coluna 6 de julho Crédito: Caio Gomez

A luta comum de todas as mulheres

Publicado em coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, GOVERNO LULA, Política

Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 5 de julho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza

Crédito: Caio Gomez

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro protagonizou o fato político mais importante da semana ao denunciar a truculência masculina nas decisões do partido ao qual pertence. A insatisfação foi de tal monta que há dúvidas até sobre a intenção da ex-presidente do PL Mulher de disputar uma eleição bastante favorável para o Senado pelo Distrito Federal.

Michelle denunciou seguidos ataques e humilhações pela ala machista da política. O desabafo provocou dois movimentos opostos. De um lado, atiçou novas ações misóginas, como a grotesca declaração de que “mulher vota mal” e mais ataques à senadora Damares Alves. Por outro lado, despertou uma mensagem suprapartidária em defesa do papel da mulher na política.

Além da própria Damares, que exortou as mulheres a ingressarem na política, outras personalidades manifestaram repúdio ao machismo e movimentos congêneres, como “red pill”, que disseminam o ódio ao gênero feminino. Simone Tebet, Celina Leão, Marina Silva, Eliziane Gama deixaram claro que, acima das diferenças ideológicas, há uma bandeira em comum: o respeito e a valorização das mulheres na política.

“Podemos ter divergências políticas, mas quando uma mulher é atacada na sua dignidade e na sua capacidade, todas nós somos atacadas”, disse Eliziane Gama (PT), em solidariedade a Damares Alves.

Legionária

Uma das personalidades brasileiras mais conhecidas do mundo, a ex-ministra do meio ambiente Marina Silva recebeu a insígnia de Cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra, a mais alta honraria concedida pela França. Em agradecimento, Marina disse que não acolhe a homenagem como uma conquista individual, mas como uma celebração à retomada de políticas ambientais a partir do terceiro mandato do governo Lula.

Dobradinha

Inspirado na série Os Intocáveis, de Romeu Zema, o senador Eduardo Girão lançou o vídeo Os Invotáveis a fim de turbinar a pré-campanha no Ceará. Com ataques a Lula e a Ciro Gomes, o pré-candidato a governador se junta ao colega de partido e presidenciável pelo partido Novo para reforçar o palanque da direita. “Sabe quem é votável? Quem é de direita e não tem medo de afirmar: se a esquerda está de um lado, eu estou do outro.”

Arsenal

A lista de armas vinculadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro inclui seis pistolas, duas carabinas e duas espingardas. Todas deverão ser recolhidas por ordem do ministro Alexandre de Moraes, que manteve a prisão domiciliar do condenado. Moraes também revogou o Registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) do ex-chefe do Planalto.

PT e bets

Um levantamento divulgado pelo Partido dos Trabalhadores indica que os integrantes da legenda na Câmara dos Deputados apresentaram 28 projetos de lei para disciplinar as bets no Brasil. Entre outras medidas, as propostas defendem proibição da publicidade em unidades de ensino e de saúde, restrição do acesso de beneficiários de programas sociais a plataformas e programas de proteção a crianças, adolescentes e idosos.

Vício é caro

Um dos temas preocupantes em relação às bets é o custo no tratamento de pessoas que se tornaram dependentes da jogatina. Segundo o diretor do Departamento de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Marcelo Dias, a arrecadação proveniente das apostas é muito inferior ao custo das ações do governo federal para viciados em jogos.

Na ponta do lápis

“O que se prevê de carga tributária, dentro do desenho que existe hoje, para o Ministério da Saúde foi, no ano passado, de R$ 34 milhões, e, este ano, R$ 56 milhões. Só as ofertas que nós fazemos relacionadas a pessoas com problemas com jogos e apostas seguramente vão ultrapassar R$ 70 milhões, R$ 80 milhões ao longo deste ano, junto com as outras ações que estão sendo realizadas”, afirma Dias.

Brasil raro

Lançado na semana passada, um trabalho produzido pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) conclui que o Brasil reúne condições para exercer um papel relevante no mercado global de terras raras. Para tanto, é preciso criar uma estrutura industrial que vá além da extração e aprimore as etapas de refino e metalurgia. Ao apresentar um road map sobre as potencialidades do Brasil com as terras raras, o levantamento tem como foco um projeto a longo prazo.

Mapa da mina

Na avaliação de Anderson Gomes, diretor-presidente do CGEE, o documento Terras Raras no Brasil: Estado da Arte, Cenários e um Mapa do Caminho Estratégico para 2026–2040 representa “um esforço coletivo de reflexão sobre os caminhos possíveis para que o Brasil transforme seu potencial geológico em capacidades produtivas, tecnológicas e inovadoras compatíveis com os desafios e oportunidades das próximas décadas”.

Oportunidade amazônica

Segundo a pesquisa, as terras raras ocupam posição central nas discussões sobre transição energética, transformação digital, segurança econômica, resiliência das cadeias de suprimento, defesa, mobilidade elétrica e tecnologias avançadas. E afirma que a Amazônia, por suas características naturais, tem um papel estratégico para inserir o Brasil nesse contexto econômico.

Riqueza nacional

Mais do que um país privilegiado com reservas naturais de terras raras, o Brasil tem potencial para adicionar valor agregado a esse nicho da mineração. “A verdadeira riqueza não está apenas no que existe no subsolo. Ela está na nossa capacidade de transformar esses recursos em conhecimento, tecnologia, inovação, produtos de alto valor agregado e desenvolvimento para a sociedade brasileira”, disse a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, no lançamento do estudo.