Terra de Murici

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O deputado Carlos Marun, o bravo defensor de Eduardo Cunha, comentava há pouco não entender o placar de 450 votos pela cassação do mandato do ex-presidente da Casa. O próprio Eduardo atribuiu a uma manobra do “sogro do presidente da Casa”. Leia-se Moreira Franco, ministro de Michel Temer e sogro de Rodrigo Maia. Moreira Franco não tem esse poder de mover tantos votos para cassar um mandato. O que permitiu o placar elástico foi a própria sobrevivência da Câmara, que não quer ver manifestantes na porta chamando os seus integrantes de corruptos.
Deputados invariavelmente se movem de acordo com os desejos do eleitor ou daqueles a quem atribuem a própria eleição, seja um sindicato, uma empresa. Em ano eleitoral, especialmente, esse link com o eleitor se torna mais robusto. Ok, dizem alguns, mas Eduardo Cunha tinha amigos na Casa. Em política, o termo amizade não tem o mesmo significado daquele sentimento que une crianças ou adolescentes nos bancos escolares. Não são relacionamentos construídos com base na essência de um cidadão e sim por interesses. Obviamente, há exceções, parlamentares que realmente se tornam amigos do tipo “pau para toda obra”, mas não é a regra geral.
Eduardo Cunha tinha apenas aliados circunstanciais, que agora seguem seu próprio caminho. E, diante da continuidade da Lava Jato, é certo que outros virão. Afinal, se o todo-poderoso Eduardo Cunha terminou seus dias com a cassação, qualquer outro que tenta problemas semelhantes estará sujeitando mesmo fim. Ele não foi o primeiro e nem será o último. Ali, na Câmara, vale a terra de Murici, cada um por si.

Rodrigo Maia irredutível

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O deputado Sílvio Costa foi há pouco ao gabinete do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, pedir que ele considerasse a hipótese de colocar o processo de cassação de Eduardo Cunha em votação com um quorum de 320 deputados em plenário. Maia não topou. “Teremos o quorum de 400”, apostou ele. O blog presenciou a conversa. O presidente está confiante na presença maciça de deputados na Casa e não pretende arredar o pé. E ele não deixa de ter razão: Se abre a votação com 320 e há qualquer risco, o PT e o próprio Silvio Costa irão acusá-lo de tentar proteger Cunha. E a posição de Rodrigo, no papel de presidente, é proteger a Câmara. Aliás, a aposta de todos, até dos aliados de Cunha, é pela cassação.

A renúncia do deputado afastado, se vier, também não será suficiente para levar Rodrigo Maia a suspender a sessão de hoje. “A única forma de suspender é não dar quorum para abrir a sessão. E esse quorum já tem. Há meia hora, 308 deputados já haviam ingressado na Casa. para 400, faltavam 92. É muita gente. Porém, a aposta é de que vai dar.

Festival de protestos

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O Festival de Cinema de Brasília, considerado um dos maiores do país, promete se transformar numa repetição do que se viu em Cannes, onde o cineasta Kleber Mendonça Filho, ao lado da atriz Sônia Braga, capitaneou uma manifestação contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Por aqui, a festa do cinema brasileiro começa em 20 de setembro e a ideia em discussão entre diretores e produtores que participam da amostra é, antes da exibição de cada filme, colocar na tela uma cartela com “Fora Temer” e palavras de ordem em defesa da democracia no Brasil. Alguns produtores recusaram a empreitada.

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Vem confusão aí. Embora o direito de manifestação esteja garantido pela Constituição, o festival conta com uma ajuda expressiva do governo federal, inclusive do BNDES, o que pode levar o Tribunal de Contas da União (TCU) a considerar o protesto como “desvio de finalidade”.

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O TCU e os patrocinadores oficiais são considerados o que resta para o governo tentar buscar alguma reação a esses protestos. A Ancine, que poderia atuar, é um colegiado simpático ao PT e torce pelos movimentos contra a gestão Temer. Ali, troca de diretores só em maio de 2017, conforme bem constatou a nota publicada por esta coluna em 22 de maio, sob o título “aparelhos ligados”.

Oi & porteira I
Juarez Quadros assume a Anatel com as bênçãos do presidente do Senado, Renan Calheiros, e do ex-presidente José Sarney. Tem como missão resolver o problema da Oi e a preservação dos empregos da operadora. Até aí, normal, não fosse a pressão para um perdão de quase R$ 13 bilhões, além de uma ajudinha na casa dos R$ 5 bilhões por parte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Oi & porteira II
Se o governo salvar a Oi, não terá como negar ajuda a quem mais chegar. Afinal, as dificuldades batem à porta de várias empresas e dos mais variados setores que também geram empregos e são responsáveis pelo sustento de milhares de famílias.

Depois de Dilma…
Em várias capitais, o eleitor parece meio cabreiro em votar naquele nome indicado pelo líder político de plantão. E, mesmo quando o líder é bem avaliado, caso de Eduardo Paes no Rio de Janeiro, o apadrinhado tem que ter algo de bom e relevante para apresentar. São a esses dois fatores que os peemedebistas atribuem o fraco desempenho de Pedro Paulo na última pesquisa Datafolha para prefeito do Rio.

Total clean/ As mulheres dos políticos notaram. A bela primeira-dama, Marcela Temer, compareceu ao sesfile de 7 de setembro sem aquele emaranhado de joias e penduricalhos. A única joia era a aliança de casamento. Foi vista como um exemplo para os tempos de carestia.

Por falar em carestia…/ Muitos do ramo de restaurantes, artes e joias apresentam dificuldades. Qualquer comparação, entretanto, com ramos de lavagem de dinheiro é mera coincidência.

Embaixadores/ Renan Calheiros e Eunício Oliveira conversaram recentemente com o presidente do PSDB, Aécio Neves, em nome do partido. A ordem é acalmar os tucanos e selar a paz. Não é hora de confrontos.

Enquanto isso, em São Paulo…/ O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (foto) não se conforma com o seu processo permanecer nas mãos do juiz Sérgio Moro. “Eles querem o meu couro. Mas o meu couro é grosso”, comentou ele, em recente
conversa com um amigo.


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Temer espremido entre o PT e o PSDB

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As expressivas manifestações de hoje indicam que o presidente Michel Temer não terá vida fácil. Nas ruas, o PT mostrou que ainda tem poder de mobilização. No Parlamento, o recado da entrevista do presidente Aécio Neves foi cristalino: “Ele precisa fazer uma DR com o PMDB”, disse em entrevista ao Globo. A entrevista e as manifestações mostraram que há insatisfações com esse governo nas duas pontas que disputaram o segundo turno da eleição presidencial de 2014. E Temer não se pode dar ao luxo de ficar espremido entre essas duas forças, atirado aos braços do fisiologismo, marca daquele miolo de partidos que navega ao sabor do governo de plantão __ leia-se PTB, PR, PP e outros menores. Ele precisa dos tucanos.

Obviamente, Aécio não partirá direto para a ruptura. Ainda é cedo para isso. Mas, se nada for feito com a ala do PMDB que largou o PT na última hora e agora quer mandar no governo Temer, a tendência do PSDB será o afastamento. E, nesse ritmo, não sobrará parceiro para as reformas que o país precisa. Temer sabe que não contará com os partidos mais alinhados ao PT para promovê-las. O PT foi para a oposição e de lá só sai quando um dos seus virar governo. A partir de agora, torcerá para que dê tudo errado no governo de Michel Temer, de forma a abrir o caminho para o retorno em 2018.

Temer também sabe que, sem um respiro na economia, as manifestações hoje a cargo do PT, ganharão maior volume na sociedade. E, sem as reformas, esse respiro econômico será menor. E, sem o PSDB, as chances de ter reformas são remotas. Logo, ele hoje não se pode se dar ao luxo de deixar que o aliado escorra pelos dedos. A ordem é agregar e a relação ficou ruim, depois que Renan arquitetou a manutenção dos direitos políticos de Dilma sem avisar o PSDB ou o DEM. Caberá a Temer, focado na economia, recompor esse diálogo, deixando os direitos de Dilma nas mãos do STF.

Veremos o que vem essa semana, quando o presidente terá suas primeiras conversas políticas depois da viagem à China. É importante notar também como se comportará o presidente do Senado, Renan Calheiros, que terminou servindo de pivô do primeiro mal-estar entre o governo e o PSDB. Essa semana dará o tom,.apesar de curta (começa apenas na quarta-feira, com a volta de Temer à cena nacional). Vamos observar.

A dica de Lewan

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O andar da carruagem dos aliados da presidente Dilma Rousseff até aqui indica que eles pretendem recorrer ao Supremo Tribunal Federal. O tema está sendo discutido nesse momento. A tendência ganha corpo com fala de Ricardo Lewandowski há pouco, quando ele deixou claro que não está ali como juiz constitucional e que seguia o regimento de forma a tentar evitar um mandado de segurança que possa atrasar o julgamento. Para os petistas, me disseram alguns deles há pouco, ficou a dica.

A primeira grande disputa interna

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Com a aprovação do impeachment hoje, o presidente em exercício, Michel Temer, ajustará o foco para baixar a poeira da luta interna em sua base aliada. E a batalha da largada que se desenha no horizonte é pela Presidência da Câmara. O cargo é almejado por tucanos, sonhado pelos integrantes do Democratas e, de quebra, desejado pelo antigo “centrão”, que planeja comandar a Casa, para compensar a derrota de Rogério Rosso para Rodrigo Maia (DEM-RJ).

De todos esses, quem vai jogar com todas as armas de que dispõe é o PSDB. Assim, o partido ficará com o controle da pauta do Congresso, com a vice-presidência da República e terá assento no núcleo duro do governo, onde hoje os tucanos estão à margem. Nessa linha, dizem alguns, Temer terá que decidir: é pegar ou largar. Nunca é demais lembrar que foi a briga pela Presidência da Câmara o estopim da frágil aliança do governo Dilma Rousseff no início de 2015, abrindo caminho à votação de hoje. A missão do governo é não deixar a história se repetir.

Lá e cá
O discurso do senador Aécio Neves em defesa da advogada Janaína Pascoal, ontem pela manhã, assustou os peemedebistas. Foi tão voltado à preservação da instituição Senado que alguns interpretaram como palavras de um pré-candidato a presidente da Casa. Nada disso. O jogo do tucano é apoiar o candidato do PMDB no Senado (Eunício Oliveira) e buscar a reciprocidade para que o PSDB presida a Câmara.

Jogo jogado
Os próprios aliados da presidente Dilma Rousseff comentavam reservadamente, ontem, no fim da tarde, que estavam esgotadas as chances de reverter votos. Eles tentaram ainda levar o senador Davi Alcolumbre, do DEM do Amapá, a votar contra o impedimento da presidente Dilma Rousseff. Mas a ida de Abelardo Lupion para a Itaipu Binacional cortou as esperanças dos petistas.

A disputa de hoje
A ideia dos petistas é apresentar um destaque para votar separadamente a perda dos direitos políticos da presidente Dilma Rousseff por oito anos. Há quem aposte que é aí que o bicho vai pegar.

Os protetores de Cunha
Líderes de nove partidos, mesmo cobrados pelo PSol e Rede no plenário da Câmara, se recusaram a assumir o compromisso público de colocar suas bancadas na Casa em 12 de setembro para votar o processo de cassação do ex-presidente Eduardo Cunha. São eles: PMDB, PP, PTB, PR, PSD, SD, PV, PHS e Pros.

Os algozes de Cunha
A ideia dos líderes do Psol, da Rede, do PT, do PDT, do PCdoB e do PSB, que se mobilizam para votar logo a cassação de Cunha, é levar o tema às campanhas de candidatos desses partidos a vereador e prefeito pelo país afora, a fim de constrangê-los e forçar os deputados a dar quórum e votar o processo contra Cunha.

CURTIDAS

Santinho!/ A presidente Dilma Rousseff registrou algumas ausências entre seus apoiadores. Citou textualmente Cid Gomes (foto), nomeado ministro da Educação em seu governo contra tudo e contra todos, inclusive o PT.

Santinhos!/ Também ficou na memória a falta dos governadores do partido: Rui Costa, da Bahia; Wellington Dias, do Piauí; Camilo Santana, do Ceará; e Tião Vianna, do Acre.

Não tem preço/ O choro de José Eduardo Cardozo deixou a presidente Dilma emocionada ontem. Se tem alguém de quem ela não se esquecerá e defenderá sempre que puder é o seu ex-ministro. O mesmo vale para a senadora Kátia Abreu.

De professor para professor/ Cristovam Buarque (PPS-DF) registrou ontem que Dilma repetiu Fidel Castro, que, ao deixar o poder, proclamou que a história o absolveria. Na verdade, lembra o deputado Chico Alencar, do Psol, a frase de Fidel foi dita bem antes de o comandante chegar ao poder, quando foi preso ao liderar o ataque ao quartel de Moncada e condenado a 15 anos de cadeia. “O jovem advogado fez sua própria defesa, memorável, em 1953, na ditadura de Fulgêncio Batista.”

Rádio Câmara em expansão/ Não será por falta de canal que o contribuinte vai deixar de acompanhar o trabalho dos deputados. O deputado José Priante (PMDB-PA), novo secretário de Comunicação da Casa, acaba de emplacar a compra de transmissores a fim de expandir a rede legislativa de rádio e tevê para São Luís, Salvador e… Belém. Sabe como é… Em política, quem faz milagre é o santo de casa.

Dilma vai bem, mas não vira votos

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Nove em cada dez senadores ouvidos pelo blog consideraram que Dilma cumpriu o seu papel nas 14 horas de exposição no Senado. Porém, diante de um colegiado que já está “com a cabeça feita”, o saldo do dia foi o gesto de comparecer ao Parlamento, numa demonstração de apreço ao Legislativo, algo que Dilma raramente demonstrou enquanto comandava o país. Quanto aos votos, que era o que Dilma mais queria, o Senado ficará devendo. O governo Temer calcula ter fechados 59 votos pró-impeachment, podendo chegar a 61. Já o governo Dilma,que obteve 21 na pronúncia do processo, terá, na melhor das hipóteses, 22 votos.

As primeiras horas da presença de Dilma no Parlamento foram consideradas um gol de placa pelo PT. Ela acertou no tom, abordou todos os temas, foi incisiva sem ser arrogante ou agressiva. Ao longo dia, entretanto, Dilma foi ficando cada vez mais Dilma. Como se ainda estivesse com a faca e o queijo do poder nas mãos, o que fazcom que muitos permaneçam refratários.
Os ex-ministros do governo e o presidente do PT,Rui Falcão, ficaram até o último minuto. Lula saiu antes. Iria participar de um ato pró-Dilma. O ex-presidente acompanha, conversa com senadores, ficará ao lado dela, mas também nõ acredita muito em milagres.
Depois de acompanhar a exposição de Dilma ao longo do dia, a cúpula petista praticamente considerou cumprida a sua missão com Dilma. No geral, os petistas querem agora virar essa página e partir para a oposicão. Com a economia em frangalhos, dizem alguns, o melhor mesmo é ficar agora na posição de ataque ao governo em exercício e trabalhar para voltar em 18.

Renan e a nova polêmica do PT

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Experiente em antecipar movimentos politicos, o senador Renan Calheiros comentava há pouco na sala de café do Senado que um dos momentos de maior polêmica pós a visita de Dilma nesta segunda-feira deve ser a definição de votação em dois tempos, um para o afastamento, outro para a perda dos direitos políticos por oito anos. É que, no período de análise do impeachment de Fernando Collor, os senadores fizeram duas votações porque ele renunciou horas antes da votação. Agora, ainda que Dilma não renuncie, o PT quer repetir a dose para abrir a possibilidade de Dilma concorrer a um mandato eletivo em 2018, se essa for a sua vontade.