Terras férteis e mentes preparadas

Publicado em História de Brasília, ÍNTEGRA

Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

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Foto: embrapa.br

 

Poucos sabem que a história da Embrapa é, sem exagero, um dos capítulos mais bem-sucedidos da trajetória recente do Brasil. Criada em 1973, em um contexto de forte intervenção estatal e planejamento estratégico, a empresa se tornou símbolo de como investimento consistente em ciência e tecnologia pode alterar profundamente o destino de uma nação.

De importador de alimentos, o país passou a ocupar posição central no abastecimento global, transformação que não se explica por acaso, mas por décadas de pesquisa aplicada, formação de quadros técnicos e integração entre conhecimento e produção. Esse percurso evidencia uma verdade frequentemente negligenciada no debate público: não há desenvolvimento sustentável sem ciência. A revolução agrícola brasileira, especialmente no Cerrado, só foi possível graças à adaptação de culturas a solos originalmente considerados inférteis, ao desenvolvimento de sementes mais resistentes e ao aperfeiçoamento de técnicas de manejo. Esse esforço não apenas elevou a produtividade, mas também contribuiu para a segurança alimentar interna e para a geração de excedentes exportáveis, com impacto direto na balança comercial e na estabilidade econômica. O caso da Embrapa não é isolado. Ele se insere em uma tradição de iniciativas estatais que, em determinados períodos, priorizaram a construção de capacidades nacionais.

A criação da Embraer, por exemplo, segue lógica semelhante: investimento público inicial, formação de engenheiros altamente qualificados e inserção competitiva em mercados globais. Hoje, a Embraer figura entre as maiores fabricantes de aeronaves do mundo, resultado direto de uma política que enxergou a ciência e a tecnologia como pilares estratégicos. Outras iniciativas daquele período também refletiram essa visão de longo prazo, com a estruturação de centros de pesquisa, universidades e programas de capacitação técnica. Ainda que inseridas em um contexto político controverso, essas ações deixam um legado institucional relevante, demonstrando que políticas públicas orientadas por conhecimento podem produzir efeitos duradouros. No entanto, o sucesso da Embrapa e de instituições semelhantes não deve ser encarado como garantido ou irreversível.

Ao longo das últimas décadas, a ciência brasileira enfrentou oscilações significativas de financiamento e prioridade política. Em diferentes governos houve momentos de expansão, mas também períodos de contingenciamento de recursos, o que compromete a continuidade de pesquisas que, por natureza, exigem planejamento de longo prazo. No caso específico da Embrapa, dificuldades orçamentárias já foram amplamente relatadas por seus próprios dirigentes e por especialistas do setor. A redução de investimentos impacta diretamente a capacidade de inovação, a manutenção de laboratórios e a retenção de talentos. Em um cenário global cada vez mais competitivo, interromper ou enfraquecer esse ciclo de produção de conhecimento representa não apenas uma perda interna, mas também um risco de retrocesso estratégico. Além disso, conflitos no campo que envolvem questões fundiárias, sociais e econômicas complexas por vezes atingem instituições de pesquisa.

É importante tratar esse tema com responsabilidade: episódios de invasão ou depredação, quando ocorrem, devem ser apurados e enfrentados dentro da lei, mas sem generalizações que simplifiquem um problema multifacetado. Ao mesmo tempo, é fundamental garantir a integridade de centros de pesquisa, que são patrimônio público e instrumentos essenciais para o desenvolvimento nacional. A lição que emerge dessa trajetória é clara. Países que investem de forma consistente em ciência colhem resultados em múltiplas dimensões: crescimento econômico, melhoria da qualidade de vida, soberania tecnológica e capacidade de enfrentar desafios globais, como mudanças climáticas e segurança alimentar.

O Brasil já demonstrou, com a Embrapa e a Embraer, que possui talento e competência para liderar em áreas estratégicas. O desafio, portanto, não é provar que a ciência funciona. Isso já está amplamente demonstrado, mas assegurar que ela permaneça no centro das prioridades nacionais. A iniciativa implica em financiamento estável, proteção institucional, valorização dos pesquisadores e um ambiente político que compreenda a ciência não como gasto, mas como investimento. Se o país deseja manter e ampliar sua posição no cenário global, precisa reconhecer que o verdadeiro “celeiro do mundo” não é apenas resultado de terras férteis, mas de mentes preparadas.

É na pesquisa, no laboratório e na educação que se planta o futuro. E, como mostra a história, essa é uma colheita que beneficia toda a sociedade.

 

A frase que foi pronunciada:
“Costumo dizer pelo mundo inteiro que o Brasil hoje possui terra, água, sol… e a Embrapa!

Roberto Rodrigues

Foto: Divulgação

 

Aterro Sanitário

Quem opta pela Chapada dos Veadeiros para curtir Cavalcante, Alto Paraíso, São Jorge leva um susto na estrada. Se a Secretaria do Meio Ambiente de Goiás precisa da localização, já recebeu: GO118. A partir de Planaltina, posto Advance, aparece um aterro sanitário à beira da pista com lixo que vem se acumulando há anos. Não é possível que um governador queira ser presidente da República e não consiga coibir o lixo mal administrado. Assista ao vídeo no link: LIXÃO NA GO-118.

 

História de Brasília
Os nossos agradecimentos às pessoas que nos telefonaram ou nos cumprimentaram pessoalmente pelo segundo aniversário desta coluna. E’ um estimulo para novas latas e novas campanhas. (Publicada em 16.05.1962)

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