FCEF55A1-B864-4DF7-9A4E-B271B484CA0D Navas comemora defesa do pênalti cobrado por Messi. Foto: Franck Fife/AFP Navas comemora defesa do pênalti cobrado por Messi. Foto: Franck Fife/AFP

Eliminações de CR7 e Messi sinalizam fim de ciclo dos astros nos times, não de uma era

Publicado em Esporte

Recordistas de prêmios de melhor do mundo, Lionel Messi (6) e Cristiano Ronaldo (5) estão fora das quartas de final da Liga dos Campeões da Europa pela primeira vez desde a temporada 2004/2005, quando o português disputava a segunda temporada no Manchester United e o argentino era mero estreante no principal torneio continental de clubes do planeta — jogou apenas uma partida contra o Shakhtar Donetsk. Houve um trailer na temporada passada: as semifinais de 2019/2020 na bolha de Lisboa também não contaram com nenhum dos dois, quebrando tabu de 15 temporadas consecutivas.

Na terça-feira, a Juventus havia sido eliminada pelo Porto na prorrogação. Cristiano Ronaldo foi incapaz de usar seus superpoderes para evitar a derrocada, em Turim. Soberana nas últimas nove edições do Campeonato Italiano, a Velha Senhora deu adeus ao torneio ao ser superada no número de gols marcados fora de casa. A série terminou 4 x 4, mas o atual campeão português conseguiu marcar duas vezes na casa do adversário.

Nesta quarta, o extraterrestre Lionel Messi até tentou salvar o Barcelona da eliminação precoce. Fez um gol que deu esperança ao time azul-grená no Parque dos Príncipes, em Paris, mas desperdiçou pênalti defendido pelo goleiro Navas com a colaboração do travessão. Goleada  por 4 x 1 no Camp Nou, a trupe de Messi viu o Paris Saint-Germain — sem Neymar — administrar o empate por 1 x 1 no duelo de volta e fechar o mata-mata com massacre de 5 x 2 no placar agregado. No ano passado, o Barcelona foi triturado por 8 x 2 pelo Bayern de Munique nas quartas.

As ausências de Cristiano Ronaldo e de Messi nas quartas de final desta temporada são simbólicas, óbvio, mas, aparentemente, não representam o fim de uma era. Ambos defendem times que passam por momentos de transição complicados. A Juventus é comandada por um técnico estreante. É a primeira temporada de Andrea Pirlo à frente de um time campeão das últimas nove edições do Campeonato Italiano. Acumula 38 jogos como treinador profissional. Mesmo assim, Cristiano Ronaldo é artilheiro isolado do Italiano com 20 gols.

O Barcelona virou bagunça. Lionel Messi tentou deixar o clube antes no início da temporada. O ex-presidente Josep Bartomeu renunciou ao cargo depois de perder a queda de braço com o maior ídolo da história do clube. Joan Laporta acaba de ser eleito e nem teve tempo de juntar os cacos deixados pelo ex-presidente Sandro Rosell e o sucessor e amigo do peito Bartomeu. Apesar do tumulto, Messi é artilheiro isolado do Espanhol com 19 gols.

A primeira edição da Liga dos Campeões no novo normal estica o tapete vermelho na passarela da bola para Mbappé e Neymar (PSG), Haaland (Borussia Dortmund) ou até mesmo ao atual número 1 do mundo Lewandowski (Bayern de Munique). Porém, nenhum deles atingiu (ainda) o nível de excelência de Cristiano Ronaldo e Messi. A minha impressão é de que ambos manteriam o reinado jogando em times um pouquinho mais organizados. Imagina um deles no Bayern de Munique, Liverpool ou Manchester City da vida.

Portanto, prefiro tratar as quedas de Cristiano Ronaldo e Messi como fim de ciclos nos clubes. O tempo passou. A idade ainda permite, sim, que eles sejam novamente melhores do mundo e adiem o fim de uma era que deixará muita saudade. Acho apenas que eles precisam trocar de time. Fazer parte de times fortes, coletivos, que não exijam mais tanto brilho individual desses dois senhores do século 21. Vida longa aos dois. Ah, e paremos com esse vício incurável de antecipar ou cravar fim de era, decretar aposentadoria de jogadores, comparar um com outro, perguntar em enquetes chatas quem é ou foi melhor. Curta e ame o futebol dos caras como se não houvesse amanhã.

 

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