Com as tintas da razão

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Foto: TV Globo/Reprodução

 

         Planejamento é tudo. Seja para o que vier a ser feito. Aliás, essa é uma das principais características a dar status, dentro da criação, diferenciando o ser humano das demais espécies existentes sobre o planeta. Foi justamente esse atributo que possibilitou a sobrevivência da nossa espécie.

         A capacidade de pensar além do presente, projetando a vida para depois de amanhã. Ainda hoje, quando, teimosamente, deixamos de lado essa qualidade e não planejamos nada, deixando o barco ser levado pelos ventos da ocasião, normalmente, deparamo-nos com problemas sérios. Se a capacidade de planejar é importante e vital para cada um de nós, imagina, então, para toda uma cidade, com sua complexidade e tamanho e que vai nos servir de moradia e abrigo por um longo tempo.

         Cidades, desde sempre, não lograram subsistir, ao longo de toda a história da civilização humana, sem o devido planejamento. Não é por outra razão que as melhores cidades do mundo são justamente aquelas que devotam grande importância ao ato de planejar. Aqui mesmo, sob nossos pés, está Brasília, a capital de todos os brasileiros, planejada para ser o centro das mais importantes decisões do país. Uma espécie de torre de comando, nesse imenso transatlântico chamado Brasil.

          Mesmo, antes de chegar ao papel, os principais eixos urbanos, dessa que seria posteriormente um patrimônio cultural da humanidade, já existiam na cabeça de seu idealizador. A razão aliada a um minucioso planejamento fez da cidade o que ela é hoje, ou, na realidade, o que poderia ter sido, caso fossem respeitados e seguidos, ao longo de décadas, os mesmos princípios que nortearam sua concepção primária.

         O crescimento demográfico acelerado, experimentado pela capital, depois da chamada maioridade política, por suas características próprias, muitas delas, embasadas em critérios políticos eleitorais e momentâneos, trouxe sérios problemas não só para o complexo urbano, mas, sobretudo, na infraestrutura da cidade, que teve que ser ligeiramente adaptada ou acochambrada a uma nova realidade criada artificialmente.

         Os seguidos e teimosos processos de moldar a cidade aos desejos da nova elite política no controle da cidade resultou no que presenciamos dia a dia. Hoje, é consenso, entre os urbanistas, que Brasília caminha, a passos largos, para uma espécie de envelhecimento precoce, tornando a cidade idêntica, em problemas, às demais capitais do país. Congestionada em suas vias públicas e em seus serviços à população, a administração da cidade representa, agora, um grande desafio para seus gestores, principalmente, para aqueles munidos da certeza de que sem planejamento é impossível prosseguir.

         As manchetes diárias apresentadas em todos os noticiários locais comprovam que a cidade vive, a cada dia, envolta em problemas de toda a ordem. Nessa quinta-feira (11), a chuva volumosa inundou, com uma enxurrada de água e lama, toda a rua da comercial da 202 Norte, causando prejuízos incalculáveis aos comerciantes e para aqueles que estavam naquela localidade. Carros e lojas foram tomados pela lama. Na origem do problema estão as obras feitas nas quadras 100 e acima. Pena que a universidade e faculdades de arquitetura e urbanismo da cidade não ocupem a realizar um levantamento sobre os pontos sensíveis e sujeitos a calamidades existentes hoje na capital, fazendo o trabalho em parceria com a secretaria de planejamento. A bem da verdade, a própria UnB foi palco de cataratas com água da chuva empurrando portas das salas avançando pelos corredores. Em vários pontos da capital, as chuvas fortes deste ano mostraram a fragilidade da cidade diante desses fenômenos. Na maioria desses casos, a raiz do problema pode ser encontrada em obras emergenciais, realizadas sem a preocupação de um macro e cuidadoso planejamento.

         A extensa avenida W3, Sul e Norte, que poderia ser o cartão de visita e um vigoroso centro da economia do Plano Piloto, estão tomadas por invasões de lata, instaladas não só nas paradas de ônibus como por todas as quadras, criando problemas para a cidade e seus moradores, apenas para atender as necessidades de um e outro comerciante.

         Sem planejamento, temos os exemplos vistosos, como é caso do Estádio Mané Garrincha e o Buritinga, que consumiram bilhões de reais dos contribuintes locais e seguem erguidos como verdadeiros elefantes brancos, lembrança da falta de planejamento. Difícil hoje encontrar um prédio comercial que não esteja fora dos padrões normatizados. São puxadinhos de todo o tipo a avançar sobre áreas verdes e vias públicas e aéreas.

         A descaracterização da cidade segue em ritmo ligeiro e toma impulso maior. Sem essa ideia de futuro e de preocupação com a qualidade de vida para as próximas gerações, que espécie e modelo de capital teremos no futuro para justificar o título de patrimônio cultural da humanidade? Essa é uma questão que merece ser pensada e sobretudo planejada com as tintas da razão.

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Não adianta deixar um dragão vivo fora dos seus cálculos, se você mora perto dele.”

 JRR Tolkien, O Hobbit

Tolkien em sua sala. Foto: Divulgação

 

História de Brasília

As contas de telefones estão chegando com atraso ao Banco do Brasil, e quando chegam, são avolumadas, criando dificuldades orçamentarias para a maioria dos assinantes. (Publicada em 06.04.1962)

Espadas em arado

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Foto: conexaoplaneta.com

 

Quem, por acaso, conhece o livro de Jean Giono (1895-1970), “O homem que plantava árvores”, de 1953, por certo, leu com a frase: “(…)os homens poderiam ser tão eficazes como Deus em algo mais que a destruição.” Com isso, o autor quis dizer que os homens poderiam, se assim dispusessem, imitar o Criador, erguendo e cuidando de todas as formas de vida sobre a Terra, e não destruindo e reduzindo a cinzas como faz a morte, ao deixar escombros e aridez por onde passa.

A observação de Jean veio a propósito da incansável atividade de Elzéard Bouffier, o personagem principal, que, durante a maior chacina de nossa história, representada pela Primeira Guerra Mundial (1914-1918), continuava, dia após dia, plantando carvalhos numa região agreste dos Baixos Alpes Franceses, já abandonada pela população local, devido ao desmatamento secular promovido pelos carvoeiros naquela região.

O contraste entre quem cuidava de recuperar a vida da região e o morticínio irracional da Guerra de 14/18, é flagrante e mostra, de forma crua, como os homens podem, ao mesmo tempo, abandonar de lado a vida em sua plenitude e seguir os passos da morte, mesmo sabendo dos resultados dessa opção. O texto chegou ao Brasil, em forma curta em animação, dirigido por Frédéric Back. Laureado pelo Oscar, Annecy, Festival de Animação de Hiroshima e Festival Internacional de Ottawa.

Cada vez mais atual, justamente por mostrar a capacidade do ser humano em mudar o mundo ao seu redor, tanto para o bem como para o mal. Nesses tempos em que o nosso planeta experimenta, por meio do fenômeno do aquecimento global, o que talvez seja o seu maior desafio de todos os tempos, e que pode ser um fim à existência da própria espécie humana na Terra, nada mais hodierno e premonitório do que as mensagens contidas nesse texto escrito ainda no século passado.

Buscar o exato significado para as árvores, num tempo em que ainda se acredita não existir nenhum, é uma tarefa e um desafio que pode nos colocar, hoje, entre permanecer por essas paragens ou ter que sair de fininho para outros mundos para não perecer. O desafio gigante que, na obra, é realizado por um só homem, durante mais de 30 anos em que plantou naquela região milhões de árvores, pode ser uma das respostas para esse dilema da atualidade.

Embora pareça uma tarefa impossível, recuperar o planeta da degradação imposta pelas consequências da Revolução Industrial em sua ânsia por adquirir matérias-primas, o livro mostra que bastou a persistência de apenas um indivíduo para mudar a realidade local. “Um único homem, reduzido a seus recursos físicos e morais, foi capaz de transformar um deserto em uma terra de Canaã”, diz o autor.

O que conhecemos hoje através da palavra muito em moda como resiliência, que é a capacidade de resistir e se adaptar às mudanças, tanto pode ser aplicada ao homem como à própria natureza, desde que lhes sejam ofertados a oportunidade. A esse fenômeno, que muitos classificam como um sinal e uma semente da própria vida, é que pode estar a redenção, ou não da humanidade.

Obviamente que os exemplos a seguir não devem se resumir à uma obra de ficção. Mas podem nela inspirar para promover as mudanças necessárias e urgentes que o momento exige. Toda grande obra tem seu início apenas movido pela inspiração trazida pelos belos exemplos, sejam eles reais ou não. O primeiro passo é o das ideias, dado ainda no mundo abstrato dos projetos mentais. Pode vir a ser realidade concreta, pelo esforço físico, o que é uma mera consequência da capacidade de pensar. Nesse caso pensar num mundo em que a vida seja ainda uma possibilidade real e que valha a pena.

Da África, talvez o continente economicamente mais sofrido e espoliado na história da humanidade vem um dos muitos e bons exemplos que precisamos para nossa salvação futura. Como descrito em Isaías: “Ele julgará entre as nações e solverá as contendas de muitos povos; e estes converterão suas espadas em lâminas de arado, e as suas lanças, em foices; uma nação não mais levantará sua espada contra outra nação, nem será necessário que se preparem para batalhas.”

Na Etiópia, um dos países mais populosos e pobres daquele continente, o governo empreendeu uma jornada em que, em apenas 12 horas, uma força-tarefa, atuando em mais de mil áreas daquele país, conseguiu a façanha de plantar mais de 350 milhões de árvores. Um recorde mundial. Também a Índia, castigada pelos desflorestamentos, vem empreendendo um grande esforço para recuperar, ao menos uma parte de suas florestas. Na última empreitada, 800 mil voluntários plantaram mais de 50 milhões de árvores e prosseguem plantando. Na China, parte ociosa do que seria o maior exército do planeta tem sido deslocada para a mesma tarefa no Norte do país. São mais de 60 mil soldados empenhados nessa tarefa. Os fuzis cedem lugar às ferramentas agrícolas.

São esforços pontuais, mas que podem fazer a diferença num futuro não muito distante. Cientistas acreditam que, pelo estágio atual de degradação do planeta, será preciso, ao menos, o plantio de mais de 1,2 trilhão de novas árvores, apenas para arrefecer a Terra e livrá-la dos efeitos maléficos do aquecimento global, que já está atuando entre nós. A situação, que é bem do conhecimento dos técnicos das Nações Unidas, tem estimulado ações dessa Organização, com vistas a um projeto, já em andamento, cuja meta é plantar 4 bilhões de novas árvores nos próximos anos.

Por todo o mundo, projetos semelhantes estão em andamento, uns ambiciosos e outros mais modestos, mas já são de grande valia em seu conjunto. De todos os projetos de plantio de árvores pelo planeta, nenhum é mais ambicioso do que o vem sendo erguido nas bordas do grande deserto do Saara, também na África. Em nenhum lugar do planeta as mudanças climáticas são mais impactante do que as que ocorrem nos países margeados por esse grande deserto. O deserto vem aumentando de área num ritmo assustador nos últimos anos. Com ele, vem o clima cada vez mais inóspito à vida. Com temperaturas que ficam numa média próxima aos 50 graus centígrados. Com esse fenômeno, vem também a escassez de água, cada vez mais assustadora e já motivo de conflitos permanentes na região. Financiado pelo Banco Mundial, a União Europeia e as Nações Unidas, projeto unindo vários países locais, ergueu uma gigantesca barreira verde de árvores, que irá cobrir uma área de mais de 8 mil quilômetros, atravessando todo o continente africano na parte sul do deserto do Saara, formando uma enorme muralha para conter o avanço da areia. A meta é erguer essa Grande Muralha Verde até 2030, cobrindo com reflorestamento uma área de 247 milhões de acres ou aproximadamente 100 milhões de hectares.

Em nosso mundo, em todo o tempo e lugar, sempre existiram homens movidos pela paixão de plantar árvores, como se recebessem essa missão diretamente das mãos de Deus.

 

A frase que foi pronunciada:

“Mesmo se eu soubesse que amanhã o mundo iria desmoronar, eu ainda plantaria minha macieira.”

Martinho Lutero

Imagem: bibliaeteologia.com

 

História de Brasília

O dr. Sávio Pereira Lima, diretor do Departamento Administrativo da Fundação Hospitalar, acaba de ser nomeado diretor do Departamento Hospitalar. É uma garantia para os que desejam ver construídos os hospitais das cidades satélites, e dos nucleos rurais.

Para o bem geral

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Hotel Torre Palace. Foto: Renato Araújo/Agência Brasília

 

Existe, hoje, uma crise séria, na forma de subocupação ou sublocação de edifícios corporativos. Por toda a parte da cidade, o que se observa, seja aqui no Brasil, em Brasília, ou em muitas partes mundo afora, o fenômeno do esvaziamento de prédios inteiros nos apresenta uma nova realidade que, ao que parece, ainda não conseguimos entender em sua extensão e, pior, resolver esse problema que ameaça muitos centros urbanos, inclusive a própria capital do país.

Depois da pandemia, esse problema ganhou ainda mais visibilidade. No nosso caso em particular, para onde quer que você olhe, no centro do Plano Piloto, são inúmeros os edifícios totalmente desocupados. Esse é um problema que deve merecer atenção de todos. Não só dos empresários e donos desses prédios comerciais e corporativos, mas de todas as autoridades, pois essa situação anômala ameaça também a economia local, além de representar uma dor de cabeça para a segurança da cidade.

Por sua extensão, essa questão deveria merecer maior atenção do legislativo local, na forma de audiência pública, debates, CPI e outros instrumentos. O que não se pode é ignorar um problema que parece aumentar com o passar do tempo. Não fossem as instituições públicas, bancos e outras empresas de grande porte, que ainda ocupam esses edifícios, instalando aí seus serviços e repartições, o problema seria ainda mais grave.

Para complicar uma situação que, em si, aponta diretamente para a decadência precoce de nossa cidade, não se tem, por parte do poder público, um levantamento com o número exato de edifícios fantasmas. É preciso entender que essa situação, por suas características próprias, não pode ser empurrada para frente sem uma definição correta e racional.

Edifícios, quando deixados vazios ou sem a utilização para a qual foram projetados, rapidamente entram em processo de degradação, transformando-se em mais um problema. Lembrando aqui que, neste mesmo espaço, tempos atrás, descrito pelo fenômeno conhecido por “ teoria das janelas quebradas”, na qual ficou constado que a degradação de um bem ou mesmo o aumento da criminalidade começam de forma pequena, com uma janela quebrada, pichações, pequenos delitos e outros processos contra a lei, quando não reprimidos logo de início, crescem, transformando-se em verdadeira calamidade pública, agora já de difícil solução.

Não vai passar muito tempo até que moradores de rua ou outros malfeitores e viciados, impulsionados por oportunistas e sabichões, passem a promover a ocupação desses imóveis, como aconteceu no antigo Hotel Torre Palace, ocupado por desordeiros e drogados, degradando toda uma área nobre da capital, com sérios reflexos para o turismo local, para os comerciantes e todos que circulavam naquela área.

Por certo, o fenômeno do teletrabalho, em que muitos profissionais passaram a produzir diretamente de casa, também contribuiu para o esvaziamento de muitos edifícios. Mas essa é uma tendência mundial e local que, por suas características positivas, tanto na vida do trabalhador como para a economia das empresas e instituições, veio para ficar e deve ser, inclusive, incentivada.

Também a interligação dos serviços de computação, as redes e mídias em geral, criou o que os especialistas chamam de “não lugar”, no qual já não existe a necessidade de trabalhar em um ponto geográfico e específico, bastando, ao trabalhador e profissional ter, em mãos, um pequeno laptop com acesso à rede laboral.

Trata-se de um novo tempo. No entanto, essa modernidade toda, com suas facilidades, não pode, de modo algum, trazer problemas e prejuízos para o presente, sob pena de melhorarmos um aspecto específico de nossas vidas, às custas da piora de outros fatores. É preciso pensar com criatividade e para o bem geral.

 

 

A frase que foi pronunciada:

“A única coisa que importa é o resultado da sua equipe. Ao liberar o controle sobre quando e onde alguém trabalha e focar apenas nos resultados, você criará espaço para sua equipe ser criativa, encontrar novas maneiras de fazer as coisas com mais rapidez e construir uma cultura mais forte.”

Mitko Karshovski, fundador da Remote Insider

Mitko Karshovski. Foto do seu perfil oficial no LinkedIn

 

História de Brasília

Ao que parece, e aí a informação não é carregada de certeza, o IAPFEST teria desviado êste dinheiro para outras obras, e por isto as superquadras 104 e 304 estão como todo mundo sabe: reduzidas a um canteiro. (Publicada em 06.04.1962)

PPCUB e o futuro da capital em jogo

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Imagem: seduh.df.gov

         Se depender da coordenação realizada pela deputada Paula Belmonte (Cidadania), que agora preside a Comissão de Fiscalização, Governança, Transparência e Controle da Câmara Legislativa do Distrito Federal, os debates que tratam do importantíssimo Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB) estarão em boas mãos, podendo finalmente chegar a um bom termo.

         Para a parlamentar, o caminho para se chegar a um projeto à altura da importância que a capital de todos os brasileiros possui para o país e para o mundo, já que se trata também de um patrimônio cultural de toda a humanidade, é por meio de um debate amplamente transparente, capaz de informar corretamente os cidadãos sobre o que se está discutindo agora e que certamente terá grande significado para o futuro de Brasília e de seus moradores.

         Esta coluna, inaugurada com Brasília, em 1960, desde seu início vem se posicionando ao lado da cidade e de seus moradores. Não foram poucas as vezes que, em seus editoriais, a defesa firme da capital, conforme idealizada pelas equipes de Lúcio Costa e de Oscar Niemeyer desapontaram políticos e empresários, ávidos por facilidades e outros negócios contrários ao espírito da ética pública.

         Por isso mesmo, a partir do momento em que a capital ganhou representação política própria, as preocupações dessa coluna com os destinos que a capital tomaria doravante foram elevadas às alturas. Nessas ocasiões, não foram poucos os alertas e mesmo as denúncias sobre os desvirtuamentos sofridos no projeto original da cidade.

         A classe política local, aliada aos empresários da cidade, conseguiram levar adiante, contra tudo e contra todos, projetos mirabolantes que, em pouco tempo, levaram a capital a conhecer as mesmas mazelas que já afligiam outras metrópoles do país. Do dia para noite, assentamentos dos mais diversos, muitos edificados em áreas sensíveis ecologicamente, foram erguidos. Verdadeiras cidades foram construídas sem um criterioso plano de impacto, sem projetos racionais e sem levar em conta as múltiplas exigências urbanas. Em curtíssimo prazo, Brasília experimentou um profundo inchaço urbano, com reflexos negativos em todas as áreas. A saúde, a educação, a segurança pública, a infraestrutura viária e urbana foram sobrecarregadas, causando congestionamentos e colapsos em muitos serviços.

          O crescimento desordenado e a invasão de terras públicas passaram a ser uma constante. A transformação de terras públicas em moeda de troca política, na base de “um voto, um lote”, ganhou impulso, graças às ações irresponsáveis de políticos, que incentivavam essas práticas, sendo, muitos deles, responsáveis, diretamente, pela formação acelerada e desordenada de muitos bairros e assentamentos periféricos.

         A representação política da capital, do jeito afoito que foi construída e graças também à qualidade duvidosa de muitos representantes, serviu para desvirtuar o projeto original e sui generis da capital e cujos reflexos, ainda hoje, são sentidos. Por isso quando, mais uma vez, volta-se a discutir o PPCUB, é preciso que toda a população fique atenta sobre os rumos dessa discussão, principalmente quanto a aspectos e critérios de preservação que serão fixados nesse Plano.

         A deputada Paula Belmonte, que hoje é reconhecida como um exemplo de liderança política, terá pela frente um árduo trabalho, sobretudo quando os assuntos relativos ao desenvolvimento da cidade ficarem acima do plano de preservação.

         Todo o cuidado é pouco com a ação e o lobby poderoso de políticos e empreendedores gananciosos, que enxergam, na cidade, apenas uma oportunidade a mais de lucros e ganhos imediatos. O que está em jogo nessas discussões é o futuro da capital e de seus habitantes e a qualidade de vida de ambos. Por certo, será difícil conciliar elementos de preservação com desenvolvimento. O que já foi mencionado aqui, neste espaço, e que vale a pena ser repetido, é que a cidade poderia, num sentido racional, manter intactas as áreas livres e edificáveis que ainda restam, para que tenham sua destinação definitiva decidida, somente quando todos os outros problemas urbanos existentes foram resolvidos.

         É o caso da reurbanização e modernização de toda a avenida W3 Norte e Sul. Primeiro, parte-se para essa obra, depois para a construção de mais uma quadra, como desejam muitos apressados. O mais preocupante em toda essa questão é que o envolvimento da população ainda seja tímido.

A frase que foi pronunciada:

“Falo aqui com o cidadão brasiliense. O que nós queremos para o nosso futuro em questão de políticas públicas e de dinâmica da nossa cidade?”

Deputada distrital Paula Belmonte, na abertura do Primeiro debate sobre o PPCUB

Deputada Distrital Paula Belmonte. Foto: cl.df.gov

História de Brasília

Não sabemos se o professor Hermes Lima sabe disto, mas o govêrno havia liberado u8ma verba para o IAPB construir a superquadra 109. Como o dinheiro era pouco, e não dava, o IAPB abriu mão em favor do IAPFESP, contanto que fossem concluídos os blocos em Brasília.

Decisão perigosa

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Foto: GETTY IMAGES

 

           Descriminalizar o uso e o porte de drogas significa, em nosso caso e em última análise, transformar as leis e a própria justiça em entidades indiferentes e abstratas, incapazes de buscar e implementar soluções para um problema social seríssimo e de repercussões catastróficas.

Transformar leis específicas em letras mortas não só não ajuda a sociedade, como também contribui ainda para tornar esse mal em algo imutável e de difícil combate. Em outras palavras, significa dar poder ao mal, blindando-o de ações mais efetivas e saneadoras. Para que isso aconteça, e estamos a um passo de vermos esse empoderamento acontecer, sem que outras medidas sejam adotadas, significa perder uma batalha sem, sequer, entrar em combate.

Nenhuma autoridade pública, no caso poder público, pode pretender lavar as mãos para o problema, deixando, ao livre arbítrio de traficantes e consumidores, as soluções para essa questão. É preciso lembrar que, nesse assunto específico, Judiciário e Legislativo estão em discordância quanto à questão das drogas. Os parlamentares, de posse do documento legal (voto) de representatividade popular, estão indo contra essa descriminalização, conforme quer e deseja a população brasileira.

Já o Judiciário, por meio da mais alta Corte do país, vai se guiando pela descriminalização de pequenas quantidades de maconha. Caso vingue essa segunda posição, como tudo leva a crer, o problema das drogas irá escalar a um patamar que fugirá totalmente ao controle do Estado, deixando a população e a polícia à mercê desses entendimentos, ditos moderníssimos, mas de resultados questionáveis.

É sabido que, segundo as autoridades de segurança, mais precisamente a polícia, esse é um problema equivalente a enxugar gelo ou a impedir que o fogo se propague morro acima. É do conhecimento de todos também que essa é uma questão que deve envolver toda a sociedade, quer por meio de uma campanha massiva de educação de todos os cidadãos, quer por meio do empenho de cada um para denunciar o problema, exigindo medidas enérgicas e prontas das autoridades.

O que não se vê, em nenhuma parte do país e em nenhum meio de comunicação, são campanhas educativas e de alertas para o consumo das drogas. Nem em escolas, nem em qualquer mídia à disposição da sociedade. É como se o problema não existisse de forma oficial. O pior, nesse caso, é o Estado Brasileiro querer adotar e copiar modelos vindos de outros países do Ocidente, com uma realidade totalmente diferente da nossa e com poderes e meios materiais capazes de enfrentar essa calamidade a qualquer hora.

O que é preciso estar atento agora, e isso não se discute oficialmente, é que muitos países desenvolvidos já estão revendo a posição de descriminalizar o porte e o consumo de drogas. Drogas como as metanfetaminas, hoje consumidas muito mais do que outros produtos como a cocaína e a maconha, estão fazendo estragos nunca vistos. Milhares de filmes apresentados nas mídias sociais mostram os danos desse consumo para a população, transformada em verdadeiros e modernos zumbis, paralisados e dormindo em praças públicas, tudo sob o olhar indiferente da população e das autoridades.

O problema é que a metanfetamina e seus derivados já estão chegando também no Brasil. As cracolândias, com esse novo produto, vão ganhar muitos outros usuários, criando verdadeiras cidades marginais, dentro dos espaços urbanos.

A continuar na direção proposta pela própria justiça da descriminalização das drogas, em breve, as cidades brasileiras irão se transformar naquilo que jornalistas estrangeiros, durante as Olimpíadas de 2016, já alertavam: “Bem-vindos à selva!”.

 

A frase que foi pronunciada:

“O crack tinha uma lógica social, um tipo específico de raciocínio que se baseava em um vasto poço de experiência comum para sua ressonância simbólica. Crack representava dor e poder, caos e ordem, a verdade por trás da mentira. O crack era uma lógica sociojurídica fundamentada no sangue.”

Dimitri A. Bogazianos

Dimitri A. Bogazianos.                            Foto: scholars.csus.edu

 

1 por 3

Com uma placa indicando que é preciso preservar a natureza, a Floresta Distrital dos Pinheiros está sendo colocada no chão. Caminhões levando as toras e a terra aguardando o tempo certo para fazer mais estragos em tempos de chuva. Para gestores que se preocupam com o futuro, cada árvore retirada corresponde a três novas árvores plantadas.

 

Serra&Cerrado

Depois da recategorização dessa unidade, o objetivo é proteger a biodiversidade. Na verdade, o cerrado local foi devastado para a plantação de pinheiros. O Decreto 38.371 também cita a recuperação de áreas degradadas. Pinheiros não são nativos da nossa região. A degradação foi iniciada no Paranoá com a troca do cerrado por pinheiros.

 

História de Brasília

Conselheiro Alves, presidente do IAPI, não está informado de que prédios residenciais da superquadra 305 já podem ser entregues, e ainda não foram, porque a comissão de engenheiros ainda não veio a Brasília receber o trabalho dos empreiteiros. (Publicada em 06.04.1962)

Aos 64 anos

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Quem der ao trabalho de percorrer, quadra por quadra, rua por rua ao longo de todo a vastidão do chamado Plano Piloto, de Norte a Sul, em busca de espaços voltados as atividades artísticas ou estabelecimentos comerciais especializados na venda e promoção de produtos de arte, poderá constatar desiludido, que a capital do país é hoje um imenso e inóspito deserto, desprovido de vida inteligente.

Com exceção de uns raros pontos com essa finalidade, como é caso do subutilizado Espaço Cultural da 508 Sul ou a Casa da Cultura na Asa Norte, quase nada que lembre produção artística é visto nas redondezas de Brasília. Por onde quer que se olhe, não há sinais de livrarias, bibliotecas, teatros, escolas de arte, de dança, de pintura, escultura. Nada de nada. Para um turista que venha de lugares, onde as artes integram o cotidiano dos habitantes e estão presentes em toda a parte, essa ausência e aridez cultural chama a atenção e acaba revelando muito sobre o grau de cultura dessa população.

Viver, ou pior, acostumar-se à uma cidade, onde a exceção dos monumentos arquitetônicos do modernismo, nada mais lembra a pulsação de vida e de criação de seus moradores, que só a arte e a cultura proporcionam e revelam é como estar num terreno baldio, desprovido de alma e engenho humano.

Outra sensação estranha que se observa, com esse vazio e com esse exílio das artes em plena capital do Brasil, é que em cada recanto dos espaços urbanos em que esse vácuo foi criado, ali mesmo, abriu-se mais uma área e mais uma oportunidade para que a degradação da cidade aconteça. Só a vibração humana, trazida pela arte, pode salvar uma cidade de sua decadência. Se formos hoje fazer um apanhado sobre que tipo de atividade e de estabelecimentos são mais presentes hoje ao longo de todo o Plano Piloto, veremos que os bares e as farmácias são as atividades que mais estão presentes nas centenas de ruas de comércio.

Para quem observa esse fenômeno de longe, fica a falsa sensação de que as centenas de milhares de moradores que vivem nesses locais, adoecem nos bares, pelo consumo exagerado de bebidas alcóolicas e daí passam a frequentar as farmácias em busca de remédios e curas para esses males. Depois desses estabelecimentos, aparecem em seguida as casas lotéricas, que também mostram outro perfil humano dessa cidade. A impressão, nesse caso, notada por um forasteiro acidental, é que a população dessas áreas, dispendem o que possuem em recursos, consumindo bebidas e remédios em excesso e depois buscam compensar esses gastos, na vã tentativa de recuperá-los nessas casas de apostas e de azar.

Outra incidência, quase endêmica, observada nessa cidade, onde as artes e o entretenimento cultural e sadio foram transformados em poeira vermelha é a de igrejas e templos para todo o tipo de fé ou de esperança no além. Para esses mesmos observadores ocasionais e assustados com que notam é que, depois de adoecidos pelo consumo de álcool, desenganados pelas farmácias e desiludidos pelas casas de apostas lotéricas, os moradores desse deserto, buscam agora, como derradeiro recurso, a salvação de suas almas, já que o corpo e a matéria foram corroídos pelo consumo de bebidas. Restaria então, como tentativa última desses habitantes da cidade deserto, buscar o consolo da alma, de preferência num mundo além, sobre as nuvens, onde ao menos se possa ouvir os sons celestiais uma harpa, tangida por um anjo solitário e igualmente melancólico.

 

A frase que foi pronunciada:

“A cidade como centro onde, em qualquer dia do ano, pode haver um novo encontro com um novo talento, uma mente perspicaz ou um especialista talentoso – isto é essencial para a vida de um país. Para desempenhar este papel nas nossas vidas, uma cidade deve ter uma alma – uma universidade, uma grande escola de arte ou música, uma catedral ou uma grande mesquita ou templo, um grande laboratório ou centro científico, bem como bibliotecas, museus e galerias que unir passado e presente. Uma cidade deve ser um lugar onde grupos de mulheres e homens procuram e desenvolvem as coisas mais elevadas que conhecem.”

Margaret Mead

Margaret Mead. Foto: britannica.com

Absurdo

Continuam, impunemente, os estelionatários com a retaguarda de bancos e telefônicas. Até recado na caixa eletrônica com opções de retornar para o número dos golpistas as quadrilhas encontraram suporte para atacar. “Recado importante. O seu banco (diz o nome do banco) adverte que houve uma tentativa de compra no Magazine Luiza de R$2.760. Para confirmar digite 1. Se não foi você, digite 2″. E daí para frente, atendentes bem articulados vão levando os desavisados para uma grande enrascada. A melhor saída é ter um gerente de confiança e qualquer dúvida ligar para ele.

 

História de Brasília

A cadeira de “Princípios de Administração” da Universidade de Brasília será entregue ao sr. Felinio Epitácio Maia, que ministrará quarenta aulas, a partir de maio próximo. (Publicada em 06.04.1962)

População em alerta

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Nosso país é um farto laboratório para alunos de filosofia que tenham interesse em aproveitar a oportunidade de conhecer, na prática e na vida real, a grande polêmica, que desde o século XVII é travada entre empirismo versus racionalistas. Basta acompanhar nas redes sociais os infinitos debates com grande parte da nação. Política, Economia, Sociologia, Antropologia incluindo nessas discussões políticos, cientistas, adolescentes, idosos, todos com um discurso pronto e fechado a temperos diferentes.

Na verdade, essa batalha é travada tanto no Brasil como no exterior. Basta aos assinantes do Correio darem uma folheada em jornais dos tempos do Covid. A doença competia com a economia. De um lado os hospitais cheios e de outro a produção e a economia aguardando ações ficando por longo tempo estagnada. O certo já estava escrito. Aquele período poderia agregar ainda mais dramaticidade e consequências nefastas ao futuro. E um detalhe bastante importante para quem acompanhava o trajeto percorrido até os dias de hoje. E agora?  Qual será o próximo passo?

Trata-se de uma discussão que, para alguns opõem três elementos básicos à sobrevivência humana: vida e trabalho, saúde e sobrevivência, opinião e atitude. Num ponto os economistas, em sua maioria, concordam que os efeitos da paralisação da economia poderiam ter sido piores, como o próprio vírus, podendo gerar fome e grande instabilidade social, principalmente em países ainda em desenvolvimento.

Várias discussões brotam de toda parte do país, às vezes até em tom raivoso e muitas vezes eivadas de tonalidades político partidárias e diferentes influências, como de vertentes religiosas e outras. Pontua-se a questão entre a necessidade da população e a boa vontade em usar os recursos disponíveis para tornar o Brasil, um país melhor.

A contínua falta de investimento na Saúde provoca um caos generalizado em todo o sistema do país, mas especificamente no Sistema Unificado de Saúde (SUS), um sistema público e já, tradicionalmente sobrecarregado e pouco eficiente. Nesse debate até os micros, pequenos e médios empresários e todos os brasileiros que trabalham por conta própria, reforçam a tese de que a falta de investimentos traz malefícios a todos indiscriminadamente.

De fato, mais uma vez o Brasil se encontra numa encruzilhada e não pode, por variados motivos, abraçar nenhuma das teses espalhadas por aí de modo absoluto. Há ideias boas de todos os lados. Falta uma gerência imparcial para decidir.

Em um país cuja a economia insiste em apresentar baixos níveis de crescimentos, a estagnação completa é uma espécie de suicídio, tanto do ponto de vista econômico, como do ponto de vista político e por consequência, social. É nesse ponto que o empirismo, ou seja, o conhecimento, pela experiência e vivência política, adquirida nas décadas vividas por parlamentares e juízes, investidores e empresários, industriais e executivos se choca com a realidade enfrentada pela população. Toda prática voltada para hoje construindo um futuro promissor. É disso o que o povo fala é isso o que o povo quer.

 

A frase que foi pronunciada:

“Que a democracia, tão falada atualmente, não represente idealismo e interesse partidário, mas sim a razão verdadeira da união e do trabalho de toda uma nação, de cada cidadão, na construção do desenvolvimento do país… sob as leis do Brasil e sob as leis de Deus.”

Astronauta Senador Marcos Pontes

Senador Marcos Pontes. Foto: Roque de Sá/Agência Senado

 

Pela paz

Aos poucos, o trânsito em Brasília perde o brilho da cordialidade. São pessoas que vêm de estados onde a regra é outra e tentam impor o próprio hábito a uma cidade que conquistou a calma no trânsito graças a investimentos em campanhas e à boa vontade da população. Hora de arregaçar as mangas e cortar o mal pela raiz.

 

Necessidade

Por falar nisso, numa fila de carros parada em local proibido, em Águas Claras, o carro da PM passou devagar com o policial filmando um por um. Depois parou a viatura e multou os que não respeitaram a lei. Mas é preciso dizer a verdade. A viatura parou no mesmo lugar para que o policial pudesse trabalhar. O que dizer?

 

História de Brasília

As firmas que constroem o meio fio de Brasília estão deixando na pista detritos de construção. Areia em quantidade está interrompendo o tráfego, principalmente na pista que liga o Eixo Monumental ao início da W-3. (Publicada em 06.04.1962)

A grande consciência do mundo

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A frase que foi pronunciada:

Quem pensa de maneira massificada, quando alguém começa pensar diferente é incômodo. Porque mostra que é possível pensar diferente. Se quebra o conforto de todo mundo.

Lúcia Helena Galvão

 

Procuradorias

No dia 9 deste mês, a Cartilha da Vereadora será lançada no Senado Federal. Trata-se de uma iniciativa do Interlegis/Senado e demais casas legislativas com orientações para a criação de Procuradorias da Mulher. As vereadoras concordam tratar-se de uma instância fundamental para o combate à violência contra a mulher. Acesse, pelo link, todo o material sobre o assunto tratado detalhadamente: Cartilha da Vereadora.

 

Facilidades&Dificuldades

Barreiras plásticas, colocadas em dia de chuva, impedindo a passagem para o Buriti, fazendo com que os carros fizessem a volta em retorno distante. A impressão é de que alguém esqueceu de tirar, porque o trânsito ficou caótico.

 

História de Brasília

A carta será encaminhada ao nosso Lenini, gerente em Brasília, do consórcio Varig Real. O elogio está feito, e o fato de você não ter nascido em Mondubim, não implica em que seu amigo fique, também, sem provar as delicias de um dôce de leite. (Publicada em 04.04.1962)

Que venha o primeiro passo

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Foto: edocente.com

 

         Sendo o quinto país em número de habitantes e em extensão territorial, o Brasil, por suas características continentais e diversidades regionais apresenta desafios imensos para a implementação de quaisquer políticas públicas, sobretudo quando se trata de assunto tão melindroso como a gestão de políticas educacionais.

         Qualquer indivíduo que venha se sentar na cadeira de ministro da Educação, por mais preparado que esteja para o cargo, encontrará, diante de si, ao examinar de perto essa missão, uma tarefa muito complexa e de proporções gigantescas.

         Com 5.570 municípios, espalhados numa vasta área de 8,5 quilômetros quadrados, e com uma população de mais de 200 milhões de habitantes, qualquer política pública eficaz e justa tem necessariamente que lidar com essa realidade concreta, e ainda obedecer ao fato de que cada ente federativo é autônomo e com atribuições múltiplas e descentralizadas conforme estabelecidas pela Constituição atual.

         Implementar serviços públicos de qualidade, num país tão complexo como o Brasil, onde existem diferenças fiscais de toda a ordem e onde variam também a capacidade de gestão de cada uma dessas unidades, não é, definitivamente, um trabalho para principiantes ou indivíduos sem o devido preparo e ânimo; por mais complicada e difícil que seja a tarefa de educar.

         Todo o esforço se esvai se o trabalho de implantar uma educação de qualidade e inclusiva no Brasil não se iniciar pela qualificação e melhoria nos planos de carreira daqueles que atuam nesse setor, melhorando salários, incentivando cursos de aperfeiçoamento, além, é claro, de construir e equipar as escolas com tudo que seja necessário para o pleno desenvolvimento do ensino e da aprendizagem.

         Diagnósticos feitos recentemente, adiantam ainda que nenhum esforço, por mais bem-intencionado que seja, terá o poder de melhorar nossos índices educacionais, se não contar com a mobilização em massa da sociedade e sobretudo com o apoio e presença de pais de alunos e da comunidade no entorno de cada escola. Sem o envolvimento da população em peso, dificilmente uma tarefa dessas proporções terá êxito, ainda mais quando se sabe que, pela Constituição, a educação é posicionada como sendo um esforço de natureza nacional e com sistemas de ensino organizados em regime de colaboração.

         Note-se que essa união da sociedade em torno desse objetivo, apesar de extremamente necessária, não pode ser feita no período de um ou dois governos, mas terá que ser rigorosamente cumprida no longo prazo, durante gerações. Para tornar essa missão ainda mais complicada, é preciso ver que, dentro de cada questão relativa aos problemas da educação, existe ainda uma espécie de subproblemas que parecem embaralhar ainda mais essa tarefa.

         De nada adianta universalizar o acesso à educação, se os alunos não forem mantidos nas escolas até a conclusão, ao menos, do ciclo básico, com o acompanhamento dos pais. Da mesma forma, tornam-se inócuos manter os alunos nas escolas se, ao final desse primeiro ciclo, eles não forem capazes de resolver as questões inerentes a essa etapa, como compreensão de textos e resoluções de operações simples matemáticas, entre outras habilidades próprias para a idade.

         Para dar início a esse verdadeiro trabalho de Hércules é preciso antes resolver o problema das profundas e persistentes desigualdades regionais, consideradas, por especialistas no assunto, como uma das maiores do planeta. Somos um país imenso territorialmente e imensamente desigual na distribuição e concentração de rendas. Nesse ponto, é próprio considerar que, em nossa desigualdade e concentração de renda, está uma das principais raízes de nosso subdesenvolvimento prolongado e, enquanto esse problema não for solucionado, todos os outros também não o serão.

         Dessa forma, políticas públicas desenvolvidas sobre um país tão desigual estão fadadas ao fracasso ou a um sucesso pífio e momentâneo. Infelizmente, até aqui, e diante desse quadro, o Brasil não tem sido capaz de desenvolver programas e modelos capazes de enfrentar e superar essa dura realidade histórica.

         Por outro lado, é preciso atentar também para o gigantismo da estrutura educacional pública do país. Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira-Inep apontam que, no ano de 2023, registraram‐se 47,3 milhões de matrículas nas 178,5 mil escolas de educação básica no Brasil, cerca de 77 mil matrículas a menos em comparação com o ano de 2022, o que corresponde a uma queda de 0,2% no total. Essa leve queda é reflexo do recuo de 1,3% observado no último ano na matrícula da rede pública, que passou de 38,4 milhões em 2022 para 37,9 milhões em 2023, e o aumento de 4,7% das matrículas da rede privada, que passou de 9 milhões para 9,4 milhões, com números absolutos menores que a queda observada na matrícula da rede pública. Leia a pesquisa completa no link CENSO ESCOLAR DA EDUCAÇÃO BÁSICA 2023.

         Trata-se, portanto, de um desafio imenso que precisa ser feito por milhões de brasileiros ao longo de muitas décadas. Falta apenas o primeiro passo.

A frase que foi pronunciada:

“A aprendizagem resultante do processo educativo não tem outro fim, senão o de habilitar a viver melhor, senão o de melhor ajustar o homem as condições do meio.”

Anísio Teixeira

Anísio Teixeira. Foto: gov.br

 

História de Brasília

Meu conterrâneo Gregório Mourão manda uma carta elogiando a Varig pelo cuidado dispensado pela emprêsa, no transporte de uma lata de doces vinda da nossa terra. (Publicada em 04.04.1962)

O que se multiplica e o que se subtrai no Brasil

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Foto: TV Globo/Reprodução

 

Com exceção dos índios, desde o ano de 1500, nenhum outro ser humano ou estrangeiro que tenha aportado no Brasil veio com a intenção de ajudar os autóctones ou tão pouco somar esforços para o desenvolvimento do país.

Essa observação — que, à primeira vista, pode até parecer um tanto radical — diz muito respeito a nossa história e às notícias que passaram a correr mundo afora, descrevendo essas terras perdidas e sem lei entre os tristes trópicos do continente sul-americano.

Não se trata de nenhuma manifestação de ordem xenófoba. O fato é que nenhum historiador é capaz de admitir que os silvícolas que aqui viviam há milhares de anos foram beneficiados, com o que quer que seja, com a chegada do homem branco. Os africanos, carreados a essas bandas, durante o período em que vigorou o regime escravista, ficam fora dessa visão porque vieram para cá forçados e trazidos atados a correntes.

Obviamente que muitos desses povos diversos que vieram ao longo dos séculos formar o que é hoje uma das nações mais miscigenadas do planeta, por força de um destino ímpar, foram sendo amalgamados à terra e a outras culturas aqui presentes, criando raízes e desenvolvendo gosto e apego aos costumes e às novas gentes que iam sendo formadas. Esses foram os povos que ficaram retidos nessas paragens e que, por razões diversas, acabaram ajudando na formação do país.

Para a metrópole portuguesa, o Brasil era uma típica colônia de exploração, inserida no processo mercantil de lucro em mão única. Com os portugueses, vieram os franceses, espanhóis, holandeses e outros povos europeus, ávidos em busca de riquezas de todo o tipo. Cada um fazia o que podia para morder seu pedaço nesse quinhão. Nem mesmo o passar dos séculos, com a formação da nacionalidade brasileira e de governo próprio e soberano, foi capaz de dissuadir os estrangeiros do interesse cobiçoso que exalava sobre nossas terras.

Ainda hoje, povos de várias origens vêm para essa terra em busca de tesouros, numa busca insana por lucros fabulosos que nem mesmo o tempo foi capaz de aplacar. Espanta que, passados tantos séculos, depois de tantas razias, o país apresente ainda tesouros guardados a serem dilapidados e explorados à luz do dia e negociados a preços vis.

Fosse o país um deserto arenoso ou mesmo uma caatinga imensa, ninguém para essa parte do mundo ousaria vir. Não é por outro motivo também que povos do outro lado do mundo parecem ter descoberto o Brasil agora e investem com fúria nessa nova colônia.

Essas observações, frutos de um coração patriota e sincero, vêm em razão da recente visita do presidente francês ao Brasil. Sintomaticamente, a primeira escala desse político foi feita em terras da Amazônia, a nova fronteira e mina fabulosa, descoberta, agora, pelo nosso atual governo e que pode, por suas prendas, “amolecer” o coração do chefe gaulês.

Essa coluna, como observadora mordaz dos fatos e longe dos salamaleques diplomáticos, logo passou a notar que os animais e as plantas que o presidente francês diz querer preservar para a posteridade estão, hoje, na forma de minerais, como o níquel, cromo, titânio, ouro, platina, paládio, nióbio, entre outros.

 

A frase que foi pronunciada:
“Não podemos resolver os problemas reais se apenas cauterizarmos e não tratarmos as raízes do mal.”
Emmanuel Macron

Foto: Guillaume Horcajuelo/ EFE

Mangai
Era comum ver o senador Kajuru chegando cedo ao Senado. Mas, na CCJ, quem percebeu a ausência do senador no início dos trabalhos foi o senador Alcolumbre, que não perdeu a oportunidade: “O Kajuru nunca mais vai poder falar que ele chegou, durante o mandato dele todo, como o primeiro. Seis anos depois!”

Senador Kajuru. Foto: Roque de Sá/Agência Senado

 

Elas
Nesse dia, o senador Kajuru virou alvo dos colegas. Explicando o atraso, porque substituiu a senadora Leila que seria homenageada, declarou uma poesia aos ouvintes da comissão. Quem não perdeu a chance foi o senador Esperidião Amin. “Ele só conseguiu decorar isso tudo porque casou 11 vezes. Para isso, precisa de memória. Ainda mais com 11 sogras!”

 

 

Experiência
Alunos de acústica da UnB teriam um belo trabalho para dar solução ao espaço de restaurantes no Mané Garrincha. Os decibéis em dias de movimento à noite ultrapassam a possibilidade de uma conversa sem gritos.

 

História de Brasília
Há verdadeiro desespero por parte dos funcionários contratados do DCT que não recebem há vários meses. É sabido que são muitos os afazeres do cel. Dagoberto Sales, mas uma olhada para seus funcionários é uma necessidade, principalmente levando-se em conta que há muitas famílias passando fome. (Publicada em 4/4/1962)