Autor: Denise Rothenburg
Bolsonaro não abrirá mão de posições sobre o combate ao coronavírus
Coluna Brasília-DF
Assessores de Jair Bolsonaro são praticamente unânimes em afirmar que o capitão está convencido de suas posições sobre o combate ao coronavírus e não abrirá mão delas até o final da crise, ainda que danos eleitorais ocorram no futuro. A aposta do presidente continua sendo a de que, quando a crise passar, os eleitores voltarão a apoiá-lo. Nesse sentido, o máximo que a equipe pode fazer por ele, até aqui, é colocar todos os dados técnicos como obra e graça do Planalto.
O problema é que muitos ministros começam a ficar constrangidos com a postura do chefe. Porém, ninguém vai sair enquanto perdurar a crise da saúde e, no caso de Paulo Guedes, vem ainda a crise econômica, depois da pandemia, acompanhada da terceira onda, a política. O futuro do Brasil nunca foi tão incerto.
Atrasados
A demora de Bolsonaro em sancionar a ajuda de R$ 600 aos trabalhadores informais começou a ser explorada pela oposição, e ficará assim por mais tempo. Afinal, completou um mês da chegada do vírus no Brasil e, até o momento, a parte econômica, tão citada pelo presidente, ainda não resultou em recursos nas mãos dos mais necessitados.
Constrangimento
Os diplomatas brasileiros pelo mundo afora estão tontos, sem saber como explicar a posição do governo e a edição da fala de Tedros Adhanom feita pelo presidente, em rede nacional. Afinal, o diretor da Organização Mundial de Saúde (OMS) não recomendou a volta ao trabalho, e sim a proteção das pessoas mais necessitadas.
Sentiu o tranco
Os cuidados de Bolsonaro ao dizer, em seu pronunciamento, que está preocupado com a saúde das pessoas, foram vistos como um sinal de que percebeu a perda de popularidade. Porém, o fato de dizer que quer retomar seu projeto de desenvolvimento indica que ainda não se deu conta do tamanho da crise e de que terá que ter um plano B.
Terra, o conselheiro
O ex-ministro Osmar Terra sustenta, há 15 dias, que a curva de casos no Brasil não será a mesma de países como a Itália, e que isso não se deve ao isolamento. É na posição dele que Bolsonaro tem se pautado.
“Bolsonaro chora porque viu que errou e errou feio”
Do deputado Fábio Trad (PSD-MS), irmão do senador Nelsinho Trad, que não tem comorbidades e teve 10% dos pulmões comprometidos pela Covid-19
Deputado na UTI/ Vice-líder do PSC, o deputado Aluisio Mendes (MA) está internado no Sírio Libanês, em Brasília, por causa da Covid-19. À coluna, ele contou que há seis dias passou mal, foi ao hospital e os testes deram positivos. Ainda não saiu da UTI, mas apresenta melhoras.
As fake news reinam…/ Como se não bastasse a gravidade da pandemia, as pessoas ainda têm que conviver com montagens de fotos que proliferam pelo WhatsApp sem o menor controle. Uma das últimas, repassadas nos grupos bolsonaristas, mostra a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, junto com o vice-governador Antenor Roberto e o prefeito de Natal, Álvaro Dias.
… e as ironias também/ Nos grupos petistas, alguns posts perguntam “Cadê o Queiroz?”, numa referência ao ex-assessor de Flávio Bolsonaro, que recebia depósitos dos funcionários do gabinete de Flávio nos tempos de deputado estadual. Os posts vêm acompanhados de frases do tipo: “reza a lenda que a família Bolsonaro recomendou a ele distanciamento social, isolamento e quarentena, a fim de evitar contaminação”.
Termômetro/ O Park Sul, no setor industrial do Guará, onde, em 2018, os moradores comemoraram de forma efusiva a vitória de Bolsonaro, aderiram ao panelaço na hora do pronunciamento do presidente, ontem à noite.
CB.PODER/ O senador Major Olímpio (PSL-SP) é o entrevistado de hoje do programa, logo depois do jornal local, na TV Brasília e nas redes sociais do Correio Braziliense.
O pronunciamento de hoje mostrou que o presidente Jair Bolsonaro sentiu o tranco da queda de popularidade e estende a mão para o diálogo e para tentar recuperar o que perdeu. Falou da saúde das pessoas, da necessidade de união, se colocou como aquele que detém o comando da equipe ao dizer que determinou aos ministros que cuidem dos brasileiros. Falou inclusive em união de todos, governadores, prefeitos, Legislativo, Judiciário na guerra contra o coronavírus. O discurso de união, de “vamos juntos” e de preocupação primeiramente com a saúde das pessoas finalmente substituiu o da “gripezinha”.
Resta saber se as ações presidenciais seguirão nesse sentido. Na reunião dos governadores do Sudeste, semana passada, por exemplo, o presidente mais atacou do que discutiu saídas para estados como São Paulo, o epicentro da pandemia no Brasil. Ficou mais preocupado com o embate politico com o governador João Doria, citando inclusive a eleição de 2022, algo que não está na cabeça do brasileiro nesse momento. A tensão com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, é outro ponto. Não dá para o presidente nomear um ministério técnico e desprezar as recomendações técnicas de sua equipe, ao ponto de ministro ter que olhar para o seu colega da Casa Civil, Braga Neto, e escolher as palavras mais amenas para expor os resultados do confinamento _ como fez Mandetta na coletiva de hoje.
Bolsonaro não deixou ainda de citar a parte que lhe agradou do discurso do diretor Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom. Porém, manteve dessa “missa” a metade, ao mencionar apenas a parte em que Adhanom fala sua preocupação com os informais e desconhecer o trecho com a referência à necessidade de proteção dessas pessoas por parte dos governos.
A parte da OMS, porém, não ocupou tanto o discurso como se esperava e o ponto alto foi mesmo a mudança de tom. Embora Bolsonaro tenha mantido suas referências à cloroquina e à preocupação com o emprego, fez questão de lembrar que não há tratamento específico para Covid-19 e nem vacina. Agora, assim como os médicos trabalham incansavelmente para recuperar a saúde dos cidadãos que procuram os hospitais, o presidente trata de querer recuperar a sua saúde política. Ainda está em tempo. Basta levar o discurso à prática.
A equipe do presidente Jair Bolsonaro diz não saber informar o tom do pronunciamento que o presidente fará logo mais em cadeia nacional de rádio e tevê. Sabe-se apenas que será na linha do que ele já vem defendendo em relação ao combate ao coronavírus. De quebra, loas ao 31 de março, aniversário do golpe de 1964. Alguns dizem que só quem sabe do teor são os filhos do presidente, em especial, Carlos Bolsonaro.
Na semana passada, quando do primeiro pronunciamento, os militares chegaram a fechar um texto com o presidente, mas foram surpreendidos na hora em que Bolsonaro falou. O tom foi bem diferente daquele acertado com assessores e ministros, que tratava da gravidade da pandemia. Se Bolsonaro hoje optar por falar da Organização Mundial de Saúde, conforme sugeriu que faria pela manhã,corre o risco de mais um fiasco internacional para se somar ao fato de ter sido classificado como o líder que pior está lidando com a crise do coronavírus.
R$ 1 bilhão para pequenos produtores, em especial, agricultura familiar
Uma conversa entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, bateu o martelo sobre o apoio financeiro a produtores de leite, hortifrutis e, também, flores. O valor previsto é da ordem de R$ 1 bilhão. Metade desse volume, R$ 500 milhões, vai para o Programa de Aquisição de Alimentos, em parceria entre o Ministério da Cidadania e Conab, para aumentar também as compras da agricultura familiar. O intuito é garantir renda aos produtores e estoque para a distribuição em hospitais e clínicas de idosos.
A preocupação dos técnicos da área econômica é evitar que os produtores fiquem sem renda ou se vejam obrigados a parar a produção por falta de capital. Há um cuidado especial com os produtores de leite e laticínios, que perceberam nos últimos dias uma diminuição da venda de seus produtos.
Flores
Um dos setores que sentiu fortemente a queda da demanda nesta segunda quinzena de março foi o das flores. Esse pessoal trabalhava muito para eventos, como casamentos, batizados, festas em geral. Agora, esse público simplesmente desapareceu e cancelou tudo o que estava programado para abril, por exemplo. Com a decisão de hoje, o governo agora vai começar a mapear também outros setores que enfrentem dificuldades para evitar uma quebradeira geral. A ideia é atendê-los com esses recursos que os técnicos do governo prometem disponibilizar nas próximas semanas.
Planalto tenta conter os danos de imagem na crise do coronavírus
Coluna Brasília-DF
Ao levar as coletivas do Ministério da Saúde para o Planalto, como parte do gabinete de crise, Jair Bolsonaro adota uma estratégia para evitar a leitura de que a equipe do ministro Luiz Henrique Mandetta é algo estanque, descolado do governo. Aliás, foi aconselhado a adotar esse modelo para tentar amenizar o impacto negativo não só do passeio de domingo, mas também das declarações da manhã, em que novamente defendeu que todos voltem ao trabalho, num momento em que até Donald Trump se rende à necessidade de isolamento. Veremos até quando isso vai durar. O presidente quer os louros do trabalho desenvolvido pelo Ministério da Saúde, mas quer distância do ônus econômico das suas recomendações, de distanciamento social.
Aliados têm dito que Bolsonaro não se convenceu da gravidade da crise. Primeiro, houve a defesa de uma campanha institucional para que o Brasil voltasse ao trabalho. Não deu certo. Depois, o rascunho de um decreto para determinar o retorno imediato às atividades em todo o país. Não funcionou. A contar pela disposição dele, algo mais virá. O Brasil vive a cada dia a sua aflição.
Ministros por Mandetta
Não são poucos os ministros que têm apelado a Bolsonaro para refluir nas declarações dissonantes com as de Mandetta. O que o ministro da Economia, Paulo Guedes, fala de público, a favor do isolamento, é voz corrente no primeiro escalão do governo.
A terceira onda
As declarações de Bolsonaro só serão tratadas de forma mais contundente no Parlamento, quando o país estiver em condições de voltar à normalidade. Em outras palavras, o Brasil seguirá com crise política em altos e baixos. Ninguém tomará qualquer atitude, até que se resolvam as questões de saúde, e as medidas econômicas tenham alguma resposta a fim de melhorar a vida das pessoas.
Está assim I
Em Londrina (PR), um empresário de 55 anos, que passou a infância e a adolescência em Brasília, começou a sentir dores pelo corpo em 18 de março. Em 20 de março, febre alta e dor de cabeça. Procurou a emergência de um hospital privado três dias depois. Foi mandado de volta para casa, sem teste para coronavírus e qualquer cuidado especial. Preocupado e ainda passando mal, voltou ao hospital dia 25. Aí sim, o tratamento foi diverso. Uma tomografia detectou lesões nos pulmões e, então, foi internado e houve coleta de material para o teste. Ontem, 29 de março, recebeu o resultado: Covid-19.
Está assim II
Esse empresário continua internado. Conta ainda que tem um passado atlético em piscina, alimentação saudável, não fuma, não bebe, não tem hipertensão, diabetes, ou qualquer outro fator de risco. Agora, seu quadro clínico começa a melhorar. “O vírus é violento”, avisa.
Militares e o meio-termo de Villas Boas
Integrantes da cúpula das Forças Armadas cobraram de Bolsonaro uma postura mais afinada com o Ministério da Saúde. Daí o motivo da nota do ex-comandante do Exército, general Villas Boas, que critica ações extremadas, delimita o centro como ponto de equilíbrio e, por tabela, sai em defesa do presidente. Divulgada, ontem, nas redes sociais, coloca Bolsonaro como bem intencionado. A leitura da política é a de que a caserna age para tentar conter o presidente e a crise política.
Continha/ Dia desses, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) reclamou de um juiz que suspendeu a carreata do “Brasil não pode parar”, referindo-se a um cidadão contra 57 milhões –– o número de votos que seu pai angariou no segundo turno. O problema é que, desses milhões, há muitos que defendem o confinamento e não votaram a favor de Bolsonaro, e sim contra o PT.
Sem exemplos para citar/ O fato de o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, adotar o autoisolamento depois que um de seus assessores testou positivo para o novo coronavírus, foi mais um baque nas atitudes de Bolsonaro, que, com vários colaboradores com resultado positivo, continua nas ruas.
Difícil, mas deve rolar/ A Câmara fez ontem testes para sessões virtuais. Só tem um probleminha: com 513 deputados, vai ser complicado definir a ordem de uso dos microfones –– e por aí vai.
Enquanto isso, na construção civil…/ Obras de fundação de um edifício na região do Park Sul continuavam ontem a pleno vapor.
Bancada paulista destinará todas as emendas ao combate ao coronavírus
Coordenador da bancada de São Paulo no Congresso, o deputado Vinicius Poit (Novo-SP) conseguiu que todos os R$ 219 milhões em emendas da bancada de São Paulo ao Orçamento deste ano sejam destinadas ao combate ao coronavírus. O valor deverá ser aplicado na área de saúde para compra de equipamentos médicos destinado ao tratamento de pacientes. São Paulo tem 206 pacientes internados em UTI, de um total de 1.451 casos. Esses números foram divulgados hoje. O número de mortes é 98.
A iniciativa de Poit junto aos deputados de São Pulo, a maior bancada da Câmara, segue o que já foi feito por outras bancadas estaduais pelo Brasil afora. Até aqui, Distrito Federal, Sergipe e Amazonas anunciaram iniciativas semelhantes.
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, segue espremido. De um lado, um presidente da República que deseja implantar no país apenas o isolamento vertical, reabrindo comércios e todos os serviços não-essenciais e isolando apenas os idosos e pessoas do grupo de risco. De outro, a Organização Mundial de Saúde, as recomendações dos infectologistas, e mais de meio mundo que considera o isolamento a única forma segura de evitar o colapso dos serviços de saúde pública, uma vez que a escassez de testes rápidos para isolamento apenas dos doentes impede outro tipo de tratamento. Entre os dois, Mandetta, para a entrevista de daqui a pouco, promete a verdade. Vai, assim, na linha da citação bíblica, João 8:32, sempre mencionada pelo presidente Jair Bolsonaro: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.
Bolsonaro, ao escolher seus ministros, em dezembro e 2018, anunciava que não cederia aos partidos e daria à sua equipe um perfil técnico. Se agora, nesse momento grave, Bolsonaro trocar o ministro da Saude, para colocar alguém que faça apenas a sua vontade, estará rasgando esse ativo que levou à sua eleição e foi amplamente aplaudido pela população. O próprio ministro Paulo Guedes, outro escolhido por um perfil técnico, disse hoje que está preocupado com a economia, mas defende o isolamento.
No mundo inteiro, os negacionistas da gravidade da pandemia que se mostraram mais atentos ao cenário econômico do que às questões de saúde pública tiveram que rever suas posições. Do prefeito de Milão, Giuseppe Sala, ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Bolsonaro insiste em manter sua sua posição. Vejamos quem está com a verdade. Afinal, como diz o presidente, a verdade libertará.
O ministro da Saúde, Henrique Mandetta, foi uma das autoridades que apelou para que o governo não colocasse em suas redes oficiais a campanha ö Brasil não pode parar”. Entretanto, desde a noite de quinta-feira, o vídeo circulou entre empresários e aliados do presidente Jair Bolsonaro para ver se “colava”. O apelo foi feito no sentido de substituir a campanha “fique em casa” pela “Brasil não pode parar”.
A campanha não colou. Desde o início da manhã, muitos parlamentares procuraram o secretário de governo, ministro Eduardo Ramos, para alertar que o presidente poderia ser responsabilizado caso haja uma explosão dos casos de Covid-19 nos hospitais e a explosão do coronavírus no país. Muitos empresários recuaram, assustados com o que ocorreu em Milão, onde houve uma campanha desse tipo e hoje há mais de 4 mil mortos. Agora no final da tarde, a Secretaria de Comunicação da Presidência a República soltou a seguinte nota:
“Trata-se de vídeo produzido em caráter experimental, portanto, a custo zero e sem avaliação e aprovação da Secom. A peça seria proposta inicial para possível uso nas redes sociais, que teria que passar pelo crivo do governo. Não chegou a ser aprovada e tampouco veiculada em qualquer canal oficial do Governo Federal.
Coluna Brasília-DF
Em 2005, quando o país viu eclodir o escândalo do mensalão, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva vislumbrou um possível processo de impeachment. À época, disse a adversários que qualquer movimento contra ele resultaria em ruas lotadas em sua defesa. Agora, o presidente Jair Bolsonaro tem dito o mesmo a um pequeno grupo da sua confiança. Para isso, entretanto, ele precisa recuperar parte da popularidade, sem dividir os louros das medidas adotadas com ninguém, e tratando tudo como se fosse iniciativa do seu governo.
Foi nesse sentido que Bolsonaro anunciou, de bate-pronto, na porta do Alvorada, o valor de R$ 600 mensais de ajuda para os trabalhadores informais, o triplo do projeto inicial do Poder Executivo. O projeto já estava em votação e, àquela altura, a área econômica aceitava, no máximo, conceder R$ 300. O Congresso ia dar R$ 500 e o presidente anunciou R$ 600. Enquanto essa disputa por protagonismo político ajudar a população, será bem-vinda. As consequências, como sempre, virão depois.
Perfil do comando
As trocas de militares no Alto Comando já eram previstas, mas a nova leva é ligada ao ministro da Defesa, Fernando Azevedo, e ao comandante do Exército, general Edson Pujol.
Até eles
Alguns hospitais privados, inclusive, no Distrito Federal, projetam queda de faturamento, por causa do cancelamento de cirurgias eletivas e consultas. Até alguns setores da medicina passarão por dificuldades diante da pandemia de coronavírus.
Até ele
Com o estado de Nova York definido como o novo epicentro da pandemia da Covid-19, as declarações do presidente Donald Trump a respeito do coronavírus vão na linha de “pandemia grave”, e que veria, caso a caso, a necessidade de manter ou afrouxar as medidas de isolamento.
Ciência versus política
A virada de Trump é lida entre alguns aliados de Bolsonaro como fruto da campanha política que o presidente dos Estados Unidos enfrentará em breve. Porém, entre opositores do bolsonarismo, é a certeza de que Trump não teve saída, a não ser o que dizem os técnicos e infectologistas.
Só para contrariar/ A ideia de Bolsonaro aparecer com duas caixas de remédio que não precisa usar, e receitar como a promessa contra o coronavírus, teve uma motivação: provocar o médico Ronaldo Caiado, governador de Goiás, seu mais novo adversário.
Joyce na cobrança/ Em seu discurso no plenário da Câmara, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) não mediu as palavras ao cobrar do presidente que pare com essa história de negociar com o Congresso num momento e, minutos depois, ir às redes sociais dizer que não negociou. “Seja homem e cumpra de pé o que combina sentado. Eu o desafio à paz, ao diálogo, à união”.
Muito além da Mega-Sena/ O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) postou vídeos de reclamações para a abertura de casas lotéricas. Há cidades em que esses estabelecimentos são o canal para receber os benefícios governamentais e, fechados, as pessoas não conseguem sacar valores de aposentadorias, por exemplo.
Espelho meu/ Lula chamou a crise econômica de “marolinha”. Dilma Rousseff saudou a mandioca e queria estocar vento. Bolsonaro chama pandemia de gripezinha e diz que brasileiro mergulha no esgoto e não pega nada. Qualquer semelhança é mera coincidência.
No Sírio Libanês, o hospital dos políticos, a recomendação é de isolamento horizontal
A posição do governo de manter apenas os idosos em casa levou mais especialistas a virem a público defendendo o distanciamento horizontal nesse momento. Infectologista do hospital Sírio Libanês em Brasília, hospital que tem recebido os políticos portadores do coronavírus, dr. Alexandre Cunha fala da importância do isolamento horizontal da população nessa fase da pandemia, recomenda a não circulação de jovens e diz que “as medidas de distanciamento social são as únicas que se mostraram eficazes para conter a disseminação rápida do novo coronavírus”. Ele menciona ainda que uma vacina só estará disponível daqui a um ou dois anos e os tratamentos alardeados como a cura são experimentais e baseados em estudos metodologicamente muito ruins”, afirma, acrescentando que “provavelmente, não terão a eficácia alardeada pela mídia.Os novos estudos já estão mostrando que os resultados não são tão promissores”, diz.
A avaliação do especialista é a de que o distanciamento social é importante para evitar que um grande número de casos ocorra simultaneamente, mesmo que esses casos seja entre pessoas jovens. “É verdade que o vírus tem menor impacto e letalidade e menor hospitalização. Se o número de infectados for muito grande num curto período, isso pode gerar uma sobrecarga do sistema de saúde, o que pode fazer com que haja óbitos evitáveis entre jovens, o que já acontece hoje nos Estados Unidos. E também aumento em idosos, que precisarão de hospital muitas vezes por outros problemas. Se os hospitais estiverem lotados, esses idosos não terão como se tratar”, diz ele, referindo-s a outras doenças comuns nessa faixa etária como problemas cardíacos, hipertensão.
Dr. Alexandre Cunha considera que afrouxar as medidas dependerá de estudos. “É claro, temos medir a cada momento da pandemia qual o momento de baixar a guarda e afrouxar essas medidas. Essa decisão temeu ser tomada por dados técnicos, baseada em dados estatísticos, epidemiológicos, sempre pensando que a economia é importante, o país não pode ficar parado por muito tempo. Mas, se a gente deixar os jovens circularem livremente nesse momento, corre um grane risco do nosso país entrar em colapso, como aconteceu em países como a Itália. Nesse momento, a melhor medida é se manter em casa pra evitar esse contágio rápido. A gente espera que, a medida que a população for sendo imunizada, gradativamente, que as coisas possam ao normal, inclusive os idosos possam voltar a frequentar os lugares que frequentavam habitualmente”, diz ele.







