Por enquanto, voto de confiança está mantido

Publicado em Economia

Em conversas reservadas com o Blog, investidores de alto calibre que estiveram hoje com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disseram que, mesmo não tendo ouvido nada de novo do chefe da equipe econômica de Michel Temer, estão decididos a manter o voto de confiança no governo. Alegaram que, independentemente das concessões feitas pelo governo até agora e das derrotas de Meirelles, acreditam que o ajuste fiscal será reforçado depois da aprovação do impeachment definitivo de Dilma Rousseff.

 

Na avaliação dos investidores, Meirelles se mostrou muito tranquilo, apesar de ciente da dificuldades que enfrenta, ao apresentar todas as propostas que estão colocadas para a arrumação das contas públicas. O ministro repetiu que a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita o aumento de gastos à inflação do ano anterior será um marco na história da administração pública, e disse ter certeza de que o Congresso não faltará ao governo neste momento.

 

Para os investidores, ficou claro que Meirelles conta com o aumento das receitas no segundo semestre do ano, devido à ligeira melhora da atividade, para evitar aumento de impostos. A possibilidade de alta dos tributos está na mesa e o governo vem testando a opinião pública sobre o tema. Tudo, porém, só será decidido no fim do mês, quando se fechará a proposta de Orçamento de 2017 e se espera que Dilma já esteja bem longe de Brasília. O ministro indicou que o resultado da economia poderá ser melhor em 2017 do que o esperado. O governo prevê crescimento de 1,2% para o Produto Interno Bruto (PIB).

 

Os investidores disseram a Meirelles que há muito interesse em relação ao país, admitiram que um volume grande de recursos pode entrar no Brasil depois do impeachment. Ma será preciso que o governo reforce e acabe com as contradições no ajuste fiscal. “O voto de confiança no governo Temer permanecerá, por enquanto. A expectativa positiva que se está vendo será mantida nas próximas semanas. Mas o governo realmente precisará ser muito mais convincente depois do afastamento definitivo de Dilma”, afirmou um representante do grupo que esteve na Fazenda.

 

Brasília, 15h30min