Obra transforma vivência da maternidade atípica em narrativa poética e reforça a importância da literatura como ferramenta de inclusão desde a infância
Como compreender o mundo singular de uma criança dentro do espectro autista? Essa é a pergunta que atravessa o livro ‘Meu Menino Passarinho’, novo livro da escritora e ilustradora Tati Santos de Oliveira, recém-lançado pela Editora Papagaio. A obra propõe um mergulho delicado e poético na relação entre mãe e filho, narrada a partir de dois pontos de vista: o materno e o do próprio “passarinho”, metáfora sensível para uma criança que percebe o mundo por meio de sons, cores, gestos e silêncios muito particulares.
Com texto lírico e ilustrações suaves, o livro constrói uma narrativa que transforma vivências reais em poesia. Longe de explicações técnicas ou didatismos, a história aposta na empatia como linguagem central, criando pontes entre universos que, à primeira vista, parecem distantes, mas que se encontram no afeto cotidiano. Cada pausa, cada olhar e cada traço revelam que há sentido mesmo naquilo que não se diz e que compreender nem sempre significa traduzir, mas respeitar.
Inspirada na própria maternidade, Tati é mãe de Maria Luiza e de João, filho autista que deu origem à história. O livro nasce da escuta atenta que a maternidade atípica exige e do aprendizado constante de perceber o mundo para além dos parâmetros convencionais. Essa vivência confere autenticidade à obra, que se ancora na realidade sem abrir mão da delicadeza e da imaginação.
Mais do que um livro sobre autismo, Meu Menino Passarinho é uma obra sobre infância, vínculo e pertencimento. Ao apresentar o espectro a partir de uma narrativa afetiva, o livro contribui para ampliar o repertório de crianças, famílias e educadores e reforça a importância da inclusão desde a primeira infância. Ler histórias que representam diferentes formas de existir no mundo ajuda a formar leitores mais empáticos, capazes de reconhecer e respeitar a diversidade humana desde cedo.
Tati Santos de Oliveira tem uma trajetória dedicada a narrativas sensíveis sobre diversidade, corpo e identidade. Ela também é autora de ‘A Menina Feita de Nuvens’, obra que aborda de forma lúdica o vitiligo na infância.
Inclusão desde a infância
O livro ‘Meu Menino Passarinho’ dialoga diretamente com os princípios das políticas de inclusão, que reconhecem a infância como etapa fundamental para a construção de valores como empatia, respeito e convivência com a diversidade. O contato precoce com narrativas inclusivas contribui para reduzir estigmas, combater o capacitismo e formar crianças mais abertas às diferenças.
Ao apresentar o autismo por meio de uma história afetiva, o livro reforça a ideia de que inclusão não se faz apenas por meio de normas ou adaptações pedagógicas, mas também pela cultura, pela literatura e pelas experiências simbólicas que moldam o olhar das crianças sobre o outro.
Indicação para uso em sala de aula
Com linguagem poética e ilustrações delicadas, ‘Meu Menino Passarinho’ pode ser utilizado como ferramenta pedagógica em escolas da educação infantil e dos primeiros anos do ensino fundamental. A obra favorece atividades de leitura mediada, rodas de conversa e projetos sobre diversidade, sentimentos e formas diferentes de perceber o mundo.
Educadores podem explorar temas como escuta, respeito ao tempo do outro, sensibilidade sensorial e convivência, sem recorrer a explicações técnicas sobre o Transtorno do Espectro Autista. A história permite que crianças compreendam a inclusão a partir do afeto e da identificação, tornando o livro um recurso valioso para práticas educativas alinhadas a uma educação inclusiva e humanizada.

