Autor: Denise Rothenburg
Coluna Brasília-DF
O governo do presidente Jair Bolsonaro já sondou alguns parlamentares para o lugar do líder na Câmara, deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO). Porém, até agora, não conseguiu definir um nome para substituí-lo. Até quem sonhava em liderar a bancada governista teme ser desautorizado logo ali na frente, diante do vaivém das decisões do Poder Executivo. Alguns deputados cogitados comentavam ontem, em conversas reservadas, que o maior receio é buscar um acordo, o governo aceitar e, na hora de uma votação, os deputados ligados ao governo recuarem por pressão das redes sociais. Nesse ritmo, dizem alguns, se Bolsonaro conseguir alguém para o lugar de Vitor Hugo será a troca de seis por meia dúzia.
Briga adiada
A pedido do ministro da Economia, Paulo Guedes, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas não levou ao plenário da Corte seu voto a respeito do bônus de eficiência pago a auditores e técnicos da Receita Federal. Guedes solicitou um tempo para apresentar alguns dados ao TCU e Dantas concedeu.
É bom se preparar
Até aqui, dizem técnicos do Tribunal, o voto do ministro é implacável. Dá 30 dias para o governo tomar uma decisão dentro do seguinte cardápio: ou corta uma despesa correspondente para pagar esse bônus ou aumenta imposto ou… suspende o pagamento desse plus aos servidores, que representa quase R$ 1 bilhão por ano.
A lupa do Meio Ambiente I
Entre os 103 contratos do Meio Ambiente em análise por técnicos do próprio ministério e da Controladoria-Geral da União (CGU) chama a atenção um para atender “quebradeiras de coco de babaçu”. Dos quase R$ 10 milhões, apenas R$ 2 milhões foram para a atividade-fim.
A lupa do Meio Ambiente II
O grosso dos recursos do contrato das quebradeiras de coco se perdeu em custos administrativos. Para completar, uma das instituições elencadas para receber esses valores está inscrita no Cepim (Cadastro de Entidades Privadas sem Fins Lucrativos Impedidas). Ou seja, não poderia receber um tostão.
Mistura explosiva
O governo tem que criar alguns fatos positivos e tentar sair da barafunda das notícias ruins. A avaliação geral é de que a manifestação dos estudantes, ontem, foi mais expressiva do que o esperado pelo Planalto. Isso, somado ao ato dos caminhoneiros no próximo domingo e à greve geral daqui a um mês, dá motivos de sobra para preocupação. Tudo deve ser acompanhado de perto, para evitar que o governo se desgaste ainda mais.
“Se o presidente não comanda e não é seguido (pelos ministros), fica difícil partir para projetos maiores”
Do líder do Cidadania, Daniel Coelho (PE), ao confrontar o ministro Abraham Weintraub sobre o descontingenciamento dos recursos do Ministério da Educação, prometidos pelo presidente Jair Bolsonaro
Enquanto isso, no mercado financeiro…/ Analistas dos maiores bancos de investimentos do país começam a chamar o presidente Jair Bolsonaro de “Dilmo”. Se a economia não se recuperar, o apelido vai se espalhar por outros setores.
Por falar em apelidos…/ O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, ganhou um, depois do episódio a respeito dos cortes/contingenciamento dos recursos da educação: grão-vizir, a mais alta autoridade depois do sultão. Tudo porque o ministro bateu o pé e os recursos da educação continuam contingenciados.
Papel passado/ A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou o projeto do senador Reguffe que fixa votação aberta para eleição da Mesa Diretora da Casa e também cassação de mandato. Agora, só falta o plenário.
Menos uma semana/ A Casa terminou perdendo mais um prazo para votar medidas provisórias. Culpa do líder do PSL, delegado Waldir, que prometeu uma aula de Weintraub no plenário da Câmara.
Parlamentares que estiveram hoje com o presidente Jair Bolsonaro chegaram ao Congresso comemorando. O presidente, antes de embarcar para Dallas, teria conversado com o ministro da Educação, Abraham Weintraub, e determinado que refizesse as contas a respeito dos cortes nos orçamentos das universidades. “Minha decisão é não cortar”, disse Bolsonaro a líderes aliados que estiveram ontem no Planalto. A notícia logo se espalhou no plenário. Porém, não havia sido divulgada oficialmente até o início da noite e a Casa Civil correu para desmentir. Entre os líderes, ficou a dúvida: Ou o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse ao presidente que não dava para recuar e dar a vitória à esquerda, ou o governo deixará esse anúncio para Weintraub fazer em sua exposição na Câmara, transformando o ato de protesto dos estudantes convocado para hoje numa grande festa de agradecimento ao presidente por rever os cortes. De quebra, um recuo dá ainda ao PSL o discurso de que tem um chefe do Poder Executivo sensível aos anseios da sociedade em termos de educação, não apenas no quesito armamentos.
A notícia de revisão nos cortes, se confirmada, leva o governo a dar um nó em dois adversários: Os partidos de esquerda, que perdem o discurso de ressurgimento do movimento de rua contra o governo e, de quebra, tira de cena o motivo que levou à convocação do ministro Weintraub ao plenário da Câmara, por um placar de 307 votos a 82. Se Weintraub chegar ao plenário hoje falando que não haverá mai cortes, será agraciado.
A avaliação política feita por aliados do presidente é a de que as primeira informações do governo a respeito das instituições federais de ensino superior mereceram aplausos, uma vez que não falavam em cortes e sim em cobrança de excelência no ensino e na produtividade tanto dos alunos quanto das pesquisas. Algo que ninguém em sã consciência iria para as ruas protestar. Os cortes, entretanto, não são recebidos da mesma forma. Afinal, não é possível cortar e ao mesmo tempo cobrar excelência. Quanto aos oposicionistas, dizem alguns, poderiam até mesmo usar o discurso de que a convocação dos atos de protesto e do ministro levaram o presidente a refazer a conta. Bolsonaro, pro sua vez, dirá que tomou essa decisão em defesa do ensino de qualidade e do poder de cobrar excelência das universidades públicas. Aí, é do jogo. O eleitor e o contribuinte que tirem as suas conclusões.
Coluna Brasília-DF
A entrevista de Lula à BBC deu ao mundo político a sensação de que o PT riscará a ex-presidente Dilma Rousseff do seu mapa. Primeiro, Lula disse que uma pessoa “cheia de autoafirmação como Dilma, na hora que o carro começa a derrapar, nem sempre tem a tranquilidade de olhar, vamos parar, vamos ouvir”.
Tchau, querida
O ex-presidente, que continua preso, foi além ao, nas entrelinhas, criticar aquela que escolheu para lhe suceder: “Lamento não ter sido mais incisivo com Dilma para fazer algumas coisas”. Para alguns líderes petistas que acompanharam a fala do presidente em busca de orientações, o recado está dado.
Discurso para 2020
A entrevista de Lula deu ainda um norte ao PT: com o atual governo patinando na economia e o desemprego aumentando, é hora de o partido começar a colocar no ar os dados do governo Lula. Quanto à Dilma, a ordem é bater na tecla que deu errado por causa do estilo dela e da vontade do MDB de lhe inviabilizar a administração para ficar com o Planalto.
Engrenagens que uniram segmento em nome de Bolsonaro começam a desgastar
Coluna Brasília-DF
O meio político começa a notar um certo desgaste nas engrenagens que uniram vários segmentos a Jair Bolsonaro para evitar a vitória do PT. Os militares estão em rota de colisão com o grupo olavista. O mercado já começa a baixar as projeções de crescimento e, de quebra, as esperanças de que o governo do presidente Bolsonaro se transforme na oitava maravilha do mundo moderno. Para completar, as derrotas do ministro Sérgio Moro, sem que o Planalto tivesse atuado fortemente até o último minuto para evitá-las e as suspeitas sobre os funcionários dos filhos do presidente também terminam por afastar o segmento mais alinhado com o ex-juiz.
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No geral, chega-se ao seguinte raciocínio: com o governo prestes a completar seis meses e com um ano eleitoral logo ali, ou Bolsonaro começa a fazer gestos de apreço a esses segmentos, ajustando o foco na economia e no combate à corrupção, ou correrá o risco de terminar 2019 restrito ao seu público mais fiel, ou seja, ao apoio que detinha antes de se consolidar como o candidato mais capaz de derrotar o PT. Aí, sim, o presidente terá um problema.
Risco total
O PSL paulista não gostou de ouvir o presidente dizer que vai levar a F1 para o Rio de Janeiro. No partido, hoje comandado por Eduardo Bolsonaro, passou a ideia de que a declaração representará um sinal de perigo para as pretensões da legenda em São Paulo.
O jeitão da comissão
A maioria dos integrantes da comissão especial da reforma da Previdência é sensível a uma regra de transição para as mudanças nas aposentadorias do setor público. O problema é definir o tamanho dessa transição.
CURTIDAS
Se falar deles…/ Os emedebistas mais ligados a Michel Temer não aceitarão mais provocações da turma do PSL. Quem vier cobrar qualquer coisa a respeito do ex-presidente, a ordem é, além de mencionar os laranjas, puxar um “Cadê o Queiroz?”, numa referência ao ex-assessor de Flávio Bolsonaro que não consegue apresentar uma explicação convincente para a sua movimentação financeira.
Marcação tuíte a tuíte/ Bastou a hastag LulanaBBC aparecer nos trend topics brasileiros para que o presidente Jair Bolsonaro colocasse o vídeo em que aparece com as crianças no Planalto, ensinando-as a respeitar pai e mãe.
Por falar em respeito…/ O ex-senador Chiquinho Escórcio, do alto de quem já trabalhou com quatro ex-presidentes da República como assessor especial, parte em defesa do ex-comandante do Exército, general Villas Bôas: “Ele é um homem que, ao longo de sua carreira, demonstra ser um democrata. Respeitem uma pessoa que tem alta capacidade técnica e democrática”.
Coluna Brasília-DF
O PSL de Jair Bolsonaro e o conjunto de deputados que chegaram ao Congresso via internet escolheram as hastags #CoafcomMoro e #CorruptotemmedodoCoaf para medir o grau de influência das suas redes sociais e seu poder de mobilização para mudar um texto na Câmara. Desde que o resultado foi divulgado no painel de votação, os parlamentares estão com força total no Twitter, no Facebook, no Instagram e no WhatsApp pedindo aos seguidores e amigos que pressionem os deputados a fim de reverter o texto aprovado na Comissão da Medida Provisória 870, que devolveu o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) ao Ministério da Economia. Até o dia da votação, a ordem é expor todos os que votaram contra como aqueles que têm medo do ministro da Justiça, Sérgio Moro.
Detalhe importante: o vereador Carlos Bolsonaro entrou na mobilização expondo o DEM, um dos partidos que votou a favor da volta do Coaf para a Economia. Desdobramentos virão.
Só tem um probleminha: para o governo, o importante é que o Coaf funcione e que suas apurações tenham desdobramentos, independentemente de onde esteja alojado.
É isso que o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, tentou explicar ao PSL e ao Partido Novo, sem sucesso.
Ele não I
A repercussão sobre a volta do Coaf ao Ministério da Economia fez o governo balançar em relação à proposta de nomear Alexandre Baldy ministro das Cidades. O ex-deputado já foi sondado, tudo é dado como certo, mas, dentro do Planalto e entre os políticos, há o receio de que a derrota do ministro Sérgio Moro sirva de desculpa para o presidente escolher outro nome. Há quem diga, inclusive, que esse pode ser o “tsunami” ao qual o presidente se referiu: não abrir o governo para indicações de ministros por partidos políticos.
Ele não II
O PSL vai tentar pressionar o Planalto a escolher um nome que não seja ligado diretamente aos parlamentares. Baldy é do PP, mas é mais próximo de Rodrigo Maia. Ou seja, internamente, é visto como mais um nome do DEM no governo.
Supervitória do governo
Enquanto o mundo da política ficou de olho na derrota de Sérgio Moro na MP 870, o governo comemorava a aprovação da MP 871. A medida é para o combate às fraudes do INSS e tira dos sindicatos o poder de declaração dos trabalhadores rurais.
“Quem não deve, não Temer”
Do deputado Júlio Delgado (PSB-MG) que votará com o PSL para manter o Coaf sob o guarda-chuva da Justiça
Fica Bolsonaro I/ A AgroBrasília, de 14 a 18 de maio, reunirá 70 entidades do agronegócio do Centro-Oeste. Com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, na Ásia, os produtores estão torcendo para que o presidente Jair Bolsonaro troque a agenda de dois dias em Dallas pela presença no coração do cerrado.
Fica Bolsonaro II/ Todos querem que ele veja de perto onde está a perspectiva de recuperação econômica. Em conversas reservadas, os produtores brincam: “Essa história de personalidade do ano passa e não gera empregos, os resultados econômicos ficam”.
Por falar em Estados Unidos…/ Os presidentes do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, e da Câmara, Rodrigo Maia, passam esses dias em Nova York. Foram no mesmo voo. Nas conversas, o decreto que ampliou o porte de armas, que o parecer do Legislativo considerou inconstitucional.
Se continuar assim…/ Eduardo Bolsonaro e Alexandre Frota irão às vias de fato na Câmara. Ontem, Frota ironizou a presença de Datena, possível candidato a prefeito, numa reunião do partido. Eduardo rebateu dizendo que Frota se elegeu na carona de Bolsonaro e só fala mal da direita.
Coluna Brasília-DF
Num cenário em que o governo não tem maioria fixa na Câmara, quem ocupa espaço é o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Ele está se organizando para, já na próxima semana, aprovar a admissibilidade da reforma tributária na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), e com um detalhe: sem chamar antes o ministro da Economia, Paulo Guedes. A diferença de velocidade entre a votação das duas reformas — a da Previdência e a tributária — deixará claro que, quando o tema é redistribuir a carga tributária e simplificar os impostos, o projeto será da lavra do Parlamento. A Previdência, e os sacrifícios exigidos da população nessa seara, são obra do governo.
Em tempo: O fato de os congressistas se organizarem em torno de uma reforma tributária diferente da que deseja o governo não significa que Paulo Guedes não poderá opinar. Se o governo quiser mudanças na proposta, poderá perfeitamente apresentar emendas por intermédio dos deputados governistas.
Quem ganha I
A forma como o deputado Diego Garcia (Podemos) pediu a não votação da reforma administrativa no plenário da Câmara ontem serviu como uma luva para que os partidos do bloco de centro mantenham o governo sob tensão. Como o tempo é curto, se o Centrão não entrar em campo para correr com as demais medidas provisórias, a reforma administrativa cuja MP perde a validade em 3 de junho fica sob risco.
Quem ganha II
Agora, ou o presidente dialoga de verdade, tentando formar uma maioria, ou corre o risco de ter que voltar aos 29 ministérios do governo Michel Temer, ou talvez aos 39 da presidente Dilma Rousseff. Esse diálogo, dizem alguns, inclui a nomeação de Alexandre Baldy para ministro das Cidades.
Quem perde
Até aqui, o maior perdedor da reforma administrativa foi o ministro da Justiça, Sérgio Moro, que procurou pessoalmente os deputados para manter o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sob a sua alçada, e não foi atendido. A ordem dos políticos foi mostrar ao ex-juiz que ele não pode tudo.
Nem tanto
A intenção do ministro da Economia, Paulo Guedes, de manter no Coaf a mesma equipe designada por Moro indica que o ministro da Justiça continuará mandando muito por ali.
Enquanto isso, na Comissão Mista de Orçamento…
O adiamento da audiência do ministro da Economia, Paulo Guedes, atrasará mais alguns dias a análise do crédito suplementar de R$ 248 bilhões. É mais confusão à frente para um governo que precisa de ajustes político e fiscal.
Em causa própria/ Ao validar o decreto do presidente Michel Temer que permitiu reduzir penas de condenados por crimes de corrupção, peculato, tráfico de influência, o Supremo Tribunal Federal dá uma ajudinha ao próprio autor da proposta.
E dos amigos/ Além de Temer, estão nesse barco o ex-presidente Lula, Eduardo Cunha, e o ex-ministro Geddel Vieira Lima.
Vão-se os anéis…/ A pedido do líder do PP, Arthur Lira, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (foto), ligou para os deputados do Novo e do PSL pedindo que ajudassem a aprovar o texto da reforma administrativa que saiu da comissão especial, ou seja, com o Coaf na Economia. Ninguém contava, entretanto, com a obstrução do Podemos.
… e até os dedos/ A preocupação agora será tentar salvar a reforma. Se tivesse votado, todos, menos Sérgio Moro, estariam comemorando, oposição, Centrão e governo. Agora, a tensão ficou toda nas costas do governo, que vai seguindo aos trancos e barrancos.
O governo pode até recriar o Ministério das Cidades para tentar atender o PP e o PR, mas o que o Centrão quer mesmo é deixar o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) longe do ministro da Justiça, Sérgio Moro. Os políticos fazem o seguinte raciocínio: Coaf nas mãos do Ministério da Economia, o que acontece, em caso de movimentação incompatível, é chamar o sujeito para pagar a multa por não declaração de renda. No caso de Moro, será abertura de inquérito na Polícia Federal e, consequentemente, desgaste. Ninguém vai colocar nas mãos do ministro da Justiça esse instrumento capaz de criar uma Lava-Jato.
O segundo argumento que levou a um acordo entre o Centrão e os oposicionistas para deixar o Coaf longe de Sérgio Moro foi a perspectiva de o ministro virar candidato a presidente da República. Seria o único concorrente detentor de informações sobre movimentação financeira de todas as excelências. É poder demais para um implacável juiz. Diante desses dois argumentos, dizem os integrantes do PR, perto do Coaf, a criação do Ministério das Cidades é “perfumaria”.
Assim, não!
Enquanto a oposição se joga no acordo com o Centrão para tirar o Coaf de Moro, o Cidadania (antigo PPS) pensa duas vezes antes de seguir por esse caminho. Não dá para ficar marcado pelo discurso de que devolveu o Coaf à Economia porque tem medo do ex-juiz.
2013 em 2019
O PT acompanha as manifestações dos estudantes contra o corte de recursos das universidades com o mesmo entusiasmo que o presidente Jair Bolsonaro se juntou aos atos de 2013 contra o governo da presidente Dilma Rousseff. O estopim, naquela época, foi o aumento das passagens de ônibus em São Paulo.
Questão semântica
Ao recriar o Ministério das Cidades, o governo terá de pensar cinco vezes antes de aceitar uma indicação explícita do Centrão. Tudo para não passar a ideia de que se rendeu ao toma lá, dá cá. Vai ser assim: o presidente “indica” e os partidos “aceitam”. Antes da indicação e da aceitação, entretanto, todo mundo conversa, tá ok?
“Bem-estar animal”
O Supremo Tribunal Federal (STF) volta a analisar hoje ação sobre a prática de esportes equestres e da vaquejada. A Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM), que investe R$ 600 milhões por ano no bem-estar animal, acompanhará de perto e confiante. Alega que a prática está garantida por emenda constitucional aprovada no Congresso Nacional e que cumpre à risca as exigências do Manual de Boas Práticas para o Bem-Estar Animal em Competições Equestres, criado pelo Ministério da Agricultura.
Apelido/ Os tuítes de Olavo de Carvalho lhe renderam uma nova alcunha por parte dos deputados: “É o pornofilósofo”, afirmou o deputado Rubens Bueno, do Cidadania-PR: “Só xinga e agride”.
Vai, Traub!!!/ É assim que os senadores se referem ao ministro da Educação, Abraham Weintraub. Numa conversa ouvida no plenário, o presidente da Comissão de Economia do Senado, Omar Aziz, reclamava: “Tá difícil ajudar o governo, viu?”. Eis que um quis saber por que, e Aziz respondeu: “Eles acabaram de recriar a UNE!!!”
Pensando bem…/ Os estudantes estavam totalmente sem bandeira, com o fato de o governo cobrar notas e eficiência. Agora, com o corte de recursos, o prato está cheio.
É hoje!/ No encontro dos governadores com o presidente Jair Bolsonaro, espera-se uma conversa a dois entre o comandante do país e o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB).
CB.PODER/ A deputada Carla Zambelli (PSL-SP) é a entrevistada de hoje, às 13h20, ao vivo, na TV Brasília e nas redes sociais do Correio Braziliense.
Coluna Brasília-DF
Se o governo não correr, o presidente Jair Bolsonaro terá um verdadeiro problema a partir de julho, muito distante do mi-mi-mi de Carlos Bolsonaro, Olavo de Carvalho e quem mais chegar: ou “pedala” (gasta sem cobertura) ou deixa de honrar contas importantes, como parte dos gastos com o Benefício de Prestação Continuada. A resolução dessa encrenca está no Projeto de Crédito Suplementar (PLN) nº 4/2019, de R$ 248 bilhões. O PLN ganhou um relator há 15 dias, ainda tem que passar pela Comissão Mista de Orçamento (CMO) e, se aprovado, vai entrar na fila da pauta das sessões conjuntas do Congresso Nacional, que estão abarrotadas de trabalho. São 211 vetos, distribuídos em 23 leis, das quais 19 (que somam 195 vetos), têm prioridade de votação.
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A confusão não para aí: o deputado Hildo Rocha (MDB-MA), relator da proposta, vai convocar hoje técnicos do Banco Central (BC) e da Economia para cobrar explicações. Quer saber por que a opção de emitir títulos para pagar despesas correntes, quebrando a chamada “regra de ouro”, que impede essas emissões para despesas dessa natureza. Só de juros com essa emissão o país pagará, no ano que vem, R$ 25 bilhões, quase o que tem no Orçamento deste ano para investimentos. Se esse crédito não for resolvido até julho, Olavo vira “fichinha”.
Tudo isso, não!
Técnicos do Ministério da Economia já fizeram chegar ao Congresso que o governo não precisa de todos os R$ 248 bilhões incluídos no crédito suplementar do PLN 4/2019. Bastam R$ 110 bilhões. Por isso, Hildo Rocha vai pedir a audiência pública com a Economia, o Banco Central e especialistas das universidades públicas. Quer saber como foi feito o cálculo.
Farinha pouca…
Tem gente pensando em sugerir o cancelamento dos restos a pagar para cobrir essas despesas e não precisar emitir títulos. Só tem um probleminha: parte dos R$ 155 bilhões dos restos a pagar são de emendas de deputados e senadores e de bancada.
Entrou porque precisou
A nota do general Eduardo Villas Bôas chamando Olavo de Carvalho de “Trotski de direita” foi vista como um sinal de que a conversa entre o presidente Jair Bolsonaro e o general Santos Cruz na noite de domingo não foi um momento relax. E quem chega ao Planalto dizendo que Santos Cruz não sai porque é muito ligado ao presidente ouve o seguinte: “O ex-ministro Gustavo Bebbiano também era”.
Letícia saiu, mas ficou
Na pressa em demitir a diretora de Negócios da Agência Brasileira de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Letícia Catelani (foto), o contra-almirante Sérgio Ricardo Segovia Barbosa se esqueceu de um detalhe: conforme o artigo 16, §4, do estatuto da Apex, o afastamento de diretores só pode ser feito pelo Conselho Deliberativo. Embora o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, tenha dito que devolveu o poder da Apex ao novo presidente, o estatuto fala mais alto. É o mesmo caso do diretor Márcio Coimbra, que pediu demissão há 15 dias e aguarda a formalização do ato pelo Conselho Deliberativo. Segovia pode muito, mas não pode tudo.
E o prazo, ó/ Depois de uma semana de feriadão, os congressistas não conseguiram realizar uma sessão da Câmara para contar o prazo da reforma da Previdência. E olha que o PT nem obstruiu. A falha é do governo mesmo.
Agro é oásis/ Até aqui, os palacianos têm dito que as melhores notícias para a economia vêm do agronegócio, setor que comemora por esses dias a exportação de carne de frango para a Índia.
Se tirar, depois aguenta/ A permanência do Coaf sob o guarda-chuva da Justiça é visto hoje como um ponto de honra para o ministro Sérgio Moro. E se voltar para o Ministério da Economia, há quem esteja se preparando para dizer que foi “coisa de gente enrolada” na Lava-Jato.
Debate/ Hoje de manhã tem palestra no Correio sobre Liberdade de Imprensa e Fake News, com a professora Jane E. Kirtley. Ela dirigiu o comitê de jornalistas para a Liberdade de Imprensa por 14 anos. Atualmente, dá aulas de ética, mídia e direito na Escola Hubbard de jornalismo e comunicação de massa da Universidade de Minnesota.
A nota divulgada no Twitter pelo ex-comandante do Exército general Eduardo Villas Bôas, hoje assessor especial no Gabinete de Segurança Institucional (GSI), foi vista no meio político como um sinal de que a conversa do ministro da Secretaria de Governo, general Santos Cruz, com o presidente Jair Bolsonaro não foi das melhores e que a paciência dos militares está chegando ao limite com o escritor Olavo de Carvalho, por tabela, a defesa que o presidente, que não se cansa de elogiar e até condecorar o escritor. A gota d’água da fala de Villas Bôas foram os tuítes do fim de semana. Num deles, Olavo se referiu a Santos Cruz como “uma bosta engomada”. Hoje, porém, o escritor disse que tudo começou com um elogio que ele fez ao general e que a resposta foi um xingamento.
Embora pareça tipo briga de criança, do tipo “seu bobo”, “seu feio”, não é nesse pé que as coisas estão. Os militares estão realmente cansados dos ataques de Olavo. Desde março, quando Bolsonaro foi aos Estados Unidos, que a coisa vem num crescente. Bolsonaro nem havia desembarcado em Washington, e Olavo já dizia que o presidente estava “cercado por um bando de milico cagão”. De lá para cá, só piorou. Ao lado de Paulo Guedes hoje mais cedo, o presidente se limitou a dizer que não há ala de militares e de olavistas em seu governo. “É um time só”.
Falta combinar então, para que parem de fazer gol contra.
Em busca de prestígio, frentes parlamentares se multiplicam no Congresso
Coluna Brasília-DF
A nomeação de ministros pelas chamadas bancadas temáticas do agro e da saúde fez chover frentes parlamentares no Congresso. Em quatro meses de funcionamento desta Legislatura, foram criadas 127, sendo que há muitas sobre o mesmo tema, mudando apenas a orientação do coordenador, um da oposição, outro da situação. Agricultura familiar, por exemplo, tem duas: uma comandada por Heitor Schuch (PSB-RS), outra por Marreca Filho (Patri-MA). Até os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) têm duas frentes parlamentares, uma capitaneada por Perpétua Almeida (PCdoB-AC), que já presidiu a comissão de relações exteriores da Câmara, e outra pelo deputado Fausto Pinato.
E não para por aí. Na área de saúde, têm frentes de todos os tipos. Sobre Infraestrutura, também tem várias. Uma de logística e infraestrutura, presidida pelo deputado Hugo Leal, e outra exclusiva para a indústria marítima, da professora Dayane. Do jeito que vai, daqui a pouco, o Congresso terá 500 frentes, todas sonhando em ter o mesmo prestígio e organização da poderosa FPA, a Frente Parlamentar de Agricultura, que reúne maior número de deputados e senadores. Sua última presidente, Tereza Cristina, virou ministra da Agricultura.
Decolar.com
O deputado Damião Feliciano (PDT-PB) preside duas frentes parlamentares. Uma Brasil-Tailândia e outra Brasil-Singapura, criadas em 12 de março, conforme os registros da Câmara. Ambas tiveram apenas cinco parlamentares em sua primeira reunião, no gabinete de Feliciano. Em comum, nas duas, a presença do presidente da Frente Parlamentar de Defesa de turismo, deputado Herculano Passos, e do senador Weverton Rocha.
Corrida pelos animais…
Ricardo Izar (PP-SP) e Fred Costa (Patri-MG) fundaram, cada um, uma Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Animais. Fred chegou a registrar uma ata de reunião de fundação da sua frente em 1º de fevereiro, quando a Câmara estava dedicada a eleger os membros da Mesa Diretora.
…. Deu empate
O desperdício de papel e de tempo dos servidores da Casa é grande. Os dois pedidos de registro das frentes em defesa dos Direitos dos Animais foram remetidos em 4 de fevereiro. E despachados pela Mesa Diretora em 11 de fevereiro. A Casa não veta a formação de frentes.
Enquanto isso, nas discussões dos projetos…
Integrante do time de advogados de Wesley e Joesley Batista, o criminalista André Callegari vai propor aos deputados e senadores que a nova legislação estabeleça os requisitos mínimos para iniciar uma delação premiada. Ele defende ainda que a lei detalhe os casos em que pode haver rescisão do acordo, o que hoje não está claro. Como autor do livro recém lançado – “Colaboração premiada: lições práticas e teóricas”, ele falará sobre o tema nesta terça-feira, na Câmara dos Deputados.
Chega para mandar
Com a nomeação publicada no Diário Oficial, o almirante Sérgio Ricardo Segovia assume a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) com carta branca para demissões. A missão é organizar a casa e fazer com que a Apex pare de gastar energia e tempo em futricas.
CURTIDAS
PT em debate/ Embora com novos nomes, as tendências petistas não mudaram seus quadros, nem suas reuniões. Este mês, por exemplo, o grupo Avante, antigo Movimento PT, tem encontro marcado em Natal para começar a discutir como agirá na eleição do novo comando partidário, previsto para outubro.
Economia geral/ Quem for viajar com o presidente Jair Bolsonaro no “Aerojair” pelo Brasil é bom levar um lanchinho, da mesma forma que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, sempre faz em voos mais longos. Agora, só é servida água mineral.
Economia parcial/ Nos tempos de Dilma Rousseff, a única comida especial era a da presidente. Os demais passageiros recebiam um sanduíche frio.
Colaborou Bernardo Bittar









