Categoria: Banco Central
Por Denise Rothenburg* com Eduarda Esposito, Washington — O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, declarou hoje (8/9), após sua participação no evento LIDE Brazil Development Fórum, em Washington DC, nos Estados Unidos, que o Banco Regional de Brasília (BRB) não desistiu de comprar o Banco Master. E ainda fez um alerta: Uma demora em resolver a situação do Master, “pode trazer um grande risco para o sistema financeiro como um todo”. Eis a declaração do governador: “A dilapidação do Master, que está se mostrando, pode trazer um grande risco para o sistema financeiro como um todo. Quanto antes o Banco Central soltar isso, até para dar oportunidade para o BRB avaliar se vai avançar no negócio ou se vai desistir. E desistindo, se outra instituição, seja privada ou pública, tem interesse em comprar esse capital”, argumentou.

Ibaneis explicou que, quanto mais demorar, mais problemática se tornará a questão do Master para o sistema financeiro como um todo. “O prazo para o Banco Central é mais alongado, mas a gente espera pelo fato de se tornar uma decisão delicada, principalmente para os investidores do Master, porque deixariam de ter cobertos os seus investimentos”. E foi neste contexto que ele completou: “Vi muitas matérias falando sobre os CDBs e alguns fundos que ele tem, e a dilapidação do Master, que está se mostrando, pode trazer um grande risco para o sistema financeiro como um todo. Quanto antes o Banco Central soltar isso, até para dar oportunidade para o BRB avaliar se vai avançar no negócio ou se vai desistir. E desistindo, se outra instituição, seja privada ou pública, tem interesse em comprar esse capital”, argumentou.
A operação de compra do Master pelo BRB foi rejeitada pelo Banco Central. Ibaneis garante que o BRB espera a divulgação da fundamentação do veto para decidir qual saída seguir em relação a esse negócio. “É um momento difícil para a gente comentar porque ainda não foram expostas pelo Banco Central as razões do veto. Então, a gente só vai poder nos aprofundar um pouco mais na resposta quando tiver acesso aos documentos do BC: Aí, vamos saber se vamos corrigir a operação para continuar acolhendo aquilo que o Banco Central indicar ou se a operação realmente é totalmente inviável. Se for inviável, nós vamos parar e vamos realmente trabalhar outras oportunidades para que o BRB possa avançar e continue crescendo”, afirmou.
O governador garantiu ainda que a notícia publicada em São Paulo há alguns dias, sobre a desistência de entrada de recurso contra a decisão que suspendeu a compra do Master, é falsa e que o empreendimento seria extremamente vantajoso para o BRB. “Nós não podemos falar de desistir porque nós nem conhecemos a fundamentação. Eu só posso tratar um problema se vai ser administrativamente, judicialmente, de que maneira vai ser, a partir do momento que eu conhecer os fundamentos. A notícia foi falsa, que haveria essa deliberação de desistir. Depois, o pessoal do BRB, a comunicação, entrou em contato, houve a correção da matéria. Agora qualquer deliberação só vai ser tomada após o estudo dos fundamentos do Banco Central”, garantiu Rocha.
Bomba-relógio
Sobre a situação do Master, Ibaneis ressaltou que essa demora pode onerar os cofres públicos em torno de R$ 5 bilhões. “Essa deterioração já vem acontecendo. Isso aí coloca em risco, na minha visão, mesmo sem ter grande conhecimento, todo o sistema financeiro nacional, porque nós estamos falando do fundo garantidor das contas que paga até R$ 250 mil nos investimentos. Está se falando em torno de R$ 5 bilhões que o governo (federal) vai ter que colocar para garantir esses investimentos que foram feitos no Master. Ao passo que, se isso avançar, pode ser que se diminua isso e diminua o risco para o mercado, não só com BRB, mas como outras opções, seja do mercado privado, seja do mercado público”, destacou o governador.
Perguntado diretamente se, diante da situação do Master, o BRB estaria “comprando um risco”, Ibaneis foi incisivo ao dizer que o BRB não corre risco algum com a compra do banco devido aos termos do acordo. “Estamos comprando uma oportunidade. A questão do risco para o sistema financeiro é que, com a negativa da compra e com a demora na resolução em relação ao Master, esses ativos vão se deteriorar e as pessoas começam, porque estão em risco, a tirar seus investimentos, o que vai descapitalizar certamente o banco, gerando essa situação. Isso aconteceu no passado com diversos bancos aqui no Brasil, na época em que o presidente Fernando Henrique reorganizou o mercado financeiro brasileiro e nós sabemos que vários desses bancos quebraram e que houve muito prejuízo para a população. O risco, por exemplo, dos investimentos em precatórios, que nós separamos desde o início, é um risco alto, mas também que pode dar uma grande rentabilidade conforme a análise que tem sido feita”, destacou.
Desejo nacional
O emedebista explicou que o grande objetivo da compra do Master pelo BRB é se tornar um banco nacional, que isso faz parte do seu projeto para o seu mandato desde que assumiu. “Quando assumimos em 2019, o BRB tinha pouco menos de 700 mil contas. Hoje, estamos nos aproximando de 10 milhões de contas no Brasil. E o banco, que era só de servidor público do Distrito Federal, se tornou uma potência nacional com investimentos em todas as áreas, tanto que chegamos agora ao segundo lugar no mercado imobiliário, perdendo somente para a Caixa Econômica Federal. Então, o banco precisa se expandir, porque nós fizemos uma grande capitalização do BRB e uma grande captação de recursos também de tribunais de justiça através do meu trabalho como advogado e conhecimento que eu tenho na área jurídica. Assim como a compra de diversas folhas de pagamento, desde municípios a estados. Isso deu uma força muito grande, mas essa captação precisa ser investida no mercado para que possa dar bons frutos. Por isso a negociação e a escolha do Banco Master, porque ele é muito forte nessa área, através das carteiras de financiamentos. Na visão do BRB, seria um negócio vantajoso, mesmo sabendo que existem algumas carteiras que estavam sendo separadas”, explicou Ibaneis.
O governador mencionou ainda a importância de nacionalizar o BRB. De acordo com Rocha, quanto maior o banco for, mais recursos chegarão para o DF. “Para nós é bastante interessante, porque como banco público a gente tem acesso a uma captação de recursos com algumas dispensas de licitação, então é fácil captar no mercado. O BRB se tornou um grande prestador de serviço para o próprio GDF, com experiências como a bilhetagem e distribuição de programas sociais, como o cartão Prato Cheio. Todos esses pagamentos são feitos e controlados via BRB, inclusive, essas iniciativas já estão sendo colocadas em outros estados e prefeituras pelo êxito dessas iniciativas. Então, o banco, ao se tornar um banco nacional, e eu tenho trabalhado nisso desde que assumi em 2019, aumenta a quantidade de negócio do banco e lucratividade. O último resultado, agora do primeiro semestre, foi de R$ 456 milhões de lucro, isso gera recursos para o DF. A expectativa é que, ao longo desses anos, até eu terminar o meu mandato ano que vem, o BRB vai ter distribuído perto de R$ 2 bilhões de dividendos para o GDF”, pontuou Ibaneis.
De acordo com Rocha, atualmente o BRB tem as folhas de pagamento do Tocantins, Maceió e João Pessoa. Além disso, realiza empréstimos consignados e, expandindo pelo Brasil, vai ser capaz de atrair mais investimentos. O governador explicou ainda que o BRB acaba tendo a garantia do estado no pagamento e que essas parcerias envolvem construções de pontes e estradas Brasil afora. “Hoje, somos o segundo maior banco em financiamento imobiliário no Brasil, perdendo só para a Caixa, somos o primeiro em Brasília. Então, apoiamos o empresariado local, não tem um empresário em Brasília que não esteja satisfeito com o BRB, e agora levando isso para o âmbito nacional. Então, para nós, a compra do Master faz todo sentido. O que não faz sentido é você não expandir o banco, porque aí é melhor você tomar a opção de fazer uma licitação e vender o patrimônio, que hoje, graças a Deus, cresceu muito. O que era avaliado antes em R$ 800 milhões, se formos vender hoje, a gente calcula o valor de mercado em torno de R$ 20 bilhões”, concluiu Ibaneis.
*Enviada especial
Muitos deputados acreditam que vai resultar em mais confusão com o governo, se o deputado federal Arthur Lira (PP-AL) ir em frente com a ideia de juntar partes da Medida Provisória do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) à proposta de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil. A avaliação de muitos é a de que não será possível colocar tudo dentro do mesmo projeto. Há quem diga, inclusive, que os assuntos não podem ser misturados, porque são tributos de natureza diferente, nesse sentido, tem muita gente na Casa suspeitando que a intenção da união das propostas é para isentar dividendos. Um imbróglio desses é tudo o que o Executivo não pediu, especialmente, às vésperas da audiência de conciliação que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes marcou para tentar resolver o debate do IOF. A sugestão de levar a parte das letras de crédito da Medida Provisória do governo para o IR é uma forma de “confrontar” o Planalto.

Nem tudo está perdido/ Lira tem defendido a redução da alíquota de tributação dos super-ricos de 10% para 9% ou 8%, a fim de “manter a neutralidade fiscal”. Assim, avaliamos os deputados, aumentando as chances de aprovação do texto. Muitos políticos acreditam que o governo sugeriu 10% com uma gordura de corte para garantir a aprovação da matéria.
Muito além de Júnior Mano
As avaliações que chegaram à cúpula do Congresso é que a Casa não está livre de ver novos casos de busca e apreensão semelhantes ao que ocorreu esta semana no gabinete de Júnior Mano. Há uma gama de investigações sem curso sobre o que foi feito das emendas parlamentares.
Salvas pela bancada
Antes de se filiar ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), o deputado Júnior Mano (CE) fez de tudo para tentar virar presidente do União Brasil em seu estado. Chegou a ter uma conversa séria nesse sentido com o presidente do partido, Antonio Rueda. A bancada não deixou e ele abalou para o PSB, onde se tornou vicepresidente.
Prazo dado
Parlamentares alegaram que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), vai esperar o projeto do governo de corte de incentivos fiscais até 2 de agosto. Caso contrário, a Casa vai tocar o projeto do deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE) — que prevê corte escalonado de até 10%, em dois anos.
Descolado do governo
Os governantes estão cada vez mais inconformados com as posições do presidente do Banco Central do Brasil (Bacen), Gabriel Galípolo. Ontem, por exemplo, afirmou em almoço na Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE) que, enquanto a inflação não atingir a meta de 3%, a instituição continuará elevando os juros. Segundo Galípolo, é uma forma de fortalecer o BC como instituição independente.
CURTIDAS

Lula ligou/ Um dos novos presidentes regionais do PT que o presidente Lula fez questão de telefonar para cumprimentar foi o do Distrito Federal, Guilherme Sigmaringa Seixas. Filho do ex-deputado Sigmaringa Seixas, o novo dirigente do PT-DF é Lula “desde criancinha”. Na primeira eleição presidencial, 1989, quando ele tinha quatro anos, falou para quem queria ouvir: “Papai, vota no Lula”. Mas Sigmaringa Seixas, à época presidente local do PSDB, votou no tucano Mário Covas.
Por falar em PT…/ O deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) ao chegar na sessão do Conselho de Ética da Câmara, falou em voz alta: “Já pode votar presidente? Só não me peça para votar no PT”, disse rindo antes de registrar o voto para eleger o segundo vicepresidente da mesa.
Laços mais estreitos/ A visita de estado do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, ao Brasil marca uma nova etapa nas relações entre os dois países e já renderá frutos. Em agosto, por exemplo, uma missão de empresários comandada pelo grupo Líderes Empresariais (Lide) segue para Mumbai, para o Lide Brasil Índia Fórum 2025. É um caminho para ampliar o fluxo comercial entre os dois países, atualmente, na casa de US$ 12 bilhões.
Sobre o que/ O fato do líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), ter dito que acionaria a Polícia Federal para investigar uma viagem de parlamentares conservadores aos Estados Unidos, deu mais trabalho ao Conselho de Ética da Casa. Na verdade, qualquer ação por lá será em vão. À coluna, Lindbergh afirmou ter dito que iria à PF, mas não o fez. Neste caso, a representação contra ele no colegiado é “sobre nada”.



