Defesa jurídica de Flávio o deixa exposto politicamente

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   A tomar pelo pedido que os advogados do senador eleito Flávio Bolsonaro apresentaram ao Supremo Tribunal Federal, a defesa jurídica (e de quem não é investigado, vale lembrar) se sobrepôs à politica. Isso porque, ao pedir o envio do caso da movimentação financeira do ex-assessor Fabrício Queiroz para a esfera do STF, o senador eleito Flávio Bolsonaro arranhou o discurso do “eu não tenho nada com isso”. Politicamente, até aliados do senador consideram que ele errou ao não ir até o MP do Rio de Janeiro prestar os esclarecimentos como testemunha e deixar que o investigado Fabrício Queiroz se explicasse às autoridades competentes e agora erra novamente. Para completar, entrega aos adversários um campo aberto para atacá-lo na arena política, quando começarem os embates no plenário do Senado. 

Do ponto de vista jurídico, há quem acredite que Flávio tenha optado por se precaver.  Ainda assim, avaliam alguns, a estratégia soa tão desastrada quanto a dos advogados que tentam liberar Lula com base em perseguição política. Afinal, se Flávio Bolsonaro não é réu, nem suspeito e nem fez nada de errado, não há por que recorrer ao Supremo. Ainda mais por um fato ocorrido quando ainda não era senador. Lembrou a alguns estratégias adotadas por advogados que tentaram soltar Lula com um discurso politico, e não técnico.

Por falar em Lula…

Todas as vezes que um aliado do presidente Jair Bolsonaro for criticar o PT pelos malfeitos pelos quais muitos foram condenados nas gestões passadas, os oposicionistas vão constranger Flávio com a história do assessor e o pedido de “proteção” ao STF __ é assim que nos bastidores está se dando a leitura do pedido de suspensão das investigações e anulação de provas ao Supremo e a liminar do ministro Luiz Fux. Flávio, que, ao que tudo indica,  queria apenas se precaver do que pode vir no futuro. Mas o resultado foi aguçar a curiosidade de muitos: Por que precisa se proteger numa investigação sobre a qual não está envolvido diretamente, na qual o alvo é um ex-assessor que até gora não explicou os R$ 600 mil que passaram por sua conta. Há quem esteja disposto a cobrar a resposta a essa pergunta já no primeiro discurso do senador eleito, com a frase da velha política: “Vossa Excelência me permite um aparte?”

Polêmicas de Damares são usadas para equipe econômica contornar situações esdrúxulas

Polêmicas de Damares
Publicado em coluna Brasília-DF

Integrantes da equipe econômica estão a ponto de pedir que a ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, mantenha as frases polêmicas. É que, a cada dia que passa, descobrem mais uma situação esdrúxula, seja no Orçamento, seja na administração pública. Nesta semana, muita gente ficou boquiaberta ao constatar, via Instituição Fiscal Independente (IFI), que, para cumprir a regra de ouro, o Congresso terá que aprovar um crédito orçamentário adicional atípico, e por maioria absoluta.

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Para quem não viu ou não soube, o relatório da IFI, que já está com técnicos do governo, menciona que, no Orçamento de 2019, o excesso de operações de crédito em relação às despesas de capital é da ordem de R$ 248, 9 bilhões. Para tapar esse buraco, o governo precisará aprovar o crédito orçamentário no Congresso. Ou seja, Bolsonaro já vai entrar correndo atrás dos deputados, e não será apenas por causas das reformas, mas para reduzir os prejuízos.

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Os técnicos da IFI dão, inclusive, uma pista de onde o governo pode tirar o dinheiro para cobrir esse buraco: privatizações de estatais, leilões de petróleo dentro da cessão onerosa, devolução de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e resultado positivo do Banco Central. Tá, mas, tem gente no governo que estava disposta a usar tudo isso em outras coisas. Pelo visto, vai ter de escolher: ou cobrir as despesas ou deixar o país se divertindo com assunto mais cor-de-rosa, enquanto a economia não entra no azul.

Noves fora…

A turma aliada ao deputado Fábio Ramalho (MDB-MG) fez as contas e descobriu que o bloco partidário de Rodrigo Maia, em 2017, reunia 450 deputados. E o candidato desses partidos obteve, à época, menos de 300 votos no primeiro turno. Logo, dizem os amigos de Fabinho Liderança, é ali que estão os traidores.

…a conta termina fechando

Apesar dos pesares, Rodrigo venceu. E, desta vez, terá votos em quase todos os partidos, do PT ao PSL. Embora o presidente Jair Bolsonaro não esteja engajado nas campanhas, seus ministros estão. E o DEM tem mais espaço na Esplanada, além da simpatia de Paulo Guedes.

Por falar em ministros…

Onyx Lorenzoni, da Casa Civil, Teresa Cristina, da Agricultura, ambos do DEM, e o emedebista Osmar Terra, da Cidadania, deixam o governo por 24 horas, em 1º de fevereiro. Vão assumir os respectivos mandatos na Câmara dos Deputados.

Por falar em Paulo Guedes…

O ministro da Economia, Paulo Guedes, é tido hoje como um defensor da candidatura de Renan Calheiros à Presidência do Senado. Já chegou aos ouvidos do Planalto a seguinte frase do Posto Ipiranga: “Renan é um Highlander. Vai nos ajudar a aprovar as reformas estruturais”.

… ele não deixa de ter razão

Guedes não está de todo equivocado. Renan quer paz, amor poder e… recursos para o governador de Alagoas, Renan Filho. É, foi e será sempre pragmático.

CURTIDAS

Acontece nas melhores famílias I / Sem saber, e desavisado em relação aos cerimoniais palacianos em visitas de chefes de Estado, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, parou na porta errada, ontem, no Itamaraty, e foi logo descendo do carro, caminhando rápido pelo tapete vermelho da entrada principal. Muita gente, dentro do prédio, olhou esquisito. E não foi por causa do governador ser estreante.

Acontece nas melhores famílias II/ O acesso por aquela porta é restrito a chefes de Estado, salvo raríssimas exceções, como reza o protocolo da sede da diplomacia. Foi uma saia justa para o cerimonial. Invariavelmente, em eventos formais, convidados e demais autoridades costumam acessar o prédio pela porta lateral. Mas ninguém foi criar caso com o governador ou reclamar por ele ter usado a mesma porta que Jair Bolsonaro e Maurício Macri. Sinal de bom senso.

Deferência/ O rei da Espanha, Felipe VI, recebeu o embaixador Pompeu Andreucci Neto no Palácio Real de Madrid. O embaixador fez entrega das cartas credenciais e, em seguida, foi recebido em audiência pelo rei. Normalmente, nessas ocasiões, o monarca concede entrevistas de 10 minutos. No caso do embaixador do Brasil, a entrevista estendeu-se por 35 minutos. O rei Felipe VI gosta muito do Brasil e é profundo conhecedor da realidade brasileira.

O segredo do “novo Severino”/ A coluna quis saber do deputado Fábio Ramalho por que ele tem feito campanha praticamente à mesa: “É porque, nessas situações, os ânimos ficam desarmados”.

Bolsonaro ganha tempo para decidir sobre a inclusão de militares na reforma da Previdência

militares
Publicado em coluna Brasília-DF

A decisão do presidente Jair Bolsonaro de apresentar a reforma da Previdência depois da viagem a Davos deu ao governo pelo menos mais 10 dias para fechar o texto e amadurecer o que deve ser feito, especialmente, em relação aos militares. Hoje, eles não têm um sistema previdenciário completo, uma vez que quem passa para a reserva pode ser chamado em caso de necessidade, com ocorreu, por exemplo, com os policiais, no Ceará. O mesmo período será usado para o líder do governo, Major Vitor Hugo, sondar os aliados sobre o tamanho do grupo com que o presidente poderá contar para “o que der e vier”. Até aqui, essa é a maior incógnita no Planalto.

Bloco dos pragmáticos

A decisão do PCdoB embaralhou o jogo na Câmara. O partido vai indicar o voto em favor de Rodrigo Maia, mas não participar do bloco formal que hoje engloba o DEM e o PSL. O PDT segue pelo mesmo caminho. O PSB não quer Maia, mas quer um bloco com esses dois partidos. Vai terminar surgindo aí um bloco, sem compromisso com candidaturas a presidente da Casa. O que eles querem é vaga na Mesa Diretora.

Lição petista

O PT está decidido a fazer qualquer movimento que lhe garanta espaço na Mesa Diretora, desde que não tenha que se aliar formalmente ao PSL de Bolsonaro. Em compensação, não lançará candidato a presidente da Câmara. O partido fará tudo para não repetir 2015.

Preço foi alto

Naquele ano, quando Eduardo Cunha venceu, o PT apostou suas fichas em Arlindo Chinaglia e perdeu tudo — a Presidência da Câmara, cargos de comando à Mesa Diretora. Mais tarde, esse erro custou a Presidência da República.

Discurso & prática I

Autoridades do governo estão convictas de que o decreto do presidente Jair Bolsonaro flexibilizando a compra de armas não mudará muito o dia a dia do cidadão. Nem tampouco a segurança das famílias, especialmente, as de baixa renda, dado o preço dos artefatos e da munição.

Discurso & prática II

A diferença entre discurso e ação vale também para a transferência da Embaixada em Israel, de Tel Aviv para Jerusalém. Muito se falou sobre o tema nos primeiros dias de governo, mas até agora nenhuma ação concreta foi adotada.

Presença de Levy/ Sempre que está em Brasília, o presidente do PRP, Levy Fidelix, vai religiosamente à vice-presidência da República. Nem que seja para dar um “olá” ao vice-presidente, general Hamilton Mourão.

Rocha versus Dallagnol/ O deputado Hildo Rocha (MDB-MA) chamou o procurador Deltan Dallagnol para a briga nas redes sociais. Num vídeo, Rocha diz que Deltan pede voto aberto para presidente do Senado, mas vota secretamente na hora de compor a lista tríplice para o cargo de Procurador-Geral da República.

Meia volta no PSL/ Pressionados por suas redes sociais, deputados ligados a Jair Bolsonaro engrossam publicamente o “fora Renan”. Em conversas reservadas, porém, já tem muita gente do partido torcendo pelo senador alagoano.

No embalo da Rede/ Ao se lançar candidato a presidente do Senado, Álvaro Dias se antecipa a Tasso Jereissati e espera conquistar o apoio do bloco encabeçado pela Rede. Serão 15 dias de muito movimento nessa seara.

PCdoB quer Maia, mas não PSL

Publicado em Política

   Em reunião há pouco, os deputados do PCdoB decidiram ficar fora do bloco parlamentar que abrigará o PSL de Jair Bolsonaro. O partido vai procurará uma nova configuração de forças. Porém, não descartam votar em Rodrigo Maia para presidente da Câmara.

 

O PCdoB continua ligado à candidatura de Rodrigo Maia porque considera que ele será o mais independente dos candidatos a presidente da Casa. Porém, politicamente, não considera certo participar do mesmo bloco que o PSL de Bolsonaro. Os comunistas consideram inclusive mais fácil angariar os mais espaços num bloco onde estará o MDB. É por aí que  o partido deve seguir. Essa definição, entretanto, sairá apenas nas vésperas da posse do novo Congresso, em fevereiro.

Membros do governo acreditam que a justiça negará abertura de processo contra Queiroz

Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz
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Jogada arriscada

No governo, há quem diga que a perspectiva de o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) pedir a abertura de processo contra o ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL), Fabrício Queiroz, sem ouvi-lo abre um portal para adiamentos ainda maiores sobre o caso. Afinal, a Justiça terá a brecha de recusar o pedido por falta do depoimento e, assim, volta tudo à estaca zero.

Bloco liderado pela Rede pensa em lançar Tasso Jereissati candidato à presidência do Senado

Presidência do senado
Publicado em coluna Brasília-DF

O bloco liderado pela Rede, do senador Randolfe Rodrigues, está com dificuldade de encontrar um candidato a presidente do Senado que cumpra dois pré-requisitos: represente a renovação da política e a independência em relação ao governo. Renan Calheiros, que caminha para ser o nome do MDB, não é renovação. E os demais que se apresentaram até agora — Davi Alcolumbre e Major Olímpio — não são independentes. É por aí que o senador Tasso Jereissati pretende se lançar. Falta, entretanto, combinar com o PSDB.

Mudança & comando

Ao escolher o deputado Major Vitor Hugo, de primeiro mandato, para líder do governo, Bolsonaro dá dois recados aos políticos: quer realmente mudar a forma de se relacionar com o Parlamento. E, para completar, o fato de Major não ser muito conhecido na Casa, é lido como um sinal claro de que quem vai coordenar tudo é o presidente da República.

Equilíbrio

O presidente Jair Bolsonaro tenta contrabalançar o poder do DEM na articulação política do governo.

Preservação

O fato de Vitor Hugo não pertencer ao eixo Rio de Janeiro-São Paulo também preserva o espaço dos filhos do presidente que fazem política nesses dois estados.

Estimular para embaralhar

Deputados aliados de Fábio Ramalho começaram a estimular outros colegas a entrarem na disputa pela Presidência da Casa. Quanto mais candidatos, avaliam, mais difícil para Rodrigo Maia manter um mapa fiel dos votos.

Curtidas

Onde passa boi…/ A prisão domiciliar do deputado Chiquinho da Mangueira provocará uma corrida de outros presos da Operação Furna da Onça ao Superior Tribunal de Justiça. Quem ainda não recorreu prepara a papelada do recurso a fim de tentar o mesmo benefício ainda no plantão.

As dores do crescimento/ A vida do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) mudou. Até dezembro, ele era líder dele mesmo e não precisava dar satisfação a ninguém. Agora, tudo o que é feito tem de ser discutido com outros quatro.

Longe de confusão/ O secretário especial de Regulação Fundiária do Ministério da Agricultura, Luiz Antônio Nabhan Garcia, arrancou risadas de quem acompanhava uma entrevista coletiva. Ao avistar um repórter com um crachá de visitante na cor rosa, chamou atenção. “Menino, tem de avisar o pessoal lá embaixo que menino é crachá azul e menina crachá rosa”, brincou. Ele adotou o tom da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves. “É para evitar conflito no governo”, disse às gargalhadas.

Restou o recado/ O presidente Jair Bolsonaro sonhou em assinar a extradição de Cesare Battisti. Michel Temer o fez. Sonhou em entregar o terrorista às autoridades italianas. Não conseguiu. Sobrou, porém, anunciar que condenados em outros países por terrorismo não terão mais abrigo no Brasil, um país que respeita decisões judiciais de nações amigas. Como diziam ontem alguns diplomatas, caso encerrado. Bola para frente.

Colaborou Otávio Augusto

Michelle Bolsonaro prepara agenda de viagens pelo país

michelle bolsonaro
Publicado em Governo Bolsonaro

Depois do sucesso que fez na posse do marido, Jair Bolsonaro, a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, já está preparando uma agenda de viagens pelo país para alavancar os projetos sociais do governo.

Ela vai participar ativamente e não ficará ligada apenas ao Criança Feliz. Outros programas também devem entrar no roteiro, especialmente aqueles ligados a portadores de necessidades especiais.

Michelle tem apreço especial pelo tema. O fato de ter um tio surdo a estimulou a aprender a linguagem brasileira de sinais (Libras), usada pela primeira-dama para fazer um discurso na Esplanada durante a posse.

Lula diz para PT não confrontar Bolsonaro e acredita em reação das ruas

lula
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Da sala onde cumpre pena na sede da Polícia Federal, em Curitiba, o ex-presidente Lula determinou à presidente do partido, Gleisi Hoffmann, que não parta para o confronto com o presidente Jair Bolsonaro. Lula considera que não precisa e acha que as ruas farão esse papel no futuro próximo.

Em conversas reservadas, no entanto, petistas acham que a reclusão fez mal ao faro político de Lula. É que, se a economia deslanchar — e os indicadores hoje são os de que isso tem tudo para dar certo — quem terá dificuldades nas ruas será o PT e não o atual inquilino do Planalto.

“Brazil is back”

Esse será o slogan que o governo Jair Bolsonaro levará a Davos, onde o ministro da Economia, Paulo Guedes, planeja um discurso semelhante àquele em que recebeu o cargo: ajuste fiscal, reformas, economia de mercado e ambiente propício a investimentos.

Bolsonaro na arbitragem

O árbitro da queda de braço entre militares e a área econômica sobre a reforma previdenciária será o presidente Jair Bolsonaro. Disposto a não cometer injustiças, ele tem dito a amigos que primeiro será preciso conhecer o texto, para, depois, discutir.

Fórmula

Uma das tendências do presidente é chamar todos para debater o tema, da mesma maneira que fez em relação à fusão da Embraer com a Boeing. Assim, dizem aliados de Bolsonaro, fica tudo transparente para todos.

Siga o Flávio

Senadores ligados ao presidente Jair Bolsonaro começam a seguir a linha do senador eleito Flávio Bolsonaro contra a candidatura de Renan Calheiros. Porém, não querem saber de outro nome do MDB, tampouco têm simpatia pela candidatura do senador Major Olímpio. A ordem é pressionar o PSL a apoiar Davi Alcolumbre (DEM-AP).

Laços antigos/ O senador Edison Lobão (foto), do MDB-MA, fez questão de comparecer à transmissão do comando do Exército. Lobão não foi reeleito, mas é do tipo que leva à risca o ensinamento, “perde-se o mandato, mas não os amigos”.

General emociona…/ O discurso do general Eduardo Villas Bôas ao se despedir do comando do Exército arrancou lágrimas de muitos ministros e de dezenas de pessoas na plateia. Foi aplaudido de pé por quase 10 minutos, algo jamais visto nas trocas de comando.

… ao fazer história/ Villas Bôas é considerado por militares e civis como o fiador da estabilidade do país no governo Dilma-Temer, ao deixar que os agentes políticos resolvessem seus problemas dentro do jogo democrático. Sai do cargo com o respeito e a admiração de todos pela forma republicana e corajosa como exerceu o comando. Sucesso ao novo comandante, general Edson Pujol.

Enquanto isso, no GDF…/ A deputada Bia Kicis (PRP-DF) cumpre à risca sua defesa do projeto Escola sem Partido. Depois da troca de comando no Exército, ela foi à Procuradoria Distrital de Defesa do Cidadão, comandada pelo promotor Eduardo Sabo. Pediu que o MP intermedeie a edição de um compromisso formal do secretário de Educação, Rafael Parente, contra a ideologia de gênero nas escolas. Esse assunto ainda vai dar muito o que falar no Parlamento e fora dele.

Reforma da Previdência opõe militares e Paulo Guedes

Militares
Publicado em coluna Brasília-DF

Dentro do governo, o embate sobre a reforma da Previdência será em torno do grau de sacrifício a ser cobrado dos militares. Parte da equipe econômica está disposta a não cobrar tantas mudanças nas aposentadorias e pensões das Forças Armadas. Porém, há quem diga que, se o presidente Jair Bolsonaro ceder demais a eles, ficará difícil cobrar grandes sacrifícios das demais carreiras de Estado. Os militares estão divididos. Enquanto uma parcela não se incomoda em dar sua contribuição à reforma, outra considera que já passou muito tempo desprestigiada nos governos anteriores. O desafio está lançado e todos estão de olho. Se os militares forem muito “beneficiados”, há quem diga que será mais difícil aprovar qualquer projeto na Câmara e no Senado.

O corpo fala

Militares estarão de olho hoje no comportamento do presidente Jair Bolsonaro e do vice, o general Hamilton Mourão. É que já tem gente nas Forças Armadas se referindo à parceria entre eles com a seguinte expressão: “casal em fim de casamento”. Isso, em 11 dias de governo, ou seja, fase que deveria ser de lua de mel. Se é pura intriga ou não, o futuro dirá. Mas as referências são reais.

Jogo não está empatado

O vice Mourão tem um filho nomeado e o presidente tem um filho chamado para prestar esclarecimentos ao Ministério Público a respeito de um ex-assessor.

Um bloco anti-PSL

A decisão do PSB de não apoiar Rodrigo Maia caminha para levar a escolha do presidente da Câmara a um segundo turno e, por tabela, tirar espaço do PSL nas comissões importantes da Casa. O cálculo interno no PSB é o de que, se o partido conseguir reunir num bloco algo em torno de 70 deputados ou mais, terá musculatura suficiente para, mais à frente, buscar posições de destaque nas comissões técnicas da Casa, impedindo que o partido de Jair Bolsonaro conquiste o comando daquelas estratégicas, como Finanças e Tributação.

Os trabalhos de Aécio

O deputado eleito Aécio Neves tem defendido internamente a candidatura de Rodrigo Maia a presidente da Câmara. Geraldo Alckmin até agora não se manifestou.

Por falar em Alckmin…

Entre os deputados, há quem esteja comparando a campanha de Rodrigo Maia àquela que terminou por prejudicar a candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência da República: Fechou acordo com as cúpulas dos partidos, mas se esqueceu da patuleia.

O povo é pra lá…/ Um dos memes que está provocando gargalhadas na comunidade jurídica de Brasília dá conta de uma conversa fictícia entre o presidente Jair Bolsonaro e o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. A conversa começa assim: “Ô, Kakay” (…) “É o Jair aqui. Maluf me indicou seu nome. O Aécio também. E o Jucá. E a Roseana. E o Ciro Nogueira. Até o ACM me indicou seu nome numa sessão de psicografia”.

… de criativo/ Kakay, então responde: “Rapaz, o ACM. Eu tava mesmo precisando dar uma palavra com ele. Mas em que posso ajudá-lo, presidente?” “Não é para mim, não, é para o motorista do meu filho Flávio”, diz o fictício Bolsonaro. “Vixe, filho é sempre um problema. É aquele que falou em invadir o STF?”, pergunta o advogado. “Não, esse aí é o Eduardo.” “Ah, é aquele que fala muito no Twitter”, chuta o imaginário Kakay. “Não, esse é o Carlos.”

Moro em “casa”/ O ministro da Justiça, Sérgio Moro (foto), tem aproveitado o tempo fora do gabinete em Brasília para trocar ideias em jantares com colegas de outros ministérios.

#Ficaadica/ Os políticos estão estranhando os horários das reuniões e posses. Nos últimos governos, tudo atrasava. Agora, a pontualidade tem sido britânica. Entre os militares, então, nem se fala. A transmissão de cargo no comando da Marinha começou pontualmente às 10h30. Hoje, por exemplo, tem posse no Comando do Exército. E bom acertar os ponteiros.

E Renan se deu bem

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O senador Renan Calheiros (MDB-AL) comemorou reservadamente a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, de acolher o recurso do MDB e do Solidariedade contra a liminar do voto aberto. A atitude de Toffoli restabelece o voto secreto na escolha do comandante da Casa. Agora, com o jogo mais claro, Renan vai a campo, como ele mesmo tem dito, “em defesa do MDB”, ou seja, do direito do partido que detém a maior bancada ficar com o comando da Casa. Assim, daqui até 31 de janeiro, data da reunião do MDB, Renan joga em duas frentes: No colegiado de 68, vai somando aqueles que defendem a tradição do nome indicado pelo maior partido.  Nos 13 da bancada do MDB, calcula os votos para ser guindado ao cargo.

 

Experiente, passa a semana em Brasília, em contatos com os senadores. Nas conversas, tem dito que não jogará o carro na frente dos bois, leia-se não atropelará o colegiado do MDB. Sabe que não pode perder a chancela internamente. Hoje, os emedebistas estão convictos de que lidar como governo de Jair Bolsonaro exigirá mais do que nunca a unidade interna. E é nisso que trabalham nesse momento. Ele também sabe que MDB não tem mais a primazia do passado. embora seja a maior bancada, não tem mais duas dezenas de senadores. Portanto, todo o cuidado é pouco. Daí, a comemoração comedida de Renan. Um cenário pulverizado, estão todos jogando nos bastidores, mergulhados e respirando de canudinho de metal __ para ficar no politicamente correto dos dias atuais.

 

Quem deve se preocupar mais a partir de agora é o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Ele joga como as cúpulas partidárias e, se brincar, perderá espaço para o vice-presidente da Casa, Fábio Ramalho. Fabinho Liderança é considerado internamente o candidato mais perigoso para os planos de reeleição de Maia. O DEM e o MDB sempre disputaram protagonismo nos governos de Fernando Henrique Cardoso. Agora, estão reeditando essa queda-de-braço nas duas Casas Legislativas. No Senado, o DEM trabalha a candidatura de Davi Alcolumbre a presidente, em contraponto ao MDB. Da mesma forma, Fábio Ramalho se lança contra Rodrigo Maia. A Bolsonaro restará acolher quem vencer. Dado o andar da carruagem e dos rumos das conversas de bastidores que emolduram a disputa, se ele entrar nesse intrincado jogo, quem colherá dissabores será seu governo.