Autor: Denise Rothenburg
Governo cogita acabar com ministério exclusivo para a Educação
Coluna Brasília-DF
Entre as conversas no governo para decidir o destino do ministro da Educação, Abraham Weintraub, começa a se cogitar a hipótese de unir a estrutura da pasta comandada por Weintraub ao Ministério de Ciência e Tecnologia. Assim, ficaria tudo sob o comando de Marcos Pontes.
Útil ao agradável
A fusão daria ao governo o discurso de, novamente, manter o número original, de 22 ministérios, calando parte dos críticos da criação do Ministério das Comunicações. Porém, a pressão para novos ministérios continua.
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A chuva de fogos em tom de ameaça ao Supremo Tribunal Federal foi o limite para que quem tem juízo no governo tivesse sucesso ao pedir para o presidente Jair Bolsonaro manter alguma distância de grupos radicais. Por isso, ele não participou da manifestação do último domingo, aquela que resultou na multa a Abraham Weintraub por sair sem máscara.
De quebra, ainda deu um puxão de orelhas a Weintraub durante entrevista à BandNews. Esses sinais foram considerados um pedido de trégua por parte do Poder Executivo e tentativa de distensionar o ambiente político.
Só tem um probleminha: se o presidente quiser mesmo demonstrar que não apoia e nem concorda com grupos radicais, terá que continuar nesse caminho de distanciamento social dos apoiadores que pregam o fechamento das instituições.
Até aqui, os gestos do governo são, ora a favor do diálogo democrático, ora jogando no tensionamento. O “modo distensão”, dizem aliados, precisa virar uma constante a fim de evitar que os grupos radicais sejam totalmente colados à imagem presidencial.
Onde mora o perigo
O receio de quem tem juízo no governo é que as investigações que levaram à prisão bolsonaristas radicais cheguem a financiadores muito próximos ao presidente. Isso é o que mais preocupa sob o ponto de vista político.
Auxílio da discórdia
Os parlamentares não engoliram até hoje o fato de o presidente Jair Bolsonaro ter jogado para faturar sozinho a concessão do auxílio de R$ 600 quando começou a pandemia. Naquele período, a proposta inicial do governo era de R$ 200. Por isso, agora, será difícil convencer o Parlamento de que o valor sugerido será o que, realmente, o Executivo estará em condições de pagar.
Depois de Sara “Winter” Giromini…/ Silas Malafaia gravou um vídeo no Facebook acusando o Supremo Tribunal Federal de querer dar um golpe no país ao promover o inquérito das fake news sem a participação do Ministério Público Federal. “Quem está promovendo golpe é o STF”, diz, classificando o inquérito como “imoral, ilegal e aberração jurídica” em que os ministros são “vítimas, promotores, fazem as
diligências e julgam”.
… o pastor ataca/ Silas Malafaia chama o ministro Alexandre de Moraes de “tirano e ditador” por “promover um inquérito de perseguição ao presidente Bolsonaro”. Em tempo: os aliados do presidente concordam com quase tudo o que Malafaia disse.
Ibaneis na roda/ O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, entrou no radar do MDB como um nome para ser candidato a presidente da República. “O MDB sempre quis ter candidato próprio, tanto é que tivemos o Henrique Meirelles (em 2018). Não dá para fazer futurologia, mas temos bons nomes. E o Ibaneis está se destacando”, diz o presidente do partido, deputado Baleia Rossi, ao blog da Denise.
Enquanto isso, no DEM…/ O ex-ministro Luiz Henrique Mandetta roda o Brasil em lives e entrevistas. Agora, lembra ao presidente Jair Bolsonaro que os médicos não vão se esquecer da recomendação presidencial de filmar hospitais. “É tacanho, é pequeno, é desrespeito com os médicos e enfermeiros”, disse.
“Ibaneis é um dos grandes quadros que temos hoje”, diz Baleia Rossi sobre candidatos à Presidência
O presidente do MDB, Baleia Rossi, ainda não começou a testar seus potenciais candidatos a presidente da República, mas numa conversa com o blog, é direto ao colocar o nome do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, como um nome que pode esta no topo da lista para essa disputa no futuro próximo. “O MDB sempre quis ter candidato próprio, tanto é que tivemos o Henrique Meirelles (em 2018). Não dá para fazer futurologia, mas temos bons nomes. E o Ibaneis está se destacando”, diz o deputado ao blog. Além de presidir o partido, Baleia Rossi lidera a bancada na Câmara, e tem conversado com muitos deputados a respeito dos acontecimentos do país nos últimos tempos.
As atitudes do governador no último final de semana demonstraram para muitos que Ibaneis passou a marcar uma distância regulamentar do presidente Jair Bolsonaro. Em 48 horas, Ibaneis desmantelou o acampamento dos 300 em frente ao Congresso, demitiu o subcomandante da PM, Sérgio Souza, por causa das manifestações contra o STF na noite de sábado. De quebra, ainda multou o ministro da Educação, Abraham Weintraub por participar da manifestação de Domingo sem máscara de proteção.
O presidente do MDB gostou. “Ele fez o certo. Não dá para aceita ato antidemocrático. E além de governador, Ibaneis é advogado e um grande jurista, que zela pela Constituição”, avalia Baleia Rossi.
Além de Ibaneis, o MDB também acompanha de perto o secretário de Fazenda do Estado de São Paulo, Henrique Meirelles, presidenciável do MDB em 2018. Hoje, são os dois nomes mais citados nas rodas do partido. Com tanto terreno pela frente e com as incertezas sobre o governo do presidente Jair Bolsonaro será natural que os partidos comecem colocar seus personagens na roda. Outros nomes certamente virão se juntar à dupla emedebista.
Coluna Brasília-DF
Nos bastidores do Centrão, o roteiro está pronto para tentar forçar a porta do poderoso Ministério da Economia, que juntou os antigos ministérios da Fazenda, do Planejamento, da Indústria e Comércio, do Trabalho e da Previdência. Afinal, raciocinam alguns deputados, quem cria um ministério pode criar outros.
Só tem um probleminha: o ministro Marcos Pontes não se opôs a qualquer alteração. Quanto a Guedes, a montagem da pasta que ele comanda foi praticamente definida por ele e seus secretários ainda no período de transição.
A lógica do Ministério da Economia foi deixar sob um mesmo guarda-chuva, a fim de evitar que algumas áreas tivessem diretrizes fora do plano traçado por Guedes. Qualquer mudança pode comprometer esse equilíbrio.
Nordeste na mira
O presidente Jair Bolsonaro dedica parte do tempo a minar o celeiro de votos de seus adversários. No final do mês, por exemplo, irá pessoalmente entregar o eixo Norte da transposição do São Francisco, no Ceará.
E nos planos
Hoje, avaliam os bolsonaristas, a concessão do auxílio ajudou a melhorar a performance do presidente entre os nordestinos, mas ainda não há bases fortes no Ceará, no Piauí, na Bahia, e Pernambuco. A intenção é aproveitar o ingresso do Centrão no governo para ampliar a base do presidente nesses estados.
Deu ruim
O ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, destampou um vespeiro, ao dizer na entrevista a Veja que “exige” 80% de fidelidade dos partidos que apoiam o governo, citando nominalmente o presidente do PP de Ciro Nogueira e a cessão do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE). É que muitos deputados não se consideram responsáveis pela indicação, portanto não se sentem na obrigação de votar todos os projetos como deseja o Planalto.
Depois de 40 mil mortes
Só agora, depois de três meses e meio da chegada da covid-19 ao Brasil, é que o Ministério da Saúde está concluindo um plano de testagem da população. E ainda vai avaliar quando é que será colocado em prática.
CURTIDAS
Weintraub na área/ A semana começa com mais especulações sobre a saída do ministro da Educação, Abraham Weintraub, só porque ele consta na agenda do presidente Jair Bolsonaro desta segunda-feira, 15.
Lasier e o STF, briga antiga/ O vídeo que circula no WhatsApp com uma reunião no gabinete do senador Lasier Martins discutindo impeachment de ministros do Supremo é do ano passado, quando os senadores tentaram emplacar uma nova CPI do Judiciário, apelidada de Lava-Toga.
A segunda onda/ Nas quadras comerciais da asas Sul e Norte de Brasília cresce a olhos vistos o número de “Aluga-se” e “Passo este ponto”.
Petra na área/ A cineasta Petra Costa e o cantor e compositor Zeca Baleiro participam do 65º encontro do grupo de estudos O Direito em Tempos de Covid-19, criado pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP). Falarão sobre os desafios da democracia e da cultura na pandemia, ao lado do deputado Marcelo Freixo (PSol-RJ). A mediação será dividida entre o desembargador Ney Bello, o advogado e professor Rodrigo Mudrovitsch e do ex-senador Jorge Viana (PT-AC).
Por falar em democracia../ O Legislativo acompanha de perto a tensão provocada pela liminar do ministro Luiz Fux e a resposta do Planalto sobre o papel das Forças Armadas. Enquanto estiver cada um na sua seara, não há com o que se preocupar.
Bolsonaro tem a 4ª MP devolvida ao longo da história; sinal de que as coisas não vão bem
A devolução de medidas provisórias (MP’s) não é usual na República e representa sempre um sinal de que as coisas não vão bem entre os Poderes. A MP sobre a escolha dos reitores das universidades pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, em tempos de calamidade pública, devolvida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ao Poder Executivo será a quarta medida devolvida até hoje a um presidente da República. Até hoje, José Sarney, Lula e Dilma tinham passado por essa situação. A primeira foi em 1989, quando Sarney recebeu de volta das mãos do presidente em exercício do Senado, José Ignacio Ferreira, o texto que dispensava servidores federais da administração federal.
Depois, em 2008, o então presidente Lula viu devolvida a Medida Provisória 446, que dava isenção fiscal a entidades filantrópicas de um modo geral e o governo tinha dificuldades em separar as “pilantróficas” daquelas que, de fato prestavam serviços sociais. O presidente do Senado era Garibaldi Alves. Em 2015, a então presidente Dilma Rousseff mudou por medida provisória as alíquotas de desoneração da folha. O presidente do Senado à época, Renan Calheiros, devolveu a medida ressaltando que “qualquer ajuste fiscal deve ser, antes, analisado pelo Congresso Nacional. “Não é um bom sinal para a democracia e para estabilidade econômica, aumentar impostos por medida provisória”
No caso de Dilma, a devolução da MP se deu alguns meses antes de o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, fazer tramitar o pedido de abertura de processo de impeachment contra a presidente da República. A relação com o Parlamento ia de mal a pior. No caso atual, a relação não está nem de longe naquele clima que estava nos tempos da presidente Dilma Rousseff. Porém, a devolução da Medida Provisória 979 é um recado do Congresso a Jair Bolsonaro, no sentido de que um presidente pode muito, mas não pode tudo. E que preceitos constitucionais, no caso a autonomia das universidades, não podem ser dispensados por medidas provisórias. E segue o jogo.
De 2003 para cá, nenhum presidente pode se vangloriar de o Tribunal Contas da União ter recomendado a aprovação das contas sem ressalvas no primeiro ano de mandato. Aliás, nesse quesito, Jair Bolsonaro recebeu do TCU o mesmo numero de ressalvas que as contas de Lula. Em 2003, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva também teve 14 ressalvas em seu primeiro ano de governo, que, no geral, podem ser comparadas apenas em parte. Isso porque, ao longo dos últimos 17 anos, o rigor do Tribunal aumentou. Uma das ressalvas de Lula, por exemplo, foi não articular as ações para execução do programa Fome Zero, que, depois, desaguou no Bolsa Família. Quanto a Bolsonaro, uma das distorções foi não cumprir a aplicação mínima de recursos destinados à irrigação no Centro Oeste.
Os outros dois presidentes desse período, Dilma Rousseff e Michel Temer, tiveram menos ressalvas no primeiro ano. Dilma, em 2011, oito ressalvas e Temer, em 2017, apenas cinco. Em termos gerais, as ressalvas servem de alerta para que os governos fiquem mais atentos à execução orçamentária. Politicamente, porém, sempre permitirá que adversários usem as recomendações do TCU como acessório na arena da disputa pelo votos. Nesse sentido, a turma do PT se prepara para dizer que o governo Bolsonaro está cheio de ressalvas graves. A resposta dos bolsonaristas será a de que Lula terminou na cadeia, condenado por corrupção. Segue o baile.
Bolsonaro recua em medidas para não perder eleitorado ainda fechado com ele
Coluna Brasília-DF
Diante das críticas que começou a receber dos próprios aliados, e da queda de popularidade, o governo pisou no freio a fim de tentar retomar o ativo que mantém 30% do eleitorado fechado com o presidente Jair Bolsonaro: confiança. É quase um consenso na classe política, inclusive entre os fiéis escudeiros do governo, que o presidente não conseguiu acertar o passo na pandemia até este momento, e que isso tem corroído apoios entre a população.
Nas últimas 48 horas, foram três recuos. Primeiro, a divulgação dos números totais de casos da covid-19 registrados e de mortos –– algo que o governo informou nos bastidores, tão logo descobriu que o relator da ação sobre o tema, no Supremo Tribunal Federal, seria o ministro Alexandre Moraes. Depois, veio o retorno de R$ 83 milhões ao Bolsa Família. Por último, a reunião ministerial com transmissão direta pelo canal do YouTube da TV Brasil –– formato que Bolsonaro tinha dito que não faria mais, desde que o vídeo do encontro de 22 de abril foi aberto e o governo, mais uma vez, ficou na defensiva.
Até aqui, essas três iniciativas ajudaram a distensionar o ambiente político. A intenção é tentar reforçar o volume em favor do presidente para dar discurso a seus apoiadores nas redes e nas ruas. Aliados torcem para que a distensão “seja infinita enquanto dure”.
Pior impossível
Foi por água abaixo a intenção do governo de liquidar, esta semana, o julgamento da chapa Jair Bolsonaro-Hamilton Mourão, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Além do placar de 3 a 2 a favor de novas investigações, quem pediu vistas foi justamente o ministro Alexandre de Moraes, guardião das informações a respeito do inquérito das fake news, no STF.
Quem com ferro fere…
A criação do Renda Brasil, anunciado por Paulo Guedes como o carro-chefe dos programas sociais do governo no pós-pandemia, será com um banho de loja no Bolsa Família, criado por Lula, e o ponto que falta para dar a Bolsonaro um discurso de atenção aos mais pobres. A ideia é, até o final do ano, tirar do mapa o nome Bolsa Família, marca das administrações petistas.
… com ferro será ferido
O plano do governo, de incluir no Renda Brasil os 38 milhões de “invisíveis” descobertos com a criação do auxílio emergencial, nesses tempos de pandemia, é usar a mesma ferramenta que os petistas lançaram. Dar uma repaginada, juntar programas e, assim, tirar de cena o governo anterior. Na época de Fernando Henrique Cardoso, era Bolsa Escola, na Educação; Vale Nutrição, na Saúde; e Vale Gás, em Minas e Energia.
Barulho geral/ O ministro do Tribunal Superior Eleitoral Sérgio Banhos precisou interromper por alguns minutos a leitura de um parecer, por causa dos fogos que adversários do presidente soltaram em frente ao TSE, por causa do julgamento da chapa Bolsonaro-Mourão. Os demais ministros simplesmente não conseguiam ouvi-lo na videoconferência. “São 20 pessoas, mas parece um réveillon no Rio de Janeiro!”, comentou o presidente Luís Roberto Barroso.
Ali, parece que o pior já passou/ Pelo menos no universo digital, a pandemia causada pelo novo coronavírus perdeu força. Há uma desaceleração na produção de conteúdos nas redes sociais, nos sites de mídia e nas buscas do Google, conforme levantamento da consultoria Bytes.
Só tem um probleminha/ Com o número de casos e de mortes em alta, o desinteresse vem cedo demais.
Bier Fass/ Mais um efeito colateral da pandemia na história de Brasília. O restaurante Bier Fass, do Gilberto Salomão, no Lago Sul, fechou as portas. Segundo os tradicionais frequentadores, é o único imóvel do centro comercial que não estava alugado a terceiros.
Na reunião ministerial, governo tentará mostrar que não perdeu a confiança na recuperação
Coluna Brasília-DF
Depois de o Banco Mundial projetar, ontem, uma queda de 8% no Produto Interno Bruto do Brasil para este ano, o governo fará, hoje, uma reunião ministerial para tentar mostrar que não perdeu a confiança na recuperação. O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, por exemplo, levará para o encontro o balanço da execução de R$ 3 bilhões em obras de rodovias, ferrovias e terminais portuários em plena pandemia, entre janeiro e maio deste ano. Valores superiores aos registrados no mesmo período do ano passado, no início do governo. O valor pode ser, inclusive, maior, porque esse montante se refere apenas ao que foi feito com o Orçamento da União. Além disso, recentemente, foi assinado o contrato para a execução da malha paulista no setor de ferrovia.
Em tempo: as entregas nessa área de infraestrutura não vão fazer de Tarcísio candidato a presidente, tampouco a governador, conforme alguns políticos comentam por aí. “Não vou me meter em política, não serei candidato a nada, nem filiado a partido político eu sou, nem serei. O que me dá satisfação profissional é o trabalho técnico”, diz.
Reunião contraponto
Sob o ponto de vista político, a reunião ministerial de hoje vem sob encomenda para o presidente Jair Bolsonaro tentar desfazer a imagem deixada por aquela de 22 de abril, marcada por palavrões e comentários de ministros que renderam, inclusive, ações na Justiça e do Ministério Público Federal.
Estamos trabalhando
No Palácio do Planalto, a expectativa é de que cada área apresente o que está sendo feito neste período de pandemia, de forma a tirar o governo do noticiário negativo em relação às mudanças na forma de divulgação do número de casos.
Me dê motivo
Aliás, a avaliação palaciana é de que essa mudança na divulgação dos dados da covid-19 no país só fez reforçar os adversários do presidente e a visão de que ele é autoritário no trato da gestão pública. Nos próximos dias, vão tentar alterar essa imagem. Resta saber se Bolsonaro conseguirá manter a fleuma e fugir de provocações.
O gerenciador de crises
Da parte da oposição, a ordem é tentar colar na testa do presidente que ele não está governando e apenas administrando as crises que envolvem seus filhos e aliados, inclusive as que o próprio Bolsonaro provoca. Uma das últimas foi a relacionada aos números de casos e mortes por covid-19, que gerou incômodos até dentro do próprio governo.
Estamos todos bem/ Assessores que acompanharam o presidente Jair Bolsonaro, no fim de semaa, quando ele foi cumprimentar as pessoas numa blitz da Polícia Rodoviária Federal (PRF), contabilizaram uma interação positiva por parte da população. Apenas uma das pessoas que interagiu gritou palavras de ordem contra a comitiva presidencial.
Patamar seguro/ A avaliação dos assessores é de que, enquanto Bolsonaro mantiver o apoio de 30% da população, não haverá movimentos mais contundentes para tentar derrubá-lo.
Segura a onda/ O ato virtual em defesa da democracia é um aviso ao presidente Jair Bolsonaro de que é preciso que ele lidere e baixe a bola de seus apoiadores no quesito ameaças aos poderes constituídos e às ações democráticas.
Bia versus Joyce/ Quando o Congresso voltar às sessões presenciais, será preciso escalonar a presença em plenário e manter distantes as deputadas Joyce Hasselmann (PSL-SP) e Bia Kicis, do PSL-DF. Bia é vista por Joyce como uma das principais adversárias no Parlamento.
Muito além das convenções/ Comemorada por especialistas, a implementação de convenções partidárias virtuais para a escolha de candidatos para a eleição deste ano, aprovada pelo TSE, é vista como um primeiro passo para se avançar no uso de tecnologias no pleito em meio à pandemia. Lara Ferreira, da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), considera que os próximos passos incluem a adaptação das regras de alguns atos de campanha que envolvem aglomerações, como carreatas e comícios, aos protocolos de segurança e higiene da pandemia, como o uso de máscaras, limitação de pessoas e distanciamento mínimo.
Ministro da Infraestrutura fala em disputar a Presidência ou o governo do DF
Coluna Brasília-DF
Há quatro semanas, numa reunião social bastante reservada, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, saiu-se com esta: “No futuro, se eu não for candidato a presidente da República, posso disputar o governo do Distrito Federal.”
A resposta do ministro:”Não vou me meter em política, não sou candidato, nunca serei, nem filiado a partido político eu sou. E nem vou me filiar. Sou técnico e minha realização profissional está em poder realizar o meu trabalho técnico, de buscar soluções para a infra-estrutura do país. Jamais diria isso”.
Com líderes alvos da Justiça, Centrão faz cálculo político do apoio a Bolsonaro
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O Centrão acendeu o pisca-alerta depois das denúncias da Procuradoria-Geral da República sobre os parlamentares do grupo e o pedido de prisão do deputado Paulinho da Força (SD-SP) pela primeira turma do Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação é a de que a aproximação com Jair Bolsonaro apenas deixou seus integrantes expostos, apanhando em todas as instâncias e sem um retorno capaz de compensar o desgaste a todos os seus quadros. Por enquanto, a ordem é continuar apoiando o governo, porque, ruim com ele, pior sem ele.
Porém, as ações judiciais, a que muitos chamam de “perseguição política”, tiram fôlego do grupo para votar propostas impopulares em bloco, porque os próprios deputados não vão querer se desgastar com o eleitorado. Ou seja, o governo terá apoio, mas as negociações terão que ser projeto a projeto. Pacotes fechados ficaram mais difíceis.
Na repescagem
Com os integrantes do PP desgastados por causa das ações da Procuradoria-Geral da República, o presidente do MDB, deputado Baleia Rossi (SP), passou a frequentar as listas de possíveis candidatos à sucessão de Rodrigo Maia (DEM-RJ).
Missão impossível
O acordo do presidente Jair Bolsonaro envolve apenas governabilidade. O que o deputado Eduardo Bolsonaro disse num seminário dos teóricos da direita sobre a participação do governo na eleição para presidente da Câmara é visto como a grande expectativa do Centrão e do próprio Planalto. O problema é que ninguém acredita em união dos partidos do grupo em torno de um único candidato.
Cota ideológica
É bom o Centrão não ficar muito animado com a perspectiva de indicar um ministro da Educação para o governo de Jair Bolsonaro. Assim como Relações Exteriores, Direitos Humanos e Comunicação, esse setor é reservado ao grupo mais ideológico.
Consequências
A mudança na divulgação de casos de covid-19 no Brasil levou muitos advogados a passarem o fim de semana debruçados em estudos sobre como responsabilizar judicialmente o governo pela camuflagem dos dados. Há um consenso no mundo jurídico de que não dá para ter “escondidinho de novo coronavírus”. Como disse o ex-ministro Luiz henrique Mandetta à coluna ontem, “segredo é arma de guerra, não de pandemia.”
Um alento
Nesse momento desafiador da pandemia no Brasil, o Sistema Hapvida tem alcançado resultados animadores em relação aos atendimentos por covid-19, em Manaus (AM). Houve queda de 86% das internações entre 28 de abril — quando houve o pico nas unidades próprias — e 31 de maio. Entre 4 e 31 de maio, a redução de óbitos foi de 85%.
Curtidas
Nunca antes/ Praticamente todos os presidentes anteriores a Jair Bolsonaro tiveram problemas no Supremo Tribunal Federal de ordem pessoal, política ou econômica. Nenhum deles, entretanto, ameaçou fechar o STF.
Lei da mordaça, não!/ Obrigado a cumprir seis meses de quarentena, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta pediu à Comissão de Ética da Presidência da República que lhe informe por escrito tudo o que ele pode e o que não pode fazer nesse período. Ele já foi aconselhado a não participar de lives de instituições de saúde e outras empresas privadas. Vai cumprir à risca. Porém, é médico e não ficará calado em plena pandemia de covid-19 com números crescentes no Brasil.
Esplanada tensa/ Se as manifestações continuarem crescendo, já tem gente pensando em fazer na Esplanada o mesmo que houve no período do impeachment de Dilma: marcar as divisões, de um lado, os bolsonaristas, de outro, os oposicionistas.
Ponto estratégico/ Das principais lojas de grife da 5ª Avenida em Nova York, a única que não apresenta tapumes nas vitrines é a Gucci. Explica-se: Fica na Trump Tower, área cercada e protegida pelo serviço secreto americano.










