Por Eduarda Esposito — Uma pesquisa estima que no Brasil tenha sido gasto em apostas por adolescentes mais de R$ 1 bilhão no ano passado. Além do alto valor, o estudo mostrou que 9,5% dos estudantes com 11 anos já apostaram em bets. O levantamento, “Apostas online nas escolas brasileiras”, foi realizado pela Frente Parlamentar Mista da Educação em parceria com o Equidade.info.
Para calcular o montante estimado de apostas de estudantes brasileiros, foram considerados os valores declarados pelos alunos entrevistados e, como referência, a estimativa do Banco Central de R$ 62,5 bilhões em perdas com bets em 2025. O levantamento apresenta diferentes hipóteses para calcular os resultados agregados entre os estudantes. A pesquisa não perguntou se as apostas foram realizadas em bets legais ou ilegais.
Quanto à faixa etária, o documento mostra que alunos de 11 anos já têm realizado apostas (9,5%). O maior percentual são os estudantes com 18 anos ou mais, 40,1%; entrevistados com 16 anos (27,6%) e os com 17 (32,3%) também tiveram um escore alto. A tabela mostra um aumento de envolvimento com as casas de apostas online conforme o aluno fica mais velho.

O percentual também é mais alto em alunos masculinos do que femininos. Na faixa etária dos 15 anos, os meninos (33,3%) apostaram mais do que meninas com 18 anos ou mais (24,6%). Quase metade dos estudantes masculinos do 3º ano do Ensino Médio já apostaram, 49,7%, já as meninas foram apenas 16,6%.
O levantamento também descobriu que a maior parte dos adolescentes não tem ideia do quanto perdeu ou ganhou com as apostas. 35,2% afirmam que ganharam mais que perderam, 27,7% dizem o inverso e 37,1% não souberam responder.
No recorte por religião, o levantamento mostra que 18,3% dos estudantes evangélicos já apostaram. Entre os católicos, 23,1% jogaram, e em outras religiões, 22,8% apostaram em bets. Ao comparar rede pública e particular, 40% dos entrevistados nas escolas públicas não souberam dizer se ganharam ou perderam mais. E nas particulares, enquanto 29,2% não souberam responder, 33,2% afirmaram ter perdido mais dinheiro do que ganhado com apostas.
Para a deputada Tabata Amaral (PSB/SP), presidente da FPME, é preocupante saber que crianças de 11 anos já estão tendo contato com as bets e começando a apostar. “Estamos falando de uma prática que pode comprometer a saúde financeira e o desenvolvimento de uma geração inteira. A Bancada da Educação tem o compromisso de olhar para esse problema a partir de evidências e ajudar a construir políticas públicas que protejam crianças e adolescentes. A parceria com o Equidade.info nos permite justamente dar visibilidade a uma realidade que muitas vezes é invisível e, a partir dos dados, propor medidas concretas”, afirma.
O pesquisador, Guilherme Lichand, ressalta que o levantamento ajuda a trazer à luz um grande problema. “Os números geram incômodo e muitas outras perguntas. Essas apostas estão concentradas em eventos esportivos, sobretudo futebol? Como crianças e adolescentes descobrem essas plataformas? Como contornar as restrições de idade, problema comum tanto aos sites de apostas esportivas quanto às redes sociais?”, questiona o professor de Educação da Universidade de Stanford e responsável pela supervisão da pesquisa.
A pesquisa foi realizada com 1.912 estudantes do ensino fundamental e médio em 191 escolas pelo Brasil. Os alunos foram entrevistados de forma presencial com a aplicação de um questionário durante as entrevistas. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro é de 2,4%.

