Categoria: crise do BRB
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 3 de abril de 2026, por Rosana Hessel com Eduarda Esposito
O rebaixamento pela Moody’s das notas de crédito do Banco de Brasília (BRB) para CCC+ — que significa risco de calote — escancara os problemas para o banco público se capitalizar e coloca o mercado financeiro em alerta devido aos problemas recentes de vários bancos médios, como Master, liquidado em 18 de novembro de 2025, pelo Banco Central. A Moody’s não é a primeira das três agências de classificação de risco norte-americanas a rebaixar o BRB. A Fitch realizou dois rebaixamentos no fim de 2025 e, em março deste ano, foi a vez da Standard & Poor’s. A justificativa da Moody’s sobre a medida indica a necessidade de injeção de capital no banco, além do problema da não entrega dos balanços dentro do prazo regulamentar, que venceu em 31 de março.
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De acordo com Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, o mercado financeiro está bastante preocupado com o BRB, ainda mais depois do desfalque bilionário do Master no Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Ele, inclusive, fez um alerta sobre o risco sistêmico para o mercado de crédito dos bancos médios, financiado pelos investidores que aplicam em Certificados de Depósito Interbancário (CDBs). “Os investidores estão muito reticentes em aplicar nos CDBs de bancos médios. E isso vai ter um efeito bem duradouro no mercado”, previu.
Muito demorado
Os rebaixamentos nas notas de risco do BRB feitos pelas três agências norte-americanas demoraram a chegar, na avaliação de um especialista desse segmento que pediu anonimato. Conforme avalia, as agências acabaram ignorando todo o imbróglio envolvendo o Master, que, pelas investigações da Polícia Federal (PF) na Operação Compliance Zero, foram identificadas R$12,2 bilhões em fraudes na venda de carteiras de crédito podres ao BRB, divulgados no mesmo dia da liquidação do Master, em novembro passado.
Sem transparência
Analistas ainda lembram que o novo rebaixamento do BRB confirma a teoria do mercado financeiro de que a gestão anterior da instituição controlada pelo Governo do Distrito Federal (GDF) foi pouco transparente e colocou, segundo analistas, o banco à beira da falência. Ibaneis deixou o governo nesta semana para disputar uma vaga ao Senado, mas isso não vai impedi-lo de ser questionado sobre a gestão do BRB na campanha eleitoral.
Números confusos
Para analistas, entre os motivos do atraso na divulgação do balanço do BRB estão as dificuldades da instituição para contabilizar os ativos, após a compra de R$ 12,2 bilhões da carteira de créditos podres do Master, identificados pelas investigações da PF na Compliance Zero, que culminou na liquidação do banco de Daniel Vorcaro. “O Master sobrevalorizava os ativos e, agora, o BRB está com dificuldade para saber o quanto tem de bens saudáveis que podem colocar no balanço”, apostou um analista do mercado financeiro que pediu anonimato.
Buraco no FGC
A liquidação do BRB não é do interesse dos associados do Fundo Garantidor de Crédito — ou seja, os bancões públicos e privados que mais contribuem para o FGC. Eles não têm o menor interesse em bancar mais uma liquidação de banco médio, corroendo quase metade dos recursos do fundo novamente. Em junho de 2025, a liquidez do FGC era de R$ 121 bilhões. A quebra do Master e de várias subsidiárias provocaram um rombo de, pelo menos, R$ 52 bilhões em indenizações para correntistas e investidores — até o momento. A liquidação do BRB deveria provocar uma descapitalização do fundo de tamanho semelhante, segundo analistas. Eles citamos últimos dados do BRB enviados ao Banco Central, que indicando que R$ 53,6 bilhões em depósitos na instituição poderiam ser cobertos pelo FGC, respeitando o limite de R$ 250 mil para cada pessoa física ou jurídica.
Federalização descartada
O Ministério da Fazenda deu vários sinais de que o governo não tem interesse em federalizar o BRB. E na avaliação do economista e consultor Roberto Luis Troster, ex-economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), isso faz todo o sentido, dado o tamanho do banco. “O BRB não é um banco importante para o desenvolvimento nacional, como eram os casos do Banco do Nordeste e do Banco da Amazônia, que foram federalizados. Não faz o menor sentido fazer o mesmo com o BRB. O banco precisa ser capitalizado”, explicou.
Disse me disse
Servidores do BRB teriam, supostamente, vazado uma lista de colaboradores que seriam demitidos, devido a intenção da governadora Celina Leão em afastar todos aqueles ligados ao caso do Master. Há quem diga que ela tem sido pressionada a demitir alguns servidores e entregar o relatório sobre o caso.
O outro lado
Já o BRB rechaçou a suposta demissão de empregados do BRB supostamente envolvidos nos fatos investigados pela Compliance Zero. “O banco aguarda a conclusão do mesmo e destaca que a antecipação de imputação de responsabilidade de qualquer empregado é leviana”, disse. Inclusive, de acordo com fontes ligadas à instituição, nem existiria a tal “demissão sumária”.

Indefinição
A situação eleitoral da ex-ministra Marina Silva (foto), do Meio Ambiente, permanece indefinida. Nos bastidores, PT e PSB afirmam não conversar com ela sobre uma candidatura ao Senado por São Paulo — sobretudo, por causa da chegada da ex-ministra do Planejamento e Orçamento Simone Tebet ao partido de João Campos para a disputa da mesma vaga. Na Rede Sustentabilidade, como os leitores da coluna sabem, só há orçamento para uma campanha de Marina à Câmara. Fontes no PT afirmam que a ex-ministra deve ficar na Rede, o que indicaria disputa à reeleição como deputada.



