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Panelas e panelinhas

Já virou uma constante: sempre que ouve os pronunciamentos do governo ou a propaganda eleitoral gratuita de seu partido em cadeia nacional de rádio e televisão, a população brasileira das grandes cidades vai para a cozinha, escolhe uma panela velha, corre para as varandas e janelas dos edifícios e se integra ao restante da vizinhança em protestos ruidosos enquanto dura a falação oficial.

Embora reconheça a comodidade moderna desse estilo de protesto, é preciso verificar os reais efeitos da manifestação espontânea. De um lado, as manifestações ajudam a dividir as agruras de cada um com o restante da população que está no mesmo barco. De outro, a solidariedade de todos nos protestos é fundamental para a existência da própria manifestação. Sem o apoio do próximo, nada acontece. Ocorre que esse novo estilo de demonstrar seu desagrado, emprestado dos antepassados da humanidade, tem consequências muito limitadas.

Apesar do comodismo e do imobilismo que os protestos suscitam, é bom que a população afine em uníssono os tambores da desaprovação contra o pior governo de todos os tempos. Só que esses movimentos, a partir das janelas, nada resolvem. No máximo, as janelas se abrem e apontam para as ruas. É lá que pode estar o estopim das mudanças. Pode e não pode. Para valer, as mudanças só virão a partir da utilização correta das urnas como instrumento para a escolha de gente séria e comprometida com os desejos da sociedade.

Conquistada a democracia, faltou educar a população para saber separar o joio do trigo. Somente uma população escolarizada será capaz de escolher e definir quem serve para representá-la perante o Estado. Pelo que estamos assistindo, só por meio da educação de boa qualidade teremos democracia também de qualidade. Se vale para os eleitores, vale também para os eleitos. Só políticos devidamente escolarizados e de ficha limpa deveriam ser eleitos e empossados.

Só faz a hora quem sabe, e o saber é colhido nas escolas depois de anos e anos de labuta. Parafraseando as Escrituras Sagradas, não há salvação fora do ensino, da cultura e das escolas. Sem educação, o homem não possui espírito público, não sabe e nunca saberá escolher bem.

 

A frase que foi pronunciada

“Oxalá fôssemos uma nação de juristas. Mas o que somos é uma nação de retóricos. Os nossos governos vivem a envolver num tecido de palavras os seus abusos, porque as maiores enormidades oficiais têm certeza de iludir, se forem lustrosamente fraseadas. O arbítrio palavreado: Eis o regime brasileiro. Agora mesmo, a usurpação de que me queixo perante vós nunca se teria sonhado, se a espada, que nos governa, estivesse embainhada no elemento jurídico. Mas a espada, parenta próxima da tirania, detesta instintivamente esse elemento.”

Ruy Barbosa

 

Contato

Agradecemos o carinho dos leitores e replicadores dessa coluna,Antonio Francisco, aposentado pelo TCU, e Paulo Roberto Uchoa.

 

Pauta

Regina Ivete Lopes nos pede para divulgar sobre vagas para o curso de alfabetização de adultos. Na Paróquia N.S. Perpétuo Socorro no Lago Sul, em frente ao Gilberto Salomão, ainda há muitas vagas. Os horários são os seguintes: às segundas-feiras e às quartas-feiras, das 18h às 20h. Matrículas 8407-03396. É só ligar.

 

Siga a seta

Marca do turismo de Brasília, a Torre de TV sofre severas críticas tanto por parte dos visitantes quanto dos comerciantes. O fato é que, após a reforma, a distribuição das barracas ficou confusa. Não é possível localizar certo conjunto e número da loja apenas caminhando. Os conjuntos não fazem sentido, pois não seguem uma lógica. Cansados de passar sufoco, comerciantes pregam mapinha da feira na barraca para dar a localização exata dos produtos.

 

Morosidade

Pesquisadores brasileiros reclamam da falta de agilidade do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI). Para se ter uma ideia, o Brasil leva em média 5 anos para patentear uma marca.

 

Drogas

A nova cracolândia do Distrito Federal fica localizada no Paranoá. Perto da Quadra 30, ao lado do San Drinks. Lá é possível ver jovens usando e comercializando drogas em plena luz do dia. No cenário de vários crimes, eles já não assustam mais a comunidade.

 

História de Brasília

Numa reunião secreta do PSD, o almirante Amaral Peixoto concitou a todos para votar pelo parlamentarismo, “porque eles toparão a parada”. (Publicado em 1º/9/1961)

O homem e suas circunstâncias

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Quando o filósofo espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955) afirmou que “o homem é o homem e a sua circunstância”, buscou considerar que, num mundo em perpétuo movimento e transformação, o ser humano só pode ser entendido como sujeito ativo, à medida que se analisa simultaneamente tudo ao seu redor, inclusive o corpo físico desse ator, mergulhado em determinado momento histórico.

Para isso, a educação é tomada como o veículo, em essência, capaz de proporcionar a conscientização de sua circunstância, relacionando-se com ela, de modo a superá-la segundo a “se não a salvo, não me salvo eu também”.

Transplantando o raciocínio para nossa pobre realidade, na tentativa de procurar entender a tremenda decadência que vem sendo revelada par e passo em nossas práticas políticas cotidianas, o que vemos de mais próximo desse pensamento é a definição tentada pelo experiente Magalhães Pinto ao afirmar que “política é como nuvem, você olha e ela está de um jeito; olha de novo e ela já mudou”.

No caso do Partido dos Trabalhadores e de seu líder, a viagem dos píncaros da glória ao vale da perdição tem como explicação prosaica um Lula que, ao se autodefinir como uma metamorfose ambulante para explicar sua adesão aos velhos personagens da cena política brasileira e aos seus métodos suspeitos, reconhecia, por motivos enviesados, que “ser contra tudo que está aí”, como dizia antes, não renderia frutos a si e a seu partido e companheiros.

Ao superar a própria circunstância, de imigrante nordestino, pobre e analfabeto, à chefe de uma importante facção política e desse posto até a Presidência da República, deu passo largo demais para alguém munido apenas das armas da astúcia e da clarividência dos sobreviventes. Ao desprezar e mesmo ridicularizar o que Gasset chamava de razão vital, caiu na armadilha de suas contradições.

Desse modo, ao transformar o que todos acreditavam ser um programa sério de governo em algo como estratégia de poder pura e simples, em que quaisquer meios justificam os fins, inseriu a realidade própria em outro mundo, conservador e arrogante que sempre dominou o país. Por isso mesmo se deu mal, lambuzando-se e dando vexame no banquete das elites a que acreditava pertencer agora.

 

A frase que não foi pronunciada

“A mentira é a religião dos escravos e dos senhores.”

Máximo Gorky

 

Agora vai

Marcia Rollemberg deve levar adiante a distribuição do Hino de Brasília e a prática do canto às sextas-feiras nas escolas do DF. Essa é a alegria que Neusa França não teve em vida.

 

CTG 1

O senador Paulo Bauer é um dos autores do requerimento ao Ministério da Fazenda sobre a administração das loterias por parte da Caixa. A lista de questionamentos é extensa. A Comissão de Transparência e Governança Pública quer saber a relação dos vencedores de todas as loterias cujo valor tenha sido superior a R$ 1 milhão por prêmio nos últimos oito anos.

 

CTG 2

Além disso, os parlamentares querem a relação dos ganhadores de mais de um prêmio, por tipo de loteria, qualquer que tenha sido o valor, durante o mesmo período, sendo que as informações devem trazer o CPF dos ganhadores, número do concurso, data do sorteio, do pagamento, o valor do prêmio e local da aposta.

 

Consome dor

Via-sacra é tentar desativar serviços de telefonia fixa, celular e tevê por assinatura. O senador Lasier Martins é relator do projeto do senador Eduardo Amorim que vai obrigar mais celeridade às empresas no cancelamento de contrato em favor do consumidor.

 

Isso não é bom

As manifestações no plenário do Senado contra o governo deram o tom do que vem pela frente. Antipetistas marcaram para o dia 13. Petistas parece que querem encrenca. Donos do 13, conclamaram os companheiros para ocupar as ruas no mesmo dia.

 

História de Brasília

Um pinguim do zoo carioca, que brigava com todos os outros animais, teve que ser vendido pelo administrador. Tinha o nome de Lacerda.(Publicado em 1/9/1961)

Aviso verde-oliva

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“A crise da democracia não ocorre quando os indivíduos deixam de acreditar em seu poder, mas, ao contrário, quando deixam de confiar nas elites.” A análise do filósofo e psicanalista esloveno Slavoj Zizek serve como uma luva para o momento atual vivido pelos brasileiros.

As manifestações de rua e todas as pesquisas de opinião comprovam o desencanto da sociedade com seus representantes políticos. Todos querem tomar distância prudente dos políticos, principalmente os da situação. O mais incrível é que a pauta nacional, tanto do Congresso quanto do Executivo, vem sendo confeccionada pela Operação Lava-Jato. Mesmo o Judiciário tem sua agenda tomada pelas investigações de Curitiba.

Incapazes de formular justificativas convincentes sobre a avalanche de denúncias que pesam sobre a presidente e seu antecessor, o Partido dos Trabalhadores cobre a crise com o manto enganoso do golpismo, acusando a imprensa e a Justiça de agirem movidos por ideias de direita.

Trata-se, como se sabe, de cortina de fumaça que busca impedir a penetração da luz sobre os porões do governo. A visita da chefe do Executivo ao ex-presidente Lula deixa patente a confusão que o partido no poder faz entre o público e o privado. Ao endossar a claque dos militantes de que Lula foi vítima da perseguição e humilhado pelas forças da lei, Dilma desmente não só a afirmação de que é presidente de todos os brasileiros, como demonstra total desprezo pelas instituições públicas, no caso o Ministério Público e a Polícia Federal.

Ainda na noite de sexta-feira, uma turma de baderneiros a soldo do PT cercou e ameaçou os funcionários e jornalistas da Rede Globo de Televisão, situada no início da W3 Norte. Durante horas, os criminosos impediram o acesso de qualquer pessoa às instalações da emissora, numa repetição dos atos fascistas perpetrados pelos grupos chavistas, na Venezuela, contra as redes de tevê e os jornais que ousavam discordar do governo.

A Constituição cidadã de 1988, que possibilitou a consolidação da democracia e, por tabela, da independência do MP e da PF, sintomaticamente não foi assinada pelo PT, que sonhava redigi-la de próprio punho, de acordo com suas convicções autoritárias.

A irresponsabilidade e conivência companheiras de Dilma ao seu criador, ao ir contra o próprio Estado de direito, fez acender o alerta das casernas e poderia, se fossem outras as circunstâncias, no caso a decadência material das Forças Armadas, ter levado as tropas às ruas, com desdobramentos imprevisíveis.

No editorial do Estadão —“Os males que Lula faz” (5/3) —, a situação em torno dessa 24ª etapa da Lava-Jato, intitulada Alethea, é bem resumida: “Lula reiterou, de maneira irresponsável e truculenta, o seu desrespeito habitual à democracia e às instituições, às quais praticamente declarou guerra, convocando a militância lulopetista para defendê-lo nas ruas. Mas o seu julgamento pelas ruas virá depois. Primeiro, terá de se haver com as leis do país e com quem as faz valer. E aí a conversa não admite valentia de botequim”.

 

A frase que foi pronunciada

“Livre-se dos bajuladores. Mantenha perto de você pessoas que avisem quando você erra.”

Conselho de Barack Obama para os deslumbrados pelo poder.

 

Neusa França

Minha querida mestra. Que num glissando ascendente a senhora tenha alcançado a verdadeira e eterna paz. Vá tranquila, porque aprendemos a lição. Pela música, faremos o mundo um lugar melhor para a vida. Pelos acordes, mostraremos como é importante sermos boas pessoas e termos consciência do respeito ao outro. Muito obrigada por ter passado por nossas vidas.

 

Homenagem

O Sindilegis caprichou na homenagem às mulheres. Rosas vermelhas em alguns pontos de saída do Senado foram suficientes para alegrar o espírito das guerreiras. Quem conhece a sensibilidade de Petrus Elesbão aposta que foi iniciativa dele.

 

Sem resposta

Acompanhando a mãe ao preencher o formulário do iDhab, Lucas perguntou: Ué mãe. Por que pedem para dizer a nossa cor se esse programa é para tornar as pessoas iguais?

 

Inscrições

Em meados de 2016, dois concertos agraciarão a cidade. A maestrina Glicínia Mendes prepara o Coral do Senado para encenar Carmem, de Bizet, e o maestro David Junker prepara o Coro Sinfônico Comunitário da UnB para apresentar Carmina Burana, de Carl Orff.

 

História de Brasília

O diretor do jornal onde trabalha o sr. Ascendino Leite, antigo chefe da censura da Guanabara, deixou sobre sua mesa o seguinte recado: “Desapareça e não volte aqui nem para receber seu ordenado: mande buscá-lo”. (Publicado em 1º/9/1961)

Ponto de vaporização

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Com o vazamento das delações feitas pelo ex-líder do governo Delcídio do Amaral, o que ainda era sólido no atual governo começou a derreter a grande velocidade. A deflagração da 24ª etapa da Polícia Federal, denominada Alethea ou busca pela verdade, tem como mira o ex-presidente Lula e suas intrincadas relações com empreiteiros condenados pela Operação Lava Jato. O que há pouco se tornou líquido já começa a sofrer também a ação catalisadora da Justiça.

O que se tem agora é o início da vaporização do governo Dilma. A presidente que até agora vinha apenas ensaiando dar início ao seu segundo mandato, é surpreendida, ainda de camisola com a BlitzKrieg da Polícia Federal contra seu padrinho. No íntimo a presidente é assolada por presságios certeiros que indicam que a saída de Lula de cena , equivale a retirada de sua escada e base.

Brasileiros têm  uma presidente segura apenas pelo cabo do pincel. Suspensa no ar, mesmo os aliados mais próximos nada poderão fazer para resgatá-la. Nem mesmo uma polarização radical entre partidários e oposicionistas tem o poder de mudar o presente estado dos fatos.

Existe, isto sim, uma esperança de que as manifestações de rua ,marcadas para o próximo dia 13, possam precipitar os acontecimentos, encerrando ou dando mais algum fôlego ao governo, dependendo do nível de adesão ou não da população.

Trata-se do imponderável. O que se tem, ao certo, é que o adensamento das investigações, tem provocado um tal aumento no volume das suspeitas e evidências, que é perfeitamente previsível que ,sob a ação do peso próprio desses fatos, haja um desabamento de grandes proporções sobre as cabeças coroadas do lulopetismo, dentro e fora do governo.

É no mundo virtual da internet, que o acontecimento histórico deste dia 4 tem sua repercussão máxima. No mundo real as pessoas continuam indo à luta, na guerra contra a inflação, contra o desemprego, na defesa do pão de cada dia.

Do lado do ex-presidente e de seu partido, a CUT, uma franja petista, ameaça paralisar o país com uma greve selvagem sem precedentes. Também o exército de Stedile começa a engraxar os bacamartes e partir para a guerra fantasiosa.

Interessante notar que dentre os principais oponentes dessa milícia lulista se destaca a figura idosa e frágil da senhora Dona Ética. É contra ela que lutam e erguem suas armas e punhos.

 

A frase que não foi pronunciada:

“ Eu não quero saber se é o pato macho. Eu quero saber cadê o ovo. ”

Alguém sobre a declaração do senador Delcídio Amaral.

 

Crescer com competência

Tem dado resultados visíveis a parceria entre a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares  e o Hospital Universitário de Brasília. A psicóloga organizacional da Divisão de Gestão de Pessoas do HUB, Patrícia Antônia Santos Costa, pode comemorar os elogios dos pacientes.

 

Recado para o PT?

Com uma ouvidoria online de Direitos Humanos, a presidente Dilma reitera que a Presidência da República tem um compromisso com liberdade de expressão e manifestação. São direitos quem, segundo ela, foram conquistados com muita dificuldade. Mas que seja mantido o respeito, o bom debate e a convivência democrática.

 

Projeto

Prevenção aos crimes digitais têm sido assunto compartilhado entre o governo federal e escolas. Orientações estão sendo dadas para professores, pais e alunos sobre um ambiente digital seguro.

 

Cyber segurança

Por falar nisso, uma das propostas apresentadas por alunos participantes do Projeto Jovem Senador é que todas as escolas sejam obrigadas a  fornecer computadores e Internet para os alunos. É uma sugestão importante que precisa de mecanismos para evitar crimes cibernéticos que possam por em risco a segurança do estudante.

Ponto de fusão

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Para uma república, que desde a posse vem se liquefazendo a cada dia, o chamado ponto de fusão marca o momento exato em que o que era sólido derrete de vez, e talvez tenha se dado agora com a delação que veio ao conhecimento da nação do ex-líder do governo Dilma Rousseff Delcídio do Amaral. A imprensa, de modo geral, se refere às denúncias como devastadoras para o governo. Nesta altura dos acontecimentos, a homologação das revelações feitas se reduze apenas a ato burocrático da Justiça, porque, mesmo que não seja aceita, seu conteúdo explosivo tem o potencial para derrubar os últimos e frágeis pilares que ainda sustentavam o atual governo ao atingir, em cheio, a figura, até aqui preservada, da presidente da República.

Os desdobramentos dessas revelações, vindas de um personagem dos bastidores do Palácio do Planalto, no posto político de maior relevância dentro do governo, vão condenar definitivamente o edifício do Executivo, restando, como opção, a demolição de toda a estrutura. Nas confissões do ex-líder, a história parece retroceder e traz de volta os episódios mal explicados da refinaria Pasadena, que chegaram dentro do palácio pela própria presidente Dilma.

Pesaram na decisão de Delcídio fatores como da pressão de familiares, o experimentar, na própria pele,  abandono do partido e dos companheiros, além, é claro, da decisão do STF de encurtar o caminho da cadeia já na segunda estância da Justiça. Os exemplos, ainda vivos, de Marcos Valério e Kátia Rabello também serviram de incentivos observados pelo senador Amaral para não ter que prestar contas diretamente ao juiz Sérgio Moro, em Curitiba.

Essa é, com certeza, a quinta-feira negra do governo. Segundo notícias, o documento com as confissões do senador teria mais de 400 páginas, ou seja, o mesmo volume de um bom conto policial. De toda forma, é preciso ver para crer se essas novas revelações terão o efeito catalisador para abrir o governo. A pressão gigantesca que um personagem com esse potencial de denúncias pode sofrer por parte de membros do governo petista não é nada desprezível e pode, como já aconteceu, mudar os rumos, calando a verdade.

 

A frase que foi pronunciada

“A vida é uma corrida entre a educação e a catástrofe.”

George Orwell

 

Suposições?

Mais notícias interessantes sobre o caso senador Delcídio podem ser lidas no Diário do Centro do Mundo, na internet.

 

Sintonia

O senador Waldemir Moka quer emplacar o pensamento da população brasileira. Todo preso deve ressarcir o Estado das despesas durante a internação na cadeia. Se dependesse da sociedade, a lei já estaria sendo aplicada.

 

Mobilidade

Por falar em sistema prisional, não há preocupação com a acessibilidade. Parentes cadeirantes de presos não podem visitá-los por absoluta falta de condição física dos espaços para quem tem deficiência física.

 

Facial

Humberto Fonseca veio para provar que a superficialidade impera nas redes sociais. A beleza física do novo secretário de Saúde não suprirá a falta de médicos na rede pública nem fará aparecer medicamentos e produtos médicos hospitalares. Pena que a população não manifeste esse carinho com as milhares de pessoas que saem dos hospitais sem atendimento. Queira Deus que haja estética na saúde do DF cuja a gestão até agora tem sido estática.

 

Universidade

Insustentável a situação da UnB. Muitos alunos entrando e muito pouco aluno conseguindo concluir o curso. O resultado é temerário. Para se ter uma ideia da situação, não há matérias disponíveis para quem está se formando e precisa de créditos. Há fila de espera com centenas de alunos para várias disciplinas.

 

História de Brasília

Lamentável, que o sr. Carlos Lacerda, depois de defender durante tanto tempo a liberdade de imprensa, encha os jornais de censores, limitando o trabalho intelectual. Sórdido, repugnante e contraditório o ato do governador, que fez sua vida em jornais, principalmente desfrutando a liberdade que os outros lhe deram. O governo tem dessas coisas. Institui em Brasília os setores, faz com que todo o mundo obedeça e ele mesmo, usando do seu poder, desobedece. Queremos nos referir à Rádio do Ministério da Educação, que está situada no Setor Escolar, quando Brasília dispõe do Setor de Rádio e Televisão. (Publicado em 1º/9/1961)

Azar do jogador

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Enquanto a nação assiste, em capítulos, ao desmanche da República, comida de dentro para fora por um grupo que o próprio STF denominou de marginais do poder, estão adiantados os trabalhos da comissão especial que analisa o marco regulatório dos jogos no Brasil. Criada pelo PL nº 442/91, a comissão é uma das poucas que realizam sessões contínuas, turbinadas pelo fortíssimo lobby dos que apoiam o retorno dos cassinos ao país. E não é só o Legislativo que analisa a liberação de cassinos e bingos. O governo, premido pela forte crise econômica, também embarcou de corpo e alma na proposta.

A pedido do Palácio do Planalto, o Ministério do Turismo realiza série de sondagens para analisar os impactos que o retorno dos jogos traria à economia combalida. Sob o argumento fantasioso de que a regulamentação dos jogos garantiria algo em torno de R$ 15 bilhões anuais ao país e criaria milhares de empregos, os defensores da medida sabem que esse é o melhor momento para se reintroduzir o tema, esquecido por décadas dentro das gavetas da burocracia.

Outro ponto do discurso é que os recursos oriundos dos jogos ajudarão o país a sair mais rapidamente da crise. Os defensores da proposta deixam de lado fator extremamente preocupante: num país em que as forças da lei não conseguem controlar diversas e poderosas organizações criminosas que continuam operando até mesmo dentro dos muros dos presídios de segurança máxima, o que deverá ocorrer quando o jogo for liberado e a lavagem do dinheiro em cassinos for rotina legal?

Mesmo quando todos começam a tomar noção de que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspeita de lavagem de dinheiro de propinas nas campanhas, o fato não gerou, até agora, resposta à altura. Falando de forma direta, os jogos de azar só trarão benefícios reais aos donos de cassinos atrelados ao crime organizado e às instituições diversas que agem à margem da lei, inclusive patrocinando candidaturas e campanhas para seus apoiadores. Ao retorno dos cassinos, melhor seria opor o retorno da ética na gestão da coisa pública.

 

A frase que foi pronunciada

“A infelicidade tem isto de bom: faz-nos conhecer os verdadeiros amigos.”

Honoré de Balzac

 

No fundo

Estão chamando a Previ de Prebi. É que o fundo de pensão do Banco do Brasil fechou 2015 com deficit atuarial de R$16,56 bilhões.

 

Imbróglio

Por falar em fundo, o brilhantismo do portal Fato Online apagou. Os jornalistas estão há três meses sem salário. A gestão dos negócios tenta acompanhar o ritmo dos profissionais da notícia.

 

Regras

Para quem não tem muito tempo de Brasília é bom esclarecer. No Setor de Mansões do Lago Norte, um dos IPTUs mais caros da cidade, os terrenos à beira do lago são escriturados até o limite do espelho d’água, não configurando invasão. Esses terrenos foram projetados com acesso privado ao lago e as construções têm que obedecer a distância da água. As regras para as casas do Shin são diferentes.

 

Descumpridas

O assunto surgiu na AMOR 9 — Associação dos Moradores do Trecho 9. Moradores são constantemente molestados com a presença de pescadores que invadem a propriedade privada.

 

Consome dor

Dinamarca inaugura supermercado que só vende comida vencida. A intenção é diminuir o desperdício. No Brasil a comida vencida é vendida para aumentar o lucro.

 

Pão salgado

Por falar em supermercado, o Pão de Açúcar constantemente marca um preço na gôndola e outro no caixa. Na hora do protesto, a fila aumenta e todos fazem coro contra o mercado. A discussão chegou à seguinte conclusão: se fosse boa-fé, o preço também apareceria menor, o que nunca acontece.

 

Convite

O Decanato de Extensão da UnB e o professor Nagib Nassar têm o prazer de convidá-lo para a inauguração da Fundação Nagib Nassar para Desenvolvimento Científico e Sustentável. Hoje, às 16h, no auditório do Instituto de Biologia da UnB,

 

História de Brasília

A exploração na cidade, em torno dos preços, provocou enorme afluência nos supermercados. No Ipase, o sr. Amaury Almeida tomou a providência de racionar os gêneros. (Publicado em 1º/9/1961)

Brics

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Surgido no alvorecer do século 21, o Brics, formado pela união de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, foi pensado, desde o começo, para ser alternativa aos mercados globais dos países ricos e predominantemente capitalistas. A desigualdade entre os membros do bloco só não é menor do que a distância geográfica entre eles.

Para se ter uma ideia, em 2015, as economias da China e da Índia foram as únicas que apresentaram crescimento positivo — respectivamente 7% e 7,5%. África do Sul, cujo governo hoje está mergulhado em sérias denúncias de corrupção, apresentou zero de crescimento. Rússia, também envolvida em guerras e denúncias de corrupção generalizada, encolheu -3%. O Brasil também apresentou resultado negativo de -4%, decorrente de assustador ciclo que mistura incompetência administrativa com corrupção sistêmica.

Não é por outra razão que o país entra no terceiro ano consecutivo de recessão, fato nunca antes experimentado ao longo de toda a história brasileira. Nesse clube desigual, pensado para ter certo peso econômico, capaz de influenciar geopoliticamente o planeta, somente a China reúne características de potência econômica. O restante, com exceção da Índia, anda a reboque da China dentro da organização, como vagões ligados à locomotiva principal.

Outrora, os promissores emergentes, Brasil e Rússia representam, hoje, a maior decepção dentro do bloco. Mesmo aos trancos e barrancos, o Brics vem pavimentando caminho capaz de abocanhar fatia significativa da economia mundial, por meio da construção de mecanismos e instituições, como o banco de desenvolvimento do bloco, com sede em Xangai, na China, capaz de, em alguns casos, socorrer seus integrantes em caso de emergências pontuais.

Os financiamentos desse banco aos países-membros necessitados devem começar a ocorrer a partir de abril. Para países caracterizados como emergentes e que têm a base econômica montada sobre a exportação de commodities, como é o caso do Brasil e da Índia, a queda nos preços internacionais desses produtos tem efeito muito danoso em suas economias e, por extensão na economia do bloco como todo. Ainda assim, o Brics vem conseguindo aumentar o volume de comércio entre eles. Um dado que mostra isso claramente é o fato de o comércio entre Brasil e China ter saltado de US$ 2 bilhões, em 2001, para US$ 70 bilhões em 2014.

A agenda comum do Brics está umbilicalmente ligada à performance de cada um dos membros. Nesse caso, seguindo a lei da dinâmica e que vale para tudo que é vivo e se move, um dia o Brasil seguirá pelo mesmo caminho aberto pela Argentina no continente e se libertará das amarras e do atraso do chamado bolivarianismo, ou socialismo do século 21, e deixará para trás um governo e um modo de pensar o Brasil, que demonstrou ser claramente fracassado e obsoleto.

É preciso notar ainda que a Índia vem fazendo o dever de casa e há quem diga que, em breve, rivalizará em pé de igualdade como a economia da China. O fato é que, sanados os problemas internos de cada um dos membros, o Brics formará mercado comum com imenso peso mundial ao longo deste século que se inicia.

 

A frase que foi pronunciada

“Se o direito não socorre aos que dormem, quem vai acordar o gigante deitado eternamente em berço esplêndido?”

Perguntinha filosófica

 

Muda já

“O contribuinte que não cumpre os deveres com o Estado é rigorosamente punido. Já para o Estado, quando não cumpre os deveres constitucionais, não há punição. Vamos mudar isso?” O convite é de Fernando Gomide e foi feito na Comissão de Direitos Humanos do Senado, presidida pelo senador Paulo Paim. A senadora Ana Amélia também está atuante em projetos e iniciativas que reforçam os direitos das pessoas com deficiência física e mental.

 

De pedra

Escolas de enfermagem pecam na formação de técnicos. Apesar de saberem a terminologia científica para remédios e doenças, conhecerem o corpo humano, administrarem medicamentos, aferirem pressão, esquecem-se de um detalhe. O paciente tem sentimento, é gente, e não um produto. Por falta de orientação, ou mesmo de educação, alguns técnicos de enfermagem são absolutamente frios. Não existe contato humano. Já cuidadores são mais carinhosos.

 

Por gentileza

Uma estranha estrutura de ferro se encontra na área verde entre os conjuntos 7 e 8, da QL 2 do Lago Norte. Pode ser um guindaste, o que é temerário. Já pedimos informações à Ouvidoria da Administração do Lago Norte. Cláudio nos atendeu.

 

Desequilíbrio das partes

É um absurdo sem medida. Então, o governo perde o controle da ferrovia Transnordestina, que, há pouco menos de 10 anos, se arrasta em obras e nada é feito? Só 55% das obras estão sofridamente prontas com o custo três vezes maior. A Samarco acabou com um rio do Brasil. O que foi feito até agora? Futebol, samba e política são sinônimos de corrupção. Será que o remédio jurídico, social e econômico é bater em panelas?

 

História de Brasília

A exploração na cidade, em torno dos preços, provocou enorme afluência nos supermercados. No Ipase, o sr. Amaury Almeida tomou a providência de racionar os gêneros.(Publicado em 1º/9/1961)

Fifa pra quê?

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Joseph Blatter, ao comemorar a escolha do suíço Gianni Infantino para sucedê-lo, declarou o seguinte: “Infantino tem todas as qualidades para continuar meu trabalho”. Por si só, o apoio público dado por Blatter ao novo presidente da entidade já serviria como fato desabonador a Infantino, abrindo espaço inclusive para suspeitas de que a malversação do dinheiro seguiria o mesmo caminho de sempre.

Banido do mundo do futebol por seis anos, acusado de diversos casos de corrupção, Blatter e o ex-secretário-geral do órgão Jérôme Valcke — o mesmo que recomendou um chute no traseiro do Brasil — são os grandes vitoriosos com a nova escolha. O motivo é simples e foi logo detectado por quem mais entende de Fifa, o jornalista britânico Andrew Jennings. Na sua opinião, “a velha guarda segue no poder”.

O jogador Zico, que não obteve apoio para lançar sua candidatura à Presidência da Fifa, considerou a escolha óbvia. “A Fifa caiu no colo de Infantino”, diz. Para os críticos do órgão máximo do futebol, a entidade sofre falta de credibilidade e transparência. Do mesmo mal sofre a CBF, entregue a cartolas, frequentemente acusados de corrupção e, não raro, caçados e presos pelo FBI americano.

Para quem entende de futebol, como o comentarista Juca Kfouri, o suíço Infantino está diante de missão quase impossível: devolver credibilidade à Fifa e, por extensão, à própria CBF. Também a Transparência Internacional, por meio do Relatório Global de Corrupção: Esporte, divulgado agora, observou que o mundo do futebol, do tênis e do atletismo estão literalmente mergulhados na corrupção e que os milhões de fãs dessas modalidades se sentem traídos pela forma como, hoje, os resultados dos jogos são manipulados.

“O desporto deve ser uma força para o bem no mundo, mas os últimos escândalos não só no futebol, mas no atletismo e no tênis, expuseram o quão vulnerável é a corrupção nesse setor”, avaliou a entidade, ao destacar que a confiança do público na Fifa e outras entidades do desporto só seráo restaurada por meio de reformas, em grande escala, visando a transparência em seus negócios. Para um órgão que, com as diversas federações espalhadas pelo planeta, movimenta bilhões anualmente, é chegado o momento de passar a limpo.

A oportunidade se abre também à questão simples: para que manter, nos padrões atuais, a Fifa, a CBF e congêneres? O mundo do futebol no século 21 requer nova entidade, livre dos velhos vícios e de gente desonesta. Talvez tenha chegado o momento de banir, de vez, esses velhacos e voltar a cabeça para conceitos próximos aos defendidos atualmente por movimentos tipo Bom Senso Futebol Clube, fundado em 2013. A corrupção, nossa velha conhecida, cuidou de derrotar a entidade máxima do futebol e, por tabela, a CBF, reduto de cartolas incluídos na lista da Interpol. Quem sabe faz a hora.

 

A frase que não foi pronunciada

“Nada como a arte para amortecer a dor.”

Dom Giovanni, provavelmente pensou

 

Abuso

Quem atrasa o boleto do MEI (Microempreendedor Individual) não consegue imprimir a segunda via. O sistema acusa erro. O número do erro é comentado por vários internautas, que não se conformam com esse golpe do Estado.

 

Arte

Luisa Francesconi estreia Dom Quixote, no próximo dia 9, no Theatro São Pedro, às 20h, em São Paulo. “A dramaturgia musical de Massenet é extraordinária”, diz Jorge Takla, diretor cênico da ópera. Superprodução. Amigos de Brasília preparam pequena caravana para apreciar a obra.

 

Ponto, já

Atenção, organismos humanos da capital federal. Procurem adoecer durante a semana. No sábado e no domingo, os hospitais públicos estão sem médicos. Interessante é que os famosos marajás do Congresso Nacional ou do Executivo federal foram sendo substituídos pelas instâncias menores. Parece que ninguém percebe. O certo é que até hoje não apareceu governo com firmeza suficiente para cortar o salário de quem não trabalha. Se até o Senado, que era vorazmente criticado, hoje tem registro de ponto, qual a razão para os hospitais não terem?

 

História de Brasília

O interessante do projeto é que, onde deveria estar a justificação, há apenas isto: “Oportunamente”. Como sempre, as leis não têm efeito retroativo. (Publicado em 1º/9/1961)

Passando a borracha

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Não deve ser nada fácil para os estrategistas do Planalto, o chamado núcleo duro do governo, jogar ao mesmo tempo em duas frentes antagônicas. Eles fazem o papel de defensor e paladino dos ideais republicanos em público, para, em seguida, dentro das quatro paredes do aparelho do PT, buscarem saídas para os muitos companheiros envolvidos em corrupção.

Enquanto assiste ao despencar dos índices de aprovação do atual governo e de seu antecessor, a presidente vive situação bipolar. É cobrada pelo partido que a alçou ao poder e, ao mesmo tempo, tem atrás de si toda uma população a exigir ética e governança. Como a ninguém é dado servir a dois senhores, fica o jogo de faz de conta.

À mídia, diz que respeita as decisões da Justiça. Aos companheiros, promete agir para barrar os efeitos das investigações da Operação Lava-Jato e congêneres. Enquanto as investidas do Ministério Público e da Polícia Federal prosseguem, nos bastidores do Planalto, segue a confecção de medidas que buscam minorar o purgatório das empreiteiras amigas, responsáveis por irrigar os cofres do partido com centenas de milhões de reais.

Os acordos de leniência, costurados pelo Executivo, prevendo o restabelecimento de idoneidade das empresas envolvidas nos escândalos anda a passos largos e os primeiros acertos devem ser fechados na próxima semana. O mais sensato e republicano seria esperar pelo término das investigações, mas em se tratando desse governo…

Adiantadas estão também as medidas que visam conceder o perdão, com base no decreto presidencial do indulto de Natal, aos oito condenados do mensalão, processo que cabe ao novo ministro do STF, Roberto Barroso, identificado como simpático ao Planalto. Enquanto hesita entre os seus e o Estado, Dilma começa a perceber que quem quer agradar a todos não agrada a ninguém, nem a si próprio.

Ao impasse de seu governo se contrapõem os fatos e a realidade crua que vão empurrando o Brasil para a vala comum, onde estão países como Venezuela e Argentina, que também desperdiçaram toda uma década, envoltos no quixotesco sonho de um continente dominado pelo bolivarianismo ou socialismo do século 21, ou coisa que o valha.

 

A frase que foi pronunciada

“O riso é o melhor remédio, mas é mais do que isso. É um conjunto inteiro de antibióticos e esteroides. O riso diminui o inchaço do estado psicológico da nossa nação e, depois, lhe aplica um creme antibiótico… Obviamente, é um desafio fazer uma situação séria leviana, mas antes isso que chorar.”

Stephen Colbert

 

Cidade Luz

Em 14 de março, o mestre em filosofia do direito Renan Flumian fará um bate-papo na reunião do Comitê de Cultura, Ciência, Educação e Mídia, em Paris. Depois do lançamento do livro Dr. Corrupção ele foi convidado para o encontro.

 

Missiva

Mosquitel —  Não é moscatel, nome criado pelo bom humor de Eliezer Batista, uma das nossas reservas morais (criou a Vale, foi ministro das Minas e Energia e de Assuntos Estratégicos fala sete línguas). Designa as caçambas enormes que são deixadas em frente às casas para recolher lixo. São mosquito hotel: permanecem ali dias e semanas estocando a água da chuva nos plásticos com o agravante de só serem retiradas quando a prestadora do serviço encontra outro cliente para ser depositário do trambolho, já que eles não têm lugar para depositar…São o paraíso da zika. Ninguém vê isto?, pergunta o amigo Kleber Farias Pinto.

 

História

Por falar no Kleber, registro que quando chegamos em Brasília, foi ele quem nos deu carona do aeroporto para o Correio Braziliense. Como o prédio do jornal ainda não existia, instalamos no cerrado a placa que identificava o futuro jornal da capital.

 

Moderno

Já está ampliado o atendimento na área de radioterapia do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília. O coordenador do serviço, dr. Rafael Gadia, explica que entre os benefícios estão a redução no tempo e no número de sessões de radioterapia, tornando o tratamento mais rápido e conveniente e a diminuição dos efeitos colaterais.

 

Curiosidade

Muito mais que qualquer executivo brasileiro, Fernandinho Beira-Mar, com 400 anos de condenação, é o passageiro brasileiro com mais horas de voo em helicóptero.

 

História de Brasília

O deputado Luiz Bronzeado apresentou projeto exigindo exame de sanidade mental para os candidatos à presidência e vice-presidência da República, e para governador e vice-governador dos Estados.

(Publicado em 1º/9/1961)

Títulos de lixo

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Do ponto de vista das três principais agências internacionais de classificação de risco, os títulos emitidos pelo governo brasileiro não são confiáveis e valem tanto quanto lixo, ou, como eles chamam, junk bonds. Na prática, a avaliação serve para alertar e, por tabela, afugentar os possíveis investidores de todo o mundo que porventura queiram aplicar seus dólares no Brasil. As chances de calote são reais e iminentes.

O governo e seu partido, diante desse fato inexorável e extremamente negativo, fingem desdém a esses pareceres técnicos para não despertarem mais danos internos, como pânico generalizado que levaria a corrida sem precedentes aos bancos. Vivemos prenúncio de crise semelhante ao experimentado pelos argentinos anos atrás, quando a população passou a perceber que o melhor banco para depositar o dinheiro minguado era debaixo do colchão, e a melhor moeda nacional era o dólar.

Se isso ainda não ocorreu por aqui, foi por obra e graça do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer), implementado em 2001 pelo governo de Fernando Henrique Cardoso e duramente combatido pelo Partido dos Trabalhadores. Naquela época o Proer evitou não só o colapso do sistema financeiro nacional, como também barrou a fuga em cadeia de capitais dos bancos.

A realidade hoje é diferente, com o sistema bancário nacional ainda fortalecido e disciplinado. Mas a intensidade da crise, somadas as intervenções amadoras do governo no mercado, o rombo nas contas públicas, o descrédito do Executivo, a alta taxa de juros, a baixa arrecadação, a alta dívida interna e outros indicadores altamente negativos da economia, como a acelerada alta nas taxas de desemprego, ameaça o estouro da boiada.Uma vez desencadeado o pânico, a desordem segue processo autônomo e, por inércia, contamina todo o mercado.

Diz o filósofo de Mondubim que, se uma pessoa chamar você de cachorro, não ligue. Se duas pessoas chamarem você de cachorro, fique atento. Se três pessoas chamarem você de cachorro, arrume logo uma coleira. No plano externo, três agências de avaliação de risco dizem, em uníssono, que somos caloteiros. Houvesse agências internas de avaliação de risco, Lula, o governo Dilma e o Partido dos Trabalhadores seriam imediatamente identificados como os três principais fatores de ordem política que estão na origem e na intensificação da crise brasileira.

A frase que não foi pronunciada
“Minhas cóleras compensavam a arbitrariedade das leis que me escravizavam.”
Simone de Beauvoir

Última hora
» Gerson Camarotti dá em primeira mão que a presidente Dilma foi convidada pela colega do Chile, Bachelet, para um jantar no mesmo dia da reunião do PT. Para quem relutava em encarar aquela turma, pode até ser desculpa convincente.

SMLN
» Depois de rasgar o asfalto da rua do trecho 8 para instalação de nova rede, a Caesb largou a obra sem finalizar. Metade da rua é barro e poeira; a outra metade, asfalto.

Manutenção
» Por essas e outras é que os moradores têm se recusado em trocar os hidrômetros. A justificativa é manutenção, mas, se o hidrômetro funciona com perfeição, não há necessidade de troca. Há moradores que tiveram problemas

com o novo hidrômetro. A conta passou de R$ 200 para R$ 600. Um problema que não foi criado pelo consumidor, mas só ele pode resolver.

Consome dor
» No Lago Sul, são milhares de moradores prejudicados pelo rompimento de um duto. A primeira providência da Caesb foi pedir que os moradores racionassem a água. Certamente a conta não será racionada.

Portal
» Bom seria que o GDF disponibilizasse um portal da transparência para prestar contas à população sobre a gestão dos recursos.

História de Brasília

Os tripulantes presos são Adauti Sanches e José da Costa,
e ocuparam os apartamentos 108 e 110.
(Publicado em 1º/9/1961)