Italiano garante estrela Michelin no Copacabana Palace

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Um esteta na cozinha

Quando o Rio de Janeiro receber o título de capital mundial da arquitetura, conferido pela Unesco e pela União Internacional de Arquitetos, depois de derrotar Paris e Melbourne para sede do maior congresso mundial da categoria, que será realizado em julho de 2020, tudo lá irá girar em torno do espaço e de suas linhas. Como toda cidade anfitriã, o Rio também caprichará nas dicas onde comer, onde beber e onde se divertir oferecidas aos turistas. Entre as sugestões gastronômicas, destaque para um endereço cheio de história — o Copacabana Palace — cujo chef executivo, que assumiu em novembro de 2016, é um esteta na cozinha.

Chama-se Aniello Cassese (foto), conhecido como Nello, o responsável pelo restaurante Cipriani, que concentra pratos clássicos de trattoria no almoço e, no jantar, os pratos autorais, como a sobremesa Pedras no Bosque (foto), “uma receita inspirada por um passeio na região da Toscana”, lembra o chef. Composta por uma musse de iogurte, crumble de avelã e chocolate, e três “pedras” com sabores diferentes: chocolate com pimenta; queijo e Grand Marnier e maracujá com cumaru. Simula a construção de um jardim que tem até árvore (feita de chocolate 80% cacau) e borboleta no topo — um tema cada vez mais caro aos brasileiros em tempos de denúncia de derrubada e queimada de matas.

Crédito: Tomas Ragel/Divulgação. Sobremesa As Pedras no Bosque.

Primeira estrela

Mas o que está na raiz desse napolitano, 32 anos, é mesmo a cozinha italiana de vanguarda, extremamente fiel à tradição que lhe traz à memória o aroma dos ragus e o gosto dos frutos do mar preparados pela avó no sul da Itália, lugar onde nasceu. Nello despertou seu interesse pela culinária aos quatro anos. Aos 20, sua maior experiência decorre dos anos trabalhados com o inglês Gordon Ramsay, no Hotel Castel Monastero, em Siena, na Toscana. Nesse tempo, o chef também realizou treinamento em outros três restaurantes estrelados de Ramsay em Londres. No Rio de Janeiro, o italiano com apenas um ano de casa conquistou o título de chef Revelação 2017 do prêmio Comer e Beber da Veja Rio e, há cinco meses, o restaurante Cipriani, nome em homenagem ao lendário Belmond Hotel Cipriani em Veneza (onde, em 2014, se casaram George Clooney e a advogada Amal Alamuddin) recebeu, pela primeira vez, a cobiçada estrela Michelin.

“Ganhar uma estrela Michelin, considerada o Oscar da gastronomia, tem um significado enorme. Claro que essa caminhada não é fácil, é um longo processo no qual o restaurante e o chef precisam mostrar consistência. Outros pontos como combinação de sabores e texturas, o serviço bem executado no salão e a harmonização dos vinhos também contribuem para o resultado. É, verdadeiramente, um trabalho em equipe, realizado de forma incansável e consistente, dia após dia”, revela o chef.

Vista da piscina

Sempre em busca dos melhores produtos do mercado, Nello Cassese desenvolveu com eles menus específicos. O do almoço é composto por antepastos, primeiro prato, segundo prato e sobremesa. Nesta temporada de primavera, há cannelloni de bochecha de vitelo ao molho putanesca (R$ 73); linguado gratinado ao limão, legumes da estação, molho; peixe do dia cuscuz siciliano e brócolis e costeleta de Angus a milanesa, ambos os pratos por R$ 220 cada servem duas pessoas. À noite, a experiência é mais autoral, e você pode pedir o menu degustação (R$ 420 + 10%). No que ele me serviu, depois do amuse bouche, veio beterrabas, queijo de cabra, ostra, melancia; outro prato de foie gras, radicci e tangerina; em seguida taglioline limão siciliano camarões, burrata e abobrinha; outra pasta, o famoso ravioli a Cacio & Pepe com pimentão queimado e delicioso lardo para encerrar com uma parmigiana de peixe do dia, muçarela defumado e tomate fresco.

Crédito: Charles Sharp/Wikipedia/CB/D.APress. Rio de Janeiro. Copacabana Palace.

Depois da escultural sobremesa, ainda vem uma seleção de chocolates artesanais brasileiros e petit fours. Você também pode se deliciar com o menu-degustação na mesa do chef, espaço dentro da cozinha do restaurante, de onde se observa todo o vaivém dos cozinheiros. Nessa opção, porém, deixa de ouvir a música do piano de cauda, a vista da icônica piscina e dos monumentais lustres de cristal do salão. Foi na piscina do Copa que, em 1942, Maria Lenk fundou a primeira escolinha de natação do país. Anos mais tarde, Lady Di deu algumas braçadas no retângulo de água de dimensões semiolímpicas, cercado de confortáveis espreguiçadeiras nas quais se acomodaram astros internacionais, chefes de estado e integrantes do que ainda resiste no high society carioca. Fica na Avenida Atlântica, 1702, Copacabana. Telefone: (21) 2545-8787.

Liana Sabo

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