Estado de infelicidade

Publicado em ÍNTEGRA

VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)

Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

jornalistacircecunha@gmail.com

facebook.com/vistolidoeouvido

instagram.com/vistolidoeouvido

 

Imagem: divulgação

Qualquer cidadão, aqui e em outras partes do planeta, sabe muito bem e até deseja, ardentemente, em seu íntimo, que o Estado, essa entidade invisível e onipotente, apeie de cima de suas costas, largue as rédeas e o deixe viver em paz, sem arreios e bridão.

Publicado no fim da Segunda Guerra Mundial, o livro Governo onipotente, escrito pelo economista austríaco Ludwig Von Mises (1881-1973), busca explicar, dentro de conceitos da própria economia, as causas que levaram aos sangrentos conflitos entre os Estados e que geraram um número de mortos que muitos historiadores apontam como próximo de 100 milhões. Isso numa época em que a população mundial andava por volta de 2 bilhões de almas.

Com Mises, emerge a percepção da praxeologia, ou seja, de que existe toda uma estrutura lógica e complexa a motivar as ações humanas e que as levam a atingir conscientemente seus propósitos. Segundo ele, o homem perfeitamente satisfeito com seu estado atual e sua situação não possui motivações para mudar de vida.

Há, assim, uma constante expectativa de que a vida vá se desenrolar segundo situações que sua mente planejou como favorável e feliz. É nessa expectativa otimista que o homem busca agir. A ação é sempre realizada em busca de uma felicidade que virá. O filósofo de Mondubim já costumava dizer que é a insatisfação que move o mundo.

No livro Governo onipotente, o que Mises procurava confirmar é que foram as excessivas interferências governamentais, na economia principalmente, que levaram à eclosão da Segunda Guerra Mundial e a todo aquele morticínio irracional. Em outras palavras, somente o liberalismo, com seu livre-mercado e com um governo limitado pelas diretrizes de uma democracia baseada na ética, seria capaz de garantir a paz.

É com esse pensamento que Mises chega à conclusão de que foram, justamente, os governos com ideias centralistas e com tendências ao despotismo e ao autoritarismo que conduziram boa parte da humanidade à carnificina da Grande Guerra. Ou seja, o nazismo e o comunismo, com seus pontos de vista comuns quanto ao estatismo, que levaram milhões a perecer nos campos de guerra.

A filosofia libertária, ao buscar que o Estado renuncie ao seu protagonismo egoico e desça, literalmente, das costas do cidadão, nas quais há séculos vive encilhado. Daí, estar presente intimamente no planejamento e nos projetos daqueles que sonham e almejam dias mais felizes. Exemplo dessa ação humana pode ser conferida nos dias atuais, quando se verifica a quantidade de jovens que simplesmente fugiram da Rússia para não morrer nas fileiras do exército invasor de Putin.

O livro traz consigo uma lógica, que mesmo impecável, do ponto de vista das ciências humanas, ainda não foi compreendida em toda a sua extensão e sentido. O governo e sua fantasia, o Estado, ao se colocar como uma pedra no sapato daqueles que planejam seguir rumo a dias melhores, é sempre o pesadelo e o responsável pelas tragédias humanas.

Limitar-lhes a ação é permitir força que, no seu mais recôndito íntimo, deseja se ver livre desse gigante insaciável. Ações simples — como aquelas empreendidas por cidadãos comuns, que anseiam pagar menos impostos, tarifas e tributos, como é o caso, aqui, da energia solar residencial, ou da coleta de água das chuvas para consumo próprio, ou mesmo, como se vê agora com dispositivos eletrônicos que permitem economia na conta de luz — mostram o desejo de inúmeras pessoas, em sua ação humana, para fugir das garras cada vez mais afiadas que nos perseguem.

 

A frase que foi pronunciada:

“O credo da nossa democracia é que a liberdade é adquirida e mantida por homens e mulheres que são fortes e autossuficientes, e possuidores da sabedoria que Deus dá à humanidade — homens e mulheres que são justos, compreensivos e generosos para com os outros — homens e mulheres que sejam capazes de se autodisciplinarem, pois são eles os governantes e devem governar-se a si próprios.”
Franklin D. Roosevelt

Franklin D. Roosevelt. Foto: super.abril

Valor X Preço
Domingos é um mecânico que chegou a Brasília ainda na época da poeira. Fica nas oficinas da Asa Norte esperando um serviço daqui e dali. É um daqueles homens que não têm preço. Têm valor. Certa feita, uma cliente lhe perguntou, depois de ter trabalhado a tarde toda no carro, se ele estava lhe enganando. Se realmente usou peças boas. Não teve dúvida. Rasgou o cheque que recebeu na frente da moça e deixou claro que não queria dinheiro desse tipo de gente. A moça chorou arrependida, mas ele não cedeu. Foi a pé para casa, feliz da vida.

 

Novo programa
Não dá para entender a razão de, até hoje, os professores da rede pública do DF não terem plano de saúde decente, em que possam ser atendidos em bons hospitais e fazerem exames nas melhores clínicas. O GDF deve essa aos mestres da capital.

Charge: humorpolitico.com.br

 

História de Brasília

Os danos foram somente materiais, mas atingiram a certa soma, principalmente porque uma das telhas atingiu em cheio um DKW Vemag, de propriedade do sr. Sergio Marcondes. (Publicada em 04.04.1962)

It's only fair to share...Share on Facebook
Facebook
Share on Google+
Google+
Tweet about this on Twitter
Twitter
Share on LinkedIn
Linkedin