Governo escala Paulo Guedes para apagar incêndio entre Executivo e Legislativo

Paulo Guedes
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Coluna Brasília-DF/Por Rodolfo Costa (interino)

O governo já tem um novo articulador político. O ministro da Economia, Paulo Guedes, será o bombeiro convocado para apagar o incêndio entre o Executivo e o Legislativo. Não que o presidente Jair Bolsonaro tenha excluído o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, da função. Mas o ataque feito pelo vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do pesselista, ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não pegou nada bem. O caldo entornou de vez com as últimas declarações de Bolsonaro em recados ao Congresso. Na mais recente, dita ontem, no Chile, disse que atritos com o Parlamento existem porque “tem político que não quer largar a velha política”. Foi o estopim para levar lideranças a alçar, informalmente, Guedes à posição de interlocutor.

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A ideia é de que Guedes seja a voz que vai dialogar com o Parlamento pelo governo na nova etapa da articulação imposta pelo Congresso. A avaliação é de que, diferentemente de Bolsonaro e Lorenzoni, ele ainda não quebrou a ponte com o Legislativo. O próprio ministro vinha se articulando, a ponto de ter dito no início de março que faltariam apenas 48 votos para aprovar a reforma da Previdência. O recado ao presidente da República sobre colocá-lo como interlocutor será dado nos detalhes. O ministro da Economia tem uma reunião marcada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara na terça-feira e terá mais reuniões com bancadas ao longo da semana. Onyx e Bolsonaro, que não gozam mais do prestígio e da confiança, serão escanteados.

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O argumento de congressistas é simples. Se Bolsonaro não quer baixar a bola e vai se manter como condutor da crise, ele que corra atrás dos parlamentares. Afinal, Guedes não poderá, literalmente, conciliar a articulação política e a economia por muito tempo. A questão é que o custo político para solucionar o problema não será barato. Não é algo que se contorna com um simples pedido de desculpas em um jantar com lideranças no Palácio da Alvorada. O presidente vai ter que se ajoelhar, beijar a mão e pedir o Congresso em casamento, com atendimento de demandas. Entre elas, uma das maiores defesas é pela saída de Lorenzoni da articulação política. É alguém que, para congressistas, só atua em interesse próprio. Ou é isso, ou não tem reforma.

Quarteto fantástico

O isolamento de Lorenzoni e o fortalecimento de Guedes abrem espaço para a composição do “dream team” da articulação política almejada na Câmara. A ideia é de que o ministro da Economia seja apenas um dos atores do processo. Dentro do governo, quem também tem apreço é o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Santos Cruz, um “homem do bem”, como definem alguns. É respeitado, atencioso e liga para os líderes partidários. A briga, agora, é para que Bolsonaro dê carta branca não somente aos dois ministros, mas, também, a Maia e à líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP).

Batata quente

A primeira missão de Guedes na articulação política é fechar com o Centrão o relator da reforma da Previdência na CCJ. Por ora, ninguém do bloco composto por partidos como PP, DEM, PSDB e MDB quer pegar a relatoria. A lógica é de que, se Bolsonaro continua criando desafetos, o governo e a bancada do PSL que arque com a negociação de tudo. O deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), líder da maioria na Câmara e um dos mais cotados a assumir a relatoria, confidenciou a pessoas próximas que não quer assumir a responsabilidade de uma matéria encaminhada por um governo que distingue parlamentares entre a “velha” e “nova” política. “Se o negócio der certo, o bônus fica para o presidente. Se der errado, o ônus fica todo pra mim. Vou pegar pra quê?”, teria dito o parlamentar.

CURTIDAS

Sem familiocracia/ O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, pode ser o primeiro bode expiatório da crise entre governo e o Congresso. Após o bombardeamento feito por Bolsonaro e Carlos ao Congresso, e a briga entre o ministro e Maia, o demista está convicto em aplicar uma derrota ao Executivo federal. A ponto de cogitar entregar a relatoria do pacote anticrime de Moro ao deputado Paulo Teixeira (PT-SP). O parlamentar foi o principal agitador da oposição após o presidente da República publicar um vídeo obsceno no Twitter. O petista chegou a afirmar que o acionaria judicialmente no Ministério Público Federal (MPF). Outro cotado para ser relator é o deputado Marcelo Freixo (PSol-RJ). Sendo um ou outro, seria um recado ao que os parlamentares chamam de familiocracia bolsonariana.

Blindagem desgastada/ O clima na Câmara é uma mescla entre desânimo e incômodo. Maia é um dos mais constrangidos com a postura do governo, dos filhos e da bancada “incontrolável” do PSL. Os mais revoltados dizem que a blindagem do governo de um possível pedido de impeachment está mais frágil. As lideranças evitam falar abertamente sobre o assunto por entender que um outro processo seria muito desgastante ao país. Mas alertam que o capital político de Bolsonaro está decaindo muito rápido e se perguntam se há vontade do presidente em mudar o diálogo com o Parlamento. A advertência feita por alguns é de que os dois presidentes que não respeitaram e tentaram tratorar o Congresso caíram: Fernando Collor e Dilma Rousseff (foto). Para bom entendedor, meia palavra basta.

Sai futebol, entra política/ As prisões do ex-presidente Michel Temer e do ex-ministro e governador do Rio de Janeiro Moreira Franco tomaram o centro dos debates na capital fluminense. Rivalizam até com as discussões acaloradas sobre futebol. Às vésperas do clássico entre Flamengo e Fluminense, a ser realizado hoje, em partida válida pelo Campeonato Carioca, as detenções de figurões da política nacional e local estão tendo mais espaço nas mesas de bar do que a rivalidade futebolística. A decepção é disseminada. Para alguns moradores, o estado é a personificação e o exemplo do caos generalizado que se encontra o Brasil.

Aliados de Maia vão usar prisão de Temer para desgastar Moro

Moro
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Coluna Brasília-DF/ Por Rodolfo Costa (interino)

A prisão do ex-presidente Michel Temer acendeu o alerta na Câmara. Para aliados do governo, a ala do Centrão mais próxima do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), vai tentar empurrar a culpa para o ministro da Justiça, Sérgio Moro. O ex-juiz é amigo do titular da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, Marcelo Bretas, que autorizou a prisão do emedebista. O embate recente entre Maia e Moro em torno da tramitação do pacote anticrime leva parlamentares a crer, ainda que timidamente, que os mais fiéis ao demista, sobretudo deputados do DEM e do MDB, vão empurrar narrativas nos bastidores para desgastar o ministro.

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Para se anteciparem a uma possível fritura do ministro, deputados da Frente Parlamentar da Segurança Pública estão se mobilizando para atuar nas redes sociais e blindar Moro. A dúvida dos parlamentares é como calibrar a defesa nas mídias, sem criar atritos e demais ruídos com os outros deputados. Afinal, buscam o bom relacionamento para aprovar a reforma da Previdência. A dúvida é como lidar com o MDB na equação.

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A leitura na Câmara é de que o MDB vai trabalhar para se blindar e negociar com o governo a sobrevida do partido na Esplanada, após a prisão de Temer. A continuidade de emedebistas no governo, que ocupam cargos de baixo escalão e o Ministério da Cidadania, pode provocar atrito com a bancada do PSL e acalorar o embate entre a “velha e a nova política”. Esse, por sinal, é o entendimento feito por parlamentares ao explicarem a queda de ontem da Bolsa de Valores de São Paulo, de 1,34%.

À francesa

Os procuradores da Lava-Jato no Rio evitaram cair na pilha do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que classificou a prisão de Temer como “abuso de autoridade” e “espetáculo midiático”. Questionados sobre a declaração controversa, abandonaram a coletiva de imprensa e saíram à francesa, sem responder às acusações feitas pelo parlamentar.

Xô, foro

A prisão de Temer promete reacender o debate pela aprovação do projeto que põe fim ao foro privilegiado. A proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata do tema foi aprovada em comissão especial em dezembro e pode ser votada no plenário da Câmara. O texto conta com requerimento de urgência. Basta Rodrigo Maia pautar. Pressão não faltará. “Vamos pressionar para acabar com esse cobertor de corruptos, que é o foro privilegiado”, diz o líder do Podemos na Casa, José Nelto (GO).

Sinal amarelo

A insistência de Sérgio Moro para aprovar o pacote anticrime foi vista por alguns na Câmara como uma reação desesperada ao perceber o próprio enfraquecimento político. A verdade é que o projeto não decolou, e a cobrança do ministro não agradou. Há até quem deu uma colher de chá e o aconselhou: ou reconhece o cargo político que ocupa e age politicamente convencendo os líderes na base do diálogo, ou perde capital político junto a um governo que luta para não desidratar.

Batalha comedida

A reforma dos militares conseguiu desagradar a gregos e troianos. Não são apenas lideranças políticas que torcem o nariz para o texto encaminhado na quarta-feira. Deputados que exerceram carreira nas forças auxiliares de segurança pública, como policiais militares ou bombeiros, falam que ainda tem muita batalha pela frente contra os oficiais das Forças Armadas. O discurso é de que os militares federais aceitaram, mas os estaduais, não. A briga, entretanto, vai ser comedida, sem estardalhaço.

CURTIDAS

Imperador da Previdência/ O secretário Especial de Previdência Social, Rogério Marinho (foto), foi recebido ontem com pompas por representantes do setor supermercadista. A recepção contou não apenas com uma comitiva de dirigentes da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), mas, também, com direito a reverência. O diretor de Relações Institucionais da entidade, Alexandre Seabra — responsável por fazer a ponte entre o setor e a classe política — se curvou diante do secretário, que logo tratou de pedir para o colega se recompor.

Requisitado/ A visita do secretário à 53ª edição da Convenção Abras foi curta, mas empolgou os empresários. Ele palestrou por cerca de 1h, dando a entender que os varejistas podiam se dar por satisfeitos, afinal, disse ter recebido mais de 50 parlamentares de oito bancadas para debater a reforma. E contou que, na próxima semana, receberá mais duas bancadas. “Dias duros, mas energizantes”, definiu Marinho.

Economês fluente/ O discurso do secretário de Previdência foi elogiado pelos supermercadistas. No entanto, até mesmo entre os mais entusiasmados na convenção, há quem ache que ele poderia ter sido mais didático e dado mais atenção ao grupo. Depois de palestrar, ele foi escoltado por lideranças do setor à sala VIP do evento e, de lá, só saiu para ir embora.

Siameses/ A relação entre Marinho e empresários vai continuar fortalecida. São irmãos siameses desde que o secretário era o relator da reforma trabalhista na Câmara, na última legislatura. A presença dele no relançamento da Frente Parlamentar do Comércio, Serviços e Empreendedorismo, é dada como certa. O evento da posse da diretoria ocorrerá no Clube Naval de Brasília, na quarta-feira.

Militares que acompanharam caso Marielle estranham saída de delegado

Militares Giniton Lages
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Coluna Brasília-DF/Por Leonardo Cavalcanti (Interino)

Desconfiança I / Os militares que acompanharam os desdobramentos do caso Marielle mais diretamente ainda não conseguiram entender a saída do delegado Giniton Lages. Para oficiais que atuaram com o policial, ele foi um dos principais personagens para o desfecho da primeira parte da investigação. E não faz qualquer sentido ter sido retirado da apuração.

Desconfiança II / Esse grupo de militares também não vê qualquer possibilidade de o próprio atirador, Ronnie Lessa, ter sido o autor intelectual do crime. “Essa tese não se encaixa sob qualquer ângulo. Houve uma ação intelectual, que deve ser revelada, caso contrário, a investigação ficará pela metade”, diz um oficial das Forças Armadas.

Reforma da Previdência das Forças Armadas causa alta tensão na caserna

caserna
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Coluna Brasília-DF/Por Leonardo Cavalcanti (Interino)

Os militares integrantes do governo Bolsonaro passaram o dia de ontem tensos com o anúncio do texto da reforma para os integrantes das Forças Armadas. O motivo da apreensão não era propriamente sobre o teor do projeto encaminhado ao Congresso, mas qual seria a percepção da sociedade em relação à “cota de sacrifício” do pessoal da caserna. A economia prometida pelo governo com a reforma dos militares será de R$ 10,4 bilhões em 10 anos. A proposta original previa poupança superior a R$ 90 bilhões em uma década.

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A questão é uma só. A imagem dos militares diante da população se consolidou como positiva ao longo do último período democrático, como mostram as pesquisas, mas, ao mesmo tempo, eles sabem que se a opinião pública não ficar convencida sobre a “cota de sacrifício”, o trabalho será dobrado. Explica-se: além de convencer a caserna da necessidade da reforma, será necessário quebrar a resistência do restante dos trabalhadores.

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Pelos cálculos de integrantes da cúpula militar, a aposentadoria da caserna passará por três períodos distintos com a implantação da reforma e da reestruturação das carreiras. O primeiro: com o projeto aprovado, a arrecadação elevará a capacidade de pagamento das Forças Armadas até 2021. Num segundo momento, entre 2022 e 2029, a reestruturação da carreira resultará em deficit no caixa. Na terceira etapa, com tudo consolidado, aparecerá saldo positivo.

Efeito Carlos

Bateu fundo no Palácio do Planalto a mais recente pesquisa do Ibope, que mostrou queda de 15 pontos percentuais no índice de aprovação do governo. Para auxiliares de Jair Bolsonaro, o governo queimou capital político muito rápido, efeito, sobretudo, das trapalhadas provocadas pelos filhos do presidente, em especial, o vereador Carlos.

Ideologia

No entender do Planalto, também pesaram muito para a queda de popularidade de Bolsonaro — em janeiro, quando tomou posse, 62% confiavam nele; agora, são 49% — as ações ideológicas dos ministérios da Educação, do Meio Ambiente, dos Direitos Humanos e de Relações Exteriores. Os comandantes dessas pastas assustaram os moderados que apoiavam o presidente com ressalvas.

Prejuízos

O senador José Serra (PSDB-SP) usou o plenário ontem para desancar a decisão do governo de abrir mão dos benefícios dados pela Organização Mundial do Comércio (OMC) em prol de uma adesão à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). “Essa medida é prejudicial ao comércio exterior, na medida em que o Brasil perde instrumentos de barganha. Perde, por exemplo, prazo adicional para se adequar aos compromissos exigidos pelos acordos na OMC”, diz.

Oportunidade

Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara convocou Robson Andrade, presidente afastado da Confederação Nacional da Indústria (CNI), para que esclareça tudo sobre a Operação Fantoche, da Polícia Federal, que investiga fraudes no Sistema S. Será a oportunidade para ele fazer a sua defesa perante os congressistas depois da prisão.

Vaidoso/ Assim que fez seu check-in no hotel em Washington, o ministro Paulo Guedes (foto) saiu em busca de uma farmácia para comprar barbeador e creme de barbear. Voltou com uma sacolinha de uma famosa loja de cosméticos, a Sephora. No dia seguinte, explicou: “Comprei um perfume, e nem foi o que eu mais gosto”.

Best friends forever/ O presidente Donald Trump deu a Jair Bolsonaro o número de seu telefone pessoal. “Ligue quando quiser”. Bolsonaro registrou a mensagem.

Mourão, a fidelidade a Bolsonaro e as ausências de ministros no discurso

Mourão
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Coluna Brasília-DF/Por Leonardo Cavalcanti (Interino)

Na ausência de Jair Bolsonaro — em viagem aos Estados Unidos —, o presidente em exercício Hamilton Mourão tem tentado se mostrar um vice fiel, que defende o chefe, ataca governos anteriores e evita avançar o sinal nas atribuições do cargo. Foi dessa forma que o general discursou, ontem, no almoço empresarial do Lide Brasília. Durante um discurso de 13 minutos, ele traçou os desafios brasileiros na economia (reformas tributária e previdenciária), na segurança, na área social e na ambiental. A palestra foi elogiada pelo público.

Segundo Mourão, o Brasil elegeu Bolsonaro para resgatar o orgulho, para levar a nação de volta aos trilhos. Um detalhe não passou despercebido, entretanto, por parte da plateia mais atenta: no momento de citar e elogiar o time escolhido, o vice se referiu apenas aos ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Justiça, Sérgio Moro — chegando mesmo a mencionar integrantes da equipe das pastas, como Marcos Cintra, secretário da Receita. Falou também das ações do Ministério da Infraestrutura, chefiado por Tarcísio Gomes de Freitas.

Sem nome

Na parte das perguntas, Mourão foi questionado sobre desafios para a educação, mas não fez qualquer referência ao ministro Ricardo Vélez que, como se sabe, foi indicado ao cargo pelo escritor Olavo de Carvalho. A pasta é alvo de controvérsias justamente por causa dos chamados olavetes e pelas cortinas de fumaça, como a orientação para que escolas lessem o slogan da campanha de Bolsonaro, além de gravarem alunos cantando o hino.

Olavo

Vale lembrar que, um dia antes da chegada de Bolsonaro aos EUA, Olavo acusou Mourão de ter uma “mentalidade golpista”. “Eles estão governando e usando o Bolsonaro como camisinha. Isso é o que eles querem. O Mourão disse: ‘Voltamos ao poder por via democrática’. Como, se quem está no poder é o Bolsonaro e não vocês? Agora, ele (Mourão) acha que estão no poder, então, isso o que é? É golpe. Se não é golpe, é uma mentalidade golpista.”

Educação

Durante o discurso de ontem, Mourão foi cauteloso até mesmo quando alguém da plateia se referiu a ele como presidente. “Interino”, interrompeu o vice. Questionado por uma deputada se não poderia ser um dos interlocutores do governo com o Congresso no caso da tramitação da reforma da Previdência, ele deixou claro que só faria tal coisa com um pedido de Bolsonaro. “Sempre me balizei pela disciplina. Se o presidente me der a tarefa, estou à disposição.”

Nas redes I // A viagem de Bolsonaro estimulou debates polarizados no Twitter, principalmente na decisão pelo fim do visto de entrada dos Estados Unidos no Brasil sem qualquer reciprocidade. Estudo da Levels Inteligência em Relações Governamentais mostra que, ainda na quarta-feira, a controvérsia gerou 205 mil tuítes.

Nas redes II // O lado da defesa do governo Bolsonaro teve predominância, ocupando 46% do universo pesquisado com elogios ao decreto. A narrativa, nesse caso, é uma suposta criação de empregos e renda para os brasileiros com os turistas norte-americanos, australianos, canadenses e japoneses, também beneficiados pela decisão.

Nas redes III // As mensagens com tom mais crítico a Bolsonaro somaram 35% na rede, segundo a Levels. “(Os tuítes) repercutem principalmente a imagem de submissão do Brasil aos EUA, representada pela decisão unilateral dos vistos para turistas, e pela declaração do deputado Eduardo Bolsonaro (foto), do PSL-SP, sobre os imigrantes brasileiros ilegais”, mostra o relatório. O parlamentar disse que imigrantes ilegais são uma vergonha.

Saúde e fake news // Termina amanhã o seminário nacional da saúde pública com a imprensa Fake news e saúde, promovida pela Fiocruz Brasília. No painel de hoje, o debate será feito a partir de experiências reais no mundo das notícias falsas. Entre os palestrantes, jornalistas e pesquisadores da instituição. O Correio participará do evento com a série de reportagens especiais intitulada Memórias de mercenários.

Em meio a eleição ‘definida’ e desgaste de Dodge, ANPR define lista tríplice da PGR

lista tríplice
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Coluna Brasília-DF/ Por Leonardo Cavalcanti (Interino)

A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) tem um presidente eleito antes mesmo da abertura das urnas, prevista para 10 de abril. Explica-se. Como as inscrições para as chapas terminaram na última sexta-feira e apenas uma se apresentou formalmente, pode-se dizer que o novo chefe da entidade de classe do Ministério Público durante os próximos dois anos é o paraibano Fábio George Cruz da Nóbrega, 47 anos, que encabeçou uma chapa com outros 11 procuradores lotados em diversos estados do país.

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A posse será em maio, dias antes do primeiro grande desafio: a definição da lista tríplice para o cargo de procurador-geral da República, que ocorrerá em meio à tensão entre parte dos integrantes do MP e a atual chefe da instituição, Raquel Dodge.

Desgaste de Dodge

Os últimos movimentos de Dodge desagradaram a uma turma do Ministério Público, principalmente o fato de ela ter solicitado ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão do controverso acordo extrajudicial proposto por integrantes da força-tarefa da Lava-Jato com a Petrobras na semana passada.

Ausência de defesa

O ato de Dodge pegou mal mais pela forma do que pelo conteúdo, até porque a íntegra do acordo defendido pela turma da Lava-Jato de Curitiba nunca foi unanimidade dentro do Ministério Público. A questão do desgaste da procuradora-geral foi por causa da solicitação direta para veto do Supremo, e a falta de defesa da corporação nos momentos de críticas dos ministros.

À espera da candidata

O caminho natural seria Dodge concorrer à lista tríplice, escolhida pelo voto dos próprios integrantes do Ministério Público, mas até agora ninguém na PGR sabe qual será a decisão da procuradora — especula-se que ela poderia indicar um sucessor, o atual vice-procurador, Luciano Mariz Maia.

Lista tríplice

O desafio seguinte à eleição da lista tríplice é convencer o presidente Jair Bolsonaro a endossar um dos escolhidos pela classe. O chefe do Executivo não é obrigado, podendo se decidir por alguém de fora da lista. “Acreditamos que isso não ocorrerá. O próprio ministro Sérgio Moro conhece a fundo o Ministério Público e sabe da importância da lista tríplice para a nossa independência”, disse o atual presidente da ANPR, José Robalinho Cavalcanti. “A Lava-Jato é fruto dessa independência do MP da pressão dos políticos.”

CURTIDAS

Não gostou / É cada vez mais evidente a insatisfação de Sérgio Moro com a forma que o projeto contra corrupção/violência foi recebido pelos integrantes do Planalto e do Congresso. O descontentamento só aumentou depois de ter sido desautorizado por Bolsonaro na indicação de uma vaga de suplente no conselho de política criminal e penitenciária. A insatisfação, porém, não o fará criar problemas neste momento ou mesmo ameaçar sair do governo. Ele sabe que precisa de visibilidade.

Almoço / O presidente em exercício Hamilton Mourão participa hoje do almoço empresarial do Lide Brasília. Ele fará uma palestra intitulada Projeto de desenvolvimento para um novo Brasil.

Críticas / O senador Reguffe (sem partido-DF) criticou em plenário a decisão do Supremo de transferir crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, que tenham origem em caixa 2, para a Justiça Eleitoral. “É uma decisão esdrúxula, pois, além de comprometer operações como a Lava-Jato, dá à Justiça Eleitoral uma atribuição que ela nunca teve. Alguns não falam isso às vezes com medo do Poder Judiciário, mas tem de ser falado, sim.”

Apreensão de fuzis com suspeito de matar Marielle coloca tráfico internacional na mira de Moro

Tráfico Internacional
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Coluna Brasília-DF

Não está descartada a perspectiva de o ministro da Justiça, Sérgio Moro, incluir na sua agenda em Washington conversas sobre o combate ao tráfico internacional de armas.

Atirou no que viu…

…Acertou no que não viu. A apreensão de fuzis desmontados e encaixotados na casa de Alexandre Mota de Souza, amigo de Ronnie Lessa, foi o estopim para a possibilidade de inclusão desse tema na agenda. A polícia está apreensiva com a perspectiva de ter esbarrado numa organização que tem no seu cardápio tráfico internacional de armas. A Interpol, dizem alguns em Brasília, será chamada a tratar do assunto.

 

Apesar da pressão, Davi Alcolumbre barra CPI da Toga no Senado

CPI
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Coluna Brasília-DF

O senador Alessandro Vieira pode esquecer a CPI da Toga. Apesar da pressão nas redes sociais, o presidente Davi Alcolumbre mantém a tendência de considerar o texto antirregimental, por se tratar de proposta que tenta influir na decisão de outro poder. E sabe como é, depois de um almoço programado especialmente para distensionar a relação, não será a hora de provocar novo foco de tensão.

Mapeamento prévio

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro estiver em Washington, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, listará aqueles parlamentares que não votam a favor da reforma da Previdência por convicção e aqueles que podem votar por um “empurrão” da velha política.

Mandetta na lida

Tem diretor de hospital público que entra em pânico ao ouvir o nome do ministro Luiz Mandetta, da Saúde. É que ele tem feito visitas surpresas e silenciosas a várias instituições. E, quando não encontra os encarregados no serviço, já viu. A cobrança é imediata. E ai do diretor que não aparecer.

High level/ O documentário Jardim das aflições, sobre o filósofo Olavo de Carvalho, foi destaque na agenda de parte da comitiva brasileira que desembarcou mais cedo em Washington. Eduardo Bolsonaro, por exemplo está na capital estadunidense desde ontem, em intensa agenda. “Sem Olavo não haveria Bolsonaro”, disse Eduardo, que assistiu ao filme no hotel Trump Internacional.

Diálogo restrito/ Na conferência de imprensa dos presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump no Rose Garden, da Casa Branca, nesta terça-feira, os jornalistas brasileiros terão direito a duas perguntas. E só.

Renova em alta/ Os deputados eleitos com o selo Renova largaram bem. Já no primeiro mês de mandato, ganharam manchetes com fatos positivos, como, por exemplo, abrir mão da aposentadoria dos parlamentares para ficar apenas com a do INSS.

Outro serviço/ Na semana que vem, em função da cobertura da viagem do presidente Jair Bolsonaro a Washington, a coluna ficará a cargo do editor Leonardo Cavalcanti. Até a volta.

Inquérito aberto por Toffoli amplia climão entre os Poderes da República

Poderes
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A portaria do presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, que instaura inquérito para apurar calúnia, difamação e injúria contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) promete servir de munição para ampliar o mal-estar entre os Poderes da República. No Legislativo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que tendia a arquivar mais uma CPI da Toga por não caber ao Senado constranger juízes, fez chegar a seus pares que não ficará contra os senadores. Ou seja, se o STF partir para cima dos parlamentares dentro dessa investigação a ser conduzida pelo ministro Alexandre Moraes, o estremecimento entre os dois Poderes será inevitável.

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Porém, a ordem no STF é outra. É saber de onde parte a campanha que procura difamar a Suprema Corte nas redes sociais, algo que vem num crescente. Em relação aos parlamentares, há quem diga que nestes seis meses de gestão de Toffoli, ele conseguiu melhorar o ambiente entre os Poderes e praticamente encerrou a fase de bate-boca entre os ministros durante as sessões plenárias. De quebra, ele é sempre procurado pelas autoridades, interessadas em saber suas opiniões a respeito dos mais variados temas. Essa relação amistosa ele não quer perder. O alvo é outro.

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A portaria editada pelo presidente do STF, entretanto, é vaga. Não menciona diretamente as redes sociais. Para alguns, está implícito que, se chegar a quem vazou informações da Receita Federal, por exemplo, como ocorreu no caso do ministro Gilmar Mendes e sua esposa, é parte do jogo.

Não foi bem assim

Entre os 21 mil cargos que o presidente Jair Bolsonaro anunciou que extinguiu, há casos em que foi cortada apenas a função gratificada de servidores civis. Ou seja, o cargo continua lá, porém, com a remuneração final menor.

Mudança de eixo

A viagem do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos servirá para marcar o novo rumo da política externa brasileira e estreitar relações entre os dois países, que ficaram meio largadas nos governos petistas. Porém, as autoridades brasileiras já foram avisadas que será o “início de uma nova era”, para destravar as conversas entre os dois países em várias áreas e não a resolução de toda a agenda em três dias.

Nada é para já

A intenção do Brasil, de participar da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), por exemplo, não está acertada desde já e dependerá da conversa entre Bolsonaro e o presidente Donald Trump na terça-feira.

Muita calma nessa hora

Na área agrícola, em especial, a exportação da carne brasileira “in natura”, já foi dito que o tema diz respeito às autoridades sanitárias, o que não será resolvido até terça-feira. Em relação à política de vistos, também não será desta vez que aqueles que vivem na ponte aérea entre os dois países vão conquistar o acesso ao sistema Global Entry, um processo de ingresso nos Estados Unidos que evita as longas filas. Porém, o futuro é considerado promissor.

Curtidas

Vai que é tua, presidente/ Designado vice-líder do governo no Senado, o primeiro-secretário da Casa, Eduardo Gomes, aproveitou a reunião com o presidente Bolsonaro para dizer com todas as letras quem deve liderar o processo de reformas: “Não temos outra matéria-prima disponível: Ou é Jair, ou é Messias ou é Bolsonaro”.

Vai que é tua, presidente II/ Os encontros de Bolsonaro com líderes e vice-líderes esta semana de instalação das comissões da Câmara foram vistas como o aquecimento para que ele tente mudar a relação com o Parlamento. Embora Onyx Lorenzoni seja o coordenador, essa tarefa de mudança é intransferível.

Um bom ouvinte/ Mal foi confirmado presidente da Comissão de Relações Exteriores, Eduardo Bolsonaro discursou rapidamente e se reuniu com o diplomata estadunidense Clifford Sobel. Sobel foi embaixador no Brasil, nomeado por George W. Bush, em 2006, no governo Lula. A dois dias da viagem aos Estados Unidos, Eduardo ouviu mais do que falou. Não poderia ter melhor conselheiro.

Enquanto isso, na CCJ…/ O presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Felipe Francischini, prevê, no máximo, dois dias de votação da reforma previdenciária, depois de apresentado o parecer sobre a admissibilidade. Foi o tempo que levou para votação em 2016 o projeto apresentado pelo presidente Michel Temer. Sabe como é, dizem os amigos de Felipe, não dá para perder para o governo anterior.

Tragédia em Suzano reacenderá debate sobre venda de armas

armas
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Coluna Brasília-DF

Nos Estados Unidos, todos os tiroteios, em escolas, shows, cinemas, reacendem o debate sobre a venda de armas. Aqui, não será diferente. Já tem deputado pensando em sustar parte da proposta do governo sobre a venda de armas e colocar esse tema na “geladeira”, diante da tragédia do colégio em Suzano. É o recado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, por exemplo, mais claro impossível, ao dizer que o dever da segurança pública cabe ao Estado.

Pelo andar da carruagem, caso o governo insista nesse assunto, só contará mesmo com a “bancada da bala”, se esse tema for colocado em pauta diante da comoção que tomou conta do país desde ontem pela manhã, com as notícias do massacre na escola paulista.

Chamou?

Não? Então, espera sentado. O DEM reuniu sua Executiva ontem e fechou que só anunciará um apoio formal ao governo quando o presidente Jair Bolsonaro pedir. Até aqui, todos os ministérios do partido foram obra de Onyx Lorenzoni e das bancadas temáticas, sem a menor consulta às instâncias do partido. Se continuar nessa batida, não haverá o “sim” institucional por parte do Democratas.

Idade mínima, único consenso

O alerta do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que se a reforma for desidratada estará condenando futuras gerações ao não recebimento de aposentadorias, ainda não surtiu o menor efeito entre os congressistas. Líderes partidários são praticamente unânimes em afirmar que o único ponto pacífico do texto é a idade mínima para aposentadorias. E apenas urbanas.

É melhor já ir se acostumando

Quanto à aposentadoria dos trabalhadores rurais, a regra de transição e a ideia de desconstitucionalizar o tema para futuras mudanças não contam com o apoio fechado de nenhuma bancada. Isso, somado à falta de uma base de governo ampla, indica que o texto será desidratado.

Por falar em rurais…

A ideia das oposições é cerrar fileiras em defesa de não promover alterações no BPC (Benefício de Prestação Continuada) pago a idosos carentes nem nas aposentadorias rurais. A ordem é aproveitar esses temas para se colocarem na defesa dos mais pobres.

Se abrir uma vaga…

Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco, Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit). É por aí que moram os objetos dos desejos dos parlamentares em relação a cargos no governo.

Melhor de três / Conforme o blog registrou, o embaixador Pedro Henrique Borio, cônsul em San Francisco, entrou na lista dos indicados para a Embaixada do Brasil em Washington. Começa a ganhar apoio nas bancadas. Estão no páreo Murillo de Aragão, que tem a simpatia de investidores, e o diplomata Nestor Forster, o preferido do chanceler Ernesto Araújo.

Acordo não sai / Ao chamar Gleisi Hoffmann de chefe de organização criminosa na entrevista ao jornal Valor Econômico, o ex-candidato a presidente Ciro Gomes (PDT) afastou de vez seu partido do PT.

Por falar em divisão das esquerdas… / A relação entre os partidos está um pandemônio, a começar pela ausência de consenso entre a líder da Minoria, Jandira Feghali (PCdoB-RJ), e o líder da oposição, Alessandro Molon (foto, PSB-RJ).

Juíza de futebol / A deputada Carla Zambeli (PSL-SP) inovou, ontem, ao presidir a sessão solene da Câmara: incomodada com o burburinho enquanto um orador estava na tribuna, ela levou os dedos à boca e soltou um assovio bem alto. A turma do futebol brincou: “Pode ser a juíza da nossa pelada!”

Suzano, 13 de março, e outras datas / O que está acontecendo com nossa sociedade? Candidato a presidente esfaqueado em plena campanha, vereadora assassinada, estudantes massacrados. Vale refletir. Aos familiares das vítimas, nossa solidariedade.