A imprensa responsável

Publicado em ÍNTEGRA

Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

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Foto: ©Freepick

 

A relação entre imprensa e democracia é objeto recorrente de análise em estudos institucionais, acadêmicos e de organismos internacionais. No caso brasileiro, essa relação insere-se no marco jurídico estabelecido pela Constituição Federal de 1988, que define, em seu artigo 1º, que “todo poder emana do povo”. Esse princípio fundamenta o papel da informação como elemento central para o funcionamento do sistema democrático.

A imprensa é frequentemente caracterizada como mediadora entre instituições e sociedade. Segundo o relatório do Reuters Institute for the Study of Journalism, 56% dos brasileiros concordam que a mídia exerce função de monitoramento do poder, indicador que posiciona o país entre os mais elevados nesse quesito em comparação internacional. Esse dado sugere a percepção da imprensa como mecanismo de fiscalização institucional.

Ao mesmo tempo, indicadores de confiança revelam um cenário de estabilidade em níveis moderados. Em 2025, 42% dos brasileiros declararam confiar nas notícias, percentual considerado próximo à média global. Esse índice representa uma queda acumulada ao longo da última década, associada, segundo o mesmo relatório, a fatores como polarização política e expansão das plataformas digitais.

A transformação tecnológica também alterou os padrões de consumo de informação. Cerca de 78% da população brasileira utiliza a internet como principal meio de acesso a notícias, enquanto apenas 10% recorrem a jornais impressos. Além disso, aproximadamente 65% dos entrevistados afirmam obter informações por meio de redes sociais e plataformas digitais. Esse deslocamento evidencia uma mudança estrutural no ecossistema informacional.

No plano internacional, a liberdade de imprensa é frequentemente utilizada como indicador de qualidade democrática. O Brasil ocupa posições intermediárias em rankings globais, como o da organização Repórteres Sem Fronteiras, que avalia condições estruturais, independência editorial e segurança dos profissionais. Esses indicadores são utilizados como referência comparativa entre diferentes sistemas políticos.

A literatura especializada também destaca a concentração de propriedade como fator relevante para análise do sistema midiático. Estudos do Banco Mundial e da OCDE apontam que a diversidade de fontes é um dos elementos associados à pluralidade informativa, embora não haja consenso sobre modelos ideais de regulação.

No ambiente digital, pesquisadores têm observado mudanças nos critérios de circulação de conteúdo. De acordo com o Reuters Institute, plataformas on-line tendem a priorizar conteúdos com maior potencial de engajamento, o que influencia a visibilidade de determinadas informações em detrimento de outras. Esse fenômeno tem sido relacionado à velocidade de disseminação de conteúdos não verificados.

A discussão sobre imparcialidade também aparece em estudos teóricos sobre jornalismo. O pesquisador Nic Newman afirma que “a confiança nas notícias está ligada à percepção de independência e transparência das organizações jornalísticas”, destacando a relação entre credibilidade e práticas editoriais.

No contexto brasileiro, a percepção de independência da mídia apresenta níveis mais baixos. Apenas 27% dos entrevistados consideram que os meios de comunicação são independentes de influências políticas ou econômicas. Esse dado indica um grau de ceticismo em relação à autonomia editorial.

A atuação da imprensa também é frequentemente associada ao conceito de “esfera pública”, desenvolvido por Jürgen Habermas, que define o espaço de debate como elemento central das democracias modernas. Nesse modelo, a circulação de informações confiáveis é considerada condição para a formação de opinião pública.

Em síntese, os dados disponíveis indicam que a imprensa no Brasil opera em um ambiente caracterizado por transformação tecnológica, níveis moderados de confiança e desafios relacionados à percepção de independência. O papel da mídia como mediadora entre sociedade e instituições permanece presente nos indicadores, ao mesmo tempo em que novas dinâmicas de produção e circulação de informação alteram a forma como esse papel é exercido.

 

A frase que foi pronunciada:
“Imprensa se combate com imprensa.”
D. Pedro II

D. Pedro II. Foto: Instituto Moreira Salles

 

Cratera
Na L2 Norte, sentido sul/norte, entre as quadras 11/12, um bueiro fundo acaba com os pneus, os amortecedores e as finanças dos motoristas desavisados. O impacto é grande. Vale a presença e solução do GDF.

 

História de Brasília
Brasília está para perder um bom amigo, embora que por pouco tempo. O sr. Hermes Lima viajará para o Rio, donde voltará senador pela Guanabara na próxima legislatura. (Publicada em 18/5/1962)

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