O paradoxo dos homens públicos

Publicado em Política

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 25 de agosto de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Para os problemas da democracia, mais democracia. Essa máxima está cada vez mais distante do que se vê nesta campanha eleitoral, marcada por candidatos que falam muito para seus seguidores, mas se recusam a confrontar argumentos contrários. Nesta etapa a caminho do primeiro turno, permanece a estratégia de evitar críticas diretas de outros concorrentes ao cargo público.

Crédito: Kleber Sales

Trata-se de um paradoxo. Os postulantes a um cargo público rejeitam a possibilidade de passar por situações que possam deixá-los em má situação com o eleitorado. Com exceção de quem já decidiu o voto, é de se perguntar por que alguém confiaria um mandato para um candidato que nem sequer dá as caras em momentos relevantes.

Ao justificar a ausência, Flávio Bolsonaro afirmou que o adversário com quem pretende debater é o candidato à reeleição. Lula, por sua vez, lamenta a suposta baixa qualidade dos presidenciáveis, treinados para lacrar na internet. É uma lástima os dois não terem apresentado esses argumentos ao vivo e em cores.

Apatia

Especialistas avaliam que as faltas no primeiro debate presidencial podem se tornar uma tendência caso os eleitores não se incomodem com as ausências. “Se a ausência não custar votos, as cadeiras vazias podem se tornar cada vez mais comuns”, alerta o cientista político Murilo Medeiros.

Debate à la carte

Para ele, “o risco é consolidarmos uma espécie de ‘debate à la carte’, em que os candidatos escolhem quando participar, em qual emissora comparecer e, sobretudo, com quem estão dispostos a debater. Quem perde é a democracia, com presidenciáveis cada vez menos expostos ao contraditório”, acrescenta.

Amazonas na 6×1

O estado do Amazonas está representado em peso no debate sobre o fim da escala 6×1. Relator da proposta na Comissão de Constituição e Justiça, o senador Omar Aziz (PSD) acredita que a Casa não modificará o texto proveniente da Câmara dos Deputados. Já o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga, pediu uma audiência com representantes dos trabalhadores e dos setores mais afetados. Braga e Aziz concorrem juntos no Amazonas: o líder do PSD disputa a eleição para governador; o emedebista busca a reeleição.

E as blusinhas, hein?

Em 1º de setembro, senadores e deputados deverão escolher um presidente e relator para a medida provisória que suspende a taxa das blusinhas na Comissão Especial. Por enquanto, três nomes estão em cena: Reginaldo Lopes (PT-MG), Jadyel Alencar (Republicanos-PB) e Rodrigo Valadares (PL-SE).

Caixa vazio

A ação de questionamento do PT sobre o Fundo Eleitoral, que só foi extinta pela Justiça Eleitoral recentemente, deixou muitos candidatos sem dinheiro logo na primeira semana de campanha. Alguns conseguiram se virar com valores do Fundo Partidário, mas a maioria recorreu às doações para viabilizar os primeiros compromissos.

Combustível

Com a liberação dos R$ 2,3 bilhões que estavam travados, parlamentares se preparam para acelerar as campanhas. Sem o dinheiro, nem mesmo trabalhar nas redes sociais estava sendo possível. Não havia como pagar impulsionamento nem equipe para essa função.

Justiça comum

A presidente do Superior Tribunal Militar (STM), ministra Maria Elizabeth Rocha (foto), defendeu, ontem, que casos de violência doméstica contra mulheres das Forças Armadas sejam julgados pela Justiça comum, e não pela Justiça Militar. A magistrada alertou que o ordenamento jurídico civil oferece instrumentos de proteção às mulheres que não estão previstos na Justiça Militar.

Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Maria da Penha

A ministra Maria Elizabeth tratou do tema em evento promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Rio de Janeiro, por ocasião dos 20 anos da Lei Maria da Penha. As participantes debateram maneiras de aprimorar a legislação no enfrentamento da violência contra a mulher.

O homem dos números

Esta semana, o candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) vai anunciar quem será o ministro da Fazenda, caso vença a eleição em outubro. Um dos colaboradores do presidenciável é o ex-secretário de Orçamento do Ministério do Planejamento Paulo Bijos. Ele deixou o governo Lula em 2024. À coluna, o consultor afirmou que auxilia no programa econômico de Renan como cidadão. No partido, Bijos será bem-vindo para integrar a equipe no Ministério da Fazenda, se assim desejar.

Desafio nas redes

Um desafio no combate à desinformação nas eleições é a eficiência para retirar do ar fake news e conteúdos irregulares. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) executa a tarefa de derrubar páginas na internet, mas depende de uma decisão judicial. Esse intervalo, que corresponde a uma eternidade no universo das redes sociais, preocupa especialistas.