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Deixado para escanteio nesse período pré-eleitoral, o ministro da Economia, Paulo Guedes, foi o que restou ao presidente Jair Bolsonaro para ajudar na busca de um novo presidente para a Petrobras. E, com Guedes, volta à cena a agenda que o ministro sempre defendeu, de privatização da empresa. Não por acaso, até o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), entrou nesse embalo. A privatização é o bode que entra para esconder o vaivém na troca de comando na petroleira.
Ao colocar a privatização em pauta, deixa-se de discutir o preço dos combustíveis, a confusão criada pelo presidente ao demitir o general Joaquim Silva e Luna, o problema causado pelas indicações de Adriano Pires e do presidente do Flamengo, Rodolfo Landim. Passa-se diretamente ao privatiza ou não privatiza. Vale lembrar que, em 2006, essa discussão ajudou na reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra Geraldo Alckmin. Naquela época, o PT acusava os tucanos de privativistas. A política deu voltas, mas a pauta continua a mesma.
“Caio do e-gov”
O secretário de Desburocratização Caio Paes de Andrade, nome cotado para a Petrobras, é sempre citado no governo como o criador do e-gov. E já tem no radar uma ideia que recebeu do deputado Júlio Lopes (PP-RJ), hoje na suplência. Criar a “bomba on-line”.
Na bagagem
Lopes, que é suplente e exerceu o mandato de deputado até a semana passada, levou ao governo o projeto de monitoramento on-line de todas as bombas de combustível, nos 39.763 postos de abastecimento do Brasil. A ideia, que já havia sido discutida tanto com Adriano Pires quanto com o governo, consiste em registrar, cada vez que o cidadão abastecer o carro, o total de litros e o valor pago.
Por que o PL cresceu?
O tamanho do partido de Jair Bolsonaro, com 76 deputados, e seus principais aliados, PP e Republicanos, é o maior sinal de que a classe política vê ali um “perfume de poder”. Ou seja, acredita piamente na recuperação do presidente.
Retorno à clandestinidade
O ex-ministro José Dirceu tem sinal verde de Lula para as conversas que tem feito Brasil afora. A ordem é deixá-lo trabalhar sem que seja visto como algo feito oficialmente pelo partido.
Roteiro/ A reunião em que o PSB apresentará Geraldo Alckmin como o nome a vice de Lula, nesta sexta-feira, é o primeiro passo para o ex-presidente tentar convencer a ala do PT que não deseja a parceria com o ex-tucano. E se não colar, Geraldo será o vice assim mesmo.
Vale lembrar/ Lula tem dito ao PT que sempre fez o que o partido quis. Agora, está na hora de o PT seguir o que ele deseja para ser o candidato.
Oráculo de Delphos/ O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, ganhou o apelido de “pitonisa do PP”. Há alguns meses, ele havia dito que o ex-juiz Sergio Moro iria “trair” o Podemos e iria para o União Brasil. E chegando lá, também haveria problemas.
Por falar em Moro…/ O ex-juiz começou, em dezembro de 2021, como a maior aposta para enfrentar Lula e Bolsonaro. Agora, chega à segunda temporada em baixa, uma vez que seu partido não deseja sua candidatura. O União Brasil trabalha é para recuperar a parcela expressiva de deputados que deixaram a legenda em março. Hoje, a bancada fará uma reunião para discutir esse assunto e tentar tirar uma posição a respeito.
É bom a senadora Simone Tebet, pré-candidata a presidente da República, começar a fazer as contas para ver que parcerias conseguirá manter ao seu lado país afora numa campanha presidencial. No Distrito Federal, por exemplo, seu partido, o MDB acaba de se apresentar publicamente ao lado do PL de Jair Bolsonaro, com direito a bênçãos do ex-presidente Michel Temer.
Quanto à terceira via, Temer disse que ainda há sete meses até a eleição e não vê empecilhos por causa da aliança no DF. Internamente, no MDB, porém, já tem muita gente dizendo que, para sobreviver, o partido terá que dividir alguns de seus candidatos a governador com Bolsonaro e outros presidenciáveis.
CURTIDAS
A compensação do Republicanos/ O ingresso do vice-presidente Hamilton Mourão ao Republicanos hoje amenizou um pouco a ciumeira na base, mas não resolveu. É que Mourão concorrerá ao Senado pelo Rio Grande do Sul, e isso não se traduz automaticamente em votos para os deputados federais da sigla, eleição que conta para fundo partidário e tempo de tevê.
Trabalho dobrado/ O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), está “obrigando” vários deputados a fazerem duas campanhas: uma para a reeleição e outra para de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), na vaga decorrente da aposentadoria da ministra Ana Arraes, em julho.
Elas por ela/ A bancada feminina já fechou todos os votos das deputadas no exercício do mandato (são 76 hoje) para a deputada Soraya Santos (PL-RJ), na foto, a única mulher que concorrerá à vaga do TCU. A ministra Ana Arraes é hoje única mulher no colegiado e a campanha das parlamentares será no sentido de que, nada mais justo, ela seja substituída por outra pessoa do sexo feminino.
Quem manda/ Antes mesmo de chegar ao PL, a deputada Bia Kicis (DF) já foi avisada sobre as regras internas da legenda. No Distrito Federal, quem fala sobre candidaturas ao governo e ao Senado pelo partido é a presidente da sigla no DF e ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda. Aliás, nesse tema, não são raras as vezes em que Flávia é bem direta a quem resolve falar sobre as candidaturas majoritárias: “Aqui, quem decide sou eu. Eu concedo a legenda e também posso tirar”.
O Partido Liberal, de Valdemar Costa Neto e da ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, ofereceu ao presidente Jair Bolsonaro o seguinte acordo: A aula direção, leia-se Valdemar, continua a administrar os recursos dos fundos partidário e eleitoral e Bolsonaro fica com o direito de indicar os candidatos ao Senado. O presidente, que tem o convite do PP __ e muitos progressistas já têm essa filiação como fechada__, ficou de pensar e ainda não decidiu onde apoiará suas fichas.
Com o PP, o minero Ciro Nogueira tem dito aos amigos que “está tudo certo e nada decidido”. Isso porque alguns estados estão co dificuldades em aceitar que o presciente indique os candidatos ao Senado. Em Goiás, por exemplo, Bolsonaro planeja ter como candidato ao Senado o ministro de Infra-estrutura, Tarcísio de Freitas, mas a vaga no PP já está reservada para Alexandre Baldy, hoje secretário de Transporte Urbano em São Paulo no governo do João Dória.
Em tempo: Para Flávia Arruda, pré-candidata ao Senado, e ministra com espaço no Palácio do Planalto, não há meios de dizer não ao chefe. Porém, as apostas são as de que Bolsonaro dificilmente repetirá os 70% que obteve no Distrito Federal em 2018. Até aqui, a incerteza reina quando o assunto é sucessão presidencial.
Para o presidente, porém, a escolha entre um e outro partido está complicada. Há o receio de, ao optar por um, perder o outro. a não ser, claro, que venha uma fusão capaz de resolver essa parada. O problema é que, se isso ocorrer, vai ser difícil Bolsonaro ter o direito de indicar todos os candidatos, como deseja.
Coluna Brasília-DF
Os padrinhos dos novos ocupantes de cargos considerados “top de linha” do governo vão muito além dos líderes do Centrão. O Banco do Nordeste (BNB), por exemplo, tende a se transformar numa “joint venture” entre uma parte do PL de Valdemar Costa Neto e o PTB de Roberto Jefferson, o responsável pela indicação de Alexandre Borges Cabral para comandar a instituição.
Os líderes do PL tentaram por três vezes emplacar alguém que fosse indicado apenas pelos seus, mas a nomeação saiu somente depois de o governo fechar também com o PTB — que, aliás, já havia indicado Cabral para a Casa da Moeda, no governo de Michel Temer, pelas mãos de dois deputados à época, Jovair Arantes e Nelson Marquezelli.
Da mesma forma que agora o governo usa o PL como “barriga de aluguel” para indicar um aliado do PTB, Arthur Lyra, o líder do PP, cedeu a indicação do chefe do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) ao PL pernambucano e ao Avante, como forma de atrair aliados para a sua campanha pela Presidência da Câmara. E as indicações ainda não acabaram. Outros cargos virão.
Em tempo: Roberto Jefferson diz que não teve nada a ver com nenhuma das duas indicações de Cabral. Afirma que nem sabe quem é.
Foca no Celso
A mensagem que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello enviou a amigos, preocupado que ocorra no Brasil o que houve na Alemanha, com a destruição da democracia pelos nazistas, desviou o foco dos apoiadores do presidente: agora, é primeiro Celso de Mello, depois Alexandre de Moraes.
Sem intermediários
O PP de Ciro Nogueira não aceitou dividir o FNDE com outros partidos. Pelo menos até aqui, a indicação do novo comandante do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação foi da lavra de seu presidente, o senador Ciro Nogueira (PP-PI)
Continhas
Com o Centrão, Bolsonaro espera fechar 280 votos em seu favor na Câmara dos Deputados. Assim, avaliam aliados do Planalto, não tem impeachment que prospere.
Outros cálculos
O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) tem dito que o governo pode participar da eleição da Presidência da Câmara. O último que tentou isso acabou perdendo apoios. A preços de hoje, é impossível fechar um nome e deixar todos os aliados de Bolsonaro satisfeitos.
CURTIDAS
Juiz versus capitão/ Ao responder às provocações de Bolsonaro, o ex-ministro da Justiça Sergio Moro chama o presidente para o ringue. Entre o dois, em termos de serviços prestados ao país, a biografia de Moro tem mais substância. Bolsonaro, afinal, ao longo de 28 anos de mandato, não teve qualquer projeto que levasse a sua marca.
Enquanto isso, no combate à pandemia…/ O fato de a Organização Mundial de Saúde (OMS) dizer que a América do Sul ainda não atingiu o pico da pandemia da covid-19 deixou muita gente com receio de que a retomada das atividades normais, em algumas cidades brasileiras, esteja ocorrendo antes da hora. Preocupante.





