Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade
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O uso precoce e crescente no consumo de álcool por parte dos jovens brasileiros é mais do que um problema relegado apenas às estatísticas das entidades de saúde pública. O que está em questão nesse problema é a destruição de toda uma geração que poderia contribuir para o futuro do país. Esse é um problema que tem crescido e que parece não preocupar devidamente as autoridades, as escolas e mesmo as famílias. Os danos causados pelo consumo de álcool, numa fase da vida em que o próprio corpo e o cérebro ainda estão em desenvolvimento, trazem complicações físicas e transtornos mentais que poderão se estender para o resto da vida, aumentando ainda mais um flagelo que já atinge muitos adultos em todos os países. Como pano de fundo dessa tragédia lenta, temos que o número de estabelecimentos que vendem álcool no Brasil, são, de longe, os que mais são vistos em todas as partes das cidades, sejam elas capitais ou cidades do interior.
Em Brasília não é diferente, Em cada quadra residencial o número de bares indicam que na capital esse problema também é visível e parece crescer a cada dia. Dados recentes levantados ano passado O Globo indicam que quase 6% dos adolescentes do país apresentavam transtornos pelo uso de álcool. O pior é que 56% da população já consumiu bebida alcoólica antes da maioridade, sendo que 25,5% dos adolescentes começaram a beber regularmente antes dos 18 anos. Não se vê em parte alguma, campanhas institucionais alertando para o vício em bebidas alcoólicas, nem mesmo nas escolas. O que parece é que o governo não leva a sério esse tipo de campanha.
Segundo a Organização Mundial de Saúde OMS o consumo de álcool é diretamente influenciado pela facilidade de acesso, aos bares, aos restaurantes, aos mercados, lojas de conveniência e depósitos que bebidas espalhadas nos quatro cantos da cidade. Nesses lugares, raramente são pedidos comprovantes e documentos de maioridade. A fiscalização, quando existe, também não tem sido suficiente. A realidade diante desse descaso é que um em cada quatro adolescentes brasileiros já consumiram bebidas alcoólicas. De acordo com o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD) o álcool é hoje uma realidade presente na vida dos jovens entre 14 e 17 anos. O que temos aqui é um problema seríssimo de saúde pública. Médicos e especialistas são unânimes em reconhecer que o consumo de bebidas nessa fase da vida é a mais arriscada de todas para o cérebro, provocando danos na cognição, no raciocínio, na memória, no fígado, nos rins, afetando negativamente e minando a saúde cada órgão do corpo, levando o indivíduo à morte ou a loucura.
Para a economia do país essa liberação geral traz ainda mais danos, com jovens lotando os hospitais, por doenças ligadas ao álcool ou acidentes incapacitantes decorrentes do consumo dessas bebidas. Mais de meio milhão de adolescentes, hoje fazem parte dessa estatística e os números crescem a cada ano. Em nosso caso o que se observa é que quanto maior a oferta de bebidas e menor o controle por parte das autoridades, maior o consumo entre a população jovem. Insere-se nesse quadro desolador o aumento progressivo da violência ligado ao álcool, tanto nos acidentes de trânsito como, nas brigas entre gangues, nos assaltos, roubos e mesmo assassinatos. O mais curioso é que medidas do tipo lei seca, não só não funcionam como estimulam e aumentam o consumo, numa aritmética indiretamente proporcional e perversa .
É consenso ainda entre os especialistas que somente uma educação de base, voltada para o entendimento do problema é capaz de minorar, não acabar com esse problema. Países que também enfrentaram esse problema, como é o caso da Islândia onde em 1989, 42% dos seus jovens bebiam grandes quantidades de álcool e consumo de tabaco e drogas, exibe hoje um dado surpreendente, com esse percentual caindo para cerca de 5%, no espaço de poucos anos. As autoridades compreenderam que proibição não funcionava e partiram para transformar o ambiente onde os jovens cresciam. Havia uma falta de conexão e de atividades significativas, somadas ainda à falta de tempo com a família, menos sentimento de pertencimento e longos períodos sem supervisão. Era preciso voltar atrás e investir numa infância mais rica e cheia de experiências positivas. O governo passou então a poiar atividades como esportes, música, artes, dança, natação e outras atividades. Os pais também foram convocados para esse esforço, fazendo refeições juntos, se informando sobre a rotina dos filhos, onde estavam, fazendo o quê e com quem, participando do dia a dia dos filhos. Esse programa exitoso começou onde deveria ter começado desde o início: dentro da família. Sem esse tipo de suporte, não há esperança.
Parece que a família não é uma realidade atrasada. É o gancho para a ordem e o progresso onde haja alegria de viver. Se é disso o que precisamos.
A frase que foi pronunciada:
“Lar não é só de onde você vem, é onde você encontra luz quando tudo escurece.”
Pierce Brown
História de Brasília
Aliás, que êles, voluntáriamente, passaram a preferir a nacionalidade italiana, nos dá bem conta esta notícia publicada no “O Estado de São Paulo” de 23 do corrente (telegramas da AFP, UPI e AP): “Os elementos “oriundos” da seleção italiana — Mazzola e Sormani, brasileiros e Sivori e Maschio, argentinos, são unânimes em afirmar que não existem distinções na delegação italiana e todos somos italianos, de acôrdo com a lei de nosso país, e viemos à América do Sul com o fim de dar nosso melhor esfôrço à Itália”.(Publicada em 25.05.1962)





