A calmaria é apenas aparente

Publicado em coluna Brasília-DF

Blog da Denise publicado em 29 de janeiro de 2025, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito 

Quem vê o clima de “já ganhou” na campanha do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) para presidente da Câmara e de Davi Alcolumbre (UniãoAP), para o Senado, pode pensar que 2025 será de calmaria. Mas está longe disso. A pressão do governo pela definição dos partidos e a guerra das emendas ameaçam antecipar o carnaval. A estratégia de Hugo Motta e Alcolumbre, porém, é aproveitar fevereiro para deixar esse assunto decantar, antes de entrar em guerra, seja contra o Supremo Tribunal Federal (STF), seja contra o Poder Executivo. E, a contar pelas conversas em jantares e reuniões, a toada é a de que, sem resolver essa questão, nada de Orçamento é aprovado.

Todos de olho, mas…

Os oposicionistas querem aproveitar fevereiro para fazer uma varredura nos gastos do governo. Se houver qualquer coisa acima dos um doze avos permitidos, vão botar a boca no trombone pedindo o impeachment de Lula por pedalada, ou seja, gastar sem cobertura orçamentária. Foi isso que derrubou Dilma Rousseff. Só tem um probleminha: Não há qualquer clima nos presidentes da Câmara e do Senado para levar isso adiante.

“Não provoque”

Na linha do “não vamos provocar o governo dos Estados Unidos” dita pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, em almoço promovido pelo grupo Líderes Empresariais (Lide) em São Paulo, Lula não irá à reunião da Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos). A ordem é se preservar, porque, uma hora ou outra, Lula terá que conversar com o presidente Donald Trump.

Vem mais

O aumento no preço dos combustíveis desponta no horizonte e promete mais um repique inflacionário. A expectativa para o Copom, de acordo com Sérgio Goldenstein, estrategista-chefe da Warren Investimentos, é de que hoje a Selic vai subir para 13,25% por unanimidade. “Em consonância com a sinalização dada pelo Copom na última reunião e reforçada por declarações de Gabriel Galípolo em dezembro, quando disse que a barra é alta para fazer qualquer mudança no guidance”, afirmou.

Problemas marítimos I

Navios encomendados pela Transpetro, em 2010, pelo Programa de Modernização da Frota (Promef 2), correm o risco de não serem concluídos e entregues, mesmo estando 80% prontos, por exemplo, os petroleiros Irmã Dulce e Zélia Gattai, parados no Estaleiro Eisa, na Ilha do Governador (RJ). São navios Panamax de até 73 mil toneladas de petróleo bruto (TPB), ameaçados de serem cortados em pedaços.

Problemas marítimos II

As obras das embarcações estão paradas desde 2014, época da Operação Lava-Jato. E vão virar sucata, caso a Petrobras não emita uma carta confirmando “demanda firme”, ou seja, uma autorização para a Transpetro dar sinal verde à conclusão dos navios.

CURTIDAS

Crédito: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Comprinhas internacionais/ A greve dos auditores fiscais da Receita Federal, que dura mais de dois meses, está provocando um colapso no comércio exterior e logística do país. A estimativa é de que cerca de 75 mil remessas expressas de importação e exportação estejam paradas nos terminais alfandegários do Brasil, gerando prejuízos bilionários para empresas e consumidores. “Esses atrasos não afetam apenas as empresas de logística, mas destroem a competitividade do Brasil no mercado global. Produtos essenciais, como kits laboratoriais e peças industriais, estão presos nos depósitos, prejudicando as cadeias produtivas e colocando pequenas e médias empresas em risco”, afirmou o presidente da Frente Parlamentar pelo Livre Mercado, deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP foto).

Cantando vitória…/ Em reta final de campanha pela presidência da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) jantou com políticos do Rio de Janeiro em uma churrascaria na Zona Sul cidade. O encontro foi organizado pelo deputado Doutor Luizinho (PP-RJ), líder do partido. Motta ouviu demandas dos presentes que reforçaram o apoio à sua candidatura.

… nos grandes centros/ Com esse encontro e o jantar de São Paulo, na segunda-feira, Motta fecha as grandes bancadas. Na capital paulista, estavam o atual presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), presidentes de vários partidos, representantes do governo e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). O clima foi de “aclamação” para um deputado que comandará a Casa com a amplitude de conversar com todos os polos.

Cada um no seu quadrado/ Governo e oposição estiveram no jantar em homenagem a Hugo Motta, em São Paulo. Mas em mesas diferentes. Nada de muitos abraços efusivos.

Colaborou Israel Medeiros

Reflexos da desaprovação de Lula

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Blog da Denise publicado em 28 de janeiro de 2025, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito 

A pesquisa Quaest que detectou uma queda na popularidade presidencial terá como principal efeito um pé atrás dos partidos em relação ao governo. Se estava difícil convencer os dirigentes partidários a fecharem com uma candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva rumo a 2026, agora ficará difícil até encontrar nomes de ponta interessados em ocupar o primeiro escalão, conforme relatam aliados.

A ordem dos fatores

Antes de convidar uma cara nova para integrar o primeiro escalão, neste segundo tempo do governo, Lula terá que convencer os nomes mais vistosos de que tem tudo para figurar como uma das principais apostas, no ano que vem. Sem isso, a tendência de receber um “não” será grande. E essa tarefa, de alavancar Lula, não é exclusiva do publicitário Sidônio Palmeira, seu novo ministro de Comunicação Social. Com inflação e juros altos, não tem vídeo que convença o eleitor e os partidos a seguirem com o governo rumo a mais um mandato.

Um para frente…

A atitude do governo de querer baixar os preços de alguns alimentos importados pode ajudar a conter algum repique inflacionário, mas empresários avaliam que não resolverá o problema da indústria nacional. Em setembro, de 2024, vários insumos — como embalagens plásticas, por exemplo —, tiveram aumento de tarifa de importação em nome da indústria nacional de base. Esse aumento da taxação, porém, acabou impactando no preço final de muitos produtos.

…dois para trás

À época, vários setores, em especial o de embalagens, foram ao governo alertar para o risco inflacionário que a medida representava. O resultado se vê agora e não houve alteração da política que elevou essas tarifas.

“Questão resolvida”

Apesar de mais dois nomes, um do Novo e outro do PSOL, disputarem o comando da Câmara dos Deputados, quem conhece a Casa não tem dúvidas de que esse jogo está jogado: “A eleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) é uma questão resolvida. Os partidos se comprometeram e garantiram seus lugares. Essa candidatura do PSOL, na minha visão, é apenas mídia”, disse o deputado Gilberto Nascimento (PSD-SP).

Ali promete

O que vai pegar fogo no Congresso será a Comissão Mista de Orçamento. É hoje o centro nervoso das disputas partidárias no Parlamento.

CURTIDAS

Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press

Pisou em ovos/ Durante o almoço empresarial do grupo Líderes Empresariais (Lide), em São Paulo, com mais de 300 empresários, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski (foto), defendeu os brasileiros deportados, mas não tirou a razão do governo norte-americano no que diz respeito à deportação: “Não queremos provocar o governo americano, mas essas ações têm que ser feitas com respeito aos direitos fundamentais das pessoas. Eles foram trabalhar, não são criminosos”, afirmou.

Parceria MJ e SP/ Também durante o Lide, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, agradeceu a parceria com o Ministério da Justiça na implementação de câmeras com reconhecimento facial e de placas automotivas. A cooperação foi essencial na captura de foragidos da Justiça e de carros roubados na capital paulista. Sinal de que é possível uma relação civilizada entre o prefeito e ministro. O contribuinte agradece.

Sob nova direção/ O presidente da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), Edvaldo Nogueira, ex-prefeito de Aracaju, e o secretário-geral da instituição, Gilberto Perre, convidaram o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), para assumir a presidência da FNP no biênio 2025-2027.

E com todos os partidos/ A ideia é montar uma coalizão suprapartidária mais forte para debater questões essenciais para os municípios junto ao governo federal — especialmente os mais populosos —, como mobilidade urbana, precatórios, regulamentação das regras da reforma tributária e meio ambiente, com a aproximação da COP 30, em Belém.

Colaborou Luana Patriolino

Na dúvida, não ultrapasse

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Crédito: Valdo Virgo

Blog da Denise publicado em 23 de janeiro de 2025, por Denise Rothenburg

Da mesma forma que os partidos não vão atender ao pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que digam, o quanto antes, que caminho percorrerão em 2026, nenhuma das agremiações de centro chancelará, no curto prazo, uma candidatura presidencial que tenha o sobrenome Bolsonaro — seja Eduardo Bolsonaro, seja a ex-primeira-dama Michelle. A vontade dos partidos de centro, hoje, é buscar um nome que derrote tanto o petismo quanto o bolsonarismo.

Os partidos de centro, que têm conversado — e muito —, acreditam que o bolsonarismo e o petismo estão perdidos quanto ao melhor caminho a tomar, diante da inelegibilidade do ex-presidente. O petismo, avaliam alguns, encontrará dificuldades, em especial, por causa da ausência de um plano que recupere a imagem do país junto aos investidores. Lula mudou sua comunicação, o que fez subir o número de visualizações na internet, mas ainda não conseguiu acertar o passo entre a área política e a econômica do seu governo.

Não acabou

O fato de o ministro Flavio Dino, do Supremo Tribunal Federal, ter liberado parte das emendas destinadas às ONGs, não significa que tudo serão flores no relacionamento entre a Corte e o Congresso a partir de agora. Com as investigações em curso, muitos outros bloqueios estão por vir.

Alerta do BC

Acostumados a avaliar com uma lupa as atas do Comitê de Política Monetária (Copom), os economistas dos bancos perceberam algo inédito no último relatório: “A ata instou as instituições financeiras a terem especial vigilância na concessão de crédito. E não é usual. Fomos checar com inteligência artificial e tudo em todas as atas anteriores. Não é usual o Banco Central incluir uma mensagem prudencial, num texto essencialmente sobre política monetária. Eles também estão olhando com preocupação essa questão”, disse o economista-chefe do Banco Itaú, Mário Mesquita, em palestra no Lide Brazil Economic Forum, em Zurique.

A chegada de Hugo

O jantar do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), amanhã, com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), é interpretado pelo governo como um sinal de que, no papel de presidente da Câmara, distribuirá o jogo e fará gestos. Falta definir, porém, a calibragem entre situação e oposição, algo que Hugo avisou que será definido no dia a dia. Ou seja, não tem essa de fechar com um lado ou com o outro.

Preocupante

Especialistas que monitoram as políticas públicas na educação brasileira consideram que o bloqueio de R$ 6 bilhões em recursos do programa Pé-de-Meia, pelo Tribunal de Contas da União (TCU), acendeu um alerta para a necessidade de reforço e de eficiência na gestão dos recursos — como governança e transparência. “O Pé-de-Meia pode reduzir a evasão escolar, mas recursos e boas ideias, sem controle, são uma conta que não fecha. Estamos próximos da conclusão do Plano Nacional de Educação (PNE), com metas e objetivos para a próxima década, e isso depende de caminhos concretos para ser bem executado. Incerteza e insegurança não podem permanecer na pauta do MEC”, adverte Letícia Jacintho, presidente da Associação De Olho no Material Escolar.

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Crédito: Felipe Gonçalves/LIDE

O importante era falar/ Bolsonaro abre o jogo ao dizer por que foi candidato a presidente da Câmara por três vezes: “Tinha chance de ganhar? Zero! Mas tinha direito a 10 minutos na tribuna”, disse, em entrevista à Revista Oeste. Referia-se aos discursos dos candidatos, num dia de casa cheia e boa audiência na TV Câmara.

Nossos comerciais, por favor/ Bolsonaro contou que, naquela época, discursou dizendo que petistas promoviam fake news ao espalharem, na internet, que a reforma trabalhista acabaria com os direitos — como férias e 13º salário. No governo, há quem atribua essa lembrança, agora, a uma forma de o ex-presidente tentar empatar o jogo diante das acusações de que
disseminou mentiras.

Périplo acadêmico/ Depois de passar pelo Fórum Econômico Mundial, em Davos, e pelo Brazil Economic Forum, em Zurique, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luís Roberto Barroso (foto), fará um circuito de palestras por universidades norte-americanas. Vai a Yale e a Harvard. Tudo antes de voltar ao Brasil, para a abertura dos trabalhos do Judiciário.

Contem aí/ Em suas visitas, Barroso terá a oportunidade de colher, in loco, a avaliação dos intelectuais americanos a respeito desses primeiros acordes do governo de Donald Trump,
nos Estados Unidos.

O dilema do governo na inflação dos alimentos

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Blog da Denise publicado em 23 de janeiro de 2025, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Ao longo da semana, o governo expressou a preocupação com a alta do preço dos alimentos, uma das queixas mais frequentes do eleitor. Na tentativa de mostrar alguma iniciativa, o ministro da Casa Civil, Rui Costa – o mesmo que desconhece os problemas sociais de Brasília, chamando-a de “ilha de fantasia” – falou em “intervenções” para baratear a comida. Precisou se retratar ante a péssima repercussão de uma péssima ideia.

Ontem, após uma reunião ministerial para tratar do assunto, Rui Costa voltou a fazer considerações sobre o governo. Descartou tabelamento, “fiscais do Lula” e outras infelizes providências originárias dos tempos de hiperinflação. O fato é que o governo busca uma solução pontual – preço de alimentos – para um problema de escala muito maior. Tem a ver com circunstâncias globais, como crise climática e preço de commodities. Mais pertinente parece ser o posicionamento do ministro Fernando Haddad, que considera positiva a regulamentação do vale-refeição.

O governo Lula demonstra boa intenção – e, naturalmente preocupação eleitoral — ao querer baratear a comida. Mas está evidente que é preciso cautela nessa empreitada, sob o risco de repetir erros cometidos no passado. E que não há uma bala de prata ou plano mirabolante para tornar os preços nas prateleiras do supermercado mais amigáveis.

Condenados

Oito integrantes de uma facção criminosa foram condenadas por planejar um atentado contra o senador Sergio Moro (União Brasil-PR). A trama foi neutralizada em 2023 pela Polícia Federal, por meio da Operação Sequaz. As penas definidas pela juíza Sandra Regina Soares, da 9.ª Vara Federal em Curitiba, chegam a 14 anos e nove meses de prisão.

PF impediu

Na decisão, a magistrada sustentou que o plano para sequestrar e matar Moro só não consumado porque a Polícia Federal agiu antes. Segundo as investigações, os membros do crime organizado queriam atacar o senador em razão de sua atuação como ministro da Justiça do governo Bolsonaro. À época, Moro proibiu visitas íntimas em presídios federais e coordenou a transferência e o isolamento de líderes da organização criminosa em presídios de segurança máxima.

E vem mais

Em uma rede social, o ex-ministro comentou a decisão. “Na minha gestão no Ministério da Justiça, fomos duros, como tem que ser, contra o crime organizado. A tentativa de retaliação do PCC foi descoberta e os responsáveis, condenados. Ainda falta o mandante. A luta contra o crime organizado também prosseguirá no Senado com leis mais severas”, disse.

Força nos portos

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, apresentou ao presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, um documento detalhando importantes projetos de concessão e infraestrutura. Um dos destaques é a concessão do Porto de Santos, o maior da América Latina, com investimentos de R$ 17,28 bilhões ao longo de 25 anos.

Bateu de frente

O ministro dos Transportes, Renan Filho, e o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) duelaram nas redes sociais em razão do contrato de concessão para BR-381, conhecida em Minas Gerais como a “Rodovia da Morte.

Ver para crer

Aécio foi incisivo. “Após décadas de promessas e descaso, o governo Lula assinou o contrato de concessão para duplicação da BR-381. A obra nunca saiu do papel durante os 14 anos de governo Lula e Dilma. Agora, fica a pergunta: será que os mineiros finalmente podem acreditar que a duplicação será concluída? Ou estamos diante de mais um capítulo de promessas adiadas?”, escreveu.

Erros tucanos

Em resposta, Renan Filho disse que o lançamento das obras dos primeiros 100 dias de contrato será no dia 6. E criticou supostas falhas de administrações tucanas nas rodovias federais mineiras. “Faltou você lembrar que no governo FHC vocês estadualizaram as rodovias federais em Minas para, supostamente, o governo do Estado realizar os investimentos necessários e, anos depois, devolveram-nas, sem os ‘prometidos’ investimentos e em pior estado de conservação”, rebateu.

Sem cortesia

Aécio repetiu o tom do governador Romeu Zema (Novo), que também dispensou cortesia com o governo federal. “O PT prometeu essa mesma obra nos 188 meses de governo, mas não entregou. Por isso, quando for colocar máquina na pista, fiscalizar ou inaugurar trechos da obra na BR-381, eu estarei à disposição. Meu foco é trabalhar, não perder tempo com eventos burocráticos”, atacou Zema.

Tamo junto

O presidente Lula anunciou o apoio à candidatura das cidades do Rio de Janeiro e de Niterói para sediar os XXI Jogos Pan-Americanos em 2031. O chefe do governo federal recebeu, ontem, os prefeitos do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e de Niterói, Rodrigo Neves, e decidiu apoiar a candidatura das duas cidades para sediar os XXI Jogos Pan-Americanos, em 2031.

Acho que a gente, com o apoio do presidente da República, sai amplamente como favorito para essa disputa”, disse o prefeito do Rio, Eduardo Paes. O Comitê Olímpico do Brasil (COB) tem até o final de janeiro para oficializar a candidatura. Até o momento, Assunção, capital paraguaia, está na disputa.

A região sem primeiro escalão

Publicado em coluna Brasília-DF
Crédito: Kleber Sales

Blog da Denise publicado em 23 de janeiro de 2025, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Na reunião ministerial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na última segunda-feira, um detalhe ajuda a explicar as dificuldades que ele tem no sul do país. Entre os 37 ministros não há sequer um gaúcho, um catarinense ou um paranaense. O único era Paulo Pimenta, da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, substituído este mês por Sidônio Palmeira. Em compensação, o Nordeste e São Paulo, berço do PT, dominam o governo.

Em tempo: muita gente acha que está na hora de Lula buscar um nome dos estados sulistas para ocupar o primeiro escalão e ter mais visibilidade na região. Afinal, se não o fizer, corre o risco de a oposição começar a dizer que o desprezo pelo sul é tão grande que, de 37 ministros, não tem nenhum de lá. E será mais um incêndio para o baiano Sidônio apagar

Fique mais um pouco 

No governo, tem muita gente dizendo que é melhor o ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, permanecer no governo, porque nem tudo está completamente em paz no meio militar. José Mucio tem o perfil exato para o cargo.

O olhar fala

Ao cobrar dos ministros que consultem seus partidos sobre 2026 com um “não sabemos se vão querer estar conosco”, Lula olhou diretamente para os ministros do Transportes, Renan Filho, e Simone Tebet, do Planejamento, ambos do MDB. Simone, inclusive, foi candidata à Presidência em 2022.

Ibaneis na contramão de Trump

Palestrante do Lide Brazil Economic Forum, em Zurique, na Suíça, evento paralelo ao Fórum Econômico Mundial de Davos, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), falará hoje dos avanços do Brasil na transição energética. A partir de junho, por exemplo, Brasília receberá 90 ônibus elétricos para rodar no Plano Piloto. “Estamos com uma série de projetos sustentáveis para o futuro próximo. Brasília está na vanguarda da transição energética”, disse o governador à coluna. Bem diferente do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, interessado no petróleo.

Efeito Sidônio

Já está no dia a dia do governo a diretriz do novo ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República para que o governo compare a atual gestão Lula com a do antecessor Jair Bolsonaro. Não faltaram números e comparações com o mandato anterior, na cerimônia da assinatura de concessão da BR-381. Todos com discursos alinhados e diretos.

O “cara”

Lula elogiou tanto o ministro Fernando Haddad na reunião ministerial de segunda-feira, que muita gente saiu com a certeza de que se o presidente decidir não concorrer à reeleição, o nome de sua preferência é o titular da Fazenda. Só tem um probleminha: o PT e aliados não estão lá muito convencidos dessa opção. Haddad, que sempre foi leal a Lula e ao partido, está à disposição.

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Crédito: Evaristo Sa/AFP

Por falar em preferência…/ A turma do ex-ministro José Dirceu não está muito convencida de que a melhor alternativa para Lula era Sidônio Palmeira (foto) na Secretaria de Comunicação da Presidência da República. Considera que se o governo errar na mão e exagerar no marketing, será tão prejudicial quanto não dar visibilidade aos programas sociais.

Vem muito mais/ O presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias, Marco Aurélio Barcelos, avisou que 2025 será o ano do Brasil nessa seara, superando o ano passado. “Se achamos que 2024 foi o ano de concessões, e foi até agora, é porque não vivemos 2025”, advertiu.

O agro leva a melhor/ As concessões de rodovias assinadas até agora, e as 15 que virão este ano, beneficiam o agronegócio brasileiro, melhorando estradas essenciais para o escoamento dos produtos agrícolas. Um exemplo: a rodovia que liga Rio Verde (GO) e Itumbiara (GO) ao Triângulo Mineiro, três das maiores produtoras do agro no país. E chega justamente nesse cenário em que o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), tenta alavancar sua pré-candidatura ao Planalto.

Vamos lá/ A coluna acompanha, hoje, o evento do Lide/Veja, em Zurique. Confira no site do Correio

Big techs escolheram Trump. E no Brasil…

Publicado em coluna Brasília-DF
Crédito: Kleber Sales

Blog da Denise publicado em 22 de janeiro de 2025, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito e Renato Souza

A saudação de Elon Musk — para muitos, um gesto nazista — a uma multidão de apoiadores do presidente Donald Trump no dia da posse do republicano é um ato que resume o poder das corporações, particularmente das big techs, no governo do republicano. A presença dos principais executivos dos gigantes da tecnologia na posse do novo líder dos Estados Unidos mostra como a política ficou perigosamente associada ao território livre das redes sociais, com efeitos em escala global.

Afora o fato de que Musk é integrante do governo Trump, a proximidade dos conglomerados tecnológicos com um líder que pretende inaugurar a “era de ouro” de uma superpotência política e econômica joga mais receio e incerteza no poder das redes digitais. Não é de hoje que elas se tornaram instrumento político, e tudo indica que elas continuarão a ser cada vez mais utilizadas nesse sentido.

A supremacia das big techs na conjuntura trumpista impõe mais desafios ao anseio de se regulamentar as redes sociais. No Brasil, a iniciativa naufragou no Congresso Nacional, e o governo Lula tem sentido na pele os efeitos da realidade digital — lembremos do tsunami provocado pela portaria do Pix. As big techs caminham para se tornarem partidos políticos — com a diferença de que não precisam disputar eleições para influenciar os rumos de uma nação.

Moderação na rede

Preocupada com o anúncio de que a Meta irá suspender os serviços de checagem e a proteção a minorias nas plataformas digitais, a Advocacia-Geral da União promove hoje uma audiência pública sobre moderação nas redes sociais. Além de representantes das big techs, participam organizações da sociedade civil e especialistas.

Contra a desinformação

Segundo informa a AGU, “o objetivo do debate é analisar os impactos das mudanças no enfrentamento à desinformação e na promoção e proteção dos direitos fundamentais previstos na Constituição Federal”.

Audiência ambiental

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), marcou para 13 de março uma audiência de conciliação entre União e estados sobre os combates a queimadas na Amazônia e no Pantanal. O magistrado é o relator de uma ação que apontou omissões do Executivo na preservação desses biomas.

Tem que ser federal

No despacho, Dino acolheu pedido para destacar que os estados e municípios devem utilizar o Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais (Sinaflor) para registrar autorizações de supressão de vegetação. Segundo relatou o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), diversos estados e municípios emitiram autorizações para redução de cobertura vegetal.

Vem de longe

A ação relatada pelo ministro foi apresentada ainda durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi acusado de desmontar políticas ambientais, sucateando órgãos de fiscalização e editando normas que favoreceriam o desmatamento no país, assim como a exploração em locais de proteção, como áreas de preservação permanente e regiões ocupadas por povos indígenas.

Marina lamenta

Enquanto o presidente Lula quer evitar briga com o governo Trump, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, deixou claro o descontentamento com as primeiras medidas anunciadas pelo presidente dos EUA. “Seus primeiros anúncios vão na contramão da defesa da transição energética, do combate às mudanças climáticas e da valorização de fontes renováveis na produção de energia’, escreveu Marina.

Tempos difíceis

Para a titular da pasta, os tempos serão “desafiadores”. “Restará enfrentá-los com informação, compromisso com a vida e capacidade de negociação política”.

Missão ambiental

A emergência climática também é uma preocupação do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luís Roberto Barroso. Em Davos, na Suíça, onde participa do Fórum Econômico Mundial, ele destacou a importância das iniciativas em favor do meio ambiente e alertou para o risco do negacionismo climático.

Brasil seguro

Hoje, o magistrado fará um panorama sobre segurança jurídica no Brasil, tema que é preocupação recorrente de investidores. Também deve tratar de segurança digital.

Reforma ministerial e fidelidade

Publicado em coluna Brasília-DF

Blog da Denise publicado em 21 de janeiro de 2025, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Antes de promover uma reforma ministerial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer que os ministros vejam com seus respectivos partidos se eles querem estar com o PT em 2026. Lula, aliás, fez questão de classificar essa consulta como uma “grande tarefa”. Porém, a tendência é a de que o presidente não tenha essa resposta tão rápido quanto gostaria. A maioria dos dirigentes dos partidos de centro prefere deixar esse assunto para o ano que vem. Afinal, há premissas que precisam ser resolvidas antes de se tomar um caminho definitivo. Especialmente, as chances de um candidato do seu próprio grupo.

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Veja bem/ Muitos estão de olho nos movimentos do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Se ele optar pelo Planalto mais à frente, muitos o apoiarão. Mas, se o ex-presidente Jair Bolsonaro insistir em lançar um dos seus filhos à Presidência da República, seja o deputado Eduardo, seja o senador Flávio, a tendência é não ter muita conversa. A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, avisam alguns, nem pensar.

O que interessa a Trump

Na América do Sul, o que chama a atenção dos Republicanos de Donald Trump é a tensão entre a Guiana e a Venezuela. E tudo por causa das empresas estadunidenses de petróleo. A Exxon explora o petróleo da Guiana e, se o regime de Nicolás Maduro resolver invadir a região de Essequibo, o mundo pode se preparar para ver uma guerra de peixe grande ali, envolvendo os Estados Unidos.

E o Brasil?

O Brasil está em segundo plano para o novo presidente norte-americano. Porém, como faz fronteira com a Venezuela, a tendência é um Trump bastante pragmático com o presidente Lula.

Reflexos do EUA no Brasil

Especialista em relações internacionais, Rodrigo Reis avalia que o primeiro trimestre do governo Trump impactará na economia e no comportamento das redes sociais. Ele cita como exemplo o fim do serviço de checagem da Meta e o banimento do TikTok nos EUA. “Em relação ao dólar, a economia brasileira está bastante tensa com possíveis aumentos da moeda”, diz. Sem dúvida, esses primeiros dias prometem tensão. O dólar caiu ontem, mas por causa das intervenções do Banco Central.

É a economia!!!

A fala de Lula na abertura da reunião ministerial deixou muita gente com a certeza de que, se o preço da comida não baixar, muitos na Esplanada perderão a vaga.

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Crédito: Reprodução/redes sociais

Maior e melhor/ O ministério de Portos e Aeroportos entrega, hoje, parte do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, no Paraná, modernizado e reformado. O local foi contemplado no Novo PAC e se tornou o segundo maior do Sul do Brasil. O final das obras está previsto para março.

E Michelle, hein?/ A ex-primeira dama e o deputado Eduardo Bolsonaro conseguiram convite para o jantar de Donald Trump, na véspera da posse. Mas não para o Capitólio. Lá, os passes destinados ao presidente eleito são muito limitados, e o norte-americano convidou familiares, futuros auxiliares, empresários e apoiadores locais, além de religiosos.

O corpo fala/ Joe Biden e Kamala Harris aplaudiram o trecho do discurso em que Donald Trump citou a volta para casa dos reféns no Oriente Médio. Porém, no momento em que Trump mencionou que essa volta tinha a ver com a sua eleição, Biden ficou com uma expressão, como quem diz, “ah, fala sério!”.

Por falar em Biden…/ Não foram poucos os momentos em que ele e a vice, Kamala Harris, tiveram que ouvir calados Trump criticar a gestão desses últimos quatro anos. A democracia muitas vezes exige “cara de paisagem”.

E os ministros de Lula?/ Nem viram a posse de Trump. Estavam na reunião ministerial e sem celular. Sinal de que as prioridades por aqui são outras (leia detalhes no blog da Denise, no site do Correio).

PT trabalha para segurar o PSB

Publicado em coluna Brasília-DF

Coluna Brasília/DF, publicada em 17 de janeiro de 2025, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

O PT já começou a se movimentar no sentido de segurar seus potenciais adversários no futuro. O exemplo mais vistoso no momento é a sondagem à governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, para se filiar ao partido e concorrer à reeleição. O gesto de chamar a governadora eleita pelo PSDB é visto nos aliados dos petistas como uma forma de o PT tentar evitar que o atual prefeito do Recife, João Campos (PSB), tenha uma avenida para concorrer ao governo estadual no ano que vem. João esteve com Lula esta semana e, inclusive, se colocou à disposição para ajudar o governo no quesito redes sociais.

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Na avaliação de alguns socialistas, a sondagem a Raquel Lyra vai na contramão dessa parceria entre João Campos e o presidente Lula. E representa, no mínimo, uma “descortesia”, conforme avaliam alguns deputados. E no momento em que João se dispõe a ajudar Lula. Os petistas, porém, têm seus próprios planos. O partido já administrou a prefeitura do Recife, mas jamais conquistou o governo do estado de Pernambuco. As derrotas, ora para o PSB, ora para o MDB ou o antigo PFL, ainda estão atravessadas na garganta. Para muitos petistas, não governar o estado que Lula nasceu é mais constrangedor do que sondar Raquel Lyra para ingressar no partido nesses dias em que João Campos e o PSB ajudam o governo.

A nova “missão impossível” de Appy

Engana-se quem pensa que Bernard Appy concluiu seu trabalho na Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária (Sert). Vem por aí a parte da reforma da renda, considerada a mais difícil desse processo. É que, até agora, o Congresso resistiu a quase todas as propostas apresentadas pelo governo nessa seara.

Esquecidos na PEC da Segurança

A PEC da Segurança Pública, apresentada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, nesta semana, ainda não chegou ao Congresso Nacional, mas já poderá sofrer alterações. A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) apontou um grave erro técnico no texto: “A não inclusão da polícia científica, presente em 19 estados brasileiros e parte do sistema de segurança”.

Aprimoramento

Muito atuante, a associação se colocou à disposição do governo para contribuir. “A APCF defende que a proposta seja aprimorada, incluindo explicitamente a polícia científica ou, no mínimo, os Institutos de Criminalística, de Medicina Legal e de Identificação, alinhando-se ao que já está previsto no Sistema Único de Segurança Pública (SUSP).”

O deficit vai subir

Economista-chefe da Warren Investimentos, Felipe Salto alerta que o deficit das contas públicas deve subir até 2034. Segundo Salto, a dívida bruta, que foi 76% do PIB em 2024, subirá para quase 83% em 2026 e 95%, em 2033.

CURTIDAS

Crédito: Rosinei Coutinho/SCO/STF

Vem campanha aí/ O Ministério de Portos e Aeroportos fará uma campanha para que os brasileiros passem a adotar a praxe de muitos estrangeiros, de programar viagens aéreas com mais antecedência. “É cultural no Brasil a compra de passagens com 30, 40 dias. Fora do Brasil, esse costume é com três, quatro, às vezes, seis meses. O preço sai mais em conta quando se compra com mais antecedência”, diz o ministro Sílvio Costa Filho.

Por falar em Silvinho…/ Durante a apresentação a jornalistas, o ministro de Portos e Aeroportos disse, algumas vezes, que determinados projetos iriam caminhar e que já estava definido, “independentemente de quem estiver aqui”. Foi o suficiente para que começasse a se especular que está a um passo de mudar de pasta no governo Lula.

… quem sabe, né?/ Silvinho, como o ministro é carinhosamente tratado por amigos, é considerado uma das apostas de Lula para a coordenação política. Tem trânsito no Parlamento, é paciente e conhecedor do andar da carruagem no Congresso. E, sabe como é, essa frase, somada a um café com jornalistas para fazer um balanço do setor, deixou muitas dúvidas políticas no ar.

Posse na live/ Conforme antecipado pela coluna, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, negou a devolução do passaporte para o ex-presidente Jair Bolsonaro ir à posse de Donald Trump. O magistrado seguiu a decisão da Procuradoria-Geral da República, assinada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet (foto). Resta ao ex-presidente assistir pela tevê ou pelas redes sociais.

Pagou, limpou/ O consumidor que quitar as dívidas por meio do Pix no aplicativo terá o nome limpo na empresa Serasa e o score alterado em tempo real, a partir de fevereiro. O Pix, que sofreu tanto esses últimos dias, agora pode ajudar a limpar o seu nome!

Tiraram o bode da sala

Publicado em coluna Brasília-DF

Coluna Brasília/DF, publicada em 16 de janeiro de 2025, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Sem a “medida do Pix” para turvar o cenário, o governo, agora, dedicará esses próximos 15 dias a cuidar do que importa: o Orçamento e os cortes de gastos. Até aqui, não há a certeza de que a Lei Orçamentária deste ano será votada antes do carnaval. Vai depender de conversas entre os líderes e o futuro presidente da Câmara, provavelmente o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB). O problema é que, sem orçamento, os investimentos e campanhas que Lula pretende fazer estão bloqueados. O governo sópode usar 1/12 para cobrir suas despesas.

Por falar em Pix…

Vai sair de cena, mas nem tanto. Na reunião em que o presidente concluiu que o melhor seria revogar a instrução normativa da Receita Federal, o governo cogitou, inclusive, editar uma lei para ficar claro que o Pix equivale a transações em espécie e não se pode cobrar taxas sobre esse sistema. O perigo é que, todas as vezes que se mexe em alguma medida relacionada às finanças, sai do Congresso alguma concessão de benesse, o que obriga o Poder Executivo a rever o orçamento e suas fontes de financiamento.

Hora de arrumar o discurso

Lula marcou a reunião ministerial para a próxima segunda-feira a fim de que todos “afinem a viola” para este ano. É um freio de arrumação em termos de projetos para que todos os ministros tenham uma visão do todo. Também servirá para Sidônio Palmeira conhecer os demais colegas de primeiro escalão.

“Posição delicada”

Cientista político da Universidade de Brasília (UnB), Murilo Medeiros alerta que se o Brasil não tiver uma estratégia consolidada, de firmeza em relação ao regime de Nicolás Maduro, na Venezuela, pode ter problemas como líder regional. E, para isso, o governo brasileiro precisa ser mais independente do PT. “É imprescindível fincar compromissos com a estabilidade da região e não assistir passivamente a qualquer ameaça vinda do governo Maduro”, adverte.

Deixe mais para frente

O presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), só tratará de federações partidárias depois da eleição para presidente da Câmara, quando o deputado Hugo Motta deve ser eleito. Se for garantir espaço em comissões, o partido pode recorrer aos tradicionais blocos parlamentares.

Café brasileiro no mundo

Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostraram que o país bateu recorde anual de exportação do grão em 2024. Mais de 50,4 milhões de sacas foram vendidas para 116 países, um crescimento de 28,5%, se comparado com 2023, e de 12,8%, quando comparado a 2020.

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Crédito: Ed Alves/CB/DA.Press

Momento de distensão/ A contar pelo que os parlamentares dizem a respeito do clima ameno para a eleição do futuro presidente da Câmara, sem grandes sobressaltos, o governo terá uma janela para se organizar, ainda que não disponha de uma base ampla em seu favor.

Por falar em paz…/ Não foram poucos os políticos e ministros de Estado que deixaram seus afazeres para ir até Maceió prestar suas condolências ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), pela morte do pai, Benedito de Lira. O líder do União Brasil, Elmar Nascimento (BA), que chegou a brigar com Arthur quando da escolha do candidato para presidente da Casa, fez questão de comparecer.

Talvez não seja uma boa ideia/ Pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas, publicada ontem, mostra que mais de 65% dos eleitores não querem saber do cantor Gusttavo Lima na política. O que é bom para Ronaldo Caiado e Jair Bolsonaro, que continuam sem a concorrência famosa.

Lavagem do Bonfim/ Hoje é dia de político baiano testar a popularidade, acompanhando a cerimônia de Lavagem do Bonfim, uma tradição que vem do século XVIII. Líderes partidários, como Antônio Brito (PSD) e Elmar Nascimento (União Brasil), e ministros — como o da Casa Civil, Rui Costa (foto) — estarão por lá.

A disputa pelo discurso da democracia

Publicado em coluna Brasília-DF
Crédito: kleber sales

Coluna Brasília/DF, publicada em 15 de janeiro de 2025, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

O brasileiro verá, nos próximos dois anos, um estica e puxa entre as várias forças políticas, tentando hastear a bandeira da democracia que embalou a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2022. Da parte do centro, a tentativa de tomar essa flâmula das mãos dos petistas começa hoje, com o aniversário de 40 anos da eleição de Tancredo Neves. Ex-presidente do PSDB e adversário de Dilma Rousseff em 2014, o deputado Aécio Neves (MG) lembrou, na entrevista ao Correio publicada na página 2 de hoje, que sempre que o PT percebia alguma desvantagem para seu espaço político, ficava contra os movimentos — tais como na eleição no colégio eleitoral, em janeiro de 1985, e nas medidas de fundação do Plano Real, em 1993, que permitiram a mudança da moeda, em 1994. Esses são pontos que o PSDB e seus aliados prometem explorar, daqui para frente, para mostrar que o PT não topou se aliar a outros para derrotar o regime de exceção de 1964.

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Lula já fez um meia culpa, como o próprio Aécio lembra na entrevista ao Correio. Porém, a história fará parte do discurso do centro daqui para frente. A ordem é não deixar a defesa da democracia, conforme discursarão muitos nos próximos dias e meses, como um ativo do governo e do partido do presidente.

Estações separadas

O publicitário Sidônio Palmeira assumiu a Secretaria de Comunicação do Planalto com a missão de dar visibilidade aos programas do governo. A resolução dos outros problemas, porém, não terá como interferir: orçamento de 2025, emendas parlamentares, inflação e reforma ministerial. Se esses pontos não forem resolvidos no curto prazo, não terá comunicador que dê jeito.

Diferenças

Paulo Pimenta, o ministro que se despediu, saiu defendendo o PT. Sidônio, que entrou, coloca-se como um técnico, sem filiação partidária. É um sinal de que, no quesito comunicação, o governo adotará a neutralidade e olhará a Esplanada como um todo.

Ainda não acabou

A ofensiva contra as bets deve continuar este ano, mesmo com a regulamentação em vigor desde 1° janeiro. É que o vício de muitos brasileiros tem preocupado parlamentares e há vários voltados para a necessidade de prevenção. O deputado Yuri do Paredão (MDB-CE), por exemplo, protocolou um projeto prevê que as plataformas de apostas alertem os usuários sobre os riscos de malefícios à saúde. “O objetivo é aumentar a conscientização sobre os danos do vício em apostas, que podem levar ao endividamento e a sérios problemas emocionais”, observa

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Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

Venha…/ Tanto o ex-presidente Jair Bolsonaro, do PL, quanto o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do União Brasil, querem Gusttavo Lima em seus respectivos partidos. Bolsonaro lançou o cantor sertanejo ao Senado. Caiado, ao governo de Goiás.

… e baixe a bola/ Ambos, Caiado e Bolsonaro, têm um único objetivo: tirar Gusttavo Lima da corrida presidencial de 2026. E até aqui, conforme avisam amigos do cantor, nada está descartado.

A Bahia tem um jeito…/ Além de Rui Costa, da Casa Civil, Sidônio Palmeira também é baiano. No rol de “ministros da casa”, como são chamados os ministros palacianos, à exceção de Alexandre Padilha (Relações Institucionais, foto), todos são nordestinos.

Presença/ Os ministros Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) vão ao sepultamento do ex-senador Benedito de Lira.

Tal pai, tal filho/ O Congresso decretou luto oficial de três dias pelo falecimento do prefeito de Barra de São Miguel, Benedito de Lira, aos 82 anos. Foi o mais votado, em 2010, para o Senado. Depois de oito anos, perdeu, mas não desistiu. Sabia levantar a cabeça e seguir em frente. Seu filho, o deputado Arthur Lira (PP-AL), segue esse legado. A coluna registra aqui os sentimentos à família.