Guedes bateu boca com secretário ao defender congelamento nos preços de remédios

paulo guedes
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Reunião virtual da equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, deu em bate-boca entre ele e o secretário de Produtividade, Carlos Costa, por causa do congelamento de preços da cesta de medicamentos e insumos farmacêuticos necessários ao combate à Covid-19. Costa levantou a sua preocupação com o fato de a indústria trabalhar com insumos importados, cujos preços subiram no mercado internacional. Guedes não gostou.

Quem decide

“Se você me enfrentar, você está fora da equipe”, reclamou Guedes, segundo relatos que chegaram aos deputados. O clima ficou pesado. Difícil evitar que uma equipe moldada para a valorização do mercado, como motor da economia, seguir uma cartilha inversa, sem contestações. Congelamento de preços, por exemplo, é quase uma heresia. Porém, Guedes está afinado com o que deseja o presidente.

DEM (quase) na oposição

Dem
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Além do #ForaMandetta nas redes sociais, os bolsonaristas agora voltam suas baterias contra todos os ministros do Democratas dentro do governo. O monitoramento do partido indica que vem sendo tratado de forma hostil desde a semana passada, quando o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, rompeu com o presidente Jair Bolsonaro. Agora, praticamente todos, numa ação coordenada, têm recebido tratamento semelhante ao dispensado aos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre. Estão na mira dos radicais a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni. O incômodo é grande, mas, assim como Mandetta, ninguém sairá no meio da guerra ao novo coronavírus.

Déjà vu

O grupo palaciano que não suporta o protagonismo do presidente da Câara, Rodrigo Maia, acredita que, a partir de agosto, o deputado perderá o poder, porque a campanha para sucedê-lo entrará em cena. A ordem entre os bolsonaristas é buscar um candidato para enfrentar o grupo do DEM. Em 2015, Dilma Rousseff tentou fazer o mesmo em relação ao MDB, contra Eduardo Cunha, hoje presidiário. A presidente ganhou um inimigo que lhe custou o mandato.

Cálculos equivocados

Os bolsonaristas acreditam que será possível encontrar um candidato para derrotar o DEM ou mesmo Arthur Lyra, do PP. Essa conta não leva em consideração a realidade do governo no Congresso. Hoje, não tem maioria nem para aprovar um simples projeto de lei, quem dirá eleger um presidente da Câmara.

Resistências à PEC da guerra

O grupo Muda Senado tem dúvidas sobre a Proposta de Emenda Constitucional que estabeleceu o Orçamento de Guerra. “Não precisaria de emenda constitucional para fazer gasto. É um precedente grave. Se abro a porta para mudar a Constituição por votação remota nesse caso, outros temas podem gerar novas emendas constitucionais, seja contra ou a favor do governo”, alerta o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que pretende conversar com Davi Alcolumbre a respeito.

A corrida nos municípios/ O sábado foi agitado para os parlamentares, por causa da data-limite para filiação de candidatos às eleições de outubro. Enquanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Congresso não decidem o que fazer com a eleição, o jeito é cumprir os prazos.

Muita calma nessa hora/ A resistência em mudar a data da eleição é grande, porque, afinal, as campanhas começam em agosto. E ainda que não se tenha muitos recursos financeiros para esse corpo a corpo com o eleitor, é importante seguir o calendário. Essa história de prorrogar mandatos é considerada perigosa e nada recomendável.

Radicais aliados de Bolsonaro causam preocupação na crise do coronavírus

Bolsonaro
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A dificuldade de o presidente Jair Bolsonaro fazer valer seu discurso diante da maioria da população, e a queda de popularidade detectada nas pesquisas desta semana, já levaram assessores palacianos ao diagnóstico de que, a preços de hoje, o capitão sairá da crise do novo coronavírus politicamente menor do que entrou. “O perigo é de que o presidente tenderá a se atirar de cabeça na sua zona de conforto, acirrando os ânimos de suas bases mais fiéis, o que, para a sociedade como um todo, significará mais tensão, conflito, incerteza e instabilidade, em meio a uma aguda recessão econômica”, prevê o relatório que o cientista político Paulo Kramer preparou para os palacianos.

Outras avaliações que chegam ao Planalto alertam ainda para a necessidade de o grupo mais fiel ao presidente não confundir os 57 milhões que elegeram Bolsonaro com o bolsonarismo. Desse total, parte expressiva votou nele por causa do desejo de derrotar o PT. Agora, diante da pandemia e das posições do presidente, esses grupos começam a se separar.

Bolsonaro pode até recuperar seus eleitores, a depender do comportamento diante da crise. Se permanecer na linha do conflito, a tendência é consolidar a separação entre antipetismo e bolsonarismo. Se quiser unir novamente esses grupos, terá que colar sua imagem à da equipe do Ministério da Saúde, que está com a aprovação anos-luz à frente do presidente.

Mandetta, o equilibrista

As últimas declarações públicas de Luiz Henrique Mandetta foram bem recebidas pelo presidente, em especial as que colocaram as ações de combate ao novo coronavírus como obra do governo Bolsonaro. De quebra, o presidente também gostou do fato de o ministro da Saúde dizer que estava ali porque o capitão o escolheu e deu liberdade para que montasse a equipe.

Até a próxima crise

O receio da turma do deixa disso é que o gabinete do ódio volte a encher os ouvidos de Bolsonaro, na semana que vem. Afinal, ninguém esqueceu o que o presidente disse a apoiadores, na porta do Alvorada: se o isolamento social não terminar, ele tomará providências.

Bolsonarismo reage

Terminada a entrevista do ministro da Saúde no Planalto, a hashtag #ForaMandetta bombava no Twitter. Parte do material foi monitorado por integrantes da CPMI das Fake News para tentar detectar robôs destinados a esse trabalho. No final do dia, entretanto, defensores de Mandetta começaram a usar a mesma hashtag, de forma a embaralhar o jogo.

Atos & consequências

A prorrogação da CPMI das Fake News é o primeiro reflexo no sentido de preparação do terreno minado que o governo enfrentará no Congresso, depois que a pandemia da Covid-19 passar. O governo tentou evitar, mas não foi atendido. Ali, tem prevalecido a máxima de que o que for “pelo bem do país” será feito. O que for apenas pelo bem de Bolsonaro, nem tanto.

Onde mora o perigo/ Se as quadrilhas já estavam atrás das pessoas para tentar aplicar golpes nos trabalhadores, por causa do auxílio emergencial de R$ 600 às pessoas carentes, o receio agora vai no sentido inverso. É o de que essa mesma bandidagem tente fraudar e vir com trabalhadores fantasmas. Todo cuidado é pouco.

Onde mora o outro perigo/ Esses cuidados não podem ser dispensados, mas o Poder Executivo está de olho também nas cobranças dos opositores, dia e noite, com a hashtag #pagalogo.

Livre do coronavírus/ A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, fez um novo teste de coronavírus, ontem. Foi o segundo desde que a pandemia começou. Deu negativo. Ela tem trabalhado todos os dias, inclusive nos fins de semana, acompanhando de perto o abastecimento.

Apelo aos católicos/ Depois do encontro de Bolsonaro, na porta do Alvorada, com pastores evangélicos, os grupos bolsonaristas de WhatsApp ligados aos católicos replicaram, como se fosse recente, uma foto do presidente rezando na Catedral de Brasília. A imagem é de 5 janeiro deste ano.

Apelo aos católicos II/ A iniciativa dos apoiadores do presidente é no sentido de tentar recuperar terreno entre os mais religiosos nessa temporada de Quaresma.

Mandetta, aprovado e, praticamente, de aviso prévio, diz que “médico não abandona paciente”

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O presidente Jair Bolsonaro não vai demitir o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Mas que ninguém espere dele elogios efusivos à atuação do ministro. Há um discurso de volta ao trabalho, de necessidade de criação de anti-corpo que Bolsonaro pretende manter. O presidente e seus seguidores acreditam piamente que, mais dia, menos dia, esse discurso “vai pegar” com mais força entre os eleitores.

Ocorre que a realidade ainda não se casou com o discurso bolsonarista. O número de casos cresce, o de mortos também. Para completar, as pesquisas que mediram o humor da população nos últimos dias indicam que a população apoia mais o ministério da Saúde, leia-se, Luiz Henrique Mandetta, do que o presidente Jair Bolsonaro.

O ministro não abandonará o barco, conforme relatou aos parlamentares com quem conversou. Nesta tarde, na coletiva, disse que tem 31 anos de medicina e se prepara para cuidar de pacientes. “A família, às vezes, questiona o médico. E o compromisso do médico é com o paciente. Às vezes, a notícia não é boa, a família não gosta. É natural. O paciente agora é o Brasil É normal que muitas pessoas que estão em torno e têm um amor pelo paciente Brasil se preocupem e questionem. Há vontade de acertar. Da minha parte é muito tranquilo. Não é nada desconfortável”, disse Mandetta há pouco.

Ele completou que não há receita para esta pandemia. “Uns dizem que, olha, vamos nos contaminar e passar por isso. É uma leitura. Eu, como estou vendo a queda dos sistemas de saúde de vários países, a minha posição é de cautela. Esse é um tratamento mais lento e quem tem efeito na economia. Não somos insensíveis a isso. E é um nome desses que o presidente se movimenta. Todos queremos o mesmo objetivo. As vezes, temos visões diferentes de como atingir esse objetivo”, disse Mandetta, citando várias ações do “governo do presidente Jair Bolsonaro para tratar da pandemia e seus efeitos colaterais. “Tenho uma coisa na minha vida: Médico não abandona paciente. O foco é no serviço. Esse paciente chamado Brasil quem me pediu para cuidar dele foi o presidente Jair Bolsonaro”

“Esqueçam o que ele diz”, repetem ministros sobre Bolsonaro

Bolsonaro na porta do Alvorada
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Essa tem sido a frase mais repetida por ministros do presidente Jair Bolsonaro, quando perguntados por governadores e parlamentares sobre as declarações presidenciais mais polêmicas a respeito da Covid-19, e críticas aos estados, em entrevistas e lives à porta do Alvorada. A recomendação da equipe tem sido prestar atenção naquilo que o presidente escreve. Por exemplo: embora tenha defendido a volta ao trabalho, dispensou por decreto a liberação do número de dias letivos das escolas. Apesar de ter dito que não iria socorrer os governadores, liberou R$ 16 bilhões aos estados por medida provisória e outros recursos virão.

O distanciamento entre o discurso do presidente e a prática do governo prosseguirá, enquanto durar a pandemia. Assim, se a realidade chegar ao ponto previsto pelos mais pessimistas, Bolsonaro colará o seu discurso nos atos do governo. Se ocorrer o cenário mais otimista lá na frente, reforçará o que tem dito. Como muitos nesta pandemia, ele também está de olho na política.

Cálculos políticos

Entre os parlamentares, muita gente não tem mais dúvida: o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, está de aviso prévio. Bolsonaro só não o substitui agora porque tem medo que o cenário da pandemia se agrave ainda mais e, lá na frente, seja acusado de ter subestimado a “gripezinha”.

Todo cuidado é pouco

Os serviços de defesa ao consumidor avisaram ao governo que têm recebido inúmeras denúncias a respeito de quadrilhas que captam informações de pessoas de baixa renda, por mensagens de celular e e-mails, a fim de pegar os R$ 600. O receio, agora, é que o dinheiro acabe nas mãos dos bandidos. Por isso, é preciso organizar muito bem os cadastros e a distribuição do dinheiro.

Deu água

A ida do deputado Osmar Terra (MDB-RS) ao Planalto esta semana e a reunião com os médicos deixaram a certeza de que o presidente tenta se cercar de visões técnicas parecidas com a sua, tanto em relação ao isolamento social apenas dos idosos, quanto ao uso de cloroquina. O deputado, que é médico, repetiu ao presidente o que já havia dito no CB.Poder que enfrentou a H1N1 sem precisar de distanciamento social geral. Dos médicos intensivistas, Bolsonaro ouviu que a recomendação, por enquanto, é de isolamento social.

“O presidente pode ser criticado, mas faz acenos à população. Tem gente fazendo aceno para composição política”

Do líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), referindo-se aos gestos do governador de São Paulo, João Doria, em direção ao ex-presidente Lula

CURTIDAS

À beira de um ataque de nervos/ Silas Malafaia e outros pastores evangélicos estão ensandecidos por causa da escassez de recolhimento do dízimo. Chegou ao ponto de um pastor de Minas Gerais pedir a Bolsonaro, na porta do Alvorada, a abertura de uma linha de crédito para as igrejas.

À beira de um ataque de nervos II/ Malafaia tem colocado seus fiéis para filmar comunidades no Rio de Janeiro, a fim de mostrar que o considera “quarentena de araque”.

Jogos eleitorais/ A filiação de Marta Suplicy ao Solidariedade indica que o PT pode ter ainda mais problemas para a eleição de prefeito de São Paulo. É que Marta, se concorrer, ainda é considerada boa de voto na capital paulista.

Enquanto isso, na economia/ As promessas feitas pelo governo, de recuperação econômica no ano que vem, não são compartilhadas pelos economistas. O cenário, diante de um endividamento necessário agora por causa da pandemia, ainda é para lá de incerto. Quem em juízo não arrisca previsões para o amanhã. Diante do vírus, a ordem é viver a cada dia a sua aflição.

Bolsonaro busca de respaldo técnico para suas teses e aumenta tensão com a Saúde

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O fato de o presidente Jair Bolsonaro ter recebido o ex-ministro da Cidadania Osmar Terra e médicos para ouvi-los sobre cloroquina fez crescer as apostas sobre uma possível troca de comando no Ministério da Saúde. Entre os políticos, não resta dúvidas de que o presidente, dia após dia, desautoriza o ministro Luiz Henrique Mandetta. A visão de aliados mais próximos do presidente Jair Bolsonaro, porém, é a de que o ministro é quem tem desautorizado o presidente, que pensa diferente do ministro. Bolsonaro, embora não pense como o ministro, não o substitui porque teme que isso termine por lhe corroer ainda mais a popularidade, em caso de agravamento da crise. Agora, entretanto, está na fase de usar argumentos técnicos para tentar respaldar suas posições e levar à tradicional lie das quintas-feiras no Alvorada.

Ainda que tenha receio de trocar o ministro, Bolsonaro tem dobrado sua aposta no fim do isolamento social e sempre que pode faz questão de deixar claro que não compartilha da visão de Mandetta. É o que lhe resta, uma vez que uma demissão do ministro arrisca dinamitar a ponte que o ministro tem feito entre o governo federal e os estados. Há uma avaliação dentro do governo que alguém com um perfil automaticamente alinhado com o que pensa o presidente teria dificuldades em manter esse trabalho que já está em curso com os governos estaduais, que optaram pelo isolamento horizontal.

Bolsonaro não vai parar de colocar a sua posição. Terra foi chamado ao Palácio porque o presidente queria ouvir a posição dele sobre epidemias, que é idêntica à do presidente, e já foi detalhada em entrevista ao CB.Poder na semana passada. Segundo relatos, o deputado repetiu ao presidente sua posição contrária ao isolamento horizontal, citou sua experiência com a epidemia de H1N1, no Rio Grande do Sul, quando era secretário de Saúde. A comparação entre as duas epidemias não é considerada válida por muitos estudiosos e não tem sido seguida por países da Europa, porque a velocidade de propagação dos vírus é diferente. Numa de suas coletivas, Mandetta inclusive mencionou que quem seguisse a receita de combate ao H1N1 para o coronavírus iria errar.

Mandetta é no momento o ministro mais popular do presidente Jair Bolsonaro. Sua capacidade de diálogo, de ação, de coordenação de equipe e seu semblante de cansaço por noites mal-dormidas são, segundo pesquisas, a percepção do trabalho do governo federal em prol da combate ao coronavírus. Perder esse ativo pode ser um erro e levar outros a rufar panelas em caso da agravamento da crise. Resta saber se Bolsonaro vai pagar para ver ou deixar passar essas rodada.

Produtores rurais cobram do governo equipamento de proteção e testes para detecção de coronavírus

Alerta do agro
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Produtores rurais fizeram uma série de reuniões, nos últimos dias, para cobrar do governo equipamento de proteção e testes para detecção de coronavírus. O setor continua trabalhando a pleno vapor e não há o desabastecimento, porém quer das autoridades sanitárias a garantia de máscaras para os trabalhadores e, de quebra, também os testes capazes de mapear quem está infectado, para poder separá-los daqueles que não estão, de forma a garantir a continuidade dos serviços. A ideia é fazer no agro o que foi feito com toda a população da Coreia do Sul.

A preocupação já foi levada à ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e ao presidente da Comissão de Agricultura, o deputado Fausto Pinato (PP-SP), que fazem a ponte com o agro e a Saúde, a fim de tentar resolver esse gargalo. O problema é que os testes têm sido voltados para os profissionais de saúde e a uma parcela dos doentes que chegam aos hospitais. Quando o cobertor é curto, uma parte fica descoberta.

O provocador

Foi dessa forma que os parlamentares classificaram Jair Bolsonaro, depois de reunião com um grupo de médicos para discutir o uso da cloroquina, sem avisar a Luiz Henrique Mandetta. Além de expor mais uma vez o ministro da Saúde, o presidente tirou os médicos da sua função na linha de frente do combate ao coronavírus, demonstrou não confiar na sua equipe e reduziu o prazo de validade do pronunciamento à nação esta semana. Pior, impossível.

Onde pega

Bolsonaro está convencido de que, se conseguir liberar logo os recursos para atendimento da população sem emprego, e se a cloroquina der certo, recupera a popularidade perdida. O problema é que a substância é usada hoje em casos de UTI por causa dos efeitos colaterais. E, para completar, tem gente no entorno presidencial torcendo pela demora na liberação de recursos para que ele possa dizer, lá na frente, que tinha razão quanto à volta imediata ao trabalho.

Discurso versus prática

A classe política gostou da mudança de tom do pronunciamento de Bolsonaro, na última terça-feira. Porém, para o “vamos dar as mãos”, será preciso que ele converta o discurso em ações de união e, até aqui, essas atitudes de unidade não vieram.

Pronunciamento iogurte

Há um consenso até dentro do governo de que, se o presidente continuar a ouvir mais o gabinete do ódio e, em especial, Carlos Bolsonaro, sua fala entrará na classificação dos gêneros perecíveis. Hoje, o 02 tuíta muito mais sobre desemprego do que sobre como ajudar no controle da doença na cidade pela qual foi eleito vereador, o Rio de Janeiro. Ou seja, serviço que é bom, é só o zero. Sem o número dois.

Sinais

Aliados do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), têm notado uma mudança nas redes sociais. Antes, qualquer postagem dele recebia uma chuva de milhares de interações negativas por parte dos bolsonaristas. Agora, essas interações caíram para menos de 400.

Lula na área…

Em entrevistas a blogs e sites alternativos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveita o momento de crise para tentar comparar a crise econômica, que chamou de “marolinha”, à atual, que Bolsonaro chamou na semana passada de “gripezinha”. “As duas crises levam à necessidade de ter governo, e agora não vejo. Não tem articulação”, disse, referindo-se a Bolsonaro.

… Quer o lugar de Dória

O objetivo do PT nesse momento é recuperar o espaço político de polarização com Bolsonaro, vaga que o governador de São Paulo, João Doria, está conquistando pelo país afora.

Curtidas

Família testada/ O presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade, que compôs a comitiva de Bolsonaro aos Estados Unidos, em março, descobriu que terminou infectando a esposa, a filha e os netos, e todos foram testados. Estão todos bem.

Família no escuro/ Pelo país afora, há inúmeros exemplos de famílias que perderam entes queridos com quadro de Síndrome Respiratória Aguda Grave. Não sabem ainda se foi Covid-19, nem são levados a fazer o teste.

Quem pode pode/ O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, despachou 23 aviões para a China a fim de buscar equipamentos hospitalares e testes para detecção de coronavírus. No mundo, está assim: quem paga à vista, leva primeiro.

110 Sul, a quadra dividida/ Durante o pronunciamento de Bolsonaro, o som dos blocos de apartamentos funcionais em que residem os brigadeiros e altos oficiais da Aeronáutica era o do Hino Nacional. Uma estratégia inteligente para abafar o rufar das panelas nos blocos civis.

Bolsonaro não abrirá mão de posições sobre o combate ao coronavírus

Bolsonaro
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Assessores de Jair Bolsonaro são praticamente unânimes em afirmar que o capitão está convencido de suas posições sobre o combate ao coronavírus e não abrirá mão delas até o final da crise, ainda que danos eleitorais ocorram no futuro. A aposta do presidente continua sendo a de que, quando a crise passar, os eleitores voltarão a apoiá-lo. Nesse sentido, o máximo que a equipe pode fazer por ele, até aqui, é colocar todos os dados técnicos como obra e graça do Planalto.

O problema é que muitos ministros começam a ficar constrangidos com a postura do chefe. Porém, ninguém vai sair enquanto perdurar a crise da saúde e, no caso de Paulo Guedes, vem ainda a crise econômica, depois da pandemia, acompanhada da terceira onda, a política. O futuro do Brasil nunca foi tão incerto.

Atrasados

A demora de Bolsonaro em sancionar a ajuda de R$ 600 aos trabalhadores informais começou a ser explorada pela oposição, e ficará assim por mais tempo. Afinal, completou um mês da chegada do vírus no Brasil e, até o momento, a parte econômica, tão citada pelo presidente, ainda não resultou em recursos nas mãos dos mais necessitados.

Constrangimento

Os diplomatas brasileiros pelo mundo afora estão tontos, sem saber como explicar a posição do governo e a edição da fala de Tedros Adhanom feita pelo presidente, em rede nacional. Afinal, o diretor da Organização Mundial de Saúde (OMS) não recomendou a volta ao trabalho, e sim a proteção das pessoas mais necessitadas.

Sentiu o tranco

Os cuidados de Bolsonaro ao dizer, em seu pronunciamento, que está preocupado com a saúde das pessoas, foram vistos como um sinal de que percebeu a perda de popularidade. Porém, o fato de dizer que quer retomar seu projeto de desenvolvimento indica que ainda não se deu conta do tamanho da crise e de que terá que ter um plano B.

Terra, o conselheiro

O ex-ministro Osmar Terra sustenta, há 15 dias, que a curva de casos no Brasil não será a mesma de países como a Itália, e que isso não se deve ao isolamento. É na posição dele que Bolsonaro tem se pautado.

“Bolsonaro chora porque viu que errou e errou feio”

Do deputado Fábio Trad (PSD-MS), irmão do senador Nelsinho Trad, que não tem comorbidades e teve 10% dos pulmões comprometidos pela Covid-19

Deputado na UTI/ Vice-líder do PSC, o deputado Aluisio Mendes (MA) está internado no Sírio Libanês, em Brasília, por causa da Covid-19. À coluna, ele contou que há seis dias passou mal, foi ao hospital e os testes deram positivos. Ainda não saiu da UTI, mas apresenta melhoras.

As fake news reinam…/ Como se não bastasse a gravidade da pandemia, as pessoas ainda têm que conviver com montagens de fotos que proliferam pelo WhatsApp sem o menor controle. Uma das últimas, repassadas nos grupos bolsonaristas, mostra a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, junto com o vice-governador Antenor Roberto e o prefeito de Natal, Álvaro Dias.

… e as ironias também/ Nos grupos petistas, alguns posts perguntam “Cadê o Queiroz?”, numa referência ao ex-assessor de Flávio Bolsonaro, que recebia depósitos dos funcionários do gabinete de Flávio nos tempos de deputado estadual. Os posts vêm acompanhados de frases do tipo: “reza a lenda que a família Bolsonaro recomendou a ele distanciamento social, isolamento e quarentena, a fim de evitar contaminação”.

Termômetro/ O Park Sul, no setor industrial do Guará, onde, em 2018, os moradores comemoraram de forma efusiva a vitória de Bolsonaro, aderiram ao panelaço na hora do pronunciamento do presidente, ontem à noite.

CB.PODER/ O senador Major Olímpio (PSL-SP) é o entrevistado de hoje do programa, logo depois do jornal local, na TV Brasília e nas redes sociais do Correio Braziliense.

Bolsonaro adota discurso mais moderado

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O pronunciamento de hoje mostrou que o presidente Jair Bolsonaro sentiu o tranco da queda de popularidade e estende a mão para o diálogo e para tentar recuperar o que perdeu. Falou da saúde das pessoas, da necessidade de união, se colocou como aquele que detém o comando da equipe ao dizer que determinou aos ministros que cuidem dos brasileiros. Falou inclusive em união de todos, governadores, prefeitos, Legislativo, Judiciário na guerra contra o coronavírus. O discurso de união, de “vamos juntos” e de preocupação primeiramente com a saúde das pessoas finalmente substituiu o da “gripezinha”.

Resta saber se as ações presidenciais seguirão nesse sentido. Na reunião dos governadores do Sudeste, semana passada, por exemplo, o presidente mais atacou do que discutiu saídas para estados como São Paulo, o epicentro da pandemia no Brasil. Ficou mais preocupado com o embate politico com o governador João Doria, citando inclusive a eleição de 2022, algo que não está na cabeça do brasileiro nesse momento. A tensão com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, é outro ponto. Não dá para o presidente nomear um ministério técnico e desprezar as recomendações técnicas de sua equipe, ao ponto de ministro ter que olhar para o seu colega da Casa Civil, Braga Neto, e escolher as palavras mais amenas para expor os resultados do confinamento _ como fez Mandetta na coletiva de hoje.

Bolsonaro não deixou ainda de citar a parte que lhe agradou do discurso do diretor Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom. Porém, manteve dessa “missa” a metade, ao mencionar apenas a parte em que Adhanom fala sua preocupação com os informais e desconhecer o trecho com a referência à necessidade de proteção dessas pessoas por parte dos governos.

A parte da OMS, porém, não ocupou tanto o discurso como se esperava e o ponto alto foi mesmo a mudança de tom. Embora Bolsonaro tenha mantido suas referências à cloroquina e à preocupação com o emprego, fez questão de lembrar que não há tratamento específico para Covid-19 e nem vacina. Agora, assim como os médicos trabalham incansavelmente para recuperar a saúde dos cidadãos que procuram os hospitais, o presidente trata de querer recuperar a sua saúde política. Ainda está em tempo. Basta levar o discurso à prática.

Mistério no Planalto

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A equipe do presidente Jair Bolsonaro diz não saber informar o tom do pronunciamento que o presidente fará logo mais em cadeia nacional de rádio e tevê. Sabe-se apenas que será na linha do que ele já vem defendendo em relação ao combate ao coronavírus. De quebra, loas ao 31 de março, aniversário do golpe de 1964. Alguns dizem que só quem sabe do teor são os filhos do presidente, em especial, Carlos Bolsonaro.

Na semana passada, quando do primeiro pronunciamento, os militares chegaram a fechar um texto com o presidente, mas foram surpreendidos na hora em que Bolsonaro falou. O tom foi bem diferente daquele acertado com assessores e ministros, que tratava da gravidade da pandemia. Se Bolsonaro hoje optar por falar da Organização Mundial de Saúde, conforme sugeriu que faria pela manhã,corre o risco de mais um fiasco internacional para se somar ao fato de ter sido classificado como o líder que pior está lidando com a crise do coronavírus.