Autor: Denise Rothenburg
Coluna Brasília-DF
A saída do ministro da Secretaria de Governo, Santos Cruz, está diretamente relacionada à decisão do governo em torno de uma estratégia de comunicação mais agressiva em prol da reforma da Previdência e de outros projetos governamentais. Até aqui, Santos Cruz resistia em investir em comunicação. E os ministros e o próprio presidente estão convencidos de que a reforma previdenciária terá mais segurança se for bem explicada de fora para dentro.
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Em tempo: A derrubada da capitalização do texto da reforma foi considerada, dentro do governo, como uma prova da falta de comunicação. Há quem esteja convicto de que faltou esclarecer a população a respeito.
Façam como ele I
Depois do caso envolvendo o vazamento de diálogos entre os procuradores, autoridades do Executivo e parlamentares passaram a usar o aplicativo Signal para troca de mensagens. É o preferido do analista de sistemas Edward Snowden (foto), famoso depois de ser acusado de espionagem e de vazar dados de segurança dos Estados Unidos.
Façam como ele II
O Signal é um aplicativo de software livre e de código aberto (FOSS) para Android, iOS e desktop que faz uso de criptografia de ponta a ponta, permitindo que os usuários enviem mensagens de grupo, texto, imagens, áudio e vídeo. Os usuários acreditam que as mensagens são encriptadas de ponta a ponta, bem como as chamadas telefônicas.
E a Previdência, hein?
Os parlamentares acreditam que ainda virão novos ajustes no texto. Porém, avaliam, o relator limpou bastante o campo. Pelo menos, à primeira vista.
Foco
Especialistas que deram uma olhada mais a fundo no texto estão desconfiados de que a desconstitucionalização será a grande batalha dessa fase pós-relatório. Assim como as regras de transição para servidores públicos, consideradas modestas pelos sindicatos e associações de várias categorias.
Curtidas
Largada/ As associações de classe passaram a quinta-feira destrinchando o relatório de Samuel Moreira sobre a reforma previdenciária. Vem por aí uma saraivada de pedido de destaques para votação em separado.
Por falar em Samuel…/ O relator passou com louvor na primeira fase de testes de articulação política. Se continuar assim, dali para voos mais altos será um pulo.
Tem para todos/ Com greve geral convocada para hoje, os governistas querem saber o que pesará mais: Se a Previdência ou o Lula Livre, que entrou na roda depois da divulgação dos diálogos.
Longa jornada/ Até ontem, mais de 100 deputados já haviam feito inscrição para debater a reforma da Previdência na semana que vem. Pode esperar sessões madrugada adentro.
E o Moro, hein?/ A demissão de Santos Cruz deixou o ministro da Justiça em segundo plano. Deputados avaliam que, se o site The Intercept não botar lenha na fogueira, a sessão do dia 19 será tépida.
General Luíz Eduardo Ramos Baptista Pereira substituirá Santos Cruz
Faltando menos de 30 dias para fechar seus primeiros seis meses de governo, o presidente Jair Bolsonaro se vê numa situação de dispensar seu terceiro ministro, sendo o segundo do Palácio do Planalto e o primeiro militar a sair. Responsável pelo programa de parceria de investimentos e pela área de comunicação, o ministro da Secretaria de Governo, general Santos Cruz, cuidava de quase tudo. Sobreviveu bem, até bater de frente com o grupo mais ligado ao escritor Olavo de Carvalho, que criticou o agora ex-ministro abertamente no Twitter. Santos Cruz será substituído pelo general de Exército Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira, atual comandante militar do Sudeste, de forma a não deixar a ala militar descontente. Resolvida a área militar, falta agora evitar novos embates entre o novo ministro e a comunicação de governo.
Uma das ações em estudo no governo, de forma a dar um “freio de arrumação”, é mexer nas atribuições da Secretaria de Governo. Não está descartada uma maior autonomia ao setor de comunicação, vinculando-o diretamente ao Gabinete Presidencial. Ao longo desses seis meses, havia ruídos em praticamente todas as reuniões de comunicação, tanto com os primeiros comandantes da Secom quanto o atual, Fábio Wajngarten. Esse setor também tem muita influência dos filhos do presidente, em especial, Carlos Bolsonaro, que invariavelmente concorda com as crítica do escritor Olavo de Carvalho a autoridades do governo.
Desde o início, os técnicos da área de comunicação governamental reclamam de cortes nessa área, estratégica para que o governo possa expor seus projetos. Chegou ao ponto de o ministro da Economia, Paulo Guedes, reclamar com o presidente a respeito de cortes na campanha da Nova Previdência, crucial nesse período de apreciação da reforma nos plenários da Comissão Especial, da Câmara e do Senado. Há um consenso no governo que, para vencer a batalha, será preciso pressionar de fora para dentro do Congresso. E os sindicatos aplicaram cinco vezes mais em campanhas publicitárias. E Santos Cruz resistia a liberar mais recursos e estrutura para essa área.
Santos Cruz também teve um embate com o grupo politico mais afeito ao ex-presidente José Sarney, quando chamou o ex-senador Francisco Escórcio apenas para demiti-lo. Chiquinho, como é conhecido, funcionava no governo do ex-presidente Michel Temer como uma espécie de “posto avançado” do Executivo no Legislativo, dedicado a sentir a temperatura do Congresso em relação aos projetos do Planalto, de forma a antecipar possíveis problemas que possam afetar o diálogo entre os Poderes. Até aqui, não há um assessor da Secretaria de Governo que faça esse papel. Os parlamentares, por exemplo, reclamavam que Santos Cruz os recebia, mas os pleitos não tinham consequência. Eles esperam que o novo ministro tenha mais poder para atender levar avante os pedidos políticos. Ou que a Casa Civil, que mudou seus assessores, tenha mais condições de atender os parlamentares.
Relator da Previdência diz que saída dos estados pode ser “exclusão temporária”
Coluna Brasília-DF
Saiu, mas… Pode voltar. O relator da reforma da Previdência, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), comentou com a coluna que os estados e municípios podem ter uma “exclusão temporária” da reforma. Esse promete ser um dos pontos que provocará mais debate no plenário, junto com a transição para o novo modelo dos servidores públicos e a desconstitucionalização. Vai depender do trabalho dos governadores e prefeitos por votos.
“Demonizou”
Deputados e senadores de partidos de centro, essenciais para aprovar a reforma, se referem ao modelo de capitalização proposto pelo governo como algo tão tóxico quanto a CPMF. Hoje, não dá para propor um imposto de cheque sem que haja uma celeuma. Da mesma forma, não será possível aprovar a capitalização.
Os fiadores
Sentados ao lado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), no início da noite, os líderes da maioria, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB); do PP, Arthur Lyra (AL), são considerados hoje fundamentais para aprovação da reforma da Previdência. Os líderes do governo ficaram em segundo plano.
Coluna Brasília-DF
Dois fatos levam os parlamentares a separarem as estações, em relação ao caso dos diálogos dos procuradores e do ministro Sérgio Moro. Primeiro, para os petistas, o ato concreto é que quem apresentou a denúncia do triplex no Guarujá sem provas suficientes contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o procurador Deltan Dallagnol, portanto é nele que devem mirar seus canhões. Ainda não tem data para o procurador dar explicações ao Congresso. A ordem é esperar um pouco mais antes de colocá-lo para falar a respeito.
Em segundo lugar, a citação a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nos diálogos, como o caso de Luiz Fux, arrisca provocar uma união dos juízes e fazer com que eles não sejam tão implacáveis com o atual ministro da Justiça. Afinal, Moro, se sair do ministério, não conseguirá mais emplacar no Supremo. Por isso, a prioridade hoje é centrar fogo em que não havia elementos para o Ministério Público pedir a condenação do ex-presidente e que, quem mais forçou a mão foi o procurador. Se isso ficar configurado, melhor para o réu. No caso, Lula.
Vai ser por aí
Deputados e senadores que detêm poder de comando começam a trabalhar para que o governo perca no que consideram acessório, caso do decreto das armas, e vença no prioritário, a economia. E tem um detalhe: os louros devem ficar com o Parlamento, que modificará toda e qualquer proposta.
CURTIDAS
Área campeã/ Nunca antes na história um ministro da Educação de qualquer governo esteve tantas vezes no Congresso num único semestre. O deputado Professor Israel (PV-DF) garante que, tirando a convocação do ex-ministro Vélez, Abraham Weintraub responderá ao terceiro chamamento.
Padre & missa/ Não são poucos os senadores do Partido dos Trabalhadores dispostos a abusar da ironia quando ele for ao Senado, na semana que vem. “Não vamos fazer o que ele fazia, precipitar condenações”, avisa o senador Jaques Wagner (PT-BA).
Assim caminha o Congresso/ A deputada Bia Kicis (PSL-DF) usou o Twitter ontem para reclamar da obstrução na Comissão de Constituição e Justiça. Ali, sempre foi assim: Minoria obstruir e quem tem maioria acaba com a obstrução. Até agora, o governo não construiu a sua maioria e só vai vencer se negociar.
Gestos & palavras/ Até aqui, não houve um só gesto do presidente Jair Bolsonaro que demonstrasse desprestígio do ministro Sérgio Moro. A ideia de levá-lo ao estádio Mané Garrincha, entretanto, foi considerada mais um teste do que propriamente… aquela força.
Que Santo Antônio nos proteja!
Coluna Brasília-DF
A presença do ministro da Justiça, Sérgio Moro, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado no próximo dia 19 foi definida a dedo. Será uma semana para que ele tenha conhecimento do que falta vir a público. Além disso, caso o ministro consiga pular essa fogueira e seja indicado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, o Senado será a Casa responsável por selar o seu destino. E, conforme o leitor assíduo da coluna já sabe, se essa indicação fosse feita hoje, o nome de Moro seria rejeitado. Para completar, o fato de ser véspera de feriado pode ajudar a esvaziar a sessão, apesar de todo o ímpeto da oposição em emparedar o ministro.
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A avaliação geral é a de que, depois que Moro chegou ao evento da Marinha ao lado do presidente Jair Bolsonaro e a imagem de todos os oficiais batendo continência ao presidente com o ministro ao lado, o recado está dado: o ex-juiz não sai, como, aliás, a coluna já havia registrado. Agora, se voltará a ser forte, depende mais do ministro, do que vem por aí e da audiência no Senado. A Casa sempre foi uma faca de dois gumes. Houve ministro que saiu de lá para pedir demissão, caso de Luís Carlos Mendonça de Barros, no governo Fernando Henrique Cardoso, ou mais forte, como Dilma Rousseff, quando ministra da Casa Civil de Lula.
“Traíra”
Embora mantenha a tese de que o celular do procurador Deltan Dallagnol foi hackeado, a Polícia Federal não descarta a hipótese de uma pessoa com acesso ao grupo de Telegram do procurador tenha vazado as mensagens. Afinal, vingança é um prato que se come frio.
O que eles pensam
Entre os senadores, prevalece o seguinte raciocínio sobre o episódio envolvendo o ministro da Justiça: se fosse algum político ou ministro de Dilma Rousseff, já haveria uma legião, talvez até o próprio Moro, pedindo que fosse preso.
Tem pra todos
Os parlamentares vão se dividir em dois grupos para investigar os diálogos entre Moro e procuradores. O deputado Carlos Jordy, do PSL, encabeça um pedido de CPI para apurar quem vazou, enquanto o PDT pede outro para averiguar o conteúdo dos diálogos.
Enquanto isso, no Supremo…
Os ministros estão revoltados com o teor dos diálogos entre Moro e os procuradores. A ordem ali, agora, é ter uma pauta e atitudes que restabeleçam a imparcialidade da Justiça. Nesse sentido, não será surpresa se tomarem alguma decisão colegiada, sem “fulanizar”, que beneficie Lula.
CURTIDAS
Inimigos íntimos/ É bom o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, abrir o olho. O PSL ajudou a evitar que a sessão da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara votasse o pedido de adiamento da presença dele hoje. Sinal de que nem tudo são flores na relação entre o partido do presidente Jair Bolsonaro e aquele que ocupa o cargo civil mais importante dentro do Planalto.
Tem que ir/ Como o requerimento de adiamento não foi votado, Onyx terá que comparecer hoje para explicar o decreto das armas. E, obviamente, não terá como escapar de perguntas sobre o caso envolvendo o ministro da Justiça, Sérgio Moro.
Depois de Corpus Christi/ Deputados calculam que será possível votar o parecer da reforma da Previdência em 26 de junho na Comissão Especial, deixando julho para o plenário.
Orai e vigiai/ Cresce a sensação de que será mais fácil aprovar a Nova Previdência sem a inclusão dos estados no texto. Por isso, não dá para os governadores ficarem tranquilos nem depois da apresentação do substitutivo do relator, Samuel Moreira (PSDB-SP).
Crise?/ Até aqui, o governo aprovou quase tudo o que quis. O crédito orçamentário de R$ 248,9 bilhões está aprovado e a reforma da Previdência caminha. Já tem gente dizendo que Jair Bolsonaro só se faz de sonso. E, nessa toada, está mudando a relação com o Parlamento.
Coluna Brasília-DF
Se o ministro da Justiça, Sérgio Moro, fosse indicado hoje para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, a tendência do Senado seria rejeitar a indicação do governo. Para completar, o silêncio do presidente Jair Bolsonaro sobre o caso nas primeiras 24 horas indica que a estratégia do Planalto é esperar essa crise decantar, da mesma forma que fez em relação ao ministro do Turismo, Marcelo Álvaro. No Congresso, porém a leitura é de que o caso é a chance perfeita para tentar deixar o ministro menor.
Bolsonaro, entretanto, tem se cercado de cuidados. O pacote anticrime, por exemplo, não foi levado pessoalmente por Jair Bolsonaro ao Congresso, e, há alguns dias, o presidente mencionou se não seria a hora de indicar um evangélico para o STF. Embora os filhos do presidente tenham defendido o ministro Moro e o ex-juiz tenha muito respaldo popular, a ordem, no governo, é deixa estar para ver como é que fica, concentrando o caso no Poder Judiciário.
Tem mais
O The Intercept Brasil ainda tem muito material para soltar. Vêm por aí diálogos entre os procuradores criticando os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Tem menos
Começou um movimento, ontem, no sentido de tentar deixar apenas os procuradores na linha do fogo cruzado, e preservar o ministro Sérgio Moro. Afinal, o ministro sabe muito de muita gente. Resta saber se vai colar.
Tem eles
Integrantes dos partidos de centro enroscados na Lava-Jato vibraram com os indícios de que o ex-juiz feriu o Código de Processo Penal. Se o caso dos diálogos esquentar mais um pouquinho, alguns pensam em pressionar pela queda do ministro. Por enquanto, a ordem é aguardar.
Enquanto isso, no PT…
A ordem é não sossegar enquanto Sérgio Moro não cair. Só tem um detalhe: Bolsonaro não vai demitir o ministro por pressão do Partido dos Trabalhadores.
A calhar
O caso divulgado pelo site The Intercept Brasil serviu como uma luva para que o relator da reforma da Previdência, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), aproveite esta terça-feira para amarrar melhor a proposta com os governadores.
Às ruas/ Simpatizantes do governo preparam nova manifestação para 7 de julho em apoio ao ministro da Justiça, Sérgio Moro. A antecedência da convocação é para garantir uma mobilização capaz de superar a de 26 de maio, em apoio ao presidente Jair Bolsonaro.
Adesão aumentou/ Pesquisa da Arko Advice com 109 deputados detectou um aumento no apoio à reforma previdenciária. Em março, esse apoio era de 55,96%, hoje é de 75,22%. Obviamente, pregam mudanças no texto.
FHC e Mourão/ Até aqui, o vice-presidente Hamilton Mourão e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foram as autoridades que saírem em defesa de Moro. Nenhum dos dois quer ver comprometido o que foi apurado pela Lava-Jato.
Por falar em Mourão…/ O jornalista André Gustavo Stumpf deixou o comando da comunicação social da Vice-Presidência. Sua experiência fará falta por ali.
Para governadores, modelo de capitalização não fecha a conta na Previdência
Cresce entre os parlamentares a ideia de que a manutenção dos sistemas de Previdência estaduais no texto da reforma não combina com o modelo de capitalização proposto pelo governo. Isso porque não garante uma renda àqueles que recebem valores mais modestos, até dois salários mínimos, por exemplo. Além disso, já se sabe que o custo de transição do sistema de repartição para o de capitalização é alto e, até aqui, os estados não disseram se vão arcar, cada um, com essa fatura ou se vão deixar a conta para o governo federal. Diante das dificuldades nas contas dos estados, alguns governadores não terão meios de garantir os recursos dessa passagem. Logo, avisam as excelências, mantida a Previdência dos estados no projeto da reforma, não dá para permanecer com a capitalização.
PT sob teste
O fato de a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, ter entrado na convocação da greve geral contra a reforma da Previdência colocou o partido sob foco. Afinal, nas hostes governistas, a greve é vista mais como uma prova para verificar a capacidade de mobilização dos sindicatos do que um movimento capaz de medir o nível de apoio da população às mudanças no sistema de aposentadorias.
Se arrependimento matasse…
Muitas autoridades do governo consideram que o presidente Jair Bolsonaro perdeu tempo por não ter aprovado a reforma previdenciária antes da posse, ainda que fosse o texto do governo de Michel Temer. Assim, poderia avançar agora com a capitalização. Ao que tudo indica, terá mesmo de se contentar com idade mínima.
E não é que mudou?
Ok, a reforma da Previdência ainda não chegou ao ponto de votação e, esta semana, terá o crédito sumplementar de R$ 248,9 bilhões na roda. Mas, no geral, a avaliação é de que a estratégia de Bolsonaro em relação ao Congresso até aqui não deu tão errado como era de se supor. Os projetos caminham, e o Parlamento faz
o seu papel.
Onde mora o perigo
Quem acompanha tudo por dentro acredita que o único risco no momento é o presidente ficar incomodado com o protagonismo do Congresso. Até aqui, quando se incomodou, foi buscar apoio nas ruas.
“Contingenciar, cortar, reduzir, não importa a denominação. É um sinal de um retrocesso civilizatório para a educação e triste para o futuro do nosso país”
Da deputada Flávia Arruda (PL-DF),engrossando a lista daqueles que veem essa área estratégica em descompasso total.
Outros tempos I/ A decisão do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de cancelar a sessão em homenagem ao Dia Mundial de Jerusalém, requerida pelo deputado Evandro Roman (PSD-PR), foi um pedido do PSL e evitou que o plenário se transformasse numa arena.
Outros tempos II/ O Dia Mundial de Jerusalém é comemorado nos territórios palestinos com queima de bandeiras dos Estados Unidos e de Israel. Informados da sessão, deputados evangélicos e do PSL, ligados a Israel, entraram no circuito e criaram um alvoroço nos bastidores.
Outros tempos III/ Os pesselistas telefonaram, primeiro para o deputado Joaquim Passarinho (PSD-PA), e pediram que ele conversassse com o seu colega de partido e o convencesse a desistir da sessão. Roman fincou o pé. Foi aí que apelaram a Maia, e a sessão terminou cancelada.
Outros tempos IV/ Em 14 de junho de 2018, o mesmo Evandro Roman presidiu uma sessão idêntica sem estresse por parte dos deputados simpáticos a Israel. Agora, os bolsonaristas planejavam cerrar fileiras para protestar no plenário neste 12 de junho. No ano passado, o presidente Rodrigo Maia enviou, inclusive, um discurso pregando a paz e o diálogo. Desta vez, não teve conversa. O presidente não quer só pregar a paz. Quer paz na Casa.
Ética em segundo plano/ Até aqui, nada do Conselho de Ética do Senado.
Colaborou Rodolfo Costa
A frase acima foi dita por um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) há muito mais de um ano. Reservadamente, ele comentava comigo numa conversa informal, em off, que os métodos da força-tarefa da Lava Jato e a possível parceria entre o então juiz Sérgio Moro e o Ministério Público poderiam colocar a perder um trabalho necessário e importante, que apeou uma quadrilha da Petrobras e colocou muitos ladrões de dinheiro público na cadeia. A avaliação desse e de outros ministros era a de que a força-tarefa, para cumprir esse trabalho, por várias vezes forçou a mão. Agora, os diálogos divulgados nas redes sociais pelo The Intercept indicam que o juiz Sérgio Moro aconselhou uma das partes do processo. O Código de Processo Penal em seu artigo 254 é claro. Diz o caput: “O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes” E o inciso IV: “Se tiver aconselhado qualquer das partes”.
Até aqui, tanto a nota do Ministério Público do Paraná quanto a do ministro da Justiça, Sérgio Moro (ambas disponíveis no site do Correio), não desmentem o conteúdo dos diálogos, que agora passarão por uma investigação, para verificar a sua autenticidade. O vazamento é grave por si, como todos os outros feitos ao longo da Lava Jato e que foram igualmente noticiados. E o conteúdo terá desdobramentos. Petistas já falam em pedido de CPI. Os partidos vão convocar Moro a dar explicações. E não estarão sozinhos.
Os parlamentares de partido de centro que ainda têm contas a acertar com a Justiça por causa da força-tarefa da Lava Jato prometem dar um empurrãozinho nos pedidos da oposição. Não perdoam o ex-juiz. O receio de alguns deputados que acompanham á distância e não são investigados é que os enroscados entrem nesse jogo e peçam a cabeça do ministro em troca de votos para aprova a Previdência. O presidente Jair Bolsonaro até agora, já passa das 22h40, não se pronunciou. Os deputados dos partidos de centro também não. A noite desses parlamentares será dedicada a pensar estratégias. Alguns desses centristas já disseram a colegas congressistas que vão procurar descobrir se há como ajudar o PT a emparedar Moro sem aparecer. Pelo menos, por enquanto, essa é a disposição. Alguns bandidos, certamente, vão aproveitar a situação para posar de heróis.
CPI investigará impulsionamentos para destruir reputações de políticos
Coluna Brasília-DF
Enquanto os líderes do governo cuidam de criar um ambiente favorável à aprovação do crédito suplementar de R$ 248 bilhões ao Orçamento da União, as cúpulas da Câmara e do Senado se dedicam aos preparativos para instalar rapidamente a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Cyberbullying. Desta vez, diferentemente de CPI dos Crimes Cibernéticos de 2015/2016, a Comissão vai mirar nos impulsionamentos e nos grupos montados especificamente para destruir reputações de adversários políticos. Depois de uma campanha eleitoral marcada por mensagens falsas transmitidas, especialmente, via grupos de WhatsApp, material não falta para aumentar a temperatura política.
E, como se sabe, a maioria das CPIs dá trabalho para governo, seja qual for. Por isso, já tem gente preocupada. Embora o Executivo ainda não tenha calculado o grau de instabilidade e o ponto de ebulição, a hora é de ficar de olho, a fim de influir na escolha dos comandantes do colegiado. Só tem um probleminha aí: os partidos de centro não descartam indicar alguém da oposição para essa tarefa.
Feirão das subs
A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de permitir a venda de subsidiárias de estatais sem precisar de autorização legislativa foi comemorada pela equipe econômica. A aposta é de que vai se acelerar a venda de participação de empresas penduradas na Petrobras. Hoje, são mais de 20.
Marca
A pressa dos congressistas para aprovar o pacote de mudanças no marco regulatório da mineração assustou o governo. A votação foi adiada, e não há prazo fechado para deliberação. Tudo o que os defensores dos projetos desejam é que eles vão a voto. “É simples: quem estiver contra que vote e deixe claro que está a favor das mineradoras”, comentou o deputado Júlio Delgado (PSB-MG).
É por ali
O fato de o governador da Bahia, Rui Costa (PT), ter se recusado a assinar a carta pedindo para incluir os estados na reforma previdenciária tem um jogo político: se diferenciar do partido do prefeito de Salvador, ACM Neto, que defende a reforma.
“Vamos votar o que for importante para o país, mas não seremos subservientes ao ponto de fazer tudo o que o governo manda”
Do líder do PL, Wellington Roberto, que, na próxima semana, se dedicará a buscar votos para o projeto do partido de reforma da Previdência
FHC no TCU/ A série de diálogos dos servidores do Tribunal de Contas da União recebeu esta semana o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Democrata até o último fio de cabelo, o ex-presidente considera que a sociedade está participando mais da vida do país e isso é positivo. Muitos saíram de lá com a sensação de que há luz no fim do túnel.
Amigos, amigos…/ … partidos à parte. O senador Reguffe (DF), que continua sem partido, aproveitou o dia da votação dos vetos para conversar com o deputado Marcelo Freixo (PSol-RJ). Reguffe, porém, jura que não tem qualquer relação com seu futuro político. Discutiam as pautas das duas Casas. Ahã.
Vai mudar/ Pelo jeitão dos discursos dos parlamentares, o projeto de lei que muda parte do Código Nacional de Trânsito será alterado. Ontem, foi a vez do deputado Alexandre Frota (PSL-SP) usar a tribuna para dizer que discorda do fim do exame toxicológico. “Tinha que ser a cada três meses”, afirmou.
Olho na cor/ Os deputados não perdem uma. Mal saiu a notícia sobre o interesse da ministra Damares Alves em se casar novamente, eles brincavam com os colegas: “Se quiser ir lá, nada de camisa rosa!”.
Governo aprovará crédito suplementar desde que o vincule à saúde e à educação
Coluna Brasília-DF
O cálculo dos parlamentares é de que o governo, apesar dos problemas de articulação política, conseguirá aprovar o crédito suplementar de R$ 248 bilhões no último minuto, desde que amarre a dotação a programas sociais, em especial, saúde e educação. Se não for assim, não vai. Afinal, ninguém quer ser responsável por deixar os programas sociais à míngua.
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Enquanto a líder do governo, Joice Hasselmann (PSL-SP), dizia na tribuna que tinha acordo fechado com os líderes partidários para votação dos vetos, esses mesmos líderes afirmavam ao fundo do plenário que não haviam feito qualquer acerto para apreciar os vetos. “Eu não fechei acordo nenhum, votamos conforme definido ontem em reunião de bancada”, disse à coluna o líder do DEM, Elmar Nascimento. “Acordo, que acordo?”, perguntava-se o líder do PL, Wellington Roberto. Outros partidos seguiram na mesma linha. Para completar, o PSL distribuiu uma cédula diferente daquela apresentada pela líder do governo. Nos bastidores, os deputados se perguntavam: se está assim agora, imagine quando chegar a reforma da Previdência.
Derrota de Raquel
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, não conseguiu emplacar a lista tríplice dos seus sonhos para o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Ela torcia por Denise Abade, Caroline da Mata e Darlan Dias. O mais votado foi Sílvio Roberto Amorim Júnior, com 723 votos. Darlan ficou em segundo, com 384, seguido por André Libonati, 336. Sílvio ficou com 82,07% dos votos válidos.
Modo de fazer
Quem acompanha o dia a dia da política não se esquece. Em abril, dias depois de Hildo Rocha (MDB-MA) ser nomeado relator do crédito adicional de R$ 248 bilhões, o governo exonerou Marco Antônio Toccolini do cargo de secretário especial de Saúde Indígena. Era indicado justamente pelo relator do texto mais importante hoje para o Poder Executivo.
Enquanto isso, no Senado…
Os senadores estão em busca de uma pauta que possa dar protagonismo à Casa. Até aqui, não encontraram. A lei do saneamento, que estará em pauta hoje, ainda não é vista como aquela proposta para dar visibilidade à Casa.
O que vem por aí
Com a emenda constitucional do Orçamento Impositivo prestes a ser sancionada, o governo perde mais força na hora de dizer que obras devem ser prioridade no país. É o Congresso respondendo ao desgaste que o Poder Executivo tentou impor aos parlamentares desde o início do governo.
CURTIDAS
Físico, dez/ O senador Major Olímpio (PSL-SP) mostrou que, pelo menos, está com um bom condicionamento físico. Assim que se deu conta da manutenção do veto da equiparação dos agentes penitenciários com trabalho policial, ele correu ao plenário, furioso.
Experiência política…/ …Faltou. Quem está acostumado a análise de vetos, avisa: essa história de votação em cédula deve ser acompanhada bem de perto. Não houve, até hoje, um governo ou parlamentar que não tivesse sido pego de surpresa com o resultado dessas votações em bloco.
Conta comigo/ Ao levar o projeto da nova carteira de motorista ao Congresso, o presidente Jair Bolsonaro ganhou a simpatia de taxistas e caminhoneiros. São duas categorias que vão para as ruas defendê-lo, se forem chamados.
Já a Sociedade Brasileira de Pediatria…/ A questão da cadeira apropriada para levar as crianças foi considerada o maior tropeço. Está forte a pressão para que o presidente volte atrás “nisso daí” até dentro do PSL.









