Autor: Denise Rothenburg
Gilmar Mendes: “Lula só conseguirá ser candidato se anular a condenação”
O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes solicita que fique bem claro as impressões dele, sobre o destino do ex-presidente Lula. “A prisão está diretamente relacionada ao entendimento que o Supremo Tribunal Federal terá sobre a segunda instância. Já a candidatura, é possível dizer que ele só volta a ser elegível se conseguir anular a condenação criminal”, diz o ministro, ao mencionar que não considera impossível Lula deixar de ser preso após a condenação em segunda instância. “Portanto, uma coisa é a inelegibilidade. Outra coisa é a prisão. Ele pode escapar da prisão e continuar inelegível, por causa da condenação na segunda instância”, diz Gilmar.
No caso de Lula obter sucesso ao evitar a prisão, Lula poderá percorrer o país como pré-candidato, tentar o registro da candidatura em agosto e só quando o TSE for analisar o caso eleitoral, é que será possível ter uma ideia do destino político do ex-presidente.
Os advogados de Lula, entretanto, vão analisar tudo por partes: A primeira batalha para eles é evitar a prisão. Para isso, há um pedido de Habeas Corpus no STF, que está nas mãos do ministro Edson Fachin. Ao CB.Poder, Gilmar lembrou que existe no STF uma súmula, a 691. Fomos conferir o que diz o texto: ““Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus impetrado contra decisão do relator que, em habeas corpus requerido a tribunal superior, indefere a liminar”, diz o texto. Já existe um pedido de HC no Superior Tribunal de Justiça. No STJ, a liminar foi negada.
Caberá ao relator, Edson Fachin, dizer se adotará a súmula. Se o fizer, Lula dificilmente obterá uma liminar no STF, enquanto o caso estiver nas máos do STJ. Quem vai definir isso é o ministro Edson Fachin. Ele quem está hoje de senhor do destino da liminar que acompanha o Habeas Corpus pedido pelos advogados do ex-presidente.
A tomar pelo voto do ministro Alexandre Moraes ontem na 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Lula precisará mesmo de habeas corpus para evitar a prisão em segunda instância. Só tem um probleminha: se o relator Edson Fachin seguir o que diz a súmula 691, de 2003, Lula não terá refresco no STF por medida liminar e terá que esperar a análise de mérito pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Diz a súmula: “Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus impetrado contra decisão do relator que, em habeas corpus requerido a tribunal superior, indefere a liminar”.
Alô, distritais!
Autoridades dos três poderes da República ficaram de cabelo em pé ao saberem que não há normas definindo competências e prazos para manutenção de viadutos, pontes e prédios públicos em Brasília. Fica aqui a sugestão de leitores da coluna aos distritais: se agarrem nesse serviço, em vez de discutir projetos na base do “o que eu ganho com isso?”. Leitores que chegam lá com propostas em prol da população como um todo dizem que saem frustrados porque sempre escutam algo desse tipo.
Cheiro de fritura
Os aliados do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, começaram a sentir um aroma esquisito e um jogo de empurra a respeito de responsabilidades sobre a não votação da reforma da Previdência. O governo quer atirar a culpa no colo de Rodrigo, que, por sua vez, tenta devolver ao poder Executivo a dificuldade em conseguir os votos. É nesse pé que vem a batida do samba deste carnaval.
Águas de Março…
Ciente das dificuldades em votar a reforma da Previdência, o governo trabalha, nos bastidores, uma agenda para março. Por enquanto, a ideia é avançar a reforma tributária, que seria o próximo item da pauta do presidente Michel Temer. A ordem é não deixar o Congresso livre de temas econômicos no período da janela partidária e de fortes expectativas no quesito Lava-Jato, assunto indigesto hoje para petistas, emedebistas, pepistas, gregos e troianos. Porém, até lá continuará a contagem de votos pró-reforma.
…e de Novembro
Se a Previdência sair mesmo do cenário político este mês, virá uma onda pró-votação depois da eleição. (até rima!) E não será do governo. Será de deputados da base aliada, ávidos por recursos para ajudar a pagar dívidas de campanha. Olho vivo!
Eles têm a força
O Democratas está pronto para fazer quase um pré-lançamento da candidatura do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, à sucessão de Michel Temer. Porém, nem tudo que reluz é ouro. A ideia é cacifar Rodrigo, de forma a negociar a reeleição para a Câmara com aquele candidato de centro que for mais promissor. Afinal, comentam os aliados de Rodrigo, ele não precisa deixar o cargo para ser candidato a presidente da República, portanto, pode ficar nessa batida até a temporada de registro de candidaturas, que termina em agosto.
O defensor de Arthur/ Vem de fora do PSDB voz em defesa do prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, que deseja disputar uma prévia no partido contra Geraldo Alckmin: “Achei estranho o posicionamento do Fernando Henrique. Ninguém é obrigado a ganhar, mas tem que se ter respeito com o Arthur Virgílio”, comenta o senador Omar Aziz (PSD-AM).
Lula em movimento/ Nem pense que a defesa de Aziz a Arthur significa que o senador apoiará uma candidatura tucana. Esta semana, Aziz recebeu um telefonema do ex-presidente Lula. Conversaram sobre a política amazonense. Lula está desenhando o mapa dos aliados e segurando aqueles com quem convivia muito bem nos tempos de Presidência da República.
Feliciano no Podemos/ Marcos Feliciano (foto) fechou a troca de partido. Vai mesmo para o Podemos, conforme já havia sido cogitado no ano passado.
Gilmar preocupado/ Que eleição, que nada. O que tira o sono do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes e de sua esposa, d. Guiomar, é o alerta do presidente do Sinduscon, Luiz Carlos Botelho, sobre o risco de desabamento da Barragem do Lago Paranoá. “Passamos várias vezes por ali. Não sabíamos desse perigo”, afirmou o ministro à coluna.
E o Collor, hein?/ Fernando Collor (PTC-AL) fez questão de abrir a temporada de discursos de presidenciáveis no Senado. Com ou sem Lula, não desistirá. Afinal, concorrerá numa situação confortável, uma vez que tem mais cinco anos de mandato pela frente.
No “café com autoridade”, promovido pela Abrig, a associação dos profissionais de relações institucionais e governamentais do país, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, afirmou que hoje ainda não tem os votos para aprovar a reforma da Previdência e conclamou a “torcida” pró-reforma a entrar em campo para que a votação ocorra ainda em fevereiro. Em seguida, desabafou a falar do “ativismo político” do Judiciário como reflexo dessa reforma. “Setores do Judiciário têm tomado decisões que nada têm a ver com a Constituição Federal. OAB joga para a torcida. Não se trata de defender se A ou B estará no Ministério. Trata-se do respeito à Constituição”, diz o ministro, referindo-se ao caso da deputada Cristiane Brasil, indicada ao cargo de ministra do Trabalho e impedida de tomar posse por decisão judicial.
Marun emendou com um desabafo sobre Lula, sem citar o ex-presidente: “Será que esse ativismo não começa a tirar credibilidade do Judiciário? No espírito da legalidade, um condenado em 1a e 2a instâncias é líder em todas as pesquisas. Será que é só s política que está sem credibilidade? Se condena há 12 anos de prisão e é o líder, será que é só a política que está sem credibilidade ou a Judiciário começa a perder a sua?”, provoca.
Marun citou ainda o episódio dos bois em Santos:”Se eu fosse bilionário e dono daquele navio, soltava 27 mil bois em Santos. Seria uma demonstração de que a racionalidade começa a não ser pré-requisito das decisões judiciais. Isso é grave”, disse ele.
A plateia tentou saber de Marun sobre outras pautas, além da reforma previdenciária. Marun não avançou, mas deixou o recado: “Se não votar em fevereiro, não vamos insistir. Vamos ver o que será possível fazer”, comentou.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, será homenageado por juristas e colegas de tribunal daqui a pouco na Trattoria da Rosário. O jantar por adesão foi organizado por seus amigos e assessores, para marcar a despedida do ministro do comando da Justiça Eleitoral. Amanhã, 19h, ele entrega a presidência do TSE ao ministro Luiz Fux.
Os presidentes dos partidos médios decidiram colocar a eleição de governadores e presidente da República em segundo plano. A prioridade de partidos como o PP, o PR, o PTB e o PRB é a eleição de deputados federais. São os congressistas que vão ditar o jogo na disputa de poder em quase todos os níveis, seja na correlação de forças para composição de governo no futuro, seja na quantidade de recursos que cada partido terá à disposição para se financiar, quando saírem de cena as coligações partidárias.
Nas últimas campanhas eleitorais, esse período de janeiro e fevereiro era usado basicamente no sentido de contactar as maiores empresas para cobrar as promessas de doações capazes de financiar os candidatos a presidente e governador. Agora, buscam quem possa puxar votos e garantir um plantel de deputados. O processo se inverteu e o jogo do poder, também. Quanto ao financiamento das campanhas, o dinheiro está definido. É o fundo eleitoral, aprovado pelos congressistas. Quanto ao jogo dos poderosos, os dois presidentes que não negociaram com o Congresso no passado caíram, Fernando Collor e Dilma Rousseff. Por isso, é no Congresso e, em especial, na Câmara, que todos os partidos estão de olho.
A conta chegou
A pauta da segunda turma do Tribunal de Contas da União para a semana que vem traz uma penca de tomadas de contas especiais em municípios do Nordeste, em especial, Pernambuco. São recursos do Ministério do Turismo destinados a promoção de festas. Os valores gastos variam de R$ 100 mil a R$ 350 mil por município e os prefeitos simplesmente não prestaram contas.
Quando o tarde…
… vira nunca. Alguns desses processos tratam de liberações entre 2008 e 2009, ou seja, há quase dez anos. Técnicos que conhecem o traçado dizem que esses recursos pulverizados, desviados nas prefeituras, são os mais difíceis de recuperar.
Por falar em
processos antigos…
Também está na pauta o julgamento das contas da Agência Nacional do Petróleo (ANP) de 2004, quando Lula era presidente da República e Haroldo Lima comandava a agência.
Decepção tucana
O PSDB de um modo geral está meio frustrado com o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio. Inicialmente, achavam que ele faria um debate de projetos partidários, mas, até o momento, Virgílio só fez atacar o adversário interno. Por isso, as apostas são as de que o prefeito ficará cada vez mais isolado.
Na boca do povo/ O governo começa esta semana a campanha “políticos, juízes, empresários, todos aposentando igual a você”. E, abaixo, uma logomarca, “todos pela reforma da Previdência para o Brasil não quebrar”. São várias pessoas do povo, com alertas sobre o risco de acontecer no Brasil o que houve em estados como o Rio de Janeiro.
Na boca do presidente/ No embalo da campanha publicitária, o presidente Michel Temer aproveitará a mensagem de abertura do ano Legislativo. nesta segunda-feira, para convocar os congressistas a aprovarem a reforma. Algo do tipo: chegou a hora, não dá para mais esperar.
“Supimpa”/ Apontado como um ensaio para a campanha presidencial, o discurso do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (foto), não poderá se restringir à gestão em São Paulo. Seus aliados alertam que, se não tomar cuidado, ele corre o risco de reforçar a imagem dos paulistas em detrimento do resto do país.
Sai pra lá/ Há o receio de que Geraldo Alckmin acabe deixando na cabeça do eleitor a mensagem: “lá vem esse paulista dizer que nada aqui presta e só São Paulo que é bom”.
O PT deflagrará, a partir de segunda-feira, uma verdadeira campanha contra a concessão de auxílio-moradia a juízes. A ordem entre os aliados de Lula é buscar simpatia na sociedade civil. Os petistas consideram que, se ajustarem o foco das críticas ao Judiciário nos privilégios daqueles que recebem o benefício e têm casa própria, algo que inclui até mesmo o juiz Sérgio Moro, terão muito espaço para angariar apoios sem necessariamente pregar a desobediência.
Até aqui, pelo que se pode perceber, a jogada do PT pode dar resultado. O portal da Cidadania do Senado, por exemplo, abriu uma consulta para que a população diga se apoia o fim do auxílio-moradia para deputados, senadores e juízes. Já tem mais de um milhão de votos a favor da extinção do benefício e apenas 5 mil contra.
A quem interessar possa
Aqueles que trabalham ao lado da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, asseguram que ela não estava brincando quando citou 2018 como um ano de desconforto. E mais: juram que a referência foi aos investigados da Lava-Jato. Vem coisa aí em breve.
Ninguém se mexe
Lula não pretende viajar ao exterior nos próximos dias, mesmo com o passaporte em mãos. Tudo para não dar margem a especulações de que estaria disposto a seguir os conselhos daqueles que defendem uma fuga.
O fator Huck
Vêm do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga e de antigos aliados do PSDB os principais insistentes apelos para que o apresentador e empresário Luciano Huck seja candidato a presidente da República. Armínio tem dito a amigos que, em caso de uma candidatura de Huck, caberia a um grupo dos economistas da Casa das Garças a elaboração do plano econômico, sem interferência política. Aí é que a coisa empaca.
Esperança tucana
Os aliados do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, têm dito que, passada a prévia do PSDB entre ele e o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, os números das pesquisas devem mudar. É que, a partir daí, terá mais espaço para se locomover. Isso significa que, até 4 de março, seus apoiadores terão que se contentar com a preferência de um dígito.
Aqui e lá
Na mesma hora em que o governo anunciava o bloqueio de R$ 16 bilhões do Orçamento da União, o presidente do Senado, Eunício Oliveira, comunicava aos prefeitos de 170 municípios do Ceará que, em breve, serão aprovados os R$ 2 bilhões para as prefeituras que dependem do FPM. De quebra, recebeu o aviso de que o ministro Edson Fachin enviou as perguntas da procuradora Raquel Dodge sobre doações da campanha de 2014.
Santo de casa I/ Enquanto o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (foto), roda o país (e às vezes a baiana) em busca de votos favoráveis à reforma da Previdência, o suplente dele, Fábio Trad, elenca no Facebook as razões pelas quais não votará a proposta.
Santo de casa II/ Fábio Trad tem dito que a reforma beneficiará os mais ricos, tais como bancos e seguradoras privadas, em detrimento dos mais pobres. O discurso é diametralmente oposto ao do ministro.
Pela tangente/ Diante do clima de guerra entre o vice-governador de Pernambuco, Raul Henry, e o senador Fernando Bezerra Coelho pelo controle do MDB, o radialista Geraldo Freire perguntou ao presidente Michel Temer: “O que o senhor vai fazer se os dois se atracarem?”. Temer nem titubeou: “Buscarei o entendimento”.
Não vai ter briga/ O clima pesou na solenidade, em Cabrobó, mas os dois desafetos haviam prometido manter a compostura. Raul Henry e Fernando Bezerra não se falam desde que começou a briga pelo controle do partido, no ano passado. Hoje, nem se cumprimentam. Essa guerra política não vai terminar tão cedo.
Demitido da Embrapa depois de publicar um artigo no jornal O Estado de S.Paulo em que apontava as mazelas da empresa, o pesquisador, professor e Ph.D. Zander Navarro acaba de ser reintegrado por uma decisão judicial. Ele voltou a trabalhar hoje, acompanhado de um oficial de Justiça.
Ele havia sido afastado em 8 de janeiro. As críticas que ele fez no artigo já haviam sido repassadas à direcao da própria Embrapa no ano passado. No texto, ele alerta para a necessidade de integração entre a empresa e as universidades. Diz ainda que a empresa não se ajustou às mudanças e às demandas crescentes da agropecuária, Alerta ainda que a Embrapa não tem hoje um foco, nem tampouco um plano estratégico capaz de vencer os desafios do setor. Por isso, foi demitido.
Agora, reintegrado, a questão é saber se a direcao, ao menos ouvirá o que ele tem a dizer, em especial, as sugestões para melhor aproveitamento dos recursos disponíveis.
A tomar pelos discursos proferidos há pouco na reabertura dos trabalhos do Poder Judiciário, é bom quem etiver culpa no cartório da corrupção ficar de olhos bem abertos, porque 2018 promete. Como dise a procuradora, Raquel Dodge, não será um ano de “conforto”. Todos os discursos, sem exceção, foram permeados pela necessidade do respeito às decisões judiciais. Começaram com a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia lembrando que qualquer pessoa pode ser favorável ou desfavorável a uma decisão judicial. “O que é inadmissivel é desacatar a Justiça ou agredi-la”.
O presidente da OAB, Claudio Lamacchia, seguiu na mesma batida, lembrando a todos o início do discurso de Ulysses guimarães ao promulgar o texto constitucional, que completa 30 anos em outubro. O discurso de Ulysses, nada mais atual: “A Nação quer mudar, deve mudar, vai mudar e a Constituição pretende ser a suavoz”.
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, a última a discursar na rápida cerimônia, fez com que alguns políticos que assistiram a solenidade pela tevê engolirem em seco. “O ano não será de conforto”, disse Raquel, que, como Lamacchia, recorreu a Ulysses, porém de forma ainda mais profunda: “A corrupção é o cupim da República. Não roubar, não deixar roubar e pôr na cadeia quem roube. Eis o primeiro mandamento da moral pública”, citou a discreta procuradora, para, em seguida, dizer com muita tranquilidade que os culpados devem pagar por seus erros.
Pelo visto, se depender, em especial, das duas senhoras da Justiça que discursaram hoje, Cármen Lúcia e Raquel Dodge, a vida de muitos não será fácil nesse 2018. Elas reabriram os trabalhos com vontade e determinação perante as principais autoridades do pais, incluidos o presidente Michel Temer, os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Eunício Oliveira.
Dentro da máxima da política que pesquisas de intenções de votos neste momento servem apenas para dar uma luz aos movimentos dos partidos, o PT começará a colocar seus pré-candidatos ao lado de Lula para ver se conseguem deflagrar um processo de “transferência preventiva” de votos. O gesto faz sentido. Afinal, tudo o que os petistas querem, na hipótese de Lula não conseguir concorrer, é que os eleitores de seu maior líder permaneçam com a legenda. E, de acordo com a pesquisa Datafolha divulgada ontem, a tendência é de pulverização desses eleitores entre todos os candidatos. Até Jair Bolsonaro, o oposto do ex-presidente, leva o seu quinhão, ainda que pequeno.
O “x” da questão
Ao mencionar um contingenciamento acima dos R$ 10 bilhões no orçamento deste ano, o governo tenta levar os deputados a votarem logo a reforma previdenciária a fim de conseguir dar aquela lufada de ajuste capaz de animar os investidores. Assim, dizem técnicos do poder Executivo, talvez haja um cenário capaz de garantir um descontingenciamento que permita a liberação das emendas de bancada, aquelas que não são de caráter obrigatório.
Moreira na lida
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Moreira Franco, foi almoçar no Tribunal de Contas da União. Tudo em prol da política da boa vizinhança, a fim de garantir o bom andamento das concessões.
Dois beques I
Pelo menos dois pontos começam a ter alguma visibilidade neste período de névoa eleitoral. O país caminha para ter um candidato do PT, seja quem for, obrigado a defender Lula e as administrações petistas. Outro nome que estará no cardápio será ligado ao governo do presidente Michel Temer, com a missão de destacar a melhora do cenário econômico e as reformas.
Dois beques II
No momento, as coisas estão no seguinte pé: Geraldo Alckmin ainda não deu demonstrações de que deseja ser o candidato com o apoio do governo Michel Temer. Do outro lado do rio político, nenhum dos postulantes à esquerda com alguma densidade eleitoral se apresentou até agora para defender o legado dos governos petistas.
Se liga, Embrapa!
Demitido da Embrapa depois de publicar um artigo no jornal O Estado de S.Paulo em que apontava as mazelas da empresa, o pesquisador, professor e Ph.D. Zander Navarro será reintegrado por uma decisão judicial. Toda a área científica se uniu em defesa do professor e da liberdade de expressão.
CURTIDAS
[FOTO2]
Se liga, Joaquim!/ Primeiro, foi o vice-governador de São Paulo, Márcio França, comunicar via O Antagonista, que Joaquim Barbosa (foto) não tinha garantias no PSB. Ontem, foi a vez de o presidente da Fundação João Mangabeira, Renato Casagrande, a mencionar aqui na coluna e no CB.Poder, a hipótese de Joaquim Barbosa ingressar no partido apenas como “militante”. Há, nos bastidores, quem diga que a onda do ministro aposentado do STF passou.
Eles estão ligados/ A pesquisa Datafolha demonstrou que Jair Bolsonaro parou de crescer. Porém, muitos se assustaram com os 10% que ele obtém na espontânea, aquela em que o eleitor diz em quem vota sem que lhe seja apresentada uma lista prévia de candidatos. Se consolidar, vai dar trabalho à turma de centro.
Lei Rouanet em debate/ O ministro da Cultura, Sérgio Sá, planeja visitas a vários estados para explicar a Lei Rouanet a empresários. A ordem é evitar mais confusão na hora de apoiar projetos culturais.
Pai Rodrigo e as redes/ Lamentável a reação de certos internautas nas redes sociais, quando o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, publicou a foto de seu filho recém-nascido. O que muito escreveram na timeline do deputado nada tem a ver com liberdade de expressão. Foi grosseria mesmo.
A frase da presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, tirando de cena uma revisão imediata da prisão em segunda instância, serviu de senha para que o PT entrasse com o habeas corpus preventivo, prontamente negado pelo ministro Humberto Martins. Aliás, há quem diga que é bom Lula se preparar, porque sem habeas corpus e sem revisão da segunda instância, o ex-presidente fica meio de mãos atadas, a não ser que consiga o HC no STF.
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Mesmo no STF, Lula não terá vida fácil e ele sabe disso. Tanto é que, em 4 de março de 2016, numa conversa dele captada pelos grampos da Polícia Federal, autorizados à época pela Justiça, Lula foi direto: “Temos uma Suprema Corte totalmente acovardada, um Superior Tribunal de Justiça totalmente acovardado, um parlamento totalmente acovardado, somente nos últimos tempos, o PT e o PC doB começaram a acordar, um presidente da Câmara f…, um presidente do Senado f…, não sei quantos parlamentares ameaçados, e fica todo mundo no compasso, achando que vai acontecer um milagre”. A resposta às frases foram dadas à época por um longo discurso do decano do Supremo, Celso de Mello. Lula, ao que tudo indica, realmente precisa de um milagre.
Sem reforma,
sem ministro
Quem não quiser votar a favor da reforma previdenciária não terá vaga disponível no ministério depois de 7 de abril, data-limite para afastamento dos ministros-candidatos. Essa é a última forma tirada das últimas reuniões governamentais
sobre os próximos passos em busca de votos.
“Eu estou dizendo aqui pro PT que não tem mais trégua, que não tem que ficar acreditando na luta jurídica, ou seja, nós temos que aproveitar a nossa militância e ir pra rua. Eu vou antecipar minha campanha pra 2018, vou acertar de viajar este país a partir da semana que vem e quero ver o que vai acontecer. Lamentavelmente, vai ser isso. Eu não vou ficar em casa parado”
Lula,
em 4 de março de 2016, numa conversa com Dilma Rousseff, captada pelos grampos da PF
Joaquim e o PSB
Se depender do presidente da Fundação João Mangabeira, Renato Casagrande, o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa será bem recebido no PSB, mas não com o compromisso de ser candidato a presidente da República.
Outros planos
Casagrande considera que “o PSB não pode deixar de considerar o gesto de Geraldo Alckmin em direção à candidatura de Márcio França em São Paulo. Temos que deixar essa opção à mesa”, disse.
Discretíssima/ A presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, chegou ao restaurante Piantella para o jantar do site Poder 360 num carro quase popular, sem ostentação. Apenas uma assessora e o motorista. Nada de carro preto, com bandeira verde-amarela e dezenas de seguranças.
Por falar em Cármen Lúcia…/ Ela não acredita em desarmonia entre os poderes. “Talvez com as tensões políticas, passe essa impressão, acho que até passa. Mas os poderes conversam normalmente.” E conversaram sobre o caso da quase ministra Cristiane? “Isso está sub judice. Não posso falar sobre isso”.
Por falar em Cristiane/ O ministro Humberto Martins (foto), que negou o pedido de habeas corpus de Lula, foi o mesmo que autorizou a posse de Cristiane Brasil, suspensa por Cármen Lúcia.
Enquanto isso, no Planalto… / O presidente Michel Temer confirmou presença na reabertura dos trabalhos do Supremo Tribunal Federal, marcada para amanhã, às 9h. Por causa do horário, é melhor a presidente Cármen Lúcia não esperar pelo senador José Serra (PSDB-SP). Para Serra, 9h é algo como 3 da matina.

