Categoria: Política
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Desde o início do caso Master, o ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro, tenta dinamitar o Banco Central (BC), com afirmações a respeito de uma liquidação precipitada. Agora, esse caminho está praticamente fechado. A investigação que a autoridade monetária abriu para apurar o que houve no passado, em relação à fiscalização do Banco Master, leva à direção inversa: a de que houve, sim, uma demora do BC em cumprir com a necessária supervisão. Até aqui, dois servidores que ocupavam chefias no Departamento de Supervisão Bancária (Desup) pediram afastamento dos cargos. A impressão de muitos é de que não vai parar por aí.
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Enquanto isso, no Supremo Tribunal Federal…/ Embora o ministro-relator do processo, Dias Toffoli, tenha colocado em nota oficial que “encerradas as investigações, será possível examinar os casos para eventual remessa às instâncias ordinárias” , a avaliação dentro do STF é de que esse momento está muito distante. O novelo apenas começou a ser desfeito e há muitas pontas que ainda precisam de análise detalhada dentro do processo. A tendência, inclusive, é de se esticar o prazo de 60 dias. Por enquanto, os vídeos da parte do inquérito relativa aos depoimentos de Vorcaro, do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do diretor de Fiscalização do BC, Aílton Aquino, e da acareação entre Vorcado e PHC, darão muito o que falar com a reabertura do Congresso, na semana que vem.
“O eterno ministro”
Assim o ex-vereador Carlos Bolsonaro se referiu ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, comandante do estado que tem o segundo maior orçamento do país e carrega a economia nas costas. A frase foi vista por muitos políticos como o “rebaixamento” a que a família do ex-presidente relegou o afilhado político do ex-presidente.
Pai e filhos
Dentro do espírito de que é “melhor perder liderando do que vencer liderado” , os Bolsonaro deixam claro que o bolsonarismo não abrirá mão de continuar com os herdeiros de sangue. Seja agora ou no futuro, o papel de Tarcísio será de subordinado.
Plantão 24h
O setor de bets luta para evitar o que considera a morte das casas de apostas on-line. Com o imposto de 15% sobre o valor apostado dentro do projeto de lei antifacção, as bets dizem aos quatro ventos que não vão sobreviver. As empresas têm tentado reverter essa taxação na Câmara, que planeja votar a proposta este ano. Mesmo no período de recesso, a mobilização continuou, no sentido de espalhar a máxima de que “quem apoia mais impostos para as bets, apoia as bets piratas que pertencem ao crime organizado” . Atualmente, as casas de apostas ilegais representam 50% do setor.
O que vem por aí
Da parte do governo, haverá em breve uma página no Gov.br onde os apostadores de bets poderão conferir seus perfis. Quanto ganhou, apostou e perdeu, e quanto tempo ficou nos aplicativos apostando serão disponibilizados para os brasileiros em breve.
CURTIDAS

PT vai para cima/ O PT começou a agir para jogar o caso do Banco Master no colo do bolsonarismo e do ex-presidente do BC Roberto Campos Neto. Pelo menos, o ministro de Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira (foto), foi às redes sociais para se referir a Campos Neto como o “pai do escândalo” e ao Master como “herança maldita do bolsonarismo” .
Retorno quente/ A primeira semana de volta dos trabalhos do Legislativo vai ser marcada por embates. Um dos primeiros deve ser o depoimento do presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, na próxima quinta-feira. Daniel Vorcaro também foi convocado e depende de liberação do STF. A CPMI quer investigar a relação do Master com o escândalo dos descontos de pensões.
Reza forte/ Os parlamentares da Frente Católica farão uma missa de abertura dos trabalhos na segunda-feira, às 9h, no auditório Freitas Nobre, na Câmara dos Deputados. O bispo auxiliar de Brasília, dom Vicente Tavares, comandará a celebração, junto com os padres Rafael Souza, reitor do Santuário Nossa Senhora da Saúde, e Agenor Vieira, pároco da Catedral de Brasília.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 29 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Nesse momento em que traça a estratégia para cada estado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixa claro que investirá na fratura das forças de centro que tentam quebrar a polarização neste ano eleitoral. O PSD de Gilberto Kassab, por exemplo, é tido na base como novo MDB, que pode até ter candidato ao Planalto, mas não conseguirá unir a legenda em torno de um nome. Ainda que tenha três ases na mão — Ratinho Júnior, Eduardo Leite e, agora, Ronaldo Caiado —, a aposta é de que o PSD vai rachado para as eleições de outubro.

Veja bem/ E não está no projeto do governo dispensar os ministros do partido de Kassab. A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, respondeu assim, quando perguntada como ficam os ministros diante da ideia de o PSD lançar candidato ao Planalto: “Fica como está. A gente já teve acordo com o PSD em vários estados na eleição de 2022. O PSD não é um partido de unidade nacional. É um partido que se movimenta pelos interesses regionais federados e nós vamos saber lidar com isso”, afirmou.
Messias na área
O governo não planeja demorar para enviar ao Senado a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Gleisi acredita, inclusive, que é possível aprovar antes das eleições. “É muito ruim o STF ficar sem um ministro”.
“Follow the money”
Ao dizer que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi preso na gestão de Ricardo Lewandowski, no Ministério da Justiça e Segurança Pública, Gleisi ensaia o tom que Lula adotará na campanha, caso o tema venha à baila. A ordem no governo é se ater aos fatos e seguir o caminho do dinheiro.
Palavra cumprida
PSD e PL fizeram valer um acordo do ano passado e trocaram comissões permanentes. A de Agricultura passará para a presidência do PSD e a de Minas e Energia, para o PL. Em 2025, as legendas travaram uma disputa pela Comissão de Minas e Energia (CME). À época, o partido de Kassab fechou questão e ficou com a comissão, mas negociou com o PL para que, em 2026, a CME ficasse com os bolsonaristas.
Briga de paternidade
Parlamentares dos mais diversos campos políticos apostam que o tema da segurança pública vai dominar o debate eleitoral de 2026. Os da esquerda nem esperaram o ano legislativo para começar a apresentar projetos sobre o assunto. Nos bastidores, o que se diz é que esquerda e direita vão brigar pelo controle das pautas de segurança no Congresso
CURTIDAS

Volta às aulas/ Reinou a calmaria na primeira reunião de líderes da Câmara dos Deputados este ano, depois do longo recesso parlamentar. Tudo por causa da ausência dos dois líderes da oposição — Gustavo Gayer (PL-GO) e Cabo Gilberto (PL-PB). Eles planejavam pedir ao presidente da Casa, Hugo Motta (RepublicanosPB), que faça um apelo ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para marcar a sessão de análise dos vetos o mais rápido possível. Como não compareceram, a necessidade de reunir logo o Congresso nem foi mencionada.
Turbinado/ O maior evento de energia do país, o ROG.e, promete movimentar o Rio de Janeiro praticamente às vésperas da eleição. Com 93% de ocupação dos espaços no Riocentro, o evento organizado pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) reunirá os principais líderes e especialistas do mercado global de energia. São esperadas 75 mil pessoas, entre 21 e 24 de setembro.
Anota aí/ Na próxima terça-feira, a Frente Parlamentar pelo Livre Mercado (FPLM) vai inaugurar o ano legislativo com um jantar em sua sede. As presenças dos governadores Romeu Zema (Novo-MG) e Jorginho Mello (PL-SC) estão confirmadas.
“O presidente (do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin) tem reiterado a importância desse código (de conduta para os magistrados). Mas enfrenta resistências dentro do próprio colegiado. Só a pressão democrática da sociedade pode quebrá-las” Deputado Chico Alencar (PSol-RJ)
Gleisi diz que GDF e governo do Rio de Janeiro têm muito mais a explicar sobre o caso Master

Num café nesta manhã (28/1) com jornalistas, a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, revelou que , quando o escândalo do Master veio a público, o governo já sabia desde, janeiro de 2024, que o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski havia prestado consultoria para o banco de Daniel Vorcaro. Porém, segundo a ministra isso em nenhum momento influenciou o trabalho do ministro ou o comportamento do governo em relação ao hoje ex-banqueiro. Gleisi afirmou inclusive que quem tem mais a explicar sobre o caso Master é a oposição ao governo Lula e citou o Governo do Distrito Federal, comandado por Ibaneis Rocha (MDB), e o do Rio de Janeiro, capitaneado por Claudio Castro (PL).
Os argumentos que Gleisi tem para reforçar essa avaliação a respeito do ex-ministro e integrantes da oposição são o fato de que Vorcaro foi preso na gestão de Lewandowski frente ao Ministério da Justiça: “A primeira aproximação do governo que tem o banco Master é a da fiscalização rigorosa do que aconteceu e da apuração e responsabilização pelas fraudes ocorridas. Em nenhum momento o governo titubeou sobre isso”, disse a ministra, para, em seguida, se referir especificamente ao ex-ministro: “Sabíamos que o ministro Lewandowski prestava consulta ao Banco Master quando o presidente o convidou pra fazer parte do governo. Não vejo nem pro crime nisso de prestar consultoria. Vamos lembrar que isso não afetou em nada a fiscalização e a apuração dos fatos. Foi no nosso governo que Vorcaro foi preso, foi no nosso governo que houve a liquidação e no nosso governo que está sendo feita a investigação”, disse a ministra, que repetiu, na conversa, cinco vezes que Vorcaro foi preso na gestão do ministro Lewandowski, graças ao trabalho da Polícia Federal que atua com autonomia.
Gleisi, no entanto, não vincula a saída do ministro do governo à liquidação do Master. Justificou o afastamento lembrando uma entrevista do próprio ministro, que entregou a carta de demissão ao presidente Lula há 20 dias. Naquela oportunidade, Vorcaro já havia sido preso e inclusive prestado depoimento à Polícia Federal, dentro do inquérito que corre no Supremo Tribunal Federal.
Quanto à reunião do presidente Lula com o ex-banqueiro Vorcaro, também em 2024, a ministra se esquivou dizendo que nem era do governo naquele período, portanto, não havia participado. Fez o mesmo em relação aos pedidos de CPI apresentados na Câmara e à coleta de assinaturas, dizendo que era um assunto afeito ao parlamento. Por diversos momentos, Gleisi foi incisiva ao afirmar que o governo Lula quer apuração rigorosa de tudo o que envolve o Master e disse que a oposição ao governo Lula tem muito o que explicar, citando especificamente os governos do Distrito Federal e o do Rio de Janeiro.
“A maioria dos envolvidos nesse processo do Master, inclusive de contratos com órgãos públicos, é da oposição ao governo Lula. A oposição tem que explicar o envolvimento dos seus governos com essa questão. Governo do Distrito Federal, governo do Rio de Janeiro, que (no caso do Rio) estão envolvidos com fundos de pensão relacionados ao Master. A oposição também tem que explicar por que Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi o maior doador individual da campanha de (Jair) Bolsonaro e de Tarcísio (de Freitas, governador de São Paulo). Então, me parece que tem muito mais explicações para lá. Quem tem e quem tinha a relação com o banco Master tá com eles. Isso tá claro e tudo que a gente tá vendo aqui, né?”, disse a ministra, ao afirmar que o governo está “muito tranquilo, assim como o ministro”.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

O movimento que políticos do governo tentam levar adiante contra a CPMI do Banco Master perderá força tal e qual perdeu os primeiros acordes de resistência à CPMI do INSS. Lá atrás, com as citações envolvendo associações ligadas ao PT, o governo acabou defendendo a comissão parlamentar de inquérito para tentar reverter o jogo e atirar a oposição no fosso da investigação. Desta vez, a reunião do presidente Lula, em 2024, com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, com direito à participação de um elenco de ministros, colocará o governo com dificuldades de segurar a apuração por parte dos congressistas.
Mais uma vez, a criação ou não da CPMI depende do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Até aqui, Alcolumbre tem dito a amigos que ano eleitoral dificulta instalação da CPI’s, porque fica difícil evitar a formação de um ringue entre adversários políticos, atrapalhando a pauta positiva que ele pretende empreender, escala 6X1 e segurança pública, coincidentemente, os mesmos assuntos que o governo pretende levar adiante este semestre.
Mudança de alvo
Até aqui, a parte interessada do mercado financeiro atacava o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli para tentar catapultá-lo da relatoria do caso Master. Não conseguiu. Agora, a mira se volta ao governo do presidente Lula e a reunião de 2024, pedida pelo então consultor do Master, Guido Mantega, ex-ministro de Lula e de Dilma Rousseff.
Imagem é tudo
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por enquanto, se segura apenas no nome do pai e terá que mostrar que é mais do que isso, se quiser que sua pré-candidatura realmente vá além do recall bolsonarista. Entre os poderosos da indústria no país, muitos consideram que ele é um “bon vivant” , arrogante e que não se agarra no serviço da política.
Gestão conta
Muitos industriais continuam rezando por uma candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Acreditam que ele é mais competitivo do que Flávio e tem o que mostrar numa campanha nacional. A quinta-feira, porém, quando o governador se encontra com Jair Bolsonaro deverá marcar o fim dessas esperanças.
O que quer Bolsonaro
O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto (PL-PB), deve visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro em breve. O encontro será para que Bolsonaro defina as prioridades do bloco para 2026. O maior foco, segundo o líder contou à coluna, é montar estratégias para derrubar o PT. Entre as pautas que devem receber atenção especial estão a lei Antifacção, PEC da Segurança Pública, CPMI do INSS e a derrubada do veto da dosimetria aos condenados de 8 de janeiro de 2023.
CURTIDAS

Recuperação/ O ex-presidente José Sarney publicou em suas redes sociais uma foto com a filha Roseane Sarney Murad (foto), que enfrenta uma luta contra o câncer e deve passar por uma cirurgia em breve. Recentemente, Roseane teve alta após ficar internada devido a pneumonia.
Expectativas/ O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, do PSD, entrou numa enrascada com o eleitorado quando a prefeitura colocou uma música da cantora Britney Spears, ao falar do show de Copacabana, em maio. Agora, tem gente cobrando a presença da estrela do pop internacional da seguinte forma: “Acho que se depois dessa você não confirmar a Britney, nem precisa concorrer em outubro” , respondeu um internauta à postagem de Paes sobre não saber quem será a atração deste ano. Já outros, dizem que se ele trouxer essa celebridade do mundo da música, se tornará prefeito vitalício.
Justiça por Orelha I/ Após a repercussão do crime bárbaro contra o cachorro comunitário na Praia Brava, em Santa Catarina, brasileiros criaram um abaixo-assinado para que crimes contra animais sejam enquadrados e punidos com o mesmo rigor aplicado a outros crimes violentos. Já conta com mais de 165 mil assinaturas.
Justiça por Orelha II/ Adolescentes suspeitos de torturar o cachorro terminaram “premiados” com uma viagem aos Estados Unidos e ainda não voltaram ao Brasil para que se defendam e, se culpados, assumam suas responsabilidades. É o mínimo que pessoas de bem devem fazer. Não dá para ficar vendo o Pateta e o Mickey como se nada tivesse ocorrido.
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 27 de janeiro de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

A Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de São Paulo, apresentou um conjunto de propostas a serem incluídas no Código de Conduta a ministros do Supremo Tribunal Federal. O documento foi elaborado por uma comissão formada por dois ex-presidentes da Corte — Ellen Gracie e Cézar Peluso — além de ex-ministros da Justiça e juristas.
Entre outras medidas, o documento sugere vedar ministros de julgarem processos nos quais as partes ou os advogados representantes sejam parentes de até terceiro grau ou pessoa com “amizade íntima”. Também propõe vetar a participação de ministros em eventos patrocinados por grupos que tenham “interesse econômico” em processos na Corte.
Cauteloso na elaboração de um código de ética para a Casa Constitucional, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, recebeu o documento da OAB-SP na última sexta-feira. Ao menos publicamente, ele tem deixado claro que críticas à conduta de ministros não podem se tornar ataques à institucionalidade do Supremo – particularmente em um momento político de ascensão radical.
Contrarreforma
Fontes do setor de empresas de aplicativos defendem que, caso a proposta de regulamentação de trabalhadores por app seja aprovada, o Brasil vai perder R$ 3 bilhões por mês. Uma das justificativas é que o texto torna o modelo de negócio quatro vezes mais caro que o regime CLT. Para o setor, o debate está sendo chamado de “contrarreforma trabalhista”.
Outro caminho
O setor tem defendido uma proposta do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), que já foi enviada ao Congresso. No texto do IDP, há itens como a vedação de vínculo empregatício, define os trabalhadores como autônomos e as empresas como intermediadoras do serviço, veda rescisão e bloqueio unilateral e exige que as empresas contratem um seguro para acidentes pessoais para os trabalhadores do app.
Não param
A direita não terá descanso este ano se depender dos deputados petistas. O deputado Rogério Correia (PT-MG) apresentou dois requerimentos de convocação para a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS para os governadores do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). Correia quer apurar o envolvimento dos governadores no esquema do Banco Master com relação às fraudes na previdência.
Discurso pronto
A base bolsonarista vai insistir que o raio que atingiu os apoiadores no último domingo foi um “evento de força maior”, independentemente dos riscos de uma aglomeração em meio a um temporal. Para alguns parlamentares, o evento fortaleceu a mobilização da direita bolsonarista.
E a PEC 6×1?
O governo vai apostar as fichas na proposta que visa reduzir a escala de trabalho dos brasileiros. Contudo, o projeto ainda sofre bastante resistência no Congresso Nacional. Há quem apoie uma mudança para 5×2 e quem não apoie nada.
Um acordo, talvez
A deputada Bia Kicis (PL-DF) acredita que a melhor forma seria definir a escala via acordos coletivos. “Acordos poderiam funcionar melhor devido às diferenças regionais do Brasil. Tem lugar que a redução vai beneficiar e outras cidades em que vai prejudicar”, defende a integrante da Frente Parlamentar pelo Livre Mercado (FPLM).
Cronista
No próximo dia 4, o presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, se dedicará a uma atividade distinta de cuidar da instituição que completou 165 anos. O executivo lançará o livro Fragmentos do Cotidiano em Crônicas, no restaurante Nau, no Setor de Clubes Sul, às 20h.
Brasília-DF DENISE ROTHENBURG (COM EDUARDA ESPOSITO) deniserothenburg.df@dabr.com.br
Entre os aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ninguém tem mais dúvidas de que seu projeto era mesmo deixar o governo para concorrer ao Palácio do Planalto. Já estava tudo acertado. E, como o leitor da coluna sabe há tempos, estava programada, inclusive, uma visita de políticos e presidentes de partido para que ele fosse candidato. Ao perceber os movimentos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que sempre quis ser candidato para preservar o nome da família no topo da cadeia alimentar da política, organizou com seu pai o anúncio antecipado da pré-candidatura presidencial. Tarcísio, agora, no papel de governador candidato à reeleição, refaz o jogo para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes. Mas, se a janela da candidatura presidencial reabrir, ele ocupará o espaço.
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Primeiros acordes/ O fato de Tarcísio colocar o presidente estadual do Republicanos, Roberto Carneiro, na Casa Civil de seu governo é uma demonstração clara de que ele não deixará a legenda para se filiar ao PL do ex-presidente Jair Bolsonaro. O que se diz entre os aliados do governador é que com os Bolsonaro querendo mandar em tudo no PL, o partido está virando mais um projeto familiar do que propriamente uma legenda com um plano de desenvolvimento para o país.
Caso Master sob o risco do “sobe-desce”
A ideia de retorno do caso Master/ BRB à primeira instância, depois do carnaval, ainda não está consolidada. Primeiro, há políticos citados e não se sabe ainda a extensão de cada um no processo. Por isso, a perspectiva é a de que a maior parte do inquérito prossiga no Supremo Tribunal Federal (STF). Vale lembrar que o processo “subiu” para a Corte porque houve entendimento de que a citação do deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) obrigava a isso. E está difícil sair de lá.
Dinheiro a rodo
Corre à boca pequena nos almoços de gente graúda do mercado financeiro, em São Paulo, que os gastos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro no cartão de crédito eram da ordem de R$ 2 milhões. A explicação de alguns é de que ele pagava as contas de muita gente.
Deputados na lida
De olho no caso Master, o presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE), Joaquim Passarinho (PL-PA), ajusta seu foco para a necessidade de cobrar uma ação mais firme de quem deve fiscalizar o mercado financeiro. “Fiscalização nunca é demais. Mas movimentação financeira deve ser monitorada pelo Banco Central, que tinha de estar vigiando há tempos”, afirmou à coluna.
Ganha, mas perde
A mobilização do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) é vista como um elemento que pode atrasar a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. Há quem diga que, se o ato descambar para pedidos de intervenção militar, ódio ao STF e por aí vai, a ida do ex-presidente para casa já era. Tem que ficar na linha “liberdade e simpatia são quase amor”.
CURTIDAS
Cineminha da vida real/ Com os depoimentos marcados para os próximos dias, advogados passam o fim de semana nos escritórios, preparando clientes e assistindo aos vídeos dos depoimentos de Daniel Vorcaro e do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa.
Não subestimem I/ A caminhada de Nikolas serviu para reaglutinar os bolsonaristas. Resta saber se vai reaglutinar quem elegeu Jair Bolsonaro em 2022.
Não subestimem II/ Pode até ser uma “flor do recesso”, aquela que murcha quando o Congresso retoma os trabalhos. Mas o que se diz entre os bolsonaristas é que deu novo fôlego ao time.
Anota aí/ Em 3 de fevereiro, a Frente Parlamentar do Empreendedorismo inaugura a nova sede com um almoço sobre a reforma tributária. O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas (foto), é o convidado especial, para falar do ano-teste da reforma,
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) vai coordenar a comissão composta por ele e mais quatro senadores para acompanhar as investigações do Banco Master/BRB. E vai para cima do mercado financeiro. A partir de 4 de fevereiro, quando essa comissão de acompanhamento será instalada, Renan vai sacar a Lei Complementar 105, que dispõe sobre o sigilo de dados de instituições financeiras, e já tem em mãos pareceres que dão à comissão acesso aos dados sigilosos. Até aqui, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), conseguiu evitar que os políticos tivessem acesso às informações classificadas da investigação. Resta saber se conseguirá fechar mais essa porta que Renan abrirá.
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O vídeo liberado por Renan menciona R$ 50 bilhões de impacto sobre o Fundo Garantidor do Crédito (FGC) e descasca a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Renan quer ir atrás dos fundos de investimento cujos beneficiários eram outros fundos. E seguir o caminho do dinheiro até chegar aos beneficiários finais. Em um ano eleitoral, é ouro puro para quem tiver acesso às informações.
A esfinge
Os políticos estão fazendo fila para tentar uma conversa com o ministro Dias Toffoli, relator do caso Master/BRB. Até aqui, o ministro está “fechado em copas”. Não recebeu ninguém. Aliás, ele foi escolhido relator por sorteio. E, conforme o leitor da coluna já sabe, não abrirá mão da relatoria e vai trabalhar no caso em silêncio.
Lula de olho no Senado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem usado quase todos os seus momentos de folga para montar os palanques estaduais. Em São Paulo, fará de tudo para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ser candidato ao Senado. No entorno do presidente, há um consenso: sem o Senado, não dá. Hoje, o “plenário azul” é estratégico para qualquer lado da política.
Na mira
Paralelamente a projetos com peso eleitorais, parlamentares ligados ao livre mercado vão defender a regulamentação dos cigarros eletrônicos, os “vapes”. De acordo com a Frente Parlamentar pelo Livre Mercado (FPLM), 100% do mercado de venda de “vapes” é ilegal e pertence ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Além disso, 66% dos brasileiros acreditam que o combate ao cigarro eletrônico não tem sido eficiente. Por isso, legalizar com regras semelhantes às do tabaco é visto como uma boa solução.
Um dos problemas
Na análise de João Accioly, presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o antigo hábito de resolver tudo com termo de compromisso pode ser uma das lições que a autarquia deverá aprender. “Os acordos (relativos às empresas ligadas ao Banco Master desde 2019) foram feitos sem prever que o escândalo chegaria onde chegou”, disse. Conforme disse, o primeiro processo com empresas ligadas ao banco de Daniel Vorcaro são de 2020 e, por isso, as investigações começaram, no mínimo, em 2019.
CURTIDAS

Não desiste nunca/ O coach e ex-candidato à Prefeitura de São Paulo Pablo Marçal está oferecendo consultoria política para précandidatos. Apesar da derrota no primeiro turno e da inelegibilidade, Marçal acredita que teve importância no cenário político paulistano e pode ajudar os interessados.
Cinema brasileiro em alta!/ Com quatro indicações ao Oscar, O Agente Secreto bate o recorde de indicações para um filme brasileiro. Direto de Recife para Los Angeles!
“O pessoal lá sempre falava que o Senado era o céu, o mais perto do paraíso. A casa do equilíbrio. Mas estão transformando num inferno. Uns capetinhas ganharam o mandato fazendo selfies e espalhando fake news, com inserções aventureiras nas redes sociais. Tem que se resgatar o paraíso. Não é à toa que é preciso ter 35 anos para ser senador” Do presidente da Agência Brasiliera de Exportações (Apex-Brasil), Jorge Viana, que já foi senador e governador do Acre
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

O adiamento da ida do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à Papudinha para visitar Jair Bolsonaro, está relacionada à estratégia de valorizar o apoio à candidatura do filho 01 do ex-presidente, o senador Flávio (PL-RJ), à Presidência da República. Tarcísio se elegeu governador lastreado pelo bolsonarismo e por grande parte do centro. Desde a campanha de 2022, contou com o apoio do presidente do PSD, Gilberto Kassab, ex-prefeito da capital paulista e ex-deputado federal. O PSD terá candidato ao Planalto, seja o governador do Paraná, Ratinho Júnior, seja o do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Logo, o grupo que apoia Tarcísio não estará fechado com o nome de Flávio na campanha presidencial.
Veja bem/ Embora Tarcísio tenha sido candidato em 2022 por obra e graça de Bolsonaro, o que se diz no grupo do governador é que uma coisa é a lealdade ao ex-presidente, outra é o atendimento cego às pretensões da família. Para completar, os demais governadores-candidatos se dão muito bem com Tarcísio. Logo, o momento é de esperar decantar as candidaturas, focar na preparação da disputa para a reeleição em São Paulo e ingressar na campanha presidencial apenas quando a corrida começar oficialmente. Até lá, Flávio que lute.
Tem mas acabou
Justamente no dia em que o relator do caso Master/BRB no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, liberou o acesso aos depoimentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, o sistema do STF… ficou fora do ar com a mensagem: “O STF informa que o site e os serviços externos estão em manutenção”. Só voltou a funcionar no fim do dia.
Hora de parar
Mais de 217 mil brasileiros pediram a exclusão de contas em sites de casas de apostas on-line, as bets. O Ministério da Fazenda criou um site onde o apostador pode pedir e escolher o período da autoexclusão da conta, seja por tempo indeterminado, seja por um, por três, por seis, por nove ou por 12 meses. O site foi criado no fim de 2025. Até agora, 19% dos pedidos foram para o período de um ano e 73% por tempo indeterminado.
Diagnóstico para o governo
Durante o processo de autoexclusão, o apostador pode responder o motivo pelo qual optou pela ação. De acordo com a Fazenda, 37% justificaram “perda de controle sobre o jogo e saúde mental”; 25% alegaram “prevenir que meus dados sejam utilizados pelas plataformas”.
Enquanto isso, no Rio Grande do Norte…
O PT está zonzo por lá, por causa do anúncio da desincompatibilização do vice-governador Walter Alves (MDB). Ele será candidato a deputado federal, numa chapa de oposição ao governo de Fátima Bezerra (PT). Fátima também sairá para concorrer a uma vaga ao Senado — prioridade do partido. Agora, a Assembleia Legislativa deverá eleger um governador interino, num colegiado em que a maioria é de oposição aos petistas. A legenda de Fátima tenta achar uma saída desse imbróglio.
CURTIDAS

Mais um/ O Will Bank, outro envolvido no caso Master e liquidado pelo Banco Central (BC), não era pouca coisa nas redes. Até o ano passado, suas propagandas passeavam pelo Tik-Tok, tendo como garoto propaganda o astro de futebol Vinícius Jr. (foto).
Explica isso aí/ Pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro começa o ano se explicando. Esta semana, foi às redes sociais esclarecer por que seu colega, senador Rogério Marinho (PL-RN), largou a candidatura ao governo potiguar para coordenar a campanha presidencial. Marinho era um dos líderes das pesquisas para governador no ano passado.
Luta pela legalidade/ O presidente do Instituto Combustível Legal (ICL), Emerson Kapaz, será homenageado pelo seu esforço ao atacar rotas e esquemas de contrabando e descaminho que financiam o crime organizado no setor de combustíveis. Ele será laureado pela Receita Federal junto com autoridades do Fundo Monetário Internacional (FMI), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Ministério da Agricultura e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A honraria será entregue no dia 26, em evento fechado no Ministério da Defesa.
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 20 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

As pressões crescentes para que o ministro José Antonio Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, deixe a relatoria do caso Master não vão levá-lo a abrir mão dessa função. Dentro da Corte, muitos magistrados consideram que é preciso dar tempo ao tempo e que nada será feito enquanto houver o que classificam de “uma campanha” contra Toffoli. Para completar, na visão de alguns, num ano eleitoral, esse caso arrisca ter nomes citados que sequer estão sob investigação ou são mencionados. Portanto, a avaliação é de que é preciso evitar vazamentos.
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Só tem um probleminha/ A abertura dos trabalhos do STF deste ano está marcada para 2 de fevereiro e, até lá, a tendência é Toffoli continuar como principal alvo de críticas. No fim de semana, por exemplo, houve a nota da Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) chamando as decisões do ministro de “atípicas”. Juristas acreditam que o inquérito sequer deveria estar no STF, já que casos semelhantes nunca foram levados à Suprema Corte. O possível envolvimento da família do ministro com empresas ligadas a Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, é apontado por especialistas como uma razão forte para que o ministro seja impedido de julgar a fraude do Master. Pessoas ligadas a ele, porém, dizem que não há justificativa legal para que deixe o caso.
Lula e Geraldo
O presidente Lula recebeu o vice-presidente Geraldo Alckmin, ontem, fora da agenda. Além das questões relacionadas ao Ministério de Indústria e Comércio, os dois estão conversando muito e afinados sobre os planos rumo a 2026. A repetição da chapa é dada como certa.
Lula e o PT
Só tem um partido reclamando do fato de Geraldo Alckmin manter a vaga de vice na chapa de Lula: o PT. E nem é todo o PT. É que uma parte considera que, como Lula não será candidato em 2030, a legenda tem que ter a vice para que haja um sucessor “natural”. O problema é que, antes de pensar em 2030, tem que vencer 2026. E uma chapa pura dificulta. Lula precisa de Alckmin.
Conflito ideológico
Empresas do setor de trabalho por aplicativos estão confusas com a união entre parlamentares do PL e da esquerda na regulamentação da atividade. O estranhamento se deve ao fato de que tanto o presidente da comissão especial, deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), quanto o relator, Augusto Coutinho (Republicanos-PE), são de partidos de direita. E, por isso, o setor considera que ambos deveriam ir contra os desejos do governo Lula e da esquerda. Porém, o relatório seguiu a linha da base governista.
Não é por aí
O setor busca um argumento para, neste ano eleitoral, tentar separar os dois polos da política nesse tema, questionando a “união” da direita com a esquerda e, principalmente, com o PSol, partido do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos — que elogiou muito o relatório apresentado no fim do ano passado. As empresas, porém, tendem a perder essa batalha.
CURTIDAS

Baderneiros na porta de saída/ A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) vai discutir, hoje, a mudança da Resolução 400, que prevê condutas das empresas aéreas sobre comportamento dos passageiros durante os voos. Devido ao aumento de perturbações e casos de agressões aos comissários de bordo, a Anac estuda sanções aos viajantes indisciplinados. Atualmente, uma lei impede essas pessoas de voarem por até um ano, mas falta a regulamentação. A agência quer regulamentar essa medida.
Vai aumentar a pressão/ O caso do homem que, em prisão domiciliar, matou uma adolescente de 14 anos, no Distrito Federal, fará aumentar a pressão para que o ex-presidente Jair Bolsonaro tenha o benefício. O PL vai repisar que não é possível a Justiça conceder a prisão domiciliar a um estuprador e assassino e não atender à defesa de um homem de mais de 70 anos que tem comorbidades.
Independência municipal/ Uma empresa de capacitação, a Innovc, está treinando administradores municipais para pensar em soluções de gestão inovadoras. Um dos exemplos é a cidade de Eusébio (CE), que está criando um portfólio de soluções para vender para outros municípios. A ideia é criar uma parceria público-privada em projetos entre o município e a empresa para, juntos, venderem a proposta a outros prefeitos. Dessa forma, uma parte do dinheiro retorna ao caixa da cidade e paga aquele primeiro investimento da prefeitura, no início do projeto.
Press Jungmann/ O ex-ministro Raul Jungmann (foto) foi definido assim por parentes e amigos no velório no Campo da Esperança: “Um humanista, defensor do diálogo entre todas as forças e instâncias, ainda que tenham pensamentos totalmente opostos”. A trajetória foi marcada, ainda, pela “coragem” de aceitar desafios em momentos cruciais. A coluna registra aqui os mais profundos sentimentos de pesar pela morte de um intelectual que sabia exercer a paciência e aproximar diferentes.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já tem praticamente pronto o discurso da geopolítica internacional que fará no embate com os bolsonaristas em 2026, seja Flávio Bolsonaro, seja outro candidato. A ordem é mostrar que, com “paciência, diálogo e altivez”, o governo Lula conseguiu reverter grande parte das tarifas impostas, no ano passado, pela administração de Donald Trump nos Estados Unidos e, para completar, encerra esta Terceira passagem pelo Palácio do Planalto com o acordo entre Mercosul e União Europeia assinado ontem. Se o Parlamento Europeu e as instâncias jurídicas da União Europeia vão chancelar é outra história. Com o convite a Lula para integrar o Conselho de Paz em Gaza, vindo de Donald Trump, a ideia é deixar claro que tudo tem que se dar com diálogo, defesa da soberania e por aí vai. A avaliação de especialistas é de que, até agora, os bolsonaristas não têm nada muito concreto para combater isso.
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Por falar em soberania…/ Antes de aceitar o convite de Trump para compor o Conselho de Paz, o governo Lula quer saber o formato desse colegiado. Por exemplo, se haverá palestinos. Não se pode falar em paz sem os principais interessados nesse processo.
Caiado na reflexão
A alguns amigos, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, tem dito que desistiu da candidatura presidencial. Até aqui, Antonio Rueda não fechou a preparação da pré-campanha. A sensação de muitos no União Brasil é que Rueda, para tristeza de muita gente no partido, rifou a pré-campanha de Caiado.
E a Venezuela, hein?
O governo Lula tem um ponto que considera crucial para usar, se vier algum ataque sobre as relações do presidente com Nicolás Maduro. Em nenhum momento, Lula reconheceu a vitória do ditador venezuelano na última eleição.
Ponto forte
A vinda da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao Brasil na véspera da assinatura do acordo foi considerada um sinal de prestígio do governo brasileiro e um recado aos estadunidenses de que os grandes mercados podem se unir. Obviamente, o governo brasileiro não isolará os Estados Unidos e nem pretende fazer isso a um dos maiores mercados dos produtos brasileiros. O Brasil quer mesmo é o multilateralismo.
Expectativa & realidade
O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli, tem conversado muito com o ex-governador José Roberto Arruda. Aliados do executivo da ABDI garantem que ele aposta no apoio de Arruda ao Governo do Distrito Federal (GDF). O ex-governador do DF, porém, sonha em ter Cappelli como candidato a vice. Se a candidatura der errado, Cappelli terá de confiar que não será abandonado pela estrutura que deseja caminhar com Arruda.
CURTIDAS
Vício antigo I/ As “emendas família” ao Orçamento, aquelas em que os recursos terminam destinados a organizações não governamentais ou empresas ligadas a parentes, é uma reedição das subvenções sociais dos tempos dos “Anões do Orçamento”. O esquema começou a ser desvendado em 1992 pelo jornal O Globo, que publicou as primeiras reportagens a respeito.
Vício antigo II/ Na época, o então deputado João Alves (PFL-BA) perdeu a relatoria. Mas os políticos aproveitaram as denúncias relacionadas ao governo Fernando Collor, para deixarem o caso do Orçamento em “banho-maria”. Com a prisão do então assessor José Carlos Alves dos Santos, no ano seguinte, depois da queda de Collor, os congressistas abriram uma CPI que resultou na cassação de vários mandatos.
Vício antigo III/ Desta vez, quando o mesmo jornal denuncia o escândalo, quem suspendeu as emendas foi o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino. Porém, tem o caso Master, com potencial suficiente para evitar que o Congresso investigue essas emendas e não instale uma CPI. Como se vê, a história se repete sob outros contornos. Que as nossas instituições sejam fortes para terminar de vez com essa bandalheira de desvio de dinheiro das emendas.
Por falar em Master…/ À coluna, parlamentares comentaram em conversas reservadas o espanto com o networking em Brasília do dono do Master, Daniel Vorcaro (Foto), em todas as instâncias do Legislativo, do Executivo, do Judiciário e de governos estaduais. Se aproximar do GDF, por exemplo, era considerado estratégico. O DF pode não ser o ente federativo mais rico, mas abriga o centro do poder político.









