Ponto de fusão

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Para uma república, que desde a posse vem se liquefazendo a cada dia, o chamado ponto de fusão marca o momento exato em que o que era sólido derrete de vez, e talvez tenha se dado agora com a delação que veio ao conhecimento da nação do ex-líder do governo Dilma Rousseff Delcídio do Amaral. A imprensa, de modo geral, se refere às denúncias como devastadoras para o governo. Nesta altura dos acontecimentos, a homologação das revelações feitas se reduze apenas a ato burocrático da Justiça, porque, mesmo que não seja aceita, seu conteúdo explosivo tem o potencial para derrubar os últimos e frágeis pilares que ainda sustentavam o atual governo ao atingir, em cheio, a figura, até aqui preservada, da presidente da República.

Os desdobramentos dessas revelações, vindas de um personagem dos bastidores do Palácio do Planalto, no posto político de maior relevância dentro do governo, vão condenar definitivamente o edifício do Executivo, restando, como opção, a demolição de toda a estrutura. Nas confissões do ex-líder, a história parece retroceder e traz de volta os episódios mal explicados da refinaria Pasadena, que chegaram dentro do palácio pela própria presidente Dilma.

Pesaram na decisão de Delcídio fatores como da pressão de familiares, o experimentar, na própria pele,  abandono do partido e dos companheiros, além, é claro, da decisão do STF de encurtar o caminho da cadeia já na segunda estância da Justiça. Os exemplos, ainda vivos, de Marcos Valério e Kátia Rabello também serviram de incentivos observados pelo senador Amaral para não ter que prestar contas diretamente ao juiz Sérgio Moro, em Curitiba.

Essa é, com certeza, a quinta-feira negra do governo. Segundo notícias, o documento com as confissões do senador teria mais de 400 páginas, ou seja, o mesmo volume de um bom conto policial. De toda forma, é preciso ver para crer se essas novas revelações terão o efeito catalisador para abrir o governo. A pressão gigantesca que um personagem com esse potencial de denúncias pode sofrer por parte de membros do governo petista não é nada desprezível e pode, como já aconteceu, mudar os rumos, calando a verdade.

 

A frase que foi pronunciada

“A vida é uma corrida entre a educação e a catástrofe.”

George Orwell

 

Suposições?

Mais notícias interessantes sobre o caso senador Delcídio podem ser lidas no Diário do Centro do Mundo, na internet.

 

Sintonia

O senador Waldemir Moka quer emplacar o pensamento da população brasileira. Todo preso deve ressarcir o Estado das despesas durante a internação na cadeia. Se dependesse da sociedade, a lei já estaria sendo aplicada.

 

Mobilidade

Por falar em sistema prisional, não há preocupação com a acessibilidade. Parentes cadeirantes de presos não podem visitá-los por absoluta falta de condição física dos espaços para quem tem deficiência física.

 

Facial

Humberto Fonseca veio para provar que a superficialidade impera nas redes sociais. A beleza física do novo secretário de Saúde não suprirá a falta de médicos na rede pública nem fará aparecer medicamentos e produtos médicos hospitalares. Pena que a população não manifeste esse carinho com as milhares de pessoas que saem dos hospitais sem atendimento. Queira Deus que haja estética na saúde do DF cuja a gestão até agora tem sido estática.

 

Universidade

Insustentável a situação da UnB. Muitos alunos entrando e muito pouco aluno conseguindo concluir o curso. O resultado é temerário. Para se ter uma ideia da situação, não há matérias disponíveis para quem está se formando e precisa de créditos. Há fila de espera com centenas de alunos para várias disciplinas.

 

História de Brasília

Lamentável, que o sr. Carlos Lacerda, depois de defender durante tanto tempo a liberdade de imprensa, encha os jornais de censores, limitando o trabalho intelectual. Sórdido, repugnante e contraditório o ato do governador, que fez sua vida em jornais, principalmente desfrutando a liberdade que os outros lhe deram. O governo tem dessas coisas. Institui em Brasília os setores, faz com que todo o mundo obedeça e ele mesmo, usando do seu poder, desobedece. Queremos nos referir à Rádio do Ministério da Educação, que está situada no Setor Escolar, quando Brasília dispõe do Setor de Rádio e Televisão. (Publicado em 1º/9/1961)

Azar do jogador

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Enquanto a nação assiste, em capítulos, ao desmanche da República, comida de dentro para fora por um grupo que o próprio STF denominou de marginais do poder, estão adiantados os trabalhos da comissão especial que analisa o marco regulatório dos jogos no Brasil. Criada pelo PL nº 442/91, a comissão é uma das poucas que realizam sessões contínuas, turbinadas pelo fortíssimo lobby dos que apoiam o retorno dos cassinos ao país. E não é só o Legislativo que analisa a liberação de cassinos e bingos. O governo, premido pela forte crise econômica, também embarcou de corpo e alma na proposta.

A pedido do Palácio do Planalto, o Ministério do Turismo realiza série de sondagens para analisar os impactos que o retorno dos jogos traria à economia combalida. Sob o argumento fantasioso de que a regulamentação dos jogos garantiria algo em torno de R$ 15 bilhões anuais ao país e criaria milhares de empregos, os defensores da medida sabem que esse é o melhor momento para se reintroduzir o tema, esquecido por décadas dentro das gavetas da burocracia.

Outro ponto do discurso é que os recursos oriundos dos jogos ajudarão o país a sair mais rapidamente da crise. Os defensores da proposta deixam de lado fator extremamente preocupante: num país em que as forças da lei não conseguem controlar diversas e poderosas organizações criminosas que continuam operando até mesmo dentro dos muros dos presídios de segurança máxima, o que deverá ocorrer quando o jogo for liberado e a lavagem do dinheiro em cassinos for rotina legal?

Mesmo quando todos começam a tomar noção de que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspeita de lavagem de dinheiro de propinas nas campanhas, o fato não gerou, até agora, resposta à altura. Falando de forma direta, os jogos de azar só trarão benefícios reais aos donos de cassinos atrelados ao crime organizado e às instituições diversas que agem à margem da lei, inclusive patrocinando candidaturas e campanhas para seus apoiadores. Ao retorno dos cassinos, melhor seria opor o retorno da ética na gestão da coisa pública.

 

A frase que foi pronunciada

“A infelicidade tem isto de bom: faz-nos conhecer os verdadeiros amigos.”

Honoré de Balzac

 

No fundo

Estão chamando a Previ de Prebi. É que o fundo de pensão do Banco do Brasil fechou 2015 com deficit atuarial de R$16,56 bilhões.

 

Imbróglio

Por falar em fundo, o brilhantismo do portal Fato Online apagou. Os jornalistas estão há três meses sem salário. A gestão dos negócios tenta acompanhar o ritmo dos profissionais da notícia.

 

Regras

Para quem não tem muito tempo de Brasília é bom esclarecer. No Setor de Mansões do Lago Norte, um dos IPTUs mais caros da cidade, os terrenos à beira do lago são escriturados até o limite do espelho d’água, não configurando invasão. Esses terrenos foram projetados com acesso privado ao lago e as construções têm que obedecer a distância da água. As regras para as casas do Shin são diferentes.

 

Descumpridas

O assunto surgiu na AMOR 9 — Associação dos Moradores do Trecho 9. Moradores são constantemente molestados com a presença de pescadores que invadem a propriedade privada.

 

Consome dor

Dinamarca inaugura supermercado que só vende comida vencida. A intenção é diminuir o desperdício. No Brasil a comida vencida é vendida para aumentar o lucro.

 

Pão salgado

Por falar em supermercado, o Pão de Açúcar constantemente marca um preço na gôndola e outro no caixa. Na hora do protesto, a fila aumenta e todos fazem coro contra o mercado. A discussão chegou à seguinte conclusão: se fosse boa-fé, o preço também apareceria menor, o que nunca acontece.

 

Convite

O Decanato de Extensão da UnB e o professor Nagib Nassar têm o prazer de convidá-lo para a inauguração da Fundação Nagib Nassar para Desenvolvimento Científico e Sustentável. Hoje, às 16h, no auditório do Instituto de Biologia da UnB,

 

História de Brasília

A exploração na cidade, em torno dos preços, provocou enorme afluência nos supermercados. No Ipase, o sr. Amaury Almeida tomou a providência de racionar os gêneros. (Publicado em 1º/9/1961)

Brics

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Surgido no alvorecer do século 21, o Brics, formado pela união de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, foi pensado, desde o começo, para ser alternativa aos mercados globais dos países ricos e predominantemente capitalistas. A desigualdade entre os membros do bloco só não é menor do que a distância geográfica entre eles.

Para se ter uma ideia, em 2015, as economias da China e da Índia foram as únicas que apresentaram crescimento positivo — respectivamente 7% e 7,5%. África do Sul, cujo governo hoje está mergulhado em sérias denúncias de corrupção, apresentou zero de crescimento. Rússia, também envolvida em guerras e denúncias de corrupção generalizada, encolheu -3%. O Brasil também apresentou resultado negativo de -4%, decorrente de assustador ciclo que mistura incompetência administrativa com corrupção sistêmica.

Não é por outra razão que o país entra no terceiro ano consecutivo de recessão, fato nunca antes experimentado ao longo de toda a história brasileira. Nesse clube desigual, pensado para ter certo peso econômico, capaz de influenciar geopoliticamente o planeta, somente a China reúne características de potência econômica. O restante, com exceção da Índia, anda a reboque da China dentro da organização, como vagões ligados à locomotiva principal.

Outrora, os promissores emergentes, Brasil e Rússia representam, hoje, a maior decepção dentro do bloco. Mesmo aos trancos e barrancos, o Brics vem pavimentando caminho capaz de abocanhar fatia significativa da economia mundial, por meio da construção de mecanismos e instituições, como o banco de desenvolvimento do bloco, com sede em Xangai, na China, capaz de, em alguns casos, socorrer seus integrantes em caso de emergências pontuais.

Os financiamentos desse banco aos países-membros necessitados devem começar a ocorrer a partir de abril. Para países caracterizados como emergentes e que têm a base econômica montada sobre a exportação de commodities, como é o caso do Brasil e da Índia, a queda nos preços internacionais desses produtos tem efeito muito danoso em suas economias e, por extensão na economia do bloco como todo. Ainda assim, o Brics vem conseguindo aumentar o volume de comércio entre eles. Um dado que mostra isso claramente é o fato de o comércio entre Brasil e China ter saltado de US$ 2 bilhões, em 2001, para US$ 70 bilhões em 2014.

A agenda comum do Brics está umbilicalmente ligada à performance de cada um dos membros. Nesse caso, seguindo a lei da dinâmica e que vale para tudo que é vivo e se move, um dia o Brasil seguirá pelo mesmo caminho aberto pela Argentina no continente e se libertará das amarras e do atraso do chamado bolivarianismo, ou socialismo do século 21, e deixará para trás um governo e um modo de pensar o Brasil, que demonstrou ser claramente fracassado e obsoleto.

É preciso notar ainda que a Índia vem fazendo o dever de casa e há quem diga que, em breve, rivalizará em pé de igualdade como a economia da China. O fato é que, sanados os problemas internos de cada um dos membros, o Brics formará mercado comum com imenso peso mundial ao longo deste século que se inicia.

 

A frase que foi pronunciada

“Se o direito não socorre aos que dormem, quem vai acordar o gigante deitado eternamente em berço esplêndido?”

Perguntinha filosófica

 

Muda já

“O contribuinte que não cumpre os deveres com o Estado é rigorosamente punido. Já para o Estado, quando não cumpre os deveres constitucionais, não há punição. Vamos mudar isso?” O convite é de Fernando Gomide e foi feito na Comissão de Direitos Humanos do Senado, presidida pelo senador Paulo Paim. A senadora Ana Amélia também está atuante em projetos e iniciativas que reforçam os direitos das pessoas com deficiência física e mental.

 

De pedra

Escolas de enfermagem pecam na formação de técnicos. Apesar de saberem a terminologia científica para remédios e doenças, conhecerem o corpo humano, administrarem medicamentos, aferirem pressão, esquecem-se de um detalhe. O paciente tem sentimento, é gente, e não um produto. Por falta de orientação, ou mesmo de educação, alguns técnicos de enfermagem são absolutamente frios. Não existe contato humano. Já cuidadores são mais carinhosos.

 

Por gentileza

Uma estranha estrutura de ferro se encontra na área verde entre os conjuntos 7 e 8, da QL 2 do Lago Norte. Pode ser um guindaste, o que é temerário. Já pedimos informações à Ouvidoria da Administração do Lago Norte. Cláudio nos atendeu.

 

Desequilíbrio das partes

É um absurdo sem medida. Então, o governo perde o controle da ferrovia Transnordestina, que, há pouco menos de 10 anos, se arrasta em obras e nada é feito? Só 55% das obras estão sofridamente prontas com o custo três vezes maior. A Samarco acabou com um rio do Brasil. O que foi feito até agora? Futebol, samba e política são sinônimos de corrupção. Será que o remédio jurídico, social e econômico é bater em panelas?

 

História de Brasília

A exploração na cidade, em torno dos preços, provocou enorme afluência nos supermercados. No Ipase, o sr. Amaury Almeida tomou a providência de racionar os gêneros.(Publicado em 1º/9/1961)

Fifa pra quê?

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Joseph Blatter, ao comemorar a escolha do suíço Gianni Infantino para sucedê-lo, declarou o seguinte: “Infantino tem todas as qualidades para continuar meu trabalho”. Por si só, o apoio público dado por Blatter ao novo presidente da entidade já serviria como fato desabonador a Infantino, abrindo espaço inclusive para suspeitas de que a malversação do dinheiro seguiria o mesmo caminho de sempre.

Banido do mundo do futebol por seis anos, acusado de diversos casos de corrupção, Blatter e o ex-secretário-geral do órgão Jérôme Valcke — o mesmo que recomendou um chute no traseiro do Brasil — são os grandes vitoriosos com a nova escolha. O motivo é simples e foi logo detectado por quem mais entende de Fifa, o jornalista britânico Andrew Jennings. Na sua opinião, “a velha guarda segue no poder”.

O jogador Zico, que não obteve apoio para lançar sua candidatura à Presidência da Fifa, considerou a escolha óbvia. “A Fifa caiu no colo de Infantino”, diz. Para os críticos do órgão máximo do futebol, a entidade sofre falta de credibilidade e transparência. Do mesmo mal sofre a CBF, entregue a cartolas, frequentemente acusados de corrupção e, não raro, caçados e presos pelo FBI americano.

Para quem entende de futebol, como o comentarista Juca Kfouri, o suíço Infantino está diante de missão quase impossível: devolver credibilidade à Fifa e, por extensão, à própria CBF. Também a Transparência Internacional, por meio do Relatório Global de Corrupção: Esporte, divulgado agora, observou que o mundo do futebol, do tênis e do atletismo estão literalmente mergulhados na corrupção e que os milhões de fãs dessas modalidades se sentem traídos pela forma como, hoje, os resultados dos jogos são manipulados.

“O desporto deve ser uma força para o bem no mundo, mas os últimos escândalos não só no futebol, mas no atletismo e no tênis, expuseram o quão vulnerável é a corrupção nesse setor”, avaliou a entidade, ao destacar que a confiança do público na Fifa e outras entidades do desporto só seráo restaurada por meio de reformas, em grande escala, visando a transparência em seus negócios. Para um órgão que, com as diversas federações espalhadas pelo planeta, movimenta bilhões anualmente, é chegado o momento de passar a limpo.

A oportunidade se abre também à questão simples: para que manter, nos padrões atuais, a Fifa, a CBF e congêneres? O mundo do futebol no século 21 requer nova entidade, livre dos velhos vícios e de gente desonesta. Talvez tenha chegado o momento de banir, de vez, esses velhacos e voltar a cabeça para conceitos próximos aos defendidos atualmente por movimentos tipo Bom Senso Futebol Clube, fundado em 2013. A corrupção, nossa velha conhecida, cuidou de derrotar a entidade máxima do futebol e, por tabela, a CBF, reduto de cartolas incluídos na lista da Interpol. Quem sabe faz a hora.

 

A frase que não foi pronunciada

“Nada como a arte para amortecer a dor.”

Dom Giovanni, provavelmente pensou

 

Abuso

Quem atrasa o boleto do MEI (Microempreendedor Individual) não consegue imprimir a segunda via. O sistema acusa erro. O número do erro é comentado por vários internautas, que não se conformam com esse golpe do Estado.

 

Arte

Luisa Francesconi estreia Dom Quixote, no próximo dia 9, no Theatro São Pedro, às 20h, em São Paulo. “A dramaturgia musical de Massenet é extraordinária”, diz Jorge Takla, diretor cênico da ópera. Superprodução. Amigos de Brasília preparam pequena caravana para apreciar a obra.

 

Ponto, já

Atenção, organismos humanos da capital federal. Procurem adoecer durante a semana. No sábado e no domingo, os hospitais públicos estão sem médicos. Interessante é que os famosos marajás do Congresso Nacional ou do Executivo federal foram sendo substituídos pelas instâncias menores. Parece que ninguém percebe. O certo é que até hoje não apareceu governo com firmeza suficiente para cortar o salário de quem não trabalha. Se até o Senado, que era vorazmente criticado, hoje tem registro de ponto, qual a razão para os hospitais não terem?

 

História de Brasília

O interessante do projeto é que, onde deveria estar a justificação, há apenas isto: “Oportunamente”. Como sempre, as leis não têm efeito retroativo. (Publicado em 1º/9/1961)

Passando a borracha

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Não deve ser nada fácil para os estrategistas do Planalto, o chamado núcleo duro do governo, jogar ao mesmo tempo em duas frentes antagônicas. Eles fazem o papel de defensor e paladino dos ideais republicanos em público, para, em seguida, dentro das quatro paredes do aparelho do PT, buscarem saídas para os muitos companheiros envolvidos em corrupção.

Enquanto assiste ao despencar dos índices de aprovação do atual governo e de seu antecessor, a presidente vive situação bipolar. É cobrada pelo partido que a alçou ao poder e, ao mesmo tempo, tem atrás de si toda uma população a exigir ética e governança. Como a ninguém é dado servir a dois senhores, fica o jogo de faz de conta.

À mídia, diz que respeita as decisões da Justiça. Aos companheiros, promete agir para barrar os efeitos das investigações da Operação Lava-Jato e congêneres. Enquanto as investidas do Ministério Público e da Polícia Federal prosseguem, nos bastidores do Planalto, segue a confecção de medidas que buscam minorar o purgatório das empreiteiras amigas, responsáveis por irrigar os cofres do partido com centenas de milhões de reais.

Os acordos de leniência, costurados pelo Executivo, prevendo o restabelecimento de idoneidade das empresas envolvidas nos escândalos anda a passos largos e os primeiros acertos devem ser fechados na próxima semana. O mais sensato e republicano seria esperar pelo término das investigações, mas em se tratando desse governo…

Adiantadas estão também as medidas que visam conceder o perdão, com base no decreto presidencial do indulto de Natal, aos oito condenados do mensalão, processo que cabe ao novo ministro do STF, Roberto Barroso, identificado como simpático ao Planalto. Enquanto hesita entre os seus e o Estado, Dilma começa a perceber que quem quer agradar a todos não agrada a ninguém, nem a si próprio.

Ao impasse de seu governo se contrapõem os fatos e a realidade crua que vão empurrando o Brasil para a vala comum, onde estão países como Venezuela e Argentina, que também desperdiçaram toda uma década, envoltos no quixotesco sonho de um continente dominado pelo bolivarianismo ou socialismo do século 21, ou coisa que o valha.

 

A frase que foi pronunciada

“O riso é o melhor remédio, mas é mais do que isso. É um conjunto inteiro de antibióticos e esteroides. O riso diminui o inchaço do estado psicológico da nossa nação e, depois, lhe aplica um creme antibiótico… Obviamente, é um desafio fazer uma situação séria leviana, mas antes isso que chorar.”

Stephen Colbert

 

Cidade Luz

Em 14 de março, o mestre em filosofia do direito Renan Flumian fará um bate-papo na reunião do Comitê de Cultura, Ciência, Educação e Mídia, em Paris. Depois do lançamento do livro Dr. Corrupção ele foi convidado para o encontro.

 

Missiva

Mosquitel —  Não é moscatel, nome criado pelo bom humor de Eliezer Batista, uma das nossas reservas morais (criou a Vale, foi ministro das Minas e Energia e de Assuntos Estratégicos fala sete línguas). Designa as caçambas enormes que são deixadas em frente às casas para recolher lixo. São mosquito hotel: permanecem ali dias e semanas estocando a água da chuva nos plásticos com o agravante de só serem retiradas quando a prestadora do serviço encontra outro cliente para ser depositário do trambolho, já que eles não têm lugar para depositar…São o paraíso da zika. Ninguém vê isto?, pergunta o amigo Kleber Farias Pinto.

 

História

Por falar no Kleber, registro que quando chegamos em Brasília, foi ele quem nos deu carona do aeroporto para o Correio Braziliense. Como o prédio do jornal ainda não existia, instalamos no cerrado a placa que identificava o futuro jornal da capital.

 

Moderno

Já está ampliado o atendimento na área de radioterapia do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília. O coordenador do serviço, dr. Rafael Gadia, explica que entre os benefícios estão a redução no tempo e no número de sessões de radioterapia, tornando o tratamento mais rápido e conveniente e a diminuição dos efeitos colaterais.

 

Curiosidade

Muito mais que qualquer executivo brasileiro, Fernandinho Beira-Mar, com 400 anos de condenação, é o passageiro brasileiro com mais horas de voo em helicóptero.

 

História de Brasília

O deputado Luiz Bronzeado apresentou projeto exigindo exame de sanidade mental para os candidatos à presidência e vice-presidência da República, e para governador e vice-governador dos Estados.

(Publicado em 1º/9/1961)

Títulos de lixo

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Do ponto de vista das três principais agências internacionais de classificação de risco, os títulos emitidos pelo governo brasileiro não são confiáveis e valem tanto quanto lixo, ou, como eles chamam, junk bonds. Na prática, a avaliação serve para alertar e, por tabela, afugentar os possíveis investidores de todo o mundo que porventura queiram aplicar seus dólares no Brasil. As chances de calote são reais e iminentes.

O governo e seu partido, diante desse fato inexorável e extremamente negativo, fingem desdém a esses pareceres técnicos para não despertarem mais danos internos, como pânico generalizado que levaria a corrida sem precedentes aos bancos. Vivemos prenúncio de crise semelhante ao experimentado pelos argentinos anos atrás, quando a população passou a perceber que o melhor banco para depositar o dinheiro minguado era debaixo do colchão, e a melhor moeda nacional era o dólar.

Se isso ainda não ocorreu por aqui, foi por obra e graça do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer), implementado em 2001 pelo governo de Fernando Henrique Cardoso e duramente combatido pelo Partido dos Trabalhadores. Naquela época o Proer evitou não só o colapso do sistema financeiro nacional, como também barrou a fuga em cadeia de capitais dos bancos.

A realidade hoje é diferente, com o sistema bancário nacional ainda fortalecido e disciplinado. Mas a intensidade da crise, somadas as intervenções amadoras do governo no mercado, o rombo nas contas públicas, o descrédito do Executivo, a alta taxa de juros, a baixa arrecadação, a alta dívida interna e outros indicadores altamente negativos da economia, como a acelerada alta nas taxas de desemprego, ameaça o estouro da boiada.Uma vez desencadeado o pânico, a desordem segue processo autônomo e, por inércia, contamina todo o mercado.

Diz o filósofo de Mondubim que, se uma pessoa chamar você de cachorro, não ligue. Se duas pessoas chamarem você de cachorro, fique atento. Se três pessoas chamarem você de cachorro, arrume logo uma coleira. No plano externo, três agências de avaliação de risco dizem, em uníssono, que somos caloteiros. Houvesse agências internas de avaliação de risco, Lula, o governo Dilma e o Partido dos Trabalhadores seriam imediatamente identificados como os três principais fatores de ordem política que estão na origem e na intensificação da crise brasileira.

A frase que não foi pronunciada
“Minhas cóleras compensavam a arbitrariedade das leis que me escravizavam.”
Simone de Beauvoir

Última hora
» Gerson Camarotti dá em primeira mão que a presidente Dilma foi convidada pela colega do Chile, Bachelet, para um jantar no mesmo dia da reunião do PT. Para quem relutava em encarar aquela turma, pode até ser desculpa convincente.

SMLN
» Depois de rasgar o asfalto da rua do trecho 8 para instalação de nova rede, a Caesb largou a obra sem finalizar. Metade da rua é barro e poeira; a outra metade, asfalto.

Manutenção
» Por essas e outras é que os moradores têm se recusado em trocar os hidrômetros. A justificativa é manutenção, mas, se o hidrômetro funciona com perfeição, não há necessidade de troca. Há moradores que tiveram problemas

com o novo hidrômetro. A conta passou de R$ 200 para R$ 600. Um problema que não foi criado pelo consumidor, mas só ele pode resolver.

Consome dor
» No Lago Sul, são milhares de moradores prejudicados pelo rompimento de um duto. A primeira providência da Caesb foi pedir que os moradores racionassem a água. Certamente a conta não será racionada.

Portal
» Bom seria que o GDF disponibilizasse um portal da transparência para prestar contas à população sobre a gestão dos recursos.

História de Brasília

Os tripulantes presos são Adauti Sanches e José da Costa,
e ocuparam os apartamentos 108 e 110.
(Publicado em 1º/9/1961)

Fotografia

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Fotos por si só revelam detalhes e histórias escondidas por baixo dos fatos, indo muito além da palavra escrita, expondo o contexto na sua crueza, comme il faut. Na foto em que aparecem os mais recentes hóspedes à disposição do juiz Sérgio Moro, em Curitiba — a saber, o marqueteiro João Santana e sua sócia, Mônica Moura —, um detalhe foge ao lugar-comum de outras imagens do gênero que têm sido divulgadas pela mídia nos últimos tempos, envolvendo os presos da Operação Lava-Jato.

Na imagem distribuída agora, em que aparece o publicitário em segundo plano, algemado com as mãos para trás, chama a atenção a figura de sua companheira, em primeiro plano. Também algemada e parcialmente escondida por trás de chamativo óculos de grife, surge a figura rotunda de Mônica, expondo a cabeça exageradamente erguida, na qual esboça o que parece ser um sorriso misterioso, misto de nervosismo e deboche. Entre o sorriso alvar, mascar chicletes enquanto é presa faz pensar que não há o menor problema nisso.

Ao contrário de fotos já mostradas até agora, em que os detidos famosos apresentam certo ar de desconforto e, por isso mesmo, procuram abaixar a cabeça e esconder o rosto, o ar de desafio da mais nova detenta chamou a atenção do público, gerando milhares de comentários na internet.

Para muitos internautas, trata-se de arrogância pura de quem se sente acima dos demais e, por isso mesmo, imune aos rigores da Justiça comum. Para um pequeno grupo de pessoas ligadas ao que acontece nos bastidores do governo, por trás do sorriso enigmático de Mônica percebe-se recado cifrado aos figurões da República nos moldes: tratem logo de me tirar daqui, caso contrário, digo o que sei, vi e ouvi.

A figura dos marqueteiros ganhou destaque singular nos governos e escândalos petistas, não só pela importância e fascínio que os meios de comunicação exercem sobre os políticos vaidosos, mas, sobretudo, por um fato prosaico e comum aos mortais: o mundo multimilionário que as campanhas políticas no Brasil inauguraran com a retomada da democracia, tem exalado, por demais, o cheiro afrodisíaco do dinheiro. É ele que atrai e junta essa gente toda. Antes, nos palácios e, agora, na prisão.

 

A frase que foi pronunciada

“Tanto o entorno de Lula quanto o do Planalto mostraram-se alvoroçados. Dilma Rousseff, ecoando a recente carta aberta dos advogados, viu ares de Idade Média nas investigações. São reações a um mesmo sentimento: o de que a Justiça e as instituições estão marchando fortes para punir quem transformou o Brasil num cofre a ser arrombado.”

Carta de formulação e mobilização política, do Instituto Teotônio Vilela

 

Release

O violonista Fabiano Borges escolheu o Ecai para lançar seu CD Latinoamérica, neste domingo (28/2), em dois shows: às 16h e às 18h. Fabiano é mestre em violão pela Universidade de Brasília. O espetáculo conta ainda com Ted Falcon (violino), Fernando Machado (clarineta e clarone), Pablo Fagundes (gaita) e Luiz Duarte (segundo violão). O Ecai fica na CLN 116, Bloco A.

 

OAB & Ajufe

Interpretação em questão. De um lado a OAB, contrária ao entendimento do STF. A Ordem defende que não é prudente a execução provisória da pena, já que erros acontecem, como em decisão que venha a ser reformada. Os danos seriam irreparáveis aos encarcerados injustamente. Já a Associação dos Juízes Federais do Brasil entende que a decisão do Supremo é um marco na evolução do processo penal brasileiro. É a forma de acabar de vez com os recursos protelatórios que favorecem a impunidade.

 

Sensacional

Airbnb é forma de hospedagem muito barata. É preciso buscar o site na internet e fazer a reserva em casas de famílias que recebem os turistas. Você pode, inclusive, hospedar também e ganhar uns bons trocados.

Vale conhecer.

 

Caixinha

Johnson Ceras, Reckitt Benckiser, Osler, Johnson& Johnson e Weleda são as empresas que tiveram a venda de repelentes incrementada pelo pernilongo Aedes.

 

Achado

O herbicida glifosato estava presente em várias marcas de cerveja alemã.

 

Perdido

Se o fato ocorreu na Alemanha, onde a segurança alimentar é rigorosa, imaginem se os laboratórios brasileiros se arvorarem na mesma pesquisa. Aqui no Brasil, o consumidor de produtos naturais fica entre o coliforme fecal e os agrotóxicos.

 

História de Brasília

O avião, liberado de madrugada, só saiu às 7h, sem passageiros, levando a bordo apenas um capitão da Força Aérea, com destino ao Rio. Os prejuízos da Varig vão a vários milhões de cruzeiros. (Publicado em 1º/9/1961)

Fantasias partidárias

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Com a promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 182/2007, no último dia 18, a chamada janela partidária foi escancarada de les a les por 30 dias, permitindo que os candidatos às eleições deste ano e que exercem mandato no Legislativo mudem de legenda sem o risco de cassação. O que, a princípio, serviria como bálsamo para a falta de personalidade e identidade dos partidos, depuração daqueles filiados poucos ajustados dentro das legendas, na verdade, esconde modelo que se molda, com muita precisão, ao perfil dos próprios políticos brasileiros, na sua grande maioria, distanciados anos-luz das bases eleitorais.

Na realidade, o que faz dos partidos siglas insípidas e amorfas é justamente o fato de dar acolhimento a indivíduos que não conseguem olhar além do próprio umbigo. Fechadas as urnas, o caminho natural da maioria das legendas é o da composição com o novo governo empossado. É na coalizão com a maioria vencedora que está a boa vida das agremiações partidárias.

Mesmo as generosas verbas públicas que ajudam a sustentar os partidos não são capazes de garantir a independência de cada um. Somente a partir apoio dado aos detentores da chave dos cofres é que os partidos pavimentam o caminho para aquilo que mais almejam além do poder: dinheiro. Muito dinheiro.

No troca-troca das legendas, que deve durar até 19 março, entre 10% e 15% dos políticos com assento no Congresso deverão migrar para outros partidos, num processo de acomodação que nada tem de ideológico ou programático. Aliás é sabido que grande parte dos políticos filiada às legendas sequer conhece o estatuto do partido a que pertence.

No geral, essa situação decorre principalmente do adiamento sine die de verdadeira reforma política que, entre outras medidas, deveria pôr fim ao grande número de legendas. O ideal, para aqueles eleitores mais bem informados, é que houvesse, no máximo quatro partidos, sendo um a direita, um a esquerda e dois de centro, contrabalançando os demais.

É preciso atentar que no atual modelo político reside grande parte das causas que levaram o país à maior crise da sua história. No atual modelo partidário, está não só a raiz da crise atual, como o adubo dessa e de outras futuras que virão. Diante do caos a que assistimos, melhor do que escancarar as janelas partidárias, seria abrir as comportas e deixar sangrar, até a última gota, o modelo que já não serve ao cidadão e ao eleitor há muito tempo.

 

A frase que não foi pronunciada

“Chegamos à bolacha com água. Do jeito que vai, em pouco tempo, a companhia aérea Gol vai distribuir só goma de mascar.”

Alguém da turma da terceira idade em excursão

 

Acompanhamento

O senador Ricardo Ferraço vai entregar relatório, em abril, com o resultado do estudo de um grupo de senadores que investigará a situação das barragens no Brasil. A Comissão Temporária da Política Nacional de Segurança de Barragens quer saber se a Samarco respeitava a lei na gestão da Barragem do Fundão.

 

Publicado

Dezessete milhões de pessoas não têm acesso à coleta regular de lixo no Brasil. A maior parte da população sem atendimento está no meio rural. Apenas 23% das cidades brasileiras contam com serviço de reciclagem.

 

Faleceu

Dewey M. Mulholland. Por onde passou em 40 anos de Brasil deixou um rastro de perfume. Fundou a Faculdade Teológica Batista de Brasília onde era diretor e professor.

 

Release

Depois de Porto Alegre sediar o evento, essa é a primeira edição regional do Centro-Oeste: uma bela oportunidade para os Coffee Lovers e os Coffee Geeks aproveitarem a experiência: estandes, palestras e harmonizações fazem parte da programação. O jovem empresário Luiz Gustavo Manso marca presença, com a sua Belini Café – The Coffee Experience, no Jamboree Brasil Café/Centro-Oeste, que acontece em 19 de março, em Brasília.

 

Zika Zero

Escolas particulares do DF resolveram arregaçar as mangas para o ataque ao mosquito Aedes aegypti na área do colégio. As parcerias começaram.

 

História de Brasília

Em vista do que tem ocorrido ultimamente, a Varig resolveu suspender a escala, em Brasília, do seu voo internacional. Assim, o Boeing, que deverá estar aqui domingo, voará diretamente de Nova York para o Rio (Publicado em 1º/9/1961)

Supremo veda brechas da impunidade

Publicado em Íntegra

Em decisão considerada por muitos como revolucionária, o Supremo Tribunal Federal vedou uma das principais brechas que favoreciam a impunidade, ao decidir que réus condenados em segunda instância devem começar a cumprir imediatamente a pena em regime fechado, enquanto aguardam recursos em tribunais superiores. O novo entendimento do STF teve repercussão imediata no mundo jurídico, provocando sérias rachaduras nesse edifício.

As opiniões estão divididas e o assunto ainda deve render muito debate. Para os advogados de defesa, muitos deles especializados em recursos em instâncias superiores, o STF tomou essa decisão com base na forte pressão que vem sendo feita pela opinião pública, principalmente a partir dos escândalos de corrupção envolvendo políticos e membros do atual governo. Na extremidade oposta, estão aqueles que acreditam que com a nova redação do texto, o sentimento geral de impunidade, decorrente da morosidade da Justiça, cessará quase completamente.

Na avaliação daqueles que apoiam a medida, o novo entendimento fecha não só uma janela para a impunidade, mas sobretudo acaba com a indústria de ações recursais e, por tabela, prejudica o mercado milionário da maioria dos escritórios de advocacia, especializados nesses processos ao STF.

Vale lembrar que o ex-ministro Joaquim Barbosa, nas muitas frentes de desavenças por questões éticas que protagonizou com seus pares, criticava, com toda a razão, o trânsito livre e mesmo o lobby acintoso que muitos advogados de defesa faziam dentro do próprio STF em favor de suas ações recursais.

Essa proximidade de certos advogados com os magistrados da Alta Corte causava, inclusive, mal-estar entre os próprios juízes, que, de modo sarcástico, diziam ser mais precioso e eficaz ao bom advogado conhecer antes os magistrados do que a própria lei.

A opinião pública, por muitos e apontada como fator decisivo na mudança da lei, de forma geral, aprovou a medida, assim como os procuradores e juízes envolvidos na apuração dos escândalos do petrolão. Para muitos, os processos que seguem o caminho do Supremo têm interessados de alta renda e que, portanto, podem bancar os altos custos de suas defesas. Outros ainda argumentam que muitas ações, há anos se arrastando nas cortes maiores, ganharão maior celeridade.

 

A frase que foi pronunciada

“Como é que um homem pode se tornar senhor de outro homem e por que espécie de incompreensível magia pôde esse homem se tornar senhor de muitos outros homens?”

Voltaire

 

Regra básica

Governadores começam as renegociações da dívida dos estados. Ideal nesse momento seria que os governadores comprovassem até o último centavo o que foi feito com o dinheiro recebido. Se as contas baterem, aí sim. Uma possível conversa sobre renegociação de dívida. É assim que funciona com quem paga os impostos. Gente para monitorar não falta nos quadros do Executivo.

 

Uma pena

Nelson Barbosa, ministro da Fazenda, bate na tecla da CPMF. “Não trabalhamos com a não aprovação da CPMF”, disse ele. O grande problema é o exemplo que o governo vem dando em todos esses anos. O cidadão nunca viu o retorno desse empenho. Nem na era FHC.

 

Aconteceu

Enquanto as notícias dão conta de sonegações de impostos, Carlos Higino Alencar, da CGU, está na mira do deputado federal Raul Jungmann. Partiu dele o pedido ao ministro Bruno Dantas, do TCU, para enquadrá-lo por sonegação de informação.

 

História de Brasília

Os passageiros que se destinavam ao Rio no voo de volta, permaneceram duas horas dentro do avião, que não podia levantar voo. Foram, então, embarcados noutra aeronave.(Publicado em 1º/9/1961)

Economizar onde é preciso

Publicado em Íntegra

Em tempos de crise, o governo federal deveria deixar de lado as fórmulas matemáticas com cálculos sofisticados e herméticos e seguir os mesmos métodos simples usados pela maioria das donas de casa brasileiras diante do encurtamento dos rendimentos e do aumento generalizado de preços. A começar pelo corte de despesas não emergenciais e, em alguns casos, supérfluas.

Alguns brasileiros mais radicais chegam a sugerir a substituição do ministro da Fazenda por um chefe de família típica, acostumado aos rigores do dia a dia. Notícias recentes dão conta de que, apenas com a extinção dos chamados supersalários, o governo poderia economizar algo como R$ 10 bilhões ao ano, ou seja, valor equivalente ao que o Executivo pretende arrecadar com o retorno da cobrança da CPMF.

Pelo Projeto de Lei nº 3.123/2015, o governo federal vem tentando, dentro das medidas anunciadas de ajuste fiscal, regulamentar o que diz a Constituição. A intenção é pôr fim aos altos salários, principalmente no Legislativo e no Judiciário, onde eles ocorrem com mais frequência. Essas tentativas esbarram sempre no corporativismo desses poderes e dificilmente vão adiante.

Num país de dimensões continentais e com máquina pública gigantesca e perdulária, falar em cortes de salários e de outros benefícios e mordomias não prospera. Por trás dos supersalários, estão embutidos vantagens adquiridas e penduricalhos de toda ordem, que, por força de lei, não são atingidos pela legislação e, por não serem considerados como remuneração permanente, são isentos de descontos de imposto de renda e de contribuição previdenciária.

Ironicamente, os maiores salários estão concentrados nos Poderes da República onde, justamente, deveriam sofrer ação de cancelamento imediato, como exemplo. E é no Legislativo e, principalmente, no Judiciário onde eles mais aparecem. Nesses poderes, há inúmeros casos de salários que vão de R$ 40 mil a mais de R$ 100 mil mensais, numa afronta ao que diz a própria lei, que estabelece como teto o salário de ministro do STF de pouco mais de R$ 30 mil. Se o fator altos salários,  por um lado, dificulta o ajuste das contas públicas, de outro acelera ainda mais o processo de falência do sistema previdenciário, já em estado critico.

Apenas no serviço público federal, mais de 4 mil funcionários recebem salários acima do teto constitucional. Incrível é que nesses tempos de vacas magras para o cidadão e contribuinte, há parlamentares que chegam ao ponto de apresentar projetos de lei legalizando os supersalários, como forma de tirar do foco da opinião pública mais esse descalabro. Consciente das próprias debilidades políticas para negociar acordos pondo fim os privilégios remuneratórios, o Executivo busca a saída mais difícil e, portando, menos racional, de aumento de impostos em cima de uma sociedade e de uma economia absolutamente exauridas.

A frase que não foi pronunciada

“O lar é a sociedade em miniatura.”

Minha vó pensando no tempo em que existiam lares.


Agenda

» Haruo Mikami, Kazuo Okubo, Marcelo Feijó, Márcio Borsoi, Vitor Schietti e Zuleika de Souza exibem hoje às 17h, na Referência Galeria de Arte, a próxima edição do projeto Conversa, que fica aberto ao público até 12 de março.

Novidade
» Dokter é uma espécie de Uber médico. Chega de passar mais de uma hora esperando atendimento nos consultórios. A espera é em casa. Ao acessar o aplicativo, o atendimento médico é domiciliar, por preço mais justo do que o cobrado atualmente e com a mesma qualidade de consulta. No mínimo, é um estímulo para frear os aumentos abusivos.

Lembrete

» Esqueceram-se de contar, na matéria da Paróquia da Ressurreição, em Ceilândia, que o padre estranho que puxa o cabelo da meninada e tem um jeito estúpido de expressar carinho é muito querido dos pais e das crianças. Quando o Estado falha, é ele quem recebe as crianças em situação de vulnerabilidade.

Sem condições
» Reportagem na tevê mostrou pais que deixaram crianças presas em casa enquanto iam para a galdéria. Há pais que trabalham sol a sol que também, durante as férias, deixam filhos e filhas trancados em casa por absoluta falta de opção. Os conselhos tutelares ficariam horrorizados se houvesse estatística sobre o assunto.

Sabor

» Brasília Show Gastronomia. O maior prêmio gastronômico do Rio de Janeiro ganha versão brasiliense. Comandado pelo empresário Felipe Rodrigues, os participantes são reconhecidos internacionalmente: Universal Diner, Rubaiyat, El Negro, El Paso Texas, Ancho Bistrô de Fogo, BSB Grill, Dolce Far Niente, Manati, L’Affair, Jambu, entre outros. Para quem quiser concorrer em uma das mais de 30 categorias, as inscrições estão abertas até 15 de março. A avaliação será feita por chefs e críticos que se destacam no cenário nacional, assegurando a idoneidade do projeto.

História de Brasília

O segundo capítulo da “Operação Caravelle” foi muito mais movimentado, e é difícil se encontrar explicação, mesmo em estado de exceção. Os comandantes do aparelho foram presos na Base Aérea, lá permanecendo até 1h, quando foram transportados para o Palace Hotel, ficando sob guarda, controlados pelo telefone. (Publicado em 1º/9/1961)