BolsonaroSeteSetembro Foto: Ed Alves/ CB.Press

Acuado e cheio de rancor, Bolsonaro está cada vez menor

Publicado em Economia

O presidente Jair Bolsonaro estava certo de que veria movimentos retumbantes nas ruas a seu favor neste Sete de Setembro. Mas o que se viu, tanto em Brasília, quanto em São Paulo, foi um político que não desce do palanque e só fala para convertidos. Os públicos nas duas manifestações ficaram aquém do previsto e o presidente se mostrou repetitivo. É o mesmo discurso há dois meses.

 

Não há dúvidas de que Bolsonaro está cada vez menor. Diante de toda as sua incompetência para lidar com o Brasil real, de inflação alta, desemprego recorde e risco de racionamento de energia, centra fogo contra o Judiciário, a ponto de dizer que não cumprirá nenhuma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Bolsonaro, desesperado, só pensa em dar um golpe. É a única maneira de continuar no poder. Neste Sete de Setembro, repetiu que só deixa o comando do país “preso, morto ou com vitória”. São palavras que mantêm sua leva de apoiadores acesa. O presidente corre o sério risco de ser considerado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E têm rejeição próxima de 70%.

 

Incompetente na arte da articulação política, Bolsonaro só consegue se sustentar na base do tensionamento entre os Poderes, no radicalismo. Para piorar, o presidente não trabalha. Basta olhar a agenda dele. E o pouco que faz é no sentido de proteger seus filhos, todos enrolados com a Justiça, e seus aliados. Não por acaso, editou uma Medida Provisória que impede a retirada de notícias falsas das redes sociais.

 

Se Bolsonaro já tinha metido os pés pelas mãos, agora, verá seu governo inviabilizado de vez. Em tudo o que depender do Congresso e do Judiciário, será derrotado. Péssimo para a população, que verá a economia afundar de vez, com o país correndo o risco de mergulhar novamente na recessão.

 

Bolsonaro não tem mais apoio de nenhum grupo relevante. Nem do mercado financeiro, nem de banqueiros, nem de empresários relevantes, nem do agronegócio exportador. Mas é preciso admitir: isolado, o presidente é um perigo para a democracia. Todos os sinais de alerta devem ficar ligados.

 

Brasília, 16h12min