Autor: Denise Rothenburg
Revogação de portaria do Exército a respeito do controle de armas preocupa militares
Coluna Brasília-DF
A decisão da procuradora regional, Raquel Branquinho, de pedir uma representação contra o presidente Jair Bolsonaro por revogar portarias do Exército a respeito do controle de armas, é considerada dentro do governo um ponto mais nevrálgico do que o inquérito do Supremo Tribunal Federal. No Palácio do Planalto, prevalece a ideia de que o presidente da República é o comandante em chefe das Forças Armadas e, portanto, o Exército tem que caminhar com ele.
Na Força, porém, tem muita gente torcendo para que a iniciativa de Branquinho tenha sucesso, para que, depois, não se venha dizer que o país e suas Forças Armadas permitiram o aumento do tráfico de armas e munição no país e o aumento do crime organizado. A preocupação é geral, especialmente, em tempos de manifestações em defesa da volta do AI-5 no QG da Força.
Os militares, até aqui, têm feito suas críticas internamente, ou por meio de notas oficiais. Agora, há movimentos para ver se o Exército recupera o controle de armas e munições. Afinal, quem prometeu na campanha legalidade e combate ao crime organizado não pode deixar, na suspensão de portarias, janelas abertas aos criminosos.
André Mendonça, o bom companheiro
O novo ministro da Justiça, André Mendonça, será poupado pela oposição, especialmente, pelo PT. Primeiro, ele começou a carreira como representante da Advocacia Geral da União, em Londrina (PR). Na época, a cidade era administrada por Nedson Micheletti, do PT; o ex-ministro Paulo Bernardo comandava a secretaria de Fazenda; e Gleisi Hoffmann atuava como secretária de Gestão Pública.
André Mendonça, o técnico
A proximidade e a capacidade técnica de Mendonça convenceram Dias Toffoli, nos tempos em que era comandante da AGU, a trazer o atual ministro da Justiça para Brasília. Discreto e competente, Mendonça foi seguindo sua carreira.
Enquanto isso, na PF…
Alexandre Ramagem começa no comando da Polícia Federal sob tiroteio dos oposicionistas e vigiado pelos próprios colegas. Os delegados, de uma forma geral, deram um voto de confiança por, pelo menos, três meses de “estágio probatório”. Foi o tempo que Fernando Segóvia durou na direção da PF, depois de indicado por Michel Temer e chegar com a pecha de ter a missão de proteger o presidente da República.
Entre Dilma e Temer
Em conversas reservadas, aliados do presidente Jair Bolsonaro já o alertaram que, diante da atual situação, ele terá que escolher se preferirá agir como o ex-presidente Michel Temer, que soube manter uma articulação política e garantir o mandato, ou repetir a presidente Dilma Rousseff, que brigou com meio mundo e acabou perdendo a faixa presidencial. O que não dá é para continuar sendo… o Bolsonaro que arruma confronto em todas as frentes.
Cadê os deputados?/ Até o presidente Jair Bolsonaro ontem cobrava quem são os deputados relacionados às fake news. Cansou de ver apenas Carlos Bolsonaro citado. Para alguns parlamentares, é sinal de que, se houver acusação a aliados do presidente, alguém da base bolsonarista terá que ficar com essa conta. E não será 02.
Teich e o isolamento I/ Ao falar em “agravamento da situação” da Covid-19 no Brasil, o ministro da Saúde, Nelson Teich, deixou a muitos palacianos a impressão de que não se afastará das recomendações técnicas, apesar de estar alinhado ao presidente Jair Bolsonaro.
Teich e o isolamento II/ Falta, porém, entregar ao país um projeto de volta ao trabalho, o que, diante do agravamento da situação, parece impossível. O país continua sem um plano nacional, e cada governador cuidando do seu estado.
Abin em festa/ Na Agência Brasileira de Inteligência, a escolha de Frank Márcio de Oliveira foi recebida com entusiasmo. Afinal, foi a primeira vez em que um concursado da Agência chegou ao comando. Ele é da área técnica e operacional, sempre esteve dentro da agência, é estudioso e conhecido por não criar problemas.
Bolsonaro restabelece laços com Guedes para tentar evitar impeachment
Coluna Brasília-DF
Depois de perder dois ministros populares, Jair Bolsonaro começa a semana restabelecendo o poder de comando do ministro da Economia, Paulo Guedes, como era no início do governo. Esse movimento vai muito além da tentativa óbvia de estancar a sangria de apoiadores entre empresários e mercado financeiro.
Ao manter o apoio desses setores, o presidente quer amortecer os movimentos contrários de congressistas e, por tabela, dificultar a instalação de uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as denúncias do ex-ministro da Justiça Sergio Moro.
Aliados do presidente estão convencidos de que, se mantiver a economia no caminho prometido na campanha, ou seja, com ajuste fiscal e sem gastar a rodo mais à frente, quando a pandemia passar, Bolsonaro manterá o mercado e o setor empresarial ao seu lado e evitará a perspectiva de qualquer pedido de impeachment.
Até aqui, os dois presidentes que perderam o cargo em processos desse tipo, Fernando Collor de Mello e Dilma Rousseff, estavam com a economia em frangalhos. Se Guedes continuar como o fiador de dias melhores no pós-pandemia, pelo menos até as eleições de 2022, acreditam os bolsonaristas que qualquer ação mais contundente contra Bolsonaro permanecerá na gaveta.
O pacificador
Quem comandou a operação que terminou recolocando Guedes no lugar de destaque foi o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que, já na sexta-feira, detectou um cenário preocupante de elevação do Risco Brasil e fuga de investidores. Em conversa com Guedes e Tereza Cristina (Agricultura), marcou o café com o presidente para que, juntos, alertassem para a necessidade de reforço político à equipe econômica.
Os cacifados
Além de Guedes, Tereza e Campos Neto, está nesse rol o ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, também visto como um craque fundamental para levar adiante a agenda de concessões.
Um pelo outro
Ao colocar o advogado-geral da União, André Mendonça, no Ministério da Justiça, Bolsonaro espera arrefecer o clima contra Alexandre Ramagem na Polícia Federal.
O problema da PF
O novo diretor-geral da PF terá que arrumar um meio de preencher as 4.500 vagas existentes no efetivo da comporação. No total, são 15 mil policiais federais em todo o país e só há 10,5 mil na ativa.
Lombardia…
O prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior, está numa sinuca de bico. É que a semana começou com os vereadores aprovando leis de volta ao trabalho, sem a menor base científica em plena pandemia. Tudo começou quando os evangélicos apresentaram um projeto de lei para reabertura dos templos. E, aí, começou o toma lá dá cá.
…ou Nova York é aqui?
Com o projeto, defensores de outros segmentos pediram aos cristãos que apoiassem suas emendas para liberação de construção civil, bares, restaurantes, lancherias (como os gaúchos chamam as lanchonetes) e por aí foi, cada um defendendo o seu nicho. “Um absurdo. Não vi isso em nenhum lugar do mundo”, diz o prefeito, que até aqui mantém a situação sob controle graças ao isolamento.
Os amigos/ Sergio Moro e Paulo Guedes se aproximaram tanto no governo que era comum encontrá-los no restaurante Avenida Paulista, nas noites candangas, para tomar um vinho depois do longo expediente.
A máscara e o sapato/ O sapato que o ministro da Economia usava era um modelo de uFrog, calçado de neoprene com solado antiderrapante desenvolvido no Brasil por Meg Gonzaga, irmã do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral Admar Gonzaga. Já a máscara, dizem amigos do ministro, proteção por causa do vírus e, de quebra, esconder sua insatisfação com a situação.
“Sou a favor de que se investigue e confio no nosso presidente. Se Bolsonaro aprontar, fizer coisas graves, não vou apoiar, mas está longe de aparecer alguma coisa contra Bolsonaro”
Deputada Bia Kicis (PSL-DF)
O novo ministro da Justiça será o Advogado Geral da União, André Mendonça. Mendonça é um ministro de perfil discreto, técnico e “terrivelmente evangélico”, que já esteve cotado inclusive para o Supremo Tribunal Federal. O blog recebeu a informação de pessoas ligadas e fiéis ao presidente Jair Bolsonaro. A escolha foi fechada hoje e se deveu a vários motivos. O principal deles foi a dificuldade de colocar na Secretário Geral da Presidência da República, onde está Jorge Oliveira, alguém que fosse da “copa e cozinha” do presidente. Mandar Jorge Oliveira para a Justiça seria “cobrir um santo para deixar outro descoberto”.
Entre os aliados, há quem diga que é muito mais fácil buscar alguém para a AGU do que para o cargo do Planalto, que, entre outras atribuições, ajuda o presidente na avaliação das leis que serão sancionadas. Além disso, a escolha de Oliveira sacramentaria a versão de que o presidente quer, na Justiça, alguém mais ligado à sua família. Jorge Oliveira trabalhou no gabinete de Eduardo Bolsonaro antes de ser guindado ao posto de “ministro da casa”, jargão usado para definir os ministros com assento no Palácio do Planalto.
Sob o ponto de vista político, muitos afirmam que o fato de Bolsonaro apresentar Mendonça como seu ministro da Justiça e Segurança Pública ajudará a reduzir as críticas pela nomeação de Alexandre Ramagem para a direção da Polícia Federal. Ramagem é da “cozinha” do presidente. Mendonça, não. Resta saber se a troca de Jorge Oliveira por André Mendonça vai mesmo melhorar o clima na Polícia Federal com a chegada de Ramagem. Até aqui, apenas o problema de Bolsonaro no Planalto é que está resolvido, assim como o titular do Ministério da Justiça. a PF continuará como ponto nevrálgico.
Bolsonaristas pedem saída em massa das redes de Moro e alertam para “PEC anti-Mourão”
Os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro mandaram uma mensagem de WhatsApp a todos os grupos pedindo àqueles fiéis ao capitão que se desliguem das redes sociais do ex-ministro Sergio Moro. Os coordenadores dessas redes estão convencidos de que, se Moro perder apoio massivo nas redes, eles conseguem conter os movimentos contra o presidente Jair Bolsonaro, em especial, processos de impeachment. Também, com o pedido, querem ter noção exata do tamanho da base virtual do comandante do Planalto.
Entre quinta e sexta-feira da semana passada, quando Moro deixou o governo, Bolsonaro perdeu 41 mil seguidores no Twitter, conforme levantamento da consultoria Bites. Os filhos também sofreram alguma desidratação. Agora, a ideia é saber quem está com o presidente e não pretende acompanhar o ex-ministro.
PEC Anti-Mourão
Esses mesmos apoiadores citam a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) apelidada de anti-Mourão, como um risco de “ver o traidor” (Moro) sentado na Presidência da República no fim do ano. A PEC, de autoria dos deputados Henrique Fontana (PT-RS) e Paulo Teixeira (PT-SP), foi apresentada em março do ano passado, ou seja, quando Bolsonaro vivia seus primeiros meses de governo e o país, confiante no governo, não imaginava uma crise deste tamanho.
A proposta dos petistas determina novas eleições em 90 dias, em caso de afastamento definitivo do presidente da República. O objetivo, à época, era abrir a discussão sobre o papel do vice-presidente e o colocar no mesmo patamar do presidente, em caso de afastamento. Ironicamente, se for aprovada, pode guindar ao Planalto o juiz que pediu a prisão de Lula e terminou com o sonho petista de governar o país por, pelo menos, 20 anos.
A proposta, agora, assusta tanto petistas quanto bolsonaristas. Afinal, se essa emenda for aprovada, Mourão não assume. E Moro, na avaliação de apoiadores do presidente, poderia ser candidato. O DEM, que hoje comanda a pauta das duas Casas, Câmara e Senado, não pensa em tirar essa carta da manga. O clima já está tumultuado o bastante para esse ingrediente bagunçar ainda mais o momento. A não ser, claro, que haja um acordo que envolvesse também os militares. Diante das incertezas, não custa nada prestar atenção no andar dessa carruagem.
Troca de comando da PF não deve surtir o efeito esperado por Bolsonaro
Os policiais federais votaram em massa em Jair Bolsonaro, em 2018, e vibraram com a escolha de Sergio Moro para o Ministério da Justiça, confiantes na autonomia para investigações e para o combate à corrupção e a desmandos de maneira geral.
Porém, desde as primeiras tentativas de influir politicamente no trabalho da PF com as investidas para a troca do diretor-geral, o encanto foi se esvaindo. E agora, com a saída de Moro, nem mesmo Alexandre Ramagem, hoje diretor-geral da Abin, terá um cenário tranquilo para cumprir sua missão ali.
Os policiais ficaram felizes e gratos pela valorização que Moro fez do trabalho deles em sua despedida do Ministério da Justiça. O ex-juiz, que já convivia com muitos policiais nos tempos da parceria da Lava-Jato que levou empresários, presidentes de partido, doleiros e até o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a cadeia, hoje tem informações sobre os Bolsonaro e o coração da corporação.
Ramagem, ou mesmo outro diretor-geral, não poderá chegar trocando delegados de investigações em curso, como a das fake news e de organização das manifestações em favor do AI-5, por causa da decisão do ministro Alexandre Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que proibiu trocas nos delegados da PF envolvidos nesses inquéritos.
As trocas dos superintendentes também serão objeto de muita análise por parte da corporação, especialmente, no Rio de Janeiro, Pernambuco e São Paulo, onde há alvos dos bolsonaristas e, no caso do Rio, ainda uma preocupação com os desdobramentos de investigações que envolvem Flávio Bolsonaro.
Carlos, o que mais preocupa
Bolsonaro está preocupadíssimo com a perspectiva de Carlos Bolsonaro ser chamado a depor na CPMI das Fake News assim que o Congresso reabrir as sessões presenciais. É que o filho não consegue sequer ver seu nome citado nas redes sociais sem soltar palavrões. Imagine num plenário com 40 deputados, muitos da oposição.
Nem meia, nem tênis. Guedes usava sapatilha criada no Brasil
Muito se especulou sobre o calçado que o ministro da Economia, Paulo Guedes, usava ao participar do pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na sexta-feira passada. Primeiro, disseram que eram meias. Depois, um “tênis estiloso”. Nem uma coisa, nem outra. O blog descobriu que se trata de uma sapatilha desenvolvida no Brasil por Meg Gonzaga, em Florianópolis, há dez anos. Ela inclusive registrou e patenteou a marca uFrog, que hoje tem o slogan “Você descalço”. Guedes usava um dos modelos da sapatilha de neoprene, com solado antiderrapante.
“Eu velejava, era proeira do meu pai, sentia muito frio nos pés. A vida inteira procurei um calçado que me permitisse manter os pés aquecidos quando velejava. Os tênis molhavam e não havia essa quantidade que tem hoje. Nos anos 80, quando morei nos Estados Unidos, tinha uns sapatinhos chineses mas eram pesados. Tentei os Crocs, mas escorregavam no barco. Até que, um dia, cansei de procurar e resolvi criar um sapato. Sabia que queria a parte de cima de neoprene e um amigo me ajudou com o solado”, conta a empresária, irmã do ex-ministro Admar Gonzaga, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Bastou usar para que a família e os amigos notassem a novidade e começassem a fazer encomendas. O sobrinho ator, Henry Zaga (foto) , usa para a prática de Yoga.
A criação de Meg fez tanto sucesso entre os velejadores, que ela começou a vender para a turma da vela por e-mail. Depois, passou a usar nas aulas de pilates e as amigas logo encomendaram. Ela, então, criou vários modelos, uns mais femininos, outros infantis com desenhos de bichos. A ideia do nome (Frog, sapo em inglês) veio quando ela cuidava de crianças e uma delas brincava com um sapinho. “Daí, o ‘u’ antes do nome veio porque eu queria primeiro usar o IFrog, mas a Apple tem o registro do I para os seus produtos, então acabei usando o “u” antes do nome, e virou uFrog”, afirma.
Foi quase um ano desenhando e quebrando a cabeça para que o sapato saísse do jeito que Meg queria. Hoje a fábrica fornece para várias lojas, vende pela internet e tem ainda quiosques de Ufrog espalhados pelos shoppings Brasil afora. Os preços variam, segundo o blog viu na internet, de R$ 65 a R$ 88. “Realmente, fiquei surpresa ao ver o uFrog nos pés do ministro, no Planalto”, diz Meg. As pessoas geralmente usam como um calçado para andar em casa ou práticas esportivas, como as relatadas por Meg. No Palácio do Planalto, em plena coletiva presidencial, num momento tenso como aquele, foi a primeira vez. O governo pode até estar mal das pernas. Mas, pelo menos, nos pés, Guedes tem conforto e estilo. De quebra, ainda fez propaganda de um produto que, apesar do nome em inglês, é bem brasileiro.
Bolsonaro comete erro estratégico ao expor o nome de Ramagem para a PF
Ao apontar o desejo de transformar o diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, em diretor-geral da Polícia Federal, antes de anunciar o novo ministro da Justiça, o presidente Jair Bolsonaro cometeu um erro estratégico e criou, muito provavelmente, mais um problema: a resistência dos policiais federais.
Como escreveu este blog ontem, a Polícia Federal não costuma acolher como “parceiro para toda obra” um diretor-geral que chega por indicação política. Foi assim, por exemplo, com Fernando Segóvia, escolhido por Michel Temer, que durou 99 dias no cargo.
A ação de tirar Maurício Valeixo sem uma justificativa técnica, apenas para colocar alguém com quem tivesse relação pessoal, só deve piorar a situação. Se Bolsonaro estivesse disposto a preservar a imagem de autonomia perante os delegados da PF, teria, primeiro, definido o ministro e deixado para ele a escolha do novo diretor-geral e dos superintendentes.
Quem substituirá Moro?
Até a sexta-feira (24/4) à noite, o nome de Ramagem era dado como praticamente certo, mas até a última atualização desta matéria não havia sido confirmado. Na manhã deste sábado (25/4), Bolsonaro recebeu um dos cotados para assumir o Ministério da Justiça no lugar de Sergio Moro: o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Jorge Antônio de Oliveira Francisco.
Também são cotados para substituir Moro: o desembargador aposentado de São Paulo Ivan Sartori, o desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores, ex-presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o advogado-geral da União, André Mendonça.
Moro usou “arma secreta” e deixou pista para a oposição pegar Bolsonaro
Uma coisa não estava nos cálculos do presidente Jair Bolsonaro quando ele preparou seu pronunciamento em resposta a Sergio Moro, na sexta-feira (24/4). O ex-ministro da Justiça tinha uma “arma secreta”: mensagens trocadas pelo celular com o próprio presidente e a deputada Carla Zambelli (PSL-SP).
Moro exibiu na tevê as mensagens, nas quais Bolsonaro aparece afirmando que um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que mira deputados bolsonaristas seria “motivo para a troca” do diretor-geral da Polícia Federal. Já Carla surge pedindo a Moro que aceite a troca e vá, em seguida, para o STF, indicado por Bolsonaro. Moro respondeu que não estava à venda. A exibição das mensagens assustou o governo e sua base.
A pista de Moro
Moro deu ainda uma dica preciosa que pode municiar a oposição. Ao citar o Rio de Janeiro e Pernambuco como os estados nos quais Bolsonaro queria trocar os superintendentes da PF, deixou uma pista que será seguida pelos adversários do presidente: no Rio, estão os filhos e, em Pernambuco, aliados como o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB), que responde a ação de improbidade.
Procurado pelo blog para comentar o assunto, Coelho negou qualquer tentativa de influência. “Jamais conversei com o presidente sobre a Polícia Federal”, disse.
Governo vai usar inquérito da PGR para frear CPIs e impeachment
Diante da crise política deflagrada com a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça, o governo trabalhará para arrefecer as iniciativas de novas CPIs ou pedidos de impeachment com o seguinte raciocínio: antes de qualquer atitude no Parlamento, será preciso aguardar o resultado do inquérito pedido pelo procurador-geral da República Augusto Aras, que, certamente, será aceito pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Assim, aberto o inquérito, o próximo lance será a oitiva de Moro pela PGR e pelo STF. Até lá, a missão da base política será “tourear” os pedidos. A avaliação é a de que, enquanto estiverem restritos aos partidos de oposição, Bolsonaro tem uma boa janela para tentar se recuperar.
STF, a barricada
Assim como deu aos governadores e prefeitos a prerrogativa de decidir sobre o isolamento social para evitar que o presidente Jair Bolsonaro determinasse a volta ao trabalho sem embasamento técnico, a decisão do ministro Alexandre Moraes de manter os delegados nos inquéritos considerados sensíveis pelo Planalto também é visto como uma forma de evitar interferências sem base nessa seara. Até ontem, o Planalto não havia apresentado recurso contra a decisão do ministro.
Bolsonaro perde seguidores nas redes sociais após saída de Moro
Durante todo o dia, a consultoria Bites monitorou o andamento do perfil do presidente da República e os atores da crise envolvendo o ministro da Justiça, Sérgio Moro, em seu último ato no governo. O resultado do trabalho está nesse boletim divulgado há pouco por Manoel Fernandes, diretor da empresa que, desde setembro de 2017, acompanha Jair Bolsonaro nas principais redes sociais. Boa leitura!
Manoel Fernandes
Diretor BITES
O Sistema Analítico BITES começou a acompanhar as publicações de Jair Bolsonaro no Twitter, Instagram, Facebook e Youtube em 01 de setembro de 2017. Desde então, o presidente ampliou sua base em 30,8 milhões de fãs. Nesses 967 dias, não houve um único ciclo de 24 horas sem a adição de novos aliados nessas contas. Hoje, sexta-feira, 24 de abril, a partir das 11h, a trajetória foi interrompida com a saída de Sergio Moro.
Bolsonaro e os seus filhos com mandato – Carlos, Eduardo e Flávio – perderam seguidores em seus perfis oficiais. No intervalo de seis horas, entre a entrevista do ex-juiz e a coletiva no Planalto, a família do presidente foi abandonada por 86.427 fãs.
No clã, Bolsonaro foi o mais impactado. Às 14h30, 36.296 mil fãs já tinham deixado as redes do presidente. Às 15h20, o número já estava em 48.473 e logo após a coletiva o saldo era de 45.575. Ao final do pronunciamento houve leve recuperação com a chegada de 2.898 fãs para balancear as deserções digitais.
Na medição das 20h, o resultado indicava que 41.996 perfis não queriam mais acompanhar os conteúdos publicados pelo presidente. A base sofreu uma redução de 0,12%, mas pode ser um indicador da uma tendência do desembarque de lavajatistas da rede digital de Bolsonaro. Desafetos do presidente, os governadores João Doria e Wilson Witzel ganharam, respectivamente, 7 mil e 3 mil fãs nessa sexta-feira.
Hegemonia de hashtags negativas
Não foi um dia fácil para o presidente. Às 18h, as hashtags de natureza negativa estavam presentes em 773 mil tweets, o equivalente a 35% de todos os posts publicados nessa rede social no Brasil até o início da noite sobre a crise.
Também houve uma mudança no patamar de usuários únicos que produziram conteúdo contra o presidente desde 15 de março. Hoje, 331.658 perfis no Twitter criticaram Bolsonaro, superando o recorde anterior de 24 de março (247 mil) no primeiro pronunciamento sobre o Covid.
Moro e Mourão
Hoje, Moro conquistou 160.248 aliados nas suas contas no Twitter e Instagram. O mesmo ocorreu com o vice-presidente Hamilton Mourão que ganhou 25.602 e terminou o dia com 1,5 milhão de fãs.* O ministro bateu o recorde de audiência no Twitter com 2,5 milhões de menções ao seu nome. Junto com o presidente, Moro apareceu em 998 mil posts.
Esse volume superior aos 335 mil tweets que a opinião pública digital brasileira publicou hoje sobre o Covid-19.
A reação da rede bolsonarista
A demissão de Moro surpreendeu a rede bolsonarista na Internet. No final da manhã quando a saída já estava confirmada, os grupos nas redes sociais ou mesmo no Whatsapps estavam paralisados sem entender as consequências do rompimento.
No meio da tarde, antes da coletiva, os aliados do presidente começaram a construir uma narrativa. Não atacaram Moro, mas reforçaram que a decisão de demitir no governo é uma prerrogativa do chefe do Poder Executivo.
Após o evento no Planalto, esse argumento ganhou força. Mesmo assim, os bolsonaristas não conseguiram superar a oposição. As hashtags positivas criada para defender Bolsonaro foram utilizadas em 306 mil posts, produzidos por 85.713 perfis.
Os comentários são livres, mas os fatos são sagrados
A sequência dos fatos dos próximos dias, especialmente as narrativas de cada lado, determinarão o humor da opinião pública digital sobre a administração de Jair Bolsonaro.
Hoje, como esperado, houve um aumento nas buscas no Google Brasil sobre impeachment, especialmente associada à possibilidade do ministro Sergio Moro ter provas contra o presidente.















