Bonomia enganosa

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DESDE 1960

aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha e MAMFIL

Passados exatos oitenta anos da publicação da obra Raízes do Brasil, do historiador e crítico literário, Sérgio Buarque de Holanda, a atualidade certeira da obra, em seu enfoque sobre os percalços de nossa formação psicossocial, emerge com um frescor das coisas novas a cada grande crise que vamos experimentando no infindável processo de nossa formação como nação.
As mesmas características peculiares e ruinosas que identificou em nossa formação histórica e que iria permear todas as relações sociais desde a Colônia até a República, caso fosse vivo, reconheceria de imediato não só nas estruturas atuais do PT, mas em todos as dezenas de partidos que hoje lotam o parlamento. Em pleno século XXI ainda persistem as relações do tipo familiar em toda a estrutura política, inclusive nas próprias legendas partidárias onde é comum observar nos chamados núcleos duros, a presença de pessoas aglutinadas muito mais por afinidades pessoais do que por interesses e atributos puramente pragmáticos.

Há inclusive casos concretos de parlamentares eleitos que possuem como suplentes de seus mandatos pessoas da própria família. O “homem cordial”, apontado pelo historiador, como aquele indivíduo que tem dificuldades em separar o público do privado e que povoa a máquina do estado e as legendas com gente, cujo atributo maior é pertencer ao seu círculo íntimo, ainda é fato corrente.

As dinastias se sucedem no poder. Na política, nomes e sobrenomes são passaportes mais eficazes do que currículos acadêmicos. O caso mais emblemático está justamente no Partido dos Trabalhadores, onde a figura do ex-presidente Lula é reverenciada como a grande patriarca da legenda. Como um dos primeiros pensadores a aderir ao Partido dos Trabalhadores, ainda em sua fase embrionária, por sua conhecida independência intelectual, dificilmente Sérgio Buarque de Holanda iria aceitar os desvios de rumo que esta legenda tomou, tão logo chegou ao poder.

A dureza da pedra , dizem, é também sua maior fragilidade. Basta cair para se espatifar em pedaços. As suspeitas que recaem sobre o chefão petista sobre a propriedade ou não de um triplex e um sítio no interior paulista, assim como as relações suspeitas com ricos empreiteiros decorrem desta confusão e dubiedade herdada de nossa formação.

O afastamento, previsto constitucionalmente, de Dilma, foi encarado e mesmo estimulado pelas lideranças deste partido, como uma ofensa pessoal contra um membro da família e não como decorrente de aspectos racionais oriundos de sua total inoperância e acentuada soberba.

Sintomático é observar que durante todo este espetáculo final que marcou o processo de impeachment, em nenhum momento os interesses soberanos da Nação foram mencionados como prioritários, ficando esta questão relegada a um segundo plano. Pobre República.

A frase que foi pronunciada:

“Agora são dois números para denotar sorte. 13 para quem é petista e 31 para quem não é petista.”
Ernesto Goes, o observador

Muito simples
Regra número um para os políticos. Havendo chantagem partida de parlamentares, empreiteiros, doleiros, o caminho é a denúncia. Quem deu a receita foi o senador Ivo Cassol que estranhou o discurso de dona Dilma Rousseff quando disse que vinha sofrendo achaques do deputado Eduardo Cunha.

Próximos capítulos
Dona Dilma Rousseff entra para concorrer pelo voto popular com Paulo Paim e Ana Amélia para ocupar uma cadeira no Senado Federal. Tudo poderá mudar se conseguir se candidatar por São Paulo. Aí concorreria com Marta Suplicy. Bem mais interessante.

Mãos à obra
Líder do governo no Congresso, a senadora Rose de Freitas defende o avanço da economia do país com uma oposição responsável, e não ferrenha. Ajustes econômicos e despertar a confiança dos investimentos são os passos a seguir.

Dica
Leilão do Sesi Senai neste sábado. Visite a página informativo.parquedosleiloes.com.br

Ideias
Um minuto de vídeo, valendo até feito em celular. Assunto: Mulher e a superação da violência. A Comissão de Combate à Violência Contra a Mulher no Congresso Nacional lança o concurso de vídeo. O prêmio será ter as imagens divulgadas pela TV Senado e TV Câmara. As inscrições já estão abertas e vão até o dia 22 de outubro. Mais informações na Câmara ou no Senado.

As enrolações na história brasileira

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Nesses dias árduos para a nação, muitos senadores, principalmente aqueles que buscam aconchego na esquerda, têm feito apelos alarmistas aos seus colegas sobre os perigos que uma decisão em favor do impeachment da presidente Dilma trará para suas biografias. Esses parlamentares vêm brandindo o alerta para a possibilidade de o tribunal da história vir a julgar e condenar no futuro todos aqueles que querem hoje a destituição da presidente.

Obviamente, repetem mais uma narrativa que tentam recolocar em trilhos tortos aquilo que muitos pensadores chamam de trem da história. Fica fácil perceber que, neste caso, quem não saltou do referido trem antes da chegada às estações mensalão e petrolão correu o sério risco de se transformar em cúmplice e vir a sentar também no banco dos réus, quando o tribunal da história for instalado e começar a proferir seu julgamento tardio e derradeiro.

Esse jogo de palavras serve, não só para amparar e dar racionalidade à narrativa daqueles que querem a manutenção do status quo. A tentativa de buscar enquadrar em metáforas a situação real de um país levado às cordas da depressão econômica serve apenas às fantasias do jogo vazio de palavras. Ainda assim, é possível trazer de volta a expressão lata de lixo da história para definir o que muitos acreditam ser uma década definitivamente perdida pelos brasileiros.

Com a confirmação agora do impeachment da presidente por 61 votos, contra 20, fica patente que a maioria daqueles onde o papel de representantes da nação foi confiado, não se deixaram intimidar por expressões fortes da língua e cravaram no presente o voto que põe um ponto final na narrativa surreal que empurrava o país de volta aos anos 1960.

Certo. Quando se fala em política, a dúvida está sempre presente. Pode, sim, ter havido um acordão para cutucar a Constituição Federal. Um lado diz que não houve improbidade, mas aceitou o impeachment, e outro disse que havia sim provas contundentes sobre a improbidade, mas aceitou que a dona Dilma não perdesse os direitos políticos.

Não há a mesma retórica que pregava a importância de ungir com o poder os chamados condutores da história, como as únicas pessoas dotadas de luz e capazes de conduzir toda uma nação ao bom caminho ou seja, no rumo traçado pela onisciência do grande guia. Trata-se de fantasiosa criação que a própria história dos povos, em todo tempo e lugar cuidou de desmentir com exemplos fartos. Metáforas em história servem apenas as fantasias e as alucinações daqueles que acreditam ser possível reger a marcha evolutiva da espécie humana, como se fossem pastores pajeando um simples rebanho de ovelhas.

A frase que não foi pronunciada

“Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades.”

Caio Fernando Abreu, jornalista

Raridade

Lendo o artigo “O tripé básico do atendimento de excelência”, de Erik Penna, é possível ver como o nosso comércio está longe do potencial aceitável. Olhos nos olhos, sorriso e alegria ao atender são as primeiras dicas para o contato com o consumidor.

Anatel

Insuportável a invasão de privacidade sistemática da operadora Claro. Uma ligação aparentemente normal até ser atendida. Ouve-se uma gravação comercial vendendo produtos e ofertas. Um abuso inaceitável.

Introdução

Uma maldade o que a médica do Hospital do Gama fez com a dona Maria Vidal. A médica a aconselhou a fazer o exame com urgência e atenderia depois para ver o resultado. Como essa possibilidade é remota em um hospital público, a família se uniu para poder pagar mais de R$ 400 pelo exame.

Desenvolvimento

Felizes por terem seguido o conselho da doutora, levaram o exame para a análise, conforme o prometido. A resposta da profissional da saúde foi: “Aqui não há encaixe. Consulta só daqui a um mês. Se eu disse que atenderia, não me lembro. É a sua palavra contra a minha”. Dona Maria, com mais de 70 anos de idade, não lê, não escreve. Está apavorada.

Conclusão

“Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.” Só para lembrar a profissional novinha e arrogante o que ela jurou quando escolheu a profissão.

História de Brasília

Um técnico vale tanto, que vejam o caso da Polícia. O sr. Jânio Quadros trouxe para Brasília o cel. Jaime Santos. Hoje, maior número detesta o sr. Jânio Quadros, e maior número admira o cel. Jaime Santos, pelo seu trabalho bem feito e bem orientado. Técnico é assim: fica. O político é assim: passa. (Publicado em 13/9/1961)

Questões paralelas

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com Circe Cunha e MAMFIL

Vinte e sete anos depois daquela manhã fria de 9 de novembro de 1989, em que o muro de Berlim foi demolido a unha pelos alemães dos dois lados da fronteira, os ventos que marcaram simbolicamente o fim do comunismo na Europa parecem ter chegado ao Planalto Central do Brasil e, em forma de redemoinho, começaram a varrer para longe as folhas secas do que restou desses 13 e longos anos de petismo.

Por mais de uma década, os brasileiros tiveram a oportunidade de experimentar os frutos insípidos dessa doutrina. Pelas gigantescas e espontâneas manifestações populares que incendiaram as avenidas de todo o país, o povo deu mostras claras de que não gostou do que provou, principalmente, pelo modelo de comunismo made in Brazil, confeccionado sob medida para tornar próspera a numerosa nomenclatura do partido.

Na Alemanha, o muro resistiu por 28 anos — quase uma geração. No Brasil do nós contra eles, o muro durou exatos 13 anos, que coincidentemente é o mesmo número da legenda que tentou cobrir de vermelho um pais tropical multicor e sestroso. Não tinha como dar certo.

O desmonte desse tipo peculiar de fazer política e de governança começou a ser feito e a ruir ainda em 2005, com os episódios ainda pouco esclarecidos do mensalão. De lá para cá, buscou-se inventar um país novo ,usando receitas velhas como manual de procedimento. A falta de seriedade, somada ao sentido de onipotência cavalar, próprios daqueles que acreditam ser condutores do processo histórico, minou por dentro as expectativas de um governo que se pretendia longevo.

Enquanto a revolução não se instalava de vez de norte a sul do país, os novos combatentes cuidaram de transformar a própria vida, agregando a ela, na forma de consultorias, palestras e doações generosas de empresas, o vil metal capitalista. Erra quem acredita que o desmanche dos ideais trazidos pelo PT foi obra de uma direita raivosa e ciumenta, como querem fazer acreditar.

Quem, de fato, desbaratou o aparelho foi a polícia a mando do Ministério Público e de um bando de jovens procuradores, sem vínculo algum com ideologias de qualquer gênero. Quem descerrou a cortina desse espetáculo farsesco, mostrando os bastidores de um mundo em estado de caos, apenas encoberto pela propaganda tonitruante oficial, foram os homens da lei. Claro que, nesse caso, a polícia contou também com a ajuda despretensiosa de alguns ratos que habitavam esse teatro e que cuidaram, à sua maneira, de roer os pilares que sustentavam o majestoso edifício da república bolivarianista do Brasil.

A frase que não foi pronunciada

“Usei armas pela democracia e acabei matando a República.”

O leitor é livre para colocar a frase na boca de quem quiser.

Agenda

Hoje, no Museu da República, Auditório II, haverá o lançamento do livro Diversos dias – uma vivência teatral colaborativa da poética plenitude do ser, de Mônica Gaspar. Ela narra o processo de construção, em processo colaborativo, da peça Diversos Dias, cujo elenco foi formado por pessoas da comunidade de Brasília, com ou sem diagnóstico de deficiência, que se propuseram a compor a oficina de teatro do I Festival de Cultura Inclusiva do DF, em 2013. Às 19h. Versões em audiobook.

Educação é tudo

Onde está o caminhão da EBF que presta serviços ao GDF? Há árvores em desespero. Plantas que alcançaram dezenas de anos parecem ser cortadas sem motivos, sem técnica, sem fundamentação. Não temos, neste país, o respeito à natureza. Consequência da falta de educação. Árvores centenárias, pela Europa, crescem perto de prédios, em estacionamentos ou à beira de lagos. Ninguém se aproxima para destruí-las. Se o fizessem, seriam detidos pela lei.

Simples assim

Tratores e serras elétricas precisam ser acompanhadas por satélites. Controle perfeitamente viável. Só assim há como manter o futuro do meio ambiente saudável.

Tecnologia

Agradecimentos aos leitores que têm elogiado os blogs dos jornalistas do Correio Braziliense. Vitor Baravelli Perez e equipe pegaram no pesado para deixar uma página leve, amistosa e com acesso livre.

História de Brasília

Não se nega ao goiano o privilégio de ser prefeito de Brasília, mas não se pode admitir a expressão “será dada ao PSD de Goiás”, porque isto implica em barganha, é ilegal, é imoral. (Publicado em 13/9/1961)

Dilma, quid ploras?

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Nem ao menos na hora mais grave para todos e particularmente para ela se ouviu, no discurso derradeiro de Dilma Rousseff perante os senadores, qualquer lampejo de sinceridade, capaz de iluminar a própria defesa com os traços incontestes da verdade. Com isso, o pronunciamento, em forma de defesa, ficou mais uma vez, na água rasa da propaganda dos pretensos feitos espetaculares do governo.

A verdade não está no texto preparado a muitas mãos, ela está presente e pode ser encontrada nos fatos detectados pelos cinco sentidos de cada um dos 12 milhões de desempregados e dos muitos outros milhões de jovens que ainda não entraram nas estatísticas e seguem sem perspectivas de trabalho.

Os fatos estão nas gôndolas dos supermercados, onde os preços dos alimentos disparam a cada dia. O julgamento de Dilma pelo Senado é muito mais do que um veredito sobre seu governo. Alcança de forma muito mais ampla todo um jeito peculiar de fazer política e que acabou por levar a prisão e a pesadas penas figuras de destaque de seu partido.

A cooptação de apoio por meio de pagamentos mensais ou o fortalecimento dos cofres de seu partido e de seus apoiadores é apenas a ponta visível de uma enorme montanha de outros escândalos. Ao desaguar no Senado os momentos finais do julgamento da presidente, o que esta alta Corte está fazendo na realidade é dando prosseguimento à vontade soberana da maioria dos representantes da população com assento na Câmara dos Deputados.

Por sua vez, fica entendido também que o principal motivo que desaguou no processo de impeachment não foi, como querem fazer crer, levado por vingança pessoal do ex-presidente da Câmara. O catalisador para afastar Dilma foi dado primeiro pelos gigantescos e espontâneos manifestos de rua, contra o qual não há o que se duvidar. Mas, na origem de todo o processo, que poderá levar sua defenestração definitiva, estão características de sua personalidade irrascível, incompatíveis para o exercício do cargo numa República em que os Poderes têm o dever precípuo de se entender e de bem se relacionar.

Pelo que se tem visto até aqui, a escolha antinatural de Dilma para suceder Lula, com base apenas nos índices de popularidade de seu antecessor, se mostrou um desastre de grandes proporções e que nunca mais deve ser repetido. Nem mesmo nesta hora grave seu partido teve o juízo de se recolher constrangido diante da sucessão de erros. Preferiu transformar o momento triste em material para um documentário feito sob medida e que trará a visão obtusa dessa legenda sobre esse episódio. Por que choras, Dilma? Para aparecer bem na fita, diz seu íntimo.

A frase que foi pronunciada

“ – Como é que o Jornal do Senado publicou uma foto da presidente Dilma no plenário antes que ela chegasse ao Senado?

– Seu bobo! Ela usou a mesma roupa no dia 2 de fevereiro, dia em que a foto foi tirada. Por isso parece que a foto é de hoje!”

Conversa amena ontem entre funcionários da Casa na chegada da dona Dilma

Opinião

Nosso leitor conta que em 2011 viajou para o Canadá e foi tratado no aeroporto de Toronto como suspeito de ser bandido da máfia italiana ou terrorista palestino. Logo depois, foi liberado. A filha, canadense, filha de canadense, depois de passar 20 dias no Brasil, foi detida no aeroporto de Nova York e perdeu o avião para Montreal. “Em verdade, as autoridades desses países ‘civilizados’ são muito arrogantes e trabalham sob estresse” comenta o depois de ler a coluna intitulada “Hora de descer do pódio”.

Transporte

Outra carta de leitor devidamente identificado que prefere que o nome não apareça na coluna dá a sugestão ao governo Rollemberg de estimular duas empresas diferentes para as linhas do transporte público de Brasília. Acredita ele que só assim a qualidade poderia melhorar.

Leitura

Hoje, às 19h, no Carpe Diem, na CLS 104, lançamento do livro de Rubi Germano Rodrigues – A Teoria dos Princípios….de Platão.

Autonomia

Nada escapa aos Antagonistas. O site mostrou que José Eduardo Cardoso ajudava dona Dilma nas questões colocadas onde ela deveria responder por opinião própria. Hoje, o portal publicou que depois da acusação acabou a cola

História de Brasília

O fato de ser do PSD ou de ser de Goiás não implica na importância do partido ou do Estado. São valiosos, mas dentro dos seus quadros, dentro de suas funções. Uma coisa é PSD, outra coisa é Goiás, e outra coisa muito diferente é Brasília.(Publicado em 13/09/1961)

Compasso de espera

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Desde que foi iniciado o processo de impeachment da presidente Dilma, o país inteiro entrou numa espécie de compasso de espera. Para uma nação envolta na maior recessão de toda a sua história, aguardar de forma passiva o desfecho do julgamento da presidente só tem feito piorar a situação econômica de todos, adiando decisões importantes e quem sabe, perdendo o time e a oportunidade de serem adotadas corretivas adequadas.

Enquanto o relógio permanece girando, os índices econômicos negativos, alojados hoje no que os economistas já identificam como depressão, o chicote do desemprego, segue batendo forte no lombo dos brasileiros. Somente em julho cerca de 9,5 mil vagas simplesmente evaporaram. No ano todo, segundo o Cadastro geral de Empregados e Desempregados (Caged), já são mais de 623 mil empregos que desapareceram. A reversão total desse quadro geral de desempregados, que já ultrapassam os 11 milhões de brasileiros, consumirá alguns anos de intenso esforço. Mesmo nos redutos tradicionais e berço do petismo, o desemprego nas indústrias automobilísticas é altíssimo.

Enquanto a economia patinar numa taxa de crescimento perto de 1%, os especialistas asseguram que será impossível a geração de postos de trabalho. Em dois anos, o Produto Interno Bruto recuou mais de 7%, sendo praticamente impossível retomar o caminho de volta antes de pelo menos cinco anos. Para o Partido dos Trabalhadores ser apeado do poder pelo o que é chamado de conjunto da obra, em que se destaca justamente a destruição de milhões de postos de empregos, soa quase como veredito derradeiro para a legenda e pode enterrar por muito tempo também as pretensões políticas do grupo.

Nesse sentido, as presenças tanto da presidente afastada Dilma Rousseff, quanto do ex-presidente Lula no plenário do Senado, amanhã, poderá conferir às etapas finais do julgamento de impeachment um teor histórico dos mais preciosos. Transmitido ao vivo para todo o país e para o mundo, nesse julgamento, quem efetivamente estará sentado no banco dos réus será precisamente aquele que pediu abertamente aos eleitores de todo o país que votassem em sua candidata como se fosse nele próprio. Nas voltas que o mundo deu, o prestidigitador se vê agora com as cordas de sua própria marionete presas em volta de seu pescoço.

A frase que foi pronunciada

“Quem quer pegar uma galinha não fala Xô!”
Senador Telmário Mota, explicando o PT

Dados
Entre 2012 e 2015, jovens de 13 a 15 anos passaram a buscar profissionais de saúde 14% com maior frequência. Em parceria com o IBGE, os ministérios da Saúde e da Educação atestaram um indicador impressionante. Entre os estudantes do 9º ano do ensino fundamental, 55,3% buscaram um profissional da saúde no ano passado.

Indefinição
Por falar em números, a Câmara de Comércio Americano (Amcham) divulgou uma enquete, em que ouviu 155 diretores financeiros sobre o atual momento econômico brasileiro, ajuste fiscal e perspectivas. Para 48% dos diretores e dos gestores financeiros, a votação do impeachment está atrasando investimentos e decisões estratégicas empresariais.

Importante
Enquanto dona Dilma visita o Senado amanhã, vão participar da audiência pública sobre o novo regime fiscal e o teto de gastos global da União, na Câmara dos Deputados: Arionaldo Bonfim Rosendo, subsecretário de Planejamento e Orçamento do Ministério da Saúde, representando o ministro Ricardo Barros; Mauro Guimarães Junqueira, presidente do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde; Alessio Costa Lima, presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação; e Bernard Appy, diretor do Centro de Cidadania Fiscal. Anexo II plenário 13.

Noite agradável
Bela a coleção de artes do advogado Pedro Gordilho. Ele recebeu amigos para a assinatura do catálogo das peças expostas em sua residência. A equipe da coluna Visto, lido e ouvido agradece as belas palavras na dedicatória.

Portal
A OAB aproveita o mês do advogado para preparar um site mais amigável, interativo, educativo e transparente. O mote permanece: “Advogado valorizado e cidadão respeitado.”

História de Brasília

A informação extraoficial que se tem é a de que a Prefeitura será “dada ao PSD de Goiás”. Prefeitura não se dá, Brasília não se concede. Escolha-se um técnico da equipe que a construiu, e seja este, o prefeito.(Publicado em 13/9/1961)

Hora de descer do pódio

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Não é de hoje que brasileiros de todas as idades e gêneros em viagem para o exterior enfrentam os rigores kafquianos das autoridades de imigração, principalmente quando o destino é para os Estados Unidos, o Canadá e a Europa. Vistos pela ótica burocrática dos departamentos que cuidam da entrada de estrangeiros, todos os cidadãos da América Latina, assim como aqueles vindos das nações do chamado Terceiro Mundo, são imediatamente identificados como imigrantes potenciais que estariam dispostos a tudo para entrar e permanecer indefinidamente em seus territórios.

Separar, nessas grandes levas de pessoas, aquelas que realmente anseiam permanecer naqueles países, mesmo sob a condição de imigrantes ilegais, daquelas que apenas querem viajar e conhecer novas terras e novas culturas, não é tarefa das mais simples. Por via das dúvidas, as autoridades americanas e europeias, diante dos constantes atentados terroristas e da grande movimentação atual de refugiados, passaram a tratar como suspeitos todo e qualquer viajante, principalmente os oriundos do Hemisfério Sul.

Diante dos novos desafios de segurança mundial que se impõe, o simples ato de viajar a turismo para fora do país passou a requerer muita disposição e coragem para enfrentar a peneira fina feita pela imigração externa. Ainda assim, e talvez por esses motivos, têm havido repetidos e lamentáveis excessos. Em um mundo em permanente estado de alerta, os viajantes com bons propósitos e com a documentação em ordem acabam sendo duramente penalizados e, não raro, ficam traumatizados com a experiência vivida lá fora. Esse é justamente o caso atual da estudante brasileira de 16 anos, barrada pela imigração no aeroporto de Detroit, nos Estados Unidos, e que há 15 dias se encontra presa e incomunicável num presídio para imigrantes na cidade de Chicago.

As autoridades americanas não dão mais detalhes por motivo de segurança. O Itamaraty, sempre a reboque das notícias e distantes das agruras sofridas pelos brasileiros no estrangeiro, se limitou a reconhecer que desconhece os motivos da detenção da jovem pelos americanos. Os pais da brasileira vivem momentos de aflição e asseguram que jamais vão pôr os pés novamente naquele país. A aflição deles é também de muitos brasileiros maltratados como seres inferiores nos guichês de imigração desses aeroportos. O que mais surpreende é que esse tratamento primitivo parte justamente dos países desenvolvidos que se vangloriam e apregoam as delícias de seu alto estágio civilizatório. Para um país, como os EUA, que já alcançou a lua, falta ainda muito chão a percorrer até reconhecer a arrogância e enxergar as consequências que ela traz para o mundo.

A frase que não foi pronunciada

“Até Ravel era usado em tortura. O que é constantemente repetido enlouquece qualquer um!”

Alguém irritado saindo do plenário do Senado

Querido por todos

Comentário geral sobre o senador Paulo Paim. A melhor defesa até agora a favor da dona Dilma Rousseff. No entanto, o PT nunca confiou um cargo importante para ele, que na sua grandeza parece não se importar com isso.

Problema

Continua o problema entre a Volkswagen e o Grupo Prevent. A produção no Brasil está parada por falta de peças.

Ação

Se a situação estava grave, agora vai piorar. Convênio entre GDF e UnB rompido causa greve dos estudantes de medicina. Eles querem continuar os atendimentos nos hospitais da região leste: Paranoá, São Sebastião e Itapuã.

Distrital

Câmara Legislativa recebe representações contra distritais citados na CPI da saúde. Agora cabe ao Ministério Público e Polícia Civil a firmeza que a população anseia. Enquanto os eleitores não aprendem a votar o papel do Ministério Público e Polícia Civil dobra de responsabilidade.

História de Brasília

Está de pé, o caso da Prefeitura de Brasília. O regime parlamentarista está sendo desvirtuado, porque estão fazendo leilão de cargos. O que ocorre com Brasília é simplesmente lamentável. (Publicado em 13/9/1961)

A paz dos cemitérios políticos

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Não se iludam. A indústria da invasão de terras públicas que tantos transtornos vem trazendo para o ordenamento urbano do DF é filha primogênita da emancipação política introduzida na capital. Os outros descendentes diretos desse arranjo maledetto são os escândalos de corrupção contínuos, a divisão da cidade em currais eleitorais, a sangria do dinheiro público para sustentar um esqueleto burocrático artificial e inoperante, além dos conflitos violentos e generalizados opondo pessoas de diferentes legendas, inclusive com a ocorrência de crimes e ameaças contra a vida.

Para uma cidade, planejada com esmero visionário, a introdução das mesmas mazelas administrativas que sempre assolaram o restante do país significou um recuo no tempo, não pelo processo político representativo em si, necessário, mas, sobretudo, pela qualidade pessoal dos agentes envolvidos.

Democracia com qualidade só é possível com representantes de qualidade. Usada como moeda de troca, no toma lá dá cá da aritmética malandra, as terras e os espaços públicos da capital foram sendo loteados entre as legendas, enquanto se buscava, por meio da feitura de leis marotas, aplainar os caminhos para a regularização veloz desses espaços.

A partir de 1990, num espaço de poucos anos, a cidade começou a experimentar um inchaço populacional, com gente de todos os cantos se transferindo para capital, por conta das notícias de que por aqui bastava assegurar o voto em determinado candidato para garantir um lote nos inúmeros condomínios que se formaram da noite para o dia. Como consequência, os brasilienses passaram a conviver com o aumento assustador da violência urbana, colapso no fornecimento de água e luz, hospitais agonizando e escolas públicas superlotadas. Paralisações e greves políticas frequentes, além da costumeira malversação dos recursos públicos e da corrupção disseminada na máquina administrativa.

Enquanto uma reforma política séria e profunda não for posta em prática, continuaremos tendo que optar entre a paz dos cemitérios, própria das ditaduras, e o alvoroço vivo da representatividade, embora feito por gente que não enxerga além do próprio umbigo.

A frase que foi pronunciada

“Se para tirar a carteira de motorista fiquei tão nervosa, imagine o que sente a Dilma Rousseff hoje, quando vão lhe tirar o governo!”

Ju Borges, de Brasília

Voto de volta

Impressionado com a arrogância do PT, o senador José Medeiros discursou sobre a falta de humildade do partido. Até agora ninguém do partido foi capaz de fazer o mea-culpa batendo a mão no peito para pedir perdão aos eleitores que acreditaram nas propostas de mudança para um país melhor, disse o senador. Como bem falou Alexandre Garcia, só o recall dos votos resolveria essa questão.

Mais escândalo

Na bola da vez está o BNDES. Os R$ 400 milhões que foram para o grupo São Fernando, do empresário José Carlos Bumlai, são apenas parte do que vem pela frente, num comboio de investigações. Além das irregularidades, o tráfico de influência nos empréstimos pesa contra o banco nacional.

Na capital

Deputado federal Alex Manente é um ferrenho defensor da acessibilidade por todo o país, principalmente para incrementar o turismo aos que usam cadeira de rodas ou tenham mobilidade reduzida. Só um passeio no comércio das entrequadras e W3 mostrará como estamos longe desse sonho.

Que moral

Quem for pego roubando será punido severamente. Essa é a regra número um do Comando Vermelho. Cartazes explicativos foram espalhados por uma favela do Rio. “Se matar inocente vai pagar com a própria vida.” Pelo comentário dos moradores, a ação deu bons resultados.

Nova hora

Flexibilizada por medida provisória, a Hora do Brasil pode ser transmitida entre as 19h e as 22h. A questão ainda não é definitiva.

História de Brasília

E o relator da matéria foi, precisamente, o sr. Cândido Mota Filho, a quem cabia manter uma medida moralizadora do governo que não foi tanto, não dando aos Jóqueis Clubes a força que eles demonstraram ter. Infelizmente tal não aconteceu. (Publicado em 13/9/1961)

Você paga e eles se divertem!

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Circe Cunha com MAMFIL

Ou a população de Brasília se une para promover uma reforma verdadeira e profunda no funcionamento da Câmara Legislativa e em todo o quadro político-eleitoral da capital, ou continuará a assistir, de camarote, à sucessão contínua de escândalos de corrupção, com sérios prejuízos não só para a cidade como um todo, mas também para cada um dos moradores, principalmente para os pagadores de impostos que são obrigados para bancar essa farra sem fim.

Fosse feita uma pesquisa de opinião pública com os brasilienses mais esclarecidos e que se interessam pela vida da cidade, possivelmente essa Câmara Legislativa seria banida para sempre do horizonte candango — o que essa coluna sempre defendeu. O afastamento inédito de toda a cúpula do Legislativo local joga os brasilienses de volta aos lastimáveis episódios deflagrados com a Operação Caixa de Pandora de 2009, em que o então governador, José Roberto Arruda, foi parar atrás das grades.

Temos, assim, por nossa falta de comprometimento, três recordes nacionais vergonhosos: o primeiro senador cassado, o primeiro governador preso e a primeira Mesa Diretora de um Legislativo afastada por decisão da Justiça. Tudo isso num curto espaço de tempo. Vigilância eterna é o preço que o eleitorado da capital tem que pagar para desfrutar dos benefícios da democracia. A história da implantação de uma câmara de representantes e de eleições gerais em plena capital federal mostra o poder de pressão dos lobbies sobre a feitura das leis, inclusive até sobre a Constituição.

Contrariando pareceres de doutos juristas, a emancipação política da capital foi feita para atender nichos específicos de pessoas que anteviram nesse processo chances de ganhos econômicos extraordinários. Por diversas vezes, neste mesmo espaço, a população foi alertada para os riscos de se repetirem na capital os mesmos vícios políticos encontrados em outras partes do Brasil. O que os brasilienses começam a perceber agora é que o divórcio entre a classe política e a população é um fenômeno nacional, e Brasília não foge à regra.

Não cabe ao jornalismo fazer as vezes de juiz, condenando ou absolvendo quem quer que seja. Mas estamos cientes de que cabe única e exclusivamente ao povo decidir sobre o que quer que o presente faça pelo futuro e que modelo de democracia deseja para si e para os seus. Pelo que se tem visto até aqui, a sabedoria popular ainda não encontrou solução para o impasse flagrante.

Como é possível que representantes eleitos pela sociedade continuem a trabalhar contra essa mesma sociedade, contrariando seus anseios, escarnecendo não só da Justiça, mas dos próprios eleitores? Quo usque tandem abutere, Camara patientia nostra?

A frase que não foi pronunciada

“Eu estou cheio de ver morcego pousando de segurança de banco de sangue!”

Certo eleitor candango

São Paulo

Magnus é o nome do cachorro que surpreendeu a criançada da AACD. Cientificamente provada, a presença do cão traz alegria suficiente para anestesiar a dor da hospitalização. Felipe Consentini é o veterinário de Magnus. A docilidade e a sociabilidade do animal foram fundamentais na seleção.

Esclarecimento

Sobre a eleição da UnB, a professora dra. Márcia Abrahão esclarece à coluna que a candidatura ao lado do professor Enrique Huelva é exclusivamente acadêmica, “expressa em nosso programa e em nossas exitosas carreiras, que o convido a conhecer. Como gestores de uma das principais universidades do país, caso sejamos eleitos para dirigir a UnB pelos próximos 4 anos, não vamos nos omitir em contribuir com questões importantes para a academia e para o país”.

Lição de vida

Corre pela internet bela imagem com o seguinte dizer: Saem os campeões das Olimpíadas, entram os heróis das Paralimpíadas. Na SporTV, vale acompanhar a série Eu me movo, um documentário que começa às 18h30 sobre a trajetória de vida e a rotina de treinamento de 10 atletas paralímpicos, reconhecidos internacionalmente. Verônica Hipólito, Dirceu Pinto, Fernando Fernandes e tantos outros.

Entrada franca

Por falar em cães, no Minas Hall, de amanhã até domingo, acontecerá o Dog Weekend. Trata-se de uma superfeira com todas as novidades do setor de produtos e serviços para cães, exposição de raças e habilidades.

Preservação

Bate forte o coração ao ver caminhões cercando a mina d’agua, onde será ampliado o acesso norte, entre a Ponte do Bragueto e a L4. Se for preservada, poderia ter uma placa com o nome do ministro Armando Leite Rollemberg.

História de Brasília

Toda ausência é atrevida. Foi só o sr. Jânio Quadros sair do governo, e o Supremo julgou logo o mandado de segurança fazendo voltar as corridas de cavalo nos dias de trabalho normal. (Publicado em 13/9/1961)

Vertente criminosa da política

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DESDE 1960

aricunha@dabr.com.br

com Circe Cunha e MAMFIL

Vertente criminosa da política

Ninguém poderia imaginar que o século 21, recém-inaugurado, traria consigo tanta turbulência, contrariando aqueles que acreditam que a evolução da espécie humana é uma questão de tempo. Ao que se assiste agora, por todo o mundo, é ao recrudescimento da violência e da barbárie em seus aspectos mais primitivos.

Enquanto os países desenvolvidos se veem envoltos com a questão dramática do terrorismo e com a chegada inesperada de grandes levas de imigrantes famintos; no Brasil, ainda nos vemos presos a problemas do século passado, causados não só pelo subdesenvolvimento persistente, mas, sobretudo, pela sobrevida de um estilo político herdado dos tempos dos currais eleitorais e dos coronéis.

Com a proximidade das eleições municipais, metrópoles distantes e distintas, como Rio de Janeiro e Fortaleza, são obrigadas a recorrer à proteção da Força Nacional de Segurança para que os pleitos ocorram de forma pacífica. Atualmente, sem a presença efetiva dessa Força Armada, simplesmente não há garantias de que as eleições sejam tranquilas. Em Fortaleza, a questão da segurança vem pautando praticamente todos os discursos de campanha de todos os partidos indistintamente.

Em Natal, a questão da violência urbana também está presente nos palanques. Não bastasse a ocorrência dessas sérias questões, crescem as suspeitas de que o crime organizado, por ordem de suas lideranças, muitas de dentro de presídios de segurança máxima, tem se articulado para lançar e bancar candidatos comprometidos com o mundo do crime.

Para os brasileiros, estão postos agora todos os ingredientes para um retorno aos tempos do gangsterismo que assolou a cidade americana de Chicago nos anos 1920. A corrupção sistêmica na política, a volta dos cassinos, o financiamento de candidaturas pelo crime organizado, são alguns dos elementos presentes que ameaçam não apenas nossa democracia, mas tornam ainda mais cinzento o futuro de milhões de brasileiros. É esse ovo da serpente que é posto agora diante de nós e que, por nossa omissão, pode vir à luz.

A frase que foi pronunciada

“O dinheiro não modifica o homem, apenas o desmascara.”

Henry Ford

Alvo

Destaque para os brasileiros nas Olimpíadas foi o almirante Paulo Zuccaro, diretor do Departamento de Desporto Militar do Ministério da Defesa. Sem campanhas ou estardalhaços sobre o desenvolvimento de atletas militares, a população brasileira desconhecia o feito das Forças Armadas em relação ao esporte. O almirante Zuccaro disse, em entrevista, que países desenvolvidos têm esporte desenvolvido.

Simples assim

Pensem no que aconteceria se as multas do Detran fossem transformadas em horas de pena alternativa. Os motoristas seriam obrigados a prestar serviços em escolas públicas ou hospitais. Não haveria mais a sanha arrecadatória, e o resultado da aplicação das multas seria visível e serviria ao bem comum.

Ouro da casa

Que satisfação ver que Diego Badra enfim entrega-se à culinária. Chef de mão cheia, educado e sensível, ele reflete as qualidades que tem nos pratos que faz. Amanhã, na Oficina Gourmet do Taguatinga Shopping, Diego desvendará os segredos do alfajor, pavlova e torta de limão. Contem no relógio o curto tempo que esse rapaz levará para ser referência na cidade.

Renascer

www.amputadosvencedores.com.br é o site de Flávio Lúcio Peralta. Depois de ser eletrocutado por uma descarga de 13.800 volts, ele precisou se adaptar à vida sem as mãos. Agradecemos a oportunidade de ler um depoimento tão marcante. Funcionários que trabalham em constante perigo ganhariam muito com esse depoimento.

Erramos

Estância Quintas da Alvorada, que enfrenta a Agefiz, nada tem a ver com Quintas da Alvorada, condomínio próximo.

História de Brasília

A posse do ministro da Viação foi a esperança de modificações nos Correios e Telégrafos. Agora, com engenheiro jovem, inteligente, o ministério poderá produzir muito mais. Um voto de esperança e confiança para o cel. Virgílio Távora. Vença a burocracia, coronel, senão ela lhe sufocará. (Publicado em 13/9/1961)

Fim do cerrado. Rios, milho, soja e feijão por areia

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DESDE 1960

aricunha@dabr.com.br

com Circe Cunha // circecunha.df@dabr.com.br

Fim do cerrado. Rios, milho, soja e feijão por areia

Com a transferência da capital para o interior do Brasil, a Região Centro-Oeste, secularmente esquecida, passou a experimentar um protagonismo até então inusitado. A proximidade com Brasília favoreceu e estimulou o desenvolvimento da região. Novas rodovias foram abertas, estradas de ferro foram inauguradas, fábricas instalaram-se no interior. Com o desenvolvimento gerado pelas novas condições geopolíticas do país, veio o progresso e, atrás dele, também o avanço inevitável da poeira.

Ao pretender se transformar no celeiro do Brasil e do mundo, o Centro-Oeste em pouco tempo mudou. O cerrado, anteriormente abundante em toda região, foi sendo substituído pela agricultura semeada em grandes latifúndios mecanizados. Com o advento das espécies transgênicas, as monoculturas do milho e da soja foram expandidas até os limites das cidades. As novas e extensas culturas tomaram conta da vegetação nativa do cerrado, posta abaixo indiscriminadamente, mesmo às margens dos rios.

O cerrado é um bioma que ocupa um quarto do território brasileiro. Embora não possua rios caudalosos, é nessa região que estão concentradas as nascentes de oito das maiores bacias hidrográficas do Brasil. No cerrado, estão os principais aquíferos do país: Bambuí, Urucuia e Uarani. Biólogos e outros pesquisadores são unânimes em reconhecer que a retirada da vegetação natural aliada a um desmatamento criminoso e sem precedentes, estão comprometendo irremediavelmente a manutenção dos níveis de água de grande parte do país.

Se a preservação da natureza é difícil e custosa, além de enfrentar o poderoso lobby dos grandes produtores, imaginem como será, então, para todos, um processo de desertificação perene de grande parte do Brasil. Em algumas regiões, já é possível verificar o desaparecimento de várias nascentes. Sem dúvidas, os prejuízos advindos de uma atividade e de um manejo da terra sem as cautelas necessárias serão infinitamente maiores do que os ganhos que uma minoria de latifundiários terão a curto prazo.

Os alertas sobre a importância de preservar a vegetação nativa do cerrado vêm ocorrendo há algum tempo sem a merecida atenção por parte das autoridades. Segundo alguns cientistas, o processo é irreversível. Para as gerações futuras, se nada for feito, os rios, o milho, a soja e o feijão serão caso encerrado.

A frase que foi pronunciada

“A beleza é uma carta de recomendação a curto prazo.”

Ninon de Lenclos, filósofa e cortesã francesa e considerada símbolo da força e da independência feminina.

Itinerante

Ativo em Brasília na solução de lides, o TJDFT está sempre presente. Nesta semana cinco regiões administrativas vão receber o Juizado Itinerante, uma forma muito bem-vinda pelos cidadãos devido à facilidade do acesso à Justiça.

Conciliação

Por falar em lide, o juiz Flávio Rostirola suspendeu a derrubada das casas no condomínio Quintas da Alvorada, mas a questão não está decidida. Ele enaltece a conciliação no caso e o amplo direito de defesa dos moradores.

Alternativa

Jaques Grinberg, coach de vendas, palestrante, consultor e sócio em quatro empresas, atesta que onde há crise econômica, tem crédito cada vez mais exigente. Existe também busca dos consumidores por bens que sejam adquiridos sem o pagamento de juros. Esse é o ambiente favorável para a aquisição de bens por consórcio.

Plástica prática

A Escola Parque é uma instituição educacional que desde as raízes da cidade era o ambiente para o desenvolvimento de artes, música e teatro, três ferramentas valiosas para a paz social, para o desenvolvimento cognitivo e afetivo. A artista plástica Regina Pessoa, em um resgate histórico, estará presente na Escola Parque para um bate-papo com a criançada. A aula prática de artes plásticas termina no Museu da República, na exposição que ficará aberta ao público até o dia 28.

História de Brasília

Em Brasília, tem sido a cabeça do Iate Clube, e o próprio clube é um atestado de boa administração. (Publicado em 13/9/1961)