Más influências

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Circe Cunha circecunha@outlook.com

Podem ter a certeza: se a proposta apresentada pelo GDF transformando a estrutura administrativa do decadente Hospital de Base em instituto nos moldes da Rede Sarah não é do gosto dos sindicalistas e principalmente dos deputados distritais, é porque a nova fórmula de gestão acaba não só com a ingerência indevida de políticos e pelegos em setores de interesse público, mas também blinda esse e outros serviços de casos de corrupção e de paralisações indevidas.

Quanto mais afastar a prestação desses serviços das influências nefastas de políticos e sindicalistas, melhor será o atendimento à população. O exemplo de excelência de gestão dado pela Rede Sarah tem, entre seus segredos, justamente o distanciamento das más influências dos parasitas.

O caso rumoroso levantado pela Operação Drácon, com indiciamento de cinco parlamentares da Câmara Legislativa por recebimento de vantagens indevidas de verbas para a saúde, demonstra a necessidade urgente de alijar políticos dessa espécie de qualquer assunto referente às áreas de saúde pública. O mesmo ocorre com a educação. A greve dos professores da rede pública, ordenada anualmente por sindicatos que mais se comportam como partido político, é exemplo patente da intromissão indevida de um tipo de sindicalismo pelego, atrelado ao Partido dos Trabalhadores, na estrutura de ensino.

Ao longo dos últimos 20 anos, a influência político-partidária nas questões de saúde e de educação só tem contribuído para a piora de qualidade dos serviços. Faltam médicos, professores e falta qualidade no atendimento à população que paga os mais altos impostos do planeta. No entanto, nada falta a distritais e aos sindicatos.

O que a população deseja são hospitais, transportes decentes e escolas com qualidade e excelência equivalentes aos tributos que paga. O que os brasilienses querem é ser prontamente atendidos em hospitais limpos e humanizados, comandados por técnicos de alto nível, tal qual existem nos países desenvolvidos. O que se quer é menos politicalha e mais serviços de qualidade. Políticos e sindicalistas, na grande maioria, ambicionam apenas o poder pelo poder, sem relação com a sociedade.

Hospitais desinfetados e escolas equipadas não aparecem em nenhuma agenda de políticos e de sindicalistas. O que se busca são aumentos infinitos de salários, estabilidade para gente que não aparece nos plantões médicos nem dá aulas. Se acaso o Hospital de Base se transformar em instituto com as mesmas qualidades apresentadas pela Rede Sarah, será vitória para a população do Distrito Federal e uma instituição a menos no balcão de negócios de políticos e sindicalistas.

A frase que foi pronunciada

“O uísque é o melhor amigo do homem; é um cachorro engarrafado.”

Vinicius de Moraes

De mansinho

» Não foi só a brecha econômica em Cuba que despertou interessados. As igrejas estão se instalando no país que até pouco tempo atrás não tolerava nenhuma manifestação espiritual. Além das coisas do céu, problemas terrenos como Aids e agricultura familiar, energia alternativa estão na pauta dos encontros eclesiais.

Educativo

» Muito bom o programa apresentado pelo SBT aos sábados às 12h30. Entrevistas e documentários sobre a Educação no DF. Vale acompanhar.

Castigo mental

» Por falar em educação, é incompreensível como os ministérios da Justiça, da Educação, das Comunicações e a Abert permitem a transmissão do criminoso desenho “animado” da porca Peppa. Pais permissivos, com preguiça de educar, e crianças completamente sem limite, desajustadas, é o mínimo que se observa quando há paciência para assistir a essa coisa. Para a personalidade em formação, trata-se de crime em forma de inocência.

Lembrete

» Em relação à proteção à criança, a norma é bem clara. As medidas são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos por lei forem ameaçados ou violados: a) por ação ou omissão da sociedade ou do Estado; b) por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável.

Simples assim

» Ronaldo, que vende picolé na entrada da chapelaria do Senado, disse que, para o Brasil não ter sucumbido até hoje com tanta roubalheira, é porque tem realmente muito dinheiro. Dinheiro que daria tranquilamente para ser usado nos transportes, na saúde e na educação. Todos concordamos.

Acredita?

» Depois de tanta verba surrupiada dos cofres da União, o Ministério Público acaba de barrar, por uma ação, o empréstimo de nada menos que R$ 9 bilhões para a Sete Brasil.

História de Brasília

A operação chapa-branca não funcionou apesar da recomendação do general Amaury Kruel. A indisciplina dos que têm carro do governo sob sua guarda é indício do não reconhecimento da autoridade do governo e, vista sob qualquer aspecto, é má para a administração. (Publicado em 23/9/1961).

Reforma política: lupas sobre os Tribunais de Contas

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Qualquer reforma política que se pretenda minimamente séria tem que mirar na estrutura atual dos tribunais de contas de todo o país, inclusive do Distrito Federal. Com a prisão da maioria dos integrantes do TCE-RJ, acenderam-se as luzes amarelas para a necessidade urgente de reformular o funcionamento dessas instâncias de modo a não só a frear as influências político-partidárias sobre as decisões tomadas por esses tribunais, mas, sobretudo, para assegurar que os julgamentos sobre o uso de recursos públicos sejam os mais isentos e técnicos possíveis.

Soa estranho que esses tribunais, por suas atribuições próprias, não tenham um grau de independência para atuar semelhante ao do Ministério Público. Um Estado que deseja, de fato, a busca pela modernização e o combate à corrupção não pode mais tolerar que 80% dos integrantes dessas cortes especializadas sejam ex-políticos ou pessoas indicadas por políticos, colocados na relevante posição para fazer vista grossa aos descaminhos recorrentes dos recursos públicos.

Cinco dos 7 conselheiros desses tribunais são indicados apenas com base em critérios políticos, sendo que esses cargos, por suas inúmeras benesses, têm se tornado alvos de disputas acirradas, nas quais o vale-tudo prevalece. O cargo, inexplicavelmente, aos olhos da gestão pública, é vitalício. O foro para os conselheiros é privilegiado. As mordomias, como carro com motorista, a oportunidade para nomear dezenas de assessores e os maiores salários da República são garantidos ad aeternum. Reunidos, esses tribunais custam aos contribuintes R$ 10 bilhões anuais.

Levantamento feito pelo Correio Braziliense revela que, em 20 dos 27 tribunais de contas do país, há denúncias de irregularidades de toda a ordem. A ONG Transparência Brasil atribui ineficiência dessas cortes para fiscalizar os gastos de governadores e prefeitos à forte politização.

Outro dado sintomático desse aparelhamento político dos TCs que causa espanto é que um quarto dos conselheiros de todo o país responde processo ou já foi condenado pela Justiça em crimes como corrupção, improbidade administrativa ou peculato, que é desvio de dinheiro público. Cobranças de propinas e troca de favores em decisões dessas cortes, como descobertos agora no Rio de Janeiro, têm sido relatados também com frequência Brasil afora.

A saída para esses descalabros, onde as raposas são escolhidas para tomar conta do galinheiro, só terá termo com a realização de concurso público. Há, inclusive, uma PEC (329/13), que dormita nas gavetas do Congresso, que propõe esta medida saneadora e urgentíssima, mas encontra resistência óbvia dos políticos.

A frase que foi pronunciada

“No processo eleitoral o toma lá dá cá não começa entre empresários e políticos, começa com os eleitores. É preciso cortar o mal pela raiz.”

Henfil, de onde estiver

Aposta

» Marcos Coimbra, do Instituto Vox Populi, atesta que 15% dos brasileiros se identificam com o PT — 22 milhões de brasileiros dariam o voto pela volta do partido ao poder. Conhecendo o investimento em educação, alguém duvida?

Absurdo

» Com penalidades brandas sobre crimes ambientais, o Rio Doce continua sofrendo. Dessa vez, em Governador Valadares 3 mil litros de óleo diesel foram derramados por um posto no bairro de Lourdes. Do córrego Figueirinha o óleo correu para o rio Doce.

Pílula

» Sem apresentar, até aqui, resultados satisfatórios que indiquem que a chamada pílula do câncer é um remédio eficaz na cura da doença, a pesquisa clínica em humanos, que vinha sendo conduzida pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), foi suspensa.

Oposição

» De olho em 2018, o ex- presidente Lula está em campanha aberta e antecipada pela região Norte e Nordeste. Mesmo contrariando as regras eleitorais, Lula sabe que a avaliação do governo Temer é baixa nessas regiões, como confirmam as últimas pesquisas do Ibope, por isso não dispensa nem reinauguração de obras feitasnem enterro de anão.

História de Brasília

Está se formando uma campanha em Brasília para que os ministros residam no Distrito Federal. Dois poderes já se mudaram definitivamente, faltando apenas o Executivo. (Publicado em 24/9/1961)

Saudosas saúvas

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Bons tempos aqueles em que as saúvas eram apontadas como as maiores inimigas do Brasil. Hoje as mazelas que condenam o país ao subdesenvolvimento eterno saíram do formigueiro e tomaram conta do Estado, sob a forma de duas pragas gigantes que ameaçam devorar a máquina pública por dentro e a sociedade por fora. A primeira e talvez a mais difícil de ser debelada, por suas múltiplas causas e consequências, é a corrupção. Por sua longevidade, essa peste adquiriu, entre nós, tão elevada experiência, imunidade e sofisticação, que se transformou num fenômeno endêmico, difuso e, portanto, de difícil combate.

O segundo flagelo, decorrente do primeiro, é a violência. Não uma violência qualquer, comum também em outros países, mas uma selvageria bestializada que coloca o Brasil no topo dos países mais violentos do planeta. A cada ano, a corrupção provoca um rombo de R$ 200 bilhões na economia do país, desviando recursos que poderiam ser canalizados para superar o subdesenvolvimento e a desigualdade social, que estão na base da violência. A corrupção e a mentira são a mãe e a tia de todas as pragas.

A Transparência Internacional colocou o Brasil, em 2015, na 76ª posição entre 168 países, com 38 pontos, numa escala que vai de 0 a 100. O que os estudiosos do problema perceberam é que há uma relação inversa entre corrupção e PIB. A cada queda nos índices de corrupção, equivale um crescimento no Produto Interno Bruto. Não é por outro motivo que, em países onde a percepção de corrupção é grande, o subdesenvolvimento é patente.

O outro lado da moeda de nossa aflição é a violência. Estudo apresentado, agora, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 70% dos brasileiros mudaram seus hábitos por conta da violência crescente. A situação é tão alarmante que 80% dos brasileiros já vivenciaram alguma situação de insegurança pública, como alguém se drogando na rua, polícia fazendo prisões, assaltos, tiroteios, brigas, assédio e mesmo assassinato. Por causa desses episódios repetitivos, nossas cidades vão se transformando, a cada dia, em lugares inóspitos.

A pesquisa, realizada em 141 municípios, mostra ainda que 70% da população vem adotando medidas restritivas, como não sair à noite, não circular em alguns bairros, aumentar a segurança privada, evitar sair com dinheiro, trocar de endereço, até mesmo mudar o jeito de se vestir. O problema ganha maior proporção quando se percebe que a violência tem fortes impactos na economia. A violência provoca tanto a perda da qualidade de vida quanto da competitividade, ou seja, compromete o desenvolvimento do país. Trabalhadores ficam mais tensos e, com isso, menos focados no trabalho, menos produtivos.

“As empresas desviam recursos da produção para atividades de segurança. Investidores desistem do país. Como consequência, os produtos ficam mais caros”, afirma o gerente executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca. Para 83% da população ouvida, é preciso uma política de tolerância zero com qualquer tipo de infração, sendo que muitos chegam a justificar a violência da polícia contra os criminosos.

A corrupção, ao reproduzir as desigualdades sociais, catalisa a violência. Os últimos episódios ocorridos no Espírito Santo dão uma pequena e preciosa mostra da simbiose existente entre corrupção e violência, bem como seus efeitos deletérios sobre os cidadãos de bem e a economia local.

A frase que não foi pronunciada

“Querida, eu estou tão rica que, se me cremarem, eu viro purpurina!”

Senhora de tornozeleira se desfazendo das invejosas

Afasta

Selma Sauerbronn, vice-procuradora-geral de Justiça, defendeu o afastamento dos cinco deputados distritais no escândalo de corrupção revelado pela Operação Drácon com o seguinte argumento: “Há indícios de que os denunciados utilizaram seus cargos políticos não só para obtenção de vantagem, mas também para a queima de provas. Dessa forma, o afastamento seria para garantir a dignidade do Legislativo local e em respeito ao eleitorado do Distrito Federal”

Impedidos de trabalhar

Denúncias dando conta de que professores grevistas impediriam outros colegas de trabalhar e dispensando alunos que querem assistir às aulas têm chegado ao conhecimento do Ministério Público do Distrito Federal. Para o MP, “o direito à greve não pode se sobrepor ao direito educacional de milhares de estudantes da rede pública do Distrito Federal, causando prejuízos irreversíveis”, é o parecer.

História de Brasília

Está se formando uma campanha em Brasília para que os ministros residam no Distrito Federal. Dois poderes já se mudaram definitivamente, faltando apenas o Executivo. (Publicado em 24/9/1961)

Sujando a jato

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Com o ajuizamento de ação civil, pela força-tarefa da Operação Lava-Jato, contra o Partido Progressista (PP) pedindo o ressarcimento de nada menos do que R$ 2,3 bilhões aos cofres públicos, fica, cada vez mais, evidenciada a transformação desse e dos maiores partidos políticos do país em verdadeiras organizações criminosas, estruturadas com a finalidade específica de saquear o Tesouro Nacional.
As investigações revelaram que a legenda era a responsável pelos pagamentos ilícitos advindos de contratos da diretoria de abastecimento da Petrobras, comandada, na época, pelo já notório Paulo Roberto Costa. Com base na Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/92), os procuradores do Ministério Público buscam a punição do bando, ou seja, a suspensão dos direitos políticos por 10 anos, a proibição de receber benefícios creditícios ou fiscais, impedimento de contratar com o poder público, além de cassação da aposentadoria e multa bilionária.
Para os partidos implicados no caso do petrolão, não será surpresa se as legendas recorrerem ao fundo partidário e, possivelmente, ao fundo eleitoral, a ser criado para saldar a dívida com a Justiça. O Partido Progressista, com 47 deputados, tem, nada menos que 27 deles sendo investigados pela justiça ou 57,45%.
Trata-se, somente na Câmara dos Deputados, de um número expressivo que indica que mais de a metade da legenda com assento naquela Casa, carrega acusações seriíssimas que, em países como a China, os levariam, sem delongas, direto à pena capital. Essa é apenas uma pequena mostra do universo partidário, formado logo após a redemocratização do país, que evidencia a urgente necessidade de mecanismos legais que permitam o imediato banimento dessa e de outras siglas envolvidas no mundo do crime.
Serve para esses partidos, implicados em casos tão graves de corrupção, as mesmas palavras usadas pelo juiz Sérgio Moro no despacho em que condenou agora o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha a 15 anos de cadeia: “A responsabilidade de um parlamentar federal é enorme e, por conseguinte, também a sua culpabilidade quando pratica crimes. Não pode haver ofensa mais grave do que a daquele que trai o mandato parlamentar e a sagrada confiança que o povo nele deposita para obter ganho próprio”.
Com a ação inédita de ressarcimento bilionário contra o PP, o que naturalmente virá pela frente, com os desdobramentos das investigações, é a responsabilização também das demais legendas envolvidas nesse megaescândalo, com multas estratosféricas. Aos já identificados, virão ainda outros mais, quando os 83 pedidos de abertura de inquérito, feitos pela Procuradoria-Geral, com base nas delações da Odebrecht, vierem à tona em breve. Não será surpresa se, logo mais, metade do Congresso atual venha a ficar sob investigação da Justiça.

A frase que não foi pronunciada
“Nós, representantes do povo brasileiro.”
Lembrete da Constituição para quem reclama dos políticos: eles chegaram onde estão pelo seu voto. Nenhum deles foi truculento a ponto de invadir o Congresso para legislar.

Reguffe
» Senador Reguffe está com uma postura bem mais contundente nos ataques aos absurdos da nossa política. No Plenário, deu uma dica do que está acontecendo sem que a população se atente: “Essa proposta de lista fechada é um absurdo. Em vez de o Senado votar a minha PEC, que institui o voto distrital e que tornaria a política mais acessível ao cidadão comum, os líderes partidários aqui vêm com essa de lista fechada, que só vai fazer perpetuar os atuais parlamentares e dar mais poder ainda para as cúpulas partidárias”, critica duramente o senador.

Sem compromisso
» Brasil Cordeiro e Uirá Lourenço continuam denunciando o desrespeito com o cidadão brasiliense nas obras asfálticas e calçadas. O recapeamento da Avenida das Jaqueiras no sentido do HFA, no Setor Militar Urbano, foi reprovado durante as fortes chuvas. Os buracos são maiores do que antes, causando acúmulo de água, o que torna o trânsito mais perigoso.

Desconfiômetro
» Na comercial da 213 Norte, em frente ao parque, um caminhão sobe pelas calçadas recém-restauradas, arrebenta tudo e descansa na área verde do prédio sem que ninguém o incomode. Um verdadeiro absurdo.

Sem noção
» Outra coisa que os motoristas ainda não se deram conta é que onde há ciclovias não se estaciona. Os carros que param trancando o acesso a elas deveriam ir para o depósito do Detran instantaneamente.

De fora
» Entre uma coletânea de notícias de Paulo Esteves, chega uma sobre Steven Brams, do Departamento de Política da Universidade de Nova York. Com o sistema de avaliação que adota para definir momentos políticos, ele afirmou que o Brasil vive um momento dramático em função do impeachment de Dilma Rousseff e que o sistema político brasileiro nada se assemelha com uma democracia e sim com um sistema arbitrário, que permite abusos de poder por parte do governo e, sobretudo, beneficia a corrupção e a impunidade.

História de Brasília
Nada resolvido ainda quanto à iluminação do pátio de manobras do aeroporto. Os postes estão fora de funcionamento, e os geradores, também. (Publicado em 24/9/1961)

Contribuição acinte

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Juntas, as 17.068 entidades sindicais, registradas no Ministério do Trabalho, arrecadaram, apenas nos últimos 5 anos, com a contribuição obrigatória de um dia de serviço de cada brasileiro, R$ 15 bilhões. A proliferação desenfreada de sindicatos foi a maneira encontrada nos 13 anos do governo petista para estender a influência e ascendência de seu partido sobre todos os trabalhadores do país, não com o intuito de aperfeiçoar as relações patrão/empregado, mas objetivando unicamente o controle hegemônico da legenda.
A abundância de recursos e a facilidade de obter registro sem burocracia ou necessidade de prestar contas do montante arrecadado ao Tribunal de Contas da União explicam a multiplicação de entidades sindicais em nosso país. É o dinheiro fácil do contribuinte, arrancado do bolso de cada brasileiro, que favoreceu também a proliferação de outras entidades parasitárias, como partidos políticos e organizações não governamentais, que, antes de cuidar da defesa dos interesses daqueles que insinuam representar, tratam de defender os próprios interesses, principalmente, em muitos casos, das cúpulas dirigentes.
Obviamente, distorções dessa natureza só foram possíveis graças à leniência interesseira dos legisladores e à complacência da Justiça, sempre pronta a dar a sentença final a essa turma. Para se ter uma ideia desse absurdo, a Inglaterra, berço da Revolução Industrial e do sindicalismo, possui apenas 168 sindicatos. A Alemanha, o gigante industrial europeu, tem oito sindicatos. A vizinha Argentina, perto de 60. O máximo que se conseguiu com essa farra de entidades ditas representativas foi a explosão de sindicatos pelegos, atrelados ao governo e de olho na contribuição gorda do imposto.
Para alguns historiadores, a situação reflete ainda um resquício de nossa história fascista recente, que fez do aparelho sindical um apêndice do Estado paternalista. O mais estranho é que pela legislação vigente, contida na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), mesmo os trabalhadores e empresas que não estão associados a sindicatos são obrigados a pagar, anualmente, a forçada contribuição sindical.
É chegado o momento, com a reforma trabalhista, de se discutir a modernização dos sindicatos brasileiros à luz do que vem sendo feito em outras partes do mundo, onde essas entidades já encontraram, nos valores democráticos universais, novas formas de organizar as classes trabalhadoras, libertas das ideologias partidárias e, principalmente, do Estado e do pobre contribuinte, chamado a bancar qualquer aventura inventada pelos donos do poder.

A frase que foi pronunciada
“Na luta do bem contra o mal, é sempre o povo que morre.”
Eduardo Galeano

FNPL
» Tiririca, como deputado, participou da criação do vale-livro. O deputado Rafael Motta já deu parecer favorável ao projeto de lei que cria o Fundo Nacional Pró-Leitura.

Refinamento
» Convite de Celina Kaufman para a abertura da Exposição Figurative Expressions. Trata-se de uma parceria da Art&Art com a SV Gallery de Nova York. Em São Paulo, na Alameda Lorena,1748.

Sem fronteiras
» Por falar em São Paulo, o escritório Almir Pazzianotto Pinto Ltda. já é sucesso no Facebook.

Sem saída
» Cobrança de R$ 2,3 bilhões é o que a força-tarefa da Lava-Jato quer de volta aos cofres públicos. O Partido Progressista é que vai pagar a conta por causa do propinoduto da Petrobras. Se a mesma penalidade ou outra maior for estendida também a outros partidos, o perigo é que eles resolvam quitar essas multas com o dinheiro do próprio contribuinte, por meio do fundo partidário.

Já acontecidos
» Há um balão na descida do Paranoá pessimamente sinalizado. Os carros que seguem em altíssima velocidade a caminho do Plano deveriam parar para a pista preferencial. Nada previne acidentes por ali.

Uma pena
» Durante oito horas, o trânsito, nas imediações do Palácio do Buriti, ficou interrompido por conta da manifestação dos professores da rede pública, causando um transtorno e um prejuízo imenso aos brasilienses bem na hora de pico. Ameaçando invadir o Palácio, entrando em confronto aberto com os policiais que faziam a proteção do local, além de desrespeitarem a decisão da Justiça, que considerou a greve ilegal. Por essas e outras é que a cada dia a categoria perde o apoio e o respeito do cidadão.

História de Brasília
Desde que assumiu a Presidência da República, o sr. João Goulart tem, no Aeroporto de Brasília, um convair da Varig à sua disposição. (Publicado em 24/9/1961)

A educação muda porque tem voz

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Existe um caminho antigo e seguro que pode deixar para trás a pobreza e as mazelas dela decorrentes. Um caminho também capaz de libertar, tanto as pessoas, individualmente, quanto a sociedade ou até uma nação inteira. Trata-se de uma senda conhecida há milênios e que foi trilhada com sucesso por muitos povos em épocas distintas e sempre com resultados comprovados.
Surpreende que esse caminho, conhecido e experimentado pelos que, entre nós, estão em posição privilegiada no alto da colina, não seja revelado a outros. Distantes cinco séculos de nossas origens históricas, permanecemos à margem da estrada, tal qual o primeiro dia, simplesmente porque ainda trilhamos a rota errada e em círculos, que nos remete sempre ao mesmo lugar da partida. Por essa persistência no rumo incerto, prosseguimos a cada novo ranking sobre qualidade de vida, em direção ao fim da fila, na rabeira do mundo.
Constrange o fato de que no século 21, quando outros já finalizam projetos de colocar o homem em Marte, ainda estejamos entre as 10 nações mais desiguais do globo, mergulhados numa indigência primitiva. A questão então não é quando chegaremos ao planeta vermelho, mas quando, enfim, deixaremos de vagar pelo deserto.
No último dado relativo ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), de 2015, o Brasil aparece no 79º lugar entre 188 nações pesquisadas quando os indicadores são educação, saúde e renda da população. Justamente os mais importantes para o ser humano. Uma das conclusões que esses dados revelam para nós e para o restante do mundo é a enorme e secular diferença existente entre pobres e ricos no Brasil.
Para se chegar, segundo o coeficiente Gini, a ser o décimo país mais desigual do mundo, é preciso um grande esforço às avessas, fazendo justamente o que outras nações já descartaram. Mesmo no continente, o porcentual de desigualdade de renda em nosso país (37%) é maior do que a média de nossos vizinhos (34%).
De acordo com estudo apresentado ao Banco Mundial pelo economista colombiano Guillermo Perry, a transmissão do fator pobreza, entre gerações, só deixa de existir de forma definitiva quando as mulheres passam a estudar mais, concluindo, ao menos, os anos de escolaridade referentes ao ensino médio. Trata-se de uma revelação. Conhecida por uns poucos, estranha a muitos e negligenciada por todos. Sobretudo por aqueles que têm o poder de mudar a realidade e deveriam apontar o antigo e seguro caminho capaz de transpor a pobreza que é a educação.
Durante séculos, temos investido uma montanha de recursos públicos na ignorância para chegarmos sonde estamos. Talvez tenha chegado a hora de invertermos a estratégia e passar a investir pesado na formação adequada das novas gerações. Quem sabe, algum dia elas venham a nos resgatar da areia movediça em que afundamos desde os anos 1500.

A frase que foi pronunciada
“Uma imagem vale mais que mil negações.”
Ronald Reagan

Galerias
» José Bonifácio dos Santos nos escreve com a seguinte ideia. Algumas estações do metrô estão quase prontas. Quando forem concluídas, poderão dar mobilidade a mais de 100 mil pessoas diariamente. Se não há verbas para finalizar as obras, a sugestão é que se convoque a direção do Metrô para que, em curto prazo, licite as obras, dando em pagamento o direito de uso comercial, por determinado tempo, dos espaços nas galerias subterrâneas. São obras simples e podem ser concluídas rapidamente e inauguradas. Essas estações estão semiprontas, pasmem, há 19 anos, conclui o leitor.

Emergência
» Sobre a nota das inúmeras festas regadas a drogas com o som fora dos parâmetros suportáveis, um caso de desespero acontece com pacientes de hospitais na área das quadras 600 da Asa Sul. Principalmente a 608, onde, apesar dos protestos registrados, nada foi feito.

Proteste
» Cida Azevedo reclamou aqui sobre o portal Reclame Aqui. É que eles começaram a, como tantos outros, sugerir que o registro seja feito com a conta do Facebook. Como muita gente prefere não se expor nessa mídia, fica impedida de protestar.

Novidade
» Assim que as normas impostas pelo Iphan forem cumpridas, a Universidade de Brasília receberá material arqueológico encontrado no DF. Trata-se de uma parceria com o Museu de Geociências da UnB e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan. As peças são encontradas, geralmente, em escavações para pesquisa ou em grandes obras.

Última
» A Reuters anuncia que a Petrobras desistiu de revogar a liminar que impede a negociação para a venda dos campos de Tartaruga Verde e Baúna com a empresa australiana Karoon. O comunicado foi feito ao Supremo Tribunal Federal.

História de Brasília
Já agora, o sr. João Goulart manteve a mesma atitude diante do problema criado com a Prefeitura do Distrito Federal. Enquanto pensa e os ânimos diminuem de tensão, ele nomeou o sr. Diogo Lordello de Mello, que, por sinal, tem feito boa administração. (Publicado em 24/9/1961)

CNBB critica reforma

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“Buscando diminuir gastos previdenciários, a reforma da Previdência (PEC 287/16) soluciona o problema”, excluindo da proteção social os que têm direito a benefícios. Ao propor uma idade única de 65 anos para homens e mulheres, do campo ou da cidade; ao acabar com a aposentadoria especial para trabalhadores rurais; ao comprometer a assistência aos segurados especiais (indígenas, quilombolas, pescadores e outros); ao reduzir o valor da pensão para viúvas ou viúvos; ao desvincular o salário mínimo como referência para o pagamento do Benefício de Prestação Continuada (BPC), a reforma escolhe o caminho da exclusão social. “A avaliação foi feita pelo Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reunido, em Brasília, entre 21 e 23 deste mês.
Lembran os clérigos, que a Previdência é um direito social previsto no Art. 6º da Constituição Federal, conquistado com enorme esforço, abrangendo 2/3 da população economicamente ativa e não uma concessão governamental ou um privilégio, conforme parece fazer crer o governo. A declaração da CNBB é importante, pois, de qualquer maneira, representa uma orientação para um universo de aproximadamente 65% da população brasileira que se declara católica ou simpatizante.
Ao reconhecer que fatores como o envelhecimento natural da população e a diminuição nas ofertas de emprego, por conta da crise prolongada, requerem um reexame do modelo atual de Previdência, os bispos, no entanto, questionam e põem em dúvidas os números apresentados pelo governo para justificar as mudanças drásticas.
Para a CNBB, o deficit apontado pelo Planalto tem se mostrado diverso de outras instituições e se choca com análises feitas por outros técnicos do próprio governo. “Não é possível encaminhar solução de assunto tão complexo com informações inseguras”, diz a nota dos bispos, para os quais o sistema da Previdência Social possui uma intrínseca matriz ética, voltada para a proteção das pessoas expostas, a qualquer tempo, às vicissitudes da vida. Estranha a entidade que, em nenhum momento, a proposta apresentada pela PEC do governo faz referência a esses valores, reduzindo uma questão tão importante e vital a uma equação meramente econômica e fria.
Na mensagem divulgada, os bispos brasileiros destacam também a necessidade de se auditar a dívida pública, rever desonerações de exportações de commodities, taxar rendimentos das instituições financeiras, identificar e cobrar os devedores da Previdência.

A frase que foi pronunciada
“A velhice é uma tirania que proíbe, sob pena de morte, todos os prazeres da juventude”
François La Rochefoucauld

Saúde
» Na Entrequadra 204/404 Norte, o posto de saúde não faz triagem. Daí a filhinha perguntou: “Pai, por que tudo no SUS é demorado?” “Deve ser porque o melhor remédio é o tempo”, foi a resposta.

Pedido
» Em virtude dos transtornos que o racionamento traz, o GDF poderia tomar a medida de poupar as famílias do DF em datas comemorativas. Há previsão do corte de água na Páscoa, Dia das Mães, dos Pais, Natal, etc. A sugestão é de uma leitora.

Será?
» Disse o governador Rollemberg que até o final de 2018 as obras do Trevo de Triagem Norte estarão prontas. Mas no ritmo em que estão, vão demorar muito mais.

Inferno
» Quando a PM quer, faz. Algumas denúncias anônimas de festas regadas a drogas são prontamente verificadas. No Paranoá, o som vai longe. Por enquanto, continuam incomodando muitos quilômetros com o som infernal.

Registro
» Chega ao Arquivo Público do DF o acervo de Asta-Rose Alcaide. A sobrinha Silvia Jordan de Oliveira foi quem fez a doação.

História de Brasília
Um homem que manteve a cabeça fria, em todos os momentos da crise, foi o sr. João Goulart, que surpreendeu os seus próprios amigos, sabendo-se como ele é, explosivo de temperamento. (Publicado em 24/9/1961)

Terra nostra

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Como sempre repete o filósofo de Mondubim: “Quem aluga o traseiro não escolhe onde sentar.” A sentença serve como uma luva para a proposta que será apreciada em breve pelo Congresso Nacional e que conta com o apoio do governo do constitucionalista Michel Temer. Trata-se da regulamentação da venda de terras brasileiras a estrangeiros e a fundos de investimentos sediados fora do país.

A medida que traz como justificativa um possível aporte de recursos de R$ 50 bilhões para o setor agrícola, vem sendo alvo de severas críticas de ambientalistas e, principalmente, dos militares, para os quais a simples menção de vender o solo pátrio equivale à traição que atenta contra a soberania nacional, primeiro fundamento da Constituição Federal.

A princípio, não se compreende como o setor agropecuário, considerado o mais capitalizado do país e que vem, seguidamente batendo recordes de produção, necessitaria de aportes tão imediatos. Por outro lado, para os agricultores e criadores nacionais, a terra representa o mais precioso e fundamental meio para produzir. Vendê-las pois, equivaleria a matar a galinha de ovos de ouro.

Para alguns estrategistas, o controle de imensos latifúndios por grupos estrangeiros pode suscitar problemas de toda a ordem, sobretudo dependências, submissões e outras situações perigosas para o Estado brasileiro e sua soberania. O fato é que potências estrangeiras estão de olho grande neste produto posto à venda.

Para um país acostumado com a fragilidade de fiscalização, trata-se, na opinião dos interessados, de um negócio da China. Não é por outro motivo que a própria China anunciou a intenção de aplicar US$ 300 milhões para a aquisição de quase 1.000 quilômetros quadrados na Bahia para produzir o que o Brasil já exporta em excesso: soja. Produtores nacionais vêm fazendo, há muitos anos, denúncias contra empresas estrangeiras que plantam em terras brasileiras, principalmente com relação às irregularidades praticadas nas áreas trabalhistas e tributárias, desrespeitando direitos, desmatando áreas protegidas, usando defensivos proibidos em outros países, entre outras ilegalidades, acabando com nossa água. Aliás, acabaram com um rio, o rio Doce, e pelo peso leve da punição pode-se calcular o que será com os novos donos da terra brasileira.

Além desses crimes, os agricultores têm alertado para o fato de algumas empresas comprarem terras apenas para especular, sendo que muitas propriedades, tão logo são adquiridas, passam a ser sublocadas para outros grupos, sem qualquer fiscalização. Trata-se de uma situação alarmante, sem o conhecimento da sociedade, sem fiscalização, sem puniçao e pior, sem qualquer interesse por parte das autoridades que permitem que grupos alienígenas possuam áreas maiores que muitos países do planeta.

A frase que foi pronunciada

“O Brasil precisa escolher entre autonomia e dependência, soberania ou submissão. Como o viajante, diante da esfinge, a grande pergunta que temos que responder ao século 21 é: que país queremos ser e que futuro queremos ter, como Nação.”

Mauro Santayana

Por dentro

» Fernando Gomide, nosso leitor que foi candidato à Câmara Legislativa, acompanha as barbaridades políticas. São 24 deputados, sendo 17 investigados ou réus por corrupção ou improbidade. A saúde continua sucateada. Desde 2009, todos os secretários de Saúde do DF se tornaram réus em ações de improbidade onde a IntensiCare tinha interesse. Os cinco deputados distritais acusados de corrupção passiva em relação à IntensiCare continuam com o mandato parlamentar. Ministério Publico e Polícia Federal precisam investigar os Tribunais de Contas, secretarias de Saúde e TJs, principalmente, no que tange a financiamentos de campanhas eleitorais. E termina a missiva: “Enquanto poucos tentam combater a corrupção criminosa, a população vulnerável morre”.

Em ação

» Em parceria com a Administração do Lago Norte, o Colégio Indi participou do plantio de 200 mudas no Viveiro Comunitário da região. A meninada passou a manhã com as mãos na terra. “Cuida do jardim pra mim, deixa a terra florescer, pensa no filhote do filhote que ainda vai nascer.” O primeiro broto nasceu. A poesia.

Luthier

» Já que não vê a dupla da PM nas ruas, Hary Schweizer apelidou as partes dos fagotes recém-construídos de Cosme e Damião. Para lembrar dos velhos tempos de segurança nas ruas.

História de Brasília

O único homem a quem o sr. Juscelino Kubitschek pede a bênção é o sr. Eufrosino de Oliveira, seu padrinho de batismo, que reside em Diamantina e conta, hoje, com 94 anos de idade. (Publicado em 23/9/1961)

Consumidor solto pelo campo dos interesses

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com Circe Cunha // circecunha.df@dabr.com.br e MAMFIL

Do ponto de vista do boi e da vaca, a Operação Carne Fraca foi a melhor notícia do ano. Essa afirmação serve para ressaltar que, em qualquer situação posta, mesmo as mais negativas, há sempre ângulos, que ,analisados mais detidamente, revelam aspectos positivos.

No caso da Operação Carne Fraca, que expôs ao mundo os bastidores herméticos da produção de derivados de animais no Brasil, as investidas dos agentes federais sobre ests setor podem não representar a maior operação policial de todos os tempos, como foi proclamada a princípio, mas serviu para lançar luzes sobre um importante setor da produção, dominado por grupos poderosos que há décadas ditam políticas para a área e que ultimamente vinham aparecendo como provedores suspeitos em casos revelados por outra Operação, a Lava-Jato.

A magnitude econômica desse setor, que se crê o maior do país, não pode servir de escudo para que a sociedade saiba o que se passa em seus bastidores e principalmente a que preço o Brasil se tornou o maior produtor mundial de carne. Para uma parcela expressiva da população, interessa mais saber se o preço interno dessa commodity irá despencar nos açougues, já que o preço interno desse produto faz de seu consumo um privilégio para poucos. Para outra parte da sociedade importa conhecer a fundo como são produzidos de fato os alimentos que diariamente são postos à mesa de todos.

O ministro atual no qual esse problema veio a cair no colo, Blairo Maggi, é um exemplo para o setor agrícola quando o assunto é produção sob qualquer condição. Galardoado pelos ambientalistas com o título de “motosserra de ouro ” pelo jeito com que pôs abaixo a vegetação nativa de parte do Centro-Oeste e da Amazônia para plantar soja, é um típico empresário do agronegócio avesso a questões “ menores” como efeito estufa e outros fenômenos climáticos.

A quantidade de hormônios, antibióticos e outros produtos químicos usados na agropecuária, alguns, inclusive proibidos em muitos países, pelos riscos que causam ao homem e ao meio ambiente, é um segredo muito bem guardado longe do público.

O tipo de criação extensiva adotado pelos produtores nacionais, no qual o gado é largado livremente no pasto, adentrando, inclusive, por áreas de proteção e os casos crescentes de formação de pastagens e criação de animais dentro da floresta amazônica e do pantanal, destruindo esses ecossistemas, vêm sendo pouco debatidos e quase não chegam ao conhecimento do grande público.

Também a imersão da carne em conservantes químicos perigosos ao ser humano para aumentar seu prazo de validade é pouco discutida e não se conhecem nem os processos nem seus efeitos a longo prazo. Essa história de que o produtor nacional é um herói que alimenta diariamente os brasileiros, valia para o tempo em que a agropecuária era uma atividade puramente familiar. Hoje, quem comanda esse setor são grupos poderosos, com ascendência sobre governos. Muitos inclusive nunca puseram o pé no campo e encaram essta atividade de forma empresarial e fria, sendo o restante da população, encarado como uma outra espécie de gado, de povo marcado.

A frase que foi pronunciada

“Ser vegetariano vai ser uma questão de sobrevivência para os humanos. A natureza não aguenta desaforo por muito tempo.”

Pensamento da vaca Mimosa.

Lava a jato

» Em tempos de escassez de água no DF, a Promotoria de Defesa do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural (Prodema) deu prazo de 60 dias para o GDF elaborar instrução normativa para regulamentar a atividade comercial de lavagem de veículos. Para o promotor Roberto Carlos Batista, os efluentes gerados pela lavagem dos automóveis contaminam os corpos hídricos receptores e provocam o desperdício da água em seu processo.

Terras para estrangeiros I

» É bom o Ministério Público e a Polícia Federal ficarem de olhos bem abertos no comércio de terras brasileiras para estrangeiros via fundos de investimentos. O negócio todo tem cheiro de maracutaia, é prejudicial aos interesses do país sob vários aspectos e vem sendo feito longe da opinião pública.

Terras para estrangeiros II

» Tramitando em regime de urgência no Congresso, o texto que estabelece normas para a aquisição de terras é cheio de lacunas e deixa em aberto os limites para a compra de 100 mil hectares ou mais, caso as pessoas tenham interesse. Em outros tempos, propostas dessa natureza poderiam ser perfeitamente enquadradas na Lei de Segurança Nacional.

Boa

» Campanha do CNJ estimula os professores a observar a meninada. A qualquer sinal de maus-tratos, a regra é clara. O educador deve comunicar situações anormais que envolvam alunos.

História de Brasília

Mas isso tem um endereço certo. É que o IAPI faz questão de provar, junto ao presidente da República, que em Brasília não há habitação para os seus funcionários, e, por isso, o Instituto não pode se mudar. (Publicado 24/09/1961).

Decisão afrontosa

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“Se formos adotar o entendimento de afastar os distritais, antes seria preciso esvaziar o Congresso Nacional, já que, nesse caso, a complexidade das acusações indica que o julgamento final, provavelmente, vai ocorrer daqui a uns dez anos.” O parecer surpreendente para não pedir o afastamento imediato dos cinco deputados distritais, implicados no escândalo revelado pela Operação Drácon, foi feito pelo desembargador Humberto Ulhôa e, obviamente, serviu para relaxar a tensão entre os parlamentares acusados que estavam presentes ao julgamento no Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT).

A partir dessa justificativa, mesmo tendo o Tribunal aceito por unanimidade as denúncias por corrupção passiva contra os parlamentares, ficou claro, para todos e, inclusive, para os novos réus, que a impunidade geral, pela morosidade da Justiça, estava, mais uma vez, posta à mesa.

À declaração para dar consequência natural ao gravíssimo episódio contra os recursos públicos vem se juntar o conhecido corporativismo da Câmara Legislativa, para que todo o rumoroso processo vá direto para o fundo da gaveta do esquecimento. É preciso salientar que essa decisão dos poderes de Estado vem em favor de indivíduos que a sociedade, formada por eleitores conscientes, quer afastados para longe de quaisquer cargos de relevância. Que representação popular podem ter indivíduos que atentam contra a ordem pública? A proteção, na forma de protelamento e pela ausência de um veredito incisivo, afronta os brasilienses e só serve para aumentar o descrédito do cidadão em relação à Justiça e aos políticos.

Esses parlamentares, que agora passarão a responder por corrupção passiva, voltarão a exercer a plenitude de suas funções, de onde poderão fazer pressão para se livrar do processo. Continuarão desfrutando das conhecidas regalias, recebendo, como prêmio, altos salários e outras mordomias bancadas pelo contribuinte, inclusive, por aqueles que, em vão, buscam ser atendidos nos hospitais e escolas públicas depauperados ao extremo, pela ação criminosa.

A Câmara Legislativa, da qual nada se espera de edificante em prol da cidadania, faz cara de paisagem e atribui ao tribunal a decisão soberana e final em manter o caso em suspenso pela próxima década. Essa situação vergonhosa vem se juntar a tantas outras protagonizadas pela Casa Legislativa no dia a dia e reforçam a ideia de que esse poder não serve ao cidadão. No máximo, tem dele se servido, para se locupletar por qualquer meio. Por essas e por outras que a população apelidou a Câmara local de “Casa do Espanto”. Isso não é democracia.

A frase que foi pronunciada

“A corrupção não é uma invenção brasileira, mas a impunidade é uma coisa muito nossa.”

Jô Soares

Novidade

» Uma comissão na Câmara dos Deputados discute mudanças no Código de Processo Penal. Um tema interessante abordado foi a justiça restaurativa. Nela, a reparação do dano não é só a punição do culpado, mas a vítima também é considerada. O deputado petista Paulo Teixeira explica: “A justiça punitiva pune o réu e não dá nenhuma satisfação para a vítima. Nós achamos que, em muitos casos, a justiça restaurativa, que existe no mundo inteiro, poderia ajudar a dar satisfação para as vítimas.”

De graça

» Alunos e concurseiros têm oportunidade de baixar livros gratuitamente no portal do Senado. Basta acessar http://livraria.senado.leg.br/.

Dois grupos

» O primeiro é de rapazes vestidos de garçons servindo água de coco no sinal a caminho da ponte do Bragueto. O segundo grupo é de pessoas com trajes de religiosos que não inspiram a menor confiança, próximo ao supermercado Extra no fim da W3 Norte.

História de Brasília

Funcionários do IAPI ainda estão residindo em barracos de madeira, ou em apartamentos de triagem. Enquanto isso, o Instituto apronta uma superquadra e não toma nenhuma providência para abrigar, primeiro, os seus funcionários. (Publicado em 23/9/1961)