Governo amplia agenda

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Depois de patinar na chamada “agenda de costumes” e na articulação política desses primeiros três meses, o governo do presidente Jair Bolsonaro aproveita a marcação dos 100 dias de gestão para mostrar que sua administração não se resume às falas da ministra Damares Alves,  aos tropeços na área de Educação. nem á reforma da Previdência.  Foram 18 medidas divulgadas hoje para tentar levar a parcela expressiva do eleitorado que elegeu o presidente no ano passado a renovar as esperanças em seu governo. Tem de tudo um pouco, desde comissão interministerial de combate à corrupção, a  projetos de lei, como o da educação domiciliar, até o 13º do Bolsa Família, uma medida que beneficia diretamente os mais pobres e a economia dos rincões do país. Com esse leque de anúncios, o governo sai do discurso único de “previdência, previdência, previdência” e ainda joga uma isca para ver se a oposição passa a jogar em várias frentes, pelo menos, nesse início de tramitação da Nova Previdência. Resta saber se a oposição irá dividir seus esforços. Lula, que comanda o PT da prisão em Curitiba, já orientou seu partido a ficar focado na Nova Previdência.

 

 

Bolsonaro pede para ir a jantar com embaixadores dos países árabes

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No dia em que Benjamin Netanyahu comemora sua apertada vitória em Israel, o presidente Jair Bolsonaro participa de jantar com 51 embaixadores de países árabes e muçulmanos, na sede da Confederação Nacional de Agricultura. A iniciativa do encontro foi uma parceria entre a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e o presidente da CNA, João Martins, para manter os laços comerciais com as Nações que compram 40% da proteína animal exportada pelo Brasil. A presença do presidente foi decidida praticamente de última hora. O evento foi inclusive antecipado para 19h30, a pedido do Planalto. A presença de Bolsonaro e do ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, tem uma simbologia importante para esses países, uma vez que demonstra a boa vontade do governo para com esses países.

Os embaixadores, entretanto, esperam poder falar no evento. A previsão, entretanto, é a de que só a ministra e o presidente falem no encontro. Porém, os embaixadores, conforme apurou o blog, gostariam de ter algum espaço para poder dar expor sua visão sobre as relações históricas desses países com o Brasil. Desde o anúncio da visita do presidente Jair Bolsonaro a Jerusalém o clima não foi dos melhores. Com o anúncio do escritório comercial na cidade e a foto de Bolsonaro no Muro das Lamentações ao lado de Netanyahu, a Autoridade Palestina __ que também reivindica Jerusalém __ ficou extremamente incomodada. Para completar, ainda houve um constrangimento com o movimento radical islâmico Hamas, por causa do tweet do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), dizendo que queria que o Hamas se explodisse.  A mensagem foi apagada pouco depois pelo próprio senador, porém, o constrangimento estava criado. Agora, entretanto, é esquecer os problemas e tentar reconstruir a boa relação comercial.

Pressões por Ministério põem Bolsonaro na muda

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O presidente Jair Bolsonaro se fechou em copas e adiou todas as conversas a respeito do Ministério da Educação. Ele quer refletir mais sobre o nome que deve assumir o Ministério da Educação no lugar de Ricardo Velez, e afastar as pressões. Nesse sentido, adiou também qualquer conversa com o senador Izalci Lucas (PSDB-DF), um dos nomes indicados para o cargo.

 

Izalci, por sua vez, entende que independente dos apoiamentos de amigos, a escolha nomes para qualquer cargo no governo federal vem por critérios técnicos, por competência e afinidade com as bandeiras do presidente da República. O que ele tem em comum, acima de tudo, com o presidente Bolsonaro é o desejo de “despetizar o MEC”, como tem dito em conversas com amigos.

Cotado para a Educação, senador Izalci Lucas é chamado para reunião com Bolsonaro

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Cotado para ministro da Educação, o senador Izalci Lucas (PSDB-DF), terá um encontro com o presidente Jair Bolsonaro neste Sábado. Ele foi indicado por um grupo expressivo de deputados evangélicos, inclusive Bispo Rodovalho, que já foi deputado federal por Brasília. O PRB, braço da bancada evangélica, tentou indicar o deputado João Roma (PRB-BA), ex-secretário de governo da prefeitura de Salvador. Roma, entretanto, é visto como um nome muito ligado ao prefeito ACM Neto, presidente do DEM, que já tem três ministros no governo,  Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Tereza Cristina (Agricultura) e Luiz Mandetta (Saúde).

Há um desconforte entre os partidos de centro por causa da quantidade de cargos que o DEM tem no governo. Conforme antecipou a coluna Brasília-DF hoje, o DEM aproveita esses espaços para ampliar sua base nos municípios, atraindo prefeitos. O movimento provocou tanta ciumeira que ajudou a tirar o ex-deputado Mendonça Filho (DEM-PE)  da lista de possíveis ministros da Educação.

Rodada com os partidos: Bolsonaro se aproxima, mas não leva

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Um dos primeiros partidos a ser recebidos pelo presidente Jair Bolsonaro hoje, o PSD considerou a conversa “fácil”, conforme definiu o presidente do partido, Gilberto Kassab. “É fácil, porque não somos base, nem tampouco oposição”, diz ele, reforçando o que havia sido antecipado pela a coluna Brasília-DF na última terça-feira. “Nossa postura é de independência, apoiamos a reforma, mas não vamos fechar questão”, comunicou Kassab ao presidente.

Os tucanos form mais críticos em relação ao projeto. Geraldo Alckmin avisou de antemão que seu partido não apoiará qualquer benefício abaixo  de um salário mínimo., O PSDB também não pediu participação no governo. Logo, também pretende se manter “independente”. Até aqui, Bolsonaro obteve boa vontade, mas nada fechado em relação aos partidos com que conversou. Ele almoça com o presidente do DEM, ACM Neto, cujo partido tem ministros no governo, mas nenhum indicado pela legenda.

 

 

Câmara tira poderes do governo

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A aprovação por ampla maioria agora à noite da PEC do orçamento impositivo vai tirar do governo o poder de dizer quais são as obras prioritárias para os investimentos. Ela obriga a execução das emendas de bancada e a aplicação de 1% da Receita Corrente Líquida nessas emendas coletivas. Ou seja, vincula ainda mais os gastos, algo que a equipe econômica queria evitar. Essa aprovação, em dois turnos no mesmo dia _ 448 na primeira votação e 453, na segunda __ indica que os congressistas têm pressa em mandar um recado ao governo. Justamente, no dia em que o ministro da Economia, Paulo Guedes, faltou à reunião marcada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, para debater a Nova Previdência.

 

A emenda seguirá agora para o Senado, onde o presidente, Davi Alcolumbre, há pouco, evitou comentar a respeito, porque ainda não tinha conhecimento do texto. “A proposta está na Câmara. Quando chegar aqui, analisaremos”, comentou. Agora, caberá aos senadores aliados ao Planalto tentar segurar a proposta. Porém, numa Casa regida pelos Estados e recheada de ex-governadores, é mais difícil segurar uma proposta que obriga a liberação justamente dos pedidos estaduais no Orçamento, apresentados via emendas de bancada.  Hoje, essas emendas são apenas autorizativas e o governo é quem dá a palavra final. Se o Senado votar logo essa PEC aprovada na Câmara, restará ao governo liberar a execução dessas emendas, sem poder de veto.

 

Paulo Guedes não é contra o Congresso deliberar sobre todo o Orçamento, desde que haja uma desvinculação das receitas. Do jeito que foi aprovado, o texto engessa ainda mais o Orçamento, deixando pouca margem para o Poder Executivo contingenciar verbas em nome do ajuste fiscal. É o preço da falta de diálogo com o Parlamento, cada vez mais feliz com a chamada “independência” em relação ao Planalto. Esa liberdade, porém, exigirá responsabilidade dos políticos com as contas públicas. E, para que isso ocorra, em algum momento, os dois Poderes __ Executivo e Legislativo __ terão que se sentar e conversar de uma forma civilizada, para estabelecerem os marcos da Nova Politica. Para o bem do país, quanto antes, melhor.

 

 

 

Em troca da OCDE, EUA querem Brasil fora do grupo de tratamento especial da OMC

Robert Lighthizer
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WASHINGTON, DC — Os americanos consideraram discutir a entrada do Brasil na Organização de Cooperação de Desenvolvimento Econômico (OCDE), mas, em troca, pedem que o país saia do rol de nações que detêm tratamento preferencial e diferenciado na Organização Mundial de Comércio (OMC), por se autodesignarem “em desenvolvimento”.

A exigência foi apresentada ao ministro da Economia, Paulo Guedes, pelo representante de Comércio do governo americano, Robert Lighthizer. “Ele me disse: ‘Vocês têm de entender que, para entrar na OCDE, têm de sair do grupo dos favorecidos na OMC. Não tem troca’. Ele fez essa exigência. Eu fiz o meu pedido: ‘Me ajuda a entrar na primeira divisão’. E ele respondeu: ‘Me ajuda a limpar a segunda divisão'”, explicou o ministro, numa conversa rápida com o Blog e outros jornalistas, no café do hotel onde está hospedado.

Guedes disse a Lighthizer que estava sendo tratado “como se fosse chinês”. E acrescentou: “Brinquei, falando que o negociador deles está achando que sou chinês. Ele está indo de país em país para reduzir o superavit que os países têm com os Estados Unidos. “Só que nos temos deficit”, disse o ministro. A China tem um superavit da ordem de US$ 500 bilhões com os Estados Unidos, enquanto o Brasil teve um deficit de cerca de US$ 100 milhões, no ano passado. O ministro, entretanto, não adiantou qual será a resposta do Brasil. “Não vou dizer em que lado vou bater o pênalti”, comentou.

O pleito do Brasil, de entrada na OCDE, certamente será objeto da conversa entre os presidentes Jair Bolsonaro e  Donald Trump, logo mais na Casa Branca. Essa entrada na OCDE representa uma espécie de selo de qualidade, confere mais prazos e outro patamar para as negociações comerciais.

No mês que vem, anunciou Guedes, o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Willbur Ross, com quem o ministro se encontrou ontem, irá ao Brasil. “Será a primeira visita de um secretário de comércio ao Brasil em dez anos”, comemorou Guedes. Na área econômica, o Brasil fechou a recriação do fórum de CEOs das maiores empresas que fazem negócios com os Estados Unidos. Agora, está na fase de definição daqueles que vão participar desse fórum. Ali, será discutido, conforme Guedes, as relações comerciais do tipo. “Os americanos vão dizer: ‘Queremos vender nossa carne de porco’. Aí, nós dizemos: ‘Então, compre meu bife’. E eles vêm com etanol de milho, e o lado brasileiro responde: ‘Então, compre meu açúcar’. E por aí vai”, disse o ministro, bastante animado e otimista.  

 

Bolsonaro alerta que não pode haver desequilíbrio entre as Forças na reforma dos militares

Militares
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WASHINGTON,DC – O presidente Jair Bolsonaro dará a palavra final sobre o texto da Previdência dos militares assim que desembarcar no Brasil, na próxima quarta-feira, a fim de enviar ao Congresso ainda no mesmo dia. A demora para o envio é o fato de a proposta não ser apenas a Previdência pura e simples e sim uma reestruturação da carreira, na qual vão entrar a questão dos soldos que se encontram defasados. Hoje, um general próximo de chegar à reserva, ganha praticamente a mesma coisa que um jovem em início de carreira em áreas estratégicas e o governo pretende ajustar isso. A decisão final será do presidente, que já reiterou aos técnicos que trabalham no projeto que essa reestruturação não pode desequilibrar as Forças Armadas, Marinha, Exército e Aeronáutica.

A área econômica deu os parâmetros para essa discussão, em termos das contas públicas, da mesma forma que o fez sobre a economia necessária à reforma da Previdência civil. O que o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem dito é que não abre mão da receita de R$ 1 trilhão com a reforma previdenciária. Ele tem dito reiteradamente que é o valor necessário para garantir a sustentabilidade do antigo sistema. “É como um foguete: Para sair do chão e vencer a gravidade precisa de um motor mais potente. Depois, nem tanto. Precisamos desse motor para a transição”, disse o ministro.

Sobre os pontos que o Congresso tem apresentado mais resistência, as mudanças nas aposentadorias rurais e Benefício de Prestação Continuada (BPC), ele responde novamente com a questão da necessidade de arrecadação com as mudanças: “Se fizer menos que R$ 1 trilhão, o nosso compromisso é relativo e não estamos tão dispostos assim, o que é lamentável. Ai vem a segunda questão. Já que você gosta muito de seus filhos, façam sacrifícios contemporâneos, e entra todo mundo. Por isso que os militares tem que entrar. E as mulheres, que baixar a idade de aposentadoria de 62 a 60, tem que compensar”, afirmou. “Se você fizer uma potência de R$ 1 trilhão para cima, está dizendo: Nós temos compromissos com as futuras gerações. Estamos libertando as futuras gerações dessa armadilha que caímos, baixo crescimento, previdência falida. Há desemprego em massa. 46 milhões de brasileiros não têm carteira assinada. (Sem reformas) essas pessoas vão envelhecer e quebrar a Previdência”, alerta Paulo Guedes.

Em relação às aposentadorias, o ministro reiterou que é possível cortar apenas combatendo as fraudes. O governo já detectou que há 6,5 milhões de idosos vivendo no campo e 9 milhões de beneficiários. Mas não entrou em detalhes sobre a negociação dos congressistas a respeito da reforma. Afinal, o jogo está apenas começando.

Guedes: ideia é se aproximar dos EUA sem abandonar a China

paulo guedes
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Washington — O ministro da Economia, Paulo Guedes, pretende sair dos Estados Unidos, amanhã, com a certeza de que plantou a semente do “ganha-ganha”, ou seja, não é excluir a China em favor dos Estados Unidos, mas dar ao país Ocidental o espaço que, no passado recente, não foi tão valorizado na relação comercial. “Houve uma atitude de desinteresse com um parceiro extraordinário, que está aqui do lado. E isso se agudizou no período do governo do PT. Vários países fizeram acordo com os americanos e nós não. Vamos mudar isso e não é para se contrapor a ninguém”, disse o ministro, numa rápida entrevista no hotel onde está hospedado.

Essa visão não significa abandonar a China, principal parceiro comercial do Brasil hoje, e sim ampliar a relação com os Estados Unidos. Tecnicamente, avisam alguns integrantes da comitiva, é deixar bem claro aos Estados Unidos que há o interesse chinês em financiar infraestrutura no Brasil e que cabe aos ocidentais decidir se vão deixar o país comercialmente mais atrelado à China ou trabalhar de forma conjunta para favorecer essa reaproximação. Da parte do Brasil, a ordem é manter as negociações abertas com todos.

O tema foi tratado no jantar da noite de domingo, quando o ministro conversou com formadores de opinião norte-americanos e fez um discurso sobre as relações comerciais do Brasil acoplado a uma análise geopolítica, sobre o fato de a economia de mercado produzir democracias. E que o mundo, a China inclusive, opta pela economia de mercado para tirar sua população da pobreza. Guedes foi ainda claro ao dizer, no jantar, que “o Brasil, geopoliticamente, sabe o que é: Ocidental e uma democracia”. O ministro foi ainda incisivo ao dizer que “só quer saber do que pode dar certo”. Ele, porém, mantém reservas para dizer como e sobre quais produtos as conversas podem evoluir ainda nesta viagem aos Estados Unidos. Ele saiu do hotel direto para uma conversa como secretário de Comércio dos Estados, Wilbur Ross.

 

No jantar, o esforço para reaproximar Bolsonaro e Olavo de Carvalho

Olavo de Carvalho
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O jantar na residência da Embaixada do Brasil em Washington foi o local perfeito para que o presidente Jair Bolsonaro diluísse a irritação, depois de ter lido que o escritor e professor Olavo de Carvalho no último Sábado, tratara seu governo como algo que, a continuar como está, seriam mais seis meses e acabou. Foi toda uma operação para que os dois conversassem e se acertassem depois das declarações polêmicas, que o presidente não gostou e manifestou seu descontentamento ao ponto de muita gente apostar que haveria um distanciamento entre Bolsonaro e Olavo de Carvalho. Porém, quem fez essas apostas dentro do governo, perdeu horas depois.

Como os mais próximos do presidente costumam dizer, Olavo de Carvalho só quer o bem de Bolsonaro, a quem considera um homem bom e interessado em servir o país. Nesse sentido, o professor foi colocado estrategicamente ao lado direito do presidente, para que os dois pudessem trocar ideias. Steve Bannon, o ex-conselheiro da Casa Branca, ficou do lado esquerdo de Bolsonaro. O presidente fez inclusive um brinde ao professor Olavo, a quem Paulo Guedes chamou de “líder da revolução liberal no Brasil”.

Antes da fala do presidente, agradecendo a recepção do Embaixador Sérgio Amaral, que será substituído em breve, o ministro da Economia, Paulo Guedes, explicou o projeto do governo para a sua área e demonstrou otimismo com o crescimento. Guedes disse, por exemplo, que o país pode mudar de patamar depois de aprovada a Nova Previdência. Eles saíram da embaixada depois das 22h. (23h, hora de Brasília)

Há toda uma preocupação dos mais próximos de Bolsonaro para que ele nãos e distancie daqueles que, apesar de tecerem críticas, estão preocupados e defendem o sucesso do governo. Não por acaso, o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, Eduardo Bolsonaro, colocou em seu Twitter que havia sido sensacional o encontro entre Olavo e o presidente Jair Bolsonaro e se referiu ao jantar como “grande noite na embaixada do Brasil nos Estados Unidos”. Sabe como é, não dá para afastar quem torce a favor. É de gente “do contra”  que o presidente precisa manter distância.