente seja ainda mais eficaz”, afirmou.
O diretor-geral da Policia Federal, Andrei Rodrigues, completou o triunvirato de defesa da parceria com uma frase que soou quase que como um pedido de socorro à classe política que detém o poder de aprovar os acordos e darem respaldo para que eles funcionem na prática. “Enfrentar o crime organizado sem cooperação é fracasso garantido. Ou vencemos juntos ou perdermos sozinhos. Trabalhar e enfrentar crime organizado sem pensar na integração interna e cooperação internacional é fracasso garantido”, reforçou.
Tríplice fronteira
Um dos exemplos de ação conjunta entre países, citado por Melillo, foi o trabalho na região da tríplice fronteira do Brasil com Argentina e Paraguai, na região de Foz do Iguaçu: “Os esforços ali precisam ser levado adiante, porque o crime organizado é permanente, exige uma prestação de serviços continuada, com acúmulo e troca de informações, análise, e, sobretudo, de planejamento das ações.”
Uma das apostas dessas autoridades para o futuro próximo é a assinatura dos acordos que o ministro Ricardo Lewandowski fechou nesta viagem, numa programação paralela ao Forum Esfera. “Estamos com grande expectativa de que o governo brasileiro assine esse acordo, que vai manter a autoridade central no Ministério da Justiça e vai propiciar esse mecanismo de troca de informações e financiamento de atividades relevantes, instrumentos indispensáveis para que o combate à criminalidade transnacional possa ser feito.”, afirmou o procurador-geral, Paulo Gonet.
Embora o mediador do painel, William Waack, tenha provocado as autoridades brasileiras sobre a necessidade de se criar uma procuradoria antimáfia no Brasil, todos defendera que a estrutura é suficiente; “Vivemos um momento de felicidade institucional”, afirmou, referindo-se à boa convivência entre Judiciário, Ministério Público, legislativo e Executivo. pelo menos, nessa seara, parece haver harmonia.






