Indo para o fogo

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VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)

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Lula e Alckmin. Foto: Sebastião Moreira/EFE

 

          Teoria, cujo conceito se insere no campo da especulação, pode, no caso da chapa formada agora com Lula na cabeça e Alckmin de vice, induzir as mentes mais férteis a acreditar que esse arranjo desengonçado esconde muito mais do que se observa em primeiro plano. Há algo nessa formação que escapa aos princípios da lógica e nos leva ao campo hipotético das mais diversas e surpreendentes divagações.

         Primeiro ficamos a imaginar que explicações o próprio Alckmin buscou, em sua criatividade, para explicar essa junção à sua mulher e aos seus familiares. Que desculpas arranjou para justificar a adesão a esse novo companheiro? Depois de tudo, que teorias teria elaborado para defender essa nova posição diante do espelho e para seu íntimo?

          Pela experiência acumulada ao longo das décadas como político, soa improvável que Alckmin não tenha percebido que estava entrando numa espécie de cilada, armada pela esperteza matreira de Lula. Por certo, muitos dos antigos amigos de Alckmin, antes de se afastarem dele, devem ter o alertado para os perigos que corre com essa chapa e as muitas possibilidades de que ela venha resultar no sepultamento da carreira política do ex-governador de São Paulo.

         As teorias se seguem, e por um motivo que nada tem de especulação e pode ser reforçado apenas olhando a biografia de Lula e principalmente seu histórico na justiça. É bem provável que, tão logo essa união esdrúxula surta os efeitos esperados pelo demiurgo de Garanhuns, Alckmin seja ejetado, sem paraquedas para fora da aeronave petista. Nada que venha desse submundo da política petista é livre de condenação. Talvez esta artimanha esteja ligada às eleições em São Paulo, onde Lula e sua turma deseja há décadas, pôr as mãos.

         Retirando Alckmin desse caminho, a eleição de um poste lulista é mais provável. Mas como a história do Brasil parece seguir um enredo dentro do estilo literário surrealista, à moda Gabriel Garcia Marquez, tudo pode acontecer, inclusive o impensável. Nesse campo das teorias da conspiração caberia a especulação de que Lula já estaria ciente de uma doença terminal e deixaria Alckmin como herança sua na presidência, tão logo tivesse de ser afastado por problemas de saúde. Há ainda as hipóteses de que seria o vice-presidente Alckmin que iria governar de fato, deixando o mandrião Lula à solta para fazer o que mais gosta: nada.

         Depois da decepção com Dilma, que arruinou sua biografia e foi uma das responsáveis indiretas por sua prisão, Lula não poderia errar na escolha de um novo companheiro de aventura. Essa tese é reforçada ainda pelo afastamento que Lula tomou em relação a muitos companheiros, como é o caso de José Dirceu. Ao menos publicamente ele encena esse afastamento. Na verdade, nada se sabe de Lula, a não ser sua capacidade mimética, já confessada, de ser uma metamorfose ambulante. Pode ser também que não seja nada disso e essa chapa tenha saído da cabeça de Lula apenas por um desejo de se aliar à um gestor com experiência comprovada e credibilidade como Alckmin. Ou mesmo Fernando Henrique mexendo as peças do tabuleiro. Pode ser ainda que Lula, do alto do seu ego tenha pretendido surpreender sua atual namorada, tão enrolada quanto ele com a justiça, presenteando à ela com o cargo de primeira-dama do Brasil.

         Seja o que for, estamos no caso de vitória dessa chapa, não apenas no sal, mas indo direto para a fritura numa churrasqueira gigante.

A frase que foi pronunciada:

“Os brasileiros estão vacinados contra o modelo lulo-petista de confundir para dividir, de iludir para reinar. Mas vejam a audácia dessa turma. Depois de ter quebrado o Brasil, Lula diz que quer voltar ao poder! Ou seja, meus amigos. Ele quer voltar à cena do crime.”

Geraldo Alckmin, em 2017

 

Na real

Ficou mais fácil escolher. Lula resolve adotar a linha de Bolsonaro e só falar a verdade. É a favor do aborto, disse que a elite brasileira é escravocrata, que a classe média ostenta padrão de vida mais alto que o necessário, convidou militantes e CUT para protestar em frente à residência de parlamentares, prometeu a demissão de 8 mil militares. Agora é só votar.

 

De cabeça

Luiz David é o modelo do barbeiro Mateus Lili, da Ceilândia. Super criativo e com habilidade artística, Mateus deixa verdadeira arte na cabeça da rapaziada. Veja as fotos a seguir.

 

História de Brasília

É que êles foram ao Prefeito em companhia de um candidato desprestigiado. Até hoje a luz não foi ligada, e êles voltam a pedir ao sr. Sette Câmara, desta vez através do jornal. (Publicada em 21.02.1962)

Semipresidencialismo

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Charge do Laerte

 

          Enquanto os principais postulantes ao Poder Executivo seguem em suas evoluções em torno de uma única cadeira de presidente da República, incluindo, nessa dança, a turma titubeante da terceira via, a Câmara dos Deputados, por orientação de seu presidente e por estratégias articuladas dentro do Palácio do Planalto pelo pessoal do Centrão, vai alinhavando o novo modelito a ser envergado pela República a partir de 2030, também conhecido como semipresidencialismo.

        Na verdade e na prática, o semipresidencialismo, esse sistema executivo dual, em que o presidente divide o poder executivo com um primeiro-ministro e um conselho de ministros que respondem diretamente ao Congresso, já vigora, de forma transversal, desde a consolidação do chamado presidencialismo de coalizão e desde a formação de blocos como o Centrão e outros.

        O que é feito aqui nessa reforma do traje da velha e carcomida República pode ser tanto um novo e elegante smoking, como uma fantasia de Jeca Tatu, com remendos e outras bizarrices de alfaiataria. Só o tempo dirá. O que já se sabe é que já existe um grupo de trabalho debruçado sobre esse delicado tema. É preciso lembrar também que, aproximadamente há três décadas, os brasileiros decidiram, por plebiscito, a permanência do sistema presidencialista por ampla maioria, sendo que, ao longo dos anos, esse modelo foi, por motivos não tão nobres, perdendo terreno e hoje já aparece, inclusive, com os parlamentares controlando parte significativa do próprio orçamento da União, o que anteriormente era função exclusiva do Executivo.

        Se existe hoje uma chamada terceira via que seja politicamente viável, essa é a que já existe, de fato, dentro do parlamento. Nada de errado haveria nessa nova modalidade de governo partilhado entre Executivo e Legislativo, não fosse o problema da pouca ou quase nenhuma credibilidade que o Legislativo goza junto à população.

        Povoado hoje por figuras que respondem a todo tipo de acusações junto à justiça e que, em boa parte, perfaz quase todo o volumoso código penal, dividir as responsabilidades de governo com esse pessoal seria, no mínimo, uma temeridade. A providência prioritária, depois do enxugamento da enorme lista de partidos e que se faria necessária e urgente, seria afastar toda a turma de políticos enrolada com as leis, por meio, inclusive, do fim do foro de prerrogativa e da reinstalação da prisão em segunda instância.

        Sem providências mínimas de saneamento da área política, o semipresidencialismo, por suas características peculiares, não apenas aprofundaria os casos de corrupção, como tornaria sua prática uma moeda corrente, cujo lastro seria a institucionalização da impunidade.

        Essa ideia de que o novo modelo representaria uma solução ágil para as crises políticas, simplesmente não se sustentam, quando se verifica que parte desses fenômenos de instabilidade institucional tem origem e raiz dentro do próprio congresso. Em termos de modernidade de governo, o semipresidencialismo pode ser uma boa solução se, somente se, houver uma reforma política que impute a esses atores as responsabilidades que a função exige e as penalidades que o novo modelo deve impor.

        A extensão do velho balcão de negócios ligando o Palácio do Planalto ao Congresso por cima da praça dos Três Poderes é tudo o que os brasileiros não necessitam. Se essa união de governo vier de fato, será necessário ainda redobrar também a atenção de todos, fortalecendo e dando maior independência aos órgãos de fiscalização e tornando os mecanismos de transparência tão translúcidos como diamante. Não será uma tarefa fácil.

A frase que foi pronunciada:

Um homem que não se ocupa de política deve ser considerado não um cidadão tranquilo, mas um cidadão inútil”.

Sócrates

Sócrates – A estátua de Sócrates na Academia de Atenas.         Obra de Leonidas Drosis (d. 1880). Foto: wikipedia.org

Convite

Adirson Vasconcelos e o Instituto Histórico e Geográfico do DF convidam para o lançamento da Enciclopédia com as Palavras Mais Fortes da Língua Portuguesa. Dia 14 de abril, às 19 h, na sede da instituição, na 703//903 Norte.

Correio Braziliense

Nossos agradecimentos pelas palavras do leitor Simão Guimarães.

Clássicos

Logo abaixo, os melhores concertos da cidade neste mês.

História de Brasília

É que êles foram ao Prefeito em companhia de um candidato desprestigiado. Até hoje a luz não foi ligada, e êles voltam a pedir ao sr. Sette Câmara, desta vez através do jornal. (Publicada em 21.02.1962)

Abstração niilista nº 3

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Charge do Kleber para o Estado de Minas Charges

 

          Falta de fôlego político, ideológico e partidário. São essas as possíveis e mais críveis características que poderiam explicar o decepcionante desempenho, até agora, da chamada terceira via. A priori, é preciso deixar claro que consenso, assim como seu correlato, o bom senso, são atributos que o mundo político nacional não exercita porque desconhece e porque também despreza, já que lhe retira nacos de poder, ou, mais precisamente, recursos e outros benefícios materiais já assegurados. Não há, de fato, partidos políticos no Brasil capazes de seguir linhas ideológicas e programáticas independentes do governo de plantão. São apenas legendas formadas ao sabor das ocasiões, clubes interessados apenas em causas próprias e no bem-estar de seus sócios, sobretudo das lideranças.

        O que temos é uma pantomima política, distante do que sonham os eleitores atentos e do que exige a ética pública. Dessa forma, fica a explicação: não há terceira via, porque não há partidos fortes e independentes capazes de entender o momento que se anuncia de grave polarização. É com essa visão que os mais de trinta partidos, colados nas tetas dos cofres da União, enxergam os cidadãos que, para eles, passadas as eleições, transformam-se num estorvo.

        A grosso modo, não há terceira via, porque, simplesmente, não há uma primeira nem uma segunda via que possa levar o país ao bom termo. É nessa sucessão de mediocridades que se encaminham as eleições de outubro. É o mais do mesmo. Sem reformas políticas sérias que colocassem um fim ao foro privilegiado, aos fundos partidários e eleitorais, às emendas secretas, à infidelidade partidária, bem como ao número excessivo e lesivo de partidos, à possibilidade de prisão em segunda instância, ao modelo de suplência, à reeleição e mesmo à impunidade dos políticos, falar em terceira via, ou numa quarta e quinta vias, não significa nada.

        Há aqui um problema de origem que não foi sanado por vontade justamente dos partidos tortos que aí estão. Qualquer desdobramento político que venha a ser feito por meio dos partidos que aí estão para as próximas eleições, já vem carimbado com o selo e com os vícios de origem tanto da inoperância, como da continuidade de um modelo que os brasileiros de bem querem ver extinto.

        A impossibilidade de candidaturas avulsas e do voto distrital, assim como do dispositivo de recall ou chamada, pelos eleitores daqueles políticos que apresentam “defeito” e sua substituição por gente mais capacitada, são empecilhos às mudanças que a nação reclama.

        Isso não quer dizer que não existam candidatos, isoladamente, bons e que poderiam, caso suas capacidades de desprendimentos fossem maiores que seus egos, fazer alguma diferença nesse próximo pleito.

        É o caso aqui de Simone Tebet, Sérgio Moro, Eduardo Leite e outros. Caso houvesse a possibilidade de união desses nomes, numa chapa extraordinária e suprapartidária, poderíamos enxergar alguma luz no fim desse cano escuro.

        Ocorre que nem a grande massa de eleitores abduzidos e apolíticos, nem mesmo os partidos que aí estão, apostam um níquel sequer nessa possibilidade e mesmo fazem torcida contra. Fôssemos nomear o quadro em preto e branco que aí está posto para as próximas eleições, diríamos se tratar de uma obra abstrata, cujo o título seria “Abstração niilista nº 3”.

A frase que foi pronunciada:

Buscar o caminho do meio, no meio em que a política brasileira é realizada, é caminhar sobre o fio da navalha entre dois abismos.”

Filósofo de Mondubim

30/09/2013 – Foto: Monique Renne/CB/D.A Press. Brasil. Brasília – DF. Jantar Prêmio Engenho. Ari Cunha.

Assédio

Com quase um ano de atraso, finalmente o Brasil poderá adotar o que prevê a Convenção 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no tocante ao combate às várias formas de assédio dentro do ambiente do trabalho.

Foto: amatra1.org

Números

Em 2020, segundo o próprio Ministério Público do Trabalho (MPT), mais de 50 mil trabalhadores formularam denúncias de assédio moral no Brasil, sendo que 52% dos pesquisados relataram ter sofrido todo o tipo de assédio moral no desempenho de suas tarefas profissionais. É preciso destacar ainda que nove em cada 10 vítimas de assédio moral no trabalho não denunciam seus agressores, por medo de represálias. Pela quantidade de depoimentos colhidos, chega-se à conclusão que metade dos brasileiros já sofreram algum tipo de assédio dentro do ambiente de trabalho.

Ilustração: Freepik

Modalidade

Tão danoso como o assédio sexual, o assédio moral, por seus efeitos deletérios sobre a psiquê do indivíduo, é capaz de catalisar e produzir, num curto período, tanto doenças físicas como psicológicas, muitas vezes incapacitando, permanentemente, o trabalhador.

História de Brasília

Desesperados com as promessas dos candidatos, que lá começam a provar porque Brasília não deve ter eleição, os comerciantes da Asa Norte procuram, agora, o CORREIO BRAZILIENSE. (Publicada em 21.02.1962)

Ludopédio de várgea – Os artigos publicados nesse blog não traduzem a opinião do jornal.

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Fotos: Marcos Corrêa/PR; Cristiano Mariz; Nacho Doce/Reuters

 

Não seria exagero algum, encontrar como pano de fundo para a grande maioria dos principais problemas nacionais, a questão da corrupção. Com isso, poderia ficar absolutamente aceito que a corrupção está na raiz de problemas que vão desde a pobreza e a persistência de um subdesenvolvimento crônico, que afeta a todos os cidadãos, atingindo seu ápice na desestruturação do próprio Estado, por meio da falência da ética pública e da perda de credibilidade das instituições e dos Poderes.
Nessa larga ficha de prejuízos, trazidos pelo fenômeno maligno da corrupção, a desestabilizar o edifício do Estado e fazendo ruir seus alicerces, as crises políticas e cíclicas são ameaças permanentes. Com isso, surgem, do nada, ameaças de golpes e de retrocessos institucionais, criando um ambiente e instabilidade geral, propício para o surgimento de aventureiros políticos e outros embusteiros de ocasião.
Na sociedade, os reflexos dessas anomalias, vindas de cima, são vistas na forma de miséria humana e urbana, violência e degradação das cidades e do meio rural. Roubam de tudo, de peças de hidrantes, fios, tampa de bueiro a milhões de reais dos cofres na nação. Nada mais parecido com o inferno. O mais surpreendente é que, num cenário distópico como este, em meio aos escombros que vão se erguendo pelo país, a população, orientada por seus próprios algozes, volta as costas a um candidato que ousa tratar do tema do combate à corrupção, não apenas com promessas de palanques, mas com feitos pretéritos que comprovaram seu compromisso com essa questão e que, até pouco tempo atrás, chamava a atenção dos brasileiros e de todo o mundo para esses feitos históricos.
Eis aqui uma questão que intriga a muitos: por que a população não tem aderido ao chamado e ao apelo político de combate à corrupção? Seria a lógica natural, que daria início ao fim de um pesadelo que se arrasta por séculos? Mas o que é a lógica para uma nação absorvida por um cotidiano de sobrevivência selvagem?
Por sua qualidade de neófito no emaranhado e sujo mundo da política nacional, o ex-juiz e atual postulante à presidência da República, Sergio Moro, parece ter caído numa armadilha. Moro se vê hoje como numa pelada de periferia, onde, sem regras claras, corre de um lado para o outro. Não como jogador e com chances de fazer gols, mas como sendo a própria bola do jogo, chutado por todos os lados e cujo destino lhe foge por completo.
Para piorar uma situação que, em si, é dramática, o ex-juiz observa que, dos dois lados do campo, seus adversários estão unidos no afã de chutar-lhe para escanteio. É nesse ambiente do ludopédio que tanto a população quanto os juízes à distância torcem para os dois lados, indiferentes ao destino da bola. É essa a pré-campanha que temos: uma pelada de várgea.
A frase que foi pronunciada:
“O caráter, assim como a fotografia, se revela na escuridão.”
Yousuf Karsh
Yousuf Karsh. Foto: wikipedia.org
De olho
Sempre atentos às riquezas brasileiras, principalmente da região Amazônica, os deputados alemães se manifestam sobre projetos que tramitam no congresso brasileiro. Melhor teria sido cuidar das próprias florestas.
Foto: BBC
Dúvidas
Fake News e atos antidemocráticos. Aparentemente essa é a pauta para a chamada do ministro Alexandre de Moraes ao Senado. Corajoso, o senador Girão colheu as assinaturas suficientes para votar o requerimento de convocação do ministro do STF. “Nós já conseguimos a assinaturas para ouvir o ministro do STF Alexandre de Moraes sobre esse inquérito, em que a vítima é a mesma que julga e a mesma que manda prender. Inclusive, a PGR (Procuradoria Geral da República) tinha solicitado o arquivamento dessa investigação”, diz Girão em entrevista ao Ceará Agora.
Senador Girão. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
Renovada
Por falar em reunião, o senador Paulo Paim realizou uma audiência pública na Comissão de Direitos Humanos sobre a estrutura do INSS que, a cada dia, acumula mais atendimentos para aposentadoria, saúde-doença, entre outros. São mais de 2 milhões de processos entancados. Quase a metade da força de trabalho foi perdida e as metas são cobradas sem as condições necessárias. O resultado foi o encaminhamento ao Poder Executivo de sugestão para a capacitação dos servidores, novo concurso público e aumento salarial.
Charge: seebbauru.org.br
História de Brasília
As notas taquigráficas dão conta, também, de um aparte do sr. Hermes Lima, no qual dizia o chefe da Casa Civil: “Foram os serviços, ficaram os funcionários. Não é isso?” A resposta não me lembro ao pé da letra, mas o sr. José Pereira Caldas dizia claramente porque o Ministério da Fazenda não está todo em Brasília. (Publicada em 22/2/1962)

A volta dos zumbis da política

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Charge do Duke

 

        Dos muitos sustos que as eleições provocam nos eleitores mais atentos a essa dança de acasalamentos entre porcos espinhos e cobras criadas, nenhum outro é mais espantoso do que assistir, estupefatos, a volta de alguns candidatos, tanto na paisagem local como na nacional. Pessoas ou zumbis, que muitos acreditavam já estarem sepultados e enterrados sob sete palmos ou atrás das grades.

          A volta desses presos ou mortos-vivos da política, todos eles devidamente condenados por crimes de corrupção, em suas mais variadas modalidades, é como uma bofetada na cara dos cidadãos. Eis-nos de novo, diante do eterno ciclo da impunidade, com a sociedade tornada refém desse bando de malfeitores que, certamente, voltará a ocupar os diversos cargos públicos, munidos dos mesmos mecanismos de proteção contra as leis, propiciados pelo foro privilegiado, donde, com certeza, voltarão a delinquir.

        O pior, se é que isso ainda é possível, é que, se seguirmos o que as pesquisas indicam, esses dublês de homens públicos irão ocupar da presidência da República até o menor cargo eletivo nos municípios e mesmo no Distrito Federal, assegurando, com isso, que o futuro, como pretendido pelos cidadãos de bem, ainda é uma miragem bem distante.

        Não carece aqui mencionar os nomes desses meliantes. Estão todos estampados nos jornais e não merecem crédito algum. Mesmo com a imprensa do país dando pouca atenção a esse fato, como se isso fosse pouca coisa ou nada aos pagadores de impostos.

        Confirmadas as expectativas, teremos, depois de 2022, o mais assustador conjunto de políticos comandando os destinos do país. Por certo, irão guiar a grande caravela Brasil de encontro aos rochedos, depois de saquear o navio, deixando a tripulação, que somos nós, ao sabor da sorte. Num país em que os eleitores voltam as costas para um juiz e saem correndo para abraçar conhecidos meliantes, nada se pode esperar de bom. Somos e nos mantemos como a grande piada internacional.

Quando se assiste, nas redes sociais, alguns eleitores agradecendo fervorosamente ao prefeito, porque em seu município está chovendo, e quando outro, ainda mais sabido, atravessa a conversa dizendo que não se deve agradecer ao prefeito, mas sim ao presidente da República, porque a chuva é federal e está caindo em todo o país, a certeza que se tem é que levaremos ainda séculos para conseguir alcançar um verdadeiro Estado Democrático de Direito, onde todos serão iguais perante a lei.

        O voto, que seria, em tese, nossa redenção e inserção no primeiro mundo civilizado, tornou-se, pelos mecanismos burocráticos da máquina do Estado, um salvo conduto para malfeitores agirem livremente. Alia-se a esse fato todo o emaranhado tecnológico em que se transformou o voto eletrônico, como estampam artigos acadêmicos e de tecnologia, cujo o comando fica em mãos de personagens, que, todos sabem, não escondem sua predileção partidária.

        Vivemos tempos estranhos e malfazejos em que toda uma população, minimamente desperta e ainda crente nos princípios da ética, vive cercada, de um lado, por uma gente que despreza o voto e desconhece sua significância. De outro lado, por aqueles que comandam todo o processo, de dentro da máquina, e tudo fazem para que essa realidade cruenta permaneça imutável, pois tal status satisfaz seus desígnios, bem como daqueles que pensam da mesma forma torta.

 

A frase que foi pronunciada:

A justiça é como uma serpente, só morde os pés descalços.”

Eduardo Galeano

Eduardo Galeano. Foto: Samuel Sánchez.

 

Máxima atenção

Deputado federal Capitão Fábio Abreu elaborou projeto de lei que reconhece o TDAH, déficit de atenção como deficiência. Na proposta, a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade respalda, com efeitos legais, os portadores desse diagnóstico. Veja como votar no projeto acessando o link: https://forms.camara.leg.br/ex/enquetes/2291884.

Vale ajudar

O Instituto Solidário A Vida precisa de doações de leite em pó da marca Pregomin Pepti para o pequeno Luís Gustavo. A instituição fica na Qr 401, Conj 13, Lote 3, em Samambaia Norte. Crianças deficientes e abandonadas, crianças convalescentes com pais sem condição financeira para tratamentos. Ligue para 99323-3440 para mais informações.

Foto: outletbaby.com

Novidade

Presidida pelo jurista Ricardo Cueva, do Superior Tribunal de Justiça, com relatoria da jurista Laura Schertel, uma comissão foi instalada no Senado com o propósito de discutir um Marco Regulatório sobre a Inteligência Artificial. A iniciativa partiu do senador Eduardo Gomes (MDB-TO). As informações são da Agência Senado.

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

História de Brasília

Nesta mesma página os senhores encontrarão uma carta ao nosso diretor, assinada pelo sr. José Pereira Caldas, a propósito da mudança do Ministério da Fazenda. (Publicada em 20.02.1962)

Trova dos Três Poderes

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Charge do Sponholz

 

Parafraseando o ditado que diz que “em casa que falta pão, todos brigam e ninguém tem razão”, inspirou-nos a trova:

Num país como o nosso

Em que os 3 Poderes da República

vivem em constantes disputas e desunião

Exigir que cada um cumpra, à risca,

O que diz a Constituição

É, além de descabido

Uma grande tapeação.

Fôssemos aqui elencar

todo o rosário de atropelos

Que entre si travam há tempos esses Poderes da União

Diríamos que nessas querelas hoje em dia

Ninguém possui um naco de razão.

Na verdade, o veredito certeiro

Para todos esses entreveros

Que em última análise

prejudica os cidadãos

Declara ser a todos imputado

Plena culpa e ampla admoestação.

Erram todos e de maneira distinta

Contribuindo com esse desatino para a credibilidade de Estado perder

Esfarrapam os Poderes com a nação a enlanguescer

Perdem o respeito dos indivíduos e de toda a cristandade

Com a imagem maculada

Não se cansam de maldades

Muito bem faz o eleitor

Em sair em debandada

Virando as costas para uma elite de insensíveis dirigentes

Que por seus desatinos e más condutas

Mas se assemelham a engravatados indigentes

Nessa repetição de desarrazoadas decisões

Mesmo a boa gente, com toda a paciência que lhe é reconhecida

Já não esconde no rosto uma imagem cansada e desiludida

Ministros altaneiros, cujas origens passam longe da toga e da magistratura

Legislam abertamente tecendo o pano da impostura

Com o manto da impunidade

Cobrem políticos aldrabões

Numa eterna maquinaria

A blindar nobres fanfarrões

O Legislativo que há muito o respeito perdeu

Vive de negociatas

Vendendo o meu, vendendo o seu.

Mesmo o Executivo

Cuja a presidência um dia um mau ladrão ocupou

É vista hoje pelo povo injuriado

Como Poder que mal falado

A ética deturpou.

Os brasileiros, desanimados e entristecidos

Observam a cena toda entre raivosos e ensandecidos.

O desrespeito às leis e a própria Constituição

De tão flagrante e descarada

Leva-nos todos de roldão

Numa ensandecida desabalada.

 

A frase que foi pronunciada:

É melhor escrever errado a coisa certa do que escrever certo a coisa errada…”

Patativa do Assaré

Patativa do Assaré.
Foto: Fernando Travessoni

Honra ao Mérito

É bom que se registre a ação cirúrgica da Coordenação do Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça e da Segurança Pública em relação ao criminoso que pretendia fazer um massacre na capital do país. Com as informações, a Polícia Civil do DF levou adiante o protocolo.

Foto: Divulgação/PCDF

Novidade

Novo planejamento educacional vai ser necessário para atender ao novo formato do Enem. Desde o planejamento pedagógico a dinâmica das aulas, projetos extracurriculares deverão ser repensados. O novo Exame Nacional do Ensino Médio foi acatado por especialistas. Veio para melhorar!

 

Para crianças

Uma nova abordagem feita pelo, já tradicional na cidade, Teatro Mapati. Trata-se de estreia de espetáculo da Cia Teatral Mapati, inspirado na poesia de Manoel de Barros, para trazer para o centro de reflexões das famílias, de forma lúdica, o envelhecer e o Alzheimer. Veja mais informações no link: Temporada de estreia – Espetáculo Avô Árvore, Menino Pássaro.

Banner: sympla.com

História de Brasília

O regime não funciona, não é por isso não. É porque todos os ministros são uns eternos turistas e o que é pior, turistas sem planos. O ministro da Viação, que faz planificação de trabalho, pode apresentar resultado positivo. Os demais, coisíssima alguma. (Publicada em 20.02.1962)

Educação ainda é caso de polícia

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

Quando a educação deixa de ser uma questão, cujos ajustes técnicos podem ser encontrados dentro das ciências da didática e da pedagogia, e passa a requerer a intervenção direta da força policial, para que se consiga um mínimo de desempenho, temos que admitir, o mais urgentemente possível, que não estamos diante de um problema de educação propriamente dito, mas, sim, diante de um fenômeno capaz de destruir o nosso medíocre sistema de ensino, transformando nossas escolas em ambientes de alto risco para alunos, professores, trabalhadores e toda a comunidade no seu entorno.
Esse é mais um elemento a se juntar ao conjunto de problemas que assolam nosso sistema de ensino desde sempre e que nos empurra para o fim da fila, quando o assunto é avaliação da qualidade de nossa educação pública, vis à vis a outras nações. Se a educação, como repetia o filósofo de Mondubim, é baseada num conjunto de bons exemplos, vindos de cima para baixo, estamos numa enrascada de todo o tamanho.
O imbróglio envolvendo agora o ministro da pasta e seus assessores diretos, com o uso da fabulosa verba desse ministério sendo direcionadas, prioritariamente, para amigos, correligionários e irmãos de fé, mostra que o problema a afligir todo o sistema de educação do país perpassa todas as hierarquias, atingindo, de forma igualmente ilegal todos os operadores da educação, do ministro ao aluno mais modesto.
Trata-se de uma questão sistêmica a afligir todo o edifício da educação em nosso país e a possibilidade de que essa enorme estrutura venha a se colapsar por completo. Em meio a esse desmoronamento do sistema, os pais parecem viver um pesadelo, pois são obrigados, por lei, a mandar seus filhos para a escola a partir dos quatro anos. Aos casos escabrosos de facadas, tiroteios, tráfico de drogas, camisa de força, torturas, ameaças e espancamentos, ocorridos quase que diariamente dentro e nas proximidades das escolas, juntaram-se também o episódio em uma creche, em Vila Formosa (SP), em que diretora é a principal suspeita de torturar, sadicamente amarrando e prendendo os bebês em quartos escuros, e cometer crimes só vistos em pesados filmes de terror.
Não há como negar que, de cima a baixo, o que a população brasileira tem como sistema de educação, mesmo com a verba para esse ano ultrapassando a casa dos R$ 140 bilhões, é um caso de polícia, com as escolas e o próprio ministério cercados pelos agentes da lei, com todos de mãos levantadas, num salve-se quem puder.
O reforço no batalhão escolar, como determinado agora pelo GDE, com varreduras e outras medidas preventivas de ordem policial, mostram que ainda estamos muito longe de uma escola ideal, capaz de inserir o país no século 21.
A frase que foi pronunciada:
“A pesquisa e o estudo a partir das vertentes imagísticas estão apenas começando. Somente o ponto do iceberg despertou. A partir do século 21, os interessados neste assunto devem se dedicar intensamente, pois, das imagens surgirão não só revelações sobre o corpo psicológico e físico, como descobertas das potencialidades mentais dos seres humanos. As descobertas futuras sobre o inconsciente revolucionarão a história da raça humana.”
Nise da Silveira
Nise da Silveira. Foto: Alexandre Sant’Anna/SAÚDE é Vital
De repente
Só pode ser influência política porque não faz sentido em termos de engenharia. Em plena curva, uma parada de ônibus de cada lado e a velocidade que era 80km/h passa para 40 km/h. Estão preparando os novos pardais no Trecho 11 do Setor de Mansões do Lago Norte com essa novidade.
Charge: Julinho
Burocracia
Faltam mais técnicos na Novacap para agilizar a liberação do habite-se. São muitas as reclamações vindas do novo bairro do Taquari. A companhia cobra, por exemplo, que cada lote tenha dispositivos de contenção de águas pluviais. Só assim liberam o habite se. Acontece que a Adasa implementou um reservatório de águas pluviais a poucos metros da área cobrada, o que, segundo a lei dispensa os moradores dessa obra. (Artigo 5° § 3º da Lei Complementar 929/2017)
Foto: novacap.df.gov
Choque de realidade
Alguém teve paciência de colecionar capas de revistas desde o ano 2003. Uma retrospectiva interessante para atravessar notícias fakes e colocar o pé na realidade. Disponível no link: Choque de Realidade – Canal Visto, Lido e Ouvido no Youtube.
História de Brasília
Não funciona, não é por isso não. É porque todos os ministros são uns eternos turistas e o que é pior, turistas sem planos. O ministro da Viação, que faz planificação de trabalho, pode apresentar resultado positivo. Os demais, coisissima alguma. (Publicada em 20/02/1962)

Bancada do paraíso

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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

 

         Existe uma diferença estelar entre o que é hoje, sob o pseudônimo, “bancada evangélica” e o próprio Evangelho, conforme apresentado no Novo Testamento da Bíblia Cristã. Mesmo quanto ao significado dessa palavra grega, traduzido como “Boa-Nova”, essa distância só poderia ser aferida com a utilização de unidades de medidas astronômicas (au), ainda mais quando se analisa, de perto, o real significado e o que é, e pretende, de fato, essa bancada, organizada sob a falsa pele do evangelismo.

        De boa-nova, já se sabe, nada trazem de bom e que possa ser aproveitado pelo eleitor, mesmo aqueles cujo fanatismo turva a visão e a razão. Trata-se aqui de uma bancada que, à semelhança das bancadas do boi e da bala, é organizada apenas para somar forças e, com isso, garantir o máximo possível de vantagens para cada um, isoladamente, e para seus nichos específicos, dentro da autêntica e velha máxima do “toma lá, dá cá”. Não há boa-nova possível em práticas velhas, assim como não é prático colocar-se remendo novo sobre tecido velho. Ainda que fôssemos imaginar que a formação de uma bancada dessa natureza obedeceria às regras do jogo que é jogado no Legislativo, ainda assim estaríamos diante de uma aberração e negação do que seria uma boa-nova.

        Quando se trata de um jogo viciado, recorrente dentro do parlamento, em que as boas práticas da ética são postas de lado, e quando o próprio sentido de República é, seguidamente, conspurcado em benefício de um individualismo tacanho, não há alcunha possível capaz de nomear qualquer grupo político, muito menos com o carimbo de evangélico. O que se tem aqui é o mais puro “Homo Homini Lupus”, numa briga feroz e em que, ao cidadão, caberá o que cair da mesa do banquete.

        A questão curiosa aqui é porque o cidadão e eleitor jamais foi brindado com a formação da bancada da ética ou a bancada dos princípios republicanos. Ou mesmo com a criação da bancada da lei, dos fins dos privilégios e outras do gênero, que viessem impor o mais básico dos princípios: o povo paga e manda. Não surpreende, pois, que, como ocorrem com outras bancadas de pressão política, os escândalos se sucedem nesse nicho evangélico, como numa rotina monótona e pachorrenta do cotidiano.

A separação entre Igreja e Estado, princípio básico do modelo republicano e dos direitos humanos fundamentais, é relegado a terceiro plano, quando forças políticas, camufladas de religiosos, passam a interferir no ordenamento do Estado, exercendo pressão negativa para renúncias de impostos, para a indicação de membros dessa e daquela igreja para ocuparem cargos dentro dos Três Poderes e outras estratégias que, na visão do idealizador, viria a ser o cristianismo, pertenceria apenas aos césares e àqueles que encontraram, nas benesses e mordomias do Estado, o céu ou o paraíso.

        O escândalo do momento, envolvendo o atual ministro da educação e um grupo de evangélicos que, supostamente, estariam sendo favorecidos com o orçamento bilionário dessa pasta, é apenas a ponta menor e visível de um gigantesco iceberg a remover o leito do oceano e a mistura, o que é de Deus e o que não é.

 

A frase que foi pronunciada:

De todos os homens maus, os homens maus religiosos são os piores.”

C.S. Lewis

O escritor britânico C.S. Lewis, em 1950 John Chillingworth/Picture Post/Getty Images

Personalidade

Muita gente não sabe, mas a mãe do jornalista Chico Sant’Anna foi uma das primeiras professoras na Casa Thomas Jefferson em Brasília. Norma Corrêa Meyer Sant’Anna, conhecida como Mrs. Sant’Anna. Depois lecionou inglês no Gila-Ginásio do Lago, francês na Aliança Francesa e português na Escola Americana. Chegou em Brasília em abril de 58 com os 4 filhos. Chico Sant’Anna tinha 6 meses de vida

Ela está sentada no banco de trás. O local é o canteiro de obra da SQS 106. O fotógrafo, Cláudio Sant’Anna

Eleições, nada mais

Mais uma vez, os donos das mídias sociais atacam. Para empresários e em vários seguimentos de trabalho, a lista de transmissão no WhatsApp facilitava a comunicação. Agora, com a atualização, foi extinta. Parece que nada mudará esse ano.

Imagem: techtudo.com

Furos X Furadas

Em 28 de setembro, nas últimas eleições, o mais conhecido instituto de pesquisa paulista apontou a vantagem de Haddad: 45% para o petista, contra 39% de Bolsonaro. A Dilma seria senadora, João Doria iria para segundo turno, Zema estava na lanterna. É sempre bom voltar ao passado apenas para estudar.

Charge do Sinfrônio

Empoderamento

Dentro das iniciativas de valores femininos, está o Festival de Filmes de Mulheres. Para quem se inscreve na página, as opções são variadas. Veja na página: https://womensfilmfest.com/.

História de Brasília

O deputado Raul Pilla acusa o sr. João Goulart pelo não funcionamento do regime. Ora, se um homem pode atrapalhar um regime, é mais fácil o regime não prestar, que o homem. (Publicada em 20.02.1962)

Brasil em constante luta para sair do passado

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Charge do Amarildo

 

        Duas podem ser as hipóteses que explicariam o favoritismo do ex-presidente Lula em muitos institutos de pesquisa de opinião. Há nesse caso um fato curioso a ser observado, quando se verifica que o ex-presidente petista, por todos os acontecimentos que redundaram em sua prisão e também na de seus mais próximos colaboradores, transformaram Lula numa espécie de candidato invisível, que só é visto por iniciados da sua seita, em ambientes especiais e fechados e pelas redes virtuais da internet.

        Tem-se aqui um autêntico candidato fantasma à brasileira, fabricado, sob medida, pelos ministros do Supremo Tribunal Federal, através de um polêmico processo, antijurídico, que trouxe consigo até um neologismo estranho: “descondenação”, ainda não tratado nos dicionários tradicionais. Não por outra, as eleições de 2022 vão se configurando num pleito inusitado, digno das ficções do tipo surrealistas. As duas hipóteses capazes de explicar o favoritismo do ex-presidente são os já desacreditados institutos de pesquisa, por suas metodologias acrobáticas, e um caráter que considera a corrupção e roubo dos recursos públicos atos sem grandes importâncias para a vida política e para o próprio sentido de cidadania.

        A acreditar nessa hipótese, estamos num caminho sem volta, rumo ao brejo. A outra explicação para a vantagem nas pesquisas do ex-presidente e ex-presidiário é a de que o esquecimento dos fatos pretéritos, numa espécie de alzheimer político severo e coletivo, afeta a maioria dos eleitores neste país. Vale lembrar que não é o que se vê nas ruas. Mas, em qualquer das duas hipóteses, estamos no sal, desidratados de saúde e de caráter.

        O simples fato de os brasileiros, como também atestam pesquisas recentes, classificarem o tema “combate à corrupção” como um projeto para o país menos importante do que fatores como a inflação e o desemprego demonstra que, a má formação ou a ausência total desta faz de nossos cidadãos presas fáceis para a engabelação desses profissionais da política.

        O que se poderia esperar de um cidadão minimamente atento é que negasse perdão a gestor público ladrão. A explicação para o favoritismo nas próximas eleições de pessoas que dilapidaram os cofres públicos e empurraram o Brasil para a mais profunda crise de todos os tempos não pode ser debitada a sentenças do tipo que nos classificam como um país sem seriedade. Tampouco pode ter sua explicação no conluio estabelecido, de forma sorrateira, entre os eleitores e os eleitos.

        Há aqui uma explicação que parece fugir aos alfarrábios de psicologia ou mesmo à hipótese do inconsciente coletivo, tudo isso com pitadas e propensões à autoflagelação e até à parafilia. Há, caso se confirmem as previsões dos institutos de pesquisa, um fenômeno, de ordem psíquica, a ser estudado no comportamento dos eleitores ou dos que publicam as pesquisas. Basta coletar as previsões das eleições passadas para compreender os índices bizarros de preferência e os votos recebidos.

        Caso não exista mesmo essa doença mental, as probabilidades mais aceitas para explicar o comportamento do tipo esquizofrênico dos eleitores só poderão ser buscaas em tratados sociológicos como o de Sérgio Buarque de Holanda em “Raízes do Brasil”, de 1936, ou Casa Grande e Senzala de Giberto Freyre, de 1933. O mais certo e talvez mais popular seria buscar explicações do tipo antropológicas e sociais para essas preferências do eleitorado em obras como Pedro Malasartes ou “Macunaíma”, de Mário de Andrade, publicada em 1928. Até que o eleitor possa entender, definitivamente, que a corrupção antecede a males como inflação e desemprego e está na raiz de todos os nossos problemas como nação, muitas eleições terão passado, mantendo o Brasil onde sempre esteve: no passado.

 

A frase que foi pronunciada:

Os institutos de pesquisa estão percebendo que as pessoas mentem.”

Luiz Felipe Pondé

 

Luiz Felipe Pondé. Foto: Divulgação

Exposição

A partir do dia 22 deste mês, Lidia Daze e Ricardo Frade participam da Mostra Expressões Contemporâneas. Veja a programação a seguir.

 

Abuso

Tão inocente um kinder ovo. Geralmente comprado para satisfazer a criança gastando pouco. Mais do que a gasolina, mais do que o feijão, mais do que a carne. Um kinder ovo já chegou a R$ 50,00.

Publicação nos histories de João Paulo Florêncio, no seu perfil oficial no Instagram

Como se tornar pior

Por falar em abuso, dessa vez sexual e livre. A Netflix está provocando a ira de quem não tem preguiça de educar os filhos. São pais que acompanham os menores e monitoram a forma de entrada de eletrônicos em casa. Só que, dessa vez, a Netflix apostou em um filme produzido por Danilo Gentili com atuação de Fábio Porchat, criticando adolescentes que não se prestam à lascívia. Veja a seguir.

Foto: divulgação

História de Brasília

Dá nesses vexames, as promessas que os candidatos fazem em nome da Prefeitura. A ligação da luz na Asa Norte não pode ser garantida por ninguém. É um problema técnico, e tem seu tempo. (Publicada em 20.02.1962)

Cobradores que não pagam o que devem

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Charge do Cazo

 

        Temos aqui ataques contra a população desde 1500. No nosso caso, não é outro país que comete esse ataque, é o próprio Estado brasileiro, na figura dos Três Poderes da República. Esses atores, de forma indisfarçada, vêm empreendendo o que seria uma guerra de dominação, invadindo a vida dos cidadãos e dela se apossando, para seu proveito. Para tanto, lançam, de sua artilharia pesada, aos que estão na planície, uma verdadeira saraivada de bombas, na forma de edição de medidas e interpretações de leis, que impõem a taxação crescente de impostos e tributos, de toda a ordem, que caem como chuva de obuses arrasando as possibilidades da população manter um padrão econômico mínimo e decente.

        Os mísseis, de uma carga tributária escorchante, parecem dotados de uma espécie de sensor que os guia diretamente sobre as classes sociais que se amontoam no sopé da pirâmide. Em última análise, esses Poderes, por suas prerrogativas que vão muito além da razoabilidade, acabam por sufocar os civis, numa luta desigual em que nem mesmo as leis escritas são capazes de pacificar.

        Com isso, garantem a perpetuação do status quo, com a manutenção e aumento dos privilégios, com proteções e regalias apenas àqueles que estão no controle do país. Aumentam os gastos públicos, não em investimento diretos para a nação, mas para dotar esses nichos de poder, instâncias semelhantes a paraísos, onde nenhuma crise é capaz de atingir. Se aumentam os preços dos combustíveis, em lógicas matemáticas diversas, os efeitos negativos nos alcançam, já que, por seus penduricalhos de proventos, estão cobertos por defesas do tipo vale combustível e outras armas.

        Para essa elite, entrincheirada em seus bunkers de luxo, aqui na capital e em outros estados, cabe à população arcar com as consequências das crises cíclicas que ela, diligentemente, fabrica. Trata-se de uma situação que, figurativamente, é também uma guerra, mas que vem perdurando por séculos e que está a se agravar, à medida que aumentam os gastos do governo e de cada Poder em particular.

        É, de fato, uma invasão não declarada, onde os áulicos possuem todas as mais sofisticadas armas. À população sob ataque permanente, resta se defender como pode. Para isso, vê-se obrigada a recorrer às armas que a criação possibilita, mantendo-se numa informalidade clandestina, onde tem que usar verdadeiras táticas de guerrilha, driblando imposições, fazendo gatos aqui e acolá, buscando meios de não ser lançada no abismo das regulações burocráticas, sugada por impostos e taxas sem fim.

        Tem-se aqui uma guerra na qual as armas desiguais acabam sempre por ferir os calcanhares daqueles que andam descalços. A sorte dos brasileiros, se é que se pode chamar isso de sorte, é que os próprios Poderes não se entendem entre si, o que torna uma ação conjunta e coordenada, do Estado contra a população, algo ainda distante e até impensável no momento.

 

A frase que foi pronunciada:

A maioria dos homens são maus juízes quando seus próprios interesses estão envolvidos.”

Aristóteles, séc. IV a.C.

Aristóteles. Foto: Creative Commons

Níveis prata e ouro

Milhões de inventariantes pelo país ficaram sem resposta do Banco Central em relação aos valores a receber pelo Banco Central. A Instituição avisa que, em situações que envolvem questões legais, operacionais e tecnológicas mais específicas – como falecidos ou pessoas com dificuldade de obter contas níveis prata ou ouro – serão tratadas na próxima fase do sistema. A data de início ainda será divulgada pelo Banco Central.

TJDFT

Uma das vantagens do trabalho à distancia recai sobre a Justiça. Casos de pequena causa são resolvidos com maior celeridade. Na página do TJDFT, o formulário para preenchimento fica disponível para a população, que o preenche no site. A data e hora da audiência é marcada e o link para a reunião no Teams é enviado por e-mail.

Foto: brasiliadefato.com.br

Alegria

Marcos Linhares comunica que a hora da arte voltar chegou. Anunciado o Chamamento Nacional de Brincantes, Mestras e Mestres. O Portal do Mamulengo convoca artistas de todo o Brasil para responderem à pesquisa do Teatro de Bonecos Popular do Nordeste e sua cadeia produtiva. Veja os detalhes a seguir.

–> Mestras e Mestres de todo o Brasil para responderem à pesquisa do Teatro de Bonecos Popular do Nordeste e sua cadeia produtiva pelo link https://bityli.com/jwKEl. Previsto para estar disponível para acesso a partir de 30 de março, o Portal (portaldomamulengo.com.br)  reunirá informações de mais de 100 mestres e novos brincantes, com dados, fotos, vídeos, tudo que for necessário para preservar a memória e a técnica centenária desse patrimônio imaterial brasileiro, que sobrevive desde os tempos coloniais.

O coordenador da campanha “Portal do Mamulengo” e diretor artístico e de criação da Cia Voar Teatro de Bonecos (sediada no Gama-DF) , Marco Augusto Rezende,  fala que o projeto bateu a meta de financiamento coletivo um dia antes do prazo final e que a seleção de brincantes conta com uma curadoria super qualificada na área de cultura popular. “Temos uma respeitável equipe curatorial: a bonequeira, Profa Dra Izabela Brochado (UnB), especialista em cultura popular; Chico Simões, mestre reconhecido pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Andreisson Quintela, criador da TV Mamulengo e membro da Comissão de Bonecos Populares da Associação Brasileira de Teatro de Bonecos (ABTB)”, afirma o bonequeiro.

“Lançamos esse formulário para ajudar na pesquisa que vai dar origem ao site com o máximo de informações sobre, brincantes, mestras e mestre”, pontua Marco Augusto.
Patrimônio
O artista também aponta que desde quando o Teatro de Bonecos Popular do Nordeste foi reconhecido pelo Iphan como patrimônio imaterial do Brasil (2015), o número de brincantes dos bonecos do tipo mamulengo só aumenta, estando presente em quase todo o país. “Por isso, o portal é tão importante, pois lida com a memória dessa importante manifestação artística e pode alcançar pessoas de todas as idades, o que é muito importante. Vamos trabalhar com muita satisfação para difundir o trabalho dos brincantes”, defende o diretor artístico e de criação da Cia Voar.

“Alguns jovens têm procurado conhecer o mundo mágico dos  bonecos, e aqui e ali, surgem novos grupos. No DF, por exemplo, já contamos com cerca de 20 grupos que trabalham com mamulengos. O que muito nos orgulha e encanta” finaliza.

Parceiros
A Associação Candanga de Teatro de Bonecos (ACTB) e a Associação Brasileira de Teatro de Bonecos (ABTB) são parceiras da Cia Voar Teatro de Bonecos no Portal do Mamulengo.

BNDES
O projeto foi selecionado no âmbito do “Edital Matchfunding BNDES+”, que estimula ações de legado para o patrimônio cultural brasileiro. Assim, para cada real arrecadado na campanha, o BNDES entra com mais dois reais, triplicando os recursos até atingir a primeira meta. Mas a regra é TUDO ou NADA: se essa meta não for atingida, o valor arrecadado é devolvido e o projeto não acontece.

Os diversos nomes dos mamulengos Brasil afora

A apresentação do Teatro de Bonecos Popular do Nordeste é chamada por diferentes nomes dependendo de onde ele vem. É chamado de Mamulengo, em Pernambuco e no Distrito Federal,  Babau, na Paraíba; João Redondo ou Calunga, no Rio Grande do Norte; e Cassimiro Coco, no Ceará, Piauí e Maranhão.


Serviço:
O quê: Chamamento Nacional de Brincantes,  Mestras e Mestres

O Portal do Mamulengo convoca artistas de todo o Brasil para responderem à pesquisa do Teatro de Bonecos Popular do Nordeste e sua cadeia produtiva
Como: Pelo link https://bityli.com/jwKEl 

Quando: Até o dia 15 de abril
Informações: (61) 99901-3822

Assessoria de Imprensa: Marcos Linhares – (61) 99905-5905

Precedente

GDF anuncia vários concursos para a população. Na Educação, Justiça. Há os que fiquem desconfiados, já que houve concurso onde a regra de classificação mudou ignorando o que determinava o Edital.

Cartaz enviado pela comissão de aprovados do concurso para a SEDES, em 12/03/2020, quando a polêmica da alteração de pontuação mínima na prova objetiva ainda tentava ser solucionada na justiça.

Cerca já!

Desde 2003, o Decreto 23.911 institui o Parque Ecológico do Taquari. Cabe à Companhia Imobiliária de Brasília – TERRACAP, a execução de todos os projetos destinados à implantação, manutenção, vigilância e administração do Parque Ecológico do Taquari, sob a supervisão da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos – SEMARH.

História de Brasília

Desesperados com as promessas dos candidatos, que lá começam a provar porque Brasília não deve ter eleição, os comerciantes da Asa Norte procuram, agora, o CORREIO BRAZILIENSE. (Publicada em 20.02.1962)