Brasil no radar de Washington

Publicado em Deixe um comentárioÍNTEGRA

Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

jornalistacircecunha@gmail.com

facebook.com/vistolidoeouvido

instagram.com/vistolidoeouvido

 

Encontro entre Donald Trump e Lula • Reprodução CNN Brasil

 

Declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recolocaram o Brasil no centro de uma discussão geopolítica que ultrapassa as fronteiras da diplomacia tradicional. Ao afirmar que o país se tornou “politicamente perigoso” e ao classificar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma liderança “volátil”, Trump sinalizou que a maior potência do planeta acompanha com atenção redobrada os acontecimentos políticos brasileiros às vésperas das eleições presidenciais de outubro. Quando um presidente americano passa a comentar de forma recorrente a situação interna de outra nação, sobretudo de uma economia do porte brasileiro, é porque interesses estratégicos estão em jogo. O Brasil continua sendo a maior economia da América Latina, possui uma das maiores reservas de recursos naturais do planeta, exerce influência regional significativa e ocupa posição importante nos debates internacionais sobre energia, comércio, agricultura e segurança.

Declarações feitas durante a reunião do G7 revelaram uma preocupação explícita de Trump com o ambiente político brasileiro. Em entrevistas concedidas à imprensa internacional, o presidente americano afirmou que o Brasil atravessa um momento de turbulência política e demonstrou desconforto com acontecimentos ligados ao processo eleitoral e à atuação das instituições nacionais. A reação do governo brasileiro veio de forma imediata. Lula respondeu que as eleições brasileiras constituem assunto exclusivo do Brasil e advertiu que nenhum país estrangeiro deve interferir no processo político nacional. A resposta presidencial procurou reafirmar o princípio da soberania, fundamento básico das relações internacionais modernas.

Por trás da troca de declarações existe uma realidade mais ampla. A América Latina passa por um processo acelerado de transformação política. Nos últimos anos, diversos países experimentaram mudanças de orientação ideológica, alternando governos de esquerda, centro e direita. A recente eleição presidencial na Colômbia, marcada pela vitória de um candidato identificado com posições conservadoras e alinhadas ao discurso de segurança pública, foi interpretada por diversos analistas como parte desse movimento regional. Nesse contexto, Washington observa atentamente os rumos do Brasil. Não apenas por sua dimensão econômica, mas porque qualquer alteração significativa na direção política brasileira produz reflexos em toda a América do Sul. Questões relacionadas ao comércio internacional, à aproximação com a China, à participação nos BRICS, à política ambiental e ao combate ao crime organizado aparecem entre os temas que despertam interesse permanente dos formuladores da política externa americana. Outro elemento importante diz respeito à segurança pública. O debate sobre organizações criminosas brasileiras ganhou dimensão internacional nos últimos meses. A discussão sobre o enquadramento de facções criminosas como organizações terroristas, defendida por setores políticos próximos a Trump, ampliou a convergência entre temas domésticos brasileiros e interesses estratégicos norte-americanos.

Presidentes americanos tradicionalmente evitam comentários frequentes sobre disputas eleitorais em nações amigas. Quando isso ocorre, o gesto costuma ser interpretado como um sinal político deliberado. Também não se pode ignorar o ambiente interno brasileiro. Polarização política, disputas judiciais, conflitos institucionais, casos escabrosos de corrupção, dificuldades econômicas e debates sobre liberdade de expressão tornaram-se temas recorrentes da cobertura internacional. Agências globais de notícias têm destacado a crescente tensão entre diferentes correntes políticas e o grau de radicalização presente em parte do debate público nacional. Para os Estados Unidos, existe ainda um fator adicional. O Brasil representa um parceiro comercial relevante e uma potência agrícola estratégica. Em um cenário global marcado pela competição crescente entre Washington e Pequim, a posição adotada por Brasília possui peso muito superior ao de outras nações da região.

Nenhuma administração americana, seja democrata ou republicana, tende a permanecer indiferente ao futuro político brasileiro. Eleições nacionais sempre despertam expectativas. A troca de declarações entre Lula e Trump demonstra que o pleito brasileiro deixou de ser observado apenas por jornalistas, investidores e diplomatas. Agora ele integra, de forma explícita, o cálculo estratégico das grandes potências. Ao eleitor brasileiro cabe distinguir fatos de narrativas, interesses nacionais de interesses externos e debates legítimos de disputas geopolíticas mais amplas. Independentemente das preferências políticas de cada cidadão, permanece um princípio fundamental: a estabilidade democrática depende da confiança nas instituições e da capacidade de resolver divergências por meio do voto. Nesse aspecto, o desafio que se aproxima não pertence apenas ao governo, à oposição ou aos observadores internacionais, pertence ao próprio Brasil. As eleições de outubro serão acompanhadas atentamente dentro e fora do país. O modo como transcorrerão poderá influenciar não apenas os próximos quatro anos da política nacional, mas também o lugar que o Brasil ocupará no cenário internacional durante a próxima década.

 

 

A frase que foi pronunciada:
“Os políticos matreiros são os gatos da humanidade. Dão toda a sorte de pulos, e sabem muito bem essa história de cair de pé.”
Monteiro Lobato

Monteiro Lobato. Foto: Arquivo/CB/D.A Press

 

História de Brasília

O do Gavião não é supermercado. Está funcionando como bodega e não no sistema livre escolha. E mais: apenas uma pequena parte está funcionando. Isto quer dizer: não melhorou nada.( Publicada em 22.05.1962)

Um destino sombrio

Publicado em Deixe um comentárioÍNTEGRA

Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

jornalistacircecunha@gmail.com

facebook.com/vistolidoeouvido

instagram.com/vistolidoeouvido

 

Ilustração: Eduardo Medeiros

 

Poucas decisões recentes produziram tanta controvérsia quanto a mudança promovida pelo Supremo Tribunal Federal no regime de responsabilização das plataformas digitais. Ao declarar parcialmente inconstitucional o artigo 19 do Marco Civil da Internet, o STF alterou drasticamente um dos pilares jurídicos que sustentavam a rede brasileira desde 2014. A decisão foi apresentada por seus defensores como uma necessidade diante da expansão dos crimes digitais, da desinformação organizada e dos conteúdos ilícitos disseminados em escala industrial.

Seus críticos, por outro lado, enxergam nela o início de um processo de restrição crescente à liberdade de expressão. Convém recordar o que dizia o artigo 19. Pela regra original, as plataformas somente poderiam ser responsabilizadas por conteúdos publicados por terceiros caso descumprissem uma ordem judicial específica determinando sua remoção. A lógica era simples: caberia ao Poder Judiciário decidir o que é ilícito. À plataforma competiria cumprir a decisão. Esse modelo foi concebido justamente para evitar a remoção preventiva de conteúdos legítimos por medo de punições futuras. Ao julgar o tema, a maioria dos ministros concluiu que o modelo se tornou insuficiente diante da realidade tecnológica contemporânea.

Segundo o entendimento predominante na Corte, grandes plataformas não são mais simples intermediárias neutras. Seus algoritmos impulsionam conteúdos, recomendam publicações e participam ativamente da circulação de informações. Por essa razão, os ministros entenderam que elas devem assumir responsabilidades mais amplas na remoção de conteúdos ilícitos.

Os defensores da decisão argumentam que a internet deixou de ser um espaço artesanal e passou a influenciar eleições, mercados financeiros, reputações individuais e até a segurança pública. Sob essa ótica, exigir ordem judicial para toda remoção significaria criar uma proteção excessiva para empresas que lucram justamente com a circulação acelerada de conteúdo. O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, sustentou que o modelo anterior já não oferecia proteção suficiente a direitos fundamentais. Críticos da decisão, entretanto, apontam outra preocupação. Para eles, o risco maior não é a permanência de conteúdos ilegais, mas a criação de incentivos para remoções excessivas.

Uma empresa sujeita a multas e responsabilizações civis tende a agir de forma defensiva. Na dúvida, removerá. Conteúdos legítimos poderão desaparecer não porque sejam ilícitos, mas porque representam risco jurídico para quem hospeda a informação. Tal preocupação não se restringe a grupos políticos específicos. Especialistas em direito digital vêm chamando atenção para o chamado “efeito inibidor” ou chilling effect, fenômeno em que indivíduos deixam de se manifestar por receio das consequências legais ou administrativas. O resultado pode ser uma redução silenciosa do debate público, o que parece ser a intenção.

Outro ponto sensível diz respeito ao equilíbrio institucional. Mudanças dessa magnitude deveriam nascer do Congresso Nacional, espaço constitucionalmente encarregado da produção legislativa. O argumento não se concentra apenas no mérito da decisão, mas também no processo pelo qual ela foi construída. Na visão desses observadores, quando temas altamente complexos passam a ser resolvidos predominantemente pelo Judiciário, cria-se uma tensão inevitável entre interpretação constitucional e atividade legislativa.

A questão ganha relevância adicional porque o próprio Marco Civil da Internet nasceu após longo debate parlamentar envolvendo empresas, juristas, universidades e organizações da sociedade civil. Seus defensores sustentam que eventuais atualizações deveriam seguir caminho semelhante, preservando a participação democrática e a previsibilidade jurídica. Também não faltam argumentos em sentido contrário. Aapoiadores da decisão observam que o Congresso discute o tema há anos sem alcançar consenso. Sob essa perspectiva, a atuação do STF seria uma resposta à demora legislativa diante de problemas concretos que afetam milhões de brasileiros.

No centro dessa controvérsia está uma pergunta fundamental: quem deve decidir os limites da liberdade de expressão na era digital? A resposta não é simples. Liberdade absoluta nunca existiu em nenhuma democracia moderna. Ao mesmo tempo, mecanismos de controle excessivamente amplos podem gerar efeitos incompatíveis com uma sociedade livre. O desafio brasileiro consiste justamente em evitar os dois extremos. Mais importante do que tomar partido imediato é reconhecer a dimensão histórica do debate. O que está sendo discutido não é apenas a responsabilidade das plataformas. Discute-se, na prática, o modelo de liberdade digital que vigorará no Brasil nas próximas décadas.

Trata-se de uma decisão cujos efeitos ultrapassam governos, partidos e conjunturas momentâneas. Sociedades democráticas amadurecem justamente quando conseguem enfrentar questões difíceis sem abrir mão da crítica, do contraditório e da vigilância permanente sobre o exercício do poder, seja ele exercido por governos, empresas ou tribunais. A discussão sobre o futuro da internet brasileira talvez seja uma das mais importantes deste século. E ainda está longe de terminar.

 

 

A frase que foi pronunciada:
“Com o intuito de assegurar a liberdade de expressão e impedir a censura, o provedor de aplicações de internet somente poderá ser responsabilizado civilmente (…) após ordem judicial específica…”
Art. 19 Marco Civil da Internet

Charge do Ivan Cabral

 

História de Brasília
Vale lembrar às autoridades, que o perdão, no caso, será visto pelo povo quase prejudicado, como um estimulo ao terrorismo e ao crime. (Publicada em 22.05.1962)

O preço das consciências que governam o Brasil

Publicado em Deixe um comentárioÍNTEGRA

Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

jornalistacircecunha@gmail.com

facebook.com/vistolidoeouvido

instagram.com/vistolidoeouvido

 

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal e Bruna Vieira/TV Globo

 

Repetia o filósofo de Mondubim: “quem se vende por dinheiro não merece o que recebe.” Em 18 de novembro de 2025, quando a Polícia Federal deteve o banqueiro Daniel Vorcaro no Aeroporto Internacional de Guarulhos a poucas horas de embarcar em um jato particular rumo a Dubai, esse ditado deixou de ser apenas sabedoria popular para se tornar o epitáfio moral de uma geração inteira de dirigentes que, em tese, deveriam guardar o interesse público. O escândalo do Banco Master é a fotografia em alta definição de um país capturado. As investigações da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal a pedido do Ministério Público Federal, já percorreram sete fases operacionais até maio de 2026. O que cada fase revelou foi progressivamente mais perturbador: uma rede de influência que atravessa o Executivo, o Legislativo, o Judiciário e os governos estaduais da direita à esquerda, sem distinção partidária.

Como observou a Gazeta do Povo, poucos episódios recentes da vida política nacional conseguiram atingir tanta gente influente ao mesmo tempo, e de grupos políticos tão diferentes. Documentos enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado expuseram, em números frios e devastadores, o tamanho do que foi comprado. Entre 2022 e 2025, o Banco Master realizou repasses que somam dezenas de milhões de reais a escritórios de advocacia e consultorias vinculadas a figuras de alto escalão.

Todos os citados alegam que os pagamentos correspondem a serviços técnicos, consultorias econômicas ou trabalhos jurídicos formalizados com nota fiscal. Mas o que os números dizem é que o Banco Master, investigado por fraudes cujos créditos “nunca existiram na origem”, segundo o Banco Central, construiu sistematicamente uma rede de proteção milionária dentro das mais altas esferas do poder. O caso é mais grave do que parece à primeira leitura. Não se trata de um banqueiro que corrompeu alguns funcionários de segundo escalão. Daniel Vorcaro construiu uma teia de relações que atravessa governos Lula, Temer e Bolsonaro simultaneamente, o que significa que o problema não é ideológico. É sistêmico.

A CPI do Crime Organizado confirmou ainda o financiamento de R$ 61 milhões de um valor acordado de R$ 134 milhões para o filme “Dark Horse”, a cinebiografia de Jair Bolsonaro, negociado diretamente com o senador Flávio Bolsonaro (PL). Um banco que deveria estar sob rígida supervisão regulatória patrocinava a propaganda política de candidatos à presidência da República. No campo regulatório, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, segundo apuração do Sindicato dos Bancários, tinha conhecimento dos problemas de liquidez do Banco Master ao longo de 2024, mas evitou intervir em momentos decisivos. O Banco de Brasília (BRB), sob o governador Ibaneis Rocha, adquiriu mais de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito do Master operação classificada pelo governador como “segura e estratégica”. Trabalhadores de bancos já enfrentam demissões decorrentes da liquidação que se segue.

No Supremo Tribunal Federal (STF), a relatoria do caso oscilou entre sombras e luz. Sob o ministro Dias Toffoli, as investigações foram cercadas de sigilo e os materiais apreendidos na Operação Compliance Zero foram lacrados — o que, na prática, paralisou análises cruciais. A mudança para a relatoria do ministro André Mendonça reabriu o caminho da PF, que voltou a poder ouvir suspeitos e testemunhas. Mas o dano à credibilidade institucional já estava feito.

A narrativa mais perigosa que pode emergir deste escândalo é a de que ele pertence a “um lado” da política. Não pertence. Os dados da Receita Federal atingem petistas, tucanos, peessedebistas, bolsonaristas e unionistas com a mesma impiedade. Quando o dinheiro é suficientemente grande e quinhentos milhões de reais são suficientemente grandes , ele não escolhe partido, só escolhe poder. E é exatamente por isso que o caso Master é um terremoto: ele mostra que a compra de influência no Brasil não é exceção. É o método.

O que o Brasil recebe, quando seus representantes são comprados, é devastador: recebe um Estado aparelhado para servir a quem paga, e não a quem vota. Recebe reguladores que fecham os olhos. Recebe legisladores que apresentam emendas sob encomenda. Recebe ministros com contratos de seus cônjuges dependentes dos investigados. Recebe, em suma, a República .

Daniel Vorcaro está preso numa cela de 7 metros quadrados na Penitenciária Federal de Brasília. Uma eventual delação premiada, como se discute nos bastidores judiciais, pode ser o maior terremoto político desde a Lava-Jato. A diferença é que desta vez os atingidos estão em todos os andares do poder simultaneamente. O Brasil precisa, urgentemente, de respostas à altura do tamanho do escândalo. Ou o preço a pagar, mais uma vez, será cobrado do cidadão do bem, que conhece e respeita os dizeres do filósofo de Mondubim.

 

 

A frase que foi pronunciada:
“Quando os homens são puros, as leis são desnecessárias; quando são corruptos, as leis são inúteis.”

Benjamin Disraeli

Benjamin Disraeli. © Georgios Kollidas/Fotolia

 

História de Brasília
Os supermercados até hoje não entraram em funcionamento, representando sério prejuízo para a população que superlota os dois estabelecimentos (unicos) provocando o excesso de gente e dificuldades para abastecimento. (Publicada em 22.05.1962)

Rebeldes e cientistas no mesmo quadrado

Publicado em Deixe um comentárioÍNTEGRA

Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

jornalistacircecunha@gmail.com

facebook.com/vistolidoeouvido

instagram.com/vistolidoeouvido

 

Foto: Divulgação/USP

 

Na ponta da velha balança, nos dois extremos, pesa o debate sobre o ensino superior brasileiro, assunto que costuma oscilar. De um lado, a percepção de que as universidades públicas atravessam uma crise permanente. Drogas, festas e muita bebida alcóolica. De outro, a narrativa segundo a qual o país teria construído um sistema universitário capaz de competir em igualdade de condições com os principais centros acadêmicos do mundo. Os números mais recentes sugerem uma realidade mais complexa, marcada por avanços significativos, mas também por limitações estruturais que continuam a afastar o Brasil das nações líderes em ciência, tecnologia e inovação.
Segundo o Leiden Ranking 2025, a Universidade de São Paulo, principal instituição de pesquisa do país, aparece na 17ª colocação mundial em volume de produção científica, levantamento elaborado pelo Centro de Estudos em Ciência e Tecnologia da Universidade de Leiden, na Holanda. Entre 2020 e 2023, a USP produziu mais de 20 mil artigos científicos indexados na base Web of Science, consolidando-se como a única universidade ibero-americana entre as cem maiores produtoras de conhecimento científico do planeta.
Uma universidade brasileira ao lado de instituições tradicionalmente associadas à liderança científica mundial realmente chama atenção. O próprio ranking destaca que 42,5% dos artigos publicados pela USP situam-se entre os 50% mais citados em suas respectivas áreas de conhecimento. Em nota oficial, a instituição ressaltou sua posição como “a universidade brasileira que mais produz pesquisa no mundo”.
Curiosamente, nos rankings globais mais abrangentes a relevância da pesquisa nacional não se reflete integralmente. Em junho de 2026, o levantamento do Center for World University Rankings revelou que 45 das 52 universidades brasileiras avaliadas perderam posições em relação ao ano anterior. A USP permaneceu como a instituição mais bem colocada do país, mas recuou para a 119ª posição mundial. Segundo o relatório, o desempenho em pesquisa foi justamente o indicador que apresentou maior deterioração entre as universidades brasileiras.
O contraste entre os dois resultados ajuda a compreender uma das principais características do ensino superior nacional. O Brasil produz ciência em quantidade considerável, mas encontra dificuldades para ampliar seu impacto internacional, sua capacidade de inovação e sua inserção em redes globais de pesquisa. Enquanto alguns rankings privilegiam o volume de publicações, outros incorporam indicadores como reputação acadêmica, internacionalização, influência das pesquisas, empregabilidade dos egressos e transferência de conhecimento para a sociedade.
A comparação internacional revela a dimensão do desafio. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 48% dos jovens adultos dos países membros possuem formação superior. Em várias economias avançadas, a expansão do acesso ao ensino superior foi acompanhada por elevados investimentos em pesquisa, inovação e cooperação internacional.
No Brasil, embora o número de estudantes universitários tenha crescido expressivamente nas últimas décadas, persistem obstáculos relacionados ao financiamento, à permanência estudantil e à internacionalização das instituições. Dados da OCDE mostram que apenas 0,2% dos estudantes do ensino superior no país são estrangeiros, índice muito inferior à média observada nas nações desenvolvidas. O mesmo relatório aponta que o gasto anual por estudante permanece entre os mais baixos do grupo analisado.
As universidades federais e estaduais continuam concentrando a maior parte da pesquisa científica nacional. Instituições como USP, Unicamp, UFRJ, UFMG, UFRGS e UnB respondem por parcela expressiva dos artigos, teses, dissertações e projetos de pesquisa produzidos no país. No ranking CWUR de 2026, essas universidades permanecem entre as mais bem posicionadas do Brasil, embora praticamente todas tenham enfrentado perda relativa de posições diante do crescimento acelerado de concorrentes internacionais, especialmente da Ásia.
O cenário evidencia uma realidade paradoxal. O Brasil construiu um sistema universitário capaz de gerar conhecimento em escala global e de formar pesquisadores reconhecidos internacionalmente. Ao mesmo tempo, os indicadores mostram que o país ainda ocupa posição distante daquela observada nas principais potências científicas. A produção acadêmica brasileira continua relevante, mas sua transformação em inovação tecnológica, patentes, produtos e ganhos de competitividade econômica ocorre em ritmo inferior ao observado em países que hoje lideram a economia do conhecimento.
A discussão sobre o futuro das universidades brasileiras não se limita, portanto, ao número de artigos publicados ou à posição em rankings internacionais. Ela envolve a capacidade de um país transformar conhecimento em desenvolvimento. Os dados disponíveis mostram que o Brasil já possui uma base universitária robusta e consolidada. Mostram também que, diante das exigências de uma economia cada vez mais dependente da ciência e da tecnologia, ainda permanece consideravelmente aquém do patamar alcançado pelas nações que ocupam os primeiros lugares na produção e no aproveitamento estratégico do conhecimento.
A frase que foi pronunciada:
“A educação não é preparação para a vida; a educação é a própria vida.”
John Dewey
John Dewey. Foto: gettyimages.com
História de Brasília  
Volta. assim, às manchetes, o nome do major Lameirão, tristemente celebre pelos acontecimentos de Jacareacanga e Aragarças. E o povo pergunta desesperado o que será feito do homem que por pouco não provocou o maior desastre dos nossos tempos. (Publicada em 22.05.1962)

Pandemia silenciosa da mente

Publicado em Deixe um comentárioÍNTEGRA

Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

jornalistacircecunha@gmail.com

facebook.com/vistolidoeouvido

instagram.com/vistolidoeouvido

 

Ilustração: criatives.com.br

 

Poucas vezes na história moderna uma crise de saúde pública avançou de forma tão rápida, tão abrangente e tão silenciosa quanto a crise global da saúde mental. Não se trata de uma impressão subjetiva. Os números confirmam que algo profundo está acontecendo com a população mundial. Ansiedade, depressão, transtornos de humor, síndromes relacionadas ao estresse, distúrbios do sono e outros problemas psíquicos avançam em praticamente todos os continentes, atingindo crianças, jovens, adultos e idosos. Segundo dados recentes compilados pela Organização Mundial da Saúde, mais de 1 bilhão de pessoas convivem atualmente com algum transtorno mental. Isso significa que aproximadamente uma em cada sete pessoas no planeta enfrenta algum tipo de problema relacionado à saúde da mente.

Trata-se de uma realidade que desafia governos, sistemas de saúde e especialistas. Também levanta uma questão inevitável: o que aconteceu com a sociedade contemporânea para produzir tamanha expansão dos distúrbios mentais? Durante séculos, doenças infecciosas foram consideradas as grandes ameaças à humanidade. Hoje, embora continuem existindo, observa-se o crescimento acelerado das chamadas doenças da mente. A depressão tornou-se uma das principais causas de incapacidade no mundo. Transtornos de ansiedade avançam em ritmo semelhante. A própria OMS considera a saúde mental uma das maiores prioridades sanitárias do século XXI.

Uma revisão sistemática envolvendo mais de 75 mil participantes estimou que aproximadamente 4% da população brasileira utiliza antidepressivos, com prevalência crescente entre mulheres e idosos. O dado talvez pareça pequeno à primeira vista. Não é. Considerando uma população superior a 200 milhões de habitantes, estamos falando de milhões de brasileiros utilizando medicamentos para lidar com sofrimento psíquico. Além disso, os números oficiais normalmente capturam apenas os casos diagnosticados e tratados, deixando de fora uma vasta população que convive com sintomas sem procurar assistência médica.

Nenhuma geração anterior viveu submetida a tamanha quantidade de estímulos informacionais. Redes sociais, notificações permanentes, excesso de telas, comparação social constante e hiperconectividade alteraram profundamente os hábitos humanos. O cérebro, moldado durante milhares de anos para lidar com ambientes relativamente estáveis, passou a receber uma avalanche contínua de informações. Somam-se a isso fatores econômicos. Insegurança profissional, endividamento crescente, encarecimento do custo de vida, dificuldade de acesso à moradia e perspectivas incertas para o futuro criam um ambiente permanente de tensão psicológica. Outro elemento importante está relacionado ao enfraquecimento de estruturas tradicionais de convivência. Famílias menores, relacionamentos mais frágeis, isolamento social crescente e redução dos vínculos comunitários produziram uma sociedade mais conectada digitalmente e, paradoxalmente, mais solitária.

Em várias economias desenvolvidas, médicos e especialistas apontam que muitos quadros de sofrimento emocional refletem não apenas problemas individuais, mas condições sociais deterioradas, marcadas por estresse crônico, jornadas de trabalho desgastantes e insegurança cotidiana. Outro aspecto relevante envolve a própria evolução dos diagnósticos.
Estudos internacionais apontam aumentos expressivos especialmente em casos de ansiedade e depressão.

Nesse contexto surge outro fenômeno digno de reflexão: a explosão do mercado farmacêutico ligado à saúde mental. Antidepressivos, ansiolíticos, estabilizadores de humor e medicamentos para transtornos do sono movimentam bilhões de dólares todos os anos. Em muitos países, o consumo desses produtos alcançou níveis sem precedentes. Pesquisas internacionais, como a realizada pela OCDE: Health at a Glance (Um olhar sobre a saúde) mostram que antidepressivos figuram entre os medicamentos mais prescritos do mundo. Para milhões de pessoas representam tratamento fundamental e, muitas vezes, salvador. O problema surge quando toda uma questão social complexa passa a ser tratada exclusivamente sob uma perspectiva farmacológica. Nenhum comprimido é capaz de substituir relações humanas saudáveis. Nenhum medicamento elimina sozinho os efeitos da solidão, da insegurança econômica ou da fragmentação social.

Também merece atenção a situação das novas gerações. Crianças e adolescentes cresceram em um ambiente radicalmente diferente daquele conhecido por seus pais e avós. Exposição precoce às redes sociais, redução das interações presenciais, pressão por desempenho e excesso de estímulos digitais criaram desafios inéditos para o desenvolvimento emocional. Tudo indica que a humanidade entrou em uma nova fase de sua história. Durante muito tempo o principal desafio foi vencer doenças que atacavam o corpo. Agora surge um desafio igualmente complexo: preservar a saúde da mente em um mundo cada vez mais acelerado, competitivo e tecnologicamente invasivo. Nenhuma sociedade pode considerar normal que centenas de milhões de pessoas convivam permanentemente com ansiedade, depressão ou sofrimento emocional incapacitante. Talvez a grande pergunta do nosso tempo seja: quanto custa a sua paz?

 

 

A frase que foi pronunciada:
“Deprimido com o aquecimento global? Nem tanto quanto os ursos bipolares.”
Mídias sociais

Ilustração: reprodução da internet

 

História de Brasília
Quase se consumava um dos maiores atentados da história terrorista da humanidade. Um oficial reformado da FAB, celebre pelo furto de avião à guisa de revolução, confessou haver colocado uma bomba relógio na Exposição russa, que, se explodisse, seria catástrofe maior que a do circo de Niterói. (Publicada em 22.05.1962)

Uma Praça para Chamar de Sua

Publicado em Deixe um comentárioÍNTEGRA

Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

jornalistacircecunha@gmail.com

facebook.com/vistolidoeouvido

instagram.com/vistolidoeouvido

 

Foto: luzcont.com

 

Há regiões que crescem apenas em número de moradores. Outras crescem em renda, infraestrutura e valorização imobiliária. O Lago Norte, em Brasília, cresceu em tudo isso. Mas há algo essencial que ficou para trás: a criação de um grande espaço de convivência comunitária capaz de reunir seus moradores em torno da vida social, cultural e recreativa da área.

Hoje, o Lago Norte abriga uma população superior a 40 mil habitantes. Trata-se de uma das regiões administrativas com elevados índices de escolaridade e renda do Distrito Federal. Levantamentos recentes apontam renda domiciliar média superior a R$ 15 mil mensais e mais de 70% dos adultos com ensino superior completo. A população também apresenta forte presença de idosos, ao lado de milhares de crianças e jovens que vivem nas diversas quadras, condomínios e setores habitacionais da região. São números que revelam uma comunidade consolidada, madura e economicamente relevante para o Distrito Federal. Uma população que paga elevados impostos, contribui para a arrecadação pública e ajuda a sustentar boa parte da economia local.

Mas basta observar a rotina do bairro para perceber um paradoxo. Apesar de toda sua pujança econômica, o Lago Norte não possui um verdadeiro centro de convivência comunitária. Não há um local amplo, público e permanente onde moradores possam encontrar amigos, participar de atividades culturais, assistir a apresentações artísticas, frequentar cursos, praticar esportes, caminhar em segurança ou simplesmente conviver. Os encontros acabam migrando para os shopping centers, restaurantes e bares. São opções legítimas, mas que dependem do consumo como condição de permanência. Quem deseja apenas passear, conversar ou participar da vida comunitária encontra poucas alternativas. O resultado é uma espécie de isolamento social silencioso. As pessoas moram próximas, mas convivem pouco. Conhecem os vizinhos de vista, mas raramente compartilham experiências coletivas.

A situação chama ainda mais atenção porque o Lago Norte possui características únicas dentro de Brasília. Poucas regiões dispõem de tanta área verde, proximidade com o Lago Paranoá, qualidade urbanística e potencial paisagístico. Em teoria, poderia ser um dos melhores lugares da capital para desenvolver um modelo moderno de convivência urbana, capaz de integrar diferentes gerações em torno de atividades culturais, esportivas e recreativas. É justamente nesse contexto que ressurge a discussão sobre o futuro do antigo Clube do Congresso.

Localizado em uma área privilegiada e pertencente à União, o espaço possui dimensões, estrutura e localização capazes de transformá-lo em algo muito maior do que um clube tradicional. Sua vocação natural talvez já não seja servir a um grupo restrito de associados, mas tornar-se um equipamento público voltado para toda a comunidade. A ideia de transformá-lo em um Clube de Unidade de Vizinhança merece ser debatida com seriedade. O conceito não é novo. Diversas cidades ao redor do mundo investiram em centros comunitários multifuncionais que reúnem bibliotecas, auditórios, espaços esportivos, áreas para idosos, atividades infantis, cursos profissionalizantes e programação cultural permanente. São locais onde a população encontra não apenas lazer, mas também pertencimento.

Num bairro onde vivem milhares de aposentados, profissionais liberais, servidores públicos, estudantes e famílias jovens, um equipamento dessa natureza teria enorme potencial de utilização. Os idosos encontrariam espaços adequados para atividades físicas, convivência e prevenção do isolamento social. As crianças teriam acesso a atividades educativas e esportivas. Os jovens poderiam participar de oficinas culturais, eventos e programas de formação. As famílias ganhariam um ponto permanente de encontro. Mais do que isso, o próprio Lago Norte passaria a possuir uma identidade comunitária mais forte.

Brasília nasceu sob a inspiração das chamadas Unidades de Vizinhança, conceito urbanístico que previa escolas, comércio, áreas verdes e equipamentos públicos capazes de fortalecer os laços sociais. Em muitos aspectos, esse ideal perdeu força ao longo das décadas. Recuperá-lo seria, de certa forma, resgatar uma das ideias mais interessantes presentes no projeto original da capital. A proximidade das eleições distritais oferece uma oportunidade rara para colocar essa discussão na agenda pública. Os candidatos costumam falar de trânsito, segurança e obras viárias. São temas importantes. Mas a qualidade de vida também depende da existência de espaços que permitam às pessoas viver a cidade para além do deslocamento entre casa e trabalho.

Em tempos onde as relações humanas se tornam cada vez mais virtuais e fragmentadas, investir em espaços reais de convivência pode ser uma das políticas públicas mais inteligentes que uma cidade pode adotar. Falta apenas vontade política para transformar esse potencial em realidade.

 

A frase que foi pronunciada:
“Mais de uma década de rezoneamentos em toda a cidade, especulação imobiliária e guerras de lances corporativos por espaços comerciais disponíveis criaram um habitat darwiniano onde o varejo corporativo prolifera e onde os pequenos comércios familiares se tornaram uma espécie em extinção.”
Alessandro Busà

 

História de Brasília
Agora as notícias: o Ministério da Educação autorizou o Tesouro a liberar 610 milhões para serem utilizados pela Fundação Educacional. (Publicado em 20.05.1962)

A sanha arrecadatória

Publicado em Deixe um comentárioÍNTEGRA

Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

jornalistacircecunha@gmail.com

facebook.com/vistolidoeouvido

instagram.com/vistolidoeouvido

 

Charge: novoeste.com

Há uma distopia em construção no Brasil. Ela não chegou de repente, com tanques nas ruas ou decretos autoritários. Chegou silenciosamente, protocolar, embrulhada em resoluções normativas, rubricas orçamentárias e jargões técnicos. Chegou pela via dos tributos que se multiplicam sem correspondência em serviços, pelas emendas parlamentares que sangram o Tesouro para alimentar currais eleitorais, pela corrupção que corrói cada real arrecadado antes mesmo que chegue ao destino declarado e pelo crime organizado que ocupa os espaços abandonados pelo Estado.

O resultado é um país que tributa como nação desenvolvida e entrega como nação falida. Manchetes estampam “O Brasil atingiu em 2025 a maior carga tributária da série histórica: 32,4% do PIB. Nenhum serviço público correspondente foi entregue”. Cada esfera governa os próprios instrumentos de coleta: na União, o Imposto de Renda, a Cofins, o PIS e as contribuições previdenciárias; nos estados, o ICMS, o IPVA e o ITCMD; nos municípios, o ISS, o IPTU e o ITBI. O contribuinte é o mesmo em todos os balcões. O Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) calculou que, em 2024, o trabalhador brasileiro precisou trabalhar até 28 de maio — 149 dias — apenas para quitar suas obrigações com o Estado. Trata-se de quase metade do ano consumida em tributos antes que um único real reste para o indivíduo construir patrimônio, investir, poupar ou simplesmente viver com dignidade.

A carga tributária de 2025 foi de 32,40% do PIB maior da série histórica (Tesouro Nacional). A de 2023, 30,26% do PIB — ou seja, alta de 2,14 pontos percentuais em dois anos. Os dias trabalhados para pagar tributos em 2024 foram 49. A posição no ranking mundial, 14ª maior carga entre os países da OCDE — pior retorno em bem-estar. A perversidade do modelo está, contudo, menos no volume e mais na estrutura. Enquanto os países da OCDE concentram sua arrecadação predominantemente em tributos sobre renda e patrimônio, o que tende a ser mais progressivo, o Brasil arrecada principalmente sobre consumo e folha de pagamento. Em 2025, os impostos sobre bens e serviços representaram 13,78% do PIB.

O que isso significa, na prática, é que o faxineiro e o executivo pagam o mesmo ICMS ao comprar arroz no supermercado. É a regressividade institucionalizada. O chamado Custo Brasil, resultante dessa estrutura que pune produção e consumo, encarece sistematicamente os produtos nacionais e torna as empresas brasileiras não competitivas no mercado global. Cada ponto percentual de carga tributária sobre o consumo é um imposto oculto cobrado na boca do caixa de quem tem menos. Outra constatação nas páginas eletrônicas:”O trabalhador brasileiro é tributado como suíço, mas atendido como cidadão de quinto mundo”. Essa é a essência do pacto perverso que governa o país. A teoria econômica, já há décadas, advertiu sobre os limites da tributação. A Curva de Laffer demonstra que, acima de determinado ponto, o aumento de alíquotas não gera mais receita — ao contrário, destrói a base produtiva, estimula a evasão fiscal, a informalidade e a desindustrialização.

O Brasil cruzou essa fronteira. O mercado informal responde por cerca de 40% do PIB, segundo estimativas do IBGE. A fuga da formalidade não é desonestidade cultural, é resposta racional ao custo insuportável de existir legalmente. A desindustrialização avança há duas décadas. A participação da indústria de transformação no PIB caiu de cerca de 22% nos anos 1980 para menos de 11% no período recente.

Pequenas e médias empresas, espinha dorsal do emprego formal, morrem não pela falta de mercado, mas pela impossibilidade de pagar tributos, salários com encargos e, ainda, competir com importados livres de toda a mesma burocracia. O IPVA cobrado sobre veículos, o IPTU sobre imóveis urbanos, as taxas de licenciamento, as contribuições sindicais compulsórias que sobreviveram à reforma trabalhista, são camadas sobre camadas de extração que não se comunicam com a prestação de serviços públicos. A cobrança existe; a contrapartida, não.

Há no Brasil mais de 90 tributos distintos, entre impostos, taxas, contribuições, contribuições de melhoria e contribuições especiais. Muitos incidem em cascata sobre os mesmos fatos geradores. A bitributação não é acidente: é design. O cidadão paga o ICMS embutido na conta de energia elétrica e, depois, paga o PIS/Cofins sobre o mesmo produto. O empresário paga o IRPJ sobre o lucro e, ao distribuir dividendos, o acionista paga novamente. A complexidade é o produto, não o subproduto.

Na lente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), há o cálculo que apenas as licitações viciadas custam ao país R$ 20 bilhões anuais. Os números mais recentes confirmam a gravidade. Em 2025, a Controladoria-Geral da União (CGU), em articulação com a Polícia Federal, realizou 76 operações especiais — crescimento de 46% em relação a 2024 — identificando R$ 13,6 bilhões em prejuízos potenciais. O valor médio por operação pulou de R$ 5,4 milhões em 2022 para R$ 188,6 milhões em 2025. A escala do crime cresceu na mesma proporção que a capacidade de investigação.

 

 

A frase que foi pronunciada:
“O diabo é que a nossa inflação não é de demanda ou de custo. É inflação de chuchu mesmo.”
Mário Henrique Simonsen

Mário Henrique Simonsen. Foto: istoedinheiro.com

 

História de Brasília
Essa operação traria as seguintes vantagens: entrega a curto prazo de 2.400 apartamentos; canalização, para Brasília, de 50% do custo, ou sejam 5 bilhões de cruzeiros da iniciativa privada. (Publicado em 20/5/1962)

O canto das sereias do governo

Publicado em Deixe um comentárioÍNTEGRA

Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

jornalistacircecunha@gmail.com

facebook.com/vistolidoeouvido

instagram.com/vistolidoeouvido

 

Foto: Jaqueline Deister

 

No próximo dia 24, o Supremo Tribunal Federal (STF) retomará um dos julgamentos com maior potencial de transformação para melhor ou para pior da economia brasileira nos últimos anos. A Corte decidirá, em caráter vinculante e com repercussão geral, se motoristas da Uber, entregadores da Rappi, iFood, 99 e plataformas similares têm vínculo empregatício formal com essas empresas. A decisão, seja qual for, não ficará circunscrita às paredes do plenário: chegará às ruas, às mochilas térmicas, aos carros particulares, às carteiras e, sobretudo, à liberdade de milhões de brasileiros.

Antes de qualquer análise, é preciso enunciar o dado mais inconveniente para os defensores da CLT a qualquer custo: a maioria dos trabalhadores de aplicativos não quer o vínculo empregatício. Pesquisas, audiências públicas e manifestações públicas têm demonstrado, à exaustão, que esses profissionais valorizam a flexibilidade de horários, a autonomia para aceitar ou recusar corridas e entregas, e a possibilidade de conciliar o trabalho por aplicativo com outras atividades. Para eles, a relação de emprego formal não representa proteção, representa uma gaiola.

A pergunta que se impõe, portanto, é: se os próprios trabalhadores não querem o vínculo, para quem, afinal, essa decisão seria uma vitória? A resposta, infelizmente, não é difícil de encontrar. O lobby mais ativo e organizado em prol do reconhecimento do vínculo empregatício não vem dos trabalhadores, vem das centrais sindicais. E a motivação não é altruísta. Com o vínculo formalizado, os sindicatos voltam a ter acesso a uma base imensa de contribuições compulsórias, uma fonte de recursos que o legislador havia restringido com a Reforma Trabalhista de 2017.

Os milhares de motoristas e entregadores que foram às redes sociais, às ruas e a fóruns públicos defender a manutenção do modelo atual não dispõem dos mesmos recursos, da mesma articulação política nem do mesmo acesso aos corredores do poder. A assimetria é flagrante e reveladora. Os defensores do reconhecimento do vínculo empregatício constroem um discurso sedutor, recheado de promessas que merecem ser examinadas com rigor:

“Os trabalhadores terão acesso a todos os direitos trabalhistas.” Verdade, mas a que custo? Com FGTS, férias remuneradas, 13º salário, aviso prévio e contribuições pre videnciárias, o custo por trabalhador para as plataformas aumenta entre 40% e 80%. Esse custo não desaparece: é repassado aos preços, reduzido via cortes de pessoal ou eliminado com a saída das empresas do país.

“Haverá mais estabilidade e renda garantida.” Mas quem garante que as plataformas manterão os contratos? A experiência internacional mostra o contrário: na Espanha, após legislação similar, o iFood demitiu milhares de entregadores e passou a operar com frotas próprias reduzidas. Na Califórnia, a Prop 22 foi aprovada justamente porque os trabalhadores preferiram a flexibilidade à suposta proteção.

“As empresas têm lucros bilionários e podem pagar.” O argumento ignora que parte significativa dessas empresas ainda opera no vermelho globalmente, subsidiadas por capital de risco. Mais importante: mesmo as lucrativas não são filantrópicas diante de custos inviáveis, adaptam o modelo de negócios ou saem do mercado. O trabalhador que hoje tem renda flexível pode amanhã não ter renda nenhuma.

“O vínculo traz dignidade ao trabalhador.” Digno não é apenas o trabalho com carteira assinada, digno é o trabalho que existe, que paga as contas e que respeita a autonomia de quem o executa. Dizer ao entregador que ele só terá dignidade quando estiver enquadrado em um modelo do século 20 é, no mínimo, uma condescendência disfarçada de proteção. O cenário mais provável, em caso de decisão desfavorável às plataformas, não é o paraíso trabalhista prometido pelos sindicatos, é o desemprego em massa.

As plataformas de mobilidade e entrega operam com margens apertadas, dependem de escala e são altamente sensíveis a mudanças no ambiente regulatório. Diante de uma conta trabalhista que pode superar centenas de bilhões de reais em passivos, as opções são poucas: encerrar operações, reduzir drasticamente a força de trabalho ou repassar os custos de forma que inviabilize o serviço para a população.

Com histórico bem documentado de espantar investimentos com seu ambiente tributário e regulatório, a chamada “gula arrecadatória” do Estado brasileiro que tributa o trabalho, o consumo e a produção de maneira regressiva e ineficiente combina-se com a ganância institucionaliza da de entidades sindicais para criar um cocktail capaz de afastar qualquer empresa racional. Os sindicatos, nesse sentido, funcionam como a velha “mão morta” do feudalismo europeu: estruturas que extraem renda sem produzir valor, perpetuando privilégios em nome de uma clas se que, ironicamente, não as escolheu para representá-la.

Convém lembrar que o Brasil tem mais de 12 milhões de trabalhadores vinculados a plataformas digitais, segun do dados do IBGE. Qualquer decisão que comprometa a viabilidade desse modelo de negócios afeta diretamente a renda de famílias que dependem desse trabalho para sobreviver, muitas delas em situação de vulnerabilidade social, para as quais o aplicativo representa não um bico, mas a principal fonte de sustento. Espera-se de um tribu nal constitucional que julgue com base no direito, nos fa tos e nas consequências reais de suas decisões.

 

 

A frase que foi pronunciada:
“Deixem o trabalhador trabalhar!”
Lucio Silva, em manifestação de motoboys

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

 

História de Brasília
O GTB garantiria, então, a locação das residenciais tão logo estivessem concluídas e não vendidas ou alugadas diretamente pelo comprador construtor. (Publicado em 20/5/1962)

DF sem herdeiros políticos

Publicado em Deixe um comentárioÍNTEGRA

Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

jornalistacircecunha@gmail.com

facebook.com/vistolidoeouvido

instagram.com/vistolidoeouvido

 

Charge do Cazo

 

Brasília foi concebida como símbolo de um Brasil novo, racional e capaz de planejar seu próprio destino. Sete décadas após sua fundação, a capital da República assiste, perplexa, ao esfacelamento daquele ideal diante de uma crise que é, ao mesmo tempo, financeira, política e moral. A emancipação representativa do Distrito Federal, vendida à população como conquista democrática, revelou, com o tempo, sua face mais sombria: a de um arranjo que servia, antes de tudo, às lideranças locais e ao poder do capital.

Nesse contexto, a democracia tornou-se fachada. O que se instalou nos corredores do Buriti foi uma gestão que misturou interesses públicos e privados com uma naturalidade que deveria nos alarmar há muito. Hoje, o desfecho do caso Banco Master tem o poder de arrastar para a vala comum boa parte das lideranças políticas do DF e todos aqueles que assinaram, sem qualquer escrúpulo aparente, a documentação que atrelava o futuro do BRB, banco público, patrimônio do cidadão brasiliense às peripécias financeiras do grupo de Vorcaro.

Assinaturas que comprometeram o dinheiro público não podem ficar impunes. A responsabilidade dolosa precisa ter endereço certo. Não é possível ignorar o risco, já evidente, de que manobras nas altas cúpulas do poder transformem todo o caso Master num labirinto jurídico inconcluso. Seria uma tragédia anunciada: mais um mega escândalo do sistema financeiro nacional engolido pelo aparelho do Estado que deveria combatê-lo.

Vale lembrar, que o sistema financeiro brasileiro é um ser extraordinariamente resiliente, sobretudo, na sua capacidade de prosperar independentemente de quem governa. Entra governo, sai governo: os lucros astronômicos permanecem. E quando a conta chega, ela é invariavelmente depositada no colo da população. Não é incomum ouvir, nos meios políticos e financeiros, a defesa de que crises do porte do caso Master exigem uma nova reforma do sistema financeiro nacional. É possível que algum iluminado, ali à frente, se convença disso. Mas a história nos ensina a desconfiar: reformas gestadas no seio das mesmas elites que produziram o problema raramente mudam o essencial.

As próximas eleições para o governo do Distrito Federal se aproximam marcadas por um elemento inédito: a possibilidade real de que nomes centrais da política local sejam, neste momento, alvos de investigações sobre sua cumplicidade no caso Master. O espectro da responsabilização paira sobre o campo político como nunca antes. Nenhum nome consolidado ocupa, com conforto, o espaço de favorito. Os partidos que controlam o Buriti e a Câmara Legislativa do DF carregam o peso de explicações que ainda não deram. E a oposição, fragmentada e sem liderança clara, tem dificuldade de transformar o escândalo em projeto. O campo político do DF enfrenta sua maior crise de legitimidade desde a fundação.

Há uma lição que este e tantos outros escândalos tentam, sem sucesso, ensinar às instituições brasileiras: os estragos causados por más gestões políticas e financeiras não podem, em hipótese alguma, ser debitados nas costas da população. A conta deve ser cobrada exclusivamente de quem agiu dolosamente. Mas tudo indica, mais uma vez, que será o cidadão comum a arcar com as consequências. Seja por meio da deterioração dos serviços públicos que deveriam ser financiados pelo BRB, seja pelo custo oculto de uma crise de credibilidade que afasta investimentos e encarece o crédito para quem mais precisa.

Diante desse quadro, é preciso ir além dos diagnósticos já conhecidos. Surge a tese de que o acesso direto de políticos aos recursos públicos precisa ser estruturalmente vedado. Não se trata de ceticismo antipolítica, mas de realismo institucional: dadas as características demonstradas por nossas lideranças ao longo de décadas, controles mais rígidos, acesso de informações de emendas pelos contribuintes para acompanhamento de todo o trâmite, auditoria independente e separação efetiva entre o político e o financeiro não são luxo são condição de sobrevivência das instituições democráticas.

Brasília merece mais do que os gestores que tem tido. Merece mais do que um sistema financeiro capturado por interesses privados. Merece mais do que eleições decididas pela amnésia coletiva ou pela ausência de alternativas. O caso Master não é apenas um escândalo bancário. É um espelho. E o que ele reflete é desconfortável demais para ser ignorado nas urnas. O cidadão brasiliense terá, nas próximas eleições, uma oportunidade rara: a de exigir responsabilidade antes, e não apenas lamentar a ausência dela depois. Primeiro, passa a capital a limpo. Depois pensar em eleições. É o futuro da população que está em jogo e isso é o que mais importa.

 

A frase que foi pronunciada:
“Obrigar um homem a subsidiar com seus impostos a propagação de ideias nas quais ele não acredita e que abomina é pecaminoso e tirânico.”
Thomas Jefferson

Foto: Rembrandt Peale – Thomas Jefferson – Google Art Project.jpg

 

História de Brasília
O Rotary Club de Brasília realizou um grande trabalho de colaboração aos planos do presidente da Republica. Endereçou ao sr. João Goulart, por intermédio de seu porta voz deputado Milton Reis uma série de sugestões em benefício de Brasília.
Sugeriu colocar à venda, pela Novacap, os terrenos para a edificação dos 50 blocos residenciais previstos na ultima concorrência, para construção, financiada, pela Iniciativa Privada. (Publicado em 20.05.1962)

A Grande Ilusão do Nosso Século

Publicado em Deixe um comentárioÍNTEGRA

Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

jornalistacircecunha@gmail.com

facebook.com/vistolidoeouvido

instagram.com/vistolidoeouvido

 

Foto: Divulgação

Vivemos numa era em que a aparência suplantou a realidade. Das gôndolas de supermercado às tribunas do Congresso, do feed do Instagram ao cardápio de fast food tudo ostenta uma fachada polida que esconde o vazio ou a mentira por trás. O filósofo Guy Debord previu isso em 1967: a sociedade do espetáculo. Mas o que vivemos hoje vai muito além do que ele imaginou. Não se trata apenas de aparências superficiais. Trata-se de uma arquitetura sistemática do falso, erigida camada por camada, que substitui o real pelo simulacro, até que ninguém mais consiga distinguir um do outro.

George Orwell, em 1984, descreveu um Estado que fabricava mentiras. O que não previu é que o mercado faria o mesmo trabalho, com mais eficiência e sem precisar de cassetetes. “Quando tudo é espetáculo, nada é real — e quando nada é real, qualquer mentira pode parecer verdade.”

Consideremos a moda. Nas vitrines das redes mais populares do Brasil, expõem-se calças jeans fabricadas com rasgos e furos propositais, desbotamento artificial e manchas simuladas vendidas a R$ 350 a peça ou R$1.500. São roupas que, há três décadas, seriam enviadas ao brechó com pena. Hoje, são vistas como sinal de status, dependendo de uma etiqueta na peça. O consumidor paga como rico e se veste como pobre. A indústria da moda transformou o desleixo em estética, o pijama em roupa de rua e o moletom em traje para reuniões remotas. A pandemia acelerou esse colapso das fronteiras: o que se usava para dormir passou a ser aceitável em videoconferências profissionais. O conforto virou desculpa para a dissolução de qualquer padrão. E a indústria, naturalmente, lucrou em cada etapa.

No universo alimentar, a situação é ainda mais grave. Segundo a UFCSPA, mais de 57% das calorias consumidas por brasileiros vêm de alimentos ultraprocessados, aqueles compostos, majoritariamente, de amido modificado, xarope de glicose, corantes artificiais e estabilizantes. São produtos que ostentam embalagens vibrantes com imagens de frutas frescas, enquanto seus ingredientes reais se escondem em letras minúsculas numa fonte ilegível. Um iogurte industrializado típico pode conter apenas 3% de componente lácteo real. O resto é gelificante, adoçante e aroma artificial de morango que nunca viu um morango. A comida de astronauta, desenvolvida para sobrevivência em missões espaciais, desceu às gôndolas dos mercados populares não como inovação, mas como substituição da comida de verdade.

Na arena política, o fake ganhou sofisticação cirúrgica. Pesquisa do Instituto Reuters de 2024 apontou que o Brasil é o país com maior exposição à desinformação política no mundo. Não porque os brasileiros sejam mais ingênuos, mas porque as estruturas de distribuição de mentiras são aqui mais eficientes. Vemos candidatos que se apresentam como ‘do povo’ enquanto gerenciam fortunas offshore. Basta escolher qualquer nome e ler o discurso de posse. Vemos líderes que bradam contra a corrupção enquanto seus filhos registram contratos milionários com o Estado. A dicotomia esquerda-direita, que mobiliza multidões, serve muitas vezes apenas para ocultar que ambos os lados compartilham os mesmos financiadores.

A Guerra do Iraque em 2003 é o caso mais documentado: os EUA invadiram o país com base em ‘provas’ de armas de destruição em massa que jamais foram encontradas. Colin Powell apresentou ao Conselho de Segurança da ONU imagens de satélite que provaram ser fabricadas. Centenas de milhares morreram. Quando a mentira foi revelada numa publicação no The Guardian que dizia: “Um relatório do Senado dos EUA de 2004 detalhou que as avaliações da comunidade de inteligência sobre as armas de destruição em massa iraquianas, feitas antes da guerra, eram fundamentalmente falhas e amplamente influenciadas pela pressão do governo.” O mundo havia mudado e ninguém foi responsabilizado. O padrão se repete. A verdade que liberta chega sempre depois que os fatos já foram sepultados sob novos ciclos de notícias, novas guerras, novas indignações fabricadas. A mentira original cumpriu sua função; a revelação posterior é apenas uma nota de rodapé.

Hoje o Brasil abriga mais de 600 mil estabelecimentos religiosos registrados numero que supera farmácias, escolas e hospitais somados. Parte expressiva desses templos opera como franquias espirituais, onde a fé é monetizada com precisão empresarial: dízimos compulsórios, ‘sementes’ financeiras prometendo retorno sobrenatural, transmissões ao vivo com botão de PIX integrado. O Conselho Federal de Teologia não existe; qualquer pessoa pode se autointitular pastor e iniciar uma congregação. A ausência de regulação cria terreno fértil para o predador espiritual, aquele que usa o sagrado como alavanca para extrair recursos de quem já tem pouco. A fé é real; a estrutura que a comercializa, frequentemente, não.

O mundo fake não é um fenômeno recente nem uma conspiração organizada. É o resultado lógico de sistemas econômicos e políticos que recompensam a aparência sobre a substância, o curto prazo sobre o duradouro, o clique sobre a reflexão. A boa notícia, e há sempre uma, é que a mentira tem custo energético. Exige manutenção constante. A realidade, por mais inconveniente que seja, sempre encontra uma fresta. Cabe a cada um decidir se quer viver no conforto do simulacro ou na lucidez desconfortável do real.

 

A frase que foi pronunciada:
“As bombas atômicas estão se acumulando nas fábricas, a polícia patrulha as cidades, mentiras ecoam pelos alto-falantes, mas a Terra continua girando em torno do Sol.”
George Orwell

George Orwell

 

História de Brasília
O total das verbas liberada num só dia para Brasília atinge a cifra de um bilhão, quinhentos e oitenta e quatro milhões. (Publicado em 20.05.1962)