Governo dos EUA anunciam ajuda adicional de US$ 3 milhões para combate à covid-19 no Brasil

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No mesmo dia em que o presidente Donald Trump declarou que pode proibir vôos entre Brasil e Estados Unidos por causa do novo coronavírus, a Embaixada americana no Brasil soltou um comunicado de novos recursos no combate à pandemia. A situação da pandemia por aqui realmente preocupa as autoridades estadunidenses, ao ponto de o presidente Trump dizer que o Brasil está com alguns problemas, logo depois de declarar: “Não quero pessoas vindo para cá infectando o nosso povo”. Por aqui, a embaixada comunicou que os recursos deem ser destinados à Fiocruz. Veja abaixo a nota da Embaixada:

 ” O governo dos Estados Unidos, por meio dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), destina aproximadamente US$ 3 milhões (mais de R$ 17 milhões) para ajudar na resposta de emergência de saúde pública do Brasil à COVID-19. O CDC trabalhará em estreita colaboração com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Ministério da Saúde, com os quais a Embaixada mantém cooperação de longa data na área de saúde. Os recursos serão usados para a melhoria da detecção e do rastreamento de casos, na identificação de áreas de transmissão, no controle de surtos e no fornecimento de dados para uma reabertura segura no Brasil. Essa assistência soma-se aos US$ 950 mil anunciados em 1º de maio para apoio socioeconômico a populações vulneráveis.

Os recursos do CDC fortalecerão as operações emergenciais do Brasil, apoiando 79 centros de operação de emergência: 1 centro nacional, 27 estaduais, 26 nas capitais e 25 nos municípios com mais de 500 mil habitantes, além de fornecer aos membros da Equipe de Resposta Rápida (RRT) treinamento e oficinas sobre integração de sistemas de gestão de emergência (EMSI), gestão de RRT e Gestão de Emergências em Saúde Pública (PHEM).

Além disso, os recursos irão melhorar a saúde comunitária e na região fronteiriça, apoiar os centros de operações de emergência e laboratórios em 13 municípios fronteiriços e reforçar as capacidades entre os países parceiros para detectar e atender indivíduos doentes nas fronteiras e durante suas viagens.

Sobre o anúncio, o embaixador Todd Chapman destacou: “Essa iniciativa ajudará diretamente a FioCruz e ao Ministério de Saúde nos seus esforços para mitigar o impacto da COVID-19. Vamos continuar trabalhando juntos com Brasil para combater este pandemia”.

O Brasil e os EUA têm uma longa e produtiva colaboração em questões de saúde, incluindo pesquisa biomédica, saúde pública, doenças infecciosas, intercâmbios científicos e fortalecimento do sistema de saúde. O CDC tem cooperado ativamente com o Brasil desde 2000 e mantém um escritório no país desde 2003. Os EUA continuarão sua contínua discussão e o compromisso de trabalhar em conjunto com o Brasil para melhorar a vida dos cidadãos de nossos países e combater a COVID-19”.

Pazuello terá a missão de mudar o protocolo de uso da cloroquina na rede pública

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Caberá ao ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, mudar os protocolos a fim de recomendar o uso da hidroxicloroquina em pacientes de covid-19 na rede pública ainda no início do tratamento. A expectativa no Planalto é a de que essa mudança ocorra ainda hoje. O presidente Jair Bolsonaro ficou irritadíssimo ao saber que, em planos de saúde privados e, ainda, entre aqueles que se considera os maiores opositores, começou a proliferar a defesa do uso da hidroxicloroquina e o Ministério da Saúde não havia revisto os protocolos do início da pandemia, de uso apenas para casos gravíssimos. Por isso, ele chamou Nelson Teich ao Planalto, ainda na quinta-feira, e exigiu a modificação. Hoje, a situação ainda foi mais tensa quando Bolsonaro soube que até Nicolas Maduro, da Venezuela, defendeu o uso da hidroxicloroquina.

O receio do presidente era o de que o SUS, que segue os protocolos no Ministério da Saúde, terminasse com mais pacientes mortos porque seus médicos não podem prescrever a droga no início do tratamento, enquanto na rede privada, não há essa obrigação. Não por acaso, Teich consultou hospitais pelo país afora e decidiu pedir demissão.

Em tempo: Os aliados do presidente comemoraram a saída de Teich. A avaliação geral foi a de que a saída em menos de um mês é menos traumática do que ficar numa rota de desgaste. Hoje, nem o Ministério cumpria as exigências do presidente da República e nem o ministro consegue tranquilidade para agir diferente. Espera-se que o novo ministro consiga, ao menos montar uma equipe antes de entrar em rota de colisão com o presidente Jair Bolsonaro.

Prisão de suplente pega Izalci de surpresa

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O senador Izalci Lucas (PSDB-DF) tomou um susto agora há pouco ao final da sessão do Senado, ao saber da prisão temporária de seu segundo suplente, André Felipe de Oliveira, um dos representantes da empresa que vendeu os respiradores defeituosos ao governo do Pará. “Fui surpreendido, não tinha a menor ideia dos negócios dele e nem sei detalhes”, afirmou o senador ao blog.

André Felipe é do DEM e, na semana passada, foi ao Pará acompanhar in loco a entrega do material ao governo do Estado e declarar missão cumprida. Ontem, seus amigos diziam que André jamais imaginou que pudesse haver problemas nos equipamentos, uma vez que tem no governador Helder BArbalho um de seus melhores amigos. Ele jamais havia trabalhado na representação equipamentos como esses, embora tenha relações comerciais com a China. Nesse negócio dos respiradores, ele representou comercialmente a SKN do Brasil Importação e Exportação, que realizou a venda do material. A Justiça do Pará determinou o bloqueio de R$ 25,2 milhões em bens da empresa.

Na política, embora tenha sido secretário de Esportes do ex-governador José Roberto Arruda, a maior ligação hoje é com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que é do Rio de Janeiro, assim como André Felipe. Na política, o clima é surpresa total, uma vez que André Felipe disse a vários amigos estar muito feliz de poder ajudar Helder Barbalho a conseguir equipamentos necessários ao tratamento de pacientes da covil-19. Há quem diga que até o empresário está surpreso.

No STF, Bolsonaro ouviu o que não queria: reabertura não será na canetada

Bolsonaro Guedes Toffoli empresário STF
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O presidente Jair Bolsonaro foi ao Supremo Tribunal Federal (STF) com um grupo de empresários na tentativa de obter do presidente da Corte, Dias Toffoli, a promessa de que poderá se sobrepor a governadores e prefeitos em relação às medidas de isolamento adotadas devido à pandemia de novo coronavírus. Toffoli, entretanto, devolveu a bola ao presidente: é preciso diálogo e um plano com governadores e prefeitos para que o país possa voltar ao normal.

O semblante de Bolsonaro à mesa, enquanto Toffoli falava, era de contrariedade — a Bandnews transmitiu a audiência ao vivo. Afinal, ele está tão preocupado com a economia, quanto os empresários. Os representantes da indústria deixaram claro que o parque industrial brasileiro está chegando a um ponto que não permitirá a recuperação quando a pandemia passar e, para completar, já se vislumbra risco de paralisação de alguns setores.

A preocupação dos empresários foi seguida de uma fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, que aproveitou para pedir ao presidente o veto à possibilidade de aumento de salários de parte do funcionalismo por 18 meses. Bolsonaro disse que segue a cartilha de Paulo Guedes, e que, se o ministro acha que deve ser vetado, será vetado.

Na reunião, Bolsonaro defendeu a retomada do trabalho e disse que “a liberdade é um bem maior do que a própria vida”. Reforçou que “economia é vida” e que é preciso manter a razão acima da emoção. E lembrou que sempre defendeu essa posição.

Nos bastidores

Nos bastidores, o encontro com Toffoli, decidido de última hora, foi visto como uma tentativa do presidente de conseguir, via decretos, forçar a retomada de vários setores. E Toffoli, entretanto, foi direto ao dizer que, até aqui, as instituições estão funcionando e as medidas adotadas foram acertadas.

Porém, ressaltou que é preciso ter uma saida coordenada do isolamento. Mencionou ainda que o STF tem agido de acordo com a Constituição, que garante decisões dos entes federados e voltou a defender que a retomada da economia deve ser feita mediante a criação de um comitê de crise com a participação de todos: União, estados e municípios.

Muitos saíram do STF com a certeza de que a saída tem que ser conjunta e bem estudada. A pandemia que assola a todos no Brasil e no mundo e deixa a saúde econômica em frangalhos, não será resolvida numa canetada. Ou o presidente conversa com racionalidade e respeito com os governadores que o criticam e vice-versa, ou ele continuará obtendo fotos de reuniões sem resultados práticos para debelar as crises de saúde e econômica.

“Alinhamento total” de Teich e Bolsonaro não durou 15 dias

Bolsonaro e Nelson Teich
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A sessão do Senado Federal que ouviu, nessa quarta-feira (29/4), o ministro da Saúde, Nelson Teich, virou um marco na separação entre o que queria o presidente Jair Bolsonaro ao trocar o gestor da Saúde e o que a realidade recomenda. Cobrado pelos parlamentares, Teich terminou dizendo que o “Ministério nunca mudou a sua posição de isolamento social”. Logo, na avaliação dos senadores, o ministro entrou no #fiqueemcasa que afastou Bolsonaro de Luiz Henrique Mandetta no início do mês.

Na audiência marcada a pedido da senadora Rose de Freitas (Podemos_ES), o que mais se ouviu foram cobranças de uma posição mais clara de Teich sobre o que ele recomenda à população. Até aqui, afirmaram o presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, tem seguido na direção contrária ao isolamento.

Nessa quarta-feira, por exemplo, conforme o leitor do Correio pôde ler na reportagem de Ingrid Soares, o presidente promoveu um café da manhã com aliados e fez uma solenidade no Planalto para a posse do novo ministro Justiça, André Mendonça. No palco principal, apenas a primeira-dama Michelle Bolsonaro usava máscara. “O país não precisa de um milagre e sim de um ministro que indique o caminho”, disse a senadora Rose de Freitas.

Muitos foram enfáticos ao dizer que a população está recebendo sinais contrários do governo ao ver o presidente e seus ministros juntos, sem máscaras.

“Há uma dubiedade aí muito séria. O senhor fala com toda a certeza de um homem pesquisador, que precisa conhecer a doença, ir monitorando com testes, que tem que ter uma aprendizagem, que tem que ter uma diferença entre grupos. Isso é o que temos ouvido do mundo inteiro. No entanto, no meio dessas incertezas, há uma certeza mundial: Que o distanciamento social é a única maneira de impedir uma explosão de casos, que não temos estrutura de serviços e saúde para sustentar. O senhor mesmo acabou de dizer que tem dificuldade de respiradores, etc. De um (determinado) momento para cá, que pode coincidir ou não, com o momento que o senhor assumiu o Ministério da Saúde, o distanciamento social caiu dramaticamente no país e estamos no momento de início de explosão de casos, de óbitos, como o senhor mesmo falou”, disse o senador Tasso Jereissati.

Tasso lembrou ainda que o fato de o Brasil ter registrado 449 mortes nas últimas 24 horas, colocou o pais na posição do segundo no mundo em número de mortos no dia. O primeiro foi os Estados Unidos. “Não é momento de indecisão. É preciso passar uma imagem clara para o país. isolamento social, sim ou não, está dúbio da parte de vossa excelência, fazendo uma confusão enorme na cabeça das pessoas. Ministro, seja firme e claro nessa posição. Não pode haver dubiedade, principalmente, quando o presidente da República está dando sinais contrários”, cobrou o tucano. Foi então que o ministro reforçou sua fala, ao dizer que o Ministério nunca mudou sua posição sobre o distanciamento social. Assim, começou a se distanciar do presidente.

Na política, começam as apostas sobre quanto tempo Teich aguentará no cargo.  Na terça-feira, o ministro tentou defender o presidente e disse que o “alinhamento total” a que se referia era cuidar das pessoas e, por isso, aceitara o cargo. Nesses 12 dias de Teich no cargo, essa política de relaxamento do distanciamento social cobrada pelo presidente Jair Bolsonaro ainda não veio. E, de quebra, Teich ainda disse que, onde houve relaxamento, foi por determinação dos governadores. Ninguém quer cair na vala comum de ser acusado por mortes. E nessa fase que a política está em relação à melhor estratégia de combate ao novo coronavírus.

Dória e oposicionistas surfam no “e daí?” de Bolsonaro

Publicado em Covid-19, Governo Bolsonaro

Diz o ditado popular que peixe morre pela boca. Com o presidente Jair Bolsonaro, politicamente falando, está ocorrendo algo parecido. Ele cresceu politicamente falando exatamente o que pensava, sem travas do que poderia ser considerado adequado para momento. Agora, seque no mesmo ritmo. A diferença é que, até aqui, esse estilo não estava relacionado à vida humana. Era a liberação de armas, um ministro “terrivelmente evangélico” para o Supremo Tribunal Federal, suas diferenças de pensamento em relação ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e até com seus ministros. Agora, quando diz, “e daí? Quer que eu faça o quê? Sou Messias, mas não faço milagre”, em relação ao aumento do número de mortes por Covid-19 no país, a estratégia de dizer o que pensa em meio a uma pandemia, no estilo custe o que custar, pode comprometer politicamente.

Ontem à noite mesmo, a política respondia ao presidente em alto e bom som. Porém, hoje de manhã, o pronunciamento do governador de São Paulo, João Dória, foi visto por aliados de Bolsonaro como o maior contraponto e o mais comprometedor para o presidente com vistas ao futuro. Dória a entrevista que já se tornou praxe no governo paulista, se solidarizando com as famílias das mais de 5 mil vítimas do coronavírus no Brasil. E seguiu dizendo em relação ao “e daí” de Bolsonaro, que ninguém espera milagre, mas espera trabalho. “É fazer aquilo que no senhor não faz, a começar por respeito aos brasileiros”. Dória continuou lembrando o “coronavírus que Bolsonaro “classificou como uma gripezinha, que não era importante”, e completou dizendo que “hoje tem muitos sepultados”.

A fala de Dória surtiu resposta imediata de Bolsonaro, dizendo que as mortes devem ser cobradas dos governadores e não dele (presidente da República), que sempre defendeu “a vida e o emprego”. Esse é o embate da politica de hoje sobre a pandemia de coronavírus. Outros capítulos virão.

Bolsonaro em “dia de alegria” e de dobrar a aposta

Bolsonaro e Nelson Teich
Publicado em Covid-19, Governo Bolsonaro

Ao discursar há pouco no Planalto, o presidente, embora medindo as palavras, não escondeu que trocou ministro da Saúde porque queria o fim do isolamento social e o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta não atendeu aos seus apelos. Agora, com o novo ministro, o presidente espera que isso seja feito e disse que sua visão era a da economia, a do emprego. “Tinha a visão – e ainda tenho – que devemos abrir o emprego”.

A troca indica que Bolsonaro dobrou a aposta num cenário pós-pandemia, quando a economia falará mais alto. Ele mesmo disse, “é um risco que corro, se agravar vem para o meu colo”. O problema é que o resultado dessa aposta do presidente envolve vidas, pessoas internadas nos hospitais em estado grave, ou em casa, doente, em isolamento. E, para chegar lá com credibilidade e apoio político no pós-pandemia, tem que passar bem por esse corredor polonês, algo que Bolsonaro até momento não conseguiu, dada a queda de popularidade registrada nas pesquisas e os panelaços estridentes em algumas cidades.

Bolsonaro segue fazendo tudo o que a Organização Mundial de Saúde não recomenda: Mantém apertos de mãos, fez inclusive solenidade de posse no Planalto, foi para o meio das pessoas quando da visita ao hospital de campanha, em Águas Lindas. Dentro da área do futuro hospital, usou máscara. Do lado de fora, dispensou o acessório que se torna cada vez mais obrigatório no mundo. (Na França, por exemplo, haverá distribuição de máscara às pessoas para a reabertura gradual do lockdown).

Enquanto o presidente faz o seu discurso, defendendo o retorno ao trabalho, o sistema de saúde de algumas cidades, como Fortaleza e Manaus, já entraram em colapso. Para completar, o novo ministro, Nelson Teich, até aqui se mostrou mais aceito a seguir as recomendações da área medica do que as determinações presidenciais. Chega pressionado pelo presidente e, até aqui, mesmo na lie do presidente ontem, não fugiu à defesa da ciência. É sério e, na própria posse, não demostrou a mesma alegria do presidente Jair Bolsonaro diante de ministros que também não pareciam felizes com a situação. Especialmente, depois do discurso de Mandetta, em que agradeceu o apoio de todos, inclusive dos filhos do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro e o senador Flávio, citados nos bastidores da politica como aqueles que também pressionaram pela demissão do ministro. O “dia de alegria”, que Bolsonaro citou no início de seu discurso há pouco, não teve eco. A ordem é esperar, para ver o que virá da nova gestão da saúde.

Teich entre desafio de seguir o presidente e a ciência

Publicado em Covid-19, Governo Bolsonaro

O novo ministro da Saúde, Nelson Teich. Ele assume com a missão de tenta conciliar a ciência com os desejos presidenciais, de fim do isolamento social. Ao longo dos últimos meses, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta ouvia todo os dias do presidente que era preciso que as pessoas voltassem ao trabalho. Mandetta dizia que queria a mesma coisa, mas, no momento, o distanciamento social era necessário, por causa do risco de colapso do sistema de saúde. Cidades como Fortaleza e Manaus já sofrem com problemas de vagas nos hospitais.

Teich chegou se colocando em “alinhamento total” com o presidente Jair Bolsonaro. Porém, no curto prazo, Teich não tem como fazer o que Bolsonaro deseja, ou seja, acabar com o isolamento social para não prejudicar a economia e, por tabela, evitar que as pessoas morram de fome. O ministro precisará, primeiro, conhecer a pasta e consolidar o processo de transição, algo que deve ocorrer em meio a um cenário de dias difíceis e com o avanço da pandemia no Brasil, onde o isolamento tem sido menor do que o considerado ideal pelas autoridades sanitárias para reduzir a velocidade de contaminação.

Até aqui, tudo o que o novo ministro anunciou em sua primeira fala foi exatamente o que era dito pelo antecessor: tem se ter informações sobre tudo o que está acontecendo, tomar decisões baseadas em dados técnicos, tem que testar as pessoas. Se seguir a ciência e não se render somente ao que deseja Bolsonaro, será mais um com quem o presidente terá problemas ali na frente para se somar àqueles que angaria depois de demitir um ministro que era aprovado por 76% da população.

O discurso do governo para a Saúde será colocar a culpa em Mandetta

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O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, deixa o cargo, mas o governo não vai dispensá-lo simplesmente. Está em curso a preparação de uma narrativa para jogar no colo do quase ex-ministro tudo o que der errado daqui para frente. Algo do tipo, Mandetta não planejou, Mandetta gastou, Mandetta subestimou, Mandetta demorou, Mandetta falou e não agiu, e por aí vai.

O quase ex-ministro já percebeu que esse jogo virá. Por isso, nas últimas entrevistas, tem dito que sempre agiu de acordo com a ciência, a saúde e o sistema único que vigora no Brasil. Também ressaltou que sua gestão foi marcada pela transparência, ou seja, não escondeu os números e a situação dos serviços de saúde.

Agora, sob nova direção, restará saber que tipo de autonomia o futuro ministro terá para se pautar pela ciência e não pelos desejos do Planalto e dos apoiadores mais fiéis do presidente da República. Esse será o primeiro teste: Atravessar a pandemia dentro do que requer a ciência, sem esconder dados e sem cair na tentação de ficar apenas reclamando do antecessor __ um médico que adquiriu o respeito e a admiração do corpo técnico do Ministério da Saúde. Portanto, se quiser ganhar a equipe, o novo ministro, seja quem for, terá que se equilibrar entre as determinações técnicas e os desejos palacianos, desprezando a narrativa em gestação nos escaninhos bolsonaristas, de desconstruir totalmente a imagem do quase ex-ministro.

Mandetta à espera de Bolsonaro

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Depois do pedido de demissão do secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, o clima no Ministério da Saúde é de aguardar que o presidente Jair Bolsonaro defina oficialmente a demissão do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Foi dentro desse espirito de “vamos aguardar” que o ministro conseguiu convencer o secretário a permanecer no cargo para que todos, se for para sair, saiam juntos.

A avaliação de aliados do presidente é a de que Bolsonaro não deseja a permanência do ministro e trabalha agora no sentido de buscar um substituto que lhe permita manter, dentro do seu governo, o discurso de “cuidar da saúde das pessoas” que, em locais de muita concentração de casos e de mortes por Covid-19, não está casado com as filas do presidente de que e preciso salvar a economia.Até aqui, esse discurso do cuidado da saúde projetou Mandetta da mesma forma que o discurso de reabertura do comércio mantém coesos os mais radicais aliados do presidente Jair Bolsonaro. Bolsonaro quer trocar Mandetta de forma a poder manter sob o seu governo o melhor dos dois discursos. Até aqui, presidente ainda não fechou essa equação.

Dentro da equipe de Mandetta, entretanto, havia desde cedo uma réstia de esperança de que, se o ministro ficasse mais uns dias, poderia inclusive tentar reverter o pedido de demissão de Wanderson, que já aceitou ficar até sexta-feira. E foi o que ocorreu, embora o secretário não se mostrasse muito disposto a permanecer, atendeu o apelo do ministro. Wanderson foi um dos primeiros a alertar o governo sobre o que poderia vir pela frente em elação à pandemia. Dizer a verdade, entretanto, transformou o técnico em alvo. Essa semana foi duramente atacado nas redes bolsonaristas, assim como já vem ocorrendo há dias com o ministro Mandetta.