Fernanda Gomes Garcia, diretora da CBL, Luis Antonio Torelli,  presidente da CBL, e Luiz Armando Bagolin, curador do Prêmio Jabuti
Fernanda Gomes Garcia, diretora da CBL, Luis Antonio Torelli, presidente da CBL, e Luiz Armando Bagolin, curador do Prêmio Jabuti

Mudanças no Prêmio Jabuti: menos categorias e participação de independentes

Publicado em história, literatura, livro, poesia, quadrinhos

Mudanças no Prêmio Jabuti de 2018 pretendem fazer uma espécie de restauro em uma das premiações de literatura mais antigas do país. A 60º edição do Jabuti teve o número de categorias reduzido, mudanças na escolha dos vencedores e na seleção do júri e acréscimo de duas novas modalidades. Em coletiva realizada nesta terça (15/05), o presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Luís Antonio Torelli, e o curador do prêmio, Luiz Armando Bagolin, anunciaram uma reforma que definem como “racionalização” do prêmio. “Uma das novidades, que vem ao encontro do que a CBL prega, que é essa coisa de conquistar mais leitores, é que a gente também inclui no Jabuti 2018 o prêmio para a formação de leitores”, avisa Torelli.

Segundo ele, várias ações praticadas no país para estimular a formação de leitores passam despercebidas e, a partir de agora, a CBL quer trazê-las para os holofotes da premiação. O foco das mudanças, segundo Bagolin, que é professor da Universidade de São Paulo (USP) e diretor da Biblioteca Mario de Andrade, é o leitor. Se o Jabuti foi lançado há 60 anos como um prêmio do mercado editorial, ele precisa, de acordo com o curador, se atualizar e direcionar o olhar para quem dá sentido à cadeia editorial. “Lembrando que, sem o leitor, nada existe. É muito mais fácil lançar um prêmio novo do que pegar um prêmio de 60 anos e fazer uma atualização. E reconhecendo o comportamento do leitor, o Jabuti tem que mudar. Durante 60 anos, ele perdeu esse contato”, acredita. “É um prêmio do leitor brasileiro, deve ser uma homenagem do mercado editorial ao leitor. Sem ele não existe prêmio, livraria, venda.”

Uma das iniciativas para essa aproximação foi mudar a maneira como os jurados são escolhidos. Desde 2017, e com um reforço para a edição de 2018, eles podem ser indicações externas ao conselho curador, que fica com a função apenas de checar possíveis conflitos de interesse. Assim, não é preciso ser acadêmico, ter títulos e nem mesmo curso superior para participar do grupo que vai selecionar o vencedor. A ideia é apenas que essas pessoas sejam bons leitores. “Essa mudança foi uma das principais responsáveis pelo sucesso da premiação do ano passado porque tivemos um júri não só de especialistas”, explica Bagolin. “Não importa a titulação, se tem doutorado, mestrado, se é da USP. Esse nomes vêm do universo exterior e nossa função é apenas checar se esse nome pode participar da edição em função do regulamento.” Essa seleção ocorre a partir desta terça (15/05), com a publicação do regulamento, e vai até junho. Outra novidade é que os jurados vão receber o formato digital dos livros e poderão selecionar 13 obras em dois meses. Antes, eles tinham um mês para escolher 10 obras.

Mais mudanças

Além disso. a CBL suprimiu os segundos e terceiros lugares, além de anunciar os ganhadores nas categorias durante a cerimônia de premiação. Até o ano passado, os vencedores eram conhecidos um mês antes da festa. Agora, nem mesmo o curador terá acesso ao nome do ganhador antes da cerimônia.

Haverá, ainda, uma lista de 10 finalistas, divulgada com antecedência. “A decisão foi justamente em função de tornar o prêmio mais competitivo. A gente excluiu as duas fases, os ganhadores são anunciados na própria cerimônia, e na medida em que elimina o primeiro e o segundo lugar e que o anúncio é feito em uma cerimônia, aumenta o valor simbólico da competição”, garante o curador. “Porque o Jabuti foi se tornando carne de vaca, todo mundo ganha o prêmio, passa três meses e você não sabe mais quem é o ganhador. Nessa atualização, o que a gente quer é que volte a ser um prêmio disputado pelos autores. Isso valoriza os finalistas.”

Outra mudança significativa diz respeito ao agrupamento de categorias em quatro eixos: Literatura (romance, poesia, conto, crônica, infantil/juvenil, tradução e HQ), Ensaios (biografia, humanidades, ciências, artes e economia criativa), Livro (projeto gráfico, capa, ilustração e impressão) e Inovação (formação de novos leitores e livro brasileiro publicado no exterior). Dessas, duas são novas: formação de novos leitores e impressão.

A CBL também quer agregar os autores independentes. Eles terão direito a taxa de inscrição de valor menor e não precisarão gastar com a impressão de cinco exemplares físicos porque, a partir deste ano, será possível enviar os exemplares em versão digital em PDF. É uma maneira de democratizar o acesso, incluir os independentes e incorporar nomes que fazem sucesso em plataformas DE autopublicação ou no mercado dos independente. O regulamento exige, no entanto, que o exemplar enviado, mesmo que digital, tenha a ficha ISBN, conforme a Lei do Livro. Para categorias que premiam a materialidade da edição, como ilustração, impressão, capa e projeto gráfico, ainda será necessária a entrega do livro físico.

De 29 categorias, o prêmio passou para 18 e está mais organizado. “A gente sempre achou que o problema do prêmio não era a quantidade de categorias, mas a confusão de categorias, então reunimos em eixos com afinidades eletivas”, explica Bagolin. O Livro do Ano, escolhido pela diretoria da CBL, permanece como a premiação de maior valor, com R$ 100 mil. Já os vencedores nas categorias levam pra casa R$ 5 mil. A premiação está marcada para 8 de novembro, às 19h, no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo.