Jia Tolentino: internet, feminismo e monetização do eu sob a perspectiva de uma millennial

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Jia Tolentino ficou famosa na adolescência, quando participou do reality show Girls vs Boys, edição  Porto Rico. Não tinha ainda 17 anos, mas, naquela época, por volta de 2005,  já conhecia bem a internet. Nascida no Canadá, filha de imigrantes das Filipinas e criada no Texas, Jia foi uma dessas adolescentes que mergulharam com tudo na internet no momento em que as redes sociais começavam a redesenhar a maneira como as pessoas, especialmente os jovens, se relacionavam. Era o início do século 20, ela passou por todas as plataformas, teve blogs muito cedo, se expôs sempre com bastante ênfase, mas também se entregou com vontade à reflexão sobre o que tudo isso significava e como essa exposição estava transformando as relações e o mundo do consumo. 

Antologia de Veríssimo é passeio por risos e textos inéditos

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A obra de Luís Fernando Veríssimo é vasta e quase infinita. Revirar os arquivos do escritor gaúcho pode trazer revelações como textos inéditos ou publicados uma única vez, mas também pode render compilações de ilustrações, de frases e de outras modalidades que fazem os editores se animarem. Veríssimo sempre vende bem. E agora está de volta com uma compilação da Objetiva na qual o editor Marcelo Dunlop promete reunir o melhor da produção do gaúcho nos últimos 50 anos, incluindo “pepitas raras”. 

As viagens literárias de José Luís Peixoto

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José Luís Peixoto nunca teve a Tailândia como um destino dos sonhos. Foi por uma coincidência que acabou pisando no país pela primeira vez e, por escolha, pela segunda. “Sempre sonhei com a Ásia, não especificamente com a Tailândia”, conta. No entanto, em 2012, durante uma viagem a Macau, o escritor se viu diante da oportunidade de conhecer a Tailândia. Deveria por lá desembarcar para escrever para uma revista de turismo e colocou como primeiro desafio retirar da própria mente a capa de exotismo que o visitante europeu geralmente projeta no país. Deu tão certo que ele voltou uma segunda vez e, dessas viagens, trouxe o livro O caminho imperfeito, recém-publicado pela Dublinenses. “A Tailândia foi-se instalando, foi ganhando lugar. De algum modo, essa evolução está muito ligada ao modo como a Ásia foi ganhando um espaço na minha vida. Ao ponto de, nos últimos anos, ter passado, pelo menos três meses da cada ano na Ásia”, revela o autor. 

Desencaixados e solitários

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Controle nasceu de uma encomenda para uma coletânea que envolvesse música e bandas específicas. A coletânea não saiu, mas Nanda, ou Maria Fernanda, tomou forma e o primeiro romance de Natalia Borges Polesso, felizmente, ganhou vida. Controle vem embalado por New Order e Joy Division em um texto cheio de referências afetivas para quem foi adolescente nos anos 1980 ou 1990.

Consciência e inteligência artificial travam embate no novo romance de Ian McEwan

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É no passado que Ian McEwan imagina o futuro do mundo. Essa pequena gracinha toma proporções proféticas em Máquinas como eu, o novo romance do autor britânico. McEwan não se interessa por ficção científica nem por fantasia, mas não há como encarar esse livro sem imaginar um mundo distópico no qual a inteligência artificial e a consciência humana travam um embate digno de Blade runner.  

O lirismo cirúrgico de Adriana Lisboa

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A perda inesperada da mãe, em 2014, mobilizou a escritora Adriana Lisboa para escrever Todos os santos. Devastada, ela precisou lidar com um luto que, até então, era apenas uma probabilidade remota. Ao enfrentar a dor do desaparecimento materno, encontrou um eco literário extremamente delicado. Todos os santos é um livro triste e melancólico, costurado por uma combinação de palavras cirurgicamente pinçadas no léxico lírico que Adriana manuseia tão bem.

Houellebecq cria personagem trágico e comovente em ‘Serotonina’

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Desilusão, pessimismo, ironia e sexo formam cartilha inevitável quando se trata dos romances de Michel Houellebecq, mas essa combinação está especialmente provocativa e quase sentimental em Serotonina, o sétimo romance do autor francês. Aqui, essa mistura resulta em um livro comovente, embora essa definição possa soar estranha quando se trata do enfant terrible da literatura contemporânea francesa. Mas Florent-Claude Labrouste — que não gosta do próprio nome por achá-lo delicado demais para a virilidade de sua aparência — é comovente na sua miséria e endossa um paradoxo sempre presente na obra do francês: a possibilidade do amor e da felicidade como algo confinado ao plano da fantasia e ao fracasso certo.

Elas estão na Flip e são imperdíveis: quatro autoras para ficar de olho

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A brasileira Jarid Arraes fala do sertão, a nigeriana Ayòbámi Adébáyò observa o conflito entre tradição e modernidade, a canadense Sheila Heti explora a maternidade e a venezuelana Karina Sainz Borgo fala de uma Venezuela destroçada. Elas estão na Flip e trazem para a literatura uma perspectiva feminina, política, histórica e social.

Marie Curie por Rosa Montero: um livro duro e delicado

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Nas fotografias oficiais, Marie Curie parece uma mulher fria e dura. Era, talvez, a única postura possível para que uma cientista do sexo feminino e com uma mente brilhante fosse levada a sério no final do século 19. O que não se vê nessas imagens é o lado passional e humano de Marie. Esse, que todos nós temos em algum momento da vida, foi devidamente calado e amordaçado. Afinal, estudar física e química, ser pioneira no ramo da radioatividade, conseguir isolar isótopos radioativos, descobrir o rádio e o polônio e ganhar dois prêmios Nobel era pouco para que uma mulher fosse reconhecida como algo mais do que uma simples dona de casa naquele fim de século. Marie, que além de tudo era polonesa, ou seja, uma estrangeira em uma França bastante preconceituosa, precisava parecer um homem para levar crédito.

“Ritmo louco” é o melhor livro de Zadie Smith

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Ritmo louco, o quinto romance da inglesa Zadie Smith, tem tudo para ser um livro de formação. A narradora, uma criança nas primeiras páginas e uma adulta um pouco perdida nas últimas, é o retrato de uma geração multicultural, nascida em um cenário marcado por desigualdades cada vez maiores e cujas certezas não estavam tão enraizadas quanto as de seus pais.