Os riscos de Lula e de Flávio

Crédito: Maurenilson Freire
Publicado em coluna Brasília-DF, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, Lula, politica, PT, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 29 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve comparecer ao debate promovido pela tevê Globo, na reta final deste primeiro turno. E por um motivo muito simples: teria cinco minutos em cada bloco para falar do governo, enquanto todos os outros o atacariam durante 15 minutos. Ainda há tempo, até quinta-feira, para uma nova reflexão dentro do PT, mas essa contagem de 15 contra cinco é o principal ponto. Flávio Bolsonaro, porém, afirmou que não deixará de ir, com ou sem a presença do presidente.

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Contagem regressiva/ O cálculo da campanha é de que Lula pode aproveitar esse tempo num ato de campanha em algum lugar do país, colocando-se ao lado dos mais pobres. Além disso, não seria a primeira vez que um candidato deixaria de comparecer ao debate de encerramento do primeiro turno. Em 1994, a mesma Globo optou por não fazer esse confronto. Deixou para o segundo turno, mas Fernando Henrique Cardoso venceu no primeiro. Em 1998, o debate da Globo em primeiro turno foi cancelado porque FHC não iria e havia dúvidas sobre um debate sem a presença do líder. Em 2006, Lula, candidato à reeleição, seguindo o exemplo de FHC, optou por não comparecer. Em 2018, Jair Bolsonaro teve orientação médica de não comparecer. Em 2022, já presidente, Bolsonaro compareceu ao debate.

Cresce campanha do voto útil

Não apenas para presidente da República, mas para o Senado também esse movimento ganha força. Em Goiás, por exemplo, os partidos que querem evitar que Gustavo Gayer (PL) suba pedem o segundo voto para Vanderlan Cardoso (PSD), que aparece nas pesquisas tecnicamente empatado com Zacharias Calil (MDB). Em São Paulo, a manobra foi mais radical. Ricardo Salles (Novo) saiu da disputa. Há quem aposte que será secretário de Tarcísio de Freitas, num provável segundo governo estadual.

A incerteza delas

Centros de estudos e pesquisas começam a se preocupar com a alta abstenção de mulheres nesta eleição, tal e qual foi em determinados extratos dessa parcela do eleitorado, em 2022. O principal motivo para uma alta abstenção é a falta de confiança de que o voto resultará em alguma mudança. A percepção foi captada pelo Projeto Brief, que entrevistou mais de 3,5 mil mulheres sobre o motivo delas se afastarem das urnas e o que poderia mudar esse cenário. Segundo o estudo, 30% das mulheres que recebem até dois salários mínimos não votaram em 2022, mais que o dobro do registrado entre as de renda mais alta.

Memórias da greve/ Será lançado hoje o livro No Coração do Sistema, que relembra a greve dos bancários, em 1985. Organizado pela jornalista Fernanda Otero, reúne 43 artigos de participantes da greve. É na sede da Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil, às 19h. O título foi lançado na 28ª Bienal do Livro de São Paulo.