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Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 11 de janeiro de 2026, por Luana Patriolino com Eduarda Esposito
A ala mais radical da esquerda está incomodada com o posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante da crise da Venezuela. O chefe do Executivo brasileiro adotou uma postura mais comedida sobre a invasão dos Estados Unidos e a prisão do ditador Nicolás Maduro — sendo aconselhado por seus assessores a “falar menos” nas declarações públicas. O corpo diplomático destacou que não quer perder o avanço que fez na relação com Donald Trump sobre a revogação do tarifaço. Mas, para os mais exaltados, o Brasil está perdendo a oportunidade de se colocar à frente do debate mundial.

Tempo limitado/ Para o embaixador aposentado Jorio Dauster, a lua de mel entre Lula e Trump pode estar com os dias contados diante do comportamento intempestivo do norte-americano e de seus planos ambiciosos. “Ele está disposto a instalar em todos os países da região regimes subordinados a ele, aos interesses políticos e econômicos dos EUA e aos conceitos de extrema direita. Não se iludam os que creem que Lula conseguiu ‘encantar’ Trump. Nas eleições presidenciais deste ano, todo o poder da Casa Branca será posto a serviço de seus adversários”, disse à coluna.
Escolha um lado
Enquanto o Brasil se mantém longe de polêmicas, outras nações estão escolhendo seus lados. A Rússia enviou um submarino e outras embarcações para escoltar um petroleiro que tentou burlar o bloqueio dos Estados Unidos à Venezuela. Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro não poupou críticas a Trump — que retribuiu — e acusou, sem provas, o colombiano de ser um líder do narcotráfico.
Futuro incerto
Para outros especialistas, caso Trump resolva atacar a Colômbia, a América Latina passaria por grandes mudanças quanto a parcerias internacionais. “Esse cenário ressuscitaria com força o sentimento ‘anti-Yankee’, empurrando os países que defendem a soberania para parcerias estratégicas ainda mais estreitas com potências como China e Rússia, visando criar um contrapeso ao poderio americano”, afirma conselheiro da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig), Márcio Coimbra.
Alertas
O liquidante do Banco Master, EFB Regimes Especiais de Empresas, detectou que, no endereço 834, Brickell Plaza — um dos mais chiques do Financial District, em Miami — apesar de alugado a preço de ouro, nunca foi ocupado pela instituição de Daniel Vorcaro (preso desde novembro) ou por outras empresas dele. O caso acendeu um alerta nos investigadores dos Estados Unidos. A Justiça norte-americana reconheceu a liquidação extrajudicial do Master decretada no Brasil, em uma decisão que reforça a posição do Banco Central e representa um revés para o controlador investigado.
Nada está bom
Mesmo com o selamento do acordo entre Mercosul e Europa, após 25 anos, a oposição criticou a condução do governo do presidente Lula nas negociações entre os blocos econômicos. Para eles, o petista foi incapaz de conduzir uma negociação “firme, técnica e alinhada aos interesses nacionais”, desperdiçando uma oportunidade estratégica para a ampliação do Brasil no comércio internacional.

Novo nome
O influenciador Ivan Baron (foto)é um dos cotados a assumir a Secretaria Nacional dos Direitos Pessoas com Deficiência. Ele tem paralisia cerebral decorrente de meningite viral e tornou-se conhecido por sua atuação nas mídias sociais em defesa e divulgação de políticas de inclusão para pessoas com deficiência. É formado em pedagogia e subiu a rampa do Planalto na posse de Lula, em 2023.
Debate necessário
O analista político e advogado Melillo Dinis participou, ontem, do evento Crisis en Venezuela: Una agenda para la Transición Pacífica para debater sobre a crise na nação vizinho, anistia para condenados por crimes políticos, soluções e possíveis novas eleições no país. “Sob o manto do grupo de Lideranças Democráticas da América Latina, discutimos quais seriam os próximos passos para uma transição pacífica e democrática na Venezuela, apesar da violação do direito internacional e do ataque dos EUA”, ressaltou.
Rumos
O Bocayuva & Advogados passou a integrar a Brazilian Chamber of Commerce. A participação reforça o posicionamento institucional do escritório no eixo Brasil-Estados Unidos, além de ampliar o acompanhamento de agendas regulatórias, políticas de taxação e dinâmicas do mercado global.
Os líderes do governo no Congresso já foram orientados a insistir na CPI da Petrobras e com foco nos salários pagos pela companhia. A ideia é pôr uma lupa sobre os vencimentos atrelados aos lucros estratosféricos que a empresa tem registrado nos últimos tempos. No entorno do presidente Jair Bolsonaro (PL), tem muita gente convencida de que os gestores desse setor levam muito dinheiro e aproveitam a onda positiva para “fazer um pé de meia”.
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Vale acompanhar: segundo relatos, Bolsonaro também gostou da ideia de que os preços dos combustíveis passem a ser discutidos na Agência Nacional do Petróleo (ANP), da mesma forma que hoje o da energia elétrica precisa passar pela Aneel. Porém, é preciso combinar com a equipe econômica, que não se entusiasma ao ver o Estado gerir os negócios.
Alerta vermelho I
O pessoal do Planalto começa a semana de olho em dois movimentos externos. O primeiro, a eleição do novo presidente da Colômbia, Gustavo Petro, político de esquerda a ocupar o posto, com Francia Márquez no papel de vice, a estreia de uma mulher negra neste cargo. E esse é o ponto que menos preocupa.
Alerta vermelho II
O que tira o sono é que o Brasil importe as manifestações de Bruxelas. Ontem, mais de 70 mil pessoas foram às ruas da capital belga protestar contra o aumento do custo de vida. E, de quebra, cobrar do governo daquele país medidas que ajudem a conter a inflação e a escalada dos preços.
Se a moda pega…
No governo e fora dele, há muita gente com receio de que se repita por aqui o que ocorreu em 2013, quando Dilma Rousseff era presidente e as passagens de ônibus em São Paulo serviram de estopim para manifestações. Ela se reelegeu por muito pouco e não conseguiu administrar o país e o Congresso divididos.
… sobra para o governo
Lá, as autoridades avaliam que os trabalhadores têm mais vantagens do que em outros países — por exemplo, salários corrigidos pela inflação. Por aqui, isso acabou há tempos.
Até aqui, só remendo/ A área política ligada ao governo e à oposição considera que, para as eleições parlamentares, já está garantido o discurso de que a Câmara e o Senado fizeram tudo para conter o aumento de preços dos combustíveis. Porém, os políticos acreditam que o mesmo não se pode dizer a respeito de Bolsonaro. A avaliação é de que o governo muda a política de preços da empresa ou pagará na eleição.
Indígenas em movimento/ Que São João, que nada. A semana será de muitos indígenas em Brasília, a fim de cobrar a investigação aprofundada sobre as mortes do indigenista Bruno Araújo Pereira e do jornalista Dom Phillips. Além disso, eles querem mostrar a preocupação com a invasão de terras e falta de segurança.
Contagem regressiva/ Faltando um mês para a largada das convenções partidárias para definição de candidatos, muita gente vai esperar até lá para escolher um caminho.
Por falar em convenções…/ O deputado Osmar Terra (MDB-RS) vai dar trabalho se o MDB insistir em apoiar Eduardo Leite (PSDB) ao governo estadual. Ele irá até o fim em defesa da candidatura própria.



