Deputados e senadores recebem “Jumbão” para aprovar PEC Paralela

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Enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), abria a sessão solene para promulgar a reforma da Previdência, a Comissão Mista de Orçamento recebia R$ 15 bilhões em projetos de crédito suplementar, com uma grande parte destinada a emendas de deputados e senadores para estados e municípios.

Há recursos para saneamento, desenvolvimento regional, estradas e uma penca de projetos que farão a alegria das bases eleitorais nessa reta final de 2019. Cada um desses projetos, que trazem recursos para vários ministérios, é carinhosamente apelidado na Casa de “Jumbão”, numa comparação ao Boeing 747.

Os “Jumbões” que aterrissaram no Congresso, avisam alguns líderes, serão suficientes para aprovar a proposta de emenda constitucional que completa a reforma previdenciária, a PEC Paralela, com votação prevista para a próxima terça-feira.

Jogada de risco I

O maior teste político de Jair Bolsonaro será a formação do novo partido. Se conseguir consolidar a nova legenda e recuperar a economia, terá um poder de atração inclusive sobre os hoje potenciais aliados do governo.

Jogada de risco II

A ideia de fusão entre o PSL de Luciano Bivar e o DEM arrisca levar vários integrantes do DEM a saírem do partido. Intramuros, há quem diga que não é possível aceitar esse casamento. Especialmente, aqueles mais próximos ao presidente Jair Bolsonaro.

Longe da solução

Os partidos de centro jogam em várias frentes para tentar aprovar a prisão em segunda instância. Domingos Sávio (PSDB-MG), conforme adiantou a coluna na semana passada, joga com a aprovação de uma mudança no Código de Processo Penal, enquanto Ricardo Barros (PP-PR) aposta num decreto legislativo para transformar o Congresso eleito em 2022 em Constituinte, nos moldes do que foi feito na década de 80.

Tapete vermelho, apesar de tudo

Fundado no governo Lula, o grupo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (Brics) está longe de ser a turma preferida do presidente Jair Bolsonaro. Especialmente, depois que o russo Vladimir Putin apoiou Evo Morales, o ex-presidente da Bolívia exilado no México. Porém, o presidente promete ser o melhor dos anfitriões e deixar as rusgas de lado.

Aliança no DF/ O nome que desponta como um dos fundadores do novo partido de Jair Bolsonaro no Distrito Federal é o do advogado Luiz Felipe Belmonte, suplente do senador Izalci Lucas (PSDB-DF) e marido da deputada Paula Belmonte (Cidadania-DF). Ela deve ficar onde está. Bia Kicis segue para a nova legenda.

Desdenhou/ O deputado Delegado Waldir (PSL-GO) passou a tarde dizendo aos colegas no plenário que “Bolsonaro está vendendo terreno na Lua com essa história de novo partido. Leva-se muito tempo para montar uma legenda”.

Botou fé?/ Os bolsonaristas, entretanto, têm certeza de que o prestígio do presidente e as perspectivas de melhora na economia são suficientes para construir a nova agremiação sem problemas.

“CarnaBrics”/ É assim que as excelências se referem ao fechamento da Esplanada hoje por causa da reunião de cúpula do grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. “Sextou” em plena terça-feira, com direito a cinco dias de folga para as repartições públicas dos Poderes da República, incluindo o fim de semana.

Governo tenta entrar em tema mais sensível aos discursos da esquerda

emprego
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Ao restringir a contratação do pacote do emprego aos mais jovens — entre 18 e 29 anos —, o governo tenta entrar na roda daquela parcela que hoje é mais sensível aos discursos da esquerda. E, de quebra, aposta na camada da população que precisa de qualificação profissional para alçar voos mais altos no futuro.

Assim, qualificados e trabalhando, os jovens, avaliam os governistas, deixarão de ser “massa de manobra” dos partidos. Afinal, Lula, em suas primeiras falas ao sair da cadeia, destacou o alto desemprego no país. E tem razão quando fala nesse tema. Se a medida gerar novos postos de trabalho, o discurso de Lula cairá no vazio.

Tempo contado

Ao anunciar, hoje, sua saída do PSL para um novo partido, o presidente Jair Bolsonaro terá de correr, a fim de que sua nova legenda possa participar das eleições municipais no ano que vem. O PSD de Gilberto Kassab foi fundado em março de 2011, ou seja, com uma folga maior para coletar as 500 mil assinaturas e conseguir o registro em tempo de concorrer às eleições. Os especialistas garantem que o tempo para que o partido seja criado e dispute as próximas eleições é mais do que suficiente.

Pau que dá em Chico…

… Dá em Francisco, reza o dito popular. Bastou o presidente Jair Bolsonaro mencionar, em entrevista a O Antagonista, que a Lei de Segurança Nacional está aí para ser usada, numa referência a Lula, para que muita gente no parlamento fosse averiguar se bolsonaristas podem ser enquadrados na LSN pelas ameaças ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli.

Calma, Lula

O ex-presidente foi aconselhado a medir cada palavra de seu discurso, de forma a não dar margem a que seja enquadrado ou cogitado a enquadramento na Lei de Segurança Nacional. Afinal, Lula está solto, mas ainda tem uma série de processos a responder e, para completar, uma parcela expressiva da população o considera culpado.

Desconforto no clã

A contar pelo tuíte de Eduardo Bolsonaro, ontem, o governador de São Paulo, João Doria, começou a incomodar a família. O deputado desqualifica todos aqueles que estavam com o seu pai e que agora partiram para a oposição, inclusive o general Santos Cruz e Paulo Marinho, cuja casa serviu de QG da campanha bolsonarista.

Menos, Eduardo, menos

As críticas a Doria por parte do filho do presidente preocupam alguns congressistas aliados ao governo, porque Bolsonaro vai precisar dos tucanos para aprovar as reformas que sugere ao Congresso. O senador José Serra (PSDB-SP) já criticou o pacote de medidas do ajuste fiscal. Até aqui, o PSDB tem sido fiel às reformas. Mas, se o governo continuar provocando os adversários tão cedo, faltarão votos.

Disputa das casas I/ Oito senadores do movimento Muda Senado — Álvaro Dias, Oriovisto, Kajuru, Reguffe, Leila Barros, Eduardo Girão, Styvenson Valentim e Lassier Martins — fizeram uma reunião, ontem, irados por causa do cancelamento da sessão em que defenderiam a aprovação de uma emenda constitucional para fazer valer a prisão em segunda instância.

Disputa das casas II/ Todos querem o protagonismo nesse tema, que tem apoio popular. Na Câmara, logo no início da noite, com a discussão na Comissão de Constituição e Justiça, o tema conseguiu o impossível: reunir os bolsonaristas raiz com os bivaristas.

A porta da rua…/ É a serventia da casa. A contar pelas mensagens que circulam no grupo dos bivaristas dentro do PSL, não haverá luto no partido pela saída de Jair Bolsonaro da legenda.

Informação preciosa/ O economista Paulo Nogueira Batista Jr. lança, hoje, no Carpe Diem, da 104 Sul, às 19h, o livro O Brasil não cabe no quintal de ninguém, em que conta os bastidores das negociações que acompanhou e participou tanto nos Brics quanto no FMI. Está previsto, ainda, debate entre o autor e o ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa, com mediação do jornalista Luiz Carlos Azedo.

Huck, Doria e Witzel oferecem vaga de vice para Maia

Rodrigo Maia
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Num período de 10 dias, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, foi procurado pelo apresentador Luciano Huck; pelo governador de São Paulo, João Doria, e pelo do Rio, Wilson Witzel, lhe oferecendo a vice. Sinal de que o demista aparece bem na fita das pesquisas e é visto como um aliado confiável.

Por falar em Huck…

O fato de Lula chegar a São Paulo no jatinho dele não foi mera coincidência, ainda que o PT tenha alugado o avião. Segundo amigos do empresário, Huck sabia. O apresentador tem feito gestos para todos os lados. E se considera capaz de unir o que há de melhor na esquerda e na direita.

Primeiros acordes e seus reflexos após Lula ser solto

Lula e Moro
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Tudo o que o PT falou ao longo da campanha e no Congresso nos últimos tempos, sem reflexo na sociedade, Lula repetiu nesse fim de semana do alto do palanque no ABC, num ensaio do que pretende espalhar pelo país: ligar os Bolsonaros aos milicianos do Rio de Janeiro e pedir explicações sobre o ex-assessor Fabrício Queiroz que continua sem esclarecer detalhadamente as transações financeiras. Enquanto isso, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Justiça, Sergio Moro, citam o ex-presidente como presidiário, que está condenado em segunda instância. Ou seja, solto, mas não completamente livre.

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O primeiro resultado desse embate é a antecipação da guerra eleitoral entre esses personagens já em 2020, nas eleições municipais. O centro da política ainda tem esperanças de que o eleitor reconheça que é possível fazer uma aposta longe dos dois extremos. Só tem um probleminha: no momento, Lula e Bolsonaro têm mais voz junto ao eleitorado. Os demais ainda não deram o ar da graça nessa seara. O único que aparece com dois dígitos nas pesquisas é Luciano Huck. Não por acaso, Lula e Bolsonaro atacam as organizações Globo, onde o apresentador trabalha. É ele que veem hoje como o maior adversário.

Onde mora o perigo I

As mensagens do presidente Jair Bolsonaro pedindo aos seus seguidores que não caíssem em provocações têm relação direta com o receio de que algum mais afoito (para não dizer maluco mesmo) termine cometendo algum atentado contra Lula nessas andanças pelo país. Afinal, qualquer coisa que aconteça com o petista hoje será atribuída aos bolsonaristas.

Onde mora o perigo II

A reunião do presidente Jair Bolsonaro com os ministros e comandantes militares está diretamente relacionada à necessidade de acompanhar o que vem acontecendo no país depois da liberação de Lula. O momento é de tentar tranquilizar os bolsonaristas, mantendo a visão de que Lula é culpado e que, terminado o processo, voltará à cadeia.

CURTIDAS

Mistura aí!/ Na festa de sexta à noite em Curitiba, os petistas se referiam à volta de Lula e José Dirceu à cena política como a chance de “limpar” o nome do PT e de tentar colar na população a imagem de que as prisões foram políticas, tal e qual àquelas que ocorreram nos tempos da ditadura militar. Assim, esperam deixar para trás os processos que atribuem a ambos participação nos escândalos de desvio de recursos da Petrobras.

Separa aí/ Os movimentos de rua ontem a favor da prisão em segunda instância, que muitos consideraram pequenos comparados às grandes manifestações de 2013, foram apenas o começo, no sentido de pressionar a mudança da legislação, de forma a prender Lula novamente. Outros virão, bem como milhões de assinaturas a fim de pressionar o Congresso a fazer valer essa possibilidade no texto constitucional. A ideia é usar a mesma tática que resultou na Lei da Ficha Limpa.

O que interessa/ Da parte do governo, há a certeza de que, se a economia melhorar, Lula continuará discursando para os próprios petistas, sem empolgar a maioria da população que elegeu Jair Bolsonaro.

Boa notícia/ Não é só de pacotes amargos que é feito o governo. Para a Cop25, a reunião da ONU sobre Mudanças Climáticas, o Brasil apresentará um elenco de bons resultados na redução de emissões de carbono.

Congresso quer que condenado em 2ª instância tenha recursos julgados em até seis meses

Congresso deputados
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Passada a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a segunda instância, o Congresso quer retomar a discussão do tema. Não são poucos os deputados que estão quebrando a cabeça para tentar chegar a uma fórmula para que todo condenado em segunda instância tenha seus recursos julgados em seis meses, nas instâncias a que recorrer. A ideia do deputado Domingos Sávio (PSDB-MG), por exemplo, é que os recursos que não forem julgados dentro de um determinado prazo possam passar a trancar a pauta do Supremo Tribunal Federal, da mesma forma que vetos e medidas provisórias trancam a pauta do parlamento.

Segura o DEM aí…

O presidente Jair Bolsonaro termina a semana com mais um gesto de apreço à parcela do DEM que o apoia. O primeiro foi iniciar a tramitação das emendas constitucionais da reforma fiscal pelo Senado, comandado por Davi Alcolumbre, grande aliado do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. O segundo é o afago a Ronaldo Caiado, governador de Goiás, que recebe hoje o presidente Jair Bolsonaro.

…E divide o partido

Caiado foi o único que, na convenção partidária, defendeu o alinhamento automático do partido ao governo do presidente Jair Bolsonaro, algo que até agora não veio, e nem virá. Aliás, a contar pelos encontros em Brasília, o DEM está cada vez mais próximo de Luciano Huck, com quem Rodrigo Maia tem conversado bastante. O encontro mais recente foi ontem.

Vai indo que eu já chego

A ideia do presidente com o novo partido é atrair aliados de outras legendas, além do grupo do PSL que já está a postos para seguir Bolsonaro. Até aqui, entretanto, nenhum desses aliados pretende trocar o certo pelo duvidoso.

Saldo

Os governistas que sondaram muitos parlamentares sobre o pacote da reforma fiscal concluíram que, se o ministro Paulo Guedes sair com a metade das propostas aprovadas, já estará de bom tamanho.

Contramão

O mercado não atribui apenas aos erros de estratégia do governo a ausência das grandes petroleiras nos leilões desta semana. É que a exploração do pré-sal é cara, e os principais mercados do mundo já têm projeto de mudança para energia limpa.

Harari e Huck/ Autor dos best sellers Sapiens, Homo Deus e 21 lições para o Século XXI, o filósofo e professor Yuval Noah Harari tem jantar marcado na casa de Luciano Huck, no Rio de Janeiro. É o apresentador buscando o maior pensador da atualidade rumo a 2022.

Harari, Huck e a realidade brasileira/ O empresário e apresentador combinou ainda de levar o professor para conhecer uma favela no Rio. O local, por enquanto, é mantido a sete chaves.

Projeto Modernizar/ Depois do sucesso da palestra de Harari ontem na Câmara, o presidente da Casa, Rodrigo Maia, já recebeu uma sugestão de tema para a próxima palestra do ciclo que o demista pretende fazer para levar deputados e senadores a pensar mais o futuro: Inteligência Artificial.

Nem todos/ Durou pouco a alegria de Dario Messer, o “doleiro dos doleiros”, preso em julho deste ano. Seus defensores chegaram a comemorar quando o caso foi parar nas mãos do ministro Gilmar Mendes, no STF. Porém, comemoraram cedo. O fato de Messer ter passado um tempo foragido foi um dos fatores para que Gilmar negasse o habeas corpus.

Resultado do megaleilão vira kriptonita

Bolsonaro kriptonita
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O resultado abaixo do esperado na venda dos lotes do pré-sal leva os partidos de centro no Congresso a colocar pé no freio do programa de privatizações defendido pelo governo. Não são poucos os líderes que dizem, em conversas reservadas, que o projeto de privatização da Eletrobras será alterado, repetindo o discurso proferido pelo líder do MDB, Eduardo Braga. Nada será feito de forma apressada, e vem aí a golden share, ou seja, ação de ouro, que dá à União poder de veto se não houver respeito ao interesse público.

De quebra, o pacote de medidas levado pelo próprio presidente ao Congresso é visto como algo que está na direção certa, porém o elenco de senões é de fazer inveja ao dos filmes de Hollywood. Não por acaso, já tem muita gente dizendo que o resultado do megaleilão enfraquece a posição do governo como a kriptonita faz com o Super-Homem nos quadrinhos, telinhas e telonas.

Lá fora, imagem é tudo

Estratégia e imagem distorcida no exterior são apontadas por experientes embaixadores como os principais ingredientes para que o megaleilão do pré-sal ficasse no meio do caminho em termos de expectativas. Uma empresa europeia, por exemplo, precisou mandar nos últimos 10 meses 16 cartas aos acionistas para explicar que todos os seus negócios por aqui estão dentro da legalidade e respeitam acordos internacionais.

A nova “maioria” I

MDB, Podemos e PSD vão formar a principal base potencialmente aliada do presidente Jair Bolsonaro no Senado. É daí que saem os relatores das propostas de emenda à Constituição que chegaram ontem — Márcio Bittar (MDB-MG), Oriovisto Guimarães (Pode-PR) e Otto Alencar (PSD-BA).

A nova “maioria” II

Só tem um detalhe: esses três partidos não respondem pela cartilha do governo e, sim, pela própria. E todos colocam senões à extinção de municípios, corte de 25% nos vencimentos dos servidores e ao não cumprimento de decisões judiciais, caso não haja previsão orçamentária.

“Prefiro ficar com a boa notícia, temos menos R$ 70 bilhões de problemas”
Do líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), sobre o resultado do megaleilão do pré-sal

Enquanto isso, na Câmara…

A ordem é deixar as emendas constitucionais decantarem no Senado e, depois, começar a analisar o pacote quando desembarcar lá, no ano que vem. Embora Rodrigo Maia diga que tem condições de votar até meados do ano que vem, os líderes do centrão não estão com tanta pressa.

CURTIDAS

Guedes virou o “cara”/ Embora tenham restrições às propostas de emendas constitucional, até os parlamentares que não gostam de Paulo Guedes disseram que o ministro da Economia estava muito bem e seguro na apresentação que fez aos senadores.

Desculpa aí, viu?!/ A cada intervenção, ele batia no ombro do senador Antônio Anastasia (PSDB-MG) para dizer que Fernando Henrique Cardoso tem uma série de erros, da ausência de fiscalização ao pacto federativo.

Bolsonaro vai lá/ Bolsonaro abre a próxima segunda-feira com uma visita a Campina Grande (PB), para inaugurar um conjunto habitacional. Pelo visto, decidiu seguir o conselho de que precisa colocar um pé no Nordeste antes que algum aventureiro do seu campo político o faça.

Extinção de municípios não deve ser aprovada no Congresso

Bolsonaro apresenta projeto com extinção de municípios
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Os partidos tiraram as lupas das gavetas para ler todas as letras das propostas encaminhadas ontem pelo governo para avaliar tudo nos detalhes, onde reside a besta-fera. E, antes mesmo deste pente-fino, já têm alguns pontos para “desidratar” — para ficar na letra que o ministro Paulo Guedes destacou — desvincular, desindexar, desvincular. A extinção de municípios, por exemplo, não deve ser aprovada, ainda mais porque no ano que vem, quando a discussão do pacote vai esquentar, tem eleição.

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Porém, as excelências estão encantadas com a perspectiva de criar um fundo para execução das emendas ao Orçamento da União e a descentralização de recursos para estados e municípios. Por aí, passa boi. E onde passa boi, passa boiada.

Colado na economia

O gesto do presidente Jair Bolsonaro, ao levar o pacote de medidas do Plano Novo Brasil pessoalmente ao Congresso, foi lido como um desejo de não deixar que seus adversários nos partidos de centro tentem separá-lo das boas novas esperadas na área econômica. Não tem essa de governo de Paulo Guedes e governo de Jair Bolsonaro — é o que mais se ouvia ontem na comemoração de 300 dias de gestão no Planalto.

300 dias e uma punição

Os pacotes de medidas que o governo enviou e enviará ao Congresso esta semana vão ocupar os parlamentares por um bom tempo. Não vão, porém, evitar que o Conselho de Ética da Câmara analise o caso Eduardo Bolsonaro e a declaração a respeito do AI-5.

A guerra da privatização I

Movimentos contrários à privatização da Eletrobras estão preparando uma recepção para o projeto que chega hoje ao Congresso. Inundaram os WhatsApps e caixas postais das excelências com um vídeo que compila declarações do presidente Jair Bolsonaro ao longo da campanha prometendo não privatizar essa “área estratégica”.

A guerra da privatização II

Esses setores também vão turbinar o projeto que o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) está defendendo para criar um conselho dando mais poderes ao Congresso em decisões sobre venda de estatais a empresas estrangeiras.

Mudança de hábito

Em mais uma operação da Lava-Jato sobre integrantes do MDB, chamou a atenção as intimações a senadores para que prestassem depoimento. Não se partiu direto com conduções coercitivas. Sinal de alterações no modus operandi.

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E agora?/ No almoço dos senadores da Comissão de Assuntos Econômicos com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, o tema central foi a queda dos juros. Lá pelas tantas, a senadora Kátia Abreu (PDT-TO) saca uma proposta: “Vamos acabar com o cheque especial?”

Cara de paisagem/ Roberto Campos Neto só ouviu e fingiu que não era com ele. Essa forma de crédito é hoje a galinha dos ovos de ouro dos bancos. Mas muitos senadores saíram de lá empolgados com a ideia.

Por falar em senadores… / O presidente da CAE, Omar Aziz, saiu-se com esta, quando lhe perguntaram sobre o episódio Eduardo Bolsonaro: “Não tem que cassar, tem que perdoar, porque ele nem sabe do que está falando. Pediu a própria cassação do pai, coitado. Imagina se, com AI-5, general ia bater continência para capitão?!!!”

O plano B de Moro/ O ministro da Justiça, Sérgio Moro, acompanha os movimentos do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a segunda instância arrumando as peças do próprio tabuleiro. Em jantar do site Poder 360, disse que um entendimento por 6 a 5 dificilmente pode ser classificado como cláusula pétrea. “O Supremo interpreta uma norma. Não tem nenhum problema rever a norma quando se entende que a interpretação não é a desejada. Faz parte do papel do Congresso”. Vêm muitas emoções em todos os campos.

“Perseguidos” pela família Bolsonaro, Maia e Bivar se unem

Maia e Bivar
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Na situação de bombardeados pela família do presidente Jair Bolsonaro, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o do PSL, Luciano Bivar, combinaram fazer todo o possível para tentar aprovar o pacote que o ministro da Economia, Paulo Guedes, apresentará hoje ao Congresso. Nenhum dos dois quer dar ao presidente Jair Bolsonaro o gostinho de poder dizer, mais à frente, que Maia e Bivar atrapalharam os planos do governo.

Em tempo: ambos apostam, ainda, que o presidente da República não está blefando quando diz que partirá em breve para a fundação de um novo partido. Nesse caso, embora não seja fácil criar uma legenda, quem perde é Bivar. A tendência é sua bancada cair à metade.

Enquanto isso, no Planalto…

O presidente Jair Bolsonaro e seus assessores observam a situação na Bolívia, país vizinho do Brasil, onde os protestos de rua se tornam tão graves quanto no Chile. A Bolívia é o quarto país sul-americano a passar por essa onda que já atingiu Equador e Peru.

… o olho lá e aqui

Além da situação na fronteira com a Bolívia, o governo avalia as chances de aprovação do pacote de medidas da reforma administrativa ainda este ano. A contar pelas primeiras previsões que chegaram ao presidente, se passar pela Comissão de Constituição e Justiça, estará de bom tamanho.

E o general, hein?

Segundo general a deixar o Planalto (o primeiro foi Santos Cruz), Santa Rosa se desentendeu com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Oliveira. No governo, há quem diga que o general estava meio escanteado por Oliveira, porque havia sido nomeado pelo antecessor, Gustavo Bebbiano.

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Eduardo Bolsonaro/ A temperatura da fogueira será medida hoje, mas ninguém aposta em cassação do mandato por causa das declarações sobre AI-5.

Esquenta dos Brics I/ Autoridades do Brasil e da Rússia vão aproveitar a viagem para a reunião dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e promover o 1º Fórum Comercial de Investimentos entre os dois países, na próxima segunda-feira, 11, no auditório do Iesb, em Brasília.

Sem roleta-russa/ Pelo menos três ministros brasileiros estarão presentes, Tereza Cristina (Agricultura), Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) e Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações). O potencial de atração de investimentos russos para os setores de infraestrutura e tecnologia é de US$ 50 bilhões, segundo os organizadores do evento.

Irmã Dulce e Dom Sérgio/ Santa Dulce dos Pobres recebe hoje o título Doutor Honoris Causa post mortem da Universidade Católica de Brasília. Na mesma solenidade, o cardeal Dom Sérgio da Rocha, arcebispo metropolitano de Brasília, receberá o título de Doutor Honoris Causa por sua dedicação à formação humana e acadêmica. A cerimônia será no câmpus de Taguatinga, às 18h.

Devoto sempre presente/ O ex-presidente José Sarney está entre os convidados de honra para essa solenidade, no Teatro da Universidade Católica. Quem conviveu com a Santa não perde suas homenagens.

Guedes é citado como opção para disputa presidencial

Paulo Guedes e Bolsonaro
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Muitos podem até achar loucura, mas o ministro da Economia, Paulo Guedes, já é citado nos bastidores como uma opção política para o futuro entre os políticos. Eles dizem que, nos anos 90, o então senador Fernando Henrique Cardoso não tinha votos para se eleger deputado federal por São Paulo. Depois do Plano Real, entretanto, saiu do Ministério da Fazenda para disputar a Presidência e foi vitorioso.

A la FHC 

Se a economia se recuperar nos próximos dois anos, Paulo Guedes estará no páreo. Pelo menos, vai ter gente pedindo que ele seja candidato. O outro lado dessa história é que, se já tem gente cogitando até Paulo Guedes, o presidente Bolsonaro terá muito trabalho para obter apoio político.

Acusação de Bolsonaro contra Witzel é visando 2022

Wilson Witzel e Bolsonaro
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O episódio que acabou com a noite de sono do presidente Jair Bolsonaro na Arábia Saudita e o levou às redes sociais para acusar o governador do Rio, Wilson Witzel, de vazar documentos de investigações ainda não concluídas sobre a morte de Marielle Franco é lido como apenas o começo de uma grande mistura daqui até 2022 — ano eleitoral que, nunca antes na história do país, subiu ao palco tão cedo.

O PT, por exemplo, aproveitará todo esse movimento para tentar colocar o caso do ex-assessor Fabrício Queiroz na CPI das Fake News, a principal fogueira acesa para misturar todos os ingredientes. Os petistas querem, inclusive, a quebra de sigilo do ex-assessor de Flávio Bolsonaro nos tempos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

De concreto mesmo, apenas a comprovação da entrada de um suspeito de participação no assassinato, Élcio Queiroz, no condomínio onde mora o presidente e a ida à casa de outro acusado, Ronnie Lessa. Nada a ver com o presidente Bolsonaro, a não ser o depoimento de um porteiro dizendo que era a casa do senhor Jair. E não era.

É nesse clima beligerante que a política começa a separar os enfeites para o Natal deste ano. Outros lances virão. Quanto aos investigadores, cabe separar o que é fato daquilo que não passa de uma tentativa de desmoralizar o adversário, seja ele quem for. Realmente, um trabalho para leão.

Quando é demais, atrapalha

O comando da CPI das Fake News não quer saber de misturar esse inquérito sobre o assassinato de Marielle às suas apurações. O receio é de que, se abrir demais o leque, não vai chegar a lugar algum. Até o caso de Fabrício Queiroz, o ex-assessor de Flávio Bolsonaro, é complicado, porque ainda não há indício que permita uma ligação direta da movimentação financeira de Queiroz com as fake news.

Moura na lida

O ex-deputado André Moura, ex-líder do presidente Michel Temer, tem aproveitado o cargo no governo de Wilson Witzel para tentar angariar simpatizantes às pretensões políticas do governador do Rio. Já esteve com vários deputados.

Meus comerciais, por favor

Witzel, por sua vez, tem circulado nos ambientes da política e, sempre que pode, brinca com ares de quem está testando o interlocutor: “Você está falando com o próximo presidente do Brasil”.

Muita calma nessa hora

Até aqui, os planos de Witzel ainda não têm lastro político no Congresso. É que os deputados federais, mais escaldados, só farão suas apostas quando faltar menos de um ano para a eleição presidencial.

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Jeitão/ O que mais ajudou Bolsonaro na live da noite de terça-feira foi a sua espontaneidade. Políticos das mais diversas matizes viram uma indignação real.

Porém…/ Os adversários de Jair Bolsonaro dentro do PSL adoraram quando ele citou a família da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. O tema entrou novamente na roda dos assuntos que já estavam caindo no esquecimento da população.

Nem vem/ O presidente do PSD, Gilberto Kassab, bem que tentou, mas a avaliação geral dos líderes é de que não há clima para aumentar o fundo partidário. O assunto, entretanto, continuará rodando até a aprovação do Orçamento.

Reconduzido/ Os delegados de Polícia Federal reelegeram Edvandir Paiva para mais um biênio na presidência da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF). Ao todo, 98% dos associados votantes da entidade escolheram a chapa da atual diretoria. A ADPF congrega cerca de 80% da classe, sendo considerada uma das entidades mais importantes no cenário nacional da segurança pública.