Entre Zé Carioca e Tio Sam

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VISTO, LIDO E OUVIDO
*Criada por Ari Cunha DESDE 1960

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Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade

jornalistacircecunha@gmail.com

Criado por Walt Disney em 1942, durante a Política da Boa Vizinhança, Zé Carioca nasceu como um símbolo da aproximação entre Brasil e Estados Unidos. Elegante, simpático, dono de conversa fácil e de um talento quase sobrenatural para escapar das dificuldades, o papagaio brasileiro tornou-se um dos personagens mais conhecidos dos quadrinhos mundiais. Representava um Brasil cordial, criativo, improvisador e profundamente confiante na força da própria lábia. Passadas mais de oito décadas, o personagem continua servindo como metáfora útil para compreender certos momentos da vida política nacional.

(Gemini)

Na diplomacia, como na vida, existe uma diferença fundamental entre simpatia e poder. A boa conversa pode abrir portas. Não substitui interesses nacionais. A habilidade retórica pode aliviar tensões. Não altera a correlação de forças entre países. Grandes potências negociam com base em interesses estratégicos permanentes, muito mais do que em afinidades pessoais entre governantes. Foi justamente essa lição que a história da diplomacia ensina repetidas vezes. Os Estados Unidos mantiveram relações estreitas com governos democráticos e autoritários, conservadores e progressistas, republicanos e socialistas, sempre que seus interesses nacionais assim recomendaram. A China faz exatamente o mesmo. Rússia, Índia e União Europeia seguem lógica semelhante.
Na política internacional, amizades são circunstanciais. Interesses costumam ser permanentes. Por isso, encontros entre chefes de Estado raramente podem ser avaliados apenas pelas imagens produzidas para a imprensa. Um aperto de mão não significa convergência estratégica. Um sorriso diante das câmeras não elimina divergências comerciais, tecnológicas ou geopolíticas. O Brasil ocupa posição singular nesse tabuleiro. É a maior economia da América Latina, possui enormes reservas minerais, enorme produção agrícola, matriz energética relativamente limpa e importância crescente na segurança alimentar mundial. Justamente por isso desperta o interesse simultâneo de Washington, Pequim, Bruxelas e Moscou. Essa condição exige uma diplomacia extremamente cuidadosa. Qualquer percepção de alinhamento automático ou de antagonismo permanente tende a reduzir a margem de manobra brasileira.
A tradição diplomática construída pelo Itamaraty ao longo de décadas sempre buscou preservar autonomia, previsibilidade e capacidade de diálogo com diferentes polos internacionais. Nos últimos anos, entretanto, a política externa brasileira tornou-se mais polarizada internamente. Decisões diplomáticas passaram a ser interpretadas também sob a ótica da disputa política doméstica. Isso elevou o custo de cada gesto e aumentou a repercussão de cada declaração presidencial. Nesse ambiente, a metáfora de Zé Carioca volta a fazer sentido. O personagem acreditava que inteligência improvisada bastava para resolver praticamente qualquer situação. Muitas vezes conseguia. Outras tantas descobria que havia interlocutores igualmente experientes, conhecedores das regras do jogo e pouco suscetíveis ao charme do improviso. A política internacional raramente recompensa improvisações, corpo a corpo ou conexão descontraída e despreparada. Negociações entre países envolvem cadeias produtivas, investimentos bilionários, segurança nacional, tecnologia, comércio exterior e alianças militares.
Quando uma governante aposta na informalidade e na quebra de protocolos, o argumento de seus defensores é que isso humaniza a liderança, abre canais diretos de diálogo e projeta um soft power autêntico no exterior. No entanto, o contra-argumento que ganha muita força em momentos de crise econômica ou de impasses diplomáticos sérios é o de que a liturgia do cargo não é mero capricho estético. Ela serve para blindar a imagem do país e garantir que as negociações de alto nível sejam tratadas com a gravidade que os interesses nacionais exigem. Ao longo da história, países que confundiram retórica com estratégia acabaram reduzindo sua influência internacional. Os que preservaram instituições diplomáticas profissionais conseguiram atravessar mudanças de governo mantendo credibilidade perante diferentes parceiros. O verdadeiro patrimônio de uma política externa não é o brilho momentâneo de uma fotografia nem o impacto de uma declaração. É a confiança acumulada durante décadas de comportamento previsível. Zé Carioca permanece um personagem fascinante justamente porque simboliza um traço conhecido da cultura brasileira: a crença de que criatividade e improvisação sempre encontrarão uma saída. Na vida cotidiana, isso pode até funcionar. Na geopolítica, entretanto, costuma prevalecer uma máxima muito mais antiga: nem sempre quem parece ingênuo realmente o é, e quase nunca as grandes potências entram numa negociação sem conhecer, com antecedência, todos os interesses que pretendem defender. Entre a simpatia do papagaio e o pragmatismo das relações internacionais existe uma distância que nenhuma boa conversa consegue eliminar. É nessa distância que se decide o espaço de um país no cenário mundial.

A frase que foi pronunciada:
“Lula é o presidente que o Brasil merece”
Celso Amorim

História de Brasília
A primeira disputa pela presidência da Novacap partiu do PTB de Goiás. Fala-se na fôrça que os políticos estão fazendo para substituir o dr. Afrânio Barbosa pelo deputado Haroldo Duarte, vice-presidente da Assembléia Legislativa de Goiás. (Publicada em 24.05.1962)

Univer(sali)sidades esquecidas

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*Gemini

Poucas imagens conseguem sintetizar tão bem uma crise institucional quanto aquela oferecida por parte dos campi de universidades públicas brasileiras. Em diversas instituições espalhadas pelo país, o visitante encontra prédios envelhecidos, fachadas cobertas por pichações, corredores ocupados por cartazes acumulados ao longo dos anos, laboratórios necessitando de modernização, equipamentos defasados e sinais evidentes de falta de manutenção. Independentemente da posição ideológica de quem observa esse cenário, uma conclusão parece inevitável: boa parte do patrimônio público brasileiro destinado ao ensino superior vem sofrendo um processo prolongado de deterioração.
Naturalmente, esse diagnóstico não se aplica da mesma forma a todas as universidades. O Brasil possui instituições públicas que continuam produzindo pesquisa de alto nível, formando profissionais altamente qualificados e ocupando posições relevantes em diferentes áreas do conhecimento. Universidades como USP, Unicamp, UFMG e outras permanecem responsáveis por parcela expressiva da produção científica nacional. Ainda assim, a realidade de muitos campi revela dificuldades que deixaram de ser episódicas para se tornar estruturais. A crise começa pela infraestrutura. O resultado aparece em salas superlotadas, dificuldades administrativas e crescente pressão sobre professores e técnicos.
Outro aspecto frequentemente debatido diz respeito ao ambiente universitário. Universidades são, por definição, espaços de liberdade intelectual. Devem acolher diferentes correntes de pensamento, estimular o confronto de ideias e formar cidadãos capazes de questionar consensos. Quando esse ambiente plural é substituído por intolerância ao dissenso, perde-se uma das características fundamentais da vida acadêmica. Estudos sobre o Perfil do Funcionalismo Público e Elites Intelectuais (Ipea / Universidades Federais, Análises de Produção Acadêmica nas Ciências Humanas e Pesquisas de Opinião em Períodos Eleitorais (Simulações e Enquetes por Categorias mostram que a maioria dos docentes das universidades brasileiras tende a posicionar-se mais à esquerda no espectro político.
Pesquisadores vinculados a áreas como a Ciência Política e a Sociologia têm investigado o ambiente universitário. Um dos argumentos centrais dessas análises é a aplicação da Teoria da Espiral do Silêncio (de Elisabeth Noelle-Neumann): estudantes que percebem suas opiniões (sejam liberais na economia, conservadoras nos costumes ou críticas a correntes teóricas hegemônicas) como minoritárias no grupo tendem a se calar por medo do isolamento social ou de retaliação acadêmica (como avaliações subjetivas de trabalhos e bancas).Outros pesquisadores contestam essa percepção e sustentam que faltam evidências sistemáticas de doutrinação institucionalizada. O tema permanece objeto de intenso debate.
Há ainda questões relacionadas à convivência cotidiana nos campi. É comum encontrar relatos sobre consumo de álcool e, em alguns locais, uso ostensivo de drogas ilícitas em áreas abertas das universidades. Embora essa realidade varie significativamente entre instituições e não caracterize a totalidade dos campi, ela alimenta críticas sobre a dificuldade de garantir segurança, preservar o patrimônio público e assegurar um ambiente adequado ao ensino e à pesquisa. Enquanto isso, os desafios acadêmicos tornam-se cada vez maiores.
A competição internacional por produção científica, inovação tecnológica e formação de pesquisadores intensificou-se nas últimas décadas. Países asiáticos ampliaram maciçamente seus investimentos em universidades. Estados Unidos e Europa continuam concentrando boa parte dos centros de excelência. A China transformou o ensino superior em prioridade estratégica nacional. O Brasil, por sua vez, enfrenta dificuldades para acompanhar esse ritmo. Nos principais rankings internacionais, poucas universidades brasileiras conseguem manter posições de destaque. Embora continuem figurando entre as melhores da América Latina, ainda enfrentam limitações significativas quando comparadas aos grandes centros mundiais de pesquisa. Além disso, indicadores de inovação, transferência tecnológica e registro de patentes permanecem aquém do potencial científico do país. Essa realidade não pode ser atribuída exclusivamente à falta de recursos. Gestão eficiente, planejamento estratégico, avaliação permanente de desempenho, internacionalização, aproximação com o setor produtivo e autonomia administrativa também desempenham papel decisivo na qualidade universitária. Os sistemas mais bem-sucedidos combinam financiamento adequado com mecanismos transparentes de cobrança por resultados.

A frase que foi pronunciada:
“A universidade precisa estar aberta à realidade inteira do seu tempo, precisa imergir no espaço público… Quando ela se fecha em dogmas ou se isola em si mesma, ela deserta de sua missão universal e torna-se um casarão de espectros.” José Ortega y Gasset

História de Brasília
Um amigo nosso saiu de Fortaleza porque o povo vivia em muitas dificuldades, e a cidade tinha clubes demais. Veio para Brasília, ouviu o que dizem os comerciantes, os gerentes de bancos, recebeu, no mesmo dia, proposta para comprar 15 ações de clubes diferentes, fechou a mala, marcou a passagem e foi embora. (Publicada em 24.05.1962)

A Igreja diante da possibilidade de um novo cisma

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Ao longo de seus dois mil anos de história, poucas ameaças mostraram-se tão perigosas para a Igreja Católica quanto aquelas que nasceram dentro de seus próprios muros. Perseguições externas, impérios hostis, revoluções anticristãs e regimes totalitários jamais conseguiram destruir a Igreja. As maiores crises surgiram quando parte de sua própria hierarquia passou a divergir sobre questões doutrinárias, disciplinares ou pastorais. Foi assim no Grande Cisma do Oriente, em 1054. Foi assim durante a Reforma Protestante do século XVI. Em todos esses momentos, o problema não estava apenas nas forças que pressionavam a Igreja de fora para dentro, mas também na incapacidade de preservar a unidade em torno daquilo que sempre foi considerado imutável.
É nesse contexto que chamam atenção as recentes declarações do bispo Jan Paweł Lenga, bispo emérito de Karaganda, no Cazaquistão. Em um texto que circulou amplamente entre grupos católicos tradicionalistas, ele afirma que “cargos-chave estão sendo cada vez mais ocupados por pessoas completamente corrompidas pelo mundo” e sustenta que determinados cardeais e bispos “já não têm absolutamente nada em comum com a Igreja de Cristo”. Para Lenga, aqueles que acusam outros de provocar divisões seriam justamente os responsáveis por um cisma silencioso em curso. Trata-se de uma acusação gravíssima. Mais do que uma crítica administrativa ou disciplinar, ela atinge o próprio coração da autoridade eclesiástica. O termo “cisma”, na tradição católica, significa a ruptura da comunhão com a autoridade legítima da Igreja. Historicamente, essa palavra nunca foi utilizada de forma leviana. Seu emprego sempre esteve associado a acontecimentos capazes de alterar profundamente o destino do cristianismo. É evidente que essa não é a posição oficial da Igreja Católica. A Santa Sé continua afirmando que o Concílio Vaticano II deve ser interpretado em continuidade com toda a tradição anterior, e não como uma ruptura.
Diversos teólogos sustentam que as reformas litúrgicas e pastorais buscaram responder aos desafios do mundo contemporâneo sem modificar os dogmas fundamentais da fé. Em outras palavras, os dogmas fundamentais permanecem os mesmos, enquanto a liturgia, a linguagem, os métodos pastorais e o relacionamento da Igreja com a sociedade podem ser renovados para responder às necessidades de cada época.

Essa interpretação tornou-se especialmente influente após a formulação da “hermenêutica da continuidade” por Bento XVI, que procurou mostrar que as reformas conciliares devem ser lidas como um desenvolvimento orgânico da tradição católica, e não como uma ruptura com ela. Entretanto, seria igualmente um erro ignorar que existe hoje um debate interno de grandes proporções.
Em diferentes países, bispos, cardeais, sacerdotes e intelectuais católicos manifestam preocupação com temas que vão desde a liturgia até questões morais envolvendo casamento, sexualidade, comunhão, ecumenismo e sinodalidade. Não se trata de uma discussão periférica, mas de um confronto entre diferentes compreensões sobre a missão da Igreja no século XXI. Nomes como o cardeal Raymond Burke, o cardeal Gerhard Ludwig Müller, o bispo Athanasius Schneider e o próprio arcebispo Carlo Maria Viganò têm expressado críticas contundentes a diversos rumos adotados nos últimos anos, ainda que cada um o faça em graus e fundamentos distintos. Alguns falam em crise doutrinária. Outros preferem falar em crise pastoral. Há ainda aqueles que enxergam uma crescente influência da cultura secular sobre decisões e documentos eclesiais.
O temor manifestado por esses setores é o de que, na tentativa de dialogar com o mundo contemporâneo, a Igreja acabe assimilando categorias culturais incompatíveis com sua tradição bimilenar. Para esses críticos, a preocupação excessiva com adaptação social poderia levar ao enfraquecimento da identidade católica. Por outro lado, muitos bispos e teólogos argumentam exatamente o contrário. Sustentam que a evangelização exige novas linguagens e novas formas de presença pastoral, sem que isso implique abandono da doutrina. Segundo essa perspectiva, a Igreja sempre passou por processos de desenvolvimento e atualização ao longo da história, preservando o depósito da fé enquanto adaptava sua ação missionária às circunstâncias de cada época. O fato é que a tensão existe e dificilmente pode ser ignorada. A própria história demonstra que grandes divisões nunca surgem de um dia para o outro. Elas costumam ser precedidas por anos de debates, incompreensões, acusações mútuas e perda gradual da confiança entre diferentes setores da mesma comunidade. Também merece reflexão o uso recorrente da imagem bíblica do “lobo entre as ovelhas”. A metáfora aparece nos Evangelhos como advertência contra falsos mestres e falsos profetas.

A frase que foi pronunciada:
“O maior entre vós seja como o mais jovem, e aquele que governa como quem serve.”
Jesus Cristo

História de Brasília
Dona Elba Sette Câmara foi ao Hospital Distrital, solicitou uma relação de material, levou para as crianças, socorreu-as, e, embora tenha provocado uma crise administrativa, salvou muitas crianças e adultos. (Publicada em 24.05.1962)

 

A pátria sem chuteiras

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Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade

Depois do apito final do jogo entre Brasil e Noruega, comentaristas de todas as áreas, não somente do futebol, mas de todas as áreas correram para apresentar explicações e visões dessa derrota ao grande público. O que sabemos desde há muito, é que a Seleção, como o nome indica como reunião dos melhores, é, antes de tudo a “pátria de chuteiras”. Somos nós mesmos em campo, com toda a nossa bagagem cultural e nossas idiossincrasias e nossos complexos. Apesar das mazelas que o país parece experenciar desde 1500, sempre acreditamos ser uma potência de primeiro mundo, quando o assunto é futebol. Perdendo essa que seria a nossa única qualidade perante o mundo, o que nos resta? Nesse caso antes mesmo de reformular o modelo e a arquitetura de nosso futebol profissional, sufocado pelos descaminhos da cartolagem e das contas mal explicadas de cada federação e mesmo da CBF, envolta agora em escândalos de toda a ordem, é preciso é mais a fundo e analisar essa derrota como um todo. Com isso fica patente que estamos em meio a uma crise não só no futebol mas em todas as áreas da vida nacional. A começar pelo Estado, pela República, pelos Poderes e por aí vai.
expressões definiram tão bem o Brasil quanto a célebre imagem criada por Nelson Rodrigues da “pátria de chuteiras”. O futebol nunca foi apenas um esporte entre nós. Foi uma forma de identidade nacional, uma linguagem comum entre ricos e pobres, uma rara ocasião em que o país parecia esquecer suas diferenças para reconhecer-se como nação. Durante décadas, a Seleção Brasileira representou algo muito maior do que onze jogadores em campo. Ela simbolizava a ideia de que, apesar de todas as dificuldades econômicas, políticas e sociais, havia pelo menos um território onde o Brasil permanecia soberano. Hoje essa certeza já não existe. A derrota para a Noruega, por si só, não representa uma tragédia esportiva. No futebol, perder faz parte do jogo. O que desperta inquietação é o contexto em que ela ocorre.
A Seleção parece ter perdido aquilo que durante décadas foi sua maior virtude: personalidade. Não faltam atletas talentosos. O Brasil continua exportando jogadores para os principais campeonatos do mundo. Os clubes europeus seguem disputando nossos jovens talentos antes mesmo que completem uma temporada no futebol profissional. O problema, portanto, não parece residir na matéria-prima. Talvez esteja naquilo que acontece antes que esses jogadores entrem em campo. O futebol brasileiro passou a refletir, de maneira quase perfeita, as virtudes e os defeitos da própria sociedade. A desorganização administrativa, a instabilidade institucional, a falta de planejamento de longo prazo, o excesso de personalismo, a dificuldade de prestar contas e a permanente sucessão de disputas pelo poder também encontraram espaço dentro das estruturas esportivas. A Confederação Brasileira de Futebol tornou-se, nos últimos anos, protagonista de sucessivas crises administrativas, disputas judiciais, mudanças de comando e questionamentos sobre sua governança. Em diversas federações estaduais, dirigentes permanecem décadas no poder, frequentemente protegidos por estruturas pouco transparentes e sistemas eleitorais que dificultam a renovação. O torcedor acompanha resultados dentro de campo, mas raramente conhece o funcionamento das instituições responsáveis por administrar o esporte mais popular do país. Nenhuma organização produz excelência esportiva quando sua administração convive permanentemente com incertezas
Quando a criatividade florescia na economia, na cultura e na vida pública, ela também aparecia nos gramados. Quando predominavam organização, disciplina e objetivos claros, essas qualidades igualmente se refletiam na camisa amarela. Hoje o espelho parece devolver outra imagem. Vivemos um período marcado por intensa polarização política, crescente desconfiança nas instituições, dificuldades econômicas persistentes, baixo crescimento da produtividade, deficiências educacionais, violência urbana e sucessivos escândalos envolvendo diferentes setores da vida pública. Independentemente das interpretações políticas que cada cidadão faça desse cenário, há um dado difícil de contestar: a confiança coletiva encontra-se profundamente abalada.
Durante décadas, o sucesso da Seleção serviu, em alguma medida, como elemento de compensação simbólica. Em meio às crises nacionais, permanecia a convicção de que ainda éramos referência mundial em pelo menos uma atividade. O futebol funcionava como uma espécie de patrimônio emocional da República. Essa função parece estar desaparecendo. A camisa amarela já não desperta unanimidade. A Seleção já não intimida adversários. O chamado “futebol-arte”, que encantou o mundo, tornou-se lembrança histórica mais do que realidade contemporânea.
O futebol tornou-se uma atividade altamente profissionalizada, baseada em ciência esportiva, planejamento estratégico, análise de desempenho, gestão financeira e formação continuada. A improvisação perdeu espaço. Outros países aprenderam. A derrota diante da Noruega, portanto, talvez não seja apenas um resultado esportivo. Ela funciona como metáfora de um país que parece ter perdido parte de sua capacidade de transformar talento em excelência, potencial em realização e tradição em liderança. A Seleção permanece sendo a pátria de chuteiras. Se ela hoje parece jogar abaixo de sua história, talvez seja porque reflete, com fidelidade desconfortável, as dificuldades, as incertezas e as contradições de um Brasil que ainda procura reencontrar seu próprio rumo em pleno século XXI.

ROGACIANO

Será inaugurada em Fortaleza, no próximo dia 23, a partir das 19h, a exposição “Rogaciano Leite e os Congressos de Cantadores”
A mostra será realizada no Espaço Cultural da Cegás, no bairro José de Alencar, e vai até o dia 28 de agosto.
Rogaciano Leite (1920 -1969) foi jornalista, compositor e poeta.
É autor de “Carne e Alma”, obra poética aplaudida pela critica nacional.
O jornalista e poeta Nonato Freitas, amigo de Rogaciano Leite, do qual foi colega de jornal, em Fortaleza, escreveu um cordel sobre o notável bardo.
A obra escrita por Nonato Freitas fará parte da exposição.
Helena Roraima Leite, filha de Rogaciano, é uma das organizadoras do evento.

 

A frase que foi pronunciada:
No futebol, a pior cegueira é só enxergar a bola.”
Nelson Falcão Rodrigues

História de Brasília
As crianças no Hospital de Sobradinho viveram momentos horríveis nestas noites de frio. Dormiam em caixotes de madeira com serragem, por falta de cobertores. (Publicada em 24.05.1962)

A Razão de Estado

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Criado por Ari Cunha em 1962 – Brasília

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“A política não tem nada a ver com a razão, e sim com o poder.” A frase, atribuída a Maquiavel, incomoda porque despe a política de qualquer verniz moral e a devolve ao seu osso: quem manda, manda; o resto é justificativa. Para o cidadão que ainda acredita nas fábulas da soberania popular, soa cínica demais. Mas basta observar o Brasil dos últimos meses para perceber que a crueza maquiavélica descreve a realidade com mais precisão do que qualquer manual de civismo escolar. Isso não significa que o poder seja sempre exercido às claras, com a violência nua de quem empunha uma arma. A forma contemporânea de dominação é mais sutil: opera por decreto, por resolução de agência reguladora, por acórdão de tribunal que se apresenta como guardião da democracia enquanto redesenha, sozinho, as regras do jogo público. É precisamente esse o movimento que se pode observar no Brasil de 2026, às vésperas de uma eleição presidencial.

Em 20 de maio, o governo federal editou dois decretos  o 12.975/2026 e o 12.976/2026  que ampliam de forma expressiva os poderes de fiscalização do Estado sobre plataformas digitais. O primeiro transforma a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), criada por lei com a competência estrita de proteger dados pessoais, em uma espécie de fiscal de conteúdo, encarregada de verificar se as redes sociais estão cumprindo obrigações de moderação. O Congresso, é bom lembrar, já havia debatido e não aprovado  uma proposta semelhante, o chamado PL das Fake News. O que o Legislativo rejeitou pela porta da frente voltou pela porta dos fundos do Executivo.

O gesto não é isolado. Há apoio numa decisão do Supremo Tribunal Federal que, ao derrubar a exigência de ordem judicial para responsabilizar plataformas por publicações de terceiros, o que criou um incentivo estrutural à autocensura: toda empresa que hospeda conteúdo passa a preferir remover em excesso a arriscar sanção. Não é necessário proibir uma opinião para silenciá-la; basta tornar caro demais mantê-la no ar. Essa é a censura que não precisa se declarar censura  ela se disfarça de “gestão de riscos sistêmicos”, de “proteção à integridade do processo eleitoral”, de combate a discursos vagamente definidos como “antidemocráticos”.

Aqui reside o paradoxo que autores de tradições muito diferentes já haviam identificado: os regimes que mais restringem a liberdade raramente o admitem. Preferem fazê-lo em nome de um bem maior como a proteção da democracia, o combate à desinformação, a defesa das mulheres e das crianças no ambiente digital, todas causas nobres em si mesmas, mas que servem também de veículo perfeito para normas de contornos propositalmente imprecisos.

Quando um decreto define violência digital como qualquer conduta que cause “sofrimento psicológico”, a plataforma prudente prefere apagar a crítica contundente contra uma autoridade a discutir, caso a caso, se aquela crítica configura ou não crime. O efeito prático independe da intenção declarada. É aqui que a advertência do início se confirma. Quando abrimos mão de decidir por nós mesmos o que pode ou não circular no debate público, delegando essa tarefa a um órgão do próprio governo que se autofiscaliza, não estamos defendendo a democracia, estamos entregando a um grupo específico, momentaneamente instalado no poder, a prerrogativa de definir os limites da própria liberdade que todos deveriam usufruir igualmente.

O problema do momento brasileiro é que essa simetria não existe. De um lado, um Executivo que edita normas por decreto; de outro, plataformas, veículos de imprensa e cidadãos comuns que não têm como negociar em pé de igualdade os termos de sua própria expressão. Não é à toa que o próprio Congresso, instituição que, com todos os seus defeitos, ainda depende do voto popular, se tornou o principal ponto de resistência a esse avanço, articulando decretos legislativos para sustar as medidas. Isso mostra que o fechamento político não é uma sentença irreversível, mas um processo que se pode ainda conter desde que se reconheça sua natureza. Vale lembrar que nenhum regime que restringiu liberdades o fez confessando essa intenção.. Reconhecer isso não é pessimismo, é realismo. Maquiavel não escrevia para justificar o poder, mas para que os súditos  e hoje, os cidadãos  deixassem de se iludir sobre  sua natureza. Só quem enxerga o poder como ele é pode cobrar de suas instituições que ele seja contido pelas vias legítimas: o debate legislativo, a fiscalização parlamentar, o voto. A alternativa de aceitar cada novo decreto como um mal necessário, cada nova competência regulatória como um detalhe técnico  é o caminho mais curto para transformar a exceção em regra e a vigilância em rotina.

A frase que foi pronunciada: “Quase todos os homens conseguem suportar a adversidade, mas se você quiser testar o caráter de um homem, dê-lhe poder.” Abraham Lincoln

 

História de Brasília

Agora, para que tenha apenas uma Igreja, está realizando um programa de quermesses, que se iniciará no dia 2 de junho. Serão quermesses nos fins de semanas 2 e 3 e 9 e 10. (Publicada em 24.05.1962)

Tecnologias e ameaças

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*Criada por Ari Cunha DESDE 1960

Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

Poucas vezes na história uma tecnologia avançou com tanta velocidade quanto a inteligência artificial. Da mesma forma, raríssimas foram as ocasiões em que os próprios criadores dessa tecnologia decidiram interromper momentaneamente a celebração do progresso para fazer um alerta à humanidade. Quando isso acontece, convém ouvir.

Geoffrey Hinton, vencedor do Prêmio Nobel de Física de 2024 e um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento das modernas redes neurais artificiais, tornou-se uma das vozes mais contundentes ao advertir que a inteligência artificial poderá representar o maior salto tecnológico já produzido pelo homem e, paradoxalmente, um dos maiores riscos já enfrentados pela civilização. Não se trata de ficção científica nem de roteiro hollywoodiano. Trata-se da avaliação de um cientista que ajudou a construir exatamente aquilo que hoje teme.
Durante séculos, o homem criou ferramentas para ampliar sua força física. A máquina a vapor multiplicou músculos. O motor de combustão reduziu distâncias. A eletricidade transformou cidades. O computador acelerou cálculos antes impossíveis. A inteligência artificial, entretanto, inaugura uma etapa completamente diferente: pela primeira vez, cria-se uma ferramenta destinada a ampliar funções intelectuais. A diferença é gigantesca. As chamadas redes neurais artificiais procuram reproduzir, ainda que de forma simplificada, determinados padrões de aprendizado observados no cérebro humano. Em vez de apenas seguir regras previamente programadas, esses sistemas aprendem a partir de enormes volumes de dados, identificam padrões, formulam previsões e produzem respostas cada vez mais sofisticadas. O resultado já pode ser visto diariamente. A IA escreve textos, produz imagens, traduz idiomas, diagnostica doenças, auxilia pesquisadores, desenvolve novos medicamentos, controla processos industriais, interpreta exames médicos, conduz veículos, gerencia investimentos financeiros e participa até mesmo da formulação de estratégias militares. Estamos apenas no início.
” A inteligência artificial é uma tecnologia de propósito geral” obra de Erik Brynjolfsson estimam que, nas próximas décadas, praticamente toda atividade econômica sofrerá algum grau de transformação pela inteligência artificial. A produtividade poderá aumentar de forma extraordinária. Custos serão reduzidos. Descobertas científicas poderão ocorrer numa velocidade nunca antes imaginada. Mas é justamente aí que reside o perigo. Toda tecnologia poderosa possui dupla utilização. A energia nuclear ilumina cidades e produz bombas atômicas. A engenharia genética salva vidas e pode produzir armas biológicas. A internet democratizou o conhecimento, mas também multiplicou crimes cibernéticos, fraudes financeiras e campanhas sofisticadas de desinformação. Com a inteligência artificial não será diferente.
Mais um alerta importante de Geffrey Hinton é de que sistemas cada vez mais inteligentes poderão ser utilizados para desenvolver vírus artificiais extremamente letais, acelerar pesquisas destinadas à produção de armas químicas ou biológicas, automatizar ataques cibernéticos contra infraestruturas críticas e criar mecanismos de manipulação psicológica em escala jamais vista. Imagine programas capazes de produzir milhões de vídeos falsos absolutamente perfeitos. Imagine uma IA desenvolvendo novas moléculas tóxicas em poucas horas. Imagine sistemas militares completamente autônomos decidindo quem vive e quem morre sem qualquer intervenção humana. Nenhum desses cenários pertence mais exclusivamente à ficção.
 Diversos governos investem bilhões de dólares em aplicações militares da inteligência artificial. Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido, França e Israel figuram entre os países que mais desenvolvem pesquisas nessa área. Paralelamente, organizações criminosas também começam a utilizar IA para golpes financeiros, clonagem de voz, invasões digitais e fraudes cada vez mais sofisticadas. A tecnologia é neutra. O uso jamais será.
Outro aspecto igualmente preocupante diz respeito à concentração de poder. Quem controlar os algoritmos mais avançados poderá controlar informação, economia, comunicação e até decisões políticas. Nunca tantas informações pessoais estiveram reunidas em tão poucas empresas ou governos. Cada pesquisa realizada, cada compra efetuada, cada deslocamento registrado pelo celular, cada fotografia publicada e cada conversa armazenada alimentam gigantescos bancos de dados utilizados para treinar sistemas inteligentes. Informação tornou-se poder. E poder concentrado sempre exige vigilância.
Existe ainda uma questão que raramente aparece nos debates públicos: a substituição gradual da autonomia humana. Quanto mais delegarmos decisões às máquinas, menor poderá tornar-se nossa capacidade de decidir por conta própria. Navegadores já escolhem nossas rotas. Algoritmos selecionam as notícias que lemos. Plataformas recomendam músicas, filmes, livros e até parceiros afetivos. Em muitos casos, sequer percebemos que nossas escolhas passaram a ser influenciadas por sistemas invisíveis. A liberdade não costuma desaparecer de forma abrupta. Frequentemente ela é substituída por conveniências. O risco maior talvez não seja uma rebelião de robôs, mas uma humanidade cada vez mais dependente de decisões tomadas por sistemas que poucos compreendem e quase ninguém controla. Esse debate exige serenidade.
A frase que foi pronunciada:
“Os robôs herdarão a Terra? Sim, mas serão nossos filhos”
Marvin Minsky

Quem foi Marvin Minsky?

Minsky foi um dos fundadores do MIT Computer Science & Artificial Intelligence Lab. Foi um matemático, cientista da computação e pioneiro na IA.

Morreu em 2016, tendo publicado dez anos antes o seu último livro, ‘The Emotion Machine: Commonsense Thinking, Artificial Intelligence, andthe Future of the Human Mind’.

O trabalho de Minsky é mencionado algumas vezes no livro ‘Algoritmosfera’, de @camilaaleporace. Uma das menções acontece na página 92, junto aos nomes de outros feras da robótica e da IA:

‘Existe um paradoxo que é o seguinte: enquanto uma variedade de tarefas consideradas difíceis para a cognição e ainteligência humana são desempenhadas com sucesso por sistemas artificiais –muitas vezes sendo capazes de jogar xadrez, ter bons resultados nos chamadostestes de inteligência, resolver tarefas de álgebra, teoremas e daí por diante– outras atividades, que acabamos considerando triviais ou ordinárias, sãoainda assumidas como muito complexas para serem executadas por sistemasartificiais. Encontram-se no grupo dessas tarefas algumas que mesmo um bebêpode protagonizar; dentre elas, ações relacionadas à percepção e à mobilidade.Essas questões desafiadoras para a IA foram aglutinadas sob o rótulo do chamado“Paradoxo de Moravec” (Dellermann et al., 2019) – pelo próprio Hans Moravec epelos roboticistas Marvin Minsky e Rodney Brooks’.

*fonte Instagram
História de Brasília
Com o dr. Afrânio Barbosa à frente da Novacap como presidente, bem que poderia ser resolvido o caso da iluminação sonora da praça dos Três Podêres que vem se arrastando desde o tempo do dr. Jânio Quadros. (Publicada em 22.05.1962)
Afrânio Barbosa da Silva (1914–2006) foi um engenheiro eletricista pioneiro que atuou na fundação de Brasília. Em 1962, como chefe do Departamento de Força e Luz (DFL) da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil, ele liderou a infraestrutura de energia que garantiu a funcionalidade da nova capital.
*Fonte DF Brasília

A economia é o que se vê a olho nu

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*Criada por Ari Cunha DESDE 1960

Hoje com Circe Cunha e Manoel de Andrade – MAMFIL

De acordo com o Cadastro Único (CadÚnico) e do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com População em Situação de Rua (OBPopRua/UFMG) em junho desse ano (2026) 392.400 pessoas viviam em situação de rua em todo o país. Esse número é quase o dobro de dezembro de 2022, quando o registro era de 198.700. Ou seja, houve um aumento de 97,4%. Na verdade. não é preciso consultar organismos oficiais para verificar que o número de mendigos e moradores de rua tem aumentado exponencialmente em todas as cidades brasileiras. Não há uma praça sequer ou área verde que não estejam tomadas por famílias inteiras, vivendo ao relento, em marquises, pontes ao  em debaixo de lonas de plástico. Observe que esses são números oficiais. Na realidade esses números são significativamente maiores do que os divulgados e há quem diga que existem hoje mais de meio milhão de pessoas vivendo nas ruas do país, sem quaisquer direitos ou obrigações civis. Apesar de declarações garantirem que esses números são bem menores, não há como esconder essa imensa população desamparada dos olhos da população.  Poucas estatísticas conseguem retratar com tanta força o estado real de um país quanto o número de pessoas que vivem nas ruas.
Mesmo que o Produto Interno Bruto possa crescer, a arrecadação aumentar, bolsas de valores podem atingir recordes e governos podem anunciar sucessivos programas sociais. Independentemente das discussões metodológicas sobre os levantamentos, há um fato que dispensa qualquer planilha estatística. Basta caminhar pelas cidades brasileiras. Praças antes ocupadas por crianças brincando transformaram-se em acampamentos improvisados. Viadutos converteram-se em dormitórios permanentes. Canteiros centrais passaram a servir de residência. Áreas verdes, parques urbanos e terrenos públicos foram ocupados por barracas, colchões e lonas plásticas. A pobreza deixou de ser um dado estatístico. Passou a fazer parte da paisagem urbana. As grandes capitais concentram a maior parte dessa população, mas o fenômeno já alcança cidades médias e até pequenos municípios. O que antes parecia restrito aos grandes centros tornou-se uma realidade nacional.
É verdade que períodos prolongados de baixo crescimento econômico costumam ampliar a vulnerabilidade social. Economias que geram poucos empregos formais oferecem menos oportunidades para famílias que já vivem em situação de fragilidade. O debate público, entretanto, frequentemente transforma uma questão humana em disputa política.
A realidade possui uma característica inconveniente. Ela não desaparece porque alguém decide ignorá-la. Esse crescimento de desamparados também impõe novos desafios às cidades. Serviços de saúde enfrentam maior demanda. Redes de assistência social tornam-se insuficientes. A segurança pública convive com situações cada vez mais complexas. Comerciantes, moradores e usuários dos espaços urbanos passam a disputar áreas que deveriam cumprir funções coletivas. A consequência é uma deterioração gradual da convivência urbana. Ao mesmo tempo, cresce o risco de naturalização do problema. Uma sociedade acostuma-se lentamente com aquilo que deveria considerá-lo intolerável. Esse talvez seja o aspecto mais preocupante. A pobreza extrema deixa de ser percebida como emergência e transforma-se em cenário permanente.
Nosso país ocupa posição relevante entre as maiores economias do planeta. Possui uma das maiores produções agrícolas do mundo, amplo parque industrial, sistema financeiro sofisticado e enorme capacidade produtiva. Ainda assim, convive com um contingente expressivo de cidadãos privados das condições mais elementares de existência. Essa contradição merece reflexão. O Índice de Desenvolvimento Humano não mede apenas renda. Considera também educação e expectativa de vida. Mais do que isso, procura avaliar o interesse de um governo em oferecer oportunidades concretas para que seus cidadãos desenvolvam plenamente suas potencialidades. Não basta produzir riqueza. É necessário criar condições para que essa riqueza se traduza em melhoria efetiva da qualidade de vida. O desafio não será resolvido por um único programa governamental nem por soluções simplistas. Exige que parte da sociedade exija crescimento econômico sustentado, políticas públicas eficientes, atenção à saúde mental, combate às dependências químicas, qualificação profissional, ampliação da oferta habitacional e melhor coordenação entre União, estados e municípios.
Mais do que um problema estatístico, a população em situação de rua tornou-se um dos retratos mais visíveis das dificuldades de gestão do governo brasileiro. O verdadeiro desenvolvimento não se mede apenas pela expansão da economia ou pelo volume de investimentos anunciados. Mede-se também pela capacidade de reduzir a vulnerabilidade humana e de assegurar que a dignidade deixe de ser privilégio de alguns para tornar-se uma condição acessível ao conjunto da população. Enquanto centenas de milhares de brasileiros continuarem vivendo sem moradia estável, sem escolas que preparem para o futuro, sem acesso regular a políticas de emprego que valorizem a própria força e sem perspectivas concretas de reintegração social, permanecerá aberta uma distância significativa entre o discurso e a prática.

A frase que foi pronunciada:
“Há o suficiente no mundo para as necessidades de todos, mas não o suficiente para a ganância de todos.”
Frank Buchman

História de Brasília
O padre José Bertoldo é o unico do mundo que tem 64 igrejas. É que êle é pároco da Asa Norte e celebra nos pilotis dos 64 blocos residenciais daquela Asa. (Publicada em 24.05.1962)

O fim do pesadelo e a volta a realidade

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VISTO, LIDO E OUVIDO
*Criada por Ari Cunha DESDE 1960

hoje

Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade

Com a queda do Muro de Berlim, em novembro de 1989, encerrava-se  um dos capítulos mais dramáticos da história contemporânea. Não foi apenas o colapso de um muro de concreto. Foi o desmoronamento de uma visão de mundo que durante décadas prometera igualdade, prosperidade e justiça social, mas que entregou escassez, repressão política, economia estagnada e milhões de vidas destruídas. Finalmente a Europa Oriental despertava de um longo pesadelo. Quem percorreu aqueles países nos primeiros anos após o desaparecimento da Cortina de Ferro encontrou um cenário difícil de esquecer. Ruas deterioradas, fábricas obsoletas, edifícios cinzentos, infraestrutura envelhecida e uma população que, embora finalmente livre para escolher seus governantes, ainda carregava no rosto as marcas de quase meio século de planejamento centralizado. Era como visitar uma parte da Europa que havia permanecido congelada no tempo, atrasada e arruinada. Polônia, Hungria, Romênia, Bulgária, Tchecoslováquia, Alemanha Oriental e os países bálticos iniciavam praticamente do zero uma reconstrução econômica, institucional e cultural. O desafio era gigantesco. Não bastava substituir bandeiras, derrubar estátuas de Lenin ou realizar eleições livres. Era necessário reconstruir hábitos, mentalidades e instituições moldadas durante gerações por um regime em que o Estado decidia praticamente tudo. Economias planejadas não produzem empresários. Produzem sim, administradores de escassez.
Décadas de ausência de concorrência haviam eliminado a cultura da eficiência. A qualidade dos produtos importava pouco quando não existia competição. O consumidor não escolhia. Aceitava aquilo que havia nas prateleiras. Quando o capitalismo finalmente chegou, muitos imaginaram que sua essência consistia simplesmente em cobrar o maior preço possível. Em diversas cidades da antiga Europa comunista, turistas estrangeiros eram frequentemente vistos como oportunidade única para compensar anos de privação econômica. Hotéis, táxis, restaurantes e pequenos comércios praticavam preços muitas vezes incompatíveis com a qualidade oferecida. Não era exatamente capitalismo. Era sobrevivência. O mercado livre exige algo muito mais complexo do que liberdade de preços. Exige segurança jurídica, concorrência, investimento, inovação, produtividade, confiança institucional e respeito aos contratos.
Apesar das enormes dificuldades, muitos desses países conseguiram avançar. Polônia, República Tcheca, Estônia e outros integrantes do antigo bloco soviético transformaram-se em economias competitivas, atraíram investimentos, ampliaram exportações e elevaram significativamente sua renda per capita. A memória do comunismo permaneceu viva. Talvez exatamente por isso, grande parte dessas sociedades desenvolveu profunda desconfiança em relação a qualquer projeto político que implique excessiva concentração de poder nas estruturas estatais ou supranacionais. É nesse ponto que emerge um novo debate. Para alguns analistas, a integração europeia representa um extraordinário projeto de paz, cooperação econômica e fortalecimento institucional após séculos de guerras. Para outros, determinadas tendências recentes da União Europeia caminham para uma crescente centralização política e regulatória, reduzindo a autonomia dos Estados nacionais e enfraquecendo tradições culturais locais. Essa segunda interpretação costuma utilizar o termo “globalismo” para descrever esse processo. Seus críticos sustentam que, sob o argumento da harmonização internacional, amplia-se progressivamente o poder de burocracias supranacionais sobre políticas migratórias, ambientais, econômicas e culturais que antes pertenciam aos parlamentos nacionais. Seus defensores respondem que muitos dos grandes desafios contemporâneos como mudanças climáticas, comércio internacional, terrorismo, migração e segurança energética  exigem justamente maior cooperação entre países.
A história europeia do século XX demonstra como sociedades altamente civilizadas podem, em poucos anos, entregar parcela significativa de sua autonomia em troca de promessas grandiosas de segurança, igualdade ou prosperidade. Nenhum regime autoritário começa anunciando que restringirá liberdades. Todos prometem resolver problemas. A Europa Oriental conheceu essa experiência de forma particularmente dolorosa. Milhões viveram sob censura, polícia política, economia dirigida e ausência de eleições livres. A reconstrução iniciada em 1989 demonstrou que recuperar instituições é muito mais difícil do que as destruir. Essa talvez seja a principal herança daquele período.
A história raramente se repete da mesma forma. Mas frequentemente apresenta dilemas semelhantes sob novas roupagens. A experiência do século XX permanece como um convite permanente à prudência diante de projetos políticos que concentrem poder, reduzam espaços de dissenso ou proponham soluções simples para problemas complexos. É justamente por isso que a queda do Muro de Berlim continua sendo um dos acontecimentos mais importantes da história contemporânea. Não apenas porque encerrou uma ordem geopolítica, mas porque lembrou ao mundo que liberdade, prosperidade e democracia dependem menos de promessas ideológicas do que da solidez das instituições e da capacidade das sociedades de preservar, geração após geração, o espaço da crítica, da pluralidade e da responsabilidade política.
A frase que foi pronunciada: “A solução do problema alemão dependerá de decisões em nível político internacional. Mas há muito a ser feito dentro da Alemanha em prol da Europa, da democracia e da paz. Existem forças positivas dentro do povo alemão que poderão deixar sua marca nos acontecimentos futuros.”
Willy Brandt, em novembro de 1957
História de Brasília
De tôdas as árvores plantadas na W-3, as mais bonitas são as magnólias, em frente às casas da ECEL, que começarão a florir dentro em pouco.(Publicada em 26.05.1962)

A sombra do crime sobre o futebol

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Durante décadas, o futebol brasileiro foi visto como muito mais que um esporte. Foi elemento de identidade nacional, instrumento de integração social e um dos poucos espaços onde ricos e pobres dividiam a mesma paixão. Nas arquibancadas, nos campos de várzea e nos grandes estádios, consolidou-se uma das mais importantes manifestações culturais do país. Hoje, porém, essa tradição enfrenta um adversário muito mais perigoso do que qualquer rival dentro das quatro linhas: a expansão silenciosa do crime organizado sobre a economia do futebol.
Recentes investigações conduzidas por autoridades brasileiras e estrangeiras mostram que organizações criminosas passaram a enxergar o futebol não apenas como entretenimento, mas como um ambiente extremamente atraente para movimentação de recursos financeiros, lavagem de dinheiro, manipulação de resultados e ampliação de influência econômica. Trata-se de um fenômeno que já havia sido observado em diversas partes do mundo e que agora desperta crescente preocupação também no Brasil.
Relatórios de órgãos de segurança pública, investigações da Polícia Federal e estudos de organismos internacionais apontam que essas organizações diversificaram suas fontes de receita, passando a atuar em setores como mineração ilegal, contrabando de combustíveis, comércio clandestino de cigarros, grilagem de terras, transporte, logística, mercado imobiliário, fintechs clandestinas, empresas de fachada e esquemas de lavagem de dinheiro. Além disso afirmam investigadores que nos últimos anos, o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e outras organizações ampliaram significativamente sua atuação para além do tráfico de drogas. Essa diversificação segue uma lógica empresarial. Bruno Paes Manso, do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, já afirmou que o tráfico continua extremamente lucrativo, mas também se tornou mais arriscado diante da cooperação internacional entre agências de combate ao narcotráfico.
Para reduzir riscos e ampliar receitas, essas organizações passaram a investir em atividades que ofereçam aparência de legalidade. Infelizmente o futebol tornou-se um desses ambientes. O setor reúne algumas características particularmente vulneráveis. A circulação de grandes volumes financeiros, as negociações internacionais de atletas, a valorização subjetiva dos direitos econômicos, os contratos de publicidade, o patrocínio privado e a enorme quantidade de empresas intermediárias que criam oportunidades que podem ser exploradas para ocultação da origem ilícita de recursos.
Não se trata de um problema exclusivamente brasileiro. Na Europa, diferentes operações policiais já identificaram grupos mafiosos infiltrados em clubes, torcidas organizadas, casas de apostas e esquemas de manipulação de partidas. A Interpol, a Europol e organismos ligados à FIFA vêm alertando há anos para o crescimento das chamadas redes internacionais de manipulação esportiva. A Ásia tornou-se um dos maiores mercados clandestinos de apostas do planeta. Na Itália, investigações envolvendo a máfia demonstraram, em diferentes momentos, tentativas de utilização de clubes para lavagem de capitais. Na Bélgica, Espanha, Grécia e outros países europeus também surgiram operações policiais relacionadas à manipulação de resultados. O Brasil passou a integrar esse mapa de preocupação. A explosão das plataformas de apostas esportivas acelerou ainda mais esse cenário. A regulamentação do setor buscou criar regras para um mercado que já existia informalmente, mas especialistas em prevenção à lavagem de dinheiro alertam que a fiscalização precisa acompanhar a velocidade da expansão dessas empresas.
Atualmente as apostas esportivas movimentam atualmente centenas de bilhões de dólares por ano em todo o mundo. Grande parte desse volume circula por empresas sediadas em diferentes jurisdições, dificultando o rastreamento financeiro. No Brasil, o crescimento foi extraordinário. Patrocínios de empresas de apostas passaram a ocupar praticamente todas as camisas dos clubes das principais divisões. Estádios receberam nomes comerciais vinculados às plataformas. Programas esportivos, transmissões televisivas e redes sociais passaram a incorporar publicidade permanente dessas empresas. Esse novo modelo econômico trouxe receitas importantes para clubes que enfrentavam graves dificuldades financeiras. Ao mesmo tempo, aumentou o desafio regulatório. A manipulação de resultados tornou-se uma preocupação constante.
Operações conduzidas pelo Ministério Público e pelas polícias estaduais identificaram esquemas envolvendo atletas, intermediários e apostadores interessados em eventos específicos das partidas, como cartões amarelos, escanteios e faltas, sem necessidade de alterar necessariamente o placar final. Essa modalidade de fraude tornou-se sofisticada exatamente porque movimenta enormes volumes financeiros em mercados pouco perceptíveis ao torcedor comum. É importante distinguir fenômenos diferentes. A grande maioria dos clubes, atletas, dirigentes e empresas do setor atua dentro da legalidade. Também não há base para afirmar que plataformas de apostas regularmente autorizadas participem de atividades criminosas apenas por integrarem esse mercado. Essencialmente, o problema reside na utilização desse ecossistema por indivíduos ou organizações que buscam explorar suas vulnerabilidades. É justamente por isso que fiscalização eficiente se torna indispensável.

A frase que foi pronunciada:
“É só o começo”
Carlo Ancelotti

História de Brasília
A exposição de arte popular do aeroporto abriu, inaugurou, fechou e nunca mais abriu. (Publicada em 22.05.1962)

A Ética Invisível das Instituições

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Há uma tendência recorrente de imaginar o Estado como uma entidade abstrata, dotada de existência própria e capaz de funcionar independentemente daqueles que o administram. A imagem, embora conveniente para a compreensão das estruturas políticas modernas, pouco explica sobre a natureza das instituições públicas e tampouco responde à questão que atravessa séculos de reflexão filosófica e política: até que ponto um Estado pode ser melhor do que as pessoas encarregadas de conduzi-lo? A resposta nunca foi simples e talvez resida justamente na percepção de que governos passam, constituições são reformadas, partidos se alternam no poder, mas a confiança da sociedade nas instituições leva décadas para ser construída e pode ser comprometida em poucos anos.
A história da organização política demonstra que a formação do Estado moderno nunca esteve dissociada de preocupações relacionadas à conduta humana. Quando Thomas Hobbes publicou Leviatã, em 1651, descreveu a necessidade de uma autoridade capaz de impedir que os conflitos naturais entre os indivíduos inviabilizassem a convivência social. Poucas décadas depois, John Locke defenderia que essa autoridade somente encontraria legitimidade se fosse exercida para proteger direitos fundamentais, enquanto Jean-Jacques Rousseau acrescentaria que nenhuma organização política poderia se manter estável sem uma permanente correspondência entre o interesse coletivo e a atuação daqueles que exercem o poder. Em comum, essas interpretações revelam que o Estado jamais foi concebido apenas como uma máquina administrativa. Desde sua formulação teórica, ele esteve associado à preservação de valores que permitissem a coexistência entre liberdade, autoridade e segurança.
Ao longo do século XX, o debate adquiriu contornos mais objetivos. O sociólogo alemão Max Weber definiu o Estado como a instituição que detém o monopólio legítimo do uso da força em determinado território, deslocando o foco da discussão para a legitimidade das instituições e para a capacidade de suas estruturas funcionarem segundo regras permanentes, independentemente das mudanças de governo. Essa distinção tornou-se um dos pilares das democracias constitucionais contemporâneas, nas quais o Estado deve permanecer enquanto governos se sucedem em ciclos eleitorais regulares.
Acontece que a própria experiência histórica demonstrou que a existência de instituições sólidas não elimina o papel desempenhado pelas pessoas responsáveis por sua condução. O filósofo italiano Norberto Bobbio observava que a democracia depende muito menos de promessas grandiosas do que da observância cotidiana das regras que garantem publicidade dos atos, alternância de poder, respeito às leis e responsabilidade dos agentes públicos. Em sentido semelhante, Hannah Arendt advertia que o poder político encontra sua legitimidade não na força, mas na confiança depositada pela sociedade nas instituições que o exercem.
Nas últimas décadas, essa percepção deixou de pertencer exclusivamente ao campo da filosofia política e passou a ser objeto de mensuração por organismos internacionais e centros independentes de pesquisa. Indicadores de governança, transparência e confiança institucional tornaram-se parâmetros utilizados para avaliar o funcionamento das democracias, permitindo comparações entre países com diferentes tradições políticas e distintos níveis de desenvolvimento econômico.
No caso do Brasil, o país insere-se nesse contexto internacional de maneira particularmente complexa. A Constituição de 1988 ampliou mecanismos de controle institucional, fortaleceu órgãos independentes de fiscalização, consolidou instrumentos de transparência administrativa e ampliou significativamente o acesso da sociedade às informações públicas. Nas décadas seguintes, iniciativas como a Lei de Responsabilidade Fiscal, a Lei da Transparência e a Lei de Acesso à Informação contribuíram para modificar padrões históricos de publicidade dos atos administrativos e fiscalização das contas públicas. Ao mesmo tempo, sucessivas pesquisas de opinião continuaram registrando oscilações na confiança dos brasileiros em relação às instituições políticas, fenômeno que acompanha tendências observadas em diversas democracias contemporâneas.
Esse cenário demonstra que a construção da legitimidade institucional não depende exclusivamente da arquitetura jurídica do Estado. Constituições estabelecem princípios, leis disciplinam competências e tribunais asseguram sua aplicação, mas a percepção social acerca das instituições forma-se também a partir da experiência cotidiana dos cidadãos com os serviços públicos, com a previsibilidade das decisões administrativas, com o funcionamento da Justiça e com a capacidade do poder público de responder às demandas coletivas de maneira transparente e eficiente.
Talvez seja essa a principal característica do Estado moderno. Embora concebido como uma estrutura permanente e impessoal, ele permanece inseparável da ação humana. Não possui consciência, vontade ou valores próprios, mas incorpora, por meio das instituições, decisões tomadas diariamente por milhares de pessoas investidas em funções públicas. Em última análise, a solidez de um Estado não pode ser medida apenas pela extensão de seu aparato administrativo ou pela sofisticação de suas leis, mas também pela capacidade de preservar, ao longo do tempo, a credibilidade das instituições perante cidadãos e eleitores.

A frase que foi pronunciada:

“O fascismo deveria ser mais apropriadamente chamado de corporativismo, pois é uma fusão do poder estatal com o poder corporativo.”
Benito Mussolini

História de Brasília
Mas a VASP merece censura noutra parte. Cancelou a linha do Ceará, e fêz uma conexão em Salvador que não funciona nunca. Outro dia um amigo ficou três dias em Salvador sem querer, esperando outro avião, porque o vôo fôra cancelado. (Publicada em 22.05.1962)