Mowa Press Philippe Coutinho e Lucas Paquetá formarão o meio de campo com Fabinho. Foto: Pedro Martins/Mowa Press Philippe Coutinho e Lucas Paquetá formarão o meio de campo com Fabinho. Foto: Pedro Martins/Mowa Press

De Jadson e Renato Augusto a Paquetá e Coutinho: as inspirações de Tite na busca por um par de meias

Publicado em Esporte

Poucos times no país se dão ao luxo de usar dois meias. Soa arcaico. Do tempo em que havia um volante, um meia direita e um meia esquerda; ou um quadrado com dois volantes e dois meias, o destro e o canhoto. Ex-meia, Tite é desse tempo. Da era dos camisas 5, 8 e 10 formando o setor criativo. Tozin, Tite e Marco Antônio Boiadeiro faziam parte do cérebro do Guarani derrotado nos pênaltis pelo São Paulo na final do Brasileirão de 1986. Os responsáveis por acionar os pontas dribladores Catatau e João Paulo e o centroavante Evair.

Aquele Guarani do ótimo técnico catarinense Carlos Gainete, de 81 anos, é uma forma de o Tite enxergar futebol. Prova disso é a escalação escolhida por ele para enfrentar o Paraguai nesta terça-feira, no Mineirão, pelas Eliminatórias para a Copa do Catar. Guardadas as devidas proporções, Fabinho é o 5, Lucas Paquetá, o 8, e Philippe Coutinho assume o papel de 10. Raphinha na ponta-direita, Vinicius Junior aberto na esquerda e Matheus Cunha no papel de autêntico 9.

Citei o Guarani de 1986, mas posso incluir o Corinthians de 2015 à ilustração. São modelos diferentes, mas há uma intersecção entre eles: os dois meias. O Timão campeão brasileiro há sete anos tinha dois pensadores extremamente criativos — Jadson e Renato Augusto. Ambos captaram o que Tite desejava. Amparados por Ralf e Elias, os dois ritmistas se procuravam na armação das jogadas. Mais do que isso: eles se completavam. Prova disso é que, à época, foram eleitos para todas as seleções daquela edição da Série A. Mais do que funcionar, o modelo deu espetáculo na conquista do hexa alvinegro no Brasileirão.

Ao testar Lucas Paquetá e Philippe Coutinho juntos, Tite está procurando por um par de meias como Jadson e Renato Augusto. Busca leitura de jogo, encaixe, complemento, criatividade, qualidade capaz de fazer funcionar o trio ou dupla de ataque eleito por ele para a Copa.

Raphinha, Matheus Cunha e Vinicius Junior serão titulares pelo terceiro jogo oficial consecutivo. Começaram, também, contra Argentina e Equador. É mais uma chance de observar o que pensa Tite do meio para a frente. A defesa está pronta. É Alisson, Ederson ou Weverton e mais Danilo, Marquinhos, Thiago Silva e Alex Sandro. À frente deles, Casemiro. Daí em diante, as vagas estão abertas. O fora de série Neymar é o único com cadeira cativa. Portanto, temos quatro vagas abertas na formação titular.

O duelo com o Paraguai é uma espécie de concurso por essas posições. Lucas Paquetá, Coutinho, Raphinha, Matheus Cunha e Vinicius Junior não são unanimidade. Em caso de emergência, não tenho dúvida de que Tite apostará em bolas de segurança como Gabriel Jesus, Roberto Firmino e Richarlison, por exemplo. Essa, aos menos, é a minha percepção.

Tite está certíssimo. Faltam 10 meses para a Copa. Ainda há tempo para testes. O Flamengo tem Everton Ribeiro e Arrascaeta. O Palmeiras pode desfrutar de Raphael Veiga e Gustavo Scarpa. O Atlético-MG tem Nacho e Zaracho. O Corinthians ostenta Willian, Giuliano e Renato Augusto. Tite também almeja um par de meias. Testou Everton Ribeiro, Gerson e Lucas Paquetá juntos. A vez, agora, é de Paquetá e Philippe Coutinho. Boa sorte no experimento, Tite!

 

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