Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade
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Alguns relatórios internacionais que usam grandes bases de dados com testes, como as Matrizes Progressivas de Raven, estimam que o QI médio brasileiro fica em torno de 92 a 98 pontos, abaixo da média global de 100. Debates recentes na internet correlacionam essa média com fatores socioeconômicos profundamente enraizados na história e nas políticas públicas do país. Embora a medição de QI por país seja controversa, ela nos dá um ponto de partida para discutir desigualdades estruturais que começam nos primeiros anos de vida de milhões de crianças brasileiras e moldam trajetórias de aprendizagem, educação e oportunidades ao longo da vida. Segundo algumas bases de dados comparativas, o Brasil figura em posições médias/modestas em rankings globais, em contraste com países considerados desenvolvidos, como China, Japão ou Coreia do Sul. Estimativas públicas sugerem que, em certos levantamentos, o QI médio do Brasil aparece abaixo de muitos países asiáticos e europeus, com valores que alguns estudos situam ao redor de 85–100 pontos, em contraste com médias superiores a 100 em países como Japão ou algumas partes da Ásia Oriental.
É importante sublinhar a controvérsia desses números: metodologias variam, amostras podem ser enviesadas e o QI é influenciado por fatores educacionais, culturais e socioeconômicos diversos. Além disso, o próprio conceito de QI tem limitações e deve ser interpretado com cautela, sem reducionismos que desconsiderem contexto histórico e estrutural. A neurociência do desenvolvimento humano deixa claro que a estrutura neural do cérebro cresce mais rapidamente nos primeiros dois anos de vida, uma janela crítica em que nutrição, ambiente, estímulo e cuidado moldam a formação de conexões sinápticas essenciais para o aprendizado futuro. Quando fatores como a fome, a desnutrição ou infecções graves perturbam esse processo, podem ocorrer prejuízos duradouros às capacidades cognitivas. Estudos clínicos mostram que crianças que sofreram desnutrição na primeira infância apresentam médias mais baixas em testes cognitivos e desempenho escolar, e que essas diferenças tendem a persistir até a adolescência.
Dados divulgados pela Câmara dos Deputados, em trabalho assinado pela Dr.a Luciana Phebo, mostram que, na região Norte do Brasil, a prevalência de anemia em menores de 2 anos de idade chega a 30% das crianças. Milhões de crianças convivem com condições que prejudicam o crescimento saudável, incluindo baixo peso ao nascer, alimentação inadequada e acesso desigual a serviços de saúde e educação. Paralelamente, índices globais de fome que incorporam proporção de subnutridos e peso insuficiente em crianças menores de cinco anos continuam a refletir desigualdades profundas entre países do “terceiro mundo” e nações desenvolvidas, onde a fome como causa de atraso no desenvolvimento físico e cognitivo foi drasticamente reduzida nas últimas décadas.
A vida e o desenvolvimento de uma criança não são moldados apenas por fatores biológicos ou familiares: sistemas sociais inteiros influenciam o ambiente de crescimento. Entre eles: escassez estrutural, altas taxas de pobreza (que levam à deficiência nutricional), moradia inadequada, acesso desigual à saúde e sobrecarga familiar de fatores que reduzem a capacidade de estímulo intelectual e aprendizado desde cedo. Apesar do gasto público significativo com educação, a qualidade e a equidade permanecem desiguais. Isso limita a capacidade de desenvolver bases sólidas de aprendizagem nos anos críticos. A corrupção sistêmica, seja na alocação de recursos para programas de infância, seja na execução de políticas de saúde e educação que desviam fundos que poderiam fortalecer redes de proteção às crianças é um problema pontual. A ineficiência no uso de recursos públicos agrava a vulnerabilidade social e diminui o impacto de políticas que poderiam melhorar nutrição, creches e educação básica.
A tragédia nacional que começa na primeira infância não é inevitável. Políticas públicas eficazes que combinam: assistência nutricional universal nos primeiros anos; amamentação apoiada e alimentação complementar adequada; educação infantil acessível; redes comunitárias de cuidado; transparência nas rubricas e combate à corrupção; investimento contínuo em ciência, saúde e educação são, segundo pesquisadores em desenvolvimento infantil e políticas públicas, as melhores apostas para transformar trajetórias de vida e reduzir desigualdades precoces que moldam o futuro da nação.
Reduzir uma nação inteira a um número de QI é tanto simplista quanto perigoso. Porém, discutir as desigualdades que influenciam medidas de desempenho cognitivo e reconhecer que muitos desses fatores começam antes mesmo da criança andar ou falar é uma oportunidade de colocar em foco as verdadeiras causas estruturais: pobreza, fome, desigualdade de oportunidades e falhas graves no uso de recursos públicos. Os números podem ser debatidos, mas a tragédia da primeira infância carente no Brasil é real e enfrenta uma escolha política central: continuar relegada ao segundo plano, ou ser tratada como prioridade de Estado, com investimentos verdadeiros em saúde, nutrição, educação e um combate sem trégua à corrupção.
A frase que foi pronunciada:
“Somos constantemente moldados por estímulos aparentemente irrelevantes, informações subliminares e forças internas sobre as quais nada sabemos.”
Robert Sapolsky

Trabalho
Luiz Saboia liga da Alemanha elogiando a imprensa brasileira que não para de trabalhar durante os feriados. Vários jornais impressos daquele país param de rodar no domingo e nos feriados.

História de Brasília
Era de propriedade do govêrno do Estado do Ceará, e a informação de técnicos é que ela sozinha poderá produzir sal para todo o Brasil.
(Publicada em 13.05.1962)





