Bolsonaro é aconselhado a se afastar do caso Queiroz, de Flávio e de Wassef

Bolsonaro
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A prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, coloca o senador Flávio em xeque e o presidente obrigado a deixar que o filho tome distância regulamentar do Planalto, a fim de evitar que o caso da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro contamine a esfera federal e desgaste ainda mais o presidente. Pelo menos, esse foi o conselho que o presidente recebeu dos seus. Deixar que Flávio administre o caso, preservando o pai e o governo.

A dúvida entre aliados é se o presidente terá equilíbrio emocional para ficar totalmente longe desse tema, deixando que Flávio siga o seu destino. Todas as situações que envolvem os filhos deixam o presidente pra lá de irritado e muitas vezes fora de si.

Nessa quinta-feira (18/6), por exemplo, ele reclamou muito de que houve uma prisão “espetaculosa” envolvendo o ex-assessor de Flávio e de que não teria havido nada em relação a outros assessores de outros deputados estaduais com problemas semelhantes. “Que prendam o Queiroz, mas cadê os outros?”, cobrou. A raiva era tanta que o presidente teve dificuldades de cuidar de outros assuntos.

Sai daí rapidinho

Os generais querem o presidente longe de Frederick Wassef, o advogado que hospedava Fabrício Queiroz. Ou o presidente se descola do amigo, a fim de deixar que Frederick e Flávio cuidem desse assunto, ou o tema continuará pairando sobre o governo.

Izalci volta ao tabuleiro

A saída de Abraham Weintraub fez crescer os olhos dos aliados do presidente Jair Bolsonaro. Na área, entram os nomes do senador Izalci Lucas (PSDB-DF) e do presidente da Comissão de Educação do Senado, Dario Berger (MDB-SC). Os senadores ainda não têm um ministério para chamar de seu.

Tem um senão

O primeiro suplente de Izalci, Luiz Felipe Belmonte, é aliado do presidente, vice-presidente do Aliança pelo Brasil, e, no início da semana, passou pelo constrangimento de ser alvo da operação Lume, destinada a investigar o financiamento de manifestações que pregaram o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal com ameaças aos ministros. O segundo suplente, André Felipe, também viu seu nome envolvido numa operação da Polícia Federal no Pará, sobre a compra de respiradores.

Depois de Weintraub…

Quem vai para a prancha por onde os ministros se dirigem ao mar é… O ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos. Ele é considerado bom de papo, alegre, porém, termina contando a um partido ou deputado o que o outro recebeu. Assim, o apetite da galera cresce e as reclamações sobre ele, também.

Ele é o Paulo de hoje/ O fato de Fabrício Queiroz ter ligado primeiro para a filha levou muitos tarimbados dos tempos da Lava-Jato a pensar que o ex-assessor de Flávio vive a mesma situação vivida no passado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. À hora que a investigação colocou os filhos na roda, ele decidiu delatar.

Os riscos/ No Congresso, começa a pressão para que os conselhos de ética da Câmara e do Senado voltem a funcionar logo, em horários alternativos ao plenário.

Cada um no seu quadrado/ No Senado, o alvo da oposição é Flávio. Na Câmara, há uma montanha de processos sobre deputados bolsonaristas, por causa das fake news. Por sinal, as investigações continuarão a pleno vapor no Supremo Tribunal Federal (STF), conforme decidido ontem por 10 a um.

Bolsonaro ignorou texto de paz institucional durante discurso de posse do novo ministro

Bolsonaro e PF
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A presença dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), João Otávio Noronha, na posse do novo ministro das Comunicações, Fábio Faria, foram previamente acertadas para demonstrar todo um esforço dos Poderes em superar a crise política. O discurso do presidente Jair Bolsonaro, entretanto, saiu um pouco do script, mas ficou no limite do que havia sido combinado.

Entre assessores, havia a expectativa de que ele lesse o texto enfático em prol da paz institucional, escrito a várias mãos. Bolsonaro, porém, optou por falar de improviso, pinçando parte do que havia sido produzido em conjunto com alguns trechos que ele colocou. Por exemplo: discordar de certos aspectos da Constituição e, de quebra, dizer que o povo manda nas instituições. No STF, o norte é a Constituição. É bom todos irem se acostumando.

Distanciamento urgente

Bolsonaro defendeu os parlamentares que o apoiam e estão sob suspeita de financiar movimentos radicais. Mas seus aliados são unânimes em afirmar que ele não fará qualquer gesto de apoio a Sara Giromini (vulgo Sara Winter) e à trupe intervencionista. Há quem diga, inclusive, que o grupo 300 do Brasil não pode nem sequer ser chamado mais de “bolsonarista”.

Weintraub na porta de saída…

… E o Centrão forçando a porta de entrada. O presidente só não demitiu ainda o ministro da Educação, Abraham Weintraub, porque procura um substituto. Os partidos sonham com mais um parlamentar no primeiro escalão, mas os integrantes do “bolsonarismo raiz” consideram que a área é estratégica e precisa de alguém da ala ideológica.

A hora do Parlamento

A continuidade do inquérito das fake news serve de motor para que o Parlamento tente buscar um consenso dentro da lei de combate a esse tipo de postagem nas redes sociais. Até aqui, a polêmica é grande, mas a tendência é aprovar uma lei nesse sentido, antes de aberta a temporada de campanhas municipais.

Para não dizer que não falaram de flores

O slogan do Plano Safra deste ano chamou a atenção: “O florescer de uma nova colheita”. É ali que o governo jogará a maioria das fichas para tentar se afastar da crise econômica e, com isso, amenizar o clima político. A chave do sucesso, avaliam alguns, está no agro.

Argumentos fortes/ O voto do ministro Alexandre de Moraes, citando mensagens que incitam o estupro e o assassinato de parentes de ministros, foi visto como o mais forte no sentido de criar convicção sobre a necessidade de manutenção do inquérito das fake news.

Aldo x Olavo I/ Aldo Rebelo, que já comandou vários ministérios, inclusive o da Defesa, decidiu responder aos ataques que recebeu do escritor Olavo de Carvalho, que o chamou de antipatriota. Os dois se conhecem desde 2000 e já travaram debates respeitosos no passado, a ponto de Aldo ter recebido de Olavo um livro de Schoppenhauer, Como vencer um debate sem precisar ter razão. A dura fala termina assim: “Patriota de falsa bandeira, trabalha para dividir o Brasil. Você não engana ninguém, Olavo. Respeite os patriotas que ficaram no Brasil”.

Aldo x Olavo II/ “Por reciprocidade. Vou pôr em dúvida o patriotismo de Olavo. Quero saber o que um patriota faz na Virgínia, há 15 anos, quando o Brasil passa por dificuldades. Quero saber quem sustenta, a que interesses ele serve”, diz Aldo, perguntando em vídeo onde estava o professor, quando o país debatia lei de biossegurança, código florestal, base de Alcântara… “Você não fez um pio, ficou calado. Você estava aí, na Virgínia, guardado, protegido e protegendo interesses que não eram os do Brasil”.

Procuradores por Bia/ Procuradores do Distrito Federal divulgaram nota de apoio e solidariedade à deputada Bia Kicis (PSL-DF). Ao final, mandam um recado aos responsáveis pelo inquérito. Dizem que esperam uma investigação feita de forma transparente, “observando os estritos limites da legislação e respeitando o contraditório e a ampla defesa”.

Operação contra aliados pode ser usada para Bolsonaro negar que há interferência na PF

limão em limonada
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Até aqui, muita das reclamações dos deputados sobre o inquérito das fake news era de que não havia a participação da Procuradoria Geral da República. Esse argumento caiu por terra com a Operação Lume, dentro do inquérito dos atos antidemocráticos que pregam o fechamento dos Poderes Legislativo e Judiciário. Nela, tudo foi feito a pedido do Ministério Público, inclusive a quebra de sigilo dos parlamentares.

Reclamações dos deputados à parte, aliados do Palácio do Planalto querem transformar o limão em limonada. Tratam a ação como mais uma prova de que a troca na Polícia Federal não resultou em interferência nos trabalhos dos policiais — isso porque o presidente Jair Bolsonaro não foi informado com antecedência da Lume, que constrange justamente os aliados e o vice-presidente do Aliança pelo Brasil, Luís Felipe Belmonte. O que fez mal para alguns, pode ser a senha para que Bolsonaro se defenda no processo de interferência da PF.

Mantenha distância

Ainda que o partido tenha os líderes do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho, e o do Congresso, senador Eduardo Gomes, o MDB não embarcará com os dois pés no governo. Por isso, desde que Osmar Terra foi cogitado para assumir o Ministério da Saúde, o partido avisou que não seria da sua lavra. A ordem é ficar independente para atuar como achar melhor.

Muito além dos inquéritos

O presidente Jair Bolsonaro foi aconselhado a aproveitar as solenidades de hoje para detalhar o trabalho do governo e mostrar que tem projeto. O ponto alto, sob o aspecto econômico, será o lançamento do Plano Safra. Se fizer um discurso raivoso por causa das investigações em curso contra seus apoiadores, jogará na tensão e não na recuperação da economia, que le tanto prega.

Muito além de 300

O foco, segundo apoiadores, tem que ser agora no sentido de ampliar a convicção do mercado de que o governo tem condições de liderar a retomada quando a pandemia passar. Até aqui, a percepção geral é a de que o Executivo central não soube administrar a crise de saúde pública. Se a população perder a percepção de que o governo administra a economia, será difícil manter apoio. Nesse caso, há quem diga que, se sobrar o grupo dos 300, será muito.

A outra eleição

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, começa esta semana a sentir o pulso dos líderes em relação à disputa pela sua sucessão. Por enquanto, é só aquela conversinha despretensiosa mesmo.

Vem pressão/ Os partidos começam a cogitar o adiamento das convenções partidárias para escolha de candidatos, que podem ocorrer entre 20 de julho e 10 de agosto. Especialmente no interior do país, essas reuniões, dizem os políticos, só funcionam olho no olho.

Por falar em eleição…/ Na segunda edição do projeto “Folheando a Memória: ex-presidentes e a Democracia Brasileira”, a Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político ouviu do ex-presidente Fernando Collor que “prorrogação e unificação de mandatos são um atentado ao processo democrático”. Collor foi enfático: “Trata-se de um arranjo que se fazia no passado para satisfazer os objetivos políticos de detentores do poder à época, mas isso é inconstitucional”.

Tensão aérea/ Quem é obrigado a viajar está muito preocupado com voos lotados, sem o respeito às regras de distanciamento social. Quem já teve covid-19 segue tranquilo, mas quem não teve ou não sabe se teve, viaja preocupado.

Pensando bem…/ O 300 pelo Brasil conseguiu quebrar o velho ditado de que não se briga com quem veste saias, mulher, bispo e juiz. Com os juízes, eles brigam há algum tempo. Agora, foi a vez da Igreja católica, ao ameaçar Dom Marcony.

Governo cogita acabar com ministério exclusivo para a Educação

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, assina  protocolo de intenções que institui a formulação de políticas públicas e a realização de ações para a garantia da proteção integral de crianças e adolescentes.
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Entre as conversas no governo para decidir o destino do ministro da Educação, Abraham Weintraub, começa a se cogitar a hipótese de unir a estrutura da pasta comandada por Weintraub ao Ministério de Ciência e Tecnologia. Assim, ficaria tudo sob o comando de Marcos Pontes.

Útil ao agradável

A fusão daria ao governo o discurso de, novamente, manter o número original, de 22 ministérios, calando parte dos críticos da criação do Ministério das Comunicações. Porém, a pressão para novos ministérios continua.

Após fogos no STF, Bolsonaro se afasta de grupos radicais

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A chuva de fogos em tom de ameaça ao Supremo Tribunal Federal foi o limite para que quem tem juízo no governo tivesse sucesso ao pedir para o presidente Jair Bolsonaro manter alguma distância de grupos radicais. Por isso, ele não participou da manifestação do último domingo, aquela que resultou na multa a Abraham Weintraub por sair sem máscara.

De quebra, ainda deu um puxão de orelhas a Weintraub durante entrevista à BandNews. Esses sinais foram considerados um pedido de trégua por parte do Poder Executivo e tentativa de distensionar o ambiente político.

Só tem um probleminha: se o presidente quiser mesmo demonstrar que não apoia e nem concorda com grupos radicais, terá que continuar nesse caminho de distanciamento social dos apoiadores que pregam o fechamento das instituições.

Até aqui, os gestos do governo são, ora a favor do diálogo democrático, ora jogando no tensionamento. O “modo distensão”, dizem aliados, precisa virar uma constante a fim de evitar que os grupos radicais sejam totalmente colados à imagem presidencial.

Onde mora o perigo

O receio de quem tem juízo no governo é que as investigações que levaram à prisão bolsonaristas radicais cheguem a financiadores muito próximos ao presidente. Isso é o que mais preocupa sob o ponto de vista político.

Auxílio da discórdia

Os parlamentares não engoliram até hoje o fato de o presidente Jair Bolsonaro ter jogado para faturar sozinho a concessão do auxílio de R$ 600 quando começou a pandemia. Naquele período, a proposta inicial do governo era de R$ 200. Por isso, agora, será difícil convencer o Parlamento de que o valor sugerido será o que, realmente, o Executivo estará em condições de pagar.

Depois de Sara “Winter” Giromini…/ Silas Malafaia gravou um vídeo no Facebook acusando o Supremo Tribunal Federal de querer dar um golpe no país ao promover o inquérito das fake news sem a participação do Ministério Público Federal. “Quem está promovendo golpe é o STF”, diz, classificando o inquérito como “imoral, ilegal e aberração jurídica” em que os ministros são “vítimas, promotores, fazem as
diligências e julgam”.

… o pastor ataca/ Silas Malafaia chama o ministro Alexandre de Moraes de “tirano e ditador” por “promover um inquérito de perseguição ao presidente Bolsonaro”. Em tempo: os aliados do presidente concordam com quase tudo o que Malafaia disse.

Ibaneis na roda/ O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, entrou no radar do MDB como um nome para ser candidato a presidente da República. “O MDB sempre quis ter candidato próprio, tanto é que tivemos o Henrique Meirelles (em 2018). Não dá para fazer futurologia, mas temos bons nomes. E o Ibaneis está se destacando”, diz o presidente do partido, deputado Baleia Rossi, ao blog da Denise.

Enquanto isso, no DEM…/ O ex-ministro Luiz Henrique Mandetta roda o Brasil em lives e entrevistas. Agora, lembra ao presidente Jair Bolsonaro que os médicos não vão se esquecer da recomendação presidencial de filmar hospitais. “É tacanho, é pequeno, é desrespeito com os médicos e enfermeiros”, disse.

Após Pontes, Centrão quer enfraquecer ministério de Guedes

Centrão de olho no Ministério da Economia de Paulo Guedes
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Nos bastidores do Centrão, o roteiro está pronto para tentar forçar a porta do poderoso Ministério da Economia, que juntou os antigos ministérios da Fazenda, do Planejamento, da Indústria e Comércio, do Trabalho e da Previdência. Afinal, raciocinam alguns deputados, quem cria um ministério pode criar outros.

Só tem um probleminha: o ministro Marcos Pontes não se opôs a qualquer alteração. Quanto a Guedes, a montagem da pasta que ele comanda foi praticamente definida por ele e seus secretários ainda no período de transição.

A lógica do Ministério da Economia foi deixar sob um mesmo guarda-chuva, a fim de evitar que algumas áreas tivessem diretrizes fora do plano traçado por Guedes. Qualquer mudança pode comprometer esse equilíbrio.

Nordeste na mira

O presidente Jair Bolsonaro dedica parte do tempo a minar o celeiro de votos de seus adversários. No final do mês, por exemplo, irá pessoalmente entregar o eixo Norte da transposição do São Francisco, no Ceará.

E nos planos

Hoje, avaliam os bolsonaristas, a concessão do auxílio ajudou a melhorar a performance do presidente entre os nordestinos, mas ainda não há bases fortes no Ceará, no Piauí, na Bahia, e Pernambuco. A intenção é aproveitar o ingresso do Centrão no governo para ampliar a base do presidente nesses estados.

Deu ruim

O ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, destampou um vespeiro, ao dizer na entrevista a Veja que “exige” 80% de fidelidade dos partidos que apoiam o governo, citando nominalmente o presidente do PP de Ciro Nogueira e a cessão do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE). É que muitos deputados não se consideram responsáveis pela indicação, portanto não se sentem na obrigação de votar todos os projetos como deseja o Planalto.

Depois de 40 mil mortes

Só agora, depois de três meses e meio da chegada da covid-19 ao Brasil, é que o Ministério da Saúde está concluindo um plano de testagem da população. E ainda vai avaliar quando é que será colocado em prática.

CURTIDAS

Weintraub na área/ A semana começa com mais especulações sobre a saída do ministro da Educação, Abraham Weintraub, só porque ele consta na agenda do presidente Jair Bolsonaro desta segunda-feira, 15.

Lasier e o STF, briga antiga/ O vídeo que circula no WhatsApp com uma reunião no gabinete do senador Lasier Martins discutindo impeachment de ministros do Supremo é do ano passado, quando os senadores tentaram emplacar uma nova CPI do Judiciário, apelidada de Lava-Toga.

A segunda onda/ Nas quadras comerciais da asas Sul e Norte de Brasília cresce a olhos vistos o número de “Aluga-se” e “Passo este ponto”.

Petra na área/ A cineasta Petra Costa e o cantor e compositor Zeca Baleiro participam do 65º encontro do grupo de estudos O Direito em Tempos de Covid-19, criado pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP). Falarão sobre os desafios da democracia e da cultura na pandemia, ao lado do deputado Marcelo Freixo (PSol-RJ). A mediação será dividida entre o desembargador Ney Bello, o advogado e professor Rodrigo Mudrovitsch e do ex-senador Jorge Viana (PT-AC).

Por falar em democracia../ O Legislativo acompanha de perto a tensão provocada pela liminar do ministro Luiz Fux e a resposta do Planalto sobre o papel das Forças Armadas. Enquanto estiver cada um na sua seara, não há com o que se preocupar.

Com líderes alvos da Justiça, Centrão faz cálculo político do apoio a Bolsonaro

centrão
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O Centrão acendeu o pisca-alerta depois das denúncias da Procuradoria-Geral da República sobre os parlamentares do grupo e o pedido de prisão do deputado Paulinho da Força (SD-SP) pela primeira turma do Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação é a de que a aproximação com Jair Bolsonaro apenas deixou seus integrantes expostos, apanhando em todas as instâncias e sem um retorno capaz de compensar o desgaste a todos os seus quadros. Por enquanto, a ordem é continuar apoiando o governo, porque, ruim com ele, pior sem ele.

Porém, as ações judiciais, a que muitos chamam de “perseguição política”, tiram fôlego do grupo para votar propostas impopulares em bloco, porque os próprios deputados não vão querer se desgastar com o eleitorado. Ou seja, o governo terá apoio, mas as negociações terão que ser projeto a projeto. Pacotes fechados ficaram mais difíceis.

Na repescagem

Com os integrantes do PP desgastados por causa das ações da Procuradoria-Geral da República, o presidente do MDB, deputado Baleia Rossi (SP), passou a frequentar as listas de possíveis candidatos à sucessão de Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Missão impossível

O acordo do presidente Jair Bolsonaro envolve apenas governabilidade. O que o deputado Eduardo Bolsonaro disse num seminário dos teóricos da direita sobre a participação do governo na eleição para presidente da Câmara é visto como a grande expectativa do Centrão e do próprio Planalto. O problema é que ninguém acredita em união dos partidos do grupo em torno de um único candidato.

Cota ideológica

É bom o Centrão não ficar muito animado com a perspectiva de indicar um ministro da Educação para o governo de Jair Bolsonaro. Assim como Relações Exteriores, Direitos Humanos e Comunicação, esse setor é reservado ao grupo mais ideológico.

Consequências

A mudança na divulgação de casos de covid-19 no Brasil levou muitos advogados a passarem o fim de semana debruçados em estudos sobre como responsabilizar judicialmente o governo pela camuflagem dos dados. Há um consenso no mundo jurídico de que não dá para ter “escondidinho de novo coronavírus”. Como disse o ex-ministro Luiz henrique Mandetta à coluna ontem, “segredo é arma de guerra, não de pandemia.”

Um alento

Nesse momento desafiador da pandemia no Brasil, o Sistema Hapvida tem alcançado resultados animadores em relação aos atendimentos por covid-19, em Manaus (AM). Houve queda de 86% das internações entre 28 de abril — quando houve o pico nas unidades próprias — e 31 de maio. Entre 4 e 31 de maio, a redução de óbitos foi de 85%.

Curtidas

 

Nunca antes/ Praticamente todos os presidentes anteriores a Jair Bolsonaro tiveram problemas no Supremo Tribunal Federal de ordem pessoal, política ou econômica. Nenhum deles, entretanto, ameaçou fechar o STF.

Lei da mordaça, não!/ Obrigado a cumprir seis meses de quarentena, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta pediu à Comissão de Ética da Presidência da República que lhe informe por escrito tudo o que ele pode e o que não pode fazer nesse período. Ele já foi aconselhado a não participar de lives de instituições de saúde e outras empresas privadas. Vai cumprir à risca. Porém, é médico e não ficará calado em plena pandemia de covid-19 com números crescentes no Brasil.

Esplanada tensa/ Se as manifestações continuarem crescendo, já tem gente pensando em fazer na Esplanada o mesmo que houve no período do impeachment de Dilma: marcar as divisões, de um lado, os bolsonaristas, de outro, os oposicionistas.

Ponto estratégico/ Das principais lojas de grife da 5ª Avenida em Nova York, a única que não apresenta tapumes nas vitrines é a Gucci. Explica-se: Fica na Trump Tower, área cercada e protegida pelo serviço secreto americano.

“Segredo é arma de guerra, não de epidemia”, diz Mandetta

Ex ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta.
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A divulgação dos casos de infecção e de mortes pela covid-19 após as 22h fez soar o alerta de risco de esconder números para forçar uma volta mais rápida da atividade econômica. A avaliação de especialistas é de que junho ainda será um mês para lá de delicado em vários estados e que sumir com os números, ou divulgá-los depois do horário comercial, é uma forma de tentar tirar a pandemia da agenda dos brasileiros, o que pode resultar num quadro ainda mais grave do que aquele que o país atravessa neste momento.

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta está preocupado: “Diferentemente de uma guerra militar, em que o segredo é uma arma, contra um vírus não há segredo. Camuflar números é uma tragédia. Tira do indivíduo a capacidade de se defender. Informação é fundamental, por isso, eu fazia questão das coletivas à tarde, para dar tempo de as pessoas analisarem os números, e deixar a população atenta”, diz ele, sem citar o nome do ministro interino, general Eduardo Pazuello. Hoje, Mandetta dará uma aula magna virtual, às 16h, no Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

Quem tem juízo avisa…
Do jeito que estava montado o Pró-Brasil, o governo não terá meios de levar o programa adiante. É que, quando acabar a pandemia, e, com ela, o estado de calamidade, o país voltará a ter de aplicar todos os fundamentos da Lei de Responsabilidade Fiscal.

… e alerta
Da mesma forma que o governo errou ao desconsiderar a gravidade da pandemia da covid-19 e considerar as medidas de isolamento social um “ataque” ao presidente Jair Bolsonaro, errará se resolver financiar tudo com dinheiro público mais adiante.
A avaliação de economistas próximos a Paulo Guedes é de que quebrar paradigmas de ajuste fiscal levará por terra todo o projeto econômico, do qual restam poucos pilares hoje, diante da tragédia da epidemia.

Cada um no seu papel
Ainda não há um consenso no Congresso sobre a montagem de uma estrutura para acompanhamento e divulgação do balanço diário de casos da covid-19 e número de mortos. Alguns especialistas em regimento do Senado consideram que a melhor saída, no momento, é chamar o governo para que explique os atrasos e manter a pressão para que os dados sejam
conhecidos mais cedo.

Eleição em compasso de espera
Com a nova denúncia da Procuradoria-Geral da República envolvendo o líder do PP, Arthur Lira (AL), a eleição para presidente da Câmara perderá um pouco de força nos bastidores. A intenção de aliados e adversários do deputado é dar tempo ao tempo. Afinal, a eleição é apenas em 2 de fevereiro. Até lá, há outros problemas na agenda e, ainda, o pleito municipal.

Curtidas

Projetos na pandemia I/ Enquanto se recupera em casa da covid-19, o secretário-geral da Mesa Diretora do Senado, Luiz Fernando Bandeira de Mello Filho, decidiu voltar a advogar. A lei permite, desde que não seja uma ação contra a União. Ele volta à Serur Advogados para se integrar à equipe responsável pela área de direito regulatório e administrativo.

Projetos na pandemia II/ Mesmo em casa, o secretário-geral continua na ativa e ajudando a planejar a volta aos trabalhos. A partir da semana que vem, quem for ao bunker do plenário virtual, por exemplo, responderá ao questionário de saúde mencionado, ontem, pela coluna.

Médico na hora/ Aqueles que frequentam a chamada “zona vermelha”, o comando do plenário virtual, e, porventura, apresentarem algum sintoma da covid-19 são, na mesma hora, direcionados a uma videoconsulta com o médico plantonista do Senado.

TRE em disputa/ A seccional da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal promove debate virtual entre os candidatos às duas vagas para juiz eleitoral, destinadas a juristas, no Tribunal Regional Eleitoral do DF. Vinte candidatos estão concorrendo. O evento será mediado pelo presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-DF, Rafael Carneiro, nesta segunda-feira, às 17h, com transmissão ao vivo pelo canal da seccional no YouTube.

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra/ Na inauguração do hospital de campanha em Águas Lindas, nem uma palavra do presidente Jair Bolsonaro de solidariedade às famílias dos mais de 34 mil mortos pela covid-19, vítimas de um novo coronavírus que ainda não foi embora, é de rápida transmissão e pouco conhecido. Já passou da hora de quem segue o lema “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” encarar a realidade.

Partidos de esquerda temem que haja infiltrados em movimentos contrários ao Planalto

Manifestação pela democracia
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As frases do presidente Jair Bolsonaro na live de ontem, ao apelar para que seus apoiadores não compareçam a manifestações, deixaram integrantes de partidos de esquerda com receio de infiltrados para desacreditar os movimentos contrários ao Planalto. O presidente chamou os manifestantes de “marginais” e temperou o discurso com declarações do tipo “nós respeitamos as leis; eles, não”, “a história nos diz que vão de preto, com soco inglês, punhal, barra de ferro, coquetel molotov”.

Assim, não

Por causa das medidas de isolamento social e desse receio de infiltração no movimento, o presidente do PSB, Carlos Siqueira, tirou seu time de campo: “A realização de manifestações pacíficas de rua, com o objetivo de salvaguardar a democracia, oferece também uma oportunidade única para a infiltração de grupos completamente estranhos a esse propósito. Esses grupos, seguramente, buscarão criar as condições tanto para a repressão desproporcional aos movimentos quanto para uma reação governamental que pode implicar uso de medidas de exceção, que este governo autoritário demonstra ser de seu interesse”, diz. O momento é de manter as manifestações virtuais.

Veja bem

Até aqui, os aliados do presidente Jair Bolsonaro fizeram atos por sete domingos consecutivos, em plena pandemia, o que foi motivo de críticas por todos os partidos de oposição. Não dá para criticar o desrespeito às normas de prevenção ao coronavírus por parte dos governistas e fazer o mesmo, avaliam muitos.

Compasso de espera

A avaliação geral na política é de que, enquanto não houver um desfecho das investigações em curso no Supremo Tribunal Federal, melhor evitar movimentos de rua contra o governo. Será o tempo ainda de avaliar se haverá redução do ritmo de transmissão da covid-19 nos principais centros urbanos, onde as manifestações são mais expressivas.