Com mais de um quarto de século de existência, a importadora Porto a Porto, nascida em Curitiba (PR), foi buscar no terroir do Vale dos Vinhedos na Serra Gaúcha o primeiro vinho brasileiro para integrar o portfólio de 540 rótulos produzidos por aproximadamente 120 fornecedores internacionais.
Trata-se da Bodega Iribarrem, de propriedade do empresário basco Ramiro Iribarrem, que decidiu apostar na região sulista, a primeira do país a conquistar a Denominação de Origem (DO), que se destaca pelas características únicas de solo, clima e topografia. Um espumante, dois brancos e dois tintos compõem a cesta apresentada pela primeira vez em Brasília pelo diretor comercial da vinícola, Alan Larroza, que comandou degustação no Dom Francisco.
Começou com o espumante 100% Chardonnay, com teor alcoólico de 12 graus, que amadureceu por três meses sur lie (em contato com as borras) para obter maior complexidade. Apresenta notas cítricas, maçã verde, pêra e mel com perlage cremoso e acidez refrescante.
Da mesma linha intitulada Basco Loco é o Alvarinho, varietal com 13% de álcool e aromas intensos. Amadureceu 6 meses em barrica de carvalho francês e vai muito bem com saladas, peixes, frutos do mar e carnes brancas. Sai por R$ 99, mesmo preço do espumante.
O segundo branco é um Chardonnay Reserva, um pouco mais alcoólico com 13%, que agradou muito pelo frescor e equilíbrio macio na boca. Você pode harmonizar com culinária asiática, peixes defumados e moqueca, além de carnes brancas e aves.
Tintos encorpados
Estado pioneiro na produção do vinho brasileiro, o Rio Grande do Sul tem diversificado suas cepas a ponto de rivalizar com as autóctones dos países de origem, como é o caso da Merlot da Serra Gaúcha, que é justamente a casta que deu ao Brasil a primeira DO de vinho. A Bodega Iribarrem produz Reserva Merlot, de 14% de álcool e 18 meses em carvalho francês. Aromas complexos revelam notas de café, chocolate, trufa e frutas pretas e especiarias. Combina com cortes nobrede carne e também brancas. Sai por R$ 390.
O vinho top da grife, que levou 24 meses amadurecendo em barricas de carvalho francês, é o Gran Reserva Tempranillo,(R$ 590) feito com a uva originária do norte da Espanha e cujo nome vem da palavra espanhola temprano, que amadurece mais cedo. De cor intensa com reflexos violáceos apresenta aromas de amora, ameixa, groselha e notas minerais com toque de especiarias. A estrutura de taninos firmes e encorpados harmonizam muito bem com assados, cordeiro, lombo e costela suína, além de queijo de ovelha. Os vinhos estão à venda na Bodega Austral, 112 Norte, Bloco C.
Rótulos chilenos
O redirecionamento do foco da Porto a Porto, que desde 2003 tem parceria com a importadora paulista Casa Flora, a tem levado a intensificar contatos com clientes, parceiros e profissionais da gastronomia, afirma o supervisor de vendas, Raphael Correa Medeiros. Um exemplo foi a passagem pelo Distrito Federal e por Goiás do chileno Cristian Olate, gerente de Exportações da vinícola Santa Carolina.
Tida como monumento nacional, a vinícola Santa Carolina é uma das mais antigas do Chile. Foi fundada em 1875 pelo advogado de origem portuguesa Luis Pereira, que contratou um grupo de enólogos franceses, tendo à frente Germain Bachelet, um dos fundadores da nova vitivinicultura chilena para ajudá-lo a selecionar as melhores castas de Bordeaux e implantá-las em sua vinícola. O nome foi uma homenagem à mulher de Pereira, Carolina Iñiguez.
As duas uvas brancas mais celebradas no Chile – Sauvignon Blanc, do Vale de Leyda; e Chardonnay, do Vale do Itata – deram início à degustação de vinhos varietais, que culminou com o blend de Petite Syrah, Malbec e
Carménère elaborado em homenagem aos 150 anos da vinícola Santa Carolina. Outro top foi o segundo tinto: Reserva de Família Cabernet Sauvignon com 13,8% de álcool e envelhecido 14 meses em carvalho francês. Este vinho foi reconhecido como linha revelação de 2023.
Embora seja a Carménère a uva ícone do Chile (estava desaparecida e foi redescoberta), é a Cabernet Sauvignon que revela os melhores tintos do país. Segundo Olate: 40% da Cabernet Sauvignon plantada no mundo está no Chile.
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